O presidente Rodrigo Paz afirmou que a saída do magistrado está relacionada às investigações sobre o sistema judiciário boliviano. O vice-ministro do Interior, Peter Maldonado, também associou a fuga ao caso de Mariaca. Segundo ele, outros possíveis envolvidos no esquema estão deixando o país. O ex-procurador é acusado pelo governo americano de receber propinas para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça. Na quarta-feira, os juízes do Tribunal Supremo nomearam Rosmery Ruiz, decana da corte, como presidente interina, diante da ausência de Saucedo. Caso ele não se apresente ao tribunal nos próximos seis dias, poderá perder o cargo. Na Bolívia, as principais autoridades do Judiciário são escolhidas pelo voto popular. Saucedo foi eleito em Santa Cruz, no fim de 2024, com mais de 700 mil votos, e assumiu a presidência do tribunal um mês depois. O governo de Rodrigo Paz, próximo de completar seu primeiro ano, busca estreitar relações com Washington. Em março, aderiu ao Escudo das Américas, aliança regional liderada por Donald Trump para combater o crime organizado transnacional.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
PRESIDENTE DO TRIBUNAL DA BOLÍVIA FUGIU PARA NÃO SER PRESO
Presidente do Tribunal Supremo da Bolívia, Romer Saucedo
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país ontem, 5, após a emissão de um mandado de prisão contra ele por suspeita de tráfico de drogas e associação criminosa. O Ministério Público anunciou que solicitará à Interpol um alerta vermelho para sua localização e captura internacional. Desde outubro, vários integrantes do Judiciário boliviano foram presos por supostos vínculos com o narcotráfico. Entre eles está o ex-procurador-geral Roger Mariaca, detido após os Estados Unidos cancelarem seu visto e o de outros funcionários e empresários da região. Saucedo afirmou, em publicação na rede social X, que está no exílio com toda a família e acusou o governo do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, de perseguição política. "Sei que vão forjar provas para me desacreditar", declarou o magistrado, que também denunciou tentativas de intimidação. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, confirmou que a ordem de prisão foi emitida na quarta-feira (4). As investigações tramitam sob sigilo, com a colaboração de testemunhas protegidas. As autoridades desconhecem o paradeiro de Saucedo, de 38 anos. Segundo Urioste, seu histórico migratório registra entrada na Bolívia na terça-feira (3), mas não há registro oficial de saída. A suspeita é de que ele tenha deixado o país por via terrestre. O Ministério Público pretende acionar a Interpol para impedir seu retorno ou deslocamento internacional.
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