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sexta-feira, 19 de junho de 2026

JUSTIÇA ITALIANA CONDENA MULHER POR ATROPELAMENTO VOLUNTÁRIO


A Justiça italiana condenou a empresária e socialite italiana Cinzia Dal Pino, de 67 anos, a 18 anos de prisão pela morte de Noureddine Mezgui, de 52 anos, após um atropelamento ocorrido em setembro de 2024, em Viareggio, na Itália. O caso ganhou repercussão internacional depois que câmeras de segurança registraram a perseguição e o atropelamento. Segundo a investigação, Noureddine roubou a bolsa da empresária quando ela saía de um restaurante. No acessório estavam documentos, chaves e o celular da vítima. Sem conseguir acionar a polícia, Cinzia decidiu perseguir o suspeito com seu carro. Ao localizá-lo, ela o atropelou. As imagens mostraram que, mesmo após a queda do homem, o veículo passou sobre seu corpo mais de uma vez. Depois de recuperar a bolsa, a empresária deixou o local sem prestar socorro. Noureddine foi levado ao hospital, mas morreu em consequência dos ferimentos. Durante o julgamento, a defesa alegou que a acusada havia sido ameaçada com uma faca durante o assalto e agiu sob forte abalo emocional. Contudo, a polícia não encontrou nenhuma arma com a vítima. 

Os promotores descartaram a tese de legítima defesa, afirmando que o suspeito estava em fuga e não representava risco imediato à empresária no momento do atropelamento. Para a acusação, o crime foi motivado por vingança e caracterizou uma forma de “justiça privada”. Os juízes concluíram que houve homicídio voluntário doloso, reconhecendo a intenção de matar. Embora os promotores tenham pedido prisão perpétua, a pena foi fixada em 18 anos. A Justiça autorizou que Cinzia cumpra inicialmente a condenação em prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. A defesa informou que recorrerá da decisão, sustentando que a empresária não tinha intenção de matar e apenas reagiu ao assalto. A Justiça, porém, entendeu que a perseguição e o atropelamento ultrapassaram os limites da legítima defesa.

 

MAIS DE 8 MILHÕES AINDA NÃO SABEM LER E ESCREVER


O Brasil registrou nova queda na taxa de analfabetismo e, pela primeira vez, ficou abaixo de 5% entre pessoas com 15 anos ou mais. Segundo a Pnad Contínua 2025, divulgada pelo IBGE, 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabem ler e escrever. 
A taxa nacional caiu para 4,9%, ante 6,7% em 2016, reduzindo o número de analfabetos de 10,6 milhões para 8,4 milhões. Em relação a 2024, a queda foi de 0,4 ponto percentual, o equivalente a cerca de 592 mil pessoas. O Nordeste concentra 57,4% dos analfabetos do país, com 4,8 milhões de pessoas, embora reúna apenas 26,5% da população brasileira. Em seguida aparecem Sudeste (20,4%), Sul (14,8%), Norte (8,2%) e Centro-Oeste (7,9%). Segundo o IBGE, todos os estados reduziram o analfabetismo desde 2016, exceto o Amapá. Alagoas e Piauí seguem com os índices mais elevados. O problema afeta principalmente os idosos. Entre pessoas com mais de 60 anos, a taxa é de 13,8%, embora tenha recuado de 20,5% em 2016. Esse grupo representa 58% dos analfabetos do país, cerca de 4,8 milhões de pessoas.

Pela primeira vez, a taxa entre mulheres idosas (13,7%) ficou abaixo da observada entre homens (14,1%), indicando avanços na escolarização feminina. Já a desigualdade racial permanece: entre idosos, a taxa de analfabetismo de pretos e pardos é quase três vezes superior à de brancos. Apesar da redução do analfabetismo, as matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) atingiram o menor nível desde 1996, mesmo sendo uma modalidade obrigatória pela Constituição. A pesquisa também mostra avanço educacional. A parcela de pessoas com 25 anos ou mais que concluíram ao menos o ensino médio subiu de 46% em 2016 para 57,4% em 2025. Entre mulheres, o índice é de 59,4%; entre homens, 55,2%. Entre brancos, 64,9% concluíram a educação básica, contra 51,3% de pretos e pardos. Ainda assim, é a primeira vez que mais da metade da população preta e parda completa essa etapa. A média de anos de estudo chegou a 10,2 anos, ante 9,1 em 2016. A proporção de adultos com ensino superior completo também cresceu, passando de 15,4% para 21,4% no período.

 

TRUMP NÃO OBTEVE ÊXITO BUSCADO NO ACORDO COM IRÃ


Com o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã firmado e seus primeiros detalhes divulgados na quarta-feira (17), cresce entre analistas a avaliação de que Donald Trump encerrou o conflito em posição estratégica menos favorável do que a que tinha no início. Pelo entendimento, Washington aceitou um plano de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã, o fim das sanções e a liberação de ativos congelados. Em troca, Teerã reabrirá o estreito de Hormuz e retomará negociações sobre seu programa nuclear. Especialistas apontam que as concessões superam as feitas no acordo nuclear firmado por Barack Obama em 2015. Para Vinícius Mariano de Carvalho, professor do King's College de Londres, o pacto anterior tinha condições mais vantajosas para os EUA. Segundo ele, Trump tende a priorizar a própria narrativa política ao justificar o acordo. O pesquisador afirma que ainda é cedo para medir os efeitos internos da guerra no Irã, mas considera que o país obteve êxito militar ao resistir a ataques diretos americanos e demonstrar capacidade de controlar o estreito de Hormuz.

Carvalho destaca que Teerã adotou uma estratégia de “defesa de negação”, elevando o custo de uma ofensiva americana por meio do uso de drones e sistemas não tripulados de baixo custo. Segundo ele, a tática tornou arriscado o emprego de grandes meios navais dos EUA, como porta-aviões, diante da possibilidade de ataques massivos. O professor compara o episódio a intervenções anteriores dos EUA no Oriente Médio, como a do Afeganistão, marcadas pela subestimação da capacidade de resistência dos adversários. Sobre o Brasil, Carvalho afirma que a tradição diplomática de neutralidade poderá ser pressionada por impactos globais em comércio, negócios e fluxos de informação, levando o país a assumir posições em futuros conflitos.

TRUMP DESAFIA O JUDICIÁRIO


O Departamento de Estado do governo Donald Trump criticou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF. Em nota enviada à imprensa, um porta-voz afirmou que o caso representa mais um episódio de “perseguição” e de uso político da Justiça brasileira contra adversários políticos. Eduardo foi condenado por unanimidade pela Primeira Turma do STF por coação no curso do processo. A Corte entendeu que ele atuou nos Estados Unidos para pressionar o Judiciário brasileiro e tentar impedir o andamento das investigações sobre a trama golpista. O governo americano declarou ainda que disputas políticas devem ser resolvidas por meio de eleições, e não por condenações judiciais. A pena imposta ao ex-deputado é de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, multa de R$ 150 mil, perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e inelegibilidade por oito anos.

Na quarta-feira (17), Trump também comentou o caso durante o G7. O republicano afirmou ter ouvido que “Bolsonaro Jr.” havia sido preso ou poderia ser preso, embora tenha confundido detalhes da condenação. Trump disse que Eduardo estava bem nas pesquisas e criticou a atuação das autoridades brasileiras, classificando-a como excessivamente rigorosa. Em resposta, o presidente Lula afirmou que Trump tem o direito de manter preferência pela família Bolsonaro, mas disse que o americano desconhece a realidade brasileira e pediu respeito à soberania nacional. Lula e Trump se encontraram brevemente durante o G7, mas não realizaram reunião bilateral. Paralelamente, Brasil e Estados Unidos enfrentam dificuldades nas negociações para evitar novas tarifas comerciais, que envolvem temas como o Pix, a regulação das big techs e outras disputas econômicas.

 

EMPRESAS PEDEM REVELIA DO MINISTRO MORAES


A Rumble e a Trump Media, empresa ligada ao presidente dos EUA, Donald Trump, solicitaram ontem, 18, que a Justiça da Flórida reconheça formalmente que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, não apresentou defesa dentro do prazo em ação movida pelas companhias contra ele. O pedido é um passo preliminar para eventual julgamento à revelia. As empresas afirmam que Moraes foi citado por email em maio, por meio de procedimento autorizado pela corte, e que o prazo para resposta terminou em 15 de junho sem manifestação. Segundo os advogados, os documentos foram enviados a dois endereços eletrônicos. Apesar de uma das mensagens ter retornado, eles alegam ter recebido confirmação de entrega do email encaminhado ao gabinete do ministro. Na petição, as empresas afirmam que Moraes não respondeu, não pediu prorrogação de prazo nem apresentou defesa, e pedem que a corte registre oficialmente o descumprimento processual.

O requerimento foi apresentado três dias após a AGU ingressar no caso. A Rumble sustenta que a participação do governo brasileiro não substitui uma resposta do ministro nem impede o reconhecimento da ausência de defesa. Ao entrar na ação, a AGU argumentou que o processo busca submeter atos de um integrante do STF à jurisdição de um tribunal estrangeiro, o que violaria a soberania nacional e a independência do Judiciário. Os advogados das empresas contestam essa tese e afirmam que o Brasil não representa Moraes individualmente nem pode responder em seu nome. Caso o pedido seja aceito, o processo seguirá para nova fase, mas isso não significa vitória automática das empresas. A ação foi aberta após a Rumble e a Trump Media contestarem decisões de Moraes sobre moderação de conteúdo e bloqueio de contas em plataformas digitais. As companhias alegam que as medidas produzem efeitos nos EUA e violam garantias da Constituição americana. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL

MORRE DESEMBARGADOR 

Faleceu na terça-feira, 16, o desembargador aposentado Abelardo Virgínio de Carvalho, sem divulgação da causa da morte. O magistrado na sua carreira permaneceu por 26 anos na Vara de Auditoria Militar e foi promovido para o tribunal em 2007, onde esteve até o ano de 2013, quando aposentou. O Tribunal noticiou a trajetória do desembargador em carreira que teve início em 1981.  


VORCARO CUSTEOU VIAGENS DO PRESIDENTE DA CÂMARA

Investigações da Polícia Federal indicam que o empresário Daniel Vorcaro custeou viagens do senador Ciro Nogueira e do presidente da Câmara, Hugo Motta, para destinos como Paris, Nova York e Lisboa. Segundo a PF, Nogueira teria sido beneficiado com ao menos R$ 468,7 mil em viagens e jantares. Em uma viagem a Lisboa, em junho de 2024, Vorcaro pagou cinco diárias no Hotel Four Seasons, somando R$ 91,2 mil. A investigação aponta que, no mesmo período, o Senado também pagou R$ 16,7 mil em diárias ao parlamentar, que participou do Fórum Jurídico de Lisboa. Mensagens e fotos apreendidas mostram proximidade entre Nogueira e Vorcaro, tratado pelo senador como “irmão”. A PF também afirma que Hugo Motta teve hospedagem em hotel de luxo em Lisboa paga pelo empresário. Documentos e conversas indicam preocupação de Vorcaro com a privacidade dos convidados. A PF sustenta que os pagamentos foram efetivamente realizados. Ciro Nogueira não comentou o caso. Hugo Motta afirmou que participou de um evento corporativo e negou irregularidades, defendendo a apuração dos fatos pelos órgãos competentes.


ISRAEL INSURGE-SE CONTRA ACORDO

Israel divulgou nesta quinta-feira (18) um mapa mostrando a presença de suas tropas no sul do Líbano, após realizar ataques na região. Segundo as Forças de Defesa de Israel, a chamada “Zona de Segurança” se estende por cerca de 10 km dentro do território libanês e tem como objetivo proteger o norte do país contra ações do Hezbollah. O comunicado afirma que os militares permanecerão na área para eliminar ameaças e reforçar a segurança da fronteira. O acordo firmado entre EUA e Irã prevê o fim dos confrontos em todas as frentes, incluindo o Líbano, e exige respeito à soberania e à integridade territorial libanesa. Apesar disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, resiste aos apelos do presidente Donald Trump para retirar as tropas e encerrar os bombardeios. Autoridades israelenses disseram à Reuters que as negociações com Washington sobre a permanência das forças no sul do Líbano seguem difíceis. Israel considera insuficientes as medidas do acordo em relação ao programa nuclear iraniano e mantém a posição de não recuar da região.


EUA NEGA VISTOS PARA BRASILEIROS

A enfermeira Raphaela Coiado, 24 anos, e cinco familiares tiveram os vistos para os Estados Unidos negados e perderam a chance de assistir à Copa do Mundo, apesar de terem conquistado a viagem em uma promoção da Coca-Cola. O prêmio incluía passagens, hospedagem e ingresso VIP para o jogo entre Brasil e Haiti, na Filadélfia. Para participar, a família precisou providenciar passaportes, solicitar vistos e viajar ao Rio de Janeiro para as entrevistas consulares. Mesmo após semanas de preparação, todos os pedidos foram recusados sem explicação. O grupo gastou cerca de R$ 5 mil com taxas, assessoria, passagens e hospedagem. Sem alternativa, a família vendeu o pacote por R$ 25 mil, mas Raphaela afirma que nenhuma quantia compensou a perda da experiência. A reportagem destaca que o caso reflete dificuldades enfrentadas por torcedores de diversos países para entrar nos EUA durante a Copa. Muitos enfrentam altas taxas de rejeição de vistos, restrições migratórias e falta de processos especiais para o torneio. Especialistas apontam que o sistema de vistos se tornou uma barreira para milhares de fãs. Raphaela pretende tentar o visto novamente no futuro, após adquirir histórico de viagens internacionais, mas lamenta ter perdido uma oportunidade que considera única.

MESSI LIDERA RANKING DA FIFA

Após a primeira rodada da Copa do Mundo, Lionel Messi lidera o ranking ofensivo da Fifa, baseado em dados de desempenho dos jogadores. O brasileiro Vinicius Junior aparece em nono lugar, sendo o único representante da Seleção no top 10. Completam as primeiras posições Elijah Just, da Nova Zelândia, e Kylian Mbappé, da França. Entre os dez melhores ainda estão Harry Kane, Erling Haaland, Alexander Isak e Luis Díaz. Na categoria criatividade, o líder é o iraniano Ramin Rezaeian, seguido por Michael Olise e Florian Wirtz. Já na defesa, o primeiro colocado é Derek Cornelius, do Canadá. Entre os brasileiros, Luiz Henrique é o melhor em criatividade, na 67ª posição, enquanto Douglas Santos ocupa o 61º lugar na defesa. A Fifa utiliza um novo sistema de avaliação que atribui notas de 0 a 10 em ataque, criatividade e defesa para jogadores de linha. A classificação será atualizada após cada partida do torneio.

POLÍCIA FEDERAL APREENDE DÓLARES EM ESPÉCIE

A Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil dólares em espécie, em endereço vinculado ao senador Jaques Wagner. Tramita investigação da 9ª fase da Operação Compliance Zero, destinada a apurar esquema bilionário e corrupção no Banco Master. A informação é de que o senador recebeu vantagens indevidas, a exemplo de um apartamento em Salvador e R$ 3, milhões. Noticia-se que documentos mostram a proximidade de Wagner e o ex-banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno. A Polícia Federal encontrou mensagens no celular de Lima, apontando a dinâmica do esquema.  

Santana, 18 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



CENTRO EMPRESARIAL OBAMA


O Centro Presidencial Obama, que será inaugurado em Chicago, vai além do modelo tradicional de biblioteca presidencial. Além de réplicas históricas e exposições sobre a trajetória de Barack Obama, o espaço dará destaque a 30 obras de arte originais encomendadas pelo ex-presidente e por Michelle Obama. O projeto, avaliado em US$ 850 milhões e financiado por recursos privados, reflete o compromisso do casal com as artes. Durante seus mandatos, eles valorizaram artistas como Alma Thomas, Kehinde Wiley e Amy Sherald. Segundo Obama, a intenção era criar uma instituição cultural voltada para a comunidade de Chicago e do South Side, com a arte ocupando papel central na reflexão sobre passado, presente e futuro. Projetado pelo escritório Tod Williams and Billie Tsien Architects, o complexo foi concebido como um campus comunitário. Além do edifício principal, inclui biblioteca pública, quadra de basquete, cozinha-escola, parquinho, jardins e uma colina para lazer. Diferentemente das bibliotecas presidenciais tradicionais, o centro será administrado pela Fundação Obama, e não pelo Arquivo Nacional dos EUA. Obama argumenta que a digitalização dos documentos presidenciais amplia o acesso público.

O programa artístico foi desenvolvido com apoio de curadores e reúne nomes como Njideka Akunyili Crosby, Rashid Johnson, Martin Puryear, Nick Cave, Marie Watt, Idris Khan, Alison Saar e Aliza Nisenbaum. As obras estão espalhadas por todo o campus, incluindo murais, esculturas, instalações e retratos. Para especialistas, a forte presença da arte representa uma abordagem inédita para contar a história de uma presidência. Historiadores destacam que o projeto reflete o interesse de Obama pela cultura contemporânea e busca aproximar o público não apenas do ex-presidente, mas também dos valores e experiências que marcaram sua trajetória.

LULA DIZ QUE "NÃO SUPORTA O COMPORTAMENTO DO GOVERNO AMERICANO"


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma conversa informal com o líder sul-coreano, Lee Jae-myung, na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. Em vídeo gravado pela agência Associated Press, Lula afirmou que o Brasil “não tem divergência com nenhum país” e que “não gosta de briga”, mas acrescentou: “Eu não suporto o comportamento do governo americano”. Em outro trecho, o presidente menciona um “imperador” e critica quem “acha que pode levantar de manhã e dar ordem para o mundo todo”, em referência semelhante a declarações anteriores sobre Trump. Lula classificou essa postura como um “mau exemplo para a democracia”. O petista já havia feito críticas parecidas em entrevistas e encontros internacionais, defendendo que nenhum país deve agir como “imperador” e ressaltando a soberania das nações. Durante a conversa, Lee ouviu os comentários sem responder e depois mudou de assunto, perguntando sobre o turismo no Brasil.

Lula participou do G7 como convidado, ao lado de líderes de países como Coreia do Sul, Índia, Egito e Ucrânia. Trump também esteve presente, mas não houve reunião bilateral formal entre os dois, apenas um cumprimento em evento social. Em discurso no encontro, Lula criticou a falta de solidariedade internacional diante da crise global de desenvolvimento e condenou, sem citar nomes, políticas protecionistas e neoliberais. Ele também defendeu o combate ao crime organizado transnacional, desde que respeitada a soberania dos países, e destacou a necessidade de enfrentar conjuntamente narcotráfico, lavagem de dinheiro e tráfico de armas. A fala ocorre semanas após os EUA classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

 

MORTES DE IMIGRANTES DOBRARAM NO GOVERNO TRUMP


A campanha de deportação em massa do presidente Donald Trump tem sido acompanhada por um aumento nas mortes de imigrantes sob custódia nos Estados Unidos. Desde janeiro de 2025, 50 detidos morreram em centros administrados pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega). Entre os casos estão um vietnamita com problemas cardíacos, um chinês encontrado enforcado e um hondurenho que morreu sem atendimento emergencial após apresentar sintomas graves de abstinência alcoólica. Dados analisados pela Reuters mostram que a taxa de mortalidade mais que dobrou. Entre 2009 e 2024, ocorria uma morte para cada 3.848 detidos. Desde o retorno de Trump ao poder, o índice passou para uma morte a cada 1.630 pessoas. Especialistas apontam que o aumento levanta dúvidas sobre a qualidade da supervisão e do atendimento médico nos centros, cuja população cresceu rapidamente. O número de imigrantes detidos passou de cerca de 40 mil no início do governo para um pico de 70 mil, recuando depois para 57 mil.

Dos 50 óbitos registrados, 21 foram descobertos apenas quando os detidos já estavam mortos ou inconscientes, incluindo dez suicídios. Problemas cardiovasculares responderam por 16 mortes, sugerindo possíveis falhas em exames e tratamentos. Médicos consultados afirmam que o sistema não foi projetado para lidar adequadamente com doenças crônicas e pessoas vulneráveis. Já o Departamento de Segurança Interna (DHS) afirma que oferece atendimento médico abrangente e mantém condições seguras e humanas nos centros. A falta de informações detalhadas nos relatórios oficiais também preocupa especialistas. Muitos documentos omitem histórico médico, medicamentos administrados e detalhes sobre respostas de emergência, dificultando a avaliação das causas das mortes.

EUA PODERÃO NEGAR EXTRADIÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO

POLÍCIA FEDERAL CUMPRE MANDADOS CONTRA SENADOR JAQUES WAGNER


A Polícia Federal cumpriu hoje, quinta-feira, 18 mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, e executadas na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Entre os alvos está o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. Também foi alvo Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master. Houve buscas em endereços ligados aos investigados em Salvador e em um hotel de Brasília onde Wagner reside. Até o momento, nem o senador nem a defesa de Augusto Lima se manifestaram. É a primeira vez que a investigação alcança pessoas próximas ao presidente Lula. Em fases anteriores, a PF já havia investigado o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Segundo a corporação, há suspeitas de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Também foram determinadas medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes. Em entrevista à Folha, Wagner afirmou que conheceu Augusto Lima durante a privatização da rede estatal Cesta do Povo, na Bahia, e negou ter tratado do negócio com Daniel Vorcaro. Augusto Lima ganhou destaque no setor financeiro após criar o cartão consignado Credcesta, em 2018, expandindo suas operações para 24 estados e 176 municípios em parceria com o Banco Master.

 

EUA E IRÃ CELEBRAM ACORDO PARA ENCERRAR GUERRA


O memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, etapa preliminar para um acordo de cessar-fogo, estabelece 14 compromissos para encerrar a guerra, que chegou ao 110º dia. O documento prevê o fim imediato das operações militares, a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão gradual das sanções contra Teerã. O pacto foi assinado eletronicamente pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian e já está em vigor. As partes terão 60 dias para negociar um acordo definitivo. Entre os pontos centrais, o Irã reafirma que não buscará armas nucleares e promete discutir o destino de suas reservas de urânio enriquecido. Em contrapartida, os EUA se comprometem a liberar exportações de petróleo iraniano, desbloquear ativos congelados e liderar um fundo de US$ 300 bilhões para reconstrução econômica do país. Especialistas, porém, avaliam que o texto deixa questões cruciais sem solução. John Erath, do Centro para o Controle de Armas e Não Proliferação, criticou a falta de um plano concreto para eliminar ou transferir o urânio altamente enriquecido.

Daryl Kimball, da Associação para o Controle de Armas, destacou que o Irã já é legalmente proibido de desenvolver armas nucleares e defendeu a redução do enriquecimento para níveis compatíveis com uso civil, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Outro ponto delicado envolve o Estreito de Ormuz. O Irã garantirá passagem gratuita de navios por 60 dias, mas pretende cobrar taxas posteriormente, alegando soberania sobre a rota estratégica. No Líbano, persistem divergências. O especialista Nicholas Blanford avalia que o acordo enfrenta obstáculos porque não exige a retirada de tropas israelenses, condição defendida por Teerã. Segundo ele, a permanência de Israel em território libanês pode comprometer a implementação do pacto.