A União Europeia confirmou o veto à importação de carne bovina, frango, pescado, mel e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro. A medida pode provocar perdas de quase US$ 2 bilhões anuais às exportações brasileiras. A decisão foi formalizada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após o bloco concluir que o Brasil não apresentou garantias suficientes para cumprir as regras europeias sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal. A legislação da UE proíbe substâncias usadas para estimular o crescimento dos animais e restringe antibióticos considerados essenciais para a medicina humana. Embora não tenham sido identificados casos de contaminação ou surtos sanitários, Bruxelas avaliou que o Brasil não comprovou adequadamente o cumprimento das exigências. O Brasil foi o único país retirado da lista de exportadores autorizados. Já países como Armênia, Índia, Indonésia, Sérvia e Tunísia mantiveram a habilitação após apresentarem a documentação exigida. Argentina, Paraguai e Uruguai também permaneceram aptos a exportar para o mercado europeu.
O Ministério da Agricultura publicou portarias em abril proibindo parte dos medicamentos questionados, mas a Comissão Europeia considerou as medidas insuficientes. Segundo autoridades brasileiras, a reversão da decisão dependerá de negociações políticas e de uma nova avaliação técnica da UE. Documentos internos do Ministério da Agricultura, obtidos pela Folha, mostram que o governo já reconhecia desde março que os controles brasileiros eram insuficientes para atender às exigências europeias. O parecer apontava dependência excessiva de autodeclarações de produtores e falta de fiscalização oficial independente sobre o uso de medicamentos em propriedades rurais. A UE sustenta que a medida tem caráter exclusivamente sanitário e não está relacionada ao acordo comercial com o Mercosul. O Itamaraty informou apenas que mantém negociações em andamento com o bloco europeu. Entidades do setor defendem que as exigências internacionais sejam baseadas em critérios científicos e avaliações de risco reconhecidas globalmente.
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