Duas semanas antes daquela votação, Milei esteve na Casa Branca em busca de apoio. Trump chegou a ameaçar a parceria entre os países, afirmando que os Estados Unidos não seriam generosos com a Argentina caso o presidente argentino perdesse. Às vésperas do pleito, Washington anunciou um pacote de resgate financeiro de US$ 20 bilhões para evitar uma crise cambial. A importância da relação foi reforçada pelo vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, que classificou a Argentina como o país mais alinhado aos Estados Unidos. Além das incertezas políticas, os ativos argentinos sofrem com a aversão global ao risco. As Bolsas americanas registraram fortes quedas, com o S&P 500 recuando 4,16%, o Dow Jones 3,44% e o Nasdaq 5,52%. Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o ambiente internacional mais cauteloso pressiona ativos de risco e mercados emergentes, elevando os prêmios exigidos pelos investidores. Para ela, porém, a possibilidade de redução do apoio americano ao governo Milei pode ser o principal fator por trás da alta do risco argentino.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
DERROTA DE TRUMP ATINGE ARGENTINA
O risco-país da Argentina disparou na quinta-feira (5), diante do temor de que o governo de Javier Milei receba menos apoio dos Estados Unidos após a derrota do partido de Donald Trump nas eleições de meio de mandato. Por volta das 18h15, o indicador subiu 5,64%, chegando a 1.042,88 pontos, maior nível desde dezembro de 2024. O índice mede o prêmio exigido pelos investidores para financiar a dívida argentina em comparação com os títulos americanos. A incerteza também provocou queda nos títulos públicos do país. Os papéis com vencimento em setembro de 2029 recuaram 2,29%, para US$ 48,289, enquanto os rendimentos subiram de 8,4% para 9,3%. A desvalorização dos títulos indica que os investidores exigem remuneração maior para mantê-los em carteira. Isso ocorre porque preço e rendimento dos papéis têm relação inversa. O movimento reflete o receio de que a vitória democrata nas eleições americanas reduza o apoio de Washington ao governo Milei. O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso, enfraquecendo a posição de Trump. Em outubro de 2025, Milei havia contado com a ajuda do presidente americano para conquistar uma vitória legislativa. Na ocasião, seu partido, A Liberdade Avança, superou dificuldades econômicas e um escândalo envolvendo um aliado, conquistando maioria na Câmara e no Senado.
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