Pesquisar este blog

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

GOVERNADORA DESMENTE TRUMP

— Portland está indo muito bem. Deixei isso claro ao presidente — disse a governadora Tina Kotek, após conversar com Trump e a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. — Não precisamos nem queremos tropas federais no Oregon. Ela afirmou ter tomado conhecimento da medida pelas redes sociais. Trump declarou que Portland estaria "arrasada por uma guerra" e disse que tropas federais defenderão a cidade e instalações do ICE, alvo de "Antifa e outros terroristas domésticos". Segundo ele, a medida foi solicitada por Noem e repassada ao secretário de Guerra, Pete Hegseth, responsável pela mobilização. Não há data prevista para início da operação. O prefeito de Portland, Keith Wilson (Democrata), recusou a intervenção. — Assim como outros prefeitos, não pedi nem preciso de tropas — disse, defendendo a liberdade de expressão, embora admita episódios de violência. O senador Ron Wyden (Democrata) criticou a decisão e acusou Trump de "obsessão por Portland". Segundo ele, congressistas locais não foram informados e estudam reação legal.

Em junho, Trump já havia enviado tropas a Los Angeles, Washington e Memphis, em estratégia de conter "ameaças da esquerda radical". Governadores e prefeitos democratas denunciaram ilegalidade. A Califórnia conseguiu retirar tropas de Los Angeles via Justiça. O envio a Portland ocorre após protestos contra o ICE, com confrontos e prisões. No Salão Oval, Trump prometeu “estrago bem grande” e chamou manifestantes de “agitadores e anarquistas”. Ele já havia dito que morar na cidade era como “viver no inferno”. Trump também cogita enviar tropas a Chicago e Baltimore. Em Memphis, o governador republicano Bill Lee apoiou o envio, mas o prefeito democrata Paul Young se opôs. A morte do ativista conservador Charlie Kirk, em 10 de setembro, intensificou as tensões. Trump usa o caso para reforçar sua retórica contra a “esquerda radical”. Desde então, endureceu medidas de segurança interna, priorizando uso de forças militares em áreas de protestos. 


PREFEITO RENUNCIA A NOVA DISPUTA

O prefeito de Nova York, Eric Adams, retirou sua candidatura à reeleição ontem, 28, abrindo caminho para uma disputa entre o socialista Zohran Mamdani e o ex-governador Andrew Cuomo. 
Adams estava muito atrás nas pesquisas e enfrentava dificuldades financeiras. “Apesar de tudo o que conquistamos, não posso continuar minha campanha”, disse no X. Moderado, ele tentava a reeleição como independente, mas sua imagem foi afetada por acusações de corrupção e pela aproximação com Donald Trump, impopular em Nova York. Em fevereiro, o Departamento de Justiça ordenou que as acusações fossem retiradas, gesto que ele agradeceu. Mamdani, nascido em Uganda e de ascendência indiana, pode ser o primeiro prefeito muçulmano da cidade. Suas posições à esquerda, apoiadas por Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, preocupam setores empresariais e democratas moderados. Críticos temiam que Adams e Cuomo dividissem votos da oposição, favorecendo Mamdani. 

Adams afirmou que cumprirá seu mandato até janeiro de 2026. Seu governo foi impopular: pesquisas mostravam apoio em apenas um dígito, junto com o republicano Curtis Sliwa. Trump sugeriu que ele desistisse da disputa e, após a vitória de Mamdani nas prévias, passou a atacá-lo publicamente. Em discurso, Adams alertou contra mudanças radicais: “Isso não é mudança, é caos”. Mamdani, deputado estadual pelo Queens, cresceu com campanha viral nas redes e apoio de jovens voluntários. Defende congelamento de aluguéis, creches, ônibus gratuitos e combate ao custo de vida. O aluguel médio de três quartos em Manhattan supera US$ 6.000, enquanto um quarto da população vive na pobreza. Trump ameaçou cortar recursos federais se Mamdani “não se comportar”. 

DESASTRE COM 228 MORTES EM JULGAMENTO

A Air France e a Airbus serão julgadas em apelação a partir de hoje, 29, na França por homicídio culposo no acidente do voo Rio-Paris, que matou 228 pessoas em 2009. O avião, um Airbus A330, caiu no Atlântico em 1º de junho de 2009, poucas horas após decolar do Rio. Havia passageiros de 33 nacionalidades: 61 franceses, 58 brasileiros, além da tripulação de 12 pessoas. Em 2023, a Justiça francesa absolveu as empresas da acusação criminal, mas reconheceu responsabilidade civil. O tribunal apontou “falhas”, mas não encontrou vínculo causal direto com o acidente. A Procuradoria-Geral recorreu, e o novo julgamento deve durar dois meses, até 27 de novembro. Cada empresa pode ser multada em até 225 mil euros (R$ 1,4 milhão). Nos dias seguintes, corpos e destroços foram achados, mas a fuselagem só foi localizada dois anos depois. As caixas-pretas mostraram que os pilotos, desorientados por falha nas sondas Pitot, não evitaram a queda que ocorreu em menos de cinco minutos.

Das 489 partes civis no julgamento anterior, 281 aderiram ao recurso. Algumas famílias desistiram; outras seguem em busca de justiça. A Air France é acusada de não treinar adequadamente sobre o congelamento das sondas Pitot. A companhia nega falhas e diz que não cometeu crime. A Airbus é acusada de subestimar os riscos das falhas e de não alertar as companhias aéreas a tempo. A fabricante também nega responsabilidade. A Airbus afirma cooperar para esclarecer as causas do acidente. O primeiro mês será dedicado a testemunhas e peritos. Representantes das empresas devem ser ouvidos a partir de 27 de outubro. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 29/09/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Redes de supermercados discutem venda de remédios

Tema, que está em discussão no Legislativo, dominou evento em Campinas (SP) com os principais empresários do setor. Líderes também apostam na venda de artigos de pets para alavancar as vendas nos próximos anos

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Educação 

Mensalidades escolares vão aumentar o dobro da inflação em 2026; veja projeção de reajuste médio

Levantamento do Grupo Rabbit ouviu 308 colégios particulares em todas as regiões do país

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Ofensiva de Trump desafia Fachin no STF após tensão no comando do TSE com ataques de Bolsonaro

Ministro assume presidência da corte em meio a inédita campanha de punições a magistrados pelos EUA

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Combate ao crime organizado ganha impulso no Congresso; penas mais duras

Enquanto o Ministério da Justiça termina um texto para endurecer as penas para o crime organizado, 136 projetos de lei que citam organizações criminosas aguardam análise no Congresso

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Reunião com Trump nesta segunda-feira é só 1º passo para evitar paralisar governo, diz líder democrata

Chuck Schumer afirmou que manter o governo americano em funcionamento depende dos republicanos

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Lockheed Martin reage à concorrência europeia: “Gostamos de competição. Vencemos sempre”

Depois de os suecos fabricantes dos caças Gripen terem mostrado, em Lisboa, como querem convencer Portugal a apostar na indústria europeia, foi a vez da Lockheed Martin exibir os pontos fortes do seu F-35: é furtivo, letal e está pronto para entrega em quatro anos.

domingo, 28 de setembro de 2025

RADAR JUDICIAL

PRESIDENTE NÃO SE IMPORTA COM VISTO

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, rejeitou ontem, 27, a decisão dos EUA de revogar seu visto e acusou Washington de violar o direito internacional por suas críticas a Israel em Gaza. Na sexta-feira (26), os EUA anunciaram a revogação após Petro participar em Nova York de ato pró-Palestina, no qual pediu que soldados americanos desobedecessem a Donald Trump. Em rede social, afirmou não precisar de visto, pois também é cidadão europeu, e disse considerar-se “livre no mundo”. Segundo Petro, a medida “por denunciar genocídio” mostra que os EUA não respeitam o direito internacional. Israel nega acusações de genocídio e afirma agir em legítima defesa. Em Manhattan, Petro pediu a criação de uma força global maior que a dos EUA para libertar os palestinos. Não é a primeira vez que um presidente colombiano perde o visto: Ernesto Samper teve o documento revogado em 1996. As relações entre Bogotá e Washington se deterioraram desde o retorno de Trump. Neste ano, Petro bloqueou voos de deportação, gerando ameaças de sanções, até que foi feito um acordo. Em julho, ambos os países chamaram de volta seus embaixadores após acusações de complô contra Petro. Em 2024, o colombiano rompeu relações diplomáticas com Israel. Também proibiu exportações de carvão colombiano ao país.

TV GAZETA DE ALAGOAS SAI DA GLOBO

A TV Gazeta de Alagoas, de Fernando Collor, informou ontem, 27, que foi notificada de decisão do STF obrigando-a a deixar de ser afiliada da Globo após 50 anos. O sinal saiu do ar às 15h, após a reprise de Terra Nostra. Editores foram orientados a montar um telejornal especial e há temor de demissões em massa. A notificação foi virtual, com aviso de que a Globo tomaria medidas se a ordem fosse descumprida. Na madrugada, a TV Asa Branca (canal 28) assumiu como nova afiliada da Globo em Alagoas, enquanto a Gazeta seguiu no canal 7 com programação própria. A emissora de Collor recorrerá na segunda (29), alegando estar em recuperação judicial, e deve pedir mandado de segurança para retomar a transmissão até julgamento no plenário. A Globo confirmou a Asa Branca como parceira, que estreia jornais locais na quarta (1º). Até lá, exibe telejornais de Pernambuco. Segundo Barroso, Collor, condenado a oito anos no STF, não pode controlar emissora de TV. Pela lei de radiodifusão, condenados definitivos estão impedidos. Em outubro de 2023, a Globo já havia comunicado que não renovaria com a Gazeta por escândalos de corrupção. Collor foi acusado de usar a afiliada para propina. Sem a Globo, a TV Gazeta alega risco de descumprir acordos de dívidas da recuperação judicial vigente desde 2019. A Globo já tinha contrato desde 2024 com o Grupo Asa Branca, parceiro no interior de Pernambuco, para assumir em Alagoas. Não é a primeira vez: em 1987, Globo ficou com dois sinais na Bahia após disputa judicial entre TV Aratu e TV Bahia.

TRUMP QUER ACABAR COM CIDADANIA 

O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu à Suprema Corte que acabe com a cidadania por direito de nascimento. Ele quer que a corte revise decreto da Casa Branca que nega cidadania a crianças nascidas no país sem pais cidadãos ou residentes legais. Atualmente, a 14ª Emenda garante cidadania a qualquer pessoa nascida em território americano. O governo Trump considera que essa regra gera “consequências destrutivas”. Tribunais inferiores rejeitaram o pedido da Casa Branca. Para o procurador-geral D. John Sauer, essa decisão foi “equivocada”. Ele defende que a medida é vital para a política migratória de Trump. Segundo Sauer, a cidadania estaria sendo concedida a pessoas “não qualificadas”. O governo afirma que a atual interpretação prejudica a segurança das fronteiras. Agora, a Suprema Corte avaliará a questão constitucional.

MORAES DISPENSA AUXILIAR

O juiz Rafael Henrique Tamai Rocha deixou o cargo de magistrado assistente no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no STF. Ele foi um dos alvos das sanções dos EUA com base na Lei Magnitsky, após a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A saída de Rocha ocorreu antes do anúncio norte-americano, com portaria publicada em 15 de setembro de 2025. Ele retorna ao Tribunal de Justiça de São Paulo, seu órgão de origem. As sanções dos EUA também atingiram o ex-advogado-geral da União José Levi, o ministro do STJ Benedito Gonçalves e os juízes Airton Vieira e Marco Antonio Martin Vargas, ligados ao gabinete de Moraes no STF e TSE. O próprio Alexandre de Moraes foi incluído na lista em julho, no mesmo dia em que Donald Trump impôs tarifa de 50% às exportações brasileiras. A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e uma empresa da família também foram sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA. 

REAJUSTE SALARIAL

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, enviou ao Congresso o Projeto de Lei nº 4.750/2025, que prevê reajuste salarial para servidores do Judiciário da União em três etapas a partir de julho de 2026. Ministros já recebem o teto do funcionalismo (R$ 46,3 mil) e não terão aumento. O texto propõe reajustes de 8% ao ano em 2026, 2027 e 2028, de forma sucessiva e cumulativa. A medida inclui cargos efetivos, cargos em comissão e funções comissionadas, com o objetivo de recompor perdas inflacionárias desde 2019. Percentuais: +8% em 1º de julho/2026, +8% em 1º de julho/2027 e +8% em 1º de julho/2028. Barroso destacou que a proposta está em conformidade com o art. 169 da Constituição e já tem previsão no PLOA de 2026. O documento afirma que o projeto resulta de trabalho conjunto dos Tribunais Superiores e do TJDFT. Exemplo: Analista Judiciário, Classe C, Padrão 13 — R$ 10.035,51 (2026), R$ 10.838,35 (2027), R$ 11.705,42 (2028). O projeto seguirá para análise da Câmara. Depois, será apreciado pelo Senado. Se aprovado, vai para sanção presidencial. Assim, os servidores poderão ter reajustes graduais a partir de 2026.

Salvador, 28 de setembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


ISRAEL ATACA EXPEDIÇÃO INTERNACIONAL

A expedição internacional Global Sumud Flotilla (GSF), que tenta romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza levando alimentos, água e medicamentos, sofre ataques desde o início de setembro. Entre os tripulantes estão brasileiros, como a deputada Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora Mariana Conti (PSOL-Campinas), a dirigente Gabrielle Tolotti (PSOL-RS), o militante Nicolas Calabrese e o ativista Thiago Ávila. 
Segundo ofício enviado ao presidente Lula, as embarcações já enfrentaram episódios graves de violência. Em 9 de setembro, um navio foi atingido por drone em águas tunisianas, causando incêndio e danos. No dia 23/9, perto de Creta, na Grécia, mais de dez explosões atingiram os barcos. Os relatos citam drones de vigilância, lançamento de explosivos e químicos, além de bloqueios nas comunicações. O coordenador brasileiro disse que cápsulas com líquidos irritantes e granadas de luz foram lançadas contra a tripulação. A organização atribui os ataques a Israel, que não confirma.

Nas redes sociais, Luizianne relatou o clima de medo: “Imagina na madrugada, às 2h, no meio do Mediterrâneo, sem ver terra de nenhum lado, passar por ataques covardes de um inimigo que se esconde e usa drones”. A parlamentar afirmou que a missão denuncia “o genocídio praticado por Israel em Gaza”, onde milhares de palestinos têm sido mortos. O documento pede que o governo brasileiro aja rápido em defesa dos cidadãos do país. “Cada hora sem ação aumenta o risco de tragédia. Não se trata apenas de proteger vidas brasileiras, mas de afirmar o Brasil como nação soberana e solidária.” 



TRUMP INTERVEM EM MAIS UM ESTADO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem, 27, que instruiu o secretário de Guerra, Pete Hegseth, a enviar tropas para Portland, no Oregon. 
Segundo ele, a medida busca proteger instalações federais de imigração contra “terroristas domésticos”. Trump disse autorizar o uso de força total, se necessário. “A pedido da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, estou determinando que sejam enviadas todas as tropas necessárias para proteger Portland e nossas instalações do ICE sob ataque da Antifa e de outros terroristas”, publicou no Truth Social. O prefeito de Portland, o democrata Keith Wilson, não comentou a nova decisão. Na sexta (26), ele havia classificado o reforço federal como exagero e distração. Na quinta (25), Trump afirmou que “agitadores e anarquistas” tentavam incendiar prédios em Portland, sem apresentar provas.

Trump transformou a criminalidade em prioridade de governo, mesmo com queda de crimes violentos em várias cidades. Sua ofensiva contra administrações democratas —como Los Angeles e Washington— tem gerado questionamentos jurídicos e protestos. A decisão ocorre após um ataque a um escritório do ICE em Dallas, na quarta (22), quando um atirador matou uma pessoa detida pela agência. Nenhum agente foi atingido. Trump culpou democratas por incentivar violência contra o ICE. O governo também intensificou batidas anti-imigração em várias cidades, parte de sua política de deportação em massa. Instalações do ICE se tornaram focos de conflito, com protestos e confrontos em Chicago, onde a agência instalou cercas. Em junho, uma operação em Los Angeles desencadeou dias de manifestações e choques com a polícia. Trump usou a violência registrada para justificar o envio da Guarda Nacional. 

PROTESTOS CONTRA ISRAEL

Ao menos 60 mil pessoas participaram ontem, 27, da manifestação "Todos os olhos em Gaza", em Berlim. O ato, liderado pelo partido A Esquerda, ocorreu de forma pacífica, apesar de contraprotestos. 
A prefeitura informou que 50 organizações e indivíduos se registraram previamente, como exigem as autoridades. O protesto percorreu da Alexanderplatz até o monumento da Grande Estrela e durou quase cinco horas. Segundo organizadores, mais de 100 mil pessoas compareceram. Quase 2.000 policiais foram mobilizados. Uma lei aprovada em 2023, após ataques do Hamas, dificulta protestos contra Israel. Grupos de direitos humanos criticam a norma. Discursos pediram fim da cumplicidade da Alemanha com a morte de palestinos, mas também rejeitaram crimes do Hamas. A Alemanha foi a única grande potência europeia que não reconheceu o Estado da Palestina na Assembleia da ONU desta semana. 

Cartazes compararam Gaza ao Holocausto. Merkel cunhou a frase "a existência de Israel é razão de Estado", que pesa no debate atual. A líder de A Esquerda, Ines Schwerdtner, chamou a ofensiva em Gaza de genocídio e acusou o governo alemão de cumplicidade. O governo de Friedrich Merz interrompeu exportações de armas a Israel e classificou a situação em Gaza como inaceitável. O chanceler Johann Wadephul reiterou que a solução de dois Estados é a única saída. Durante o protesto, a polícia reprimiu palavras de ordem pró-Hamas e slogans inconstitucionais. Uma manifestante exibia cartaz com: "Netanyahu = Hitler, Gaza = Auschwitz, Grande Israel = Grande Alemanha". 

VETO IMPEDE RECONHECIMENTO DO ESTADO DA PALESTINA

Na última semana, países como Reino Unido e França reconheceram oficialmente o Estado da Palestina. Mais de 150 países, incluindo o Brasil, já integram essa lista, mas o veto dos EUA no Conselho de Segurança bloqueia sua adesão plena à ONU. 
O reconhecimento tem se ampliado, com Canadá e Austrália somando-se ao movimento, já consolidado por Rússia, China, Brasil, Índia, países árabes, quase toda a África e a América Latina. Hoje, 151 dos 193 estados-membros da ONU que reconhecem a Palestina. Outros 39 permanecem contra, entre eles EUA, Israel, Japão, Itália e Alemanha. Entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, apenas os EUA não reconheceram. A existência de um Estado não depende da ONU, mas dos critérios da Convenção de Montevidéu (1933): território definido, população permanente, governo representativo e capacidade de manter relações externas. A Palestina cumpre requisitos básicos, mesmo sem fronteiras consensuais ou controle integral devido à ocupação israelense. Casos semelhantes são Kosovo e Saara Ocidental, amplamente reconhecidos, mas fora da ONU.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, criticou os países que reconheceram a Palestina em discurso na ONU. Ele afirmou que tais líderes sentirão “vergonha” da decisão, classificou-a como “antissemita” e rejeitou a solução de dois Estados. Netanyahu comparou a criação de um Estado palestino após o ataque de 7 de outubro à entrega de um Estado à Al Qaeda após os atentados de 11 de setembro. Por outro lado, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que não haverá paz sem a criação do Estado da Palestina. Ele discursou por videoconferência na ONU, após ter o visto negado pelos EUA. Abbas também condenou o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, afirmando que o grupo não terá participação em um eventual governo palestino em Gaza. “Essas ações não representam o povo palestino”, concluiu Abbas. 

PRESIDENTE COLOMBIANO: "DESOBEDEÇAM AS ORDENS DE TRUMP"

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou na sexta-feira, 26, que abrirá uma convocação para voluntários colombianos que queiram se alistar para “lutar pela libertação” de Gaza. Ele assegurou que está disposto a combater pessoalmente. 
Petro é um dos mais duros críticos da ofensiva israelense no território e chama o premiê Benjamin Netanyahu de “genocida”. Em visita a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, propôs uma união armada de diferentes “civilizações” em defesa de Gaza. “É o momento da ação. Falarei na Colômbia para abrir a lista de voluntários colombianos e colombianas que queiram ir lutar pela libertação da Palestina”, declarou. “E se o presidente da Colômbia tiver que ir para esse combate, não me assusta. Já estive em outros, então eu vou”, acrescentou, usando um lenço palestino. Na juventude, Petro integrou a guerrilha urbana M-19, antes de assinar a paz nos anos 1990 e seguir carreira política. Ele convocou soldados norte-americanos para desobedecerem ordens de Donald Trump. Declarou: "Desobedeçam as ordens de Trump. Obedeçam as ordens da humanidade". O Departamento de Estado dos Estados Unidos assegurou que será revogado o visto de Petro.

Nesta sexta, ele participou de uma marcha pró-Palestina em Nova York ao lado do roqueiro Roger Waters, ex-Pink Floyd. Durante o discurso de Netanyahu na ONU, a vice-presidente Francia Márquez e a delegação colombiana deixaram o auditório em protesto. Em 2024, a Colômbia rompeu relações diplomáticas com Israel devido à ofensiva em Gaza, deflagrada após ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Nos ataques morreram 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo balanço oficial israelense. Outras 251 foram sequestradas, e 47 seguem cativas em Gaza. A resposta militar de Israel já deixou mais de 65.400 palestinos mortos, em sua maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.



BRASIL SOBERANO CONTRA CHANTAGEM DE TRUMP

Os Estados Unidos sancionaram a “rede de apoio do juiz Alexandre de Moraes”, do STF, no episódio mais recente de interferência do governo Donald Trump em processos judiciais estrangeiros. 
As medidas são resposta ao que Washington chama de “perseguição” contra Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a 27 anos por tentativa de golpe. Trump acusa o tribunal brasileiro de promover uma “caça às bruxas” e impôs tarifas de 50% sobre produtos, revogou vistos e aplicou sanções pela Lei Magnitsky contra Moraes e familiares e outros magistrados. Especialistas afirmam que a severidade das ações contra o Brasil é inédita, pois em outros países, como França, Israel e Colômbia, as críticas americanas foram apenas verbais. Carothers, do Carnegie Endowment, avalia que os EUA estão “punindo juízes em uma democracia aliada”, algo incomum. Nesta semana, Trump incluiu a esposa de Moraes e a empresa da família na lista da Lei Magnitsky, além de revogar vistos de sete autoridades brasileiras. O Itamaraty reagiu com “profunda indignação”, classificando as medidas como interferência indevida. Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro mudou-se para os EUA para articular pressões pela absolvição do pai. Trump também defende Bolsonaro em sua rede social, comparando sua situação à própria. O republicano já usou o mesmo tom ao criticar condenações de Marine Le Pen na França, de Netanyahu em Israel e de Uribe na Colômbia. Em todos os casos, descreveu processos como perseguições políticas.

O secretário de Estado, Marco Rubio, chegou a acusar juízes colombianos de “instrumentalização do Judiciário”. Até o Reino Unido foi alvo de críticas por processos contra ativistas, atitude considerada incomum. Segundo especialistas, as ações de Trump rompem convenções diplomáticas ao atacar sistemas judiciais de democracias amigas. Todd Belt, da George Washington University, diz que, embora pareça defesa de aliados, “no fundo tudo se resume a Trump”. Ele usa esses episódios para reforçar a narrativa de que a direita global é vítima de um “Estado paralelo”. A estratégia também legitima, no plano internacional, seus ataques ao Judiciário dos EUA. Apesar disso, não houve impacto nas decisões judiciais dos países criticados. Carothers observa que tais intervenções não mudaram processos em andamento. Mas servem como aviso de que decisões judiciais podem desagradar Washington. Belt afirma que a intenção pode ser apenas gerar incerteza, algo central no estilo de Trump. Para ele, o presidente governa de modo semelhante à forma como conduz negócios: criando confusão. 



MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 28/09/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF 

Os segredos da mulher que chegou aos 117 anos com idade biológica 23 anos mais jovem

Pesquisadores passaram anos tentando entender as razões para a longevidade de María Branyas, que foi a mulher mais velha do mundo até sua morte, em 2024.

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Entrevista: anistia a Bolsonaro seria um desastre e encorajaria novos golpes, diz cientista político Adam Przeworski

Professor da Universidade de Nova York afirma que punição à tentativa de ruptura é necessária para coibir novas ofensivas e avalia que crise global é da esquerda, não da democracia

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Fachin assume STF com defesa de autocontenção e tenta baixar tensão política

De perfil discreto, ministro toma posse nesta segunda buscando arrefecer questionamentos à corte Magistrado repetiu mantra e defendeu que juízes não devem ser protagonistas nem decidir sozinhos

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Processos da Operação Faroeste têm novas movimentações no STJ

O ministro Og Fernandes agendou para outubro e novembro as oitivas de testemunhas ligadas às desembargadoras rés na Ação Penal 985

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Hubble captura imagem de galáxia misteriosa

Galáxia exibe características de dois tipos distintos e é difícil de ser caracterizada

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT

Portugal perde projetos de investimento direto estrangeiro com incerteza económica e política na Europa 

Estudo da EY revela que Portugal caiu para a 9ª posição no ranking de atratividade dos países europeus para investimento direto estrangeiro. Mas os projetos extra-europeus estão a ganhar terreno.