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terça-feira, 9 de junho de 2026

LULA: 48,9; FLÁVIO, 41,8 EM SEGUNDO TURNO


O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu ontem, 8, a divulgação de pesquisa Atlas/Bloomberg que apontou queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva, que venceria com 48,9 contra 41,8A decisão atende parcialmente a pedido da pré-campanha de Flávio, que alegou possível indução dos entrevistados por perguntas relacionadas ao caso envolvendo o empresário Daniel VorcaroSegundo o ministro, há indícios de que a ordem das perguntas e o uso de conteúdo com carga negativa possam ter influenciado respostas sobre imagem, rejeição e intenção de voto. A AtlasIntel afirmou que o áudio citado foi exibido apenas ao final da pesquisa, sem possibilidade de alterar respostas anteriores, e defendeu o rigor metodológico do levantamento. O CEO da empresa, Andrei Roman, criticou a decisão e disse que ataques ao instituto ocorrem quando os resultados desagradam determinados grupos. A medida é liminar e será analisada pelo plenário do TSE nesta terça-feira (9). Até lá, a pesquisa não poderá ser divulgada, impulsionada ou republicada. Kassio também determinou que a Atlas apresente documentação complementar sobre a metodologia utilizada, enquanto o Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar sobre o caso. 

Especialistas ouvidos pela imprensa consideraram frágeis os argumentos da ação, embora tenham apontado algumas ressalvas técnicas ao levantamento. Os argumentos apresentados pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para suspender a pesquisa Atlas/Bloomberg são considerados frágeis por especialistas ouvidos pela Folha. Os especialistas Antonio Lavareda, cientista político e presidente de honra da Abrapel, e Raphael Nishimura, estatístico da Universidade de Michigan, afirmam não identificar sinais de manipulação ou indução dos resultados. Ambos, porém, apontam uma ressalva técnica: perguntas sobre rejeição e imagem de Flávio foram feitas após questões envolvendo o Banco Master e mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, o que poderia influenciar respostas. Nishimura também criticou o formato do questionário online, que permitia alterar respostas em uma única página rolável. Ainda assim, ele não vê violação das regras técnicas alegadas pelo PL. Lavareda considera inadequado que perguntas potencialmente influenciadoras antecedam a medição de rejeição, mas avalia que os demais questionamentos do partido não têm consistência técnica. O Atlas defendeu a metodologia, afirmando que temas de grande relevância pública podem anteceder avaliações políticas sem configurar indução, desde que não haja conteúdo persuasivo. O instituto também disse que o modelo adotado é comum em pesquisas online e que mudanças posteriores de respostas são raras e monitoradas.

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