O advogado Cristiano Pinto Ferreira, fundador da Casa do Advogado em Brasília, defende a modernização da profissão jurídica. Segundo ele, apenas o diploma e o conhecimento técnico do Direito já não garantem prosperidade no mercado atual. O profissional precisa desenvolver habilidades adicionais, como tecnologia, marketing, gestão e visão de negócios. Cristiano considera a inteligência artificial um “segundo cérebro” e um importante assistente do advogado. Para ele, os profissionais precisam aprender a utilizar as novas ferramentas para acompanhar o mercado. Ao mesmo tempo, alerta que respostas produzidas pela IA não devem ser usadas sem análise e checagem. O uso automático de conteúdos pode provocar erros e trazer problemas para a advocacia. Ele destacou sua experiência pioneira com marketing digital em escritórios jurídicos e contou que utilizou o Google Ads para atrair clientes e depois passou a orientar outros advogados. Na época, a regulamentação da OAB não tratava claramente do marketing digital na advocacia, daí porque interpretou essa lacuna como uma possibilidade de atuação no ambiente digital; observou que a própria OAB passou a incorporar temas como tecnologia, gestão e marketing. Cristiano explica que está surgindo uma “nova advocacia”, combinando conhecimento jurídico com outras competências. O advogado moderno, segundo ele, precisa compreender também negócios e administração de empresas.
Cristiano relatou ainda que enfrentou resistência acadêmica ao tentar incluir esses temas no ensino jurídico. Como alternativa, anunciou a criação de uma faculdade de Direito e negócios em São Paulo e Brasília. A proposta é manter a formação jurídica tradicional, acrescentando conhecimentos práticos voltados ao mercado.
Entre os novos conteúdos estão vendas, tecnologia, gestão e posicionamento profissional. A instituição pretende formar advogados tecnicamente preparados e também capacitados para lidar com mudanças. Para Cristiano, a adaptação às novas tecnologias será cada vez mais necessária na profissão e considera que as faculdades tradicionais precisam acompanhar essa transformação para não perder relevância. A proposta representa uma mudança no modelo de formação dos profissionais do Direito. A técnica jurídica continua sendo considerada essencial para a carreira, mas, na visão do advogado, ela deve ser acompanhada de novas habilidades profissionais. O avanço da inteligência artificial é apresentado como parte importante dessa transformação, porque o profissional deverá saber utilizar a tecnologia sem abandonar sua capacidade de análise e julgamento. Marketing digital também passa a ser visto como ferramenta de posicionamento no mercado jurídico. Gestão e conhecimento empresarial completam o conjunto de competências defendido por Cristiano. A chamada nova advocacia, portanto, busca unir formação jurídica, tecnologia e preparação para o mercado.