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segunda-feira, 13 de abril de 2026

DRONE AMERICANO DESAPARECIDO


Um drone de vigilância MQ-4C Triton, da Marinha dos Estados Unidos, está desaparecido desde quinta-feira após emitir sinal de emergência sobre o Estreito de Ormuz. A aeronave não retornou à base de Sigonella, na Itália, e seu paradeiro é desconhecido. 
Segundo o site The War Zone, o drone havia completado cerca de três horas de monitoramento no Golfo Pérsico e parecia retornar à base. Dados do Flightradar24 mostram que ele cruzava o espaço aéreo da Arábia Saudita quando desviou em direção ao Irã. Durante o trajeto, o equipamento desceu rapidamente e transmitiu o código 7700, usado para emergências. Ainda não se sabe se caiu ou foi abatido — algo inédito para esse modelo. O caso ocorreu dois dias após um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Não é o primeiro incidente com o Triton na região. Em fevereiro, outro drone do mesmo modelo também desapareceu após emitir sinal de emergência, mas conseguiu retornar à base nos Emirados Árabes Unidos.

Já em 2019, um protótipo do Triton foi abatido pelo Irã, que alegou violação de seu espaço aéreo. Os EUA afirmaram que a aeronave estava em área internacional. Na época, o então presidente Donald Trump chegou a aprovar uma retaliação militar, mas recuou no último momento. O MQ-4C Triton é produzido pela Northrop Grumman e utilizado em missões de vigilância estratégica de longa duração. Pode voar por mais de 24 horas a grandes altitudes e tem alcance de cerca de 13,7 mil km. Cada unidade pode custar mais de US$ 200 milhões, chegando a cerca de US$ 243 milhões com custos totais. O drone é projetado para monitorar áreas sensíveis, como rotas marítimas, e atua em conjunto com aeronaves tripuladas, como o P-8A Poseidon.

 

FACÇÕES CRIMINOSAS PROLIFERAM: PCC, CV E TCP


Ao menos 17 estados registram a atuação de facções como PCC, CV e TCP em alianças entre si ou com grupos regionais. 
Levantamento da Folha, com base em investigações da Polícia Federal e polícias civis, aponta que essas articulações têm caráter pragmático, voltado à expansão territorial e ao fortalecimento de mercados ilícitos. O objetivo central é ampliar lucros no tráfico de drogas e em outras atividades ilegais. Um dos movimentos que mais chamam atenção é o avanço do TCP, que já atua além do Rio de Janeiro e firmou alianças em ao menos dez estados. Em alguns cenários, o grupo se aproxima do PCC para enfrentar o Comando Vermelho, rival histórico. O estudo considera apenas alianças envolvendo essas três facções, sem incluir articulações exclusivamente regionais. PCC e CV já estão presentes em todo o país, com hegemonia em 13 unidades da federação. Estados com domínio isolado de uma facção, como São Paulo, ficaram fora do recorte. Segundo especialistas, o crime organizado deixou de ser local e passou a atuar em escala nacional e transnacional. Esse processo ganhou força após o rompimento entre PCC e CV, entre 2016 e 2017. O episódio foi marcado pela morte de Jorge Rafaat, ligado ao tráfico na fronteira com o Paraguai. Desde então, o PCC consolidou rotas como a Rota Caipira.

Já o CV intensificou sua expansão no Norte e Nordeste, apoiando-se em alianças locais. As estratégias das facções são diferentes. O CV prioriza controle territorial armado e atividades locais. O PCC atua no atacado e na logística, garantindo fluxo de drogas e lavagem de dinheiro. O Brasil passou a funcionar como hub logístico para mercados da Europa, Ásia e África. O TCP cresce como concorrente direto do CV, mas ainda distante das duas maiores facções. Pesquisadores apontam que alianças seguem rivalidades históricas entre grupos. O TCP surge como alternativa para grupos contrários ao avanço do CV. Há também redução no número de facções, resultado de fusões e alianças. A lógica é econômica: menos conflito significa menor custo e maior lucro. Essa mudança contribui para a queda de homicídios no país. Facções regionais dependem das grandes organizações para acesso a rotas e drogas. Em alguns estados, o PCC avança oferecendo logística mais barata e estável. Investigações focam lideranças e esquemas de lavagem de dinheiro. A integração entre forças de segurança tem sido apontada como essencial no combate ao crime organizado. 

JÚRI DE ASSASSINATO DE 10 PESSOAS DA MESMA FAMÍLIA



Após três anos, começa nesta segunda-feira (13/4), no Fórum de Planaltina, o julgamento da maior chacina do Centro-Oeste, que deixou 10 pessoas da mesma família mortas entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. 
Segundo as investigações, o crime foi motivado por disputa por um patrimônio estimado em R$ 2 milhões. O processo inclui acusações de homicídio qualificado, extorsão, sequestro, ocultação de cadáver e fraude processual. Em menos de três semanas, o plano teria evoluído para uma sequência de crimes violentos e articulados. Os acusados teriam atraído vítimas, mantido familiares em cativeiro e usado celulares para enganar novos alvos. As vítimas foram dez integrantes da mesma família, incluindo crianças. Cinco réus respondem ao processo, e o julgamento deve durar sete dias. A acusação destaca a complexidade do caso, tanto pelo número de vítimas quanto de envolvidos. O promotor afirma que o desafio é demonstrar a participação individual de cada acusado. Serão ouvidas 21 testemunhas, em sua maioria ligadas à investigação. Segundo o Ministério Público, há provas como mensagens enviadas em nome das vítimas e relatos sobre seu desaparecimento. A acusação considera o conjunto probatório sólido, incluindo confissão de um dos réus. Sustenta ainda que a motivação foi exclusivamente financeira. Para os acusadores, o crime teve como objetivo eliminar herdeiros e facilitar a apropriação do patrimônio. Eles também ressaltam o forte impacto social e a indignação gerada pelo caso.

A defesa, por sua vez, apresenta versões distintas e pede análise individual das condutas. Alguns advogados negam participação direta de seus clientes nos homicídios. Argumentam que presença em locais não comprova autoria dos crimes. Os defensores pedem que o júri se baseie apenas nas provas, sem influência da repercussão. Também destacam a importância das garantias constitucionais e do direito à ampla defesa. O julgamento segue o rito do Tribunal do Júri, com sete jurados sorteados. Eles permanecem incomunicáveis durante todo o processo. Após ouvir testemunhas e réus, acusação e defesa apresentam seus argumentos. Em seguida, os jurados votam os quesitos em sala secreta. A decisão final sobre o destino dos acusados ficará nas mãos do conselho de sentença.

 

APOSENTADORIA COMPULSÓRIA EM DISCUSSÃO


Após meses de tensão entre STF e Congresso, voltou ao debate o fim da aposentadoria compulsória como punição a magistrados e membros do MP, vista como “aposentadoria premiada”. 
O tema ganhou força após decisão do ministro Flávio Dino, em março, que anulou punição aplicada pelo CNJ a um juiz acusado de irregularidades graves. Dino apontou falhas no processo legal e afirmou que a Reforma da Previdência de 2019 retirou o respaldo constitucional da aposentadoria como sanção. Segundo ele, restaria apenas a perda do cargo, que depende de decisão judicial definitiva devido à vitaliciedade. Na mesma linha, a CCJ do Senado aprovou a PEC 3/2024, que extingue essa punição. A proposta, porém, gera divergências entre juristas e entidades de classe. Para o advogado Paulo Henrique Braga, a Constituição eliminou explicitamente a aposentadoria como penalidade. Já Francisco Zardo argumenta que a punição ainda existe na Lei Orgânica da Magistratura e segue válida até revogação. A PEC busca proibir definitivamente a aposentadoria como sanção e prevê demissão em casos graves. A relatora Eliziane Gama defende o fim de privilégios no serviço público. Segundo ela, a medida atende ao clamor social contra punições brandas. 

O texto também endurece regras disciplinares. Prevê afastamento imediato e suspensão de salário durante o processo. Estabelece ainda prazo de 30 dias para ajuizamento da ação. A proposta enfrenta resistência de entidades como AMB e Ajufe. O principal ponto de crítica é a suspensão antecipada da remuneração. Nos bastidores, defende-se pagamento até o trânsito em julgado. Zardo aponta risco de violação à presunção de inocência. Também vê possível afronta à vitaliciedade e irredutibilidade salarial. Outro debate envolve possível “confisco” de contribuições previdenciárias. Braga alerta para risco de punição com caráter quase perpétuo. Ele sugere mecanismos de portabilidade como alternativa. No campo político, militares foram excluídos da proposta. Emenda de Hamilton Mourão manteve a chamada “morte ficta”. Eliziane criticou a exclusão, chamando-a de privilégio. Zardo avalia que a distinção é política, não jurídica. Agora, a PEC segue para o plenário do Senado. Serão necessários 49 votos em dois turnos para aprovação. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 13/04/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Julgamento da maior chacina do Centro-Oeste começa hoje (13/4)

Os cinco acusados de matarem 10 pessoas, entre 2022 e 2023, começam a ser julgados hoje, no Fórum de Planaltina. Homicídios e sequestros estão entre os crimes imputados ao bando, que dizimou uma família para se apoderar de terreno

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Saúde frágil: venda de atestados médicos virtuais falsos explode, e polícia investiga; veja como acontece

Comerciante faz teste e consegue abono de falta por cólica menstrual intensa, mesmo sendo homem

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Hungria encerra era Orbán entre desafio da mudança e risco de revanche

Vitória do Tisza de Péter Magyar rompe ciclo de concentração de poder do premiê, mas herda máquina ainda ativa Com maioria ampla, novo governo deve enfrentar dilema entre reformar sistema cooptado e punir adversários

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Trump anuncia bloqueio 'de todos os navios' que tentarem entrar ou sair de Ormuz

O anuncio foi feito pelas redes sociais do Presidente dos Estados Unidos.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

EUA iniciará bloqueio dos portos iranianos

Forças americanas autorizarão a circulação de navios que não saiam do território iraniano

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Sono. Aulas às 8h da manhã são contraindicadas para o cérebro dos adolescentes

Metade dos adolescentes têm défice de sono, uma tendência que está a agravar-se. Adiar entrada em uma hora melhora o desempenho e bem-estar, revelam estudos e a experiência da Finlândia e dos EUA.

domingo, 12 de abril de 2026

RADAR JUDICIAL


CÂMERAS EM BANHEIROS

Estudantes do Centro Educacional São Francisco, em São Sebastião (DF), denunciaram a presença de câmeras em banheiros masculinos da escola. Conhecida como “Chicão”, a instituição teria ao menos duas câmeras e um sensor instalados no local. Imagens divulgadas pela página São Sebastião Notícias reforçaram a denúncia. Segundo relatos, equipamentos semelhantes já haviam sido retirados do banheiro feminino. A Secretaria de Educação do DF informou que os dispositivos foram removidos. A retirada ocorreu na quinta-feira (9), como medida preventiva. De acordo com a pasta, os equipamentos eram antigos, de gestões anteriores. Eles estariam desligados e não faziam captação de imagens. A legislação brasileira proíbe câmeras em áreas íntimas, como banheiros. A prática pode configurar violação grave de privacidade. A secretaria afirmou que não autoriza esse tipo de monitoramento. O caso segue sob acompanhamento, com возможíveis medidas administrativas. 


DELEGADO É FLAGRADO TENTANDO FURTAR

Imagens de segurança flagraram um delegado da Polícia Federal tentando furtar uma iguaria de luxo no shopping RioMar, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. Erick Ferreira Blatt, de 50 anos, foi detido e levado à Delegacia de Boa Viagem para prestar depoimento. Ele responde a inquérito por furto e a processo disciplinar na Corregedoria da PF. O caso ocorreu na quarta-feira (8), por volta das 16h, em uma unidade do supermercado Palato. O produto furtado foi um carpaccio de trufas negras, avaliado em cerca de R$ 300. As imagens mostram o homem pegando o item e, depois, escondendo-o no bolso enquanto estava na área de padaria. Em seguida, ele passa por um caixa e paga por outros produtos, sem incluir o carpaccio. Após sair da loja, o delegado é abordado por um segurança no corredor do shopping. Ele é conduzido de volta ao estabelecimento. Ao retornar, retira o produto do bolso e o entrega ao vigilante. Funcionários realizam revista e conversam com o servidor. A defesa do delegado e os responsáveis pelo shopping e pelo supermercado não se manifestaram.


ELEIÇÃO NO PERU

O Peru vai às urnas neste domingo (12) para eleger seu décimo presidente em dez anos, refletindo forte instabilidade política. O cenário ocorre em meio a uma crise de segurança que gerou protestos massivos e repressão recente. A economista Sandra Upiachihua diz estar desanimada e indecisa entre 35 candidatos. O número recorde de presidenciáveis dificultou até a organização dos debates. Keiko Fujimori aparece entre as favoritas, com 13% das intenções de voto, seguida por Carlos Álvarez (9%) e Rafael López Aliaga (8%), segundo a Ipsos. Apesar disso, indecisos e votos em branco ainda predominam, e os três estão tecnicamente empatados. Keiko costuma chegar ao segundo turno, mas nunca venceu. Especialistas apontam desilusão eleitoral, com aumento de votos nulos e brancos. O segundo turno está previsto para 7 de junho. O poder político, porém, está concentrado no Congresso, com 130 deputados e, agora, 60 senadores após reforma recente. A instabilidade é agravada pela facilidade de destituir presidentes e pela fragmentação partidária. Nos últimos anos, o país teve sucessões rápidas no poder, com mandatos curtos e crises constantes. Dina Boluarte foi a mais duradoura da década, mesmo enfrentando protestos e escândalos. A chamada “parlamentarização” fortaleceu o Legislativo frente ao Executivo. A fraqueza dos partidos dificulta governabilidade e formulação de políticas. Para a população, os principais problemas são segurança e corrupção, alimentando a crise de representatividade.

ELEIÇÃO NA HUNGRIA

A Hungria decide neste domingo (12) se a longa era de Viktor Orbán chega ao fim, após 16 anos no poder marcados por reformas que ampliaram seu controle institucional. O premiê enfrenta o eurodeputado Péter Magyar, líder nas pesquisas, mas que precisa abrir vantagem maior para superar obstáculos do sistema eleitoral. Mesmo com vitória, Magyar pode ter dificuldades para governar sem dois terços do Parlamento, diante de um Judiciário alinhado a Orbán. Pesquisas indicam vantagem de cerca de 10 pontos, mas há muitos indecisos e o voto não é obrigatório. A campanha mobilizou atos públicos, como o evento “Demolição do Sistema”, que buscou estimular participação. O pleito também atraiu atenção internacional, com manifestações de apoio e críticas vindas dos EUA, União Europeia e Rússia. Internamente, corrupção, crise habitacional e desigualdade contrastam com a ascensão de aliados do governo. Já Orbán aposta em discurso contra Bruxelas e na defesa da soberania energética. Magyar foca no combate à corrupção e na reaproximação com Europa e Otan, evitando temas sensíveis. O ambiente eleitoral ainda é marcado por forte controle da mídia, desinformação e temores de interferência externa, levantando dúvidas sobre a lisura do processo.

GOVERNO MILEI EM CRISE

A crise envolvendo Manuel Adorni, figura-chave do governo Javier Milei, escalou e deixou de ser um episódio isolado para atingir o núcleo do poder. A Justiça argentina suspendeu seu sigilo bancário, fiscal e financeiro, investigando a evolução patrimonial e operações imobiliárias. A medida também alcança sua esposa e pessoas com vínculos financeiros diretos com ele. O caso ultrapassa o desgaste político e ganha dimensão institucional em meio ao cenário pré-eleitoral. Episódios anteriores, como o uso de avião oficial por sua esposa, já haviam fragilizado o discurso contra privilégios. Somam-se a isso operações financeiras incomuns, incluindo empréstimos com garantias imobiliárias. A investigação amplia questionamentos políticos e limita o controle da crise pela comunicação do governo. Adorni era peça central na estratégia de Milei, atuando como porta-voz e defensor da narrativa anticasta. Com o aumento de seu poder, deixou de ser apenas comunicador e passou a integrar o mecanismo decisório. Como integrante do núcleo duro, ao lado de figuras próximas ao presidente, seu desgaste afeta todo o governo. A crise evolui de política para judicial, expondo o funcionamento interno da administração. Mais que imagem, trata-se agora de um teste de coerência para o projeto político de Milei.

Salvador, 12 de abril de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



EUA ACUMULAM INSUCESSOS COM TRUMP


Com sua retórica extremista, Donald Trump faz cada crise soar como o fim do poder americano. A guerra no Irã reforça essa impressão, sugerindo uma possível decadência imperial. 
Há paralelos históricos: os EUA poderiam lembrar o Reino Unido na crise de Suez ou o rei Creso, que destruiu o próprio império ao atacar a Pérsia. Ainda assim, o conflito atual pode ser menos ruptura e mais repetição de padrões conhecidos da política externa americana. Fracassos no Oriente Médio não são novidade. Desde o colapso das negociações de Camp David em 2000, os EUA acumulam insucessos: o Iraque, a ascensão do Estado Islâmico, a Líbia, o impasse com o Irã e a longa guerra no Afeganistão. Nesse contexto, o primeiro mandato de Trump destoou ao adotar ambições mais limitadas, com alguns resultados, como o enfraquecimento do Estado Islâmico e os Acordos de Abraão. Já a atual postura em relação ao Irã retoma grandes ambições de transformação regional, que historicamente falharam. Até agora, os resultados não indicam mudança significativa nesse padrão.

A questão central é se esse novo fracasso será mais grave que os anteriores, a ponto de indicar um colapso imperial. Alguns argumentam que sim, dado o cenário global mais competitivo, com China e Rússia. Outros destacam que a situação é diferente de derrotas históricas decisivas. Os EUA ainda mantêm poder militar significativo, e a principal limitação vem da própria opinião pública doméstica. Aliados podem se afastar, mas dificilmente migrarão para o Irã ou Rússia. Além disso, a economia americana está mais protegida de choques energéticos do que no passado. Embora a guerra traga riscos —como fortalecer rivais e distrair de desafios estratégicos—, ela não necessariamente marca um colapso imediato. Se levar a uma postura mais pragmática, focada em administrar conflitos em vez de resolvê-los, o episódio pode apenas adiar, e não precipitar, o declínio do poder americano.


 

DESENTENDIMENTO ENTRE EMPRSÁRIOS TANURE E TIMERMAN

ASSÉDIO PODE CAUSAR COMPULSÓRIA DE MINISTRO


Os ministros do STJ devem usar decisões recentes do CNJ sobre assédio para embasar a análise do caso envolvendo o ministro Marco Buzzi, alvo de ao menos duas denúncias. Na sexta-feira (10), a corte recebeu o relatório da sindicância interna, que concluiu pela abertura de processo disciplinar. A decisão final deve ser tomada em sessão marcada para terça-feira (14). Um julgamento do CNJ, realizado em 3 de março, reforçou essa tendência ao aplicar pena máxima a um juiz do DF por assédio e perseguição a servidoras. O caso foi acompanhado por ministros do STJ. O CNJ tem adotado postura rígida, sem exigir reincidência para punições e valorizando o relato das vítimas, com base no protocolo de julgamento com perspectiva de gênero. A relatora Daiane Nogueira de Lira afirmou que o assédio envolve desigualdade de poder e que relatos consistentes, mesmo sem testemunhas, podem ter alto valor probatório. No caso analisado, ela destacou a relação hierárquica e a vulnerabilidade das servidoras, sendo acompanhada por unanimidade.

No STJ, também pesa o posicionamento da PGR, que pediu ao STF abertura de inquérito sobre Buzzi. Ministros avaliam que arquivar o caso agora seria incoerente diante dessa investigação. Reservadamente, magistrados apontam que uma conduta pode ser infração administrativa sem ser crime, mas não o contrário. Buzzi nega as acusações, afirma que não houve ato impróprio e critica “vazamentos seletivos” e condenação antecipada baseada apenas em relatos. Há duas denúncias: uma feita por uma jovem, filha de amigos, que relata assédio em uma praia; e outra de uma ex-funcionária, que descreve episódios recorrentes no gabinete ao longo de três anos. A funcionária afirma ter desenvolvido problemas de saúde decorrentes dos episódios. Ministros consideram esse relato com mais elementos de prova. Diante do cenário, alguns sugeriram aposentadoria antecipada, recusada pela defesa. A sessão do dia 14 decidirá se o caso vira processo disciplinar ou será arquivado. Se avançar, Buzzi responderá formalmente e o CNJ revisará o processo. A tendência, segundo avaliação interna, é de aposentadoria compulsória, que exige ao menos 22 votos entre os 33 ministros, em votação secreta.

 

NEGOCIAÇÕES ENTRE EUA E IRÃ SEM AVANÇOS


As primeiras negociações diretas entre Estados Unidos e Irã desde 1979 começaram sob tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. 
A Guarda Revolucionária iraniana ameaçou reagir a qualquer presença militar estrangeira na região. Segundo a mídia estatal, o alerta foi uma resposta à passagem de navios de guerra dos EUA para desativar minas navais. Representantes dos dois países se reuniram em Islamabad, no Paquistão, com mediação local. Participaram autoridades de alto escalão, incluindo J.D. Vance, Steve Witkoff e Jared Kushner, pelos EUA. Do lado iraniano, estiveram Mohammad Bagher Ghalibaf e Abbas Araghchi. As conversas ocorreram no Serena Hotel e tiveram ao menos duas rodadas iniciais. Uma terceira rodada pode ocorrer em breve, segundo a TV estatal iraniana. Fontes indicam que o ambiente é cordial e com avanços graduais. Donald Trump minimizou um possível fracasso das negociações. Ele afirmou que os EUA já teriam “vencido militarmente” o Irã. A ex-diplomata paquistanesa Maleeha Lodhi avaliou que avanços rápidos são improváveis.

Segundo ela, as posições seguem distantes, mas o diálogo é um passo positivo. As conversas funcionam como um “quebra-gelo” para futuras negociações. O controle e a desminagem do Estreito de Ormuz são pontos centrais de divergência. Não houve acordo sobre o tema devido a visões conflitantes. Em paralelo, Israel também se movimenta diplomaticamente na região. Benjamin Netanyahu defendeu um acordo duradouro com o Líbano. Ele condicionou isso ao desarmamento do Hezbollah. Autoridades israelenses e libanesas devem se reunir em Washington. Mesmo assim, ataques israelenses continuam no sul do Líbano. Mais de 200 alvos do Hezbollah foram atingidos recentemente. Especialistas apontam dificuldades nas negociações entre Israel e Líbano. Há divergência sobre cessar-fogo e continuidade das operações militares. O papa Leão XIV também se manifestou sobre o cenário global. Em vigília no Vaticano, pediu o fim das guerras e mais diálogo. Ele criticou líderes belicistas e defendeu a paz e a mediação.

TRUMP É "PEDÓFILO" DIZ BRASILEIRA


Após a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, negar ligação com Jeffrey Epstein, um perfil no X atribuído à brasileira Amanda Ungaro ameaçou expor supostos segredos sobre ela e o presidente Donald TrumpUngaro chamou Trump de “pedófilo” e disse que não tem medo de revelar informações, afirmando que pode “destruir o sistema corrupto”. As publicações foram apagadas logo após a repercussão. Amanda Ungaro foi casada com Paolo Zampolli, ex-agente de modelos ligado ao presidente. Segundo o The New York Times, Zampolli teria acionado David Venturella ao descobrir que a ex-mulher estava presa por fraude em Miami. Ele teria informado que ela estava em situação irregular nos EUA. Ungaro foi deportada em outubro de 2025. Zampolli nega ter pedido qualquer favorecimento ao ICE. Afirma que apenas buscou entender o caso com autoridades. O Departamento de Segurança Interna disse que a deportação ocorreu por visto vencido. O órgão negou motivação política ou favorecimento. 

Nas redes, Ungaro afirmou conhecer Melania há 20 anos. Disse que a primeira-dama sabia de sua detenção. Alegou que Melania esteve presente em momentos pessoais, como aniversários de seu filho. Também afirmou ter sido injustamente envolvida em acusações. Negou participação em qualquer esquema envolvendo crianças. Acusou Melania de tentar incriminá-la sem sucesso. A assessoria da primeira-dama negou qualquer relação com Ungaro. Disse que Melania não teve contato com o ICE. E que desconhece assuntos pessoais de Zampolli e Ungaro. Segundo o jornal, Trump e Melania eram próximos do ex-casal. Em entrevista a O Globo, Ungaro afirmou ter viajado com Epstein em 2002. Disse que tinha 17 anos na época. Relatou ter visto cerca de 30 meninas jovens no avião. A viagem teria ocorrido com Ghislaine Maxwell presente. Ungaro classificou as jovens como “muito novas”. O relacionamento com Zampolli começou após esse período. Durou quase duas décadas. Hoje, ela o acusa de abuso sexual e violência doméstica. O ex-casal disputa na Justiça a guarda do filho adolescente.

MINISTROS DO STF ACUSADOS DE LIGAÇÕES COM VORCARO


O caso envolvendo ministros do STF e supostas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro se intensifica, ampliando o desgaste interno da Corte e ultrapassando o âmbito financeiro do Banco Master. 
O Congresso ameaça pedidos de impeachment, enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, tenta avançar na criação de um código de conduta para os magistrados. A Polícia Federal encontrou mensagens no celular de Vorcaro que citam Dias Toffoli, que deixou a relatoria após o surgimento das conversas. Investigações indicam que um fundo ligado ao banco adquiriu parte de um resort associado a Toffoli e familiares, além de viagem do ministro em jato com advogado do empresário. A pressão política e pública levou ao afastamento de Toffoli para evitar maior desgaste institucional. Também surgiram indícios de contatos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, inclusive no dia da prisão do banqueiro. Mensagens com a influenciadora Martha Graeff sugerem encontro entre o empresário e o ministro. Parte das respostas teria sido enviada com recurso que apaga o conteúdo, restando apenas os registros de Vorcaro. Outro ponto envolve contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Moraes, suspenso após a liquidação da instituição. Há ainda relatos de uso de jatos ligados ao empresário por Moraes e sua esposa, o que foi negado pelo ministro. O caso se agrava com vazamentos e novas revelações, aumentando a tensão entre os Poderes. 

Diante disso, Fachin defende a criação de um código de conduta, sob relatoria de Cármen Lúcia. A proposta busca estabelecer regras éticas e maior transparência para proteger a imagem do STF. Ainda não há consenso sobre mecanismos de punição ou criação de comissão ética. Fachin afirma que o principal efeito do código seria o “constrangimento” para coibir desvios. O texto também deve abordar temas como remuneração por palestras e divulgação de ganhos. Para o ex-ministro Marco Aurélio Mello, o código deve ir além do formalismo e garantir compromisso real com a Constituição. Ele alerta para o risco de a medida se tornar ineficaz, como uma “lei para inglês ver”. O advogado Ilmar Muniz defende investigação rigorosa e transparência por parte dos ministros. Segundo ele, não pode haver blindagem no Judiciário diante de suspeitas. Muniz critica códigos sem punições efetivas, classificando-os como instrumentos frágeis. Para ele, a legislação já existe, faltando aplicação concreta das normas. O jurista defende sanções claras em caso de irregularidades, incluindo perda de cargo. Ele também aponta falhas no modelo de fiscalização, afirmando que o STF se autofiscaliza. Na avaliação dele, o CNJ não exerce controle direto suficiente sobre a Corte. Mudanças estruturais, segundo Muniz, dependem de ação do Congresso Nacional. O cenário atual combina crise jurídica, política e de reputação no Supremo. As investigações seguem em andamento, mantendo o tema no centro do debate institucional.