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segunda-feira, 8 de junho de 2026

ChatGPT: 50 MILHÕES DE USUÁRIOS EM DOIS MESES; RÁDIO, 38 ANOS


O rádio levou 38 anos para alcançar 50 milhões de usuários; a televisão, 20 anos. Já o ChatGPT atingiu esse marco em apenas dois meses. O dado foi citado pelo pediatra americano Michael Rich, professor da Harvard Medical School e diretor do Digital Wellness Lab, durante o Arco Day 2026, evento da Arco Educação realizado em São Paulo. Segundo Larissa Sangalli, diretora de Produtos Digitais da Arco, o debate sobre inteligência artificial nas escolas mudou. Há dois anos, a preocupação era impedir o uso da IA; hoje, a questão é ensinar os alunos a utilizá-la de forma crítica. Para ela, o papel do professor permanece essencial, orientando os estudantes a avaliar e questionar os conteúdos produzidos pelas máquinas. Como exemplo, Larissa citou um professor que incentivou os alunos a identificar erros inseridos propositalmente em textos gerados com apoio da IA. A atividade estimulou o pensamento crítico, habilidade considerada cada vez mais importante no mercado de trabalho. Michael Rich alertou que a proibição total da IA tende a fracassar. Segundo ele, regras construídas com a participação dos estudantes costumam ser mais eficazes e respeitadas. Ao abordar saúde digital, Rich afirmou que o uso excessivo de telas se assemelha mais à compulsão alimentar do que à dependência química. Para ele, ansiedade e depressão geralmente antecedem o excesso de uso, sendo ampliadas pela tecnologia.

No Brasil, a Lei nº 15.100, de 2025, restringe o uso de celulares na educação básica durante aulas, recreios e intervalos, mas permite o uso pedagógico orientado. Após sua implementação, o acesso à internet nas escolas caiu de 51% para 37%, segundo a TIC Kids Online Brasil. Para Jones Brandão, gerente de Ensino e Inovações da Arco, muitos educadores interpretaram a norma como uma proibição total, quando ela apenas regula o uso dos dispositivos. Rich destacou ainda que os smartphones atuais são muito mais potentes que os computadores usados na missão lunar e defendeu que a escola ensine os jovens a utilizá-los de forma consciente. Especialistas também alertaram para os riscos dos deepfakes, capazes de criar vídeos e imagens falsas altamente realistas, tornando a educação digital um desafio global para escolas, famílias e governos.

 

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