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quarta-feira, 10 de junho de 2026

SMARTPHONE E A QUEDA DA FERTILIDADE


O mistério da queda da fertilidade pode ter um novo suspeito: o smartphone. Pesquisadores há anos discutem se os celulares influenciaram a redução das taxas de natalidade, iniciada em 2007, ano do lançamento do iPhone. Agora, dois estudos acadêmicos buscam testar essa hipótese. Um deles analisou a chegada do iPhone nos EUA, entre 2007 e 2011, quando o aparelho só funcionava na rede da AT&T. Os autores compararam condados com ampla cobertura da operadora e áreas com acesso limitado. Os resultados indicam que regiões onde o smartphone era mais acessível registraram queda mais acentuada da fertilidade, sobretudo entre jovens de 15 a 24 anos. Segundo a economista Caitlin Myers, os celulares podem ter reduzido a interação presencial entre os jovens, diminuindo a atividade sexual. Outra possibilidade é o maior acesso à pornografia ou a informações sobre prevenção da gravidez. A queda da natalidade, antes concentrada em países ricos, tornou-se um fenômeno global, levando pesquisadores a buscar causas comuns.

Um segundo estudo examinou dados de 128 países e constatou que a fecundidade entre adolescentes caiu mais rapidamente à medida que os smartphones se popularizaram. Os autores também encontraram resultado semelhante nos EUA, onde o acesso à internet rápida e às redes 4G esteve associado a reduções mais aceleradas nas taxas de gravidez adolescente. Apesar dos achados, há ceticismo. O economista Theodore Joyce lembra que a queda dos nascimentos entre adolescentes começou nos anos 1990, muito antes dos smartphones. Para ele, a hipótese é plausível, mas ainda permanece especulativa.

 

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