Sob Trump, porém, o departamento passou a priorizar supostos riscos de fraude. Paralelamente, governos republicanos e grupos aliados conseguiram decisões da Suprema Corte que enfraqueceram a legislação de proteção eleitoral. A ofensiva também permitiu aos republicanos adotar novos mapas eleitorais favoráveis ao partido em pelo menos sete estados, com previsão de conquistar nove cadeiras adicionais. O Departamento de Justiça processou 30 estados, principalmente democratas, acusando-os de não fornecer dados eleitorais ao governo federal. Segundo a CNN, informações obtidas acabaram nas mãos do ICE, a agência de imigração. Em janeiro, o FBI apreendeu centenas de caixas com cédulas da eleição presidencial de 2020 na Geórgia, estado central na tentativa de Trump de reverter sua derrota para Biden. Nenhuma fraude foi encontrada, e os democratas classificaram a operação como ataque à democracia. Outra iniciativa do DoJ tentou impedir a contagem de 20 mil votos enviados pelo correio na Califórnia, sob alegação de possível participação de imigrantes sem cidadania americana. A lista apresentada pelo governo continha erros: mais de 40% dos nomes não correspondiam a eleitores registrados no estado, e outros eram cidadãos naturalizados. A iniciativa foi rejeitada em todas as instâncias, inclusive pela Suprema Corte. Nesta terça-feira, o departamento anunciou o envio de mais de mil monitores eleitorais aos 50 estados para registrar possíveis irregularidades e permitir investigações posteriores. Até a publicação da reportagem, não havia relatos de problemas nos locais de votação.
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terça-feira, 3 de novembro de 2026
TRUMP INTERFERE NA ELEIÇÃO COM QUESTIONAMENTOS INADEQUADOS
As eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms, acontecem nesta terça-feira (3), após uma campanha marcada por interferências de Donald Trump. O presidente tem histórico de questionar resultados eleitorais sem apresentar provas, como ocorreu em 2020, quando tentou reverter a vitória de Joe Biden, e em 2024, diante da possibilidade de derrota para Kamala Harris. Neste ano, Trump também evita garantir que aceitará uma eventual derrota republicana e afirmou que respeitará os resultados apenas se forem “honestos”. As midterms ocorrem a cada quatro anos, na metade do mandato presidencial, e renovam os 435 assentos da Câmara e 35 das 100 cadeiras do Senado. Também serão escolhidos governadores em 36 estados, além de autoridades locais. Trump insiste na tese de fraude generalizada nas eleições americanas, embora não apresente provas. Apesar da descentralização do sistema eleitoral, que torna a apuração mais lenta, mudanças fraudulentas nas cédulas são consideradas extremamente difíceis. O presidente utiliza o governo federal para levantar suspeitas sobre a lisura do pleito, principalmente por meio do Departamento de Justiça (DoJ). Tradicionalmente independente, o órgão passou a atuar sob maior influência presidencial. Pam Bondi, primeira secretária de Justiça do atual mandato, tentou processar adversários políticos de Trump e acabou demitida. Seu sucessor, Todd Blanche, também enfrentou derrotas judiciais. Na área eleitoral, o DoJ historicamente atuava para proteger o direito de voto das minorias, garantido por leis como o Voting Rights Act, de 1965, que combateu práticas discriminatórias contra eleitores negros.
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