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domingo, 4 de outubro de 2026

VOTAÇÃO HOJE EM 5.571 MUNICÍPIOS E 186 CIDADES NO EXTERIOR


Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar neste domingo (4). 
Eles escolherão presidente, governadores, senadores e deputados. A eleição ocorre nos 26 estados e no Distrito Federal. Dos 12 candidatos à Presidência, Lula e Flávio Bolsonaro lideram. Pesquisa Datafolha aponta 45% para Lula e 42% para Flávio. A diferença de três pontos configura empate técnico. É a menor distância entre os líderes nas pesquisas desde 1989. Em 2022, Lula tinha 50% contra 36% de Jair Bolsonaro. Nas urnas, Lula terminou o primeiro turno com 48,4%. Bolsonaro obteve 43,2% dos votos válidos naquela eleição. Em 2018, Bolsonaro liderava com 40% contra 25% de Haddad. Na votação, Bolsonaro chegou a 46%, e Haddad ficou com 29%. Em 2002, Lula tinha 48% contra 21% de José Serra. Foi a maior diferença registrada na véspera de um primeiro turno. Em 1989 e 2006, a distância entre os líderes foi de 12 pontos. A campanha de 2026 também registra baixa mobilização eleitoral. Segundo pesquisa Datafolha, 47% percebem menor interesse da população.

Cientistas políticos avaliam que é a campanha menos mobilizada desde 1985. Outra característica inédita é a ausência de debate televisivo no primeiro turno. Nos últimos 20 anos, isso não havia ocorrido entre os líderes das pesquisas. O debate da TV Globo, previsto para quinta-feira, foi cancelado. Decisões do TSE e do STF alteraram convidados e a dinâmica do encontro. Nos estados, 169 candidatos disputam os governos estaduais. Para o Senado, há 281 candidatos com registro deferido pelo TSE. Cada eleitor deverá escolher dois candidatos ao Senado. A Câmara dos Deputados reúne 7.053 candidatos nesta eleição. As Assembleias Legislativas têm 10.439 candidatos nos 26 estados. No Distrito Federal, 412 disputam vagas de deputados distritais. A apuração começa após as 17h e será divulgada em tempo real. A votação ocorre em 5.571 municípios brasileiros e 186 cidades no exterior. 

MINISTRO DO TSE INDEFERE CANDIDATURA DE DELTAN DALLAGNOL


O ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques indeferiu ontem, 3, 
a candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado pelo Paraná. A decisão reverte entendimento anterior do TRE paranaense, que havia autorizado a candidatura por 4 votos a 3. O tribunal regional considerou que Deltan não pediu exoneração do Ministério Público para escapar de eventual inelegibilidade. Para Floriano, porém, o TSE já havia analisado o caso anteriormente. Na ocasião, a corte concluiu que houve fraude à Lei da Ficha Limpa. Deltan deixou o Ministério Público às vésperas de possíveis processos administrativos disciplinares que poderiam impedi-lo de disputar eleições. Segundo o ministro, não surgiu nenhum fato novo que justificasse uma nova análise da inelegibilidade pelo tribunal superior. A decisão é monocrática e ainda será examinada pelo plenário do TSE. Floriano acolheu recurso apresentado pelo PT e pelo PDT. Com isso, votos eventualmente dados a Deltan neste domingo serão nulos. O ministro também rejeitou pedido para manter seus suplentes na disputa. Ele considerou a chapa indivisível, impedindo a participação dos demais. O advogado do PT afirmou que a decisão confirma a inelegibilidade de Deltan. Na sexta-feira, porém, o Ministério Público Eleitoral havia defendido a aprovação do registro da candidatura do ex-procurador. O vice-procurador-geral eleitoral entendeu que a inelegibilidade de 2022 não teria efeito automático sobre a eleição de 2026.

Deltan foi o deputado federal mais votado do Paraná em 2022. Seu registro, entretanto, foi posteriormente cassado pelo TSE em 2023. Naquele julgamento, a corte concluiu que ele estava inelegível porque deixou o Ministério Público Federal no fim de 2021. A exoneração ocorreu antes de possíveis processos administrativos. Pela Lei da Ficha Limpa, a situação gera inelegibilidade por oito anos. Assim, conforme o entendimento do TSE, Deltan só poderia disputar eleições em 2029. Mesmo assim, ele registrou novamente sua candidatura neste ano.
O tribunal também considerou procedimentos existentes no CNMP contra ele. Embora não houvesse processo administrativo aberto, eles poderiam resultar em investigação. Para o TSE, a exoneração buscou contornar as regras da Lei da Ficha Limpa. 

ESTUDANTES FRANCESES NAS RUAS EM PROTESTO POR CONDIÇÕES DE ENSINO


Estudantes franceses foram às ruas em protesto por melhores condições de ensino. 
As manifestações começaram na semana passada e se espalharam por outras regiões. Segundo autoridades, 564 escolas foram afetadas pelo movimento. Em Paris e Estrasburgo, os protestos tiveram episódios de violência. Um policial foi brutalmente agredido em Belfort, no nordeste do país. Os jovens reclamam da carga horária excessiva e da falta de professores. Também criticam a ausência de substitutos e os baixos salários dos docentes. O estudante Simon, de 15 anos, relatou jornadas escolares das 8h às 18h. Ele afirmou ainda dedicar cerca de duas horas diárias aos estudos em casa. O cientista político Jean-Yves Camus atribui os protestos à falta de recursos. Segundo ele, a escassez de verbas provoca salas de aula superlotadas. Camus também apontou a falta de professores como causa das manifestações. Parte dos manifestantes, porém, inclui pautas políticas, como o apoio a Gaza. O partido de extrema esquerda LFI é acusado de incentivar a mobilização. Com a eleição presidencial próxima, a tensão política tende a aumentar. O governo reconhece a legitimidade dos protestos, mas condena os atos violentos. 

O ministro da Educação tentou negociar com sindicatos e associações estudantis. As conversas, entretanto, não produziram um acordo entre as partes. Os estudantes convocaram uma nova jornada nacional de protestos. Mais de 300 policiais e gendarmes ficaram feridos desde o início do movimento. Também foram feridos funcionários da Educação e cerca de 170 estudantes. Mais de 5 mil pessoas foram detidas desde segunda-feira, segundo o governo. Em Marselha, escolas adotaram aulas remotas após interrupções nos transportes. O governo pretende responsabilizar pais por danos provocados pelos filhos. Na Espanha, protestos também pressionaram o governo por soluções habitacionais. O Parlamento rejeitou dois decretos apresentados pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. As propostas buscavam proteger inquilinos vulneráveis e limitar despejos. A derrota representou um duro revés para o governo de esquerda espanhol. A oposição aproveitou a votação para cobrar eleições legislativas antecipadas. Sánchez, porém, não indicou intenção de antecipar o pleito previsto para 2027.

 

CRISE DE HABITAÇÃO NA ESPANHA

Manifestantes nas ruas de Madri
Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Madri e outras cidades espanholas neste ontem, 3, exigindo medidas mais efetivas para enfrentar a crescente crise de habitação. Os protestos ocorreram após a oposição derrubar dois decretos apresentados pelo governo de Pedro Sánchez. A crise ganhou força depois do despejo de uma mulher de 87 anos em Madri. O caso tornou-se símbolo das dificuldades enfrentadas por inquilinos no país. Em Madri, o governo estimou em cerca de 70 mil o número de participantes. Protestos previstos em Barcelona e L'Hospitalet foram cancelados devido às fortes chuvas. Manifestantes exibiram cartazes defendendo a convocação de uma greve geral. As medidas de Sánchez incluíam proteção a inquilinos considerados vulneráveis. A proposta previa impedir despejos dessas pessoas até 2030. Também estabelecia a extensão do congelamento dos aluguéis por dois anos. As regras valeriam para contratos que já estão em vigor. O pacote ainda previa regras mais rígidas para os aluguéis de curta duração. A oposição argumentou que as medidas não resolveriam a crise habitacional e afirmou que elas poderiam restringir o funcionamento do mercado imobiliário. A derrota dos decretos aumentou a pressão política sobre o primeiro-ministro.

A imprensa espanhola informou que Sánchez avalia convocar eleições antecipadas. O premiê estaria observando a dimensão dos protestos antes de decidir. O gabinete do primeiro-ministro se recusou a comentar a possibilidade. Em Valência, manifestantes entraram em confronto com a polícia. As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersá-los. Cerca de 30 manifestantes chegaram a entrar na Cidade das Artes e das Ciências. Eles foram posteriormente retirados pela polícia do complexo cultural. Em outras 50 cidades espanholas, manifestações ocorreram sem registros de confrontos. O movimento reúne organizações de inquilinos e grupos contrários aos custos elevados da moradia. Valeria Racu, do Sindicato dos Inquilinos, defendeu novas mobilizações. Segundo ela, uma greve geral poderá ser convocada após negociações com sindicatos. A crise habitacional amplia a pressão social e política sobre o governo Sánchez. 

CIDADANIA NA ARGENTINA PODERÁ SER VENDIDA


A Argentina lançará até o fim de 2026 um programa de cidadania por investimento, to
rnando mais uma tentativa do governo Javier Milei de atrair recursos. O objetivo é obter dólares para ajudar a enfrentar a elevada dívida do país. Os candidatos poderão doar US$ 350 mil ao Tesouro argentino, sem reembolso. Outra opção será comprar um título público de cupom zero de US$ 800 mil. O Ministério da Economia informou que o programa funcionará no quarto trimestre. O anúncio foi feito pelo ministro do Interior, Diego Santilli, em Paris. A medida coloca a Argentina entre os países que oferecem os chamados passaportes dourados. Esse tipo de programa permite obter cidadania mediante investimentos ou pagamentos. Defensores da transparência apontam riscos de corrupção e problemas de segurança. A União Europeia já considerou ilegal o programa de cidadania de Malta. A Argentina busca novas fontes de financiamento após a reestruturação da dívida de 2020. O país continua sem acesso regular aos mercados internacionais de capitais. Entre agora e o fim de 2027, terá US$ 29 bilhões em dívidas a vencer. Um consórcio de consultorias estima que o programa possa arrecadar US$ 2,5 bilhões. O valor seria obtido ao longo dos próximos cinco anos, segundo a estimativa. A Argentina possui cerca de 46 milhões de habitantes e integra o G20. Seu passaporte permite entrada sem visto em mais de 160 países. Consultores afirmam que essa característica tornaria o programa mais atrativo. O governo promete uma avaliação rigorosa dos interessados na cidadania.

A análise deverá considerar segurança nacional e integridade do sistema financeiro e será avaliado o impacto sobre a imagem internacional da cidadania argentina. O programa, porém, não foi submetido ao debate do Congresso argentino, daí porque, a iniciativa poderá enfrentar críticas da oposição política. A controvérsia ocorre antes das eleições presidenciais previstas para 2027. Consultores reconhecem que programas desse tipo costumam virar tema eleitoral. O governo espera apresentar resultados financeiros para defender a iniciativa. A medida reforça a busca de Milei por alternativas para captar dólares e reduzir a dívida. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, /10/2026

CORREIO BAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Lula vence na Coreia do Sul, Nova Zelândia e Austrália

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Apuração oficial do TSE no exterior segue calendário nacional e só será divulgada após as 17h em Brasília

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com incerteza até o fim, campanha chega ao dia do voto com indecisão em alta e polarização em níveis inéditos

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Mais uma vez, preferência está concentrada entre o lulismo e o bolsonarismo

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Disputa nos estados indica eleição de políticos experientes e avanço da direita

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PL lidera ofensiva conservadora; esquerda atua para manter estados do Nordeste Pleito pode acabar no primeiro turno em até 16 estados e no Distrito Federal

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Mais de 11 milhões de eleitores vão às urnas na Bahia neste domingo 4

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Votação ocorrerá das 8h às 17h

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

RS tem 194 vagas abertas em concursos públicos

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Candidatos devem ficar atentos aos prazos de inscrição

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Jesus diz que Ronaldo "é um símbolo de Portugal" e que "o problema neste momento chama-se Noruega"

Bruno Fernandes apelou aos portugueses para não se dividirem nem fazerem escolhas relativamente à desavença entre o capitão da seleção nacional e o selecionador.

sábado, 3 de outubro de 2026

RADAR JUDICIAL


PRESIDENTE MANDA APURAR FATOS LIGADOS AO MASTER

O presidente do STF, Edson Fachin, cobrou da Polícia Federal a apuração integral de fatos ligados ao Banco Master. A investigação deve incluir eventuais informações envolvendo integrantes da Suprema Corte. Em ofício enviado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Fachin pediu que nada seja omitido. Segundo o ministro, documentos, dados e indícios devem ser apresentados sem exceção de pessoa. O STF tem interesse institucional no esclarecimento de possíveis envolvimentos de integrantes do Tribunal. Fachin afirmou que adotará as medidas cabíveis após receber formalmente as informações das autoridades. O presidente da Corte defendeu a independência da Polícia Federal e do Ministério Público. Também destacou a necessidade de rigor nas investigações, respeitando as competências constitucionais. Eventuais ilícitos, segundo Fachin, devem ser apurados com seriedade e transparência. O objetivo é preservar a confiança da sociedade nas instituições e na ordem constitucional. Fachin não informou quais ministros poderiam estar relacionados aos elementos investigados. Ele também não atribuiu a integrantes do STF qualquer prática irregular no caso. 


R
EGISTRO DE ANTHONY GAROTINHO É INDEFEIDO 

O ministro Floriano de Azevedo, do TSE, revogou liminar que permitia Anthony Garotinho disputar o governo do Rio. Com a decisão, os votos que ele receber neste domingo (4) serão considerados nulos. Garotinho recorre ao TSE após o TRE-RJ indeferir seu registro de candidatura. O recurso ainda será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Mesmo com o indeferimento, o nome de Garotinho continuará aparecendo na urna eletrônica. Isso ocorre porque a decisão foi tomada após o fechamento do sistema das urnas. Na apuração, os votos destinados ao candidato serão registrados como anulados sub judice. Floriano havia concedido anteriormente liminar garantindo sua permanência na disputa. Ao rever a decisão, o ministro retirou as garantias concedidas enquanto o recurso é julgado. Segundo ele, a medida busca evitar incertezas para os eleitores e instabilidade eleitoral. A candidatura foi barrada pelo TRE-RJ em setembro, por causa de condenação de 2018. A defesa tenta reverter a inelegibilidade no TSE, que ainda julgará o mérito do recurso.


EUA AUMENTAM A TENSÃO COM ELEIÇÕES

A Embaixada e os Consulados dos Estados Unidos no Brasil suspenderão os serviços consulares. A medida entrou em vigor nesta sexta-feira, 2 de outubro. Segundo as autoridades americanas, a interrupção ocorre por preocupações com a segurança. A suspensão afeta o atendimento consular realizado nas representações diplomáticas. Cidadãos americanos que precisarem de assistência emergencial receberam orientações específicas. A recomendação é não procurar presencialmente a Embaixada ou os Consulados durante o período. Também foi orientado que não se dirijam a outras instalações diplomáticas dos Estados Unidos. Em situações emergenciais, os cidadãos devem buscar o oficial de plantão responsável pela região.
A orientação vale enquanto os serviços consulares permanecerem suspensos. A medida ocorre em meio a alertas recentes sobre segurança no Brasil. Os Estados Unidos já haviam emitido recomendações relacionadas a possíveis riscos no país. Ainda não foi informado quando o atendimento consular será normalizado.


SUSPENSÃO DOS SERVIÇOS CONSULA
RES ORIGINOU-SE DO SECRETÁRIO

A campanha de Lula pediu ao TSE que inclua a suspensão dos serviços consulares dos EUA em investigação sobre suposta interferência externa nas eleições brasileiras. Os advogados afirmam que a decisão teria partido do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo a petição, a medida ocorreu durante o período eleitoral e poderia gerar instabilidade no pleito. A equipe de Lula aponta suposto alinhamento entre Rubio e propostas de Flávio Bolsonaro, adversário do presidente. O pedido cita reportagem sobre planos de Flávio para reformar o Itamaraty com base no modelo do governo Donald Trump. Também menciona carta de senadores democratas americanos alertando para riscos de interferência de Trump na eleição brasileira. Os advogados de Lula acusam o governo americano de interferência e citam Flávio e Eduardo Bolsonaro. Os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares no Brasil nesta sexta-feira, alegando questões de segurança. Ainda não há previsão para a retomada dos atendimentos presenciais. A Polícia Federal realizou operação para investigar possíveis ameaças contra representações diplomáticas americanas. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e na região do Distrito Federal. A PF informou que, até o momento, não encontrou elementos que confirmassem os riscos apontados.


MPE A FAVOR DA CANDIDATURA DE DELTAN DALLAGNOL

O Ministério Público Eleitoral opinou pela aprovação da candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná. O parecer foi encaminhado ao TSE, que analisa recursos de PT e PDT contra o registro. O vice-procurador-geral eleitoral afirmou que a inelegibilidade de 2022 não vale automaticamente para 2026. Segundo ele, as condições de elegibilidade devem ser analisadas em cada eleição. Em setembro, o TRE-PR aprovou a candidatura de Deltan por 4 votos a 3. PT e PDT recorreram ao TSE, alegando que ele estaria inelegível até 2029. Em 2023, Deltan perdeu o mandato de deputado após decisão do TSE sobre sua exoneração do MPF. O tribunal entendeu que a saída do Ministério Público ocorreu para evitar possível processo disciplinar. A Lei da Ficha Limpa prevê oito anos de inelegibilidade nesse tipo de situação. Para o Ministério Público Eleitoral, porém, os procedimentos contra Deltan foram arquivados ou não tinham caráter punitivo. O advogado do PT disse que o parecer era esperado e não vincula a decisão do TSE. Enquanto aguarda o julgamento, Deltan está impedido de usar recursos públicos e participar de propaganda e debates.

Salvador, 3 de outubro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

FLÁVIO BOLSONARO ATUOU NA CÂMARA COM PROPOSTAS CONSERVADORAS


Flávio Bolsonaro agrada à Faria Lima pela expectativa de um ajuste fiscal rigoroso e duradouro, m
as, até agora, suas declarações e ações não sustentam essa expectativa. No Senado, Flávio teve pouca participação nos grandes debates econômicos e sua atuação ficou mais associada às pautas conservadoras de costumes e segurança pública. Como candidato à Presidência, apresenta propostas econômicas ainda pouco detalhadas. Parte das ideias de sua equipe repete soluções antigas, como o Orçamento de base zero. Essas medidas não demonstram como seria alcançado o prometido corte de R$ 300 bilhões. Flávio também contradisse algumas propostas inicialmente atribuídas a seus auxiliares, negando mudanças na política de valorização real do salário mínimo, além de ter rejeitado desvincular o salário mínimo dos benefícios previdenciários. O candidato afirmou que não pretende reduzir gastos às custas de aposentados e pobres. Entre suas promessas estão cortes de cargos comissionados e redução da burocracia, além de defende o combate a desperdícios e a manutenção dos gastos sociais. Ao mesmo tempo, fala em diminuir a carga tributária. Segundo o texto, essas promessas atraem eleitores, mas deixam dúvidas sobre sua execução.

A avaliação apresentada é que a conta das propostas não fecha sem medidas adicionais. Por isso, setores do mercado apostam mais nas declarações reservadas de sua equipe. O histórico do governo Jair Bolsonaro também é usado como referência para essa avaliação. Jair Bolsonaro teria dificultado medidas de ajuste fiscal durante seu governo e não se empenhou na reforma da Previdência. Seu governo defendeu privilégios para militares e ampliou benefícios concedidos pelo Congresso. O texto cita ainda o calote dos precatórios e o chamado Orçamento secreto. A agenda ambiental do governo também teria afastado investidores estrangeiros. Nesse contexto, o debate eleitoral seria uma oportunidade para testar Flávio. A desistência do candidato impediu esse confronto direto sobre suas propostas econômicas. O mercado afirma buscar mudança diante do que já conhece do governo Lula. Porém, Flávio ainda não explicou claramente como conduziria uma política diferente. Assim, permanece sem resposta como ele pretende conciliar cortes, benefícios sociais e redução de impostos. 

PGR DE PORTUGAL INVESTIGA USO DOS EUA DE BASE AÉREA


A Procuradoria-Geral da República de Portugal abriu investigação sobre a legalidade da autorização dada aos Estados Unidos para usar a base aérea das Lajes, nos Açores. 
A medida ocorreu durante o conflito entre os EUA e o Irã e foi motivada por denúncia do Bloco de Esquerda. O partido de oposição questiona a decisão do governo de centro-direita do primeiro-ministro Luís Montenegro. Um acordo firmado com os EUA permite o uso da base sem autorização prévia em períodos de paz. Porém, em situações de guerra, o tratado exige autorização do governo português. Portugal autorizou vários voos americanos pela base durante o conflito, ao contrário da vizinha Espanha. A decisão provocou críticas de partidos de esquerda e abriu um debate político no país. O questionamento envolve o possível papel de Portugal em operações relacionadas ao conflito no Oriente Médio. A PGR confirmou a abertura do inquérito após a denúncia apresentada por parlamentares. O órgão, porém, não divulgou detalhes sobre as medidas adotadas na investigação. O Ministério das Relações Exteriores de Portugal também não quis comentar o caso. Em abril, o Bloco de Esquerda já havia solicitado investigação sobre o uso da instalação militar. Segundo o partido, a utilização da base representaria uma flagrante violação do direito internacional. O governo português rejeitou a acusação e defendeu a legalidade da autorização concedida. O chanceler Paulo Rangel afirmou que Portugal não estava diretamente envolvido no conflito. Segundo ele, o uso da base respeitou as normas internacionais e as condições previstas no acordo. Rangel disse que Washington garantiu que as operações seriam defensivas, necessárias e proporcionais. Também afirmou que as ações estariam limitadas a alvos militares.

A investigação ocorre porque os promotores portugueses seguem o princípio da legalidade. Esse princípio determina a apuração de possíveis irregularidades quando existem indícios suficientes. Em outros países, o Ministério Público possui maior autonomia para decidir sobre o prosseguimento de casos. A base aérea das Lajes está localizada no arquipélago dos Açores, no Atlântico. O local possui importância estratégica para o trânsito das forças militares americanas. Sua utilização é regulamentada por um tratado bilateral de defesa firmado em 1951. A instalação abriga a 65ª Ala de Base Aérea da Força Aérea dos Estados Unidos. Além das forças americanas, a base apoia operações da Otan e de países aliados. A investigação poderá ampliar o debate sobre os limites da cooperação militar entre Portugal e os EUA. Também deverá avaliar se a autorização concedida pelo governo português respeitou as normas nacionais e internacionais. 

TRÊS FILHOS, UM IRMÃO, ATUAL MULHER, EX-MULHER E DOIS CUNHADOS DE BOLSONARO SÃO CANDIDATOS


Preso por tentativa de golpe de Estado e inelegível, Jair Bolsonaro busca ampliar o controle familiar sobre seu espólio eleitoral. 
Neste domingo (4), três filhos, um irmão, a atual mulher, uma ex-mulher e dois cunhados disputam cargos. O principal escolhido por Bolsonaro é o filho mais velho, Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. A estratégia pretende transformá-lo no principal herdeiro político do bolsonarismo. A escolha frustrou expectativas de aliados que apostavam no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Michelle Bolsonaro, atual mulher do ex-presidente, também disputa uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal. Em sua estreia eleitoral, ela lidera as pesquisas de intenção de voto no Distrito Federal. Michelle é considerada uma das apostas para a continuidade política do bolsonarismo.
Ela confirmou a candidatura após semanas de indecisão e afirmou ter compartilhado a decisão com o marido. Michelle também indicou o irmão Diego Torres como primeiro suplente e apoia outro irmão. Eduardo Torres disputa novamente uma vaga de deputado distrital no Distrito Federal. Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, concorre a deputado federal por São Paulo. Ele utiliza o número 2222, considerado um dos mais disputados dentro do PL. Renato venceu apenas uma das oito eleições das quais participou, em 1996. Carlos Bolsonaro deixou o Rio de Janeiro e disputa uma vaga ao Senado por Santa Catarina. O vereador carioca por sete mandatos busca aproveitar a força política do pai no estado. Sua candidatura ocorre em meio à tentativa da oposição de conquistar maioria no Senado.

O objetivo declarado da oposição é facilitar processos de impeachment de ministros do STF.
Jair Renan, outro filho de Bolsonaro, também disputa uma vaga na Câmara dos Deputados por Santa Catarina. Ele foi eleito vereador de Balneário Camboriú em 2024 e está na metade do mandato. Suas ausências na Câmara municipal foram questionadas durante o período eleitoral.
Jair Renan afirmou que precisa faltar para visitar e apoiar o pai, que chamou de perseguido político. Dos cinco filhos, apenas Laura, de 15 anos, e Eduardo Bolsonaro estão fora da disputa. Eduardo está nos Estados Unidos e desistiu de concorrer como suplente ao Senado por São Paulo. Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, também concorre a deputada federal pelo Rio. Sua tentativa de ocupar uma suplência no Senado foi frustrada após a desistência de Márcio Canella. Canella desistiu da candidatura depois de ser preso em flagrante durante uma operação da Polícia Federal. 

IMAGEM DOS EUA PIOROU COM TRUMP


Nos 20 meses desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, a direita venceu sete eleições presidenciais na América Latina. 
Muitos candidatos adotaram discursos semelhantes aos do presidente americano, criticando a imprensa e o chamado “marxismo cultural”. Apesar disso, a imagem dos Estados Unidos piorou na região desde 2024. Segundo pesquisa do Latinobarómetro, a opinião favorável aos EUA caiu de 73% para 63%. Pela primeira vez, a influência da China é vista de forma mais positiva que a americana. Enquanto 65% consideram positiva a influência chinesa, 57% têm a mesma opinião sobre os EUA. A postura agressiva de Trump em relação à América Latina contribuiu para essa mudança de percepção. Embora 69% aprovem a captura de Nicolás Maduro, apenas 35% acreditam que a intervenção americana beneficiará a Venezuela. Quase dois terços desaprovam a forma como Trump conduz as relações internacionais. Ao mesmo tempo, Nayib Bukele continua sendo a figura política mais admirada na região. O presidente de El Salvador ganhou popularidade ao reduzir fortemente os homicídios por meio de políticas de segurança rigorosas. Seu modelo, porém, também é associado ao enfraquecimento de instituições democráticas. Mesmo assim, muitos latino-americanos defendem medidas semelhantes para combater a criminalidade. Apesar da popularidade de Bukele, metade dos entrevistados ainda acredita na democracia. O apoio à democracia se estabilizou depois da queda registrada em meados da década de 2010.

A insatisfação com o funcionamento das instituições, entretanto, continua elevada. Apenas 22% dizem sentir-se representados pelos parlamentos de seus países. Por outro lado, 55% afirmam que a democracia não funciona sem partidos políticos. A situação econômica também é motivo de preocupação entre os latino-americanos. Somente 15% consideram boa a situação econômica de seus países. A insatisfação ajudou a provocar derrotas eleitorais de diversos governos, principalmente os de esquerda. Mesmo assim, a população continua acreditando que eleições podem promover mudanças. A economia é a principal preocupação regional, mas a segurança lidera em sete países. A nova direita também se beneficia do conservadorismo social existente em grande parte da região. Dois terços são contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à legalização do aborto. Argentina, Chile e Uruguai apresentam posições mais favoráveis a essas questões. A pesquisa mostra ainda baixa expectativa em relação à atuação do Estado. Setenta e três por cento dizem que o Estado fez pouco ou nada por eles nos últimos três anos. As redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação política, superando televisão, rádio e jornais. Apesar dos problemas, 52% acreditam que sua situação pessoal melhorará no próximo ano. 

IGREJA EVANGÉLICA APÓIA CAIADO


O Ministério Madureira, uma das maiores denominações evangélicas do país, mantém uma relação histórica com a política brasileira. 
Em 2022, o bispo Samuel Ferreira prometeu apoio a Arthur Lira durante evento da Conamad, em Goiânia. Na ocasião, Lira era presidente da Câmara e Ciro Nogueira ocupava a Casa Civil do governo Bolsonaro. O episódio voltou a circular nas redes durante a atual eleição, mostrando a influência política da igreja. Pesquisadores descrevem a atuação do Ministério Madureira como pragmática, semelhante ao comportamento do Centrão. A denominação já apoiou candidatos de diferentes campos políticos ao longo das últimas décadas. Em 2006, o bispo Manoel Ferreira pediu votos para Lula e também foi eleito deputado federal pelo PTB. Em 2018, a igreja acompanhou a mudança de parte dos evangélicos em direção ao bolsonarismo. Em 2022, o Ministério Madureira voltou a apoiar Jair Bolsonaro em sua tentativa de reeleição. Na eleição atual, porém, a cúpula da denominação resistiu às tentativas de aproximação de Flávio Bolsonaro. Samuel Ferreira chegou a visitar Lula durante a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Posteriormente, o colegiado de bispos decidiu apoiar Ronaldo Caiado no primeiro turno presidencial. Caiado tinha ligação antiga com lideranças do Ministério Madureira e já havia recebido apoio da igreja. A Assembleia de Deus é uma denominação pentecostal com mais de um século de história no Brasil. Segundo o Censo de 2010, reunia cerca de 12,3 milhões de fiéis no país. Por possuir estrutura descentralizada, a denominação se dividiu em diferentes ministérios e convenções. O Ministério Madureira surgiu em 1929, com Paulo Leivas Macalão, no bairro carioca de Madureira.

Em 1958, criou sua própria convenção, a Conamad, consolidando sua autonomia institucional.
A relação entre as Assembleias de Deus e a política ganhou força especialmente a partir dos anos 1980. Em 1985, uma convenção discutiu a necessidade de maior participação política dos assembleianos. Na eleição seguinte, 18 candidatos ligados ao movimento disputaram vagas para deputado federal. Treze deles foram eleitos, contribuindo para a formação da futura bancada evangélica no Congresso. O Ministério Madureira também possui uma longa trajetória de articulação com autoridades políticas. Manoel Ferreira ganhou influência dentro da igreja por sua capacidade de negociar conflitos e alianças. Com sua ascensão, o centro de poder do Ministério Madureira foi deslocado do Rio para São Paulo. Hoje, Samuel Ferreira lidera a denominação e preside a principal igreja do ministério no bairro do Brás. O Ministério possui uma base importante em Goiás, Estado para onde se expandiu ainda na década de 1930.
Segundo Otoni de Paula, a escolha de Caiado esteve relacionada à proximidade histórica e à sua atuação como gestor. A candidatura de Caiado, contudo, não alcançou o desempenho esperado nas pesquisas eleitorais. Para o segundo turno, os bispos ainda não haviam definido oficialmente qual seria a posição da convenção.