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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

TRUMP ESTÁ DESESPERADO E PROCESSA A CALIFÓRNIA


O Departamento de Justiça dos Estados Unidos processou a Califórnia para impedir a contagem de votos pelo correio de mais de 20 mil eleitores suspeitos de não serem cidadãos americanos. A ação foi apresentada na quinta-feira (15), em tribunal federal de Los Angeles, a pedido do governo Donald Trump. O caso amplia a pressão federal sobre as autoridades estaduais antes das eleições legislativas de 3 de novembro. O pleito definirá a composição do Congresso, onde os republicanos tentam manter o controle das duas casas. A Constituição americana atribui aos estados a responsabilidade pela administração das eleições, embora o governo federal exerça funções de supervisão. Trump afirma repetidamente que estrangeiros votam ilegalmente em larga escala, mas estudos indicam que essa prática é rara. Segundo investigação da Reuters publicada em julho, apenas 129 pessoas haviam sido processadas por esse crime desde 1996. Nos últimos meses, o Departamento de Justiça intensificou as investigações sobre possíveis irregularidades eleitorais. Na ação, o órgão pediu que a Justiça impeça a Califórnia de contabilizar os votos postais dos eleitores suspeitos até a verificação de sua situação migratória. Anteriormente, o departamento enviou ao estado uma lista desses eleitores em um pen drive. A Califórnia recebeu prazo de 48 horas, encerrado na terça-feira (13), para revisar os registros. O governo afirma que identificou os mais de 20 mil casos mediante cruzamento dos cadastros eleitorais com bancos de dados do Departamento de Segurança Interna. Autoridades eleitorais de todos os 50 estados também foram advertidas sobre possíveis processos criminais caso permitam conscientemente o registro ou o voto de não cidadãos. O Departamento de Justiça processou 30 estados e Washington por se recusarem a fornecer listas eleitorais completas, incluindo informações pessoais confidenciais.

Até o momento, o governo perdeu 26 dessas ações e não obteve vitória em nenhuma. Defensores dos direitos eleitorais temem que cidadãos naturalizados sejam identificados incorretamente como estrangeiros devido a informações desatualizadas nos bancos de dados federais. A secretária de Estado da Califórnia, Shirley Weber, e o responsável pelo registro eleitoral, Dean Logan, foram citados como réus. Nenhum deles respondeu imediatamente aos pedidos de comentários sobre a ação. Em comunicado anterior, Weber afirmou que o estado possui mecanismos rigorosos para impedir o voto de não cidadãos. Ela também criticou a tentativa federal de acessar dados eleitorais protegidos e revisar os cadastros estaduais. Segundo a secretária, essas iniciativas podem provocar confusão e aumentar a desconfiança pública no sistema eleitoral. O professor de Direito Rick Hasen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, questionou a legalidade da iniciativa federal. Para ele, a medida pode contrariar uma lei que proíbe expurgos em massa dos registros eleitorais nos 90 dias anteriores às eleições. O governo Trump argumenta que essa restrição não deve proteger pessoas sem direito legal ao voto. Hasen, entretanto, avalia que a ação enfrentará obstáculos jurídicos, pois os estados possuem autonomia para administrar suas eleições. O especialista afirma que o governo federal não tem autoridade direta para determinar quais cédulas estaduais podem ser enviadas ou contabilizadas.

 

MARCHA PELA EDUCAÇÃO PÚBLICA EM BUENOS AIRES


Milhares de professores universitários e estudantes marcharam em Buenos Aires para exigir que o presidente Javier Milei cumpra a Lei de Financiamento Universitário. A manifestação terminou em confronto entre policiais e um grupo de encapuzados diante do Congresso argentino. As forças de segurança utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e canhões d’água para dispersar os manifestantes. Faixas com frases como “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio” marcaram o protesto. Esta foi a quinta Marcha Universitária desde a posse de Milei, em dezembro de 2023. Até o fechamento da edição, o presidente não havia se pronunciado sobre a mobilização. A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, criticou os manifestantes e os acusou de promover o caos. Um estudo da Universidade de Buenos Aires apontou forte deterioração dos recursos destinados ao ensino superior público. Os investimentos nas universidades caíram 40,5% em termos reais na comparação entre os primeiros semestres de 2023 e 2026. O professor Miguel De Luca, da Universidade de Buenos Aires, afirmou que os salários docentes estão congelados desde a posse de Milei. Segundo ele, os rendimentos perderam poder de compra diante do aumento do custo de vida. O Congresso aprovou uma lei para financiar as universidades e atender às reivindicações dos professores. Milei vetou a medida, mas o Legislativo voltou a defendê-la entre agosto e outubro de 2025. De Luca acrescentou que a Justiça também determinou que o governo concedesse os reajustes salariais previstos. Apesar das decisões judiciais, o governo continua sem cumprir integralmente a legislação, segundo o professor. Entre as consequências estão a saída de docentes para instituições privadas ou para o exterior. 

A crise também afeta o sistema científico nacional e provoca suspensões de aulas nas universidades. A lei prevê a atualização dos salários pela inflação desde dezembro de 2023. Também determina a recomposição das bolsas estudantis e dos recursos necessários ao funcionamento das instituições. O secretário-geral da Associação Gremial Docente, Nicolás García Roel, destacou o caráter multissetorial da manifestação. Ele afirmou que a mobilização reuniu diferentes setores em defesa da educação pública e do cumprimento da lei. A legislação abrange o financiamento das 57 universidades argentinas e a recomposição salarial de professores e funcionários. Segundo Roel, a norma estabelece aumento imediato de 35% para recuperar perdas salariais acumuladas. Mais de 10 mil professores universitários teriam renunciado desde o início do governo Milei por causa dos baixos salários. Os docentes que permaneceram nos cargos passaram a buscar outras ocupações para complementar a renda. Alguns trabalham informalmente como motoristas de aplicativos, incluindo o Uber, para sobreviver. A sobrecarga reduz o tempo disponível para preparar aulas, corrigir trabalhos e desenvolver pesquisas acadêmicas. Roel afirmou que os professores continuarão mobilizados contra o descumprimento da legislação pelo governo. Ele também criticou os prejuízos aos salários e ao funcionamento regular das universidades. De Luca declarou que as marchas anteriores foram pacíficas e acusou as forças de segurança de reprimir o ato. O professor acredita que Milei dificilmente mudará de posição, por considerar que o setor universitário não o apoiará politicamente.

 

GOVERNO NÃO TRANSMITIRÁ EXECUÇÃO DE CONDENADO


O presidente Donald Trump anunciou que a execução de Nidal Hasan não será transmitida ao vivo. O ex-psiquiatra do Exército foi condenado pelo ataque a tiros na base de Fort Hood, no Texas, em 2009. O atentado matou 13 pessoas e deixou outras 32 feridas. Hasan teria agido inspirado pela Al Qaeda e afirmou que buscava retaliar as guerras americanas no mundo muçulmano. A execução está prevista para 3 de dezembro, por um pelotão de fuzilamento. Será a primeira execução militar nos Estados Unidos desde 1961, segundo a organização Death Penalty Action. Trump havia defendido a transmissão como exemplo de como os americanos punem terroristas. Em publicação na rede Truth Social, chamou Hasan de traidor e classificou seus atos como perversos. O presidente, porém, reconheceu que pessoas bem-intencionadas poderiam preferir não assistir às imagens. Ele confirmou que a execução ocorrerá conforme programado, mas sem transmissão pública. A possibilidade de exibir a morte ao vivo provocou críticas de políticos republicanos e líderes religiosos. Entre os que demonstraram dúvidas estava o vice-presidente J. D. Vance. Observadores internacionais também manifestaram preocupação com a iniciativa atribuída ao secretário de Defesa, Pete Hegseth. Trump já havia evitado confirmar se a transmissão realmente aconteceria. Familiares das vítimas poderão acompanhar presencialmente a execução, caso desejem. A última execução militar americana por enforcamento ocorreu em 1961, conforme dados citados por organizações contrárias à pena capital. 

Já a última execução conhecida por fuzilamento militar ocorreu em novembro de 1945. No domingo anterior, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou que a transmissão não representaria risco adicional à segurança nacional. Ele rejeitou a possibilidade de Hasan se transformar em mártir por causa da exibição pública. Mullin declarou que os responsáveis por ataques contra os Estados Unidos devem receber punição proporcional aos crimes. O atentado ocorreu semanas antes de Hasan ser enviado ao Afeganistão. Durante o ataque, ele teria gritado “Allahu Akbar”, expressão árabe que significa “Deus é o maior”. Após ser baleado pela polícia, ficou parcialmente paralisado e passou a usar cadeira de rodas. O recuo de Trump integra uma série de episódios em que o governo anuncia medidas controversas e depois muda de posição. As mudanças costumam ocorrer diante de resistências políticas, críticas públicas ou possíveis prejuízos econômicos. Esse comportamento rendeu ao presidente o apelido de “Taco”, sigla em inglês para “Trump sempre amarela”. Em abril, Trump ameaçou que “uma civilização inteira” morreria no Irã, provocando críticas até entre aliados. Pouco antes de vencer o ultimato, anunciou uma trégua de duas semanas e suspendeu os bombardeios, condicionando o acordo à reabertura do estreito de Hormuz, com mediação do Paquistão.