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domingo, 8 de novembro de 2026

ACABOU O PODER DE NETANYAHU

À esqueda, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, durante uma cerimônia em memória de Ran Gvili; à direita, o líder da oposição israelense e ex-chefe militar, Gadi Eisenkot
A era de Benjamin Netanyahu no poder de Israel pode estar chegando ao fim. O presidente Isaac Herzog indicou Gadi Eisenkot, principal rival político do premiê, para tentar formar um novo governo. A decisão ocorreu após as eleições legislativas de 27 de outubro, que terminaram sem maioria para nenhum dos blocos políticos. Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, recebeu o maior número de indicações partidárias, inclusive de legendas árabes, embora descarte uma aliança formal com elas. O partido Likud, de Netanyahu, conquistou 27 das 120 cadeiras do Parlamento, o Knesset. Com seus aliados religiosos e de extrema direita, o bloco governista chegou a 53 assentos, oito a menos que os 61 necessários para garantir maioria. Na oposição, os partidos liderados por Eisenkot, Naftali Bennett, Yair Lapid e Yair Golan conquistaram juntos 48 cadeiras. A formação de uma nova coalizão dependerá de negociações e possíveis acordos com os partidos árabes, que somaram 19 assentos. Uma alternativa seria estabelecer um governo sem maioria, negociando apoio externo das legendas árabes, sem incorporá-las formalmente à coalizão. Eisenkot terá 28 dias para formar o governo, prazo que poderá ser prorrogado por mais 14. Caso fracasse, Herzog poderá indicar outro candidato.

Aos 66 anos, Eisenkot, filho de imigrantes marroquinos, poderá ser o primeiro premiê israelense de origem mizrahi, comunidade judaica com raízes no Oriente Médio e no Norte da África. Reservado e avesso à exposição pública, ingressou na política apenas em 2022. Após os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, integrou brevemente o gabinete de guerra de Netanyahu, mas depois retornou à oposição. Durante a campanha, criticou a condução das guerras na região e afirmou que não voltaria a integrar um governo comandado por Netanyahu. A morte de um filho e dois sobrinhos em combates na Faixa de Gaza marcou profundamente sua trajetória. Na área de segurança, Eisenkot defendeu sua chamada doutrina Dahiyeh, baseada em respostas militares de força desproporcional, utilizada durante a guerra contra o Hezbollah, no Líbano, em 2006. Também condenou a violência de colonos israelenses contra palestinos, intensificada desde 2023, e criticou os aliados de extrema direita de Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, alvo de sanções internacionais por incitarem a violência contra palestinos. 

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