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sábado, 13 de junho de 2026

HOMICÍDIO CULPOSO NA MORTE DE JUÍZA


Médicos intensivistas que atenderam a juíza Mariana Francisco Ferreira, 34, afirmaram à Polícia Civil que recomendaram diversas vezes uma cirurgia de urgência ao médico Maurício Ligabô, responsável pelo procedimento de coleta de óvulos que antecedeu a morte da paciente. Mariana morreu em 6 de maio após complicações de uma fertilização in vitro. Segundo os depoimentos, ela sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e a cirurgia só foi realizada 28 horas após sua internação na UTI de um hospital em Mogi das Cruzes (SP). O hospital informou que Ligabô era o responsável pelo caso, cabendo a ele definir tratamentos, indicar procedimentos e manter contato com a família. A instituição afirmou ainda que a equipe intensivista atuou de forma autônoma e imediata nos cuidados intensivos. A Polícia Civil investiga o médico por homicídio culposo. A defesa sustenta que, após a admissão na UTI, a responsabilidade pelas decisões terapêuticas cabe aos intensivistas e acusa as médicas de tentarem transferir responsabilidades.

Segundo os relatos, exames apontavam queda de hemoglobina, piora renal e sinais de hemorragia interna, mas Ligabô teria mantido o diagnóstico de hiperestimulação ovariana. Médicas da UTI disseram ter alertado sobre a necessidade urgente de cirurgia. A operação ocorreu apenas na noite de 5 de maio. Durante o procedimento, foram encontrados grande volume de sangue na cavidade abdominal e lesões que exigiram retirada de ovário e trompas. Após retornar à UTI em estado grave, Mariana sofreu nova parada cardiorrespiratória. Depois de 40 minutos de tentativas de reanimação, o óbito foi confirmado. A defesa do médico pediu o adiamento de seu depoimento até a conclusão do laudo necroscópico. O caso segue sob investigação no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. Especialistas destacam que médico assistente e intensivistas compartilham a responsabilidade pelo paciente e que divergências sobre condutas devem ser encaminhadas à direção clínica do hospital.

 

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