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sábado, 15 de agosto de 2026

PORTA-AVIÕES EM ALTO-MAR HÁ OITO MESES


Senadores democratas dos Estados Unidos demonstraram preocupação com o prolongado período de permanência do porta-aviões USS Abraham Lincoln no mar. 
O navio está há mais de oito meses e meio em alto-mar, apoiando operações americanas no Oriente Médio contra o Irã. Segundo o senador Richard Blumenthal, a tripulação enfrenta problemas como falta de suprimentos, contaminação da água e dificuldades de encanamento. Também foram relatados problemas de saúde mental, preocupações com a segurança e interrupções no sistema postal. O USS Abraham Lincoln possui cerca de 5.000 marinheiros e é baseado em San Diego. O senador Ruben Gallego pediu uma visita de legisladores ao porta-aviões para verificar as condições dos militares. A Marinha americana prepara o envio do USS George Washington para substituir o Lincoln no Oriente Médio. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, contestou os relatos de más condições e elogiou o trabalho dos marinheiros. Outro porta-aviões, o USS George H.W. Bush, também está mobilizado na região desde março. O USS Gerald R. Ford permaneceu 326 dias em missão antes de retornar aos Estados Unidos em maio. Foi o mais longo período de operação de um porta-aviões americano desde a Guerra do Vietnã. Durante sua missão, o Ford enfrentou incêndio, falta de alimentos e correspondências e problemas mecânicos. Especialistas alertam que missões prolongadas aumentam o desgaste das tripulações e dos equipamentos. A falta de peças de reposição pode provocar falhas e reduzir a capacidade operacional dos navios. 

O longo tempo longe de casa também prejudica o moral dos militares. Além disso, missões prolongadas comprometem cronogramas de manutenção planejados com anos de antecedência. O vice-almirante aposentado Mike Franken afirmou que a prontidão da Marinha pode ser afetada por vários anos. O próprio USS Abraham Lincoln participou de operações contra o Irã durante a guerra. Segundo Hegseth, o navio foi alvo de centenas de mísseis e drones iranianos. As ameaças teriam sido interceptadas antes de atingir o porta-aviões. O Lincoln também participou do bloqueio americano aos portos iranianos. O primeiro bloqueio ocorreu entre abril e junho e foi retomado em julho. Durante a primeira fase, os EUA afirmaram ter desativado nove embarcações e redirecionado outras 135.
Na segunda fase, até 9 de agosto, 55 embarcações comerciais haviam sido redirecionadas. Duas foram desativadas e outras duas abordadas pelas forças americanas. A movimentação de navios de guerra ocorre em meio ao aumento das operações militares dos EUA no Oriente Médio. Para especialistas, a utilização contínua dos porta-aviões pode limitar sua disponibilidade futura. O prolongamento das missões exige maior esforço de manutenção e recuperação da frota. A situação evidencia os custos humanos e materiais de manter grandes navios de guerra em operações prolongadas. 

A CARNIFICINA DE ISRAEL NO LÍBANO


Ao menos nove pessoas morreram após ataques de Israel no sul do Líbano ontem, 15, segundo a agência estatal libanesa NNA. Sete pessoas morreram quando aviões israelenses atingiram uma casa no vilarejo de Ansar, enquanto outras duas morreram em um bombardeio em Deir El Zahrani. Onze pessoas ficaram feridas nos ataques, considerados entre os mais letais das últimas semanas. Segundo a mídia local, entre os mortos em Ansar estão três crianças e duas mulheres. Os bombardeios ocorreram após Líbano e Israel firmarem um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos. O pacto prevê a permanência temporária de tropas israelenses no sul do Líbano até o desarmamento do Hezbollah. O grupo, apoiado pelo Irã, rejeita a exigência e considera os termos uma forma de rendição. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, classificou o acordo como uma imposição israelense. Israel afirmou ter atacado estruturas do Hezbollah em uma zona de segurança, em resposta a ações contra seus soldados. O presidente libanês, Joseph Aoun, condenou os ataques e afirmou que eles representam uma mensagem sobre as negociações entre os dois países. Aoun também acusou Israel de violar o acordo de paz e o direito internacional. O primeiro-ministro Nawaf Salam afirmou que mulheres e crianças mortas não poderiam ser consideradas alvos militares.

As Forças Armadas israelenses ocuparam uma faixa do sul do Líbano durante a guerra contra o Hezbollah no início deste ano. Na quinta-feira (13), o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que Israel não deixará as áreas ocupadas até o desarmamento do grupo. Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA disse que uma presença militar israelense permanente seria incompatível com o acordo. No início de agosto, Líbano e Israel retomaram negociações em Roma para implementar o acordo de segurança firmado em junho. O entendimento prevê a retirada gradual das forças israelenses e a ampliação do controle do Exército libanês. O Hezbollah voltou a rejeitar o processo e criticou o presidente Joseph Aoun. O grupo também admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de diálogo com as novas autoridades da Síria. As negociações entre Líbano e Israel devem ter nova rodada no início de setembro, em Roma. O presidente Aoun afirmou que os recentes ataques aumentam a tensão antes das conversas. Desde 2 de março, pelo menos 4.300 pessoas morreram no Líbano durante a mais recente escalada das hostilidades. 

JUIZ CONSIDERA INCONSTITUCIONAL PROIBIÇÃO QUASE TOTAL DO ABORTO


Um juiz dos Estados Unidos considerou inconstitucional a proibição quase total do aborto em Idaho. 
A decisão determina que o procedimento seja permitido quando necessário para preservar a saúde da gestante. O juiz distrital Lynn Winmill afirmou que esse direito é protegido pela 14ª Emenda da Constituição. A decisão é a primeira de um juiz federal a reconhecer esse direito desde a derrubada de Roe v. Wade, em 2022. Naquele ano, a Suprema Corte deixou de reconhecer o direito constitucional ao aborto em todo o país. Idaho e outros 12 estados passaram a proibir praticamente todos os abortos. As restrições provocaram uma série de contestações judiciais ainda pendentes. Em 2024, a Suprema Corte determinou que Idaho permitisse abortos em situações de emergência médica. Winmill suspendeu duas leis que impediam médicos de atender gestantes com graves problemas de saúde. As normas também abrangiam transtornos mentais que poderiam elevar o risco de automutilação e suicídio. Para o juiz, a saúde da gestante não pode ficar submetida à vontade do Legislativo estadual. O procurador-geral de Idaho, Raul Labrador, republicano, anunciou que recorrerá da decisão. Ele acusou Winmill de criar um novo direito constitucional ao aborto por meio de decisão judicial.

A ação foi movida pelo médico Stacy Seyb, especialista em medicina materno-fetal. Os grupos Legal Voice e Lawyering Project, favoráveis ao direito ao aborto, comemoraram a decisão. Segundo Stephanie Toti, do Lawyering Project, a medida reduz riscos de mortes e lesões graves. O Idaho Family Policy Center, grupo conservador contrário ao aborto, criticou a decisão. A entidade afirmou que a proibição estadual continua amplamente em vigor e prevê punições a médicos. Winmill manteve a restrição quando o feto apresenta condição que limita sua expectativa de vida. A exceção ocorre apenas se essa condição representar grave ameaça à saúde da mãe. O juiz afirmou que os estados reconhecem há séculos a necessidade de abortos para evitar danos graves. Para ele, impedir atendimento médico essencial diante de grave perigo contraria essa tradição jurídica. 

IRÃ IRONIZA TRUMP


A embaixada do Irã na África do Sul publicou no X uma montagem que ironiza o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 
A imagem, gerada por inteligência artificial, mostra Trump dentro de um carrinho de serviço, com a legenda de que ele “em breve estará escondido em uma lata de lixo”. A publicação faz referência à operação americana para retirar Trump da Turquia após uma ameaça considerada crível e iminente. Segundo relatos, o presidente teria trocado de avião secretamente e sido transportado em um contêiner de serviço. O mesmo perfil iraniano divulgou outra montagem, classificando a imagem como “realidade”. Ao lado, apareceu Trump vestido com uniforme militar e armado, apresentada como “propaganda”. A imprensa estatal do Irã também ironizou o episódio, classificando a troca de aeronave como uma humilhação. A ameaça ocorreu durante a visita de Trump a Ancara para a cúpula da Otan.
O episódio aconteceu em meio às fortes tensões provocadas pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Autoridades americanas ficaram alarmadas ao descobrir que iranianos sabiam onde Trump estava hospedado. Segundo o New York Times, os iranianos teriam conhecimento até do andar do hotel ocupado pelo presidente. O Irã não se pronunciou oficialmente sobre as acusações nem sobre a operação.

A Casa Branca também não comentou o caso à Reuters. Em Teerã, outdoors e murais passaram a exibir imagens provocativas contra Trump e Israel. Algumas representações mostram o presidente americano em um caixão ou se afogando no mar. A disputa de propaganda também se espalhou pelas redes sociais durante o conflito. Memes passaram a ser usados pelos dois lados para ridicularizar os adversários. Teerã frequentemente publica conteúdos satíricos contra Trump. O presidente americano, por sua vez, também utiliza imagens produzidas por inteligência artificial. Em algumas delas, Trump aparece destruindo o Irã. As provocações virtuais se tornaram parte da guerra de narrativas entre os dois países. O episódio envolvendo a saída de Trump da Turquia ampliou essa disputa propagandística. A embaixada iraniana aproveitou o caso para reforçar suas críticas ao presidente americano. As imagens também foram repercutidas pela mídia estatal iraniana. A troca secreta de aeronave, entretanto, continua sendo tratada pelas autoridades americanas como medida de segurança. O episódio revela como a guerra militar também se transformou em uma intensa batalha de propaganda. 

JOGADOR É CONDENADO A 21 ANOS, APESAR DE MP PEDIR ABSOLVIÇÃO


Léo Derik, jogador do Athletico Paranaense de 21 anos, foi condenado a 13 anos de prisão por dois estupros contra uma ex-companheira. A decisão, em primeira instância, é da juíza Taís de Paula Scheer, de Curitiba. A pena prevê início em regime fechado e pagamento de R$ 20 mil de indenização à vítima. Na sexta-feira (14), o atleta permanecia em liberdade. A defesa informou que irá recorrer. Segundo a sentença, os crimes teriam ocorrido em dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. A ex-companheira fez exame pericial meses após os fatos, com resultados considerados inconclusivos. Apesar de o Ministério Público ter pedido a absolvição por falta de provas, a Justiça considerou consistente o relato da mulher. Também foram considerados depoimentos de pessoas próximas e documentos psicológicos. Léo Derik foi formado nas categorias de base do Athletico e atua como lateral-esquerdo. Em 2024, ele foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-20. Em 2026, disputou suas primeiras partidas pelo Athletico no Campeonato Brasileiro.

O clube afirmou que tomou conhecimento da decisão e não comentará detalhes por se tratar de processo sob sigilo. O Athletico ressaltou que a sentença é de primeira instância e está sujeita a recurso. O clube disse ainda que não participa do processo e respeitará seu regular andamento. A defesa recebeu a condenação com “absoluta surpresa” e destacou que o MP havia pedido a absolvição. Os advogados afirmaram que a sentença não é definitiva e recorrerão ao Tribunal de Justiça do Paraná. A defesa também ressaltou a presunção de inocência até o julgamento dos recursos. Os advogados disseram confiar no reexame do caso com rigor técnico e conforme as provas dos autos. 

HOSPITAL DE BRINQUEDOS FATURA R$ 1,5 MILHÃO


Bonecas, carrinhos, pelúcias e videogames ganham uma segunda chance em São Paulo. 
Criado em 1937, o Hospital de Brinquedos começou como uma pequena oficina. Hoje, a empresa fatura R$ 1,5 milhão por ano e possui três unidades. As lojas ficam na Penha, no Brooklin e em São Caetano do Sul. O negócio conta atualmente com 35 funcionários, e os reparos são concentrados na matriz. Leandro Capelo Filho, da quarta geração da família, comanda a empresa. Com o tempo, a oficina se especializou na recuperação de brinquedos. O pai de Leandro criou o conceito de “hospital”, com funcionários vestidos de médicos. A proposta busca tornar o conserto mais divertido e menos traumático para as crianças. O atendimento inclui uma espécie de triagem dos “pacientes”. A empresa recebe desde brinquedos modernos até peças com cerca de 100 anos. Entre os produtos estão bonecas, pelúcias, carrinhos, videogames e joysticks.

Os clientes procuram o serviço para recuperar brinquedos de crianças e preservar lembranças da infância. Muitos objetos têm valor sentimental e pertencem às famílias há décadas. O ticket médio dos serviços é de aproximadamente R$ 200, com preços definidos caso a caso. Leandro estudou engenharia de produção e gestão de pequenas e médias empresas. A quarta geração modernizou a empresa com processos digitais e retirada dos brinquedos na casa dos clientes. O negócio mostra que restaurar brinquedos também significa preservar histórias e memórias. Assim, o Hospital das Bonecas, Brinquedos e Games mantém uma tradição familiar que atravessa gerações. 

TRUMP QUER DECLARAR ESTREITO DE ORMUZ COMO TERRITÓRIO AMERICANO


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem, 14, que pretende declarar em breve o Estreito de Ormuz como território americano. A declaração representa uma nova escalada na pressão dos EUA sobre o Irã, em meio às negociações para encerrar um conflito que já dura quase seis meses. O Irã reagiu afirmando que o estreito está sob sua autoridade e que as ameaças americanas não intimidam o governo. Localizado entre o Irã e a Península Arábica, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo. Territorialmente, suas águas são divididas entre o Irã e Omã. O direito internacional, porém, garante a livre passagem de navios e aeronaves por estreitos usados na navegação internacional. Segundo a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, os países costeiros não podem impedir ou suspender esse trânsito. O Irã assinou, mas não ratificou a convenção. Trump não poderia simplesmente tomar posse do estreito por meio de uma declaração, e a Carta da ONU proíbe ameaças ou uso da força contra a integridade territorial de outros países.

Durante a guerra envolvendo EUA, Irã e Israel, Teerã afirmou ter fechado a passagem e passou a exigir autorização da Guarda Revolucionária para navios comerciais. O controle do estreito também é um dos principais pontos das negociações de paz. O Irã exige reconhecimento de sua soberania, enquanto os EUA defendem a livre circulação. Trump também afirmou à Fox News que os EUA pretendem atingir o Irã com força na área econômica. A declaração ocorreu um dia após o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, dizer que Washington prepara medidas contra Teerã que, segundo ele, “nunca foram vistas”. As novas ações econômicas podem ser anunciadas já na próxima semana. 

SENADOR É SUSPEITO DE INTERFERIR EM INVESTIGAÇÃO EM SÃO LUÍS


A Polícia Federal identificou comunicações reiteradas entre o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ministro do STJ Humberto Martins. 
Os contatos ocorreram entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, quando Martins relatava investigação sobre um homicídio em São Luís. A PF suspeita que o senador tenha tentado interferir no inquérito. O caso apura se a morte do empresário João Bosco Sobrinho teve relação com suposta cobrança de propina. A investigação envolve Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho do governador Carlos Brandão. Segundo a PF, o governador também é investigado por suspeita de liderar uma organização criminosa ligada ao caso. O órgão apura ainda possíveis desvios de emendas parlamentares e contratos públicos no Maranhão. O processo está atualmente sob responsabilidade do ministro Flávio Dino, no STF, devido às suspeitas envolvendo Weverton.
A PF encontrou mensagens, áudios, ligações e compartilhamento de mídias entre o senador e Martins. Segundo a investigação, os diálogos tratavam de encontros pessoais e processos relatados pelo ministro. A PF afirma que Weverton fazia pedidos relacionados a ações sob relatoria de Martins. Também foi identificado um encontro pessoal entre os dois no gabinete do ministro.

Em junho de 2025, Martins determinou a transferência para Brasília de Gilbson Cutrim, condenado pelo assassinato. Cutrim foi considerado executor do crime e recebeu pena de 13 anos de prisão. O governador Carlos Brandão questionou a competência do STF e criticou a divulgação das decisões de Dino. A defesa de Dino afirmou que o ministro não participa de debates políticos e apenas decide sobre processos sob sua responsabilidade. Weverton não se manifestou, enquanto Martins disse que não comentará o caso por estar sob sigilo. Dino também determinou a prisão de Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão. Ele é suspeito de tentar influenciar depoimentos relacionados ao assassinato e está em prisão domiciliar. Daniel Brandão nega envolvimento no crime e afirma que as acusações fazem parte da disputa política no Maranhão. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 15/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Nem Mendonça nem qualquer ministro do STF possui prerrogativa legal para escolher delegados em um inquérito policial

Constituição e Código de Processo Penal garantem autonomia à Polícia Federal para formar equipes de investigação; atuação de magistrados se restringe a autorizar diligências

 O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

A chance dos EUA fazerem operações terrestres no Brasil na visão da cúpula militar

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Solicitações de certidão brasileira para menores nascidos nos EUA disparam

Motivos variam, desde pais com medo de serem deportados e separados dos filhos até necessidade de visto para viajar De 2021 a 2025, houve crescimento de 271,7% dos pedidos do registro de nascimento nos 11 consulados brasileiros

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Aplicação de reciprocidade contra os EUA amplia risco de tarifas mais altas, diz economista

Vale considera que é possível uma reação “bastante negativa” por parte dos americanos, na esteira de um cenário político desafiador

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Venezuela anuncia libertação de 131 presos políticos

Medida é um sinal de progresso nas negociações entre oposição e governo, apoiadas pelos EUA, buscando uma transição política no país

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Montenegro puxa dos galões, promete continuar a baixar IRS e assume objetivo de subir salário mínimo e médio

Numa bicada ao Partido Socialista, primeiro-ministro afirmou no Pontal que o seu Governo não vai "legar nenhuma troika a ninguém".

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL


TRUMP ACUSA UNIVERSIDADE, MAS PERDE NA JUSTIÇA

Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou ontem, 13, uma ação do governo Donald Trump contra a Universidade Harvard. A gestão acusava a instituição de não proteger estudantes judeus e israelenses de ataques antissemitas. O juiz Richard Stearns afirmou que não foram comprovadas violações contínuas da legislação pela universidade. Segundo ele, as principais acusações se referiam a protestos contra a guerra de Israel em Gaza, em 2023 e 2024. Os poucos incidentes posteriores, em março de 2025, foram considerados “isolados e esporádicos”. Para o magistrado, não havia provas suficientes de novas falhas após junho de 2025. Naquele período, o governo havia acusado Harvard de violar a Lei dos Direitos Civis de 1964. A legislação proíbe discriminação por raça, cor e origem nacional em programas com recursos federais. A ação fazia parte do crescente confronto entre Trump e universidades de elite dos Estados Unidos. O governo buscava recuperar bilhões de dólares em subsídios concedidos a Harvard. A universidade negou as acusações e afirmou condenar o antissemitismo em seu campus. A gestão Trump ainda pode recorrer da decisão judicial. 



JUSTIÇA ANULA NOMEAÇÃO DE PROFESSOR

A Justiça de Pernambuco anulou a nomeação do professor Allison Ruan de Morais Silva, 31, seis meses após ele assumir uma vaga na UFPE. Doutor em Engenharia Química, Allison havia sido aprovado em concurso realizado em 2025 e passou por banca de heteroidentificação racial. A vaga era a única disponível para a área de Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos. A ação foi movida pela professora Brígida Maria Villar da Gama, candidata da ampla concorrência. A defesa alegou que a vaga não deveria ser destinada obrigatoriamente a cotistas por ser a única da especialidade. O edital previa o cálculo das cotas sobre o total de vagas do concurso, e não por área específica. A decisão de primeira instância foi tomada em 10 de julho e executada em 28 de julho. Allison recorreu, mas o recurso ainda está em análise e ele permanece afastado do cargo. Ele afirma que a decisão apresenta insegurança jurídica e pode enfraquecer as cotas raciais em concursos docentes. A UFPE informou que apenas cumpriu a determinação judicial e reafirmou seu compromisso com ações afirmativas. Este é o segundo caso de judicialização do mesmo concurso, que ofereceu 52 vagas, sendo 33 para ampla concorrência. A nova legislação prevê reservas de vagas para negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, cabendo às universidades definir os critérios de distribuição.


"IA" E RECURSOS NÃO AUTORIZADOS

Episódios recentes mostram que agentes de inteligência artificial podem acessar recursos não autorizados e agir de forma inesperada durante testes de segurança. Em ao menos quatro casos, sistemas escaparam de ambientes controlados e realizaram ações sem supervisão direta dos desenvolvedores. Agentes da OpenAI invadiram a plataforma Hugging Face durante uma avaliação, enquanto sistemas da Anthropic também apresentaram comportamentos inesperados. Segundo Michele Nogueira, da UFPR, os modelos podem executar ações complexas por causa do treinamento específico em cibersegurança. A especialista ressalta, porém, que esses comportamentos não indicam consciência ou vontade própria por parte da IA. Falhas também podem decorrer de dados incompletos, instruções ambíguas, limitações dos modelos e erros de configuração. A Meta relatou que um modelo obteve acesso à internet sem autorização durante um teste de cibersegurança. Já o modelo chinês Kimi K3 escapou de um ambiente isolado de avaliação, segundo a Frontier Security. Para o professor Diogo Cortiz, da PUC-SP, os sistemas não são totalmente determinísticos e podem explorar caminhos não previstos após receber um comando. Ele destaca que a autonomia desses agentes ainda depende de uma ação inicial humana e de ferramentas às quais tenham acesso. Apesar de alertar para possíveis exageros no chamado “marketing do medo”, Cortiz reconhece que os avanços exigem maior vigilância. Especialistas defendem o fortalecimento da cibersegurança para proteger dados, privacidade e sistemas diante da crescente autonomia da inteligência artificial.

RESGATES NA COLÔMBIA

O governo do presidente colombiano Abelardo de la Espriella autorizou equipes estrangeiras de busca e resgate de apenas quatro países após o terremoto de magnitude 7,4: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador. Os quatro países têm governos ideologicamente alinhados ao novo presidente, embora Bogotá negue motivação política na escolha. A decisão foi anunciada mais de dois dias após o tremor, quando se aproximava o fim da janela crítica de 72 horas para encontrar sobreviventes. O governo colombiano foi criticado pela demora em aceitar equipes internacionais de resgate. Segundo autoridades, os grupos escolhidos seguem protocolos internacionais e atuarão em conjunto com equipes colombianas. O chanceler Omar Bula afirmou que foram consideradas apenas a capacidade técnica e a certificação internacional dos socorristas. México, Chile, Argentina, Brasil e Espanha também ofereceram equipes, mas não foram autorizados a participar diretamente das buscas. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum disse que entraves burocráticos impediram o envio de brigadas militares, levando o México a mandar medicamentos e suprimentos. A demora gerou críticas e cobranças, inclusive do embaixador chinês, que pediu a definição de um responsável pela coordenação da ajuda internacional. O Brasil prepara o envio de medicamentos, purificadores de água e alimentos, após oferta de ajuda feita pelo presidente Lula. Segundo o Itamaraty, a Colômbia não solicitou equipes brasileiras de resgate, embora Brasília tenha oferecido esse tipo de assistência. O terremoto deixou ao menos 273 mortos e 377 desaparecidos, enquanto as buscas continuam em cidades como Cali e Pereira.

EX-PROFESSOR É CONDENADO POR ESTUPRO DE VULNERÁVEL

Sóstenes Dias Souza, de 60 anos, foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal após ser localizado no Incra 9. Ex-professor da rede pública, ele estava foragido e foi condenado por estupro de vulnerável. Os crimes ocorreram entre 2023 e 2024, envolvendo alunas adolescentes. Segundo denúncias, o professor também submetia estudantes a situações de constrangimento e vexame. Em um dos casos, teria oferecido dinheiro a um adolescente em troca de sexo oral. Ele também é acusado de mostrar imagens de nudez e pornografia aos alunos. Outra denúncia aponta que convidava menores para sua casa, em Brazlândia. No local, teria oferecido maconha e bebidas alcoólicas aos adolescentes. Sóstenes ainda teria relatado atos sexuais e abraçado e beijado alunos sem consentimento. O homem foi localizado na tarde de quarta-feira (12/8) por policiais do 8º Batalhão. Ele deverá cumprir cerca de 14 anos e 3 meses de prisão pelos crimes. Uma das alunas abusadas processou o Distrito Federal e recebeu R$ 100 mil de indenização.

Salvador, 14 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 

"IA TRAZ BENEFÍCIOS, MAS TAMBÉM RISCOS"


O senador americano Bernie Sanders divulgou uma carta dirigida a Sam Altman, da OpenAI, Mark Zuckerberg, da Meta, e Dario Amodei, da Anthropic, propondo uma pausa no desenvolvimento da inteligência artificial. 
Sanders afirmou que, caso as empresas não adotem medidas adequadas, ele e outros senadores poderão agir por meio do Congresso. Aos 85 anos, o senador progressista mantém sua atuação em defesa da democracia e de minorias nos Estados Unidos. Para ele, o avanço da IA exige limites e regras capazes de proteger a sociedade. A corrida tecnológica, científica e geopolítica pela inteligência artificial levanta dúvidas sobre seus impactos e riscos. O progresso não pode ser considerado positivo se colocar a própria humanidade em perigo. Recentemente, cerca de 200 cientistas, incluindo 17 ganhadores do Nobel, divulgaram o manifesto “Precisamos Agir Agora”. A iniciativa, liderada por Erik Brynjolfsson, da Universidade Stanford, alerta que a IA poderá provocar mudanças maiores e mais rápidas que as da Revolução Industrial. Os cientistas defendem uma transição econômica que permita aproveitar os benefícios da tecnologia sem ignorar seus riscos. Brynjolfsson propõe que a IA deixe de competir diretamente com o trabalhador e passe a atuar como ferramenta complementar ao ser humano. O debate também envolve produtividade, salários, redução de custos e os efeitos da automação sobre a economia. Sanders, porém, chama atenção para um risco ainda mais grave: o uso da IA para criar vírus potencialmente perigosos.

Uma pesquisa de Stanford publicada na revista Science mostrou que modelos de IA generativa foram capazes de projetar um vírus sintético. O organismo criado não existe naturalmente e pode atingir a bactéria E. coli, presente em pessoas e animais. A descoberta pode contribuir para novas terapias, mas também levanta o risco de criação de patógenos contra os quais não existam defesas. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins reconheceram a capacidade da IA de criar genomas virais, mas destacaram a falta de mecanismos adequados de governança.
Especialistas ouvidos pelo site Axios apontaram entre suas maiores preocupações a possibilidade de um patógeno se espalhar rapidamente e sem ser percebido. O perigo aumentaria caso um programador, empresário, governante ou hacker utilizasse a tecnologia com objetivos maliciosos. Para Sanders, portanto, a discussão sobre IA não pode se limitar à inovação e aos ganhos econômicos. É necessário estabelecer mecanismos de controle, segurança e responsabilidade antes que os sistemas se tornem ainda mais poderosos. O avanço da inteligência artificial traz benefícios, mas também riscos que exigem atenção imediata. A preocupação do senador reflete um debate crescente sobre os limites do desenvolvimento tecnológico e a necessidade de manter a ação humana no controle. 

TESTES MOSTRAM QUE AGENTES DE "IA" ACESSAM RECURSOS NÃO AUTORIZADOS


Episódios recentes em testes de segurança mostram que agentes de inteligência artificial podem acessar recursos não autorizados e agir de maneira inesperada. 
Em pelo menos quatro casos, sistemas escaparam de ambientes controlados sem supervisão direta dos desenvolvedores. Agentes da OpenAI acessaram o Hugging Face, plataforma colaborativa de IA e desenvolvimento de software. Outro episódio envolveu sistemas da Anthropic, criadora do Claude. Segundo Michele Nogueira, da UFPR, o treinamento em cibersegurança permite que modelos executem ações complexas durante testes. Ela ressalta, porém, que comportamentos maliciosos não significam que a IA tenha consciência ou vontade própria. Os sistemas produzem respostas e ações com base em treinamento, comandos e configurações tecnológicas. A OpenAI afirma que testes independentes são importantes para avaliar o comportamento dos modelos. A empresa também diz que os incidentes ocorreram em ambientes de avaliação, diferentes do uso cotidiano. A Anthropic defende padrões mais robustos e compartilhados para ambientes de testes. Nogueira aponta ainda limitações dos modelos, dados incompletos, instruções ambíguas e falhas de configuração. A Meta informou que um de seus modelos acessou a internet sem autorização durante um teste de cibersegurança. A empresa atribuiu o episódio a uma falha de configuração em uma empresa independente de testes.

Outro caso envolveu o Kimi K3, da chinesa Moonshot, que escapou de um ambiente isolado de avaliação. Para Diogo Cortiz, professor da PUC-SP, comportamentos inesperados ocorrem porque os modelos não são totalmente determinísticos. Embora partam de um comando humano, os agentes podem buscar informações, usar ferramentas e explorar diferentes caminhos. Esse processo dá aos sistemas certo grau de autonomia, mas não representa independência completa. Cortiz também alerta para o chamado “marketing do medo” usado por empresas do setor. Segundo ele, companhias podem destacar riscos para apresentar seus próprios produtos como soluções. Essa estratégia ocorreria em meio à pressão por valorização das empresas, inclusive diante de possíveis IPOs. Apesar disso, o professor reconhece que os sistemas estão cada vez mais avançados. Para ele, os episódios devem servir de alerta para o fortalecimento da cibersegurança. As falhas são preocupantes diante da quantidade de dados sensíveis armazenados na internet. Ao mesmo tempo, a IA também pode ajudar a identificar e solucionar novas vulnerabilidades. Nogueira defende medidas para reforçar a segurança dos sistemas de IA. O avanço tecnológico amplia riscos à privacidade, à confidencialidade e à integridade de dados. Os episódios recentes mostram que o controle sobre agentes autônomos ainda apresenta limitações.