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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

PRESIDENTE DO PARAGUAI RENUNCIA E RESPONDERÁ POR DENÚNCIA DE FRAUDE

Santiago Peña, presidente do Paraguai, em vídeo em que anuncia renúncia
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ontem, 5, em meio a denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, com 2,9 milhões de clientes. A crise provocou forte instabilidade política. Em pronunciamento divulgado na rede X, Peña afirmou que sua decisão buscava preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas. Também pediu desculpas à população por eventuais falhas. O presidente havia sido investidor da holding do Ueno Bank e acabou envolvido no escândalo. A Câmara dos Deputados analisava a abertura de um processo de impeachment, que recebeu apoio até mesmo da base governista. Apesar do anúncio da renúncia, os 78 deputados presentes aprovaram por unanimidade a abertura do processo. A decisão final caberia ao Senado. Uma sessão conjunta do Congresso que examinaria a renúncia foi suspensa depois que parlamentares governistas abandonaram o plenário, provocando falta de quórum. Opositores chegaram a questionar o paradeiro de Peña. A Presidência informou que ele estava em Assunção, mas não revelou sua localização por segurança. Posteriormente, Peña anunciou que apresentaria defesa contra o impeachment, utilizando argumentos e provas. O presidente do Senado, Basilio Núñez, convocou uma sessão para dar continuidade ao processo.

Segundo a imprensa paraguaia, Peña teria até as 10h desta sexta-feira (6) para apresentar sua defesa. A aceitação da renúncia permitiria que ele assumisse uma vaga de senador vitalício, com imunidade parlamentar e direito de participar dos debates, sem votar. Caso o processo de impeachment avance, poderá enfrentar consequências políticas e judiciais. Na mesma quinta-feira, a Câmara rejeitou, por 48 votos a 30, um pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, que poderá assumir a Presidência caso Peña seja afastado. Eleito em 2023, com mandato até 2028, Peña representa o Partido Colorado, que governa o Paraguai há quase 70 anos, com exceção do período do ex-presidente Fernando Lugo, afastado por impeachment em 2012. Peña é o terceiro presidente paraguaio a deixar o cargo antes do fim do mandato. Em 1999, Raúl Cubas Grau também renunciou antes da conclusão de seu processo de impeachment. As denúncias contra o Ueno Bank provocaram a prisão de oito pessoas ligadas à instituição, protestos de clientes e o anúncio de fechamento do banco. Centenas de manifestantes foram às ruas de Assunção exigir a devolução de seus recursos e a responsabilização dos envolvidos. O Banco Central decretou a intervenção e suspendeu os serviços da instituição. Informou que garantirá depósitos de até US$ 38 mil por cliente, aproximadamente R$ 208 mil, com prazo de até 15 dias para o pagamento. A situação financeira do banco havia se deteriorado. Seu índice de solvência caiu para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório de 12%. Investigações identificaram falhas na avaliação de riscos, inconsistências financeiras e empréstimos concedidos a empresas ligadas aos acionistas. O Ueno pertence ao Grupo Vázquez, controlado pelo empresário Federico Miguel Vázquez, e administra mais de US$ 850 milhões em recursos públicos, inclusive da previdência social paraguaia. A crise também provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, nomeado por Peña. A oposição acusa o governo de favorecer o banco em decisões regulatórias e de concentrar recursos previdenciários na instituição. O escândalo ameaça a imagem do Paraguai como destino de investimentos estrangeiros. Apesar do crescimento econômico e da obtenção do grau de investimento, o país ainda enfrenta questionamentos sobre corrupção e influência política nos negócios e no Judiciário. 

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