Especialistas apontam ainda um apagão de dados. Estados, Ministério da Justiça e Polícia Federal não possuem estatísticas consolidadas sobre crimes digitais ou uso de IA em golpes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apenas 2% dos casos de estelionato são solucionados. Os tribunais mostram que o WhatsApp lidera como plataforma mais citada nos golpes, seguido por internet banking, ligações telefônicas, sites falsos e comércio eletrônico. As fraudes mais comuns são falsa venda, falso comprador, falsa central bancária, golpe do amor, “mão fantasma” e troca de chip (SIM swap). Para investigadores, um boletim de ocorrência detalhado, com números de telefone, e-mails, dados bancários, chave Pix e imagens, é fundamental para aumentar as chances de investigação e recuperação dos prejuízos.
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domingo, 14 de junho de 2026
CASOS DE ESTELIONATO NA JUSTIÇA DE SÃO PAULO
Os casos de estelionato na Justiça de São Paulo mais que dobraram desde a popularização da inteligência artificial generativa, no fim de 2022. Levantamento da Jusbrasil mostra que as decisões do TJ-SP sobre o tema passaram de 1.073 para 2.270 em 2025. Embora não haja prova de relação direta entre IA e aumento dos golpes, empresas de cibersegurança apontam sinais claros do uso da tecnologia por criminosos. A IA permite criar mensagens em massa, corrigir erros de linguagem, produzir deepfakes, clonar vozes e desenvolver códigos mais sofisticados. Processos judiciais revelam o uso da tecnologia para burlar reconhecimento facial, criar anúncios falsos e aplicar o chamado “golpe do amor”. Apesar disso, a IA aparece explicitamente em apenas cinco ações judiciais analisadas. Em 2026, das 8.338 decisões sobre estelionato no TJ-SP, 3.621 envolveram meios eletrônicos, enquanto 931 ocorreram presencialmente. Em quase metade dos casos, a modalidade da fraude nem sequer foi identificada.
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