Os governos de Brasil, Espanha e México divulgaram ontem, 18, uma declaração conjunta sobre o agravamento da crise em Cuba, comprometendo-se a intensificar uma resposta humanitária coordenada para aliviar o sofrimento da população. Os três países, liderados por presidentes de esquerda e aliados de Cuba, defenderam a adoção de medidas para amenizar a situação e evitar ações que piorem as condições de vida ou violem o direito internacional. A declaração, publicada pelo Itamaraty e respaldada por Lula, Claudia Sheinbaum e Pedro Sánchez, não menciona diretamente os Estados Unidos nem o presidente Donald Trump, que tem feito ameaças à ilha. Nos últimos meses, o governo americano endureceu o bloqueio econômico e energético contra Cuba, dificultando especialmente o envio de petróleo ao país. Com isso, o fornecimento de combustível foi drasticamente reduzido, agravando a crise energética e social na ilha. A situação piorou após a interrupção do envio de petróleo venezuelano, tradicional aliado de Cuba, o que aprofundou a escassez de energia. Como consequência, o país enfrenta apagões frequentes, interrupções de serviços essenciais e dificuldades no sistema de saúde. Diante desse cenário, Brasil, Espanha e México expressaram preocupação com a crise humanitária e reforçaram a necessidade de respeito ao direito internacional.
Os países também defenderam princípios como integridade territorial, igualdade soberana e solução pacífica de conflitos. Sem citar diretamente Washington, o documento faz um apelo por diálogo sincero e respeitoso entre as partes. Segundo a declaração, o objetivo é encontrar uma solução duradoura que permita ao povo cubano decidir seu próprio futuro com liberdade. Apesar do bloqueio, houve autorização pontual para envio de petróleo russo, o que trouxe alívio temporário à crise energética. Ainda assim, Cuba continua enfrentando racionamentos severos, com cortes de energia que podem durar horas diariamente. A escassez de combustível afeta hospitais, transporte e abastecimento básico, agravando a crise econômica. O país depende fortemente de importações de petróleo para gerar eletricidade, o que o torna vulnerável às sanções externas. Além disso, a infraestrutura energética cubana é antiga e sofre com falta de manutenção adequada. Esse conjunto de fatores mantém a população sob condições difíceis, enquanto cresce a pressão internacional por soluções diplomáticas.