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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

RETIRADAS TARIFAS DE 40%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ontem uma ordem executiva retirando tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café, açaí e cacau. Ao todo, mais de 200 itens foram incluídos na lista de exceções ao tarifaço aplicado ao Brasil. 
Trump justificou a decisão com base em uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de outubro, e em recomendações de funcionários da Casa Branca, em meio à pressão para conter a inflação no varejo. Produtos como café e carne bovina acumularam altas de 20% e 18% no CPI em relação a 2024. Esses itens, além de cacau em pó, açaí, banana, limão, mamão, laranja, coco, mate, castanha-de-caju e especiarias diversas, ficaram livres da sobretaxa. A medida vale para mercadorias que entraram nos EUA desde 13 de novembro, data da reunião entre Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio.

O tarifaço havia sido imposto por Trump em julho, sob alegação de perseguição do governo brasileiro a Jair Bolsonaro, condenado pelo STF por tentativa de golpe. Lula comemorou a decisão, afirmando que Trump “já começou a reduzir algumas taxações” e que a mudança reflete respeito mútuo nas negociações. O Itamaraty também celebrou a medida e destacou a disposição do Brasil em solucionar pendências bilaterais. A Abiec afirmou que a reversão reforça a estabilidade do comércio internacional. Já a Amcham classificou a eliminação das sobretaxas como “muito positiva”, por fortalecer a competitividade das empresas brasileiras e representar um avanço no diálogo entre os países. 

INDICAÇÃO DE MESSIAS AFASTA SENADO DO GOVERNO

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF deve abalar a relação do governo com o Senado, hoje base essencial da governabilidade de Lula. Davi Alcolumbre e parte dos parlamentares preferiam Rodrigo Pacheco. Após a decisão ser oficializada, Alcolumbre demonstrou incômodo, especialmente porque esperava um telefonema prévio de Lula, o que não ocorreu. 
Horas depois da indicação, o presidente do Senado pautou um projeto de alto impacto fiscal sobre aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde. Alcolumbre já sinalizou que não atuará pela aprovação de Messias, embora o indicado tenha recebido apoio público do ministro André Mendonça. A crise atinge especialmente o líder do governo, Jaques Wagner, defensor da escolha e amigo de longa data de Lula. Alcolumbre também se irritou após Wagner revelar à imprensa que ele havia manifestado preferência por Pacheco. Parlamentares relatam que Alcolumbre deixou de atender telefonemas do líder do governo. A preferência de Lula por Messias já era conhecida, mas ganhou força após conversa final com Pacheco, quando o presidente comunicou que escolheria outro nome. 

Na terça-feira, Alcolumbre expôs o descontentamento publicamente. Nos bastidores, líderes de bancada articulam insistir em Pacheco, favorito da maioria do Senado. Lula, porém, considera a escolha uma prerrogativa exclusiva da Presidência. O indicado só assumirá após sabatina na CCJ e aprovação em plenário com ao menos 41 votos secretos. A última rejeição a um nome presidencial para o STF ocorreu no século 19. A votação apertada que reconduziu Paulo Gonet à PGR foi interpretada como recado a Lula; ele obteve 45 votos, apenas quatro acima do mínimo. Alcolumbre foi decisivo para a aprovação, mas já indicou que não repetirá o esforço por Messias. Wagner minimiza resistências. Contra Messias pesa o temor de que ele se torne um “novo Flávio Dino”, postura que irritou parlamentares ao fiscalizar emendas. A vaga aberta é a de Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria. A indicação recebeu apoio de petistas, críticas de bolsonaristas e respaldo de parte do centrão. Gleisi Hoffmann e Randolfe Rodrigues exaltaram a trajetória e o compromisso institucional de Messias. Já aliados de Bolsonaro afirmaram que sua aprovação significaria décadas de influência “de esquerda” no tribunal. O Republicanos manifestou apoio ao indicado, destacando sua formação e valores. 

TRUMP ATACA DEMOCRATAS E AMEAÇA PRISÃO

O presidente dos EUA, Donald Trump, atacou democratas que orientaram militares a recusarem ordens ilegais. Chamou-os de traidores e defendeu pena de morte. As críticas ocorreram após vídeo divulgado por seis legisladores democratas com histórico nas Forças Armadas ou inteligência. 
Trump republicou um artigo sobre o caso e escreveu no Truth Social que o gesto configuraria “comportamento sedicioso” e pediu a prisão dos parlamentares. Entre eles estão os senadores Elissa Slotkin e Mark Kelly, e os deputados Jason Crow, Maggie Goodlander, Chris Deluzio e Chrissy Houlahan. Embora não citassem ordens específicas, o alerta surge diante de mudanças profundas promovidas por Trump nas Forças Armadas. Crow afirmou que o grupo busca proteger militares de possíveis ordens ilegais e lembrou obrigações do código militar e da lei da guerra. Ele disse que Trump já sugeriu ações que violariam a lei e colocariam os militares em situação delicada. 

A repercussão cresceu após Stephen Miller, assessor especial de Trump, acusar os democratas de incentivar rebelião nas Forças Armadas. Desde seu retorno ao cargo, Trump tem ampliado o uso dos militares em operações domésticas, especialmente contra protestos e para ações de imigração em cidades democratas. O Pentágono, sob Pete Hegseth, tem demitido oficiais considerados desleais pela Casa Branca. Em setembro, Trump e Hegseth reuniram centenas de generais em Quantico para reforçar a politização esperada. Há também mobilização militar no Caribe para ações antidrogas, que já resultaram em mais de 80 mortes sem evidências conclusivas. O Departamento de Justiça prepara argumentos para blindar militares de responsabilização por tais ataques. As operações incluem pressão sobre o regime de Nicolás Maduro, que Trump considera ligado ao narcotráfico. Há receio de que tropas na região entrem na Venezuela sem base legal, o que preocupa opositores e parte da comunidade militar.

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 21/11/2025

CORREIO BRASILIENSE - BRASÍLIA/DF

COP30: Guterres alerta para "prejuízos irreversíveis" com crise climática

Antes do incêndio na COP30, Guterres clamou às delegações a trabalharem no que for possível para manter a meta de limitar a temperatura global a 1.5ºC acima dos níveis pré-industriais

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com indicação de Messias para vaga de Barroso, média de idade de ministros do STF é 58 anos

Caso seja aprovado no Senado, atual AGU será integrante da Corte mais jovem

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Entidades e associações de exportadores comemoram queda da sobretaxa dos EUA

Donald Trump retirou tarifas de 40% que eram cobradas sobre 212 produtos exportados pelo Brasil Câmara de comércio diz que negociações precisam continuar para bens industriais que enfrentam barreira

TRIBUNA DA BAHIA -SALVADOR/BA

PEC aprovada na ALBA pode levar dois deputados aos tribunais de contas

A recente aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição pela Assembleia Legislativa da Bahia movimentou os bastidores políticos do estado

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Lula cita “respeito” e diz que “está feliz” após Trump reduzir tarifas de produtos do Brasil

Presidente brasileiro projetou avançar mais nas negociações bilaterais

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

SNS. Rutura de medicamentos nos hospitais “é grave” e já obriga a mudar tratamentos a doentes

Conclusões do Índex Nacional do Acesso ao Medicamento 2025 são divulgadas hoje e refletem realidade “preocupante”. 61% dos hospitais diz que falhas já afetam doentes de forma “grave”. “A situação já não é só administrativa, mas também clínica”, diz presidente da Associação dos Administradores Hospitalares.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

RADAR JUDICIAL

JUSTIÇA MANTÉM PRISÃO DO DONO DO BANCO MASTER

A Justiça Federal manteve a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, negou o pedido de liberdade e afirmou que a detenção é necessária para interromper possíveis práticas ilícitas. Para ela, as investigações apontam “fraude sistêmica” e tentativas de obstrução à fiscalização, o que ameaça a ordem pública e econômica. Vorcaro foi preso na segunda-feira ao tentar embarcar para o exterior no aeroporto de Guarulhos. O decreto de prisão cita indícios de gestão fraudulenta e participação em organização criminosa. A magistrada afirmou que o grupo suspeito seguia ativo, exigindo ação imediata. Ela destacou ainda um esquema complexo, com informações falsas ao Banco Central e narrativas enganosas, agravado pelo poder econômico do banqueiro. A PF também identificou operações inconsistentes entre o BRB e o Master, que buscavam manter o banco enquanto o BC analisava sua venda. A proposta de compra feita pelo BRB foi vetada em março.

RAMAGEM DEIXA O BRASIL

A presença de Alexandre Ramagem (PL-RJ) nos EUA após ser condenado pela trama golpista levou o PSOL a pedir sua prisão preventiva ao ministro Alexandre de Moraes e uma investigação pela Polícia Federal. Reportagem do PlatôBR revelou que ele vive em condomínio de luxo em North Miami desde setembro, quando deixou o Brasil. O PSOL argumenta risco real de fuga, já que Moraes havia determinado entrega de passaportes e proibição de saída do país. Na semana passada, Ramagem e outros condenados, incluindo Jair Bolsonaro, tiveram recursos negados e se aproximam da execução da pena. Condenado a 16 anos e à perda do mandato, ele pode ser preso após o fim dos recursos. Especialistas citam possibilidade de difusão vermelha caso permaneça no exterior. O caso se soma a episódios de Marcos do Val e Carla Zambelli, ambos investigados e que também deixaram o país durante decisões do STF.

ESCULTURA DE TRUMP NA COP30

Uma escultura que representa Donald Trump foi instalada na entrada da zona azul da COP30, em Belém. A obra, “The Orange Plague”, mostra Trump sentado sobre os ombros de um homem frágil, com a inscrição “God of Injustice”. Criada pelo artista dinamarquês Jens Galschiøt, conhecido por críticas em conferências climáticas, a intervenção inclui também 6 mil miniestátuas distribuídas gratuitamente aos participantes. Galschiøt define a obra como um “grito satírico” sobre o impacto destrutivo de Trump na política climática. A escultura o retrata segurando uma balança e apoiando um taco de golfe sobre o globo terrestre. Trump não participa da COP30 e é lembrado por ter retirado os EUA do Acordo de Paris e enfraquecido regulações ambientais. Inspirada no conto “As Roupas Novas do Imperador”, a intervenção compara a vaidade do personagem ao comportamento do ex-presidente. As miniaturas viraram item disputado e funcionam como “mascote provocativo” para estimular debates sobre o papel dos EUA no clima. Galschiøt já tem obras em Belém, incluindo um Pilar da Vergonha que lembra a chacina de Eldorado dos Carajás.

MORTES EM BAR NO RIO

Pelo menos três homens foram mortos a tiros na madrugada desta quinta-feira (20) em um bar no bairro Santa Rita, em Nova Iguaçu. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense investiga o caso. As vítimas são Luiz Carlos Pereira dos Santos, que tinha sete anotações criminais e portava carregadores de pistola; Antony Cruz Eiras, com 14 anotações por homicídio e lesão corporal; e Patrick Vieira dos Santos, que carregava um revólver calibre 38. Testemunhas relataram que os assassinos chegaram em um carro branco e miraram nos três homens. Houve troca de tiros, e as vítimas morreram no local. O bar estava cheio por causa da véspera de feriado, e um vídeo mostra frequentadores se jogando no chão. Policiais do 20º BPM foram acionados e encontraram os homens baleados. A região é conhecida por atuação de milicianos, e a polícia apura ligação com disputas criminosas.

MESSIAS É INDICADO PARA STF

Depois de 42 dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o advogado-geral da União, posicionamento visto como gesto de confiança de Lula e sinalização ao eleitorado evangélico, contrariando a preferência do Senado. Desde que o presidente avisou a Pacheco que seguiria “outro caminho”, senadores de centro e oposição procuraram Alcolumbre para reclamar de serem tratados como mera etapa final e da exposição pública de articulações tradicionalmente reservadas. Interlocutores afirmam que Alcolumbre não apoiará Messias nem votará por sua aprovação. A atuação do líder do governo, Jaques Wagner, acusado de agir demais pelo indicado, ampliou o mal-estar. A sabatina de Messias na CCJ deve ser mais sensível que o normal, e ele iniciará conversas com senadores em um ambiente considerado “muito ruim” para o governo. A recondução de Paulo Gonet à PGR, aprovada com apenas 45 votos, acendeu alerta no Planalto sobre a mudança de humor no Senado. O resultado foi visto como gesto claro de descontentamento e mostrou que o governo perdeu margem automática para aprovações. Para líderes da Casa, o Senado deixou de atuar como “colchão de segurança” do governo Lula.

Salvador, 20 de novembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

INEP ANULA QUESTÕES DO ENEM

O estudante de medicina Edcley Teixeira ofereceu R$ 10 por questão memorizada a jovens que participariam do Prêmio Capes de Talento Universitário, em 2024. Ele sabia — informação não divulgada pelo MEC — que as perguntas do concurso funcionavam como pré-teste do Enem e poderiam compor provas futuras. Com isso, conseguiu fazer uma live em 11 de novembro, cinco dias antes do Enem 2025, exibindo ao menos cinco questões muito semelhantes às que realmente caíram no exame. Em grupos de WhatsApp, comemorou suas “previsões”, comparando o prêmio a “encontrar a prova do Enem no chão na véspera”. Após a revelação do g1, o Inep anulou três questões e acionou a Polícia Federal. Um aluno relata que Edcley oferecia pagar passagens para participar do concurso e pedia que os jovens memorizassem imagens, conteúdos e enunciados. Muitos enviaram tudo acreditando contribuir para simulados. Comprovantes de PIX e mensagens confirmam o pagamento de R$ 10 por questão. Em novembro passado, Edcley prometeu recompensa imediata e até valores maiores por respostas detalhadas, afirmando que “não era errado”. Um ex-colega e um ex-aluno confirmaram o método: os participantes decoravam questões porque o exame do Capes é digital e não permite levar cadernos.

Com as questões memorizadas, Edcley produziu apostilas e cursos vendidos por R$ 1.320, anunciando “novas questões pré-testadas que podem cair no Enem”. A um interessado, disse ter dezenas de itens difíceis, obtidos “sem cometer crime, porque o Inep não pode censurar minha memória”. Até a última atualização, ele não respondeu ao g1. Em nota, seus advogados afirmam que ele está à disposição das autoridades e confiam na apuração. O Inep informou que acionou a PF para investigar possível quebra de sigilo e identificou “similaridades pontuais” entre itens divulgados e questões do Enem 2025. 


ELEITA NOVA DIRETORIA DO TJBA

Ontem, 19, o pleno do Tribunal de Justiça da Bahia elegeu os novos membros da nova diretoria da Corte para o período 2026/2028. Os 63 magistrados estiveram presentes na votação para escolha dos titulares dos oitos cargos. Foram eleitos para a presidência o desembargador José Rotondano, com 32 votos; para a 1ª vice-presidência venceu o desembargador Josevandro Souza Andrade; para a 2ª vice-presidência caberá ao desembargador Mário Albiani Júnior; o corregedor-geral será o desembargador Salomão Resedá e para a Corregedoria-geral do Foro Extrajudicial foi eleita a desembargadora Pilar Célia Tobio Claro que, atualmente, é Corregedora das Comarcas do Interior. O novo presidente da Corte originou-se do Ministério Público e ocupou a direção do TRE, além de membro do CNJ. A nova mesa diretora assumirá o comando da Corte no próximo ano, no dia 12 de fevereiro.   

O desembargador Rotondano assegurou que continuará "cuidando não só dos interesses do tribunal, mas de todas as pessoas que precisam de apoio, pessoas que precisam ser tiradas da invisibilidade. Isso é minha meta, é o meu caminho. Fazer com que tenhamos projetos que beneficiem todo o poder judiciário, toda a sociedade em todos os aspectos positivos que possamos trazer para a nossa instituição". Elogiou a administração da desembargadora Cynthia do Tribunal, que deixará o comando no início do próximo ano.  


 



PROIBIÇÃO DE NEGATIVAÇÃO DO NOME DE PRODUTOR RURAL

TRUMP QUER CAPITULAÇÃO, EUROPA RESISTE

Os aliados europeus da Ucrânia rejeitaram nesta quinta-feira (20) o novo plano de paz do governo Donald Trump para encerrar a guerra iniciada com a invasão russa em 2024. Os termos, vazados à imprensa para testar sua aceitação, foram negociados entre o enviado americano Steve Witkoff e o representante russo Kirill Dmitriev. “Os ucranianos querem paz, mas não capitulação”, disse o chanceler francês Jean-Noel Barrot. O ministro polonês Radoslaw Sikorski afirmou que a vítima não pode ser punida. Já a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pediu que qualquer negociação inclua Kiev e o bloco, posição seguida pela Alemanha. A proposta de 28 pontos, apresentada oralmente a Rustem Umerov, prevê entregar aos russos os 15% restantes do Donbass ainda sob controle ucraniano e congelar as linhas de batalha — o que daria mais de 20% do território da Ucrânia a Moscou. Também determina reduzir pela metade as Forças Armadas ucranianas, retirar armas ofensivas e encerrar a ajuda militar dos EUA.

Vazamentos indicam ainda que o plano aceitaria o veto russo à entrada da Ucrânia na Otan e à presença de forças de paz. O único ponto visto como positivo por Kiev seria uma compensação financeira pela perda territorial, sem valores definidos. Apesar da falta de clareza, a pressão é real: uma comitiva do Exército dos EUA está em Kiev pedindo que Zelenski aceite os termos. Em reunião com militares americanos, o comandante ucraniano Oleksandr Sirskii insistiu que a paz só virá com mais armas. Trump não comentou; o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que conflitos complexos exigem concessões difíceis. O Kremlin manteve silêncio público, mas aliados de Moscou dizem que a proposta agradou. A crise chega a Zelenski em momento delicado: ele enfrenta um escândalo de desvio no setor energético, que derrubou dois ministros e colocou seu chefe de gabinete, Andrii Iermak, sob pressão, além de cobranças de aliados que já enviaram quase US$ 1,5 trilhão ao país. No campo militar, há risco de derrotas importantes em Pokrovsk, Kupiansk e Zaporíjia. A violência aérea também cresce: ainda há 22 desaparecidos no prédio atingido por míssil em Ternopil, onde 26 morreram e 93 ficaram feridos. 

MAGISTRATURA CONTA COM SOMENTE 14% DE NEGROS

De acordo com o Censo 2022, 55,5% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos, mas essa maioria não se reflete no Judiciário. Entre os 302.901 profissionais da Justiça, apenas 81.264 são negros, incluindo 2.700 magistrados — apenas 14% da magistratura. A taxa de juízes negros por 100 mil habitantes (2,39) é quase oito vezes menor que a de brancos (18,64). Para a advogada Ilka Teodoro, a presença de juízes negros segue “extremamente baixa”, e o mês da Consciência Negra reforça a urgência de ampliar o acesso de pessoas negras à Justiça. Segundo ela, não existe julgador totalmente imparcial, e a hegemonia de homens brancos restringe visões e compromete a qualidade das decisões. O juiz auxiliar do CNJ José Gomes de Araújo Filho afirma que essa falta de representatividade fragiliza a legitimidade democrática. Ele destaca que o CNJ reafirmou políticas de cotas e consolidou a equidade racial como política permanente, reconhecendo um déficit estrutural. O jurista Roberto Caldas defende que diversidade é essencial para sentenças mais próximas da realidade social. Nos tribunais superiores, a desigualdade é maior: 85,7% dos magistrados são brancos e apenas 10,4% são negros.

Ilka afirma que a ascensão na carreira depende de articulação e redes das quais pessoas negras são historicamente excluídas. Para Caldas, a meritocracia jurídica é moldada por critérios da elite, e ações afirmativas, com diversidade nas bancas, são necessárias. Ele também ressalta a falta de mulheres nos espaços de poder do Judiciário, que reproduz desigualdades. O CNJ atua em três frentes: ações afirmativas (como as cotas da Resolução 203/2015 e 336/2020), formação e mudança cultural (com o Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial) e produção de diagnósticos (via Pacto Nacional e Fórum pela Equidade Racial). A Justiça Eleitoral tem o maior percentual de magistrados negros (18,1%), seguida pela Justiça do Trabalho (15,9%). No âmbito estadual, o TJAP lidera, e o TJRJ tem o menor índice. No Trabalho, o TRT-20 é o mais diverso; no TST, não há magistrados negros. Na Justiça Federal, o TRF-2 lidera o ranking. 

TRUMP É FORÇADO E LIBERA ARQUIVOS DO CASO EPSTEIN

Após meses de desgaste, o presidente dos EUA, Donald Trump, cedeu à pressão da base republicana e liberou os arquivos da investigação sobre o suposto esquema de tráfico sexual de Jeffrey Epstein. Ele assinou ontem, 19, a lei aprovada quase por unanimidade pelo Congresso, determinando que o Departamento de Justiça publique todos os documentos não sigilosos. Trump anunciou a assinatura em sua rede Truth Social, repetindo acusações contra democratas e dizendo que o caso estaria sendo usado para desviar atenção de suas “vitórias”. Ele afirmou que a “farsa” se voltaria contra seus opositores. A lei dá 30 dias para que o material seja divulgado na internet. O texto determina que nada pode ser retido por “constrangimento ou sensibilidade política”, mas permite tarjas em trechos que possam comprometer investigações ativas. Além de Trump, figuras como Bill Clinton e Larry Summers são citadas nos documentos. Na publicação, Trump voltou a associar democratas a Epstein, mencionando doações do financista e viagens de Clinton em seu avião.

A secretária de Justiça, Pam Bondi, confirmou a liberação dos arquivos em até 30 dias. Não se sabe se os documentos responderão dúvidas sobre eventuais abusos ou participação de Trump, como sugerem emails revelados. Epstein escreveu que Trump passou “horas em sua casa” com uma vítima e “sabia sobre as meninas”, sem detalhar o significado. Câmara e Senado, ambos sob controle republicano, aprovaram a lei rapidamente, refletindo a importância política do caso para democratas e republicanos. O líder republicano John Thune permitiu que Chuck Schumer aprovasse a medida por consenso. Nenhum senador republicano se opôs. Trump mudou de posição após meses de resistência e ameaças a parlamentares de seu partido, passando a defender a divulgação. Analistas veem nisso um cálculo político, já que as mensagens mais comprometedoras de Epstein já vieram à tona. Diante da forte pressão de sua base, Trump teria concluído que não poderia continuar bloqueando a liberação. Na noite de terça, publicou que não se importava com a aprovação, pedindo apenas que republicanos não esquecessem “todas as vitórias” de seu governo. 

CONFISCO DE QUASE 2,6 BILHÕES DE CRISTINA KIRCHNER

Tribunais argentinos ordenaram o confisco de quase US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) em bens da ex-presidente Cristina Kirchner e de outros condenados por corrupção. A decisão, emitida na terça-feira, determina o confisco de mais de 100 bens pertencentes a Kirchner, familiares e associados já condenados. A ex-presidente, de 72 anos, cumpre pena de seis anos em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica e está proibida de exercer cargos públicos desde junho, após condenação por corrupção na concessão de obras públicas entre 2003 e 2015, período dos governos dela e de Néstor Kirchner. Após a sentença, que ordenou o pagamento de cerca de US$ 500 milhões, a Justiça avançou na apreensão dos bens. A medida busca devolver ao Estado o patrimônio obtido ilicitamente e reparar danos materiais e simbólicos. Entre os bens confiscados estão uma propriedade em Santa Cruz e outros 19 em nome de seus filhos Máximo e Florencia. Também serão confiscados 84 bens do empresário Lázaro Báez, já condenado por superfaturamento e direcionamento de obras públicas.

A Suprema Corte deverá decidir se parte dos imóveis será usada pelo Judiciário antes de eventual leilão. A defesa de Kirchner não respondeu aos pedidos de comentário. Além da condenação de junho, Kirchner é ré no “caso dos cadernos”, considerado o maior julgamento de corrupção da Argentina. Ela pode receber nova pena de cinco a dez anos, acusada de chefiar uma associação ilícita e receber milhões em subornos. O julgamento, iniciado em novembro, envolve 87 acusados e 626 testemunhas. A promotoria afirma que Kirchner recebeu 38 pagamentos ilegais que somam US$ 17 milhões. Seu advogado afirma que o resultado “já está definido” e denuncia perseguição política. Pelo X, Kirchner chamou o processo de “farsa judicial” e disse que buscam mantê-la sob pressão.