Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, anunciou na sexta-feira (30) uma proposta de lei de anistia para centenas de prisioneiros políticos e a intenção de transformar o presídio Helicoide, em Caracas, em um centro esportivo e social. Segundo Delcy, a medida busca “curar as feridas” do confronto político e restaurar a convivência pacífica no país. A anistia abrangerá casos de 1999 até hoje, período dos governos chavistas, mas excluirá acusados de assassinatos, graves violações de direitos humanos e tráfico de drogas. O Helicoide, antigo shopping de luxo, ficaria destinado a atividades culturais, esportivas e comerciais. A prisão ganhou notoriedade por denúncias de tortura, rejeitadas pelo regime, enquanto familiares seguem realizando vigílias no local.
Desde a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, alguns presos políticos vêm sendo libertados, como Rocío San Miguel e Enrique Márquez. Maduro foi levado a Nova York em janeiro, acusado de terrorismo e narcotráfico, acusações que nega. A ONG Foro Penal recebeu o anúncio com “otimismo e cautela” e estima que ainda restem 711 presos políticos, com 303 já libertados. O regime afirma ter soltado mais de 600 pessoas, sem divulgar listas ou prazos. A opositora María Corina Machado comemorou a iniciativa, mas afirmou que ela resulta da pressão dos EUA. Desde a captura de Maduro, Machado tenta se firmar como principal voz da transição política venezuelana.
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