Pesquisar este blog

domingo, 8 de novembro de 2026

PREÇO DO PETRÓLEO E TEMOR DE DIFICULDADES EM INVESTIMENTOS PROVOCAM BAIXA NO MERCADO


A disparada de Wall Street a máximas históricas neste ano foi impulsionada pelo boom da inteligência artificial (IA), apesar da guerra no Oriente Médio e do aumento dos custos de financiamento. Na quinta-feira (5), porém, essa euforia desmoronou, provocando uma perda de US$ 3,2 trilhões no mercado acionário, em meio às consequências políticas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Investidores apontam que a queda foi agravada pelo desmonte de posições alavancadas em tecnologia mantidas por fundos de hedge e pela saída de pequenos investidores. O Nasdaq 100, concentrado em empresas de tecnologia, recuou mais de 6% na quinta-feira, em um dos piores pregões para fabricantes de chips. Na sexta-feira, recuperou 1,4%, mas encerrou a semana com baixa de 4,9%. Inicialmente, a vitória democrata nas eleições havia provocado otimismo. Investidores reduziram suas proteções contra riscos e voltaram a comprar ações, estimulados também pela queda do petróleo e pela expectativa de encerramento da guerra com o Irã. A situação mudou na quinta-feira, quando o petróleo voltou a subir e cresceu o temor de que os democratas dificultassem os investimentos previstos de US$ 1 trilhão em infraestrutura de inteligência artificial no próximo ano. Para Ludovic Subran, diretor de investimentos da Allianz, as eleições acabaram com a expectativa de apoio irrestrito ao setor de IA. O mercado percebeu que o crescimento dessas empresas não é ilimitado.

O boom da inteligência artificial havia impulsionado as bolsas de duas maneiras: aumentando os lucros de fabricantes de componentes, especialmente chips, e fortalecendo as perspectivas de crescimento econômico. Agora, investidores temem que essas duas forças percam intensidade. A desaceleração dos investimentos em IA pode prejudicar o crescimento dos Estados Unidos e reduzir os lucros das empresas envolvidas na construção de sua infraestrutura. A eleição de governadores democratas favoráveis a restrições à construção de centros de dados, inclusive no Texas, ampliou as preocupações. Também existe o risco de uma reação mais ampla contra a IA no Congresso. Os resultados financeiros do terceiro trimestre já haviam provocado instabilidade. Gigantes de tecnologia anunciaram investimentos bilionários, mas apresentaram receitas fracas em seus negócios tradicionais. Além disso, a desvalorização de títulos de empresas de crédito arriscado ligadas à IA aumentou o receio de problemas no financiamento do setor. Gestores agora questionam se a expansão dos centros de dados, considerada nas projeções de lucro, conseguirá acontecer no ritmo esperado. Stephen Jones, da Aegon Asset Management, afirma que custos elevados, atrasos e novas restrições podem dificultar a execução dos investimentos previstos. Assim, a tese de crescimento ilimitado da inteligência artificial perdeu força, deixando os investidores mais cautelosos quanto ao futuro das empresas de tecnologia e da economia americana.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário