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quarta-feira, 20 de agosto de 2025

PROCURADORIA CONTRA TRANSPORTE DE CÃES DE APOIO EMOCIONAL

A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra ação que pede a obrigatoriedade de companhias aéreas transportarem cães de apoio emocional.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 93) foi proposta pelo Instituto Oceano Azul, que busca obrigar a Anac a regulamentar o tema.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou que o instituto não possui legitimidade para propor a ação.
Segundo ele, a jurisprudência do STF exige que associações representem categorias homogêneas, o que não se aplica ao caso.
Além disso, o Instituto não comprovou atuação em ao menos nove estados, requisito formal.
No mérito, Gonet afirmou que não há omissão regulatória, mas uma “opção política” já adotada pela Anac.
A Portaria 12.307 permite que companhias aéreas definam suas próprias regras sobre o transporte.
Para a PGR, a decisão pertence ao campo legislativo e não ao controle judicial.
A AGU e o Senado também se posicionaram contra a ação, alegando inexistir obrigação constitucional da União.
Ambos destacaram que o tema já é objeto de diversas iniciativas públicas.
O Instituto Oceano Azul defende que a ausência de norma uniforme fere princípios constitucionais.
Aponta riscos de discriminação, arbitrariedade e insegurança jurídica.
Alega ainda que companhias negam embarques ou cobram taxas elevadas.
Para o Instituto, a portaria da Anac é insuficiente, pois delega a regulação às empresas.

O caso está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. 

FILHO DA PRINCESA DA NORUEGA: 32 CRIMES

O filho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Hoiby, de 28 anos, foi denunciado por 32 crimes, incluindo quatro acusações de estupro. O julgamento está previsto para janeiro de 2026 e, se condenado, poderá pegar até dez anos de prisão. Hoiby é fruto de uma relação anterior de Mette-Marit, mas não tem título real nem direito à sucessão. A corte real afirmou que não comentará o caso. 
Ele foi preso em agosto de 2024 por suspeita de agredir a companheira, o que levou a novas denúncias de várias vítimas.

As acusações contra Hobby incluem estupro de quatro mulheres, violência contra ex-parceira e filmagens ilegais de partes íntimas sem consentimento. Segundo o procurador Sturla Henriksbo, trata-se de “um caso muito grave” de violência e estupro em relações íntimas.
O promotor destacou que o parentesco com a família real não deve influenciar a Justiça.
Os supostos estupros ocorreram entre 2018 e novembro de 2024, após relações consensuais, enquanto as vítimas dormiam.

Em junho, Hoiby já havia sido acusado de 23 crimes, incluindo três estupros. A defesa afirma que ele rejeita todas as acusações. Outras investigações incluem conduta sexual criminosa, abuso em relacionamentos, lesão corporal, ameaças à polícia e infrações de trânsito. A polícia também o acusa de causar danos intencionais.

A mídia norueguesa aponta que Hoiby tinha contato com gangues, Hells Angels e máfia albanesa. Em 2023, recebeu advertência da polícia por circular em ambientes de criminosos notórios. Ele já havia sido preso em 2017 por uso de cocaína em festival de música.

O caso gera forte repercussão na Noruega pelo envolvimento indireto da família real. 

CONDENAÇÃO PELO JÚRI NÃO GERA PRISÃO IMEDIATA

A tese vinculante do STF autoriza, mas não obriga, o cumprimento imediato da pena de condenados pelo Tribunal do Júri. Cabe ao juiz analisar o caso concreto.

Com esse entendimento, a 10ª Câmara Criminal do TJ-SP concedeu Habeas Corpus a um policial condenado a 12 anos de prisão por homicídio qualificado, afastando a prisão.

Réu primário, ele respondeu em liberdade ao processo. Após a condenação pelo Júri, o juízo da 2ª Vara do Júri determinou sua prisão.

A defesa alegou irretroatividade da tese do STF, pois o réu foi pronunciado antes da definição do Tema 1.068.

O relator, desembargador Nelson Fonseca Júnior, destacou que o acusado é primário, respondeu solto e não prejudicou o processo.

Para ele, a decisão do STF autoriza, mas não impõe, a execução imediata, sendo necessária justificativa para prisão antes do trânsito em julgado.

Assim, concluiu que o réu tem direito de recorrer em liberdade.

Essa decisão integra um conjunto de julgados do TJ-SP que divergem do STF quanto à execução imediata da pena.

A corte paulista entende que o artigo 292 do CPP, que assegura liberdade provisória, deve prevalecer.

Há ainda decisões que reconhecem a natureza híbrida da tese do STF, sendo processual (de aplicação imediata) e penal (sem retroatividade prejudicial).

AMERICANOS MANDAM DESTRÓIERES PARA COSTA DA VENEZUELA

Três destróieres americanos Aegis, equipados com mísseis guiados, devem se aproximar da costa da Venezuela nesta semana para combater cartéis de drogas latino-americanos, segundo autoridades dos EUA ouvidas pela Reuters.

A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que Washington usará “toda a força” contra o regime de Nicolás Maduro, classificado como “cartel narcoterrorista”.

Na última semana, a imprensa americana já havia antecipado o deslocamento de mais de 4.000 fuzileiros e marinheiros para a região. Autoridades explicaram que a operação deve durar meses e abranger espaço aéreo e águas internacionais.

Em fevereiro, Trump designou cartéis do México e o Tren de Aragua como organizações terroristas, medida tradicionalmente usada contra grupos como Al-Qaeda e Estado Islâmico.
No início de agosto, o presidente assinou diretriz que autoriza o Pentágono a empregar militares contra esses cartéis. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reagiu afirmando que tropas americanas não entrarão em seu país.

Em resposta, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos para defender a Venezuela.

Trump também dobrou a recompensa pela captura de Maduro para US$ 50 milhões. Washington o acusa de narcotráfico e ameaça à segurança dos EUA.

A crise diplomática se acirrou ainda mais com denúncia venezuelana de que 66 crianças seguem “sequestradas” nos EUA após deportações. Caracas exige sua devolução por meio do programa “Retorno à Pátria”. Camila Fabri, esposa do empresário aliado de Maduro, Alex Saab, classificou a situação como “cruel e desumana”. Ela prometeu trazer as crianças de volta, acompanhada por mães que pediram apoio da primeira-dama americana, Melania Trump. 

MUDAR DE BANCO, SERIA CAPITULAÇÃO

Ministros do STF foram aconselhados por dirigentes de bancos públicos e privados a abrirem contas em cooperativas de crédito como forma de se proteger dos efeitos da Lei Magnitsky.

A sanção dos EUA impede sancionados de manter contas bancárias e bloqueia seus bens, punindo ainda instituições financeiras estrangeiras que se relacionem com eles.

Até agora, apenas Alexandre de Moraes foi atingido, mas Washington ameaça estender punições a outros magistrados que o apoiem.

O governo brasileiro teme que o Banco do Brasil sofra sanções por manter contas de ministros, já que os salários deles são pagos pelo BB.

Por isso, surgiu a ideia de transferirem recursos para cooperativas de crédito, fora do sistema internacional.

A proposta foi apresentada tanto por autoridades ligadas à área econômica do governo Lula quanto por bancos privados.

Quase todas as instituições privadas brasileiras têm negócios nos EUA e estariam sujeitas a punições.

Os ministros, no entanto, rejeitaram a ideia.

Consideraram que, embora resolvesse o problema individual, seria uma capitulação do Brasil diante de pressões externas.

Um deles afirmou que bancos precisam entender que o país não pode se curvar aos EUA.

Também consideraram absurda a possibilidade de um juiz brasileiro não poder ter conta em banco estatal nacional.

A decisão de Flávio Dino reforçou que leis estrangeiras não têm validade no Brasil.

Para os ministros, a Magnitsky não pode fechar contas de cidadãos sem decisão da própria Justiça brasileira.

Nos EUA, Eduardo Bolsonaro tem defendido as sanções e articulado com aliados de Trump contra o STF. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 20/08/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Cresce a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela 

Casa Branca promete usar todo o poder contra os cartéis de narcotráfico, e presidente Nicolás Maduro mobiliza 4 milhões de milicianos para fazer frente à ameaça representada pelo envio de três destróieres americanos para a costa venezuelana

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Bancos temem sanções dos EUA se eventual liminar de Dino obrigar a descumprir Magnitsky

Com contratos estrangeiros, grandes instituições financeiras do Brasil 

podem perder negócios e muitos bilhões

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

EUA cancelam evento militar com Brasil e acendem alerta na Defesa

Conferência espacial que seria realizada em julho em Brasília foi suspensa 

por decisão de Washington

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

À espera de audiência, Gonet devolveu 
decisão que pode blindar Moraes

Chefe da PGR informou que entende ser "adequado" esperar resultado 
de reunião para emitir posicionamento sobre o despacho do ministro

CORREIO DO POVO - PORTOR ALEGRE/RS

Hugo Motta defende projeto que pune quem 
impedir atividade legislativa 

Texto prevê suspensão de seis meses e teve pedido de urgência aprovado na Câmara

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT

"O Estado está a abrir muitas fendas, a perder, em certo sentido, autoridade"

No podcast Soberania, o candidato a Belém António José Seguro defende que a despesa militar deve ser um investimento estratégico e que a democracia não pode ficar refém de trincheiras partidárias.

 

terça-feira, 19 de agosto de 2025

MORRE DESEMBARGADOR DA BAHIA

O desembargador João Augusto Pinto, do Tribunal de Justiça da Bahia, morreu, aos 72 anos, na madrugada de hoje, depois que sofreu Acidente Vascular Cerebral, AVC, no ano passado. O magistrado era natural de Itabuna e diplomou-se pela Universidade Federal da Bahia, em 1977; em 1996, concluiu o mestrado e, antes de ingressar na magistratura, foi vereador pelo município de Ibicaraí, entre os anos de 1982 e 1986, quando renunciou para assumir o cargo de juiz. João Augusto serviu nas comarcas de Santa Terezinha, Ucuçuca, Feira de Santana, Itabuna e Santo Amaro, sendo promovido para a capital em 1994. O velório e sepultamento do magistrado aconteceu hoje, às 14.00 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.   


O magistrado foi professor e publicou artigos e livros na área jurídica. Ele integrava a Academia de Letras Jurídicas da Bahia, a Associação Bahiana de Imprensa, o Instituto dos Advogados da Bahia e o Instituto dos Magistrados do Brasil. Era ainda titular da Academia Brasileira de Ciências Sociais e presidia o Conselho Editorial e Científico da Revista Entre Aspas, da Unicorp. O magistrado deixa a esposa, Aldérica Pinto, e três filhos todos advogados: Marcelo, André e Otávio Pinto.   



RADAR JUDICIAL

EMBAIXADA PASSA DO LIMITE: AGRIDE MINISTRO

A Embaixada dos EUA no Brasil afirmou que Alexandre de Moraes, ministro do STF, é “tóxico” para empresas e indivíduos que buscam negócios com os americanos.
Segundo comunicado, cidadãos dos EUA estão proibidos de manter relações comerciais com ele, e estrangeiros que o apoiarem podem sofrer sanções.
A publicação deu ênfase a nota do Departamento de Estado, reforçando que violadores de direitos humanos terão acesso restrito ao mercado americano.
Moraes tornou-se alvo do governo Trump no contexto do processo contra Jair Bolsonaro no STF por crimes como tentativa de golpe de Estado.
Trump, em carta a Bolsonaro, pediu o fim imediato da ação e classificou o caso como “caça às bruxas”. Em paralelo, anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Moraes declarou ao Washington Post que não recuará “nem um milímetro” e que seguirá julgando conforme as provas.
Flávio Dino, também do STF, proibiu restrições no Brasil baseadas em atos unilaterais estrangeiros.
Enquanto isso, os EUA abriram investigação comercial contra o Brasil por supostas práticas desleais.O Itamaraty informou que enviará resposta oficial a Washington, elaborada por uma força-tarefa governamental. 

BRICS PAY

O BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, acelera a criação do BRICS Pay, sistema de liquidação financeira para reduzir a dependência do dólar.

A plataforma funcionará como rede descentralizada entre bancos centrais, permitindo transações diretas nas moedas locais. Inspirado em modelos da China e da Rússia, o BRICS Pay não criará moeda única, mas integrará moedas nacionais.

O dólar domina 84% das transações globais, garantindo vantagens estratégicas aos EUA e uso de sanções. Para o BRICS, essa dependência gera riscos políticos e encarece exportações.

Na cúpula de 2025, o bloco reafirmou acelerar o projeto, com China e Rússia à frente dos testes. O Brasil mira ganhos no agronegócio e energia. Egito e Emirados Árabes devem aderir, ampliando a rede.

Desafios incluem infraestrutura tecnológica segura e pressões geopolíticas ocidentais. Se bem-sucedido, pode ser a maior mudança no comércio internacional desde o euro.


MADURO MOBILIZA TROPAS CONTRA EUA

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou ontem, 18, ter convocado 4,5 milhões de milicianos para enfrentar os Estados Unidos. Enquanto isso, Donald Trump aumentou a recompensa para quem fornecer informações que possibilitem a captura do ditador. Maduro declarou na TV: "Vou ativar nesta semana um plano especial para garantir a cobertura, com mais de 4,5 milhões de milicianos, de todo o território nacional, milícias preparadas, ativadas e armadas".    


DETENÇÃO NÃO PODE INICIAR COM REGIME FECHADO 

O artigo 33 do Código Penal determina que a pena de detenção deve ser aplicada a crimes de menor potencial ofensivo, salvo necessidade de regime fechado.

Com base nisso, a 2ª Câmara Criminal do TJ-SC readequou o regime inicial de um condenado por tráfico e porte ilegal de arma. O réu havia recebido 5 anos de reclusão e 1 ano de detenção em regime fechado.

O relator, desembargador Norival Acácio Engel, entendeu que a decisão violava o artigo 33. Ele destacou que a detenção não poderia iniciar em regime fechado. Considerando que o réu é reincidente em crime doloso, aplicou o semiaberto à detenção. Já a pena de reclusão foi mantida em regime fechado.

O voto do relator foi seguido pela Câmara. Assim, a pena foi parcialmente modificada.

MULHER CONDENADA A INDENIZAR EX-MARIDO

Uma mulher foi condenado a indenizar o ex-marido em R$ 30 mil por danos morais, segundo decisão do 1º Núcleo de Justiça 4.0 - Cível Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que manteve sentença. A mulher acusou falsamente seu marido de abuso contra a filha de 3 anos. O relator, juiz Élito Batista de Almeida, destacou que o relacionamento era turbulento e que a acusação foi investigada, mas não comprovada. Segundo ele, áudios apresentados mostraram pressão da mãe para induzir a filha a incriminar o pai. A Justiça concluiu que houve dolo e exposição indevida do homem. A decisão de 1ª instância foi integralmente mantida. Os desembargadores Wilson Benevides e Alexandre Victor de Carvalho acompanharam o relator. Já Yeda Athias e Alexandre Santiago divergiram, pedindo redução da indenização para R$ 10 mil. Prevaleceu, porém, o valor de R$ 30 mil, fixado pela sentença original. 

Salvador, 19 de agosto de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



CABEÇA DE PORCO JOGADA NO CAMPO

O torcedor corintiano Osni Fernando Luiz, 36, foi condenado a um ano de prisão em regime semiaberto por crime contra a paz no esporte. A decisão ainda cabe recurso.

Em novembro de 2024, na Neo Química Arena, uma cabeça de porco foi jogada em campo durante jogo de Palmeiras x Corinthians. O arremessador não foi identificado, mas as investigações apontaram que Osni comprou o animal e o levou ao estádio.

Segundo o MP, ele lançou a sacola por cima do gradil, sendo depois repassada a outro torcedor que jogou no gramado. Para a promotoria, o ato visava provocar tumulto e ofender o rival, cuja mascote é um porco.

Um vídeo no Instagram mostrou Osni segurando a cabeça e dizendo que “todos veriam o que aconteceria” no jogo. O rosto foi encoberto por filtro de palhaço, mas vizinhos o reconheceram.

À polícia, ele admitiu ter comprado a peça no Mercadão da Lapa por R$ 60 e lançado a sacola, mas alegou “rivalidade sadia”.

Em juízo, mudou a versão, dizendo que comprou para churrasco e não se lembrava do vídeo.

A defesa alegou falta de provas de dolo.

O juiz Fabrício Reali Zia entendeu que a conduta incitou violência e não "simbolizava rivalidade sadia",  rejeitando a tese de rivalidade esportiva.

Como Osni já tinha condenação por dano, não obteve benefícios legais.

Ele poderá recorrer em liberdade.



O QUE ACONTECE COM NOSSO CORPO MOMENTOS ANTES DA MORTE?

A chamada fase ativa da morte indica o momento em que não há mais tratamento ou intervenção capaz de postergar o fim da vida. 

Sonolência, falta de fome ou de sede, pele seca e azulada, respiração barulhenta... A chegada da morte pode ser marcada por uma série de sinais — e saber identificá-los é uma das chaves para um fim mais suave e tranquilo. 

Se a morte é a única certeza que temos na vida, chama a atenção uma generalizada falta de conhecimento sobre o que realmente acontece quando o fim está próximo. 

Especialistas em cuidados paliativos ouvidos pela BBC News Brasil dizem que até mesmo médicos e outros profissionais de saúde muitas vezes não sabem como agir nesse momento e apelam a procedimentos que são supérfluos, que mais atrapalham que ajudam. 

O processo conhecido como fase ativa da morte acontece durante os últimos dias, ou as últimas horas, de uma pessoa. 

Obviamente, ele não é igual para todo mundo — e está geralmente relacionado às enfermidades de longo prazo, como o câncer e a demência, em que a pessoa passa meses, ou até anos, fazendo tratamentos, até chegar ao ponto em que os órgãos e sistemas que constituem o organismo não são mais capazes de manter a vida adiante. 

Entenda a seguir quais são as manifestações mais comuns de uma morte iminente, por que elas acontecem e o que pode ser feito para que esse evento seja suave, com poucos incômodos e significativo para que vai (e também para quem fica). 

A médica Ana Claudia Quintana Arantes, referência nos estudos sobre o envelhecimento, os cuidados paliativos e a morte no Brasil, faz uma analogia didática, quase poética, entre os estágios finais da vida e os quatro elementos clássicos da natureza: terra, água, fogo e ar. 

Seguindo a linha de raciocínio dela, a primeira etapa da morte ativa é simbolizada pela terra, uma representação do material, do físico, daquilo que a gente toca e pisa. 

"A terra é o primeiro elemento que vai embora. Dá um cansaço estranho, que pesa nos olhos", diz a especialista, autora do livro A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver (Editora Sextante). 

"Há também um peso no corpo. Por mais magrinho que esteja, você não consegue movimentar um braço, não consegue se virar na cama. Você precisa de ajuda, e quando essa ajuda vem, ela percebe que esse corpo, mesmo que frágil, mesmo que pequenino, pesa muito, pesa tanto quanto o mundo", complementa Arantes, que também atua no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. 

É comum então que a pessoa fique mais reclusa, sonolenta e entre num estado de inconsciência por alguns momentos. 

Aqui, o corpo dela está começando a se desligar aos poucos, então alguns órgãos ou sistemas funcionam mais devagar e deixam de ser relevantes. 

O médico Arthur Fernandes, secretário-geral da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, compara esse momento ao apagar das luzes de um prédio, ou ao desligamento das máquinas que compõem uma fábrica. 

Uma das primeiras partes do corpo a entrar nessa marcha lenta é o sistema digestivo. 

A pessoa que entrou na fase ativa da morte tem naturalmente menos necessidade de comer ou beber água. E ela não sente mais fome ou sede como antes. 

Com isso, a necessidade de ir ao banheiro também diminui aos poucos. 

Outro sinal típico nesse momento é a alteração da pele, que se torna cada vez mais pálida e gelada, além de sofrer eventuais inchaços. 

A pele também pode ganhar um tom azulado ou arroxeado, principalmente nas extremidades, como mãos e pés, além dos lábios. Isso é normal e indica que a circulação sanguínea também entrou num ritmo mais lento. 

Mesmo que a pessoa esteja sonolenta, os médicos encorajam que familiares e amigos tenham momentos para conversar e tocar suavemente nas mãos e nos braços do ente querido. 

Estudos indicam que sentidos como a audição e o tato continuam ativos, e esse contato pode representar uma fonte de conforto. 

Tocar suavemente a pele da pessoa querida e conversar calmamente com ela é uma das formas de trazer bem-estar, indicam especialistas — Foto: Getty Images via BBC 

Seguindo a linha de raciocínio de Arantes, a segunda onda de transformações que acontece no corpo está relacionada à água. 

"O corpo resseca, então os olhos, os lábios e a boca ficam secos. A saliva, escassa", lista a médica. 

Segundo a especialista, na maioria das vezes não há necessidade de aplicar soro na veia para reidratar o corpo. 

Mas é possível aumentar o conforto e o bem-estar da pessoa prestes a partir com algumas medidas básicas, como molhar os lábios com algodão ou pano umedecido, aplicar colírio nos olhos e passar hidratantes na pele. 

É importante que esses cuidados sejam sempre discutidos com os profissionais da saúde, para que todos estejam a par do que está sendo feito. 

Outra preocupação comum durante a morte ativa tem a ver com a dor. Será que morrer dói? 

Os especialistas dizem que, sim, algumas pessoas têm uma piora nos incômodos físicos, e alguns dos remédios usados deixam de funcionar como antes. 

"Nas últimas horas de vida, essa dor pode descompensar e o paciente fica agitado. Além do desconforto, também pode acontecer falta de ar, enjoo, vômitos...", responde Fernandes. 

Mas os profissionais de saúde podem prescrever medicamentos mais fortes, como a morfina, que dão alívio. 

Ou seja, a dor é uma possibilidade no fim. Mas a medicina tem caminhos para lidar com ela. 

"Tanto os profissionais da saúde quanto a família precisam saber dessas possibilidades e deixar tudo organizado, como ter por perto as doses de medicações e saber as melhores formas de aplicá-las, para evitar sintomas muito desagradáveis", complementa o médico. 

Ter um arsenal terapêutico preparado para evitar sintomas desagradáveis no fim da vida é algo que torna esse momento mais suave para todos os envolvidos, sugerem especialistas — Foto: Getty Images via BBC 

Há também uma etapa da morte ativa que pode ser simbolizada pelo fogo. 

Esse é o momento em que a chama da vida ganha o seu último fôlego. 

Trata-se de um período comumente chamado de "melhora da morte" ou "a visita da saúde". 

Aqui, os sintomas que a pessoa estava sentindo costumam melhorar, para a surpresa de quem acompanha a situação. 

Ela sai daquele estado de letargia e inconsciência, volta a se comunicar, quer comer e parece mais animada, como se o quadro tivesse melhorado de forma repentina. 

Mas Fernandes pondera que essa mudança não é uma coisa da água pro vinho: um paciente acamado por muito tempo não vai andar de novo, por exemplo. 

Mas a volta de uma chama um pouco mais forte pode representar uma oportunidade única. 

"O paciente que comia muito pouco pode agora comer mais. Ele pode experimentar uma comida que gosta muito, pra sentir o sabor. Ele sai daquela sonolência para rever uma pessoa querida", destaca o especialista. 

"Esse pode ser o momento em que ele consegue se despedir, dizer que ama, receber perdão e pedir desculpas para alguém", complementa ele. 

Não raro, os familiares e a própria equipe de saúde querem usar esse momento para fazer exames ou intervenções, numa tentativa de ampliar o tempo de vida daquela pessoa. 

Mas, segundo Arantes, essas medidas geralmente são supérfluas — e ocupam o tempo valioso que seria usado para encontros e despedidas. 

"Esse tempo deveria ser utilizado para exercer a autoridade, a autonomia de deixar a sua marca, a forma de estar no mundo, para as pessoas que você ama", aponta ela. 

"Esse é o momento de fazer declaração de amor. De pedir perdão, de perdoar. E reconhecer que nem sempre foi possível fazer o que se queria ter feito." 

"Essa é a chance expressar a sua essência, sem nenhuma reserva", reflete ela. 

A melhora da morte costuma durar pouco tempo — e logo a chama volta a ficar fraca de novo. 

Se nosso primeiro ato em vida é respirar, puxar o ar, o último é expirar, ou devolver esse 'sopro sagrado', nas palavras de Arantes — Foto: Getty Images via BBC 

Para fechar a lista dos elementos elaborada por Arantes, chegou a hora de entender como o ar se encaixa nessa história. 

E ele simboliza uma das alterações mais aparentes do corpo na hora da morte. 

A respiração sai do padrão que estamos acostumados. Às vezes, ela fica rápida e curta. Depois, longa e pausada. Às vezes, até parece que a pessoa deixou de respirar. 

Outros eventos comuns nessa etapa é permanecer com a boca aberta, pelo relaxamento dos músculos que seguram a mandíbula, e uma respiração bem barulhenta, como se a pessoa estivesse roncando alto. 

Isso acontece porque, naquele processo de desligamento das funções vitais, o corpo acumula alguns fluidos na garganta, que geram um ruído quando o ar passa por ali. 

Esse sinal pode até ser incômodo para quem está vendo aquela cena, mas, segundo os médicos, não representa necessariamente uma aflição para quem está à beira da morte. 

Em alguns casos, os profissionais da saúde podem indicar uma aspiração desses fluidos ou usam remédios que melhoram esse fluxo de entrada e saída do ar. 

Arantes reflete que, quando nascemos, a primeira coisa que fazemos é respirar, ou puxar a primeira leva de ar que enche nossos pulmões. 

E um de nossos últimos atos em vida é fazer justamente o movimento contrário: devolver o ar, numa expiração final. 

"Você pode entregar esse sopro sagrado que te foi dado quando nasceu. Se você fez bom uso desse sopro, se você teve uma vida que valeu a pena ser vivida, essa última expiração é um presente", acredita ela. 

"Daí esse fôlego cessa. E você tem um silêncio", relata a médica. 

Nos segundos depois da última expiração, o coração para de bater. O cérebro apaga. E as células do corpo que ainda estavam ativas desligam aos poucos. 

A vida daquele indivíduo chegou ao fim. 

Arantes orienta às pessoas que testemunharam esse momento que informem os profissionais de saúde, caso eles não estejam por perto, mas não há necessidade de fazer tudo com pressa. 

"Permaneça por um momento nesse instante sagrado, que parece até fora do tempo normal", sugere ela. 

"Aquela pessoa que você ama parou de respirar, está livre da matéria. Ela deixa de existir naquele corpo e passa a viver no coração de todo mundo que a ama." 

Já para Fernandez, a porção final da vida não deveria ser tratada como algo tão extraordinário — e é vital que a gente fale mais sobre isso. 

"É importante que as pessoas conversem sobre esse assunto em casa, para que a gente construa cada vez mais uma cultura que abraça a vida sem excluir a morte", pensa ele. 

"Até porque a morte não é o contrário da vida. A morte é o antônimo de um processo que a gente chama de nascimento." 

"Já a vida é tudo aquilo que está incluído dentro desse tempo bonito que a gente tem pra viver", conclui ele. 

Fantástico traz histórias de crianças que escaparam da morte

Fantástico traz histórias de crianças que escaparam da morte 

PREFEITO AFASTADO É DENUNCIADO

O MP-SP denunciou o prefeito afastado de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima, e mais nove pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Entre os denunciados estão vereadores, secretários, servidores e empresários ligados a contratos da Prefeitura e da Fundação ABC.
O esquema teria começado em 2022 e foi descoberto pela Operação Estafeta, deflagrada na última quinta-feira (14).
Segundo as investigações, o operador financeiro era Paulo Iran, servidor exonerado da Alesp, que controlava recursos desviados.
Ele também pagava despesas pessoais do prefeito e de sua família, como cartão de crédito, viagens e mensalidades da filha.
A PF encontrou por acaso cerca de R$ 14 milhões em espécie com Paulo Iran, parte em dólares.
No total, foram apreendidos quase R$ 13 milhões e US$ 157 mil em dinheiro vivo.
Marcelo Lima foi afastado do cargo, e a vice-prefeita Jessica Cormick (Avante) assumiu a Prefeitura.
O MP pediu bloqueio de bens para reparação de danos e garantia de custas e multas futuras.
Paulo Iran teve prisão decretada, mas está foragido.

 

ESQUERDA PERDE NA BOLÍVIA

As eleições presidenciais na Bolívia apontam para segundo turno entre Rodrigo Paz (32,18%), do PDC, e Jorge “Tuto” Quiroga (26,94%), da coalizão Libre. O resultado marca o fim de quase 20 anos de hegemonia do MAS, abalado pela ruptura entre Evo Morales e o presidente Luis Arce. 
A crise interna enfraqueceu a esquerda, cujos candidatos ficaram abaixo dos 10%. 

O segundo turno será em 19 de outubro. Rodrigo Paz, 55, senador e ex-prefeito de Tarija, defende estabilidade econômica, atração de investimentos e diálogo político, mas responde a acusações de irregularidades em obras públicas. Quiroga, 65, ex-presidente (2001-2002), é histórico nome da direita, defensor de liberalismo econômico, cortes de subsídios e combate ao narcotráfico, embora carregue polêmicas ligadas à crise de 2019 e disputas oposicionistas.

A Bolívia enfrenta inflação recorde, escassez de combustíveis e queda nas reservas, aprofundando o descontentamento popular. Sem Morales nem Arce na disputa, o MAS perdeu protagonismo. O cenário reflete fragmentação política e busca por novas alternativas ao modelo vigente. Pesquisas de boca de urna confirmaram os resultados preliminares. Paz atrai sobretudo jovens urbanos, enquanto Quiroga aposta em sua experiência política. O segundo turno definirá o futuro após duas décadas de domínio da esquerda.