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sábado, 7 de novembro de 2026

TRUMP SEM CONDIÇÕES PARA NOMEAR NOVOS MINISTROS


O presidente Donald Trump pretendia nomear mais um ou dois ministros para a Suprema Corte dos Estados Unidos em seu segundo mandato. No primeiro, indicou três, dois após as mortes de Antonin Scalia e Ruth Bader Ginsburg e outro depois de pressionar Anthony Kennedy a se aposentar. Para o novo mandato, esperava que Clarence Thomas, de 78 anos, e Samuel Alito, de 76, deixassem seus cargos, permitindo a nomeação de juízes mais jovens e a manutenção da maioria conservadora por décadas. Entretanto, a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, com a retomada do controle do Congresso pelos democratas, comprometeu seus planos. Trump dificilmente conseguirá aprovar novas indicações nos dois anos restantes de governo. O presidente já é considerado um lame duck, expressão usada para definir um governante politicamente enfraquecido e próximo do fim do mandato. Há também obstáculos à aposentadoria dos ministros. Thomas pretende permanecer na Corte até maio de 2028, para tentar bater o recorde de permanência. Alito declarou que não pretende deixar o cargo antes de junho de 2027. Mesmo que algum deles se aposente, Trump enfrentará resistência dentro do próprio Partido Republicano. Pelo menos seis senadores podem se opor a uma indicação, incluindo Bill Cassidy, Thom Tillis e John Cornyn, derrotados após conflitos com o presidente.

Também estão entre os possíveis dissidentes Susan Collins, John Curtis e Lisa Murkowski, que criticam Trump ou rejeitam processos acelerados de nomeação. Sem apoio suficiente no próprio partido, Trump precisará negociar com os democratas, que assumirão o controle do Senado em 3 de janeiro. Depois de anos atacando a oposição, terá de adotar uma postura mais conciliadora para tentar aprovar algum nome. Os democratas, porém, terão condições de bloquear indicações de juízes conservadores durante o restante do mandato presidencial. Com a nova composição, os republicanos contarão com 44 cadeiras, enquanto os democratas terão 54, segundo a projeção apresentada no texto. Assim, a oposição poderá barrar qualquer indicação sem precisar de votos republicanos. Um dos instrumentos será o controle da pauta do Senado. O futuro líder democrata Chuck Schumer poderá simplesmente impedir que a indicação seja levada à votação em plenário. Foi o que os republicanos fizeram em 2016, quando bloquearam a indicação de Merrick Garland, feita pelo então presidente Barack Obama. Outra possibilidade será o controle do Comitê Judiciário do Senado, responsável por analisar os candidatos à Suprema Corte. Seu presidente poderá adiar indefinidamente as audiências, recusá-las ou votar contra a indicação. Os republicanos também utilizaram esse mecanismo em 2016. Dessa forma, a derrota eleitoral reduziu drasticamente a capacidade de Trump de ampliar sua influência sobre a Suprema Corte e ameaça impedir que deixe como legado uma maioria conservadora ainda mais duradoura.

 

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