Iranianos participam de manifestação em frente à antiga embaixada dos Estados Unidos, em Teerã, para marcar o aniversário da crise dos reféns de 1979
O principal negociador do Irã com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os americanos votaram “não à guerra” nas eleições de meio de mandato. Os democratas conquistaram a maioria no Congresso, impondo uma derrota expressiva a Donald Trump e ao Partido Republicano. O resultado refletiu a insatisfação dos eleitores com o custo de vida, as tarifas comerciais e a guerra no Oriente Médio, que provocou alta nos combustíveis e reduziu a aprovação presidencial. “Os americanos disseram não à guerra, e nós endossamos essa mensagem”, escreveu Ghalibaf na rede X. Ele advertiu que, se Washington ignorar a vontade popular, enfrentará consequências ainda maiores. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, também comentou o resultado. Segundo ele, a hostilidade dos Estados Unidos contra Teerã não mudará com a alternância partidária. Quem acredita nisso está “profundamente enganado”. Khamenei ameaçou responder com intensidade muito maior a qualquer nova agressão americana. Afirmou que a destruição de bases dos EUA na região e o controle iraniano do estreito de Hormuz integram uma campanha contra a hegemonia americana.
“Acreditamos que o fim da hegemonia dos EUA está próximo”, declarou. A guerra, iniciada em fevereiro, permanece em impasse há meses, com ataques esporádicos e temor de uma retomada das operações militares em larga escala. Donald Trump reconheceu que o conflito influenciou a vitória democrata. Em entrevista à Fox, na terça-feira, afirmou que o resultado eleitoral se deveu, em parte, à questão iraniana, mas defendeu sua atuação no conflito. Com a apuração em andamento, os democratas conquistaram 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, garantiram pelo menos 54 dos 100 assentos. A mudança altera o equilíbrio de forças no Congresso durante o restante do governo Trump, dificultando a aprovação de suas propostas. Na noite de terça-feira, Trump declarou ao The New York Times estar disposto a aceitar os resultados e trabalhar com a oposição. “Vamos trabalhar com os democratas e estamos ansiosos para trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a um entendimento”, afirmou o presidente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário