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quarta-feira, 3 de junho de 2026

EUA E ISRAEL NÃO SE ENTENDEM E MORTICÍNIO CONTINUA


O Departamento de Estado dos EUA recebeu ontem, 2, os embaixadores de Israel e do Líbano para uma nova rodada de negociações visando encerrar a ofensiva israelense no sul libanês, iniciada após a guerra entre EUA, Israel e Irã há três meses. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou acreditar que um acordo de paz poderia ser firmado rapidamente, atribuindo ao Hezbollah o principal obstáculo. Segundo ele, Israel não tem reivindicações territoriais no Líbano e a influência iraniana é determinante para a atuação do grupo xiita. Nos bastidores, porém, surgem sinais de divergência entre Washington e Tel Aviv. De acordo com informações divulgadas pelo portal Axios, o presidente Donald Trump teria criticado duramente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, acusando-o de dificultar um acordo com o Irã, que condiciona o fim das negociações à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. Especialistas avaliam que a continuidade dos ataques israelenses tem prejudicado os interesses dos EUA. Para o professor Gunther Rudzit, da ESPM, Netanyahu mantém uma agenda regional própria que extrapola o conflito libanês e acaba limitando os objetivos americanos de encerrar a guerra.

Na segunda-feira, Trump anunciou ter recebido garantias de Netanyahu de que Beirute seria poupada de novos ataques, enquanto o Hezbollah teria prometido interromper disparos contra Israel. O presidente classificou o entendimento como um passo importante para a paz. Analistas destacam que EUA, Israel e Irã enfrentam pressões distintas. Trump busca uma solução rápida para evitar impactos econômicos e eleitorais, especialmente diante da alta dos combustíveis. Já o Irã, segundo especialistas, acredita estar em posição favorável e demonstra menos urgência para concluir um acordo. Para o professor Juliano Cortinhas, da UnB, a histórica aliança entre EUA e Israel limita a capacidade americana de atuar como mediadora imparcial no Oriente Médio. Ele avalia que essa relação tem enfraquecido a influência diplomática de Washington e dificultado a busca por estabilidade na região.

 

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