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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

DA PALMADA, DOS GRITOS, DOS TAPAS AO DIÁLOGO


Por muito tempo, a agressão física foi usada como forma de disciplinar crianças. 
Em 2014, a Lei da Palmada passou a garantir no ECA educação sem castigos físicos. Mesmo assim, 49% dos pais brasileiros admitem já ter dado tapas nos filhos. Os dados estão em estudo divulgado pelo Unicef sobre violência contra crianças. A pesquisa ouviu mais de 200 pessoas no Rio, Manaus e Recife. Foram entrevistados pais, mães, cuidadores e profissionais da rede de proteção. Embora 91% considerem o diálogo a melhor forma de disciplina, 62% disseram já ter gritado com crianças e 27% afirmaram ter usado objetos. Além disso, 62% disseram que não interfeririam ao presenciar uma violência. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública reforçam a preocupação. Entre 2021 e 2025, os registros de maus-tratos cresceram 106,1%. Em 2025, foram registradas 38.986 ocorrências contra crianças e adolescentes. Desse total, 59,1% das vítimas tinham entre zero e nove anos. O Unicef ressalta, porém, que os registros não representam toda a realidade. Muitos casos de violência dentro das famílias não chegam às autoridades. O estudo define castigo corporal como qualquer punição física intencional. Isso inclui tapas, palmadas, puxões, beliscões e uso de objetos. Quando a punição física se combina à agressão psicológica, há disciplina violenta. Gritos, humilhações e ameaças também fazem parte desse tipo de violência. 

A Lei da Palmada prevê medidas de orientação e proteção às famílias. Podem ocorrer encaminhamento a programas sociais e tratamento psicológico. Em casos que configuram crime, o responsável pode responder criminalmente. A especialista Hangra Leite destaca que a lei não elimina a autoridade dos pais. Ela estabelece que educar não deve envolver violência, humilhação ou ameaças. Especialistas defendem limites, diálogo e respeito como alternativas à punição. O Unicef aponta que muitas famílias ainda veem a “palmada” como algo normal. Também existe desconhecimento sobre as fases do desenvolvimento infantil. Crianças pequenas ainda enfrentam dificuldades para controlar emoções e comportamentos. A sobrecarga materna e as dificuldades econômicas também podem favorecer agressões. Para o Unicef, redes de apoio são fundamentais para reduzir a violência familiar.

 

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