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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

IA REVOLUCIONAL A PESQUISA CIENTÍFICA


A inteligência artificial (IA) promete revolucionar a pesquisa científica, mas seu uso crescente também levanta preocupações sobre a confiabilidade das descobertas e a integridade dos estudos. A empresa Basecamp Research, de Londres, reúne bilhões de informações genéticas para desenvolver uma IA capaz de compreender a linguagem da biologia. A iniciativa segue estratégia semelhante à utilizada na criação de grandes modelos de linguagem, como ChatGPT e Gemini. Recentemente, a OpenAI anunciou que seus agentes de IA teriam resolvido um importante problema matemático relacionado às equações de Navier-Stokes. Entretanto, pesquisadores questionaram se informações de trabalhos independentes poderiam ter influenciado o resultado. A empresa negou qualquer acesso a essas pesquisas. O episódio evidencia o risco de a IA comprometer a confiança na ciência, especialmente pela possibilidade de produzir informações falsas, conhecidas como alucinações. Um exemplo positivo é o AlphaFold, desenvolvido pelo Google DeepMind, que conseguiu prever a estrutura tridimensional de 200 milhões de proteínas em apenas um ano. O avanço representou uma revolução para a biologia e rendeu o Prêmio Nobel de Química aos responsáveis pelo projeto. Entretanto, outros resultados da IA são questionados. Um modelo da DeepMind identificou mais de 2 milhões de possíveis estruturas cristalinas, mas pesquisadores americanos consideraram muitos resultados adaptações de materiais já conhecidos.

Outra preocupação é a multiplicação de artigos científicos de baixa qualidade, produzidos com IA e contendo referências inexistentes. Um estudo com mais de 1 milhão de artigos biomédicos encontrou indícios de utilização da tecnologia em quase 90% das publicações analisadas. A revisão por pares, mecanismo pelo qual cientistas avaliam pesquisas antes da publicação, também está ameaçada. Estudos identificaram pareceres e citações bibliográficas produzidos artificialmente, incluindo milhares de trabalhos científicos inexistentes. O problema pode provocar desperdício de recursos, atrasar descobertas e comprometer o desenvolvimento de medicamentos e tecnologias sustentáveis. Editoras científicas já adotam medidas para combater abusos. A Elsevier desenvolveu indicadores para identificar publicações suspeitas, enquanto revistas do grupo Nature restringem o uso de IA na avaliação de manuscritos. Especialistas defendem que a tecnologia seja utilizada como ferramenta de apoio, mantendo os pesquisadores responsáveis pela análise e validação dos resultados. A IA também precisa preservar a capacidade humana de reconhecer descobertas inesperadas, como a penicilina, a radioatividade e os pulsares, identificados a partir de observações inicialmente consideradas incomuns. Apesar dos riscos, experiências demonstram seu potencial. A pesquisadora Andrea Pauli utilizou IA em estudos sobre a fecundação e identificou uma proteína que ajuda a explicar como o espermatozoide penetra no óvulo. Oliver Vince, fundador da Basecamp Research, pretende utilizar a tecnologia para encontrar tratamentos e possíveis curas para diferentes tipos de câncer, motivado por sua própria experiência com a leucemia. O desafio, portanto, é aproveitar os avanços da inteligência artificial sem comprometer a credibilidade, a criatividade e a confiança que sustentam a pesquisa científica.

 

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