O possível fracasso de um pedido de extradição de Eduardo Bolsonaro pelos Estados Unidos preocupa integrantes do governo brasileiro e do STF, após a Justiça italiana negar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. Condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, Eduardo vive nos EUA desde fevereiro de 2025. Nos bastidores, a avaliação é de que as chances de o governo de Donald Trump aceitar uma eventual extradição são reduzidas. O procedimento exigiria que o ministro Alexandre de Moraes encaminhasse o pedido ao Ministério da Justiça, que, após análise, o enviaria ao governo americano. No entanto, autoridades temem que uma nova recusa internacional fortaleça críticas à imparcialidade do Judiciário brasileiro. A decisão italiana no caso Zambelli apontou supostas falhas no direito de defesa e questionou o papel de Moraes como julgador e vítima.
Nos EUA, o pedido passaria primeiro por um tribunal federal e depois pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Juristas destacam que o tratado de extradição entre Brasil e EUA impede a entrega de pessoas por crimes de caráter político, interpretação que poderia beneficiar Eduardo. Mesmo que a solicitação superasse essa etapa, a decisão final caberia a Rubio, aliado da família Bolsonaro e crítico de Moraes. Diante desse cenário, discute-se retardar o envio formal do pedido para evitar desgaste político. O governo Trump já negou a extradição do influenciador Allan dos Santos, alegando proteção à liberdade de expressão. Casos semelhantes também resultaram em negativas da Espanha e da Itália a pedidos apresentados pelo Brasil.
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