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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

RADAR JUDICIAL

Advogado de Trump
SÓ FALTAVA ESSA!

O advogado Martin De Luca, que atua para a Trump Media e na plataforma Rumble, nos Estados Unidos, embrenhou-se na segunda-feira, 15, em comentar assuntos da Justiça brasileira. Trata-se de explicação sobre o cumprimento da pena pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda. No X o advogado de Trump teceu sua ponderação sobre o caso. Diz ele: “Pense nisso. O tratamento dado a um réu brasileiro está sendo calibrado não pela lei ou pela justiça, mas pelas ações do governo americano. Isso não é Estado de Direito. Isso é diplomacia de reféns. Em qualquer sistema de justiça criminal normal, a punição está vinculada às ações do réu, não às decisões políticas de um governo estrangeiro”.

O advogado faria melhor se cuidasse de orientar o presidente Donald Trump pelos abusos cometidos com anistia para arruaceiros, na invasão do Capitólio, pela perseguição a universidades ou a advogados, deixando de lado as ocorrências do Brasil, que, atualmente, possui uma democracia mais respeitada que a a americana. Ademais a Justiça brasileira não tem obrigação alguma de oferecer satisfação de suas decisões para um advogado ou para a Justiça americana.   

FUNCIONÁRIO DO BB VAI PRESIDIR CORREIOS

O governo Luiz Inácio da Silva escolheu Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil, para presidir os Correios. A indicação, apoiada pelo ministro Rui Costa (Casa Civil), já passou pela Casa Civil e deve ser oficializada até esta semana. Ele substituirá Fabiano Silva dos Santos, que pediu demissão em julho e aguarda a definição do sucessor. Descrito como discreto e técnico, Rondon assumirá a estatal em grave crise financeira. Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,64 bilhões no 2º trimestre de 2025, quase cinco vezes o de 2024. No 1º semestre, o rombo chegou a R$ 4,37 bilhões, triplo do ano anterior. Sob Santos, a empresa alertou o governo acerca do risco de insolvência e necessidade de aporte da União. O ministro Fernando Haddad (Fazenda) foi avisado em reunião em junho. Há receio de faltar caixa para salários e despesas básicas ainda em 2025. Nesse caso, a União teria de cobrir com até R$ 20 bilhões, afetando o Orçamento Federal. Simulações apontam problemas de liquidez já no mês que vem. Apesar da resistência, técnicos do governo veem o aporte como inevitável. 

NAVALNI FOI ENVENENADO 

A viúva do ativista russo Alexei Navalni, Iulia, afirmou hoje, 17, que seu esposo foi envenenado, pelo governo de Putin, antes de morrer em uma prisão no Ártico, em fevereiro do ano passado. Segundo ela, exames feitos em dois institutos no Ocidente confirmaram o envenenamento. Iulia, que vive na Alemanha, não apresentou provas, mas declarou que os laboratórios não querem expor “a verdade inconveniente”. O Kremlin afirmou desconhecer o vídeo e voltou a negar envolvimento. Navalni, condenado pela corrupta Justiça russa, a 30 anos, tinha 47 anos quando colapsou durante uma caminhada na prisão. Moscou atribuiu a morte a doenças, mas opositores apontam as condições carcerárias. O ativista já havia sido envenenado em 2020, em Tomsk, e acusou o FSB de usar Novitchok em suas roupas. No documentário premiado com o Oscar, um agente chegou a admitir detalhes do ataque em ligação enganosa. Navalni responsabilizou diretamente Putin, que sempre negou. Analistas dizem que ele pode ter sido vítima de pressões locais ou de desgaste físico. Figura central da oposição desde 2012, Navalni organizou grandes protestos e tentou concorrer à Presidência em 2018, mas foi barrado. Sua fundação anticorrupção foi classificada como extremista e dissolvida. Apesar da popularidade no Ocidente, pesquisas do Centro Levada sempre o mantiveram em torno de 5% de apoio eleitoral na Rússia. Ainda assim, tornou-se símbolo da resistência democrática, sobretudo entre os jovens.

CONDENAÇÃO POR FALSO TESTEMUNHO

A 4ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SC confirmou, por unanimidade, condenação de um homem por falso testemunho (art. 342, §1º, do CP). O caso ocorreu em 25 de maio de 2017, durante audiência no fórum de Garopaba (SC). Na ocasião, ele negou ter escrito cartas anexadas ao processo. Perícia comprovou que era o autor dos documentos, feitos para favorecer dois acusados. A defesa alegou cerceamento de defesa por não poder apresentar novas provas. O argumento foi rejeitado porque não foi levantado na fase de instrução. O tribunal afirmou que não houve prejuízo concreto à ampla defesa. O relator destacou que os autos já tinham elementos suficientes para sustentar a sentença. No mérito, pediu-se absolvição por falta de provas. A corte entendeu que autoria e materialidade estavam comprovadas. Depoimentos e laudo mostraram alteração da verdade para proteger terceiros. Assim, o recurso foi negado e a condenação mantida.

PRISÃO DE HOMEM QUE INCENDIOU BANHEIROS QUÍMICOS

O Núcleo de Audiências de Custódia do TJDFT converteu em preventiva a prisão em flagrante de um homem de 22 anos, autuado por incêndio em área pública no dia 9 de setembro. Na audiência, o acusado conversou reservadamente com a defensora. O MPDFT pediu a conversão da prisão, enquanto a defesa solicitou liberdade provisória. O caso envolveu o incêndio de banheiros químicos, usados no desfile de 7 de setembro. Dois dias após o evento, o homem ateou fogo às estruturas, ainda no local. Com ele, foram apreendidos latas de butano e um isqueiro. Felizmente, não havia pessoas nos banheiros no momento. O juiz homologou o flagrante, porque entendeu comprovada a materialidade e autoria, e negou relaxamento da prisão. Para ele, a conduta gerou grave risco à ordem pública e demandou ação de órgãos do Estado. Apesar de primário, o réu foi considerado perigoso. O magistrado entendeu não haver medida cautelar alternativa capaz de garantir a segurança social. Assim, determinou a manutenção da prisão preventiva.

Santana/Ba, 17 de setembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


PROFESSORES: 20%

A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) aprovou, por unanimidade, o pagamento de um abono extraordinário de 20% aos professores e coordenadores pedagógicos da rede estadual, ativos e aposentados, referente à quarta parcela dos precatórios do Fundef. 
A votação ocorreu hoje, 17, após acordo por dispensa de formalidades entre os líderes da maioria e minoria. O texto foi relatado pelo líder do governo, deputado Rosemberg Pinto (PT). Duas emendas foram apresentadas para aumentar o percentual: Tiago Correia (PSDB) propôs 30% e Hilton Coelho (PSOL) sugeriu 40%, mas ambas foram rejeitadas. O pagamento do abono corresponderá a 20% do valor da parcela, totalizando cerca de R$ 720 milhões. Serão beneficiados todos os integrantes da carreira do magistério constantes na folha da Secretaria da Educação (SEC) e da Superintendência de Previdência (Suprev). A quarta parcela do Fundef prevê o pagamento de R$ 3,6 bilhões, valores repassados pela União. Até agora, o governo federal já transferiu 40% do montante, aproximadamente R$ 1,74 bilhão.

Segundo o governo da Bahia, o abono será proporcional à carga horária de cada servidor. Mais de 87 mil profissionais devem ser contemplados com a medida. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) ressaltou que o benefício reforça a valorização do magistério. No ano passado, também houve pagamento de abono extraordinário. Na ocasião, o percentual foi de 30% sobre a parcela de R$ 1,5 bilhão. Foram destinados R$ 450 milhões adicionais aos professores. Os valores pagos em 2024 variaram entre R$ 3 mil e R$ 6 mil. A medida beneficiou milhares de profissionais da rede estadual. A decisão atual mantém o percentual em 20%, apesar da pressão por aumento. O objetivo é ampliar os ganhos dos educadores com recursos do Fundef.
A iniciativa busca reconhecer o papel dos professores na rede pública. A expectativa é de pagamento imediato após a liberação dos recursos.


TRUMP ENFRENTA EPSTEIN, EM LONDRES

Quatro pessoas foram presas ontem, 16, após projetarem imagens de Donald Trump ao lado do financista Jeffrey Epstein nas paredes do Castelo de Windsor, residência real britânica onde o presidente dos EUA será recebido pelo rei Charles 3º. Trump desembarcou no Reino Unido no fim do dia e participará, hoje, 17, de cerimônias oficiais em Windsor, a 40 km de Londres. Poucas horas antes, manifestantes exibiram um banner com fotos de Trump e Epstein perto do castelo e depois projetaram imagens semelhantes em uma torre. Segundo a polícia, quatro suspeitos foram detidos sob acusação de “comunicações maliciosas” após o ato classificado como “projeção não autorizada” e “provocação pública”. Na madrugada desta quarta, ainda estavam sob custódia. O protesto ocorreu em meio à nova repercussão sobre vínculos de Trump com Epstein, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. Em 8 de setembro, democratas divulgaram uma suposta carta de aniversário de Trump a Epstein, escrita há mais de 20 anos. A Casa Branca nega sua autenticidade. A carta, também projetada no castelo, mostra Trump chamando Epstein de amigo e desejando que “cada dia seja outro segredo maravilhoso”. O texto vinha acompanhado do desenho de uma silhueta feminina nua.

Além disso, foram exibidas imagens de vítimas de Epstein, recortes de reportagens e trechos de relatórios policiais. Embora Trump peça que seus apoiadores “sigam em frente”, o interesse público sobre os crimes do financista e possíveis envolvidos segue alto. Mais cedo nesta terça, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que não há “informações confiáveis” nos arquivos da agência sobre tráfico de mulheres por Epstein. A fala ocorre no momento em que apoiadores de Trump, muitos obcecados pelo caso, acusam o governo de descumprir promessas de revelar uma lista de clientes de Epstein. Aliados radicais do republicano haviam dito que divulgariam a lista se chegassem ao poder. Quando, em julho, o governo afirmou que a lista não existia, muitos apoiadores viram a decisão como acobertamento, lembrando da amizade de anos entre Trump e Epstein. 

PEC DA IMPUNIDADE LIMITA PRISÃO DE PARLAMENTARES

A Câmara aprovou, ontem, 16, a PEC que amplia a blindagem de deputados e senadores contra processos judiciais e restringe prisões de parlamentares. Conhecida como “PEC da Blindagem” ou “PEC da Impunidade”, a proposta teve apoio do Centrão, mas também de setores da direita e da esquerda. O relator Claudio Cajado (PP-BA) incluiu garantias maiores do que as previstas na Constituição de 1988, derrubadas em 2001. No primeiro turno, foram 353 votos a favor e 134 contra; no segundo, 344 x 133. O texto segue para o Senado. A PEC estabelece que, após a diplomação, parlamentares só poderão ser alvo de medidas cautelares do STF, excluindo instâncias inferiores. Prisões só ocorrerão em flagrante de crimes inafiançáveis, como racismo e tráfico de drogas. O Congresso deverá ser informado em até 24 horas e decidir, por voto secreto, se mantém ou não a prisão. Deputados de diferentes partidos criticaram o sigilo. Rogério Correia (PT-MG) e Zé Trovão (PL-SC) rejeitaram o voto secreto, defendendo transparência. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), justificou a votação como resposta a “abusos” contra parlamentares.

O governo Lula liberou a bancada. Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu foco em pautas como a isenção do IR até R$ 5 mil. Renan Calheiros foi contra: “Com o meu voto, não passa”. Outro ponto polêmico foi a inclusão de presidentes de partidos com representação no Congresso no foro privilegiado, medida criticada até pela oposição. Adriana Ventura (Novo-SP) chamou a proposta de “escárnio”. Carlos Jordy (PL-RJ) defendeu que a PEC fortalece o Congresso, embora considere o texto “longe do ideal”. A PEC voltou a tramitar após o motim bolsonarista. O Centrão condicionou seu avanço ao apoio à anistia de golpistas, que pode beneficiar Jair Bolsonaro. Os pontos principais da medida são: Julgamento exclusivo pelo STF desde a diplomação; – Instâncias inferiores não podem aplicar cautelares; – Prisão só em flagrante de crimes inafiançáveis; – Presidentes de partidos com foro privilegiado; – Decisão sobre prisões caberá ao Congresso, por voto secreto. 

O HITLER ATUAL MATA, SEM PIEDADE, EM GAZA

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou na terça, 16, que o ataque contra líderes do Hamas no Qatar foi "justificado". 
Disse que o Qatar "está ligado ao Hamas, abriga o Hamas, financia o Hamas" e tinha alavancas para negociar um cessar-fogo. Segundo ele, Doha optou por não usá-las, então "nossa ação foi totalmente justificada". Na semana passada Tel Aviv atacou líderes do grupo no Qatar, mas não matou membros do alto escalão. Após o ataque, o governo do americano Donald Trump disse que não fora informado previamente. Ainda assim, Washington mostrou demonstrações de apoio a Doha, importante aliado na região. Netanyahu afirmou não descartar novos ataques contra líderes do Hamas "onde quer que estejam". O premiê falou à imprensa ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Jerusalém. Em seguida, chamou Trump de "o maior amigo" que Israel já teve na Casa Branca. "Sua presença aqui hoje é uma mensagem clara de que os Estados Unidos apoiam Israel", declarou. Rubio reiterou que o Hamas "precisa deixar de existir como um elemento armado".

O secretário pediu a libertação imediata dos reféns israelenses mantidos em Gaza. Na semana anterior, Rubio disse que os EUA incentivarão o Qatar a manter papel construtivo em negociações de cessar-fogo. Ele anunciou que visitará o país árabe após a missão em Israel. A fala de Netanyahu ocorre em paralelo a uma evolução sem precedentes da operação israelense.
O Exército de Israel iniciou uma ofensiva terrestre para ocupar a Cidade de Gaza. Até então os ataques vinham sendo majoritariamente aéreos; agora há entrada de tropas terrestres. Questionado sobre a ofensiva, Trump afirmou que o Hamas enfrentará "grandes problemas" se usar reféns como escudos humanos. "Vamos esperar para saber o que acontece. Se fizerem isso, terão grandes problemas", disse o presidente. A situação intensifica tensões entre ações militares e esforços diplomáticos na região. 

O CRIME ORGANIZADO NO BRASIL MATOU MAIS UM!

O delegado Ruy Ferraz Fontes sabia que estava jurado de morte. Não sabia quando, mas a execução aconteceu na segunda-feira, 15, quando foi morto a tiros de fuzil na Praia Grande (SP), onde morava após se aposentar e assumir cargo na prefeitura. Ruy tinha uma longa trajetória no enfrentamento ao crime organizado. Nos anos 1990, atuou contra quadrilhas de assalto a banco e foi um dos primeiros a perceber que o PCC havia expandido sua influência para além dos presídios, estruturando-se como rede criminosa. Chegou ao cargo máximo da Polícia Civil de São Paulo, o de delegado-geral. Ficou conhecido por investigações contra a cúpula do PCC e pela firmeza com que alertava, inclusive à imprensa, sobre os riscos da facção, o que o tornou ainda mais visado. Poucas semanas antes da morte, declarou à rádio CBN que vivia sem escolta, sozinho em área dominada pelo PCC. Chamou sua própria situação de “morte anunciada”. O promotor Lincoln Gakiya, também jurado de morte, já havia alertado sobre o risco. Após o assassinato, afirmou que a participação do crime organizado é evidente e criticou a falta de proteção a quem combateu a criminalidade por mais de 40 anos.

Ruy havia conduzido operações contra Marcola, chefe do PCC. Foi morto dentro do carro, sem blindagem, em uma emboscada precisa: mais de dez disparos de fuzil, executados com frieza, revelam planejamento e ousadia. Casos semelhantes já ocorreram. Em 2003, o juiz Machado Dias, corregedor de presídios, foi morto em Presidente Prudente. Em 2005, José Ismael Pedrosa, ex-diretor do Carandiru, foi executado em Taubaté. Em agosto, o promotor Amauri Silveira Filho, de Campinas, teve a morte encomendada pelo PCC, mas o plano foi descoberto a tempo. Ele segue atuando no Gaeco. O Brasil repete o roteiro de países como Colômbia e México, onde autoridades e jornalistas foram alvos do crime organizado. E resta a pergunta: quem protege quem nos protege? 

INSTALAÇÃO DE CÂMERAS: PRIVACIDADE

A 17ª Câmara Cível do TJ-MG condenou uma mulher a indenizar duas vizinhas em R$ 12 mil, por danos morais, devido à instalação de câmeras que feriam a privacidade delas. 
O colegiado também determinou que os equipamentos fossem retirados ou reposicionados. As vizinhas entraram com ação alegando que as câmeras tinham visão em 360º e captação de áudio contínua, extrapolando os limites da proteção da propriedade. A ré alegou que os aparelhos estavam em seu terreno e eram “imprescindíveis” para sua segurança. Em 1ª instância, a Vara Única de Tarumirim ordenou a retirada ou reposicionamento das câmeras e fixou multa diária de R$ 500, até R$ 20 mil, mas rejeitou o pedido de indenização. As partes recorreram: as autoras pediram indenização e a ré alegou cerceamento de defesa, por não ter sido ouvida prova testemunhal.

A relatora, desembargadora Aparecida Grossi, manteve a ordem de retirada das câmeras, mas reconheceu dano moral, fixando R$ 6 mil para cada vizinha. Ela destacou que captar som e imagem da residência vizinha restringe liberdade, intimidade e prejudica atividades cotidianas. Segundo a magistrada, a casa é local de acolhimento e descanso, devendo garantir ambiente tranquilo. Ao registrar imagem e som de outra residência, há evidente violação de privacidade. Grossi ainda rejeitou a alegação de cerceamento, pois a prova testemunhal seria desnecessária, já que a ré não negou a captação de áudio e vídeo. Os desembargadores Roberto Soares de Vasconcellos Paes e Amauri Pinto Ferreira acompanharam o voto da relatora. 


BOLSONARO É CONDENADO EM R$ 1 MILHÃO

Jair Bolsonaro (PL) foi condenado ontem, 16, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a pagar R$ 1 milhão por danos morais, face a declarações racistas sobre cabelos de pessoas negras, em 2021; ele comparou o cabelo de um cidadão negro com "criatórios de baratas", em live, quando ainda era presidente. O julgamento ocorreu em Porto Alegre, dias após sua condenação no STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O relator Rogério Favreto determinou que Bolsonaro e a União paguem a indenização, em decisão unânime do colegiado. O valor é inferior aos R$ 5 milhões pedidos pelo MPF e pela DPU por danos morais coletivos.

Três falas de Bolsonaro, em maio e julho de 2021, motivaram o processo. Ele associou cabelos crespos a baratas e piolhos, além de fazer comentários depreciativos em uma live. A procuradora Carmen Hessel destacou que o cabelo é símbolo da negritude e alvo histórico de racismo. O MPF afirmou que as falas atingiram a população negra em geral, não apenas o apoiador presente. A advogada Karina Kufa alegou ausência de intenção racista e disse que o apoiador nunca se sentiu ofendido. O TRF-4 também reincluiu a União como ré. A indenização será destinada a entidades sociais, e Bolsonaro terá de se retratar publicamente. Em 2017, ele já havia sido processado por ofensas a quilombolas, mas o caso foi arquivado em 2019.


MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 17/09/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Câmara dos Deputados aprova PEC para driblar Justiça

Proposta restringe possibilidade de investigar parlamentares, exigindo que Câmara ou Senado autorizem processo contra seus integrantes. Texto também prevê que prisão de deputados ou senadores só ocorra com permissão das Casas, em votação secreta

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Aprovada na Câmara

Eduardo, Elmar e emendas: veja as investigações que podem ser barradas pela PEC da Blindagem

Parlamentares podem ser beneficiados caso a proposta avance também no Senado

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Sob ordem de Trump, parques podem ter de apagar referências à escravidão

Decreto determina a eliminação de informações com 'ideologia corrosiva' que menospreze americanos históricos Informações sobre racismo, sexismo, escravidão, direitos LGBTQIA+ ou perseguição aos povos indígenas

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Jerônimo envia projeto para pagar abono a professores

Jerônimo Rodrigues encaminhou à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) 
o Projeto de Lei 25.945

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Justiça investiga Smamus e incorporadora por obra de prédio supostamente fora dos padrões do Plano Diretor de Porto Alegre

Ambos negam irregularidades em prédio cujo máximo de andares previstos 
são três, porém construção teria sido aprovada pela Prefeitura 
com até sete andares

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Já nasceram 57 bebés em ambulâncias, mas urgência regional de Ginecologia-Obstetrícia na Margem Sul divide médicos

terça-feira, 16 de setembro de 2025

RADAR JUDICIAL

ISRAEL INVADE GAZA

O Exército de Israel iniciou ontem, 15, ofensiva terrestre para ocupar a Cidade de Gaza, após semanas de bombardeios aéreos. O chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, afirmou que há aumento de evidências de crimes de guerra e contra a humanidade por parte de Israel. Türk pediu o fim da “carnificina” e disse que cabe aos tribunais decidir se há genocídio, mas destacou o acúmulo de violações. O gabinete de segurança de Israel, liderado por Netanyahu, aprovou a expansão da campanha militar, alegando que Gaza é reduto do Hamas. Netanyahu, ao lado do secretário de Estado americano Marco Rubio, afirmou que não descarta novos ataques a líderes do Hamas. Ele declarou que Donald Trump é o “maior amigo” de Israel na Casa Branca, enquanto Rubio defendeu a destruição do Hamas. Na semana passada, Israel atacou líderes do grupo no Qatar, mas não atingiu a cúpula. Os EUA disseram não ter sido informados. A ofensiva já deslocou centenas de milhares de palestinos, com 300 mil fugindo da capital, segundo Israel. A Unicef criticou o deslocamento de crianças, alertando que os campos ao sul estão superlotados e inseguros. Mesmo sob alertas de retirada, muitos palestinos resistem a sair, temendo a insegurança em outras áreas de Gaza.

ÁRABES AMEAÇAM REVIDE A ISRAEL

Líderes árabes e muçulmanos reunidos em Doha pediram revisão dos laços econômicos e diplomáticos com Israel após o ataque a líderes do Hamas no Catar, segundo um rascunho de declaração obtido pela AFP. A cúpula, convocada pelo Catar, reuniu cerca de 60 países e propôs ações legais contra Israel, alertando que a agressão ameaça a normalização das relações estabelecida pelos Acordos de Abraão. Arábia Saudita, Emirados, Bahrein, Catar, Kuwait e Omã pediram aos EUA que usem sua influência para conter Israel. O emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, afirmou que o ataque israelense prejudica negociações sobre Gaza, e o primeiro-ministro catari pediu punição internacional a Israel. O primeiro-ministro israelense, Netanyahu, o Hitler dos tempos atuais, disse assumir total responsabilidade pelo bombardeio, que mira alvos considerados terroristas. Pesquisadores e líderes regionais destacam que ações concretas substituirão a retórica. A reunião também abordou segurança coletiva e alinhamento entre Estados árabes para enfrentar ameaças comuns.

PROJETO PODERÁ ELEVAR SALÁRIOS 

Um projeto de lei do TCU em tramitação na Câmara cria verba indenizatória que pode elevar salários de servidores a até R$ 72,8 mil por mês. A medida contraria o espírito da reforma administrativa, que busca conter supersalários. Mesmo assim, a urgência foi aprovada, permitindo votação direta em plenário. O adicional, chamado de Indenização por Regime Especial de Dedicação Gerencial (IREDG), pode alcançar 25% sobre a remuneração bruta. Por ser verba indenizatória, não se submete ao teto do funcionalismo nem ao Imposto de Renda. Com reajustes previstos, o valor máximo chegaria a R$ 82,2 mil em 2029. O TCU justifica a medida para estimular servidores a assumirem cargos de chefia, já pouco atrativos por causa do abate-teto. Críticos apontam contradição, já que o órgão é responsável por fiscalizar gastos públicos. O tribunal cita precedentes no Judiciário, Ministério Público, Senado e Polícia Federal. O projeto ainda prevê novas gratificações por desempenho e qualificação. 

CORREIOS EM CRISE

Os Correios atribuem a crise financeira atual à falta de investimentos no governo Jair Bolsonaro (2019-22). Em resposta a requerimento do deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP), a estatal prevê alívio com R$ 1,6 bilhão previsto em orçamento. Entre 2019 e 2022, foram aplicados R$ 447 milhões, contra R$ 792 milhões em 2023/24. Segundo Geverson Albuquerque, assessor da presidência, a restrição comprometeu a competitividade. Para enfrentar a situação, a empresa promete racionalizar despesas. Entre as medidas estão jornada reduzida de seis horas com corte salarial e incentivo a desligamento voluntário. O prejuízo no primeiro semestre chegou a R$ 4,37 bilhões. Reportagem revelou atrasos em aluguéis de agências. Também houve falta de pagamento a terceirizados. Funcionários enfrentaram dificuldades no plano de saúde. A crise culminou em forte desgaste da gestão. O presidente Fabiano Santos pediu demissão.

TRUMP DEMITE MAIS UMA QUE NÃO VOTOU EM SEU NOME

Maurene Comey, ex-procuradora federal e filha do ex-diretor do FBI James Comey, processou o governo Trump após ser demitida em julho. Ela alega que a exoneração teve motivação política ligada ao histórico do pai, adversário do republicano. A ação foi apresentada no tribunal federal de Manhattan contra o Departamento de Justiça e o Executivo. Segundo seus advogados, não houve justificativa oficial para a demissão. Procuradora por dez anos em Nova York, atuou em casos como os de Epstein, Ghislaine Maxwell e Sean “Diddy” Combs. Duas semanas após a condenação de Combs, ela recebeu email de demissão. O comunicado citava apenas o artigo 2 da Constituição dos EUA, sem explicações adicionais. Ela afirma ter sempre obtido avaliações positivas, inclusive em abril deste ano. Ao questionar a decisão, ouviu que a ordem “veio de Washington”. No processo, pede reintegração ao cargo e acusa interferência política.


Santana, 16 de setembro/2025

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


TRIBUNAL REJEITA DEMISSÃO DE LISA COOK

Um tribunal de apelações dos EUA rejeitou, ontem, 15, a tentativa de Donald Trump de demitir Lisa Cook, diretora do Federal Reserve. 
É a primeira vez desde 1913 que um presidente tenta afastar um membro do Fed, o que ameaça a independência da instituição. A decisão garante que Cook participe da reunião de política monetária desta semana, que deve discutir corte de juros. O tribunal negou pedido do Departamento de Justiça para suspender liminar que bloqueou a demissão. A Casa Branca deve recorrer à Suprema Corte. A juíza Jia Cobb decidira que acusações de fraude hipotecária não eram base legal suficiente para a remoção. A lei de 1913 só prevê afastamento “por justa causa”, nunca testada em tribunais. Primeira mulher negra no colegiado, Cook processou Trump e o Fed, alegando perseguição política. Trump pressiona por cortes agressivos de juros; o Fed prioriza o combate à inflação. O governo defende que o presidente tem poder para remover diretores, o que enfraqueceria a autonomia do banco central.

Na corte de apelações, dois juízes de Biden votaram contra o governo, e um indicado por Trump foi favorável. A Suprema Corte já autorizou Trump a demitir chefes de agências, mas reconheceu status especial do Fed. O governo queria afastar Cook antes da reunião do banco central. Advogados alegaram que isso daria credibilidade ao Fed; defensores dela alertaram sobre risco de instabilidade. Cobb afirmou que só condutas no cargo podem justificar demissão, não fatos anteriores à nomeação. Trump e William Pulte a acusam de preencher incorretamente formulários de hipoteca. Segundo eles, ela obteve juros menores e benefícios fiscais indevidos. Documentos, porém, contradizem parte das acusações. Em Atlanta e Ann Arbor, autoridades locais não confirmaram fraude. Mesmo assim, o Departamento de Justiça abriu investigação criminal em Michigan e na Geórgia. 

TRUMP INSISTE EM PROCESSAR JORNAL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que processará o New York Times em US$ 15 bilhões (cerca de R$ 80 bilhões) por difamação e calúnia. 
Segundo ele, o jornal teria ultrapassado todos os limites ao menti-lo e atacá-lo sistematicamente. Em sua rede social, Truth Social, Trump escreveu: "O New York Times tem tido liberdade para mentir, difamar e me atacar por tempo demais, e isso acaba, AGORA!". Ele acusou o jornal de ter se tornado um "porta-voz do Partido Democrata Radical de Esquerda". Trump também criticou o apoio do periódico à candidatura de Kamala Harris na eleição de 2024. Ele destacou que o endosso foi colocado no centro da capa do jornal, algo que classificou como "inédito". Segundo Trump, o processo será movido na Flórida, estado de maioria republicana. A BBC procurou o New York Times para comentar, mas não obteve resposta. Trump afirma que outros veículos também o difamam com manipulações de documentos e imagens. O ex-presidente é crítico de longa data da mídia que considera parcial à esquerda.

Não é a primeira vez que tenta judicializar acusações contra o New York Times. Em 2023, um juiz rejeitou uma ação de Trump contra o jornal, considerando as alegações improcedentes. Esse processo, de US$ 100 milhões, acusava o jornal e sua sobrinha Mary Trump de obter ilegalmente seus registros fiscais. A ação estava ligada a uma série de reportagens sobre as finanças de Trump, premiadas com o Pulitzer. Trump também processou a CNN em 2023, pedindo US$ 475 milhões por difamação. Na ocasião, alegou ter sido comparado a Adolf Hitler em programas da emissora. Um juiz federal rejeitou essa ação, assim como outras tentativas anteriores do ex-presidente. Trump insiste que há um sistema midiático articulado para prejudicá-lo politicamente. Agora, ele aposta em uma ação bilionária para enfrentar seu maior alvo: o New York Times.