CONDENADOS Á MORTE DOIS EX-MINISTROS
Um tribunal militar da China condenou à morte com suspensão de dois anos os ex-ministros da Defesa Wei Fenghe e Li Shangfu por corrupção, informou a agência estatal Xinhua ontem, 7. Na legislação chinesa, a pena pode ser convertida em prisão perpétua caso os condenados não cometam novos crimes graves no período de suspensão. As sentenças são consideradas as mais duras aplicadas a militares desde o início da campanha anticorrupção lançada por Xi Jinping em 2012. Wei, de 72 anos, e Li, de 68, comandaram o Ministério da Defesa entre 2018 e 2023 e integraram a Comissão Militar Central, órgão máximo das Forças Armadas chinesas.
Segundo a Xinhua, Wei foi condenado por aceitar subornos, enquanto Li respondeu por corrupção ativa e passiva. Os dois também perderam os direitos civis e tiveram todos os bens confiscados. Após a conversão da pena, eles permanecerão presos pelo resto da vida, sem liberdade condicional. A ofensiva anticorrupção de Xi atingiu especialmente a Força de Foguetes, responsável pelo arsenal nuclear chinês. Neste ano, o general Zhang Youxia, aliado histórico de Xi, também foi afastado sob acusação de vazar informações nucleares aos Estados Unidos.
Um júri dos Estados Unidos determinou na quarta-feira, 6, pagamento de US$ 24,35 milhões (cerca de R$ 120 milhões) a Jeffrey Clark por erro judicial. Ele passou quase 23 anos preso por um suposto “assassinato satânico” ocorrido em Louisville, Kentucky. Após a decisão, Clark afirmou sentir que finalmente está “acordando de um pesadelo”. O caso ganhou repercussão nacional em 1992, após a morte de Rhonda Sue Warford, encontrada esfaqueada em uma área isolada. Jeffrey e o amigo Keith Hardin, ambos com 21 anos na época, foram acusados do crime. Promotores sustentaram que o assassinato fazia parte de rituais satânicos. Testemunhas alegaram que Jeffrey frequentava ambientes ligados ao ocultismo, acusações desacreditadas posteriormente. A investigação também usou um fio de cabelo como prova contra Keith. Anos depois, exames modernos de DNA mostraram que a análise estava errada. A defesa apontou ainda manipulação de provas, incluindo alteração da data estimada da morte da vítima. As condenações dos dois foram anuladas em 2016, e Jeffrey deixou a prisão na meia-idade. Desde então, ele processava autoridades locais por má conduta policial e falhas na investigação. Keith Hardin morreu em 2023 e não viu o desfecho final do caso.
O Pentágono divulgou nesta sexta-feira (8) arquivos inéditos sobre óvnis, chamados oficialmente de Fanis (fenômenos anômalos não identificados). O governo dos EUA afirmou que a medida demonstra transparência inédita sobre o tema. Os documentos estão disponíveis no site war.gov/ufo e novas divulgações serão feitas continuamente. Os primeiros arquivos incluem imagens pouco nítidas de objetos não identificados. Há cerca de 170 registros, incluindo relatórios sobre “discos voadores” de 1947. Também foram divulgados materiais ligados às missões Apollo 12 e Apollo 17, da Nasa. Na Apollo 17, em 1972, astronautas relataram objetos brilhantes vistos da Lua. O tema ganhou força após o New York Times revelar, em 2017, um programa secreto do Pentágono sobre óvnis. Congressistas passaram então a pressionar por desclassificação de documentos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que os arquivos alimentaram especulações por décadas. Já o presidente Donald Trump afirmou que “as pessoas podem decidir por si mesmas o que está acontecendo”. A divulgação reacende o debate sobre sigilo governamental e possível vida extraterrestre.
EUA ENFRAQUECIDO MILITARMENTE
A guerra no Irã passou a levantar dúvidas, entre analistas chineses, sobre a capacidade dos EUA de defender Taiwan em um eventual conflito com a China. Desde fevereiro, Washington consumiu grande parte de seus mísseis de longo alcance e disparou cerca de dez vezes mais Tomahawks do que compra anualmente. Especialistas chineses afirmam que o conflito revelou dificuldades dos EUA em repor rapidamente seu arsenal militar. Para setores nacionalistas da China, o impasse contra o Irã mostra fragilidade da hegemonia militar americana. A avaliação pode enfraquecer a posição de Donald Trump na próxima cúpula com Xi Jinping. Pequim busca reduzir o apoio militar americano a Taiwan e estabilizar as relações comerciais. Autoridades chinesas sugerem que os EUA estão chegando ao limite de sua presença militar global. Mesmo assim, Washington nega perda de capacidade no Pacífico e afirma manter a dissuasão contra a China. Analistas lembram que o Exército chinês também enfrenta problemas, como falta de experiência em combate e expurgos internos. Apesar das tensões, especialistas consideram improvável uma invasão imediata de Taiwan. A China, porém, pode ampliar ações de “zona cinzenta” no Mar do Sul da China para aumentar sua influência regional.
ÁRABIA SAUDITA NEGOU ESPAÇO AÉREA PARA EUA
O anúncio de Donald Trump de escoltar navios no estreito de Hormuz provocou reação imediata da Arábia Saudita. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman negou aos EUA acesso ao espaço aéreo e às bases sauditas, inviabilizando a operação.Segundo autoridades americanas, a decisão surpreendeu Washington e levou Trump a suspender a missão menos de 24 horas após iniciá-la. Após conversas entre Trump e MbS, os sauditas retiraram parte das restrições, mas ainda evitam apoiar diretamente o “Projeto Liberdade”. Trump alegou que a pausa ocorreu por avanços rumo a um acordo de paz com o Irã, embora não haja sinais concretos disso. O episódio revelou desgaste entre Washington e Riad e expôs críticas sauditas à condução imprevisível de Trump no conflito. Riad teme que ações militares ampliem a escalada com Teerã. O príncipe herdeiro, antes defensor de uma linha dura contra o Irã, agora prioriza estabilidade regional e negociações diplomáticas. Enquanto isso, Irã e EUA discutem uma possível trégua de 30 dias e a reabertura de Hormuz, vital para o comércio mundial de petróleo.
Salvador, 8 de maio de 2026.
Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.