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sábado, 20 de setembro de 2025

EUA DE TRUMP PUNE ATÉ OPINIÕES!

A morte do influenciador trumpista Charlie Kirk abriu debate nos EUA sobre os limites da liberdade de expressão, garantida pela Constituição. Após o assassinato, Trump e seu governo prometeram punir críticos do ativista, gerando demissões e suspensões em várias instituições. O caso mais simbólico ocorreu com Jimmy Kimmel, afastado pela ABC após comentários sobre o acusado Tyler Robinson. Trump celebrou o afastamento e ameaçou emissoras com perda de licença. Segundo a imprensa, ao menos 36 pessoas foram demitidas, incluindo funcionários da Clemson, MSNBC, FEMA e Carolina Panthers. A colunista Karen Attiah foi dispensada do Washington Post por publicações sobre raça e violência armada. Bombeiros e escolas também relataram punições por declarações sobre o caso. A secretária de Justiça Pam Bondi disse que perseguirá quem publicar “discurso de ódio”. A posição diverge do que defendia Kirk: que todo discurso, mesmo repugnante, é protegido pela Primeira Emenda. Bondi depois afirmou que ameaças reais não são protegidas. 

A ONG Fire rebateu, lembrando que a Suprema Corte já decidiu que não há exceção para discurso de ódio. O vice-presidente J. D. Vance apoiou ações contra quem comemorou o assassinato. Especialistas destacam que empresas privadas têm mais liberdade para demitir por declarações polêmicas. Já órgãos públicos enfrentam limites constitucionais.
Segundo o professor Jonathon Masur, até frases como “Kirk merece morrer” são protegidas, desde que não incitem violência. Republicanos endureceram o discurso; o deputado Clay Higgins exigiu banimento vitalício em redes sociais. Democratas reagiram propondo lei para proteger cidadãos perseguidos pelo governo por suas opiniões. A proposta enfrenta resistência e dificilmente avançará no Congresso. Ainda assim, democratas consideram importante marcar posição. O debate expõe tensões entre liberdade de expressão e punições sociais ou estatais. A morte de Kirk, assim, tornou-se um catalisador de disputas constitucionais. O caso promete influenciar a política e a justiça americana por muito tempo. 

CRIMES AMBIENTAIS EM MINAS GERAIS

Decreto publicado em novembro de 2024 pelo governador Romeu Zema (Novo) é citado em mensagens de investigados pela Polícia Federal por crimes ambientais em Minas Gerais. 
Segundo a PF, a norma alterou decreto de 2019, que exigia pagamento de sanções administrativas para concessão de licenciamento ambiental. A mudança teria favorecido interesses de um grupo suspeito de corromper servidores para obter autorizações fraudulentas.
O governo informou que ilícitos que impactaram decisões do Sisema poderão ser revistos e que servidores envolvidos já foram afastados ou exonerados. Em São Paulo, Zema disse colaborar com a PF e defendeu punição exemplar: “É um absurdo usar a estrutura do estado em benefício pessoal”. O decreto foi citado em mensagem de Rodrigo Franco, então presidente da Feam, a João Alberto Lages, ex-deputado apontado como líder do grupo. Ambos foram presos na operação; Franco havia sido exonerado dias antes. A organização teria movimentado R$ 1,5 bilhão e projetos com potencial de R$ 18 bilhões. Mensagens mostram Franco tratando da alteração do decreto e cobrando valores de Lages.

A PF afirma que o esquema interferia em licenciamentos ambientais de interesse das empresas ligadas ao grupo. A defesa de Lages não se manifestou; a de Franco disse que falará nos autos.
O decreto de 2019 previa pagamento obrigatório de sanções para intervenções ambientais corretivas. A versão de 2024 passou a dispensar o pagamento se o requerente não fosse responsável pela infração anterior. A mudança foi associada a benefícios para a mineradora Patrimônio, que atua na Serra do Botafogo, em Ouro Preto. Segundo a PF, a mina foi liberada sem as aprovações legais necessárias, causando dano ambiental. Entre os impactos, estaria o soterramento de uma caverna. A autorização ambiental para a empresa foi concedida em fevereiro de 2025. Ela terá validade até 2035, apesar das irregularidades apontadas. O caso segue em investigação federal. Zema diz que sua gestão não compactua com desvios. 

AMAZON VIOLA LEI DE PROTEÇÃO

A Amazon violou a lei de proteção ao consumidor ao coletar informações de cobrança de assinantes do Prime antes de divulgar os termos do serviço, decidiu o juiz distrital dos EUA John Chun na quarta-feira, 17.
A decisão oferece à Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) uma vitória parcial no processo que acusa a empresa de práticas enganosas para obter assinaturas. A FTC sustenta que a varejista inscreveu dezenas de milhões de clientes sem consentimento e dificultou cancelamentos com métodos complexos. Essas práticas, segundo a agência, violam a lei federal Restore Online Shoppers Confidence Act Chris Mufarrige, chefe do bureau de proteção ao consumidor da FTC, afirmou que a decisão confirma que a Amazon fraudou consumidores ao não divulgar todos os termos antes de coletar os dados de pagamento. Ele destacou que a FTC pretende reparar os danos causados aos consumidores. O juiz também determinou que dois executivos da Amazon podem ser responsabilizados por violações comprovadas durante o julgamento. Além disso, barrou a empresa de alegar que a lei não se aplicava às inscrições do Prime.

A decisão coloca a Amazon em desvantagem no processo judicial. Apesar disso, um porta-voz da empresa afirmou que ela não fez nada de errado. Segundo a companhia, os executivos agiram de forma correta e dentro da lei. O comunicado reforçou a confiança de que os fatos demonstrarão a inocência da empresa. A Amazon também disse acreditar que sempre colocou os clientes em primeiro lugar. A declaração foi enviada por e-mail à agência de notícias Reuters. O caso segue em julgamento e ainda poderá definir eventuais punições. A disputa envolve diretamente a forma como grandes plataformas digitais lidam com assinaturas. Para a FTC, a transparência é requisito essencial para proteger consumidores. O julgamento poderá estabelecer precedente sobre cancelamentos e adesões automáticas. A Amazon, por sua vez, insiste que sua conduta está em conformidade com a lei. O embate entre a empresa e a agência reguladora continua nos tribunais. 



DEPUTADO QUER EXERCER O CARGO, MORANDO NOS EUA

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) apresentaram na 5ª feira, 18, um abaixo-assinado com 400 mil adesões pedindo a cassação do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O parlamentar está nos EUA desde fevereiro, fazendo lobby por sanções contra autoridades brasileiras em defesa de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), condenado no STF por tentativa de golpe após perder as eleições de 2022. O deputado acumula mais faltas do que presenças nas sessões da Câmara. Mesmo assim, foi indicado em 16 de setembro para ser líder da minoria, cargo que lhe dá brechas para atuar à distância. O PT e o Psol anunciaram que também ingressarão com mandado de segurança no STF para impedir que Eduardo exerça o mandato de forma remota.

Segundo Lindbergh, Eduardo atua contra os interesses nacionais ao defender sanções contra ministros do STF e a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. Ele citou ainda que os EUA impuseram tarifas de 50% a produtos brasileiros sob a justificativa de perseguição a Jair Bolsonaro. Há 5 pedidos de cassação contra Eduardo no Conselho de Ética: 2 do PT e 3 do Psol. Lindbergh criticou a Mesa Diretora e afirmou que os processos contra Eduardo não avançam, apesar de o Conselho ter aberto procedimentos contra outros deputados. Para o líder do PT, a regra usada pelo PL para indicar Eduardo como líder da minoria é ultrapassada e não permite mandato exercido à distância. 

JUIZ FEDERAL DEVOLVE PETIÇÃO E MANDA RETORNAR COM O MÁXIMO DE 40 PÁGINAS

Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou ontem, 19, uma ação de difamação no valor de US$ 15 bilhões movida por Donald Trump contra o jornal The New York Times, quatro repórteres e a editora Penguin Random House. O juiz Steven Merryday afirmou que o processo de 85 páginas era demasiado longo, com linguagem “tediosa e carregada”, violando regras federais para apresentação de queixas civis. Segundo ele, uma ação judicial “não é fórum para vitupérios e insultos” nem “plataforma protegida para descarregar ódio contra um adversário”. “Uma petição não é megafone de relações públicas nem palanque para discursos de comício político”, acrescentou o magistrado. Merryday deu 28 dias à defesa de Trump para apresentar nova versão, “profissional e digna”, com no máximo 40 páginas. Os advogados do republicano disseram que ingressarão com nova ação contra o jornal. Um porta-voz do Times comemorou a decisão, dizendo que a petição era “um documento político, não uma ação legal séria”. A Penguin também celebrou. O processo citava artigos do Times, incluindo editorial pré-eleição de 2024 que afirmava que Trump não estava apto ao cargo.

Mencionava ainda livro da Penguin sobre como ele “desperdiçou a fortuna do pai e criou ilusão de sucesso”. Segundo a ação, as publicações foram feitas “maliciosamente, com distorções repugnantes e fabricações”. A defesa alegava que isso prejudicou sua reputação pessoal e comercial, afetando sua marca e finanças futuras. Trump tem recorrido aos tribunais para conter reportagens e comentários contrários. Nesta semana, a emissora ABC suspendeu por tempo indefinido o talk-show de Jimmy Kimmel. A medida veio após o apresentador falar no programa sobre Tyler Robinson, acusado de matar o influenciador trumpista Charlie Kirk. Trump também moveu ação contra a Paramount, controladora da CBS. Ele acusou o programa “60 Minutes” de editar entrevista com Kamala Harris para favorecê-la na eleição de 2024. A empresa optou por acordo para encerrar a disputa judicial. 

LÍDER DO SIONISMO: "O MÁXIMO DE TERRA COM O MÍNIMO DE ÁRABES"

Enquanto a atenção estava em Gaza, Israel corroeu a frágil governança na Cisjordânia construída em três décadas. 
Em 2002, a tomada de Jenin envolveu combates rua a rua por dez dias e 23 soldados mortos. No início deste ano, tanques israelenses entraram novamente em Jenin e quase não encontraram resistência. Militantes do autodenominado Batalhão Jenin estavam enfraquecidos por ataques israelenses e confrontos internos. "Agora não há resistência, não há combatentes, não há nada", diz Rayad Hassan, policial palestino. Quase 25 mil residentes foram expulsos; muitos vivem em barracas, escolas e prédios inacabados. Nove meses após a entrada, soldados israelenses dominam a área e demoliam ruínas do campo. Militares justificam a presença com táticas de segurança; políticos de direita falam de estratégia mais ampla. Um político ligado às políticas da Cisjordânia recomenda não perguntar pelo futuro de Jenin, mas de Oslo. "Oslo" refere-se aos acordos da década de 1990 que criaram a Autoridade Palestina. Oslo devia ser um caminho para a criação de um Estado palestino e retirada israelense progressiva. A direita israelense vê Oslo como traição às reivindicações sobre Judeia e Samaria. O assassinato de Yitzhak Rabin em 1995 marcou a radicalização contra Oslo. Bezalel Smotrich, líder do Sionismo Religioso, dos radicais de direita e ministro das Finanças de Israel, lidera hoje a ofensiva contra Oslo.

Na Assembleia Geral da ONU, vários países planejam reconhecer um Estado palestino. Smotrich ameaçou anexar o equivalente a 82% da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. Aproveitando a guerra em Gaza, Smotrich desmantela o que restou de Oslo na Cisjordânia. Israel tomou terras, instalou postos de controle, destruiu campos e encorajou colonos extremistas. Centenas de palestinos morreram; a autonomia limitada sob Oslo vem sendo corroída. Netanyahu declarou: "Não haverá um Estado palestino". Em Jenin e arredores a presença israelense é a mais longa desde os anos 1990, minando a autoridade local. Em Ramallah, autoridades dizem que Israel busca destruir o sistema financeiro palestino. Smotrich reteve receitas fiscais e acumulou atrasos que deixaram a Autoridade Palestina sem fundos. Sem salários e com escolas fechadas, a economia palestina regrediu e operações foram deslocadas para mercados paralelos. Smotrich resumiu sua visão: "O máximo de terra com o mínimo de árabes". A pretensão de Israel é cortar acesso dos palestinos a Jerusalém, dividindo desta forma a Cisjordânia, em duas regiões, norte e sul. 


MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 20/09/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Decisão de Supremo sobre lei de planos de saúde frustra relator
Senador afirma que "continuará estudando quais medidas legislativas e judiciais podem ser tomadas"

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Dívidas dos Correios

Correios estimam precisar de R$ 7 bi para fechar contas até o fim de 2026. Fazenda resiste 

Plano de ação para reerguer a empresa começou a ser pensado com a escolha de novo nome para a presidência da estatal

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Primeira Emenda deve frear governos como o de Trump, afirma Barack Obama

Político se manifestou dias após suspensão de Jimmy Kimmel Jimmy Kimmel Live! foi paralisado após fala sobre Charlie Kirk

TRIBUNA DA BAHIA  - SALVADOR/BA

‘PEC da Blindagem é um erro que tem que ser derrubado no Senado’, diz Caiado

Caiado foi um dos primeiros governadores de direita a defender a concessão de indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Milei atribui tempestade nos mercados financeiros a “pânico político” na Argentina

Argentina enfrenta desvalorização do peso e a disparada do risco-país

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Dez países vão reconhecer Estado da Palestina na segunda-feira. Portugal vai fazê-lo já no domingo

Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que Portugal vai reconhecer o Estado da Palestina, mas já no domingo, "ainda antes da Conferência de Alto Nível da próxima semana".

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

RADAR JUDICIAL

ISRAEL: ABRE E FECHA SAÍDAS

Após fechar rota de fuga, Israel anunciou hoje, 19, que usará “força sem precedentes” na Cidade de Gaza e orientou civis a irem para o sul. O porta-voz Avichay Adraee disse que a estrada Salah al-Din foi reaberta por 48h, mas voltou a ser fechada; agora só resta a via costeira Rashid. Israel lançou ofensiva aérea e terrestre na terça (17) para eliminar o Hamas, que matou 1.200 pessoas em 2023. Desde então, mais de 65 mil palestinos morreram, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, números reconhecidos pela ONU. A fuga ocorre por estradas lotadas, enquanto a Cidade de Gaza está em ruínas. Mesmo assim, cerca de 1 milhão havia retornado durante cessar-fogo em janeiro, e muitos resistem a evacuar novamente. Nos acampamentos do sul, superlotação e fome aumentam a rejeição à saída. “Perdemos tudo, como evacuar sem dinheiro para transporte?”, disse à AFP Sami Baroud, 35. O alerta israelense ocorre às vésperas da Assembleia-Geral da ONU, quando França e Reino Unido devem reconhecer o Estado Palestino. Na França, prefeitos socialistas anunciaram hasteamento da bandeira palestina, sob críticas da comunidade judaica. O Ministério do Interior pediu veto à medida, alegando quebra de neutralidade e risco de distúrbios. Enquanto isso, comissão da ONU acusou Israel de “genocídio” em Gaza; Tel Aviv rejeitou como “tendencioso e mentiroso”.

JUIZ É ENCONTRADO MORTO

O juiz criminal Tarcísio Marques, de 68 anos, foi encontrado morto em seu apartamento, no Centro de Poços de Caldas (MG), na manhã de ontem, 18. Segundo a Polícia Militar, o corpo foi localizado no banheiro por uma funcionária. A suspeita é de morte natural. A Polícia Civil informou que não havia sinais de violência ou arrombamento no local. A perícia foi realizada no apartamento. O velório ocorrerá no Salão do Júri do Fórum de Poços de Caldas, a partir das 20h. Depois, o corpo será cremado. Marques atuava como juiz da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Poços de Caldas. Entre 2006 e 2022, trabalhou na comarca de Andradas. O Fórum de Poços de Caldas lamentou a perda do magistrado e a comarca de Andradas decretou luto oficial de três dias. A morte gerou grande comoção no meio jurídico local.

IGREJA UNIVERSAL PERDE UM ÔNIBUS

A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a devolver um ônibus doado por um fiel, em 2014, quando passava por momento de crise conjugal e econômica. Assim que recuperou seu estado de vulnerabilidade, ingressou com ação judicial, visando retomar o bem, usado no seu trabalho. O juízo de primeiro grau condenou a Universal a devolver o ônibus; a Igreja recorreu, alegando que perícia no carro depois da doação comprovou que o fiel estava em plena capacidades cognitivas. O recurso foi apreciado pela 28ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo que manteve a sentença. O entendimento dos magistrados foi de que a perícia realizada nove anos após a doação "não afasta o relatório psicológico contemporâneo".

HAVERÁ BOICOTE SE ISRAEL CLASSIFICAR

O porta-voz do Congresso da Espanha, Patxi López, afirmou que o país pode desistir da Copa do Mundo de 2026 caso Israel se classifique. A declaração foi feita no mesmo dia em que a emissora estatal RTVE anunciou a saída do Eurovision se artistas israelenses forem mantidos. López defendeu a exclusão de Israel de competições esportivas internacionais, decisão que poderá afetar outros torneios. Segundo ele, a medida busca pressionar a comunidade internacional a “abrir os olhos” diante da guerra em Gaza. O porta-voz, do Partido Socialista Operário Espanhol, comparou o tratamento dado à Rússia, afastada após invadir a Ucrânia, e a Israel. “Por que com a Rússia sim e com Israel não? Onde está a diferença?”, questionou. Ele disse que o boicote a Israel reflete parte expressiva da opinião pública espanhola contrária à ofensiva em Gaza. Para López, a invasão terrestre israelense exige reação: “Não podemos e não ficaremos em silêncio.” O porta-voz também criticou a ausência de debate sobre atletas palestinos mortos no conflito. Segundo ele, há indignação quando se fala em suspender eventos, mas silêncio diante das mortes. “Eles nunca disseram nada sobre dezenas de atletas palestinos mortos”, afirmou. E questionou: “Isso era sobre esporte ou sobre o dinheiro que o esporte traz?”

DEPUTADO PODE PERDER MANDATO

O ministro Flávio Dino, do STF, afirmou que o mandato parlamentar não comporta trabalho remoto em 100% do tempo. A fala ocorreu em decisão que negou pedido do ex-deputado Chiquinho Brazão (RJ) para reaver o mandato. Brazão perdeu o cargo por faltas excessivas e é réu, acusado de mandar matar Marielle Franco e Anderson Gomes. Dino disse que a função parlamentar exige presença física, admitindo exceções apenas episódicas e justificadas. A decisão foi lida como recado a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ausente do país desde fevereiro. Eduardo foi indiciado por tentar coagir autoridades que julgam seu pai e atacar instituições democráticas. O PL manobrou para indicá-lo líder da minoria, o que pode abonar suas faltas. A medida apoia-se em ato de 2015 de Eduardo Cunha, que permitia justificar ausências de líderes no exterior. O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que a indicação é atípica e que analisará o caso. Dino rejeitou a defesa de Brazão, preso desde março, que alegou impossibilidade de comparecimento presencial. Segundo o ministro, a Constituição prevê perda de mandato por excesso de faltas, salvo licença autorizada. Ele destacou que prisão preventiva não está entre as hipóteses que permitem abono de ausências. 

IMÓVEL DE FAMÍLIA É IMPENHORÁVEL

O imóvel de família é impenhorável mesmo se incluído em inventário. A decisão é da 1ª Turma do STJ, que deu provimento a recurso especial. O caso envolve execução movida pelo governo do RS contra um casal, cujo imóvel foi penhorado após a morte deles. A filha, que residia no local com a família e cuidou dos pais até o falecimento, defendeu a impenhorabilidade. O TJ-RS rejeitou. Para a corte estadual, dívidas do espólio devem ser quitadas antes da transmissão aos herdeiros, só então podendo haver alegação de bem de família. No STJ, a inventariante pediu proteção, alegando risco de ficar sem direito real de habitação. O relator, ministro Benedito Gonçalves, concordou. Ele afirmou que o TJ-RS não analisou provas nem o mérito sobre a natureza do imóvel. Segundo o ministro, se o bem for qualificado como familiar, mantém-se a impenhorabilidade mesmo em inventário. A decisão foi unânime.

Santana, 19 de setembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



SENADORES CONTRA SOBRETAXA DE 4O%

Um grupo de senadores americanos apresentou no Senado projeto de resolução contra as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos importados do Brasil. A proposta contesta a base legal das sobretaxas adicionais de 40%, aplicadas em julho, além dos 10% em vigor desde abril, e pede seu cancelamento imediato. Cinco senadores assinam a resolução: Chuck Schumer (democrata, Nova York), Rand Paul (republicano, Kentucky), Jeanne Shaheen (Nova Hampshire), Tim Kaine (Virgínia) e Ron Wyden (Oregon). O governo americano embasou as tarifas na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), que permite medidas sem aval do Congresso. Para Kaine e analistas, não há emergência que justifique sobretaxas contra o Brasil. Schumer afirmou que Trump usou uma “falsa emergência” para favorecer Jair Bolsonaro. Rand Paul disse estar “alarmado” com o que chamou de perseguição a Bolsonaro e de repressão à liberdade de expressão no Brasil. Contudo, destacou que isso não tem relação com os limites constitucionais do Executivo americano. Segundo Paul, o presidente não tem autoridade para impor tarifas unilaterais sob a IEEPA. “A política comercial pertence ao Congresso, não à Casa Branca”, disse.

A resolução dificilmente será aprovada pelas duas Casas, mas pode ter efeito simbólico. Ela também pode pressionar republicanos a se posicionarem sobre o tema. No início do ano, Kaine apresentou resolução semelhante contra tarifas a Canadá e México, justificadas por Trump com a pandemia do fentanil. Essa foi aprovada no Senado, inclusive com votos republicanos, mas barrada na Câmara. Em julho, Kaine reuniu-se em Washington com parlamentares brasileiros para tratar das tarifas. No comunicado sobre o novo projeto, os senadores destacaram que os EUA importam mais de US$ 40 bilhões anuais do Brasil. Quase US$ 2 bilhões correspondem ao café. Eles alertam que prejudicar o comércio bilateral enfraquece as economias. Além disso, aproximaria o Brasil da China. 

PROIBIDOS LIVROS ESCRITOS POR MULHERES

Protestos de mulheres no Afeganistão
O governo do Afeganistão, controlado pelo Talibã, baniu livros escritos por mulheres do sistema universitário, além de proibir o ensino de direitos humanos e assédio sexual. Cerca de 140 obras femininas, entre elas "Segurança no Laboratório Químico", estão entre os 680 títulos considerados contrários à Sharia e às políticas do regime. As universidades também foram informadas da proibição de 18 disciplinas, seis delas ligadas a questões femininas, como gênero, comunicação e sociologia das mulheres. Um oficial afirmou que os temas “conflitam com os princípios da Sharia e a política do sistema”. A medida soma-se a outras restrições desde a volta do Talibã ao poder, há quatro anos. Nesta semana, a internet de fibra óptica foi suspensa em dez províncias, sob justificativa de combater a imoralidade. Mulheres e meninas estão entre as mais afetadas: não podem estudar após a sexta série e perderam cursos de obstetrícia em 2024. Zakia Adeli, ex-vice-ministra da Justiça e autora censurada, disse que não se surpreende, citando as “políticas misóginas” do Talibã. As diretrizes foram emitidas em agosto e assinadas por um painel de “especialistas religiosos”.

Além de autoras afegãs, a proibição mira livros de escritores e editoras iranianas. Na lista de 679 títulos banidos, 310 são do Irã. A justificativa, segundo membros do comitê, é “evitar a infiltração de conteúdo iraniano”. As relações entre Afeganistão e Irã estão tensas, inclusive por disputas sobre água. Teerã também deportou mais de 1,5 milhão de afegãos desde janeiro. Professores afegãos alertam para o impacto no ensino superior. Um docente disse que os livros iranianos eram a principal ligação com a comunidade acadêmica global. Sem eles, será quase impossível manter padrões internacionais. Na Universidade de Cabul, professores têm de escrever capítulos próprios, adaptados às restrições do regime. Mas há dúvidas se esse material atenderá a critérios globais de qualidade. Recentemente, o Talibã proibiu o funcionamento de salões de beleza para mulheres no país.



ISRAEL FAZ GUERRA POR DINHEIRO

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, disse que a Faixa de Gaza é uma potencial “mina de ouro” imobiliária e que já negocia com os EUA formas de dividir o território após a guerra contra o Hamas, segundo o Times of IsraelA fala ocorreu na quarta-feira (17), em evento imobiliário em Tel Aviv. Smotrich declarou que “a oportunidade se paga” e que iniciou diálogos com Washington. “Pagamos muito dinheiro por esta guerra. Precisamos ver como dividir a terra em porcentagens”, afirmou, dizendo que a fase de demolição já foi concluída e que há um “plano de negócios” na mesa do presidente Donald Trump. A Casa Branca e o Departamento de Estado não comentaram. Não é a primeira vez que o ministro faz declarações polêmicas. Em novembro, disse que Israel deveria conquistar Gaza e “reduzir pela metade” a população por meio de “emigração voluntária”. Em maio, afirmou que uma vitória israelense significaria a destruição total do território e o deslocamento de seus habitantes. Devido a essas posições, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia impuseram sanções contra Smotrich e outro ministro pró-assentamentos, acusando-os de incitar violência na Cisjordânia.

As falas recentes ocorrem em meio a nova ofensiva israelense contra a Cidade de Gaza. Militares informaram ontem, 18, que mais de 450 mil palestinos já deixaram a cidade, quase metade da população local antes do conflito. Civis fogem para o sul em razão da invasão terrestre, após semanas de bombardeios e demolições. Segundo o general Effie Defrin, mais de 1.200 “alvos terroristas” foram atingidos desde o início da ofensiva. O avanço ocorre após relatório de equipe da ONU acusar Israel de genocídio em Gaza, denúncia rejeitada por Tel Aviv. A popularidade de Smotrich, ligado a colonos, caiu, e pesquisas indicam que seu partido não elegeria parlamentares se a eleição fosse hoje. 

ACM NETO PODE DESISTIR

Têm ganhado força rumores de que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), pode desistir de disputar o governo da Bahia em 2026. O movimento é comemorado por adversários, mas tratado com ceticismo por aliados, que evitam falar publicamente sobre o assunto. Segundo o Bahia Notícias, Neto resiste a pressões de aliados que buscam compromissos eleitorais antecipados, o que causa constrangimentos internos. Embora não haja queixas abertas, cresce a insatisfação no núcleo próximo ao ex-prefeito. Entre os fatores de desgaste estão a ofensiva do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para atrair antigos aliados de Neto e a atuação de pré-candidatos a deputados que, segundo interlocutores, criam dificuldades para obter vantagens. A cobrança para que Neto assuma compromissos desde já gera impaciência. “Querem fechar listas de candidatos como se fosse possível agora”, disse uma fonte ligada ao ex-prefeito. O “sumiço” público do pré-candidato também alimenta críticas e aumenta o mal-estar. Apesar disso, aliados consideram que Neto ainda é o nome com mais força para enfrentar Jerônimo. Por isso, a possibilidade de desistência é vista como improvável dentro do União Brasil. “Seria a morte política dele”, afirma um aliado.

Encontros recentes, tanto no interior da Bahia quanto em Brasília, mostram a antecipação das negociações. A indefinição, porém, levanta temores sobre a repetição de 2018, quando Neto recuou e indicou José Ronaldo para enfrentar Rui Costa. Para aliados, é fundamental confirmar a candidatura a tempo de organizar a chapa proporcional. O atraso gera insegurança e abre espaço para dissidências internas. Alguns já condicionam apoio à garantia de que Neto realmente estará na disputa. Assim, a pressão cresce: se optar por não concorrer na Bahia, o ex-prefeito pode ter que buscar espaço em uma chapa nacional para evitar enfraquecimento político.