Imagine se divorciar, ficar sem dinheiro e ter a ideia de “vender a Lua”. Foi o que fez Dennis Hope em 1980 — e diz ter ficado milionário. Ele explorou brechas da Organização das Nações Unidas ao ler o Tratado do Espaço Exterior (1967), que define o espaço como bem comum da humanidade e proíbe países de reivindicarem soberania. Hope interpretou: se não é de nenhum país, poderia ser de uma pessoa. Assim, declarou a Lua como sua e enviou pedido à ONU — nunca respondido. Passou então a vender lotes na Lua e também em Marte, Vênus e Mercúrio. Segundo ele, compradores incluem celebridades e ex-presidentes como Ronald Reagan, Jimmy Carter e George W. Bush. Hope afirmou vender cerca de 1,5 mil terrenos por dia e acumular milhões em lucro. Os lotes variam de pequenos terrenos a áreas “continentais”.
Para dar legitimidade, criou o “Governo Galáctico”, com Constituição própria e milhões de “proprietários”. Apesar disso, especialistas dizem que a Lua não pode ser apropriada. A professora Claire Finkelstein afirma que ninguém pode ser dono do satélite. O debate, porém, continua em áreas como exploração comercial espacial, ainda pouco reguladas. Antes de Hope, houve casos curiosos, como o chileno Jenaro Gajardo Vera, que “comprou” a Lua em 1954 como brincadeira. No fim, juridicamente, a Lua segue sendo de todos — e de ninguém ao mesmo tempo.
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