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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

NA CHINA, CIDADÃO PODE DENUNCIAR INFRAÇÕES DE TRÂNSITO

Um vídeo de Maurício da Cruz, 37, brasileiro que vive na China há 13 anos, chamou atenção no Instagram. Na publicação, ele apresenta um aplicativo que permite denunciar infrações de trânsito. Maurício conheceu o recurso nas redes sociais chinesas e afirma que o usa apenas em casos mais graves, como vagas de deficiente ocupadas indevidamente. Em seu perfil “China em 360º”, ele mostrou o funcionamento do sistema, mas uma de suas denúncias foi rejeitada por falta de clareza — exigência comum nos aplicativos municipais. Nessas plataformas, cidadãos enviam fotos ou vídeos de infrações para análise das autoridades, que aplicam punições se confirmadas as transgressões. Em Pequim, o aplicativo da polícia de trânsito permite enviar registros de motoristas na contramão, mudando de faixa em local proibido ou estacionando irregularmente. As multas podem chegar a 200 yuans (R$ 150).

Lançado em 2022, o sistema também aceita denúncias sobre falhas de sinalização, semáforos e iluminação. Em Xangai, o aplicativo exige o envio em até dez dias, com fotos, local, data, hora e descrição detalhada da infração. Em Cantão (Guangzhou), as denúncias devem conter ao menos duas imagens que comprovem a infração ou um vídeo sem cortes mostrando o ato e a placa do veículo. O aplicativo informa se o relato foi aceito e o motivo de eventuais recusas. As autoridades recebem registros de ultrapassagens ilegais, avanço de sinal, desrespeito a pedestres, uso de celular ao volante e circulação em faixas proibidas. 

SHUTDOWN NOS EUA PODE ACABAR

Um grupo de senadores democratas uniu-se aos republicanos ontem, 9, para firmar acordo, visando encerrar a mais longa paralisação do governo na história dos EUA. Pelo menos oito democratas estariam dispostos a apoiar o plano negociado com a Casa Branca, garantindo votos suficientes para aprovação no Senado e envio à Câmara dos Representantes. O presidente Donald Trump afirmou que o fim do impasse está próximo. O acordo reabriria o governo até o fim de janeiro, reverteria demissões e garantiria pagamento retroativo aos servidores afastados. No entanto, manteve indefinições sobre créditos fiscais de saúde, um ponto central de disputa entre democratas e republicanos. Democratas exigiam a prorrogação desses créditos, que expiram no fim do ano, mas o texto apenas promete uma votação sobre o tema até dezembro. Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara, declarou oposição ao projeto, acusando os republicanos de aumentarem os custos de saúde para milhões de americanos.

O acordo surge após alertas do governo sobre riscos econômicos e caos nas viagens aéreas, já no 40º dia de paralisação. Desde 1º de outubro, o impasse deixou centenas de milhares de servidores sem salário e afetou programas sociais, como o SNAP, que beneficia 40 milhões de americanos. Na sexta-feira, a FAA ordenou a redução de voos devido à falta de recursos. Enquanto republicanos pressionam por uma resolução provisória, Trump atacou as seguradoras e defendeu “pagar ao povo, não às seguradoras”.

 

COP30 TEM INÍCIO HOJE

A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) começa hoje, em Belém, reunindo representantes de vários países e ONGs, dez anos após o Acordo de Paris, que buscava limitar o aquecimento global a 1,5°C. A capital paraense sedia o maior evento climático do planeta em meio a tragédias ambientais no Brasil e à polêmica sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial, criticada por contrariar a transição energética. Na cúpula da semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o protagonismo brasileiro, evitando o tema do petróleo. “Belém será o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris”, afirmou. Hoje, ele participa da abertura, conduzida pelo secretário-executivo da ONU, Simon Sitell, que alertou para a urgência de ações diante de furacões, tufões e tornados recentes. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, pediu “avanços ambiciosos” na conferência. Porém, estudo do Pnuma indica que o mundo caminha para aumento de até 2,5°C até o fim do século, mesmo se as metas atuais forem cumpridas. A ausência dos Estados Unidos preocupa, pois pode comprometer o financiamento climático — estimado em US$ 1,3 trilhão anuais em plano anterior, ainda sem compromisso formal das nações ricas.

Para Anna Cárcamo, do Greenpeace Brasil, o vácuo dos EUA exige que outros países assumam liderança. Ela ressaltou que o navio do Greenpeace está em Belém e aberto ao público. A principal aposta brasileira é o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que busca arrecadar US$ 10 bilhões até 2026, com US$ 5,5 bilhões já encaminhados. Cárcamo elogiou o fundo, mas defendeu critérios mais claros e repasses diretos de 20% a povos indígenas e comunidades locais. Com expectativa de público de 50 mil pessoas e 194 países inscritos, a COP30 terá duas áreas principais: a Zona Azul, para negociações oficiais, e a Zona Verde, aberta ao público, voltada à inovação e ao engajamento social. Entre os eventos paralelos, destaca-se a Casa do Seguro, criada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e parceiras, com espaço sustentável de 1,6 mil m², palestras e exposições. O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, afirmou que o setor quer mostrar “como o seguro pode ajudar a prevenir e mitigar os impactos das mudanças climáticas”, reforçando o compromisso com um futuro sustentável. 


A IA NO JORNALISMO

A inteligência artificial está se espalhando pelas Redações, transformando a forma como jornalistas coletam e divulgam informações. Ferramentas de empresas como OpenAI e Google agilizam tarefas antes demoradas, como examinar dados, encontrar fontes e sugerir títulos. O repórter Ryan Sabalow, do site CalMatters, usou a IA para investigar como parlamentares da Califórnia evitavam votar em projetos polêmicos. Com o auxílio da ferramenta Digital Democracy —que rastreia discursos, doações e votos—, revelou que democratas haviam derrubado uma proposta sobre fentanil ao simplesmente não votar. O trabalho rendeu um Emmy à CBS. Em veículos como Fortune e Business Insider, a IA já foi usada para redigir artigos, com aviso aos leitores. Apesar da revisão humana obrigatória, erros constrangedores ainda ocorrem, inclusive na Bloomberg e na Wired. “Muitas vezes a IA é uma ferramenta extraordinária para jornalistas”, diz Stephen Adler, ex-editor da Reuters. “Ela ajuda a analisar dados e revisar textos, mas há riscos significativos.” O setor tenta evitar repetir erros da era digital, quando perdeu receitas para redes sociais. Agora, busca compensações das big techs pelo uso de conteúdo jornalístico no treinamento de modelos de linguagem. O New York Times processa OpenAI e Microsoft por violação de direitos autorais.

Enquanto isso, redações exploram o potencial da tecnologia. A britânica Newsquest usa IA para aprofundar pautas; a Axel Springer criou um planejador de viagens; a Time empregou um chatbot na edição da “Pessoa do Ano”; e o New York Times mantém uma equipe voltada à experimentação. Nem todos concordam. No Washington Post, um engenheiro se demitiu após criticar uma ferramenta de IA que resumia reportagens de outros veículos. Na Bloomberg, testes com resumos automatizados levaram a correções após erros factuais. Sindicatos também se mobilizam: a NewsGuild já incluiu o tema da IA em 48 negociações coletivas desde 2023. O debate segue aberto. A NPR, por exemplo, quer testar a IA para converter reportagens de rádio em texto. Mas jornalistas temem que, no processo, a tecnologia acabe substituindo decisões editoriais humanas. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 10/11/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Abertura oficial da COP30 começa hoje, em Belém

A partir desta segunda-feira (10/11), capital paraense torna-se palco do debate internacional da conferência da ONU até dia 21. Organizadores têm metas ambiciosas, mas ausência dos Estados Unidos indica que não haverá um acordo consensual

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

COP 30 Amazônia

'Não é possível abandonar combustíveis fósseis por decreto, haveria colapso', diz Marina Silva

Ministra evita crítica a Lula por exploração da Margem Equatorial, mas admite 'contradições' de todos os países

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Remuneração dos juízes está fora dos limites e impacta credibilidade, diz novo presidente do TST

Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho afirma que criar renda para si é conflitante com a magistratura Para ele, STF não deveria ser a instância a definir sobre uberização e CLT precisa de nova reforma

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Tornado que destruiu cidade no Paraná pode ser um dos mais fortes já registrados

Pesquisador da Unicamp que catalogou 205 tornados no país em tese de doutorado explica por que as regiões Sul e Sudeste do país são mais suscetíveis a esse fenômeno.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Senadores dos EUA chegam a acordo para encerrar impasse orçamentário

Fechamento do governo norte-americano já se estendeu por um recorde de 40 dias e suspendeu muitos serviços públicos

DIÁRIO DE NOTÍCIAS -  LISBOA/PT 

Portugueses e estrangeiros lotam hotéis no Natal e fim de ano com preços a subir até 15%

Há cada vez mais portugueses a escolher celebrar a quadra festiva em hotéis e restaurantes. Procura para festejos de fim de ano bate recordes apesar do aumento das tarifas.

domingo, 9 de novembro de 2025

RADAR JUDICIAL

POVO DE SANTA CATARINA "NÃO É GADO", DIZ PREFEITO

O prefeito de Pouso Redondo (SC), Rafael Tambozi (PL), manifestou sobre a indefinição na chapa bolsonarista ao Senado em Santa Catarina e criticou os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro (PL). Jair Bolsonaro (PL) quer lançar seu filho Carlos, vereador no Rio desde 2001, como candidato ao Senado por Santa Catarina em 2026. A ideia, porém, enfrenta resistência de lideranças locais, que defendem uma chapa com a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP-SC). Após a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) se opor à candidatura de Carlos, Tambozi também se manifestou. Em vídeo gravado em um curral, afirmou que o povo catarinense “não é gado”. Segundo o prefeito, “Carol de Toni conhece Santa Catarina, conhece Pouso Redondo. Essa imposição não combina com o Estado”. Ele ainda ironizou: “Se Carlos Bolsonaro quer ser senador por Santa Catarina, primeiro precisa defender os interesses do Estado, não os dele”. Tambozi também criticou Eduardo Bolsonaro, que tem apoiado a candidatura do irmão. “Eduardo está nos Estados Unidos fazendo vídeo, dando pitaco. Devia estar ajudando empresários catarinenses que enfrentam dificuldades para exportar por causa da taxa.” Por fim, o prefeito lançou um desafio: “Se Carlos quer ser candidato, tudo bem. Mas meu apoio é pra Carol e pro Amin. E se acham que a gente é gado, na urna a gente resolve pra ver quem leva o coice.” 


TAXISTA ENFRENTE ENEM

O taxista Elifas Levi Rodrigues, 77, voltou a estudar para concluir o ensino médio com o sonho de cursar psicologia e cuidar melhor da esposa, que enfrenta depressão há mais de 20 anos. Neste domingo (9), ele fará o Enem, ao lado da neta Laura, 17, que o ajudou na preparação. Rodrigues terminou o ginásio, fez curso técnico e trabalhou por décadas na Petrobras, aposentando-se aos 46. Desde então, atua como taxista em Curitiba. Voltou aos estudos pelo EJA e concluiu o ensino médio em um ano e meio, sendo homenageado como aluno destaque. Ele estuda à noite e mantém a rotina de trabalho diurna. Gosta de matemática e história, mas tem dificuldades em inglês. Seu objetivo é ingressar em psicologia no período noturno. “Quero entender a doença da minha esposa para ajudá-la”, diz. Entre os 4,8 milhões de inscritos no Enem, apenas 17 mil têm mais de 60 anos. “Nunca é tarde para aprender”, afirma Rodrigues. 

ATRIZ QUE VIVE ADVOGADA É REPROVADA

Kim Kardashian, 45, foi reprovada no exame que concede licença para advogar na Califórnia, equivalente à prova da OAB no Brasil. Na série “Tudo É Justo”, da Hulu (Disney+ no Brasil), ela vive uma advogada, mas na vida real ainda busca o sonho de exercer a profissão. “Não sou advogada, apenas interpreto uma na TV. Já são seis anos nessa jornada e continuarei até passar no exame. Sem atalhos, só estudo e determinação”, escreveu nas redes. Agradeceu aos fãs e disse que reprovar “não é falha, é combustível”, prometendo seguir firme. Em entrevista ao F5, afirmou que experiências pessoais inspiraram sua personagem, uma advogada de família que defende mulheres em divórcios. “Venho de uma família em que meus pais se divorciaram quando eu tinha 10 anos”, disse, lembrando o pai, Robert Kardashian. Ela contou que o divórcio é diferente quando há filhos e que “todos são afetados por isso”. Kim se divorciou de Kanye West em 2022, com quem tem quatro filhos. Antes, foi casada com Damon Thomas (2000–2004) e Kris Humphries (72 dias em 2011).

PROVA EMPRESTADA SEM INTIMAÇÃO

A utilização de prova emprestada sem  a intimação da defesa viola os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa é nula.  Esse foi o entendimento do juízo da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná  para reconhecer a nulidade de uma prova inserida nos autos sem prévia intimação da defesa e concedeu liberdade provisória a um réu acusado de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Prevaleceu o entendimento do relator, desembargador Fernando Prazeres, que afirmou em seu voto que “a validade da prova emprestada depende do exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que a parte não tenha participado de sua produção”.  Na mesma sessão, o colegiado também acolheu Habeas Corpus impetrado pela defesa, representada pela advogada Aline Capocci, e revogou a prisão preventiva do acusado, substituindo-a por medidas cautelares diversas. Segundo o acórdão, a prisão preventiva é medida excepcional e deve ser mantida apenas quando demonstrado que a liberdade do réu coloca em risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. 

BOLSONARO ABANDONADO!

A aproximação da prisão de Bolsonaro em regime fechado, com o fim dos recursos, pela prática do crime de tentativa de golpe de Estado, deixa o ex-presidente praticamente abandonado. Levantamento da Coluna do Estadão aponta redução de 74%, de agosto para cá, no número de pedidos para visitá-lo na prisão domiciliar. Nas primeiras quatro semanas da prisão domiciliar de Bolsonaro, foram 123 pedidos de visitas. Nos últimos 30 dias, por outro lado, esse total caiu para 32. Em novembro até o dia sete, foram apenas 10 solicitações. Algumas são de familiares do ex-presidente, como o irmão Renato, e também de um grupo de oração da ex-primeira-dama Michelle. Um dos políticos que mais pediram para visitar Bolsonaro foi o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com 9 solicitações. Pessoas próximas ao ex-presidente dizem que tem reclamado do abandono. Ele tem crises frequentes de soluço, por conta de seu estado de saúde, e tem demonstrado também desânimo com a iminência de ser preso.

Salvador, 9 de novembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

IBGE: 34 MIL MENORES VIVEM EM UNIÃO CONJUGAL

Dados do IBGE divulgados na quarta-feira, 5, mostram que mais de 34 mil pessoas entre 10 e 14 anos vivem em união conjugal no Brasil, sendo 77% meninas. As informações são do Censo 2022 e refletem declarações dos próprios moradores, sem comprovação legal. Entre os menores, 7% estão casados no civil e religioso, 4,9% só no civil, 1,5% só no religioso e 87% vivem em união consensual. A lei proíbe casamentos civis abaixo dos 16 anos, exceto em casos autorizados pela Justiça. Segundo o IBGE, as respostas refletem percepções pessoais e não exigem documentação. “Uma pessoa pode se considerar em união, enquanto a outra se vê como namorada”, explica a técnica Luciene Longo.

O instituto afirma que pergunta sobre uniões a partir dos 10 anos para retratar a realidade do país e orientar políticas públicas. A maioria das crianças e adolescentes em união é parda (20.414), seguida por brancas (10.009) e pretas (3.246). São Paulo tem o maior número absoluto (4.722), e o Amazonas, a maior proporção (0,11%). O IBGE também informou que o número de pessoas morando sozinhas triplicou desde 2000, e 51,3% da população com 10 anos ou mais vivia em união conjugal em 2022. 

TRUMP "A CAMINHO PARA O INFERNO"

O caminho para o inferno está pavimentado com declarações prematuras sobre o fim político de Donald Trump. Mas os democratas podem ser perdoados por ver nas vitórias desta semana um vislumbre desse fim. Democratas centristas e socialistas atropelaram rivais republicanos em vários estados, impulsionados por alto comparecimento de hispânicos e jovens. A suposta coalizão multirracial da classe trabalhadora de Trump parece ter-se desfeito. Os oponentes de Trump sentem um novo alvorecer. Após um ano de apatia e liderança envelhecida, o partido obteve vitórias expressivas. O sucesso veio de candidatos que inverteram as armas de Trump, priorizando temas econômicos. Biden e Kamala Harris perderam a narrativa ao negar a crise do custo de vida. Trump venceu por explorar essa insatisfação e rejeitar o discurso progressista sobre identidade. Os novos vencedores aprenderam a lição. Zohran Mamdani, eleito prefeito de Nova York, falou quase só sobre acessibilidade e custo de vida. Na Virgínia e em Nova Jersey, Abigail Spanberger e Mikie Sherrill também se concentraram em preços, evitando armadilhas culturais. Enquanto isso, Trump começou a soar como Biden, negando a inflação e culpando sua ausência nas urnas pelas derrotas. Pesquisas mostram que 60% dos americanos o culpam pela economia.

Trump enfrenta um dilema: reconhecer a raiva popular e agir ou manter sua política tarifária, que alimenta a inflação. Recentemente, ele selou uma trégua comercial com Xi Jinping, buscando vitórias semelhantes para aliviar tensões. A Suprema Corte, que analisa a legalidade de suas tarifas, pode até ajudá-lo, caso derrube as medidas. Ainda assim, o revés eleitoral deve reforçar seus instintos autoritários. Seus aliados continuarão controlando ministérios e agências-chave, e é improvável que as eleições de meio de mandato ocorram sem interferências. Mesmo assim, os democratas, pela primeira vez em muito tempo, acreditam ver uma saída da escuridão — e grandes margens de vitória podem ser sua melhor proteção contra novas artimanhas de Trump. 

IA EM USO TERPÊUTICO

Jack Worthy, terapeuta em Manhattan, começou a usar o ChatGPT para buscar receitas e apoiar pesquisas, mas, em um momento estressante, pediu ajuda emocional. Pediu ao bot que analisasse seus diários de sonhos e se surpreendeu com as conclusões: percebeu que seus mecanismos de enfrentamento estavam sobrecarregados. “Foi analisando meus sonhos com o ChatGPT que reconheci: estou realmente sob grande estresse”, diz. A experiência reflete um movimento crescente entre terapeutas e pacientes. Embora chatbots sejam acusados de prejudicar usuários vulneráveis, alguns profissionais veem neles uma ferramenta complementar útil. “Me deu um suporte de primeira linha”, diz Nathalie Savell, terapeuta perto de Baltimore. Worthy afirma que não substituiria seu terapeuta humano, mas usa o ChatGPT para tornar suas sessões mais produtivas. O uso terapêutico da IA, porém, levanta alertas. Há relatos de adolescentes que morreram após interações com bots e estudos mostram que muitos falham ao lidar com riscos de suicídio. Terapeutas defendem que a IA deve ser apenas um complemento à terapia e usada sob supervisão profissional. Ainda assim, cresce o apelo por companhia entre sessões.

Savell às vezes recomenda que pacientes conversem com chatbots sobre ansiedade ou relacionamentos. Segundo a Harvard Business Review, terapia e companhia estão entre os principais motivos de uso da IA, embora um estudo da OpenAI indique que apenas 2% das mensagens tratem de “relacionamentos e autocuidado”. Usuários têm relatado experiências positivas online, e alguns aplicativos oferecem terapia via IA. Luke Percy, conselheiro em Baltimore, vê o ChatGPT como um “diário com um parceiro que faz boas perguntas”, mas reforça que não substitui o terapeuta. Savell e Percy usam IA para refletir sobre ansiedade e luto, mas reconhecem limites. Elizabeth Greene, terapeuta em Manhattan, diz que o relacionamento humano é insubstituível. Worthy alerta contra autodiagnósticos e ressalta que só obteve bons resultados com pedidos bem estruturados. Outros especialistas temem que o fácil acesso leve à dependência emocional. Apesar das preocupações, todos os terapeutas concordam: se o paciente usar ChatGPT para refletir sobre sua saúde mental, isso deve ser levado à sessão humana. 

COP30 FOCADA NA META GLOBAL DE ADAPTAÇÃO

Três anos após o anúncio de Lula de que queria trazer a COP30 ao Brasil, a conferência da ONU sobre mudança climática começa amanhã, 10, em Belém, em meio a incertezas. Dos 195 signatários do Acordo de Paris, apenas 79 entregaram suas novas metas climáticas, que representam 64% das emissões globais, segundo o Climate Watch. 
A Índia ainda não apresentou sua meta, e a União Europeia só o fez no último dia 5. As metas, conhecidas como NDCs, deveriam ser atualizadas a cada cinco anos, mas a maioria dos países não cumpriu o prazo. O relatório da UNFCCC foi inconclusivo e não indicou claramente o rumo do aquecimento global. Estimativas paralelas apontam queda de 10% nas emissões até 2035, quando seria necessário 60% para limitar o aquecimento a 1,5°C. “Fechar essa vergonhosa lacuna é fundamental”, diz Claudio Angelo, do Observatório do Clima. Apesar de o acordo da COP28 ter mencionado pela primeira vez a redução do uso de combustíveis fósseis, o tema foi barrado nas negociações seguintes. Outro desafio foi a crise de hospedagem: preços exorbitantes em Belém ameaçaram a participação de países pobres. O quórum mínimo de 132 partes foi alcançado há menos de um mês, após ações do governo federal e da ONU. Os preços de hospedagem caíram mais de 60%, e 160 países confirmaram presença.

Com o número mínimo garantido, a COP30 deve focar na Meta Global de Adaptação, que busca definir indicadores para medir avanços em adaptação climática. O número de critérios caiu de 5.000 para cerca de 100, e o financiamento deve ser o ponto mais polêmico. Segundo o Pnuma, falta entre US$ 284 e 339 bilhões anuais para adaptação nos países em desenvolvimento até 2035. Para Natalie Unterstell, do Instituto Talanoa, a COP30 precisa mostrar que adaptação é insistir em bem viver, que a transição energética é irreversível e que o regime climático internacional segue relevante. As cobranças sobre os países ricos, principais emissores, vêm crescendo, assim como a pressão para que China e Índia também financiem a transição. Com dificuldade de mobilizar recursos públicos, o Brasil aposta na Agenda de Ação, voltada a iniciativas privadas e filantrópicas — embora sem força legal, diferente dos acordos oficiais da ONU.

 

PAPA REDEFINE PAPEL DE MARIA ENTRE CRISTÃOS

O papa Leão 14 publicou um documento que redefine o papel de Maria na doutrina católica, afastando-a dos títulos de “corredentora” e “medianeira de todas as graças”. O texto, elaborado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, busca conter excessos da devoção mariana, reafirmando Cristo como o único mediador da salvação. A decisão provocou reações de fiéis nas redes sociais, que acusaram o Vaticano de “rebaixar” a Virgem. Segundo o teólogo Vinícius Paiva, o objetivo é “ajustar a devoção mariana”, sem afetar a fé popular. O documento enfatiza que Maria intercede, mas não distribui graças por conta própria. Essa correção visa evitar a interpretação de que ela teria um poder paralelo ao de Deus. Para estudiosos, como Alberto Tasso e Lidice Meyer, o texto resgata a tradição teológica que desde o Concílio de Éfeso (431) reconhece Maria como mãe de Deus, mas submissa a Cristo. Ao longo dos séculos, a devoção popular elevou sua figura, às vezes colocando-a acima do próprio Filho, o que gerou desequilíbrios doutrinários. A Igreja já havia tratado do tema no Concílio Vaticano 2º, que reafirmou Maria como discípula e cooperadora, não redentora. O papa Francisco também rejeitou o dogma da corredentora, posição agora consolidada por Leão 14.

O novo texto busca corrigir excessos e linguagens “maximalistas” dentro da própria Igreja, sem negar o valor espiritual da Virgem. “Ela não foi rebaixada, foi recolocada sob uma luz mais fiel à teologia cristã”, resume Paiva. Especialistas veem também uma intenção ecumênica: ao reforçar Cristo como único mediador, o Vaticano se aproxima de crenças protestantes, que sempre criticaram o culto excessivo à Maria. “O documento não rebaixa Maria. Exalta Cristo”, diz Tasso. “É um ajuste doutrinal, não uma ruptura.” Segundo Meyer, ele apenas reafirma os limites entre veneração e adoração: “Maria pode rogar por nós, mas não salvar-nos.” Para o teólogo Fabio Darius, o gesto papal “corrige desvios sem apagar a devoção”, preservando a fé popular e reforçando o diálogo com outras tradições cristãs. 



MÁQUINAS COM "INTELIGÊNCIA EQUIVALENTE" À HUMANA

A inteligência artificial já supera os humanos em várias tarefas, segundo pioneiros da área, reacendendo o debate sobre quando surgirá a “superinteligência”. 
Entre eles estão Jensen Huang (Nvidia), Yann LeCun (Meta AI), Yoshua Bengio, Geoffrey Hinton, Fei-Fei Li e Bill Dally, vencedores do Prêmio Rainha Elizabeth de Engenharia de 2025. Durante a cúpula Future of AI em Londres, eles afirmaram que as máquinas já possuem “inteligência equivalente” à humana em alguns domínios. Huang destacou que a IA “melhora as pessoas e realiza tarefas” e que suas aplicações úteis se multiplicarão rapidamente. A busca pela chamada “inteligência artificial geral” (IAG) — sistemas com capacidades humanas — tornou-se o principal objetivo das big techs. OpenAI e Anthropic atraem bilhões em investimentos, enquanto EUA e China disputam a liderança. O aumento no valor de empresas de IA reflete a expectativa de uma tecnologia que transformará o mundo.

O termo “inteligência artificial geral” foi citado 53% mais vezes em balanços corporativos no início de 2025. Especialistas estimam sua chegada entre dois anos e várias décadas. LeCun afirmou que a IAG não será um evento único, mas uma expansão gradual das capacidades. Huang acredita que “já chegamos lá”, com avanços contínuos. Os especialistas divergem sobre se a IA superará os humanos em todos os campos. Fei-Fei Li lembrou que máquinas já reconhecem milhares de objetos e traduzem cem idiomas. Ela defendeu que a inteligência humana continuará essencial. Hinton previu que, em até 20 anos, máquinas vencerão humanos em qualquer debate. Bengio acrescentou que “não há razão para que não possam fazer tudo o que fazemos”. Mas alertou contra previsões absolutas, pois “há muitos futuros possíveis”.