Os protestos que paralisam a Bolívia há cerca de um mês já provocaram dez mortes, derrubaram três ministros e colocaram o presidente Rodrigo Paz sob forte pressão. As manifestações começaram com reivindicações econômicas, mas evoluíram para um movimento que exige sua renúncia. Paz assumiu o governo em meio a uma grave crise econômica, marcada por escassez de combustíveis e dólares, recessão e inflação elevada. Primeiro presidente de direita após duas décadas de governos de esquerda, ele adotou medidas de austeridade, como o corte de subsídios aos combustíveis. A crise reflete antigas divisões do país, incluindo tensões étnicas entre setores indígenas e elites urbanas, além da polarização política entre a esquerda de La Paz e grupos conservadores de Santa Cruz. Parte da população acusa Paz de abandonar promessas feitas a setores populares que ajudaram em sua eleição. Os protestos reúnem sindicatos, professores, mineiros, organizações indígenas e movimentos sociais. Seu principal método é o bloqueio de estradas, que passou de 12 para mais de 90 pontos em sete dos nove departamentos bolivianos.
A paralisação tem provocado falta de alimentos, combustíveis, medicamentos e dificuldades no atendimento médico. Segundo o governo, sete pessoas morreram por não conseguirem acesso a cuidados de saúde. As perdas econômicas já somam bilhões de dólares, afetando empresas e pequenos negócios. A educação também foi prejudicada, com grande parte dos alunos de La Paz e El Alto tendo aulas remotas. Pressionado pelas ruas e pelo Congresso, Paz promoveu uma reforma ministerial e substituiu os ministros da Educação, Defesa e Trabalho. Embora tente abrir negociações, todas as tentativas de diálogo fracassaram até agora. Enquanto os manifestantes mantêm a exigência de renúncia do presidente, o governo insiste em buscar uma saída negociada para encerrar a crise.
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