Pesquisar este blog

segunda-feira, 11 de maio de 2026

MULTA DE R$ 1,04 BILHÃO, A SER PAGA PELA FAST SHOP


O governo de Tarcísio de Freitas aplicou multa de R$ 1,04 bilhão à Fast Shop por fraude tributária e pagamento de propina a um auditor da Secretaria da Fazenda de São Paulo. Segundo a investigação, a empresa teria pago R$ 422 milhões em vantagens indevidas para obter restituições irregulares de créditos de ICMS. 
O esquema foi revelado na Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em agosto do ano passado. Após a operação, a Controladoria-Geral do Estado instaurou um Processo Administrativo de Responsabilização que resultou na punição publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira, 11. De acordo com o controlador-geral do Estado, Rodrigo Fontenelle, esta é a maior multa já aplicada no Brasil com base na Lei Anticorrupção. Segundo ele, entre 2021 e 2025 a empresa recebeu quase R$ 1,6 bilhão em ressarcimentos de ICMS, dos quais R$ 1,04 bilhão seriam indevidos. As investigações apontam que o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto teria operado o esquema por meio da empresa Smart Tax. Ele prometia facilitar processos tributários e proteger empresas de fiscalizações, usando informações privilegiadas e acesso irregular aos sistemas da Receita Estadual.

Segundo a CGE, a Fast Shop sabia da utilização dessas informações sigilosas. O MP-SP denunciou o auditor, a mãe dele — apontada como laranja — e outras cinco pessoas envolvidas. Dois sócios e um diretor executivo da Fast Shop firmaram acordo de não persecução penal com o Ministério Público. Eles confessaram o pagamento de propinas e aceitaram pagar multas individuais que somam cerca de R$ 100 milhões. A empresa poderá recorrer da decisão, mas terá 30 dias para quitar a multa integralmente, sem possibilidade de parcelamento. Também deverá divulgar a condenação em jornal de grande circulação. O governo paulista afirma que já demitiu cinco servidores e exonerou outro envolvido no esquema. Outros 61 procedimentos administrativos seguem em andamento. A gestão estadual informou ainda que adotou medidas para evitar novos casos, como reforço na fiscalização, redução de produtos sujeitos ao regime de substituição tributária e contratação de 200 novos auditores para a Controladoria-Geral do Estado. 

CABEDELO, NA PARAÍBA, É MONITORADA PELO COMANDO VERMELHO

A cidade de Cabedelo, na Paraíba, passou a ser monitorada à distância por integrantes do Comando Vermelho instalados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Investigações da


Polícia Federal e do Ministério Público apontam que a facção se infiltrou em áreas estratégicas da prefeitura e passou a controlar parte da rotina da população. 
Mais de dez operações já foram realizadas para combater corrupção e crime organizado na cidade de cerca de 60 mil habitantes. Segundo autoridades, Cabedelo vive um “colapso institucional”, marcado por medo, ausência de serviços públicos e domínio territorial de criminosos. Áudios e vídeos obtidos nas investigações mostram integrantes da facção monitorando ruas por meio de cerca de 30 câmeras clandestinas, apelidadas de “besouros”. O esquema permitia acompanhar a movimentação da polícia e de rivais em tempo real. O principal nome citado é Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka, apontado como líder da Tropa do Amigão, braço do Comando Vermelho no Nordeste. Foragido desde 2022, ele fugiu após romper a tornozeleira eletrônica no mesmo dia em que recebeu liberdade judicial. Mesmo escondido no Complexo do Alemão, Fatoka continuaria comandando ações criminosas na Paraíba, incluindo planos de expansão para bairros de João Pessoa. Segundo investigadores, o grupo realiza “ponteamento”, prática de mapear territórios e eliminar rivais.

Moradores vivem sob ameaça constante. Vídeos mostram homens armados circulando pelas ruas e efetuando disparos em áreas residenciais. Em um dos casos, um morador teve o carro atingido por tiros e fez um apelo para que inocentes fossem poupados. As investigações também revelam infiltração da facção na Prefeitura de Cabedelo. Os últimos quatro prefeitos foram alvo de apurações por suspeitas de corrupção, loteamento de cargos e desvio de recursos públicos. O esquema envolveria a empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda., usada para empregar indicados da facção, manter funcionários fantasmas e desviar verbas públicas. O prejuízo estimado aos cofres municipais chega a R$ 270 milhões. Segundo depoimentos, pessoas ligadas a Fatoka tinham contratações garantidas na prefeitura e na Câmara Municipal. Em troca, a facção oferecia proteção armada a gestores em áreas dominadas pelo crime. Enquanto isso, serviços públicos ficaram abandonados, com equipamentos de saúde e espaços esportivos deteriorados. A atual gestão afirma que pretende anular contratos suspeitos sem interromper serviços essenciais. A defesa de Fatoka nega envolvimento nos crimes e afirma que não há provas contra ele. Ex-prefeitos investigados também negam qualquer ligação com organizações criminosas 

MINISTRA SUSPENDE DECISÃO DE MORAES


A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, cancelou uma multa que poderia chegar a R$ 600 mil aplicada pelo ministro Alexandre de Moraes contra a dona de um perfil no X por suposta desinformação eleitoral. Segundo a ministra, a cobrança foi indevida. A penalidade havia sido imposta em junho de 2023 e anulada em decisão publicada em junho de 2025, após pedido de Rita de Cássia Serrão. Em novembro de 2022, Moraes suspendeu o perfil dela e de outros usuários por publicações consideradas desinformativas sobre o processo eleitoral, em meio aos atos de contestação do resultado da eleição presidencial. Em janeiro seguinte, o ministro determinou a reativação das contas e fixou multa diária de R$ 20 mil em caso de reincidência. Porém, os usuários não foram notificados da medida, já que as ordens haviam sido direcionadas apenas às plataformas. Meses depois, após monitoramento da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, Moraes entendeu que houve descumprimento da decisão e aplicou a multa referente a quase um mês de publicações, intimando os usuários apenas depois.

Ao analisar o caso, Cármen Lúcia acompanhou entendimento do Ministério Público Eleitoral e afastou a cobrança. Segundo ela, não houve intimação prévia da decisão nem identificação de publicações com desinformação ou apologia a atos antidemocráticos. A ministra destacou ainda que relatório da assessoria do TSE não encontrou conteúdos desinformativos em amostra das postagens de Rita durante o período da cobrança. O caso transitou em julgado em fevereiro deste ano. A controvérsia reacendeu debates sobre a atuação do TSE fora do período eleitoral, além da falta de transparência em processos ligados ao combate à desinformação nas eleições de 2022. 

CIENTISTA POLÍTICO DIZ QUE TRUMP PODERÁ SER TRAÍDO


O cientista político alemão Marcel Dirsus afirma que Donald Trump pode acabar traído pelos próprios aliados quando deixar de ser eleitoralmente útil. Autor do livro Como os Tiranos Caem, recém-lançado no Brasil, ele diz que líderes autoritários criam ambientes de medo e bajulação que os afastam da realidade. Segundo Dirsus, Trump se cerca de pessoas que apenas reforçam seu ego, o que aumenta a chance de erros políticos e econômicos. Para ele, guerras, tarifas e inflação podem desgastar o presidente e levar republicanos influentes a abandoná-lo. “As reuniões de gabinete de Trump têm uma vibe norte-coreana”, afirma o pesquisador, comparando o ambiente da Casa Branca ao de regimes autoritários. Ele diz que congressistas apoiam Trump mais por conveniência do que por convicção. O cientista político sustenta que líderes democráticos, apesar de imperfeitos, precisam entregar resultados aos eleitores para permanecer no poder, ao contrário de ditadores, que dependem do controle e da repressão. Dirsus também comentou a derrota de Viktor Orbán nas eleições da Hungria. Para ele, o caso mostra que democracias ainda conseguem derrotar governos autoritários, mesmo após tentativas de enfraquecer instituições.

O autor afirma ainda que regimes autoritários costumam enfrentar crises internas porque relações políticas são baseadas em interesses momentâneos e não em valores duradouros. Ao analisar China, Irã e Venezuela, ele argumenta que ditaduras frequentemente fragmentam forças militares e serviços de inteligência para evitar golpes internos, mas isso enfraquece o próprio Estado. Dirsus também alerta para o uso de tecnologia e inteligência artificial por regimes autoritários. Segundo ele, ferramentas digitais hoje favorecem mais ditadores do que opositores, ampliando vigilância e repressão. Nascido em Hamburgo, Dirsus tem doutorado pela Universidade de Kiel, mestrado em Oxford e atua na Fundação Konrad Adenauer em temas ligados a terrorismo e segurança internacional. 

"PRECISAMOS REAPRENDER A ENVELHECER"


“Precisamos reaprender a envelhecer.” 
A frase da servidora pública Cristina Segatto, 67 anos, resume a transformação vivida no Distrito Federal, onde a população idosa cresce e impulsiona a chamada economia prateada — conjunto de produtos, serviços e atividades voltados aos maiores de 60 anos. 
No DF, esse público reúne alta escolaridade, renda acima da média nacional e forte presença digital, segundo dados do IBGE. Hoje, 13,9% dos 2,9 milhões de moradores da capital são idosos, e projeções da UnB indicam que, em 2040, um em cada quatro habitantes terá mais de 60 anos. A nova série do Correio, “Moderno é envelhecer”, mostra como esse envelhecimento redefine Brasília. A primeira reportagem destaca o idoso como motor econômico essencial, movimentando setores como saúde, turismo, educação continuada e bem-estar. Cristina Segatto, epidemiologista da Secretaria de Saúde do DF, segue ativa no mercado e utiliza inteligência artificial para organizar aulas e documentos. Ela também usa tecnologia para lazer e convivência com os netos. Segundo a professora da UnB Diana Vaz de Lima, muitos aposentados abrem consultorias e negócios próprios, aproveitando a experiência acumulada ao longo da vida. Dados do Sebrae apontam que quase 40 mil idosos empreendem no DF, principalmente no setor de serviços. Um exemplo é Isabel Di Pilla, 70 anos, dona de uma academia de jiu-jitsu em Sobradinho II. Campeã mundial master em Las Vegas em 2025, ela afirma: “Se eu desacelerar, morro”. Planeja abrir novas unidades nos próximos anos.

A busca por novos conhecimentos também marca essa geração. Terezinha da Silva, 66 anos, começou o curso de jornalismo na UnB após se aposentar como cuidadora de idosos. Seu sonho é cobrir o Congresso Nacional. “Ainda tenho potencial”, afirma. O consumo da população idosa também cresce, especialmente em saúde, alimentação, moradia e transporte. Projeções indicam que, em 2034, os idosos responderão por 43% dos gastos em saúde no Brasil. Apesar do cenário promissor, cresce também a inadimplência. Em março de 2026, o DF registrou mais de 283 mil idosos negativados, segundo a Serasa. Especialistas alertam para a importância do equilíbrio financeiro. 

TRUMP NÃO ACEITA PROPOSTA DO IRÃ E A GUERRA CONTINUA


O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou ontem, 10, a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio. Em publicação na Truth Social, classificou o conteúdo como “TOTALMENTE INACEITÁVEL”, sem revelar detalhes. 
Segundo a agência Irna, Teerã enviou a resposta aos EUA por meio do Paquistão, mediador das negociações. O Irã propôs cessar-fogo imediato, suspensão do bloqueio naval americano, garantias contra novos ataques e o fim das sanções econômicas, incluindo restrições à venda de petróleo. O jornal The Wall Street Journal informou que o Irã também sugeriu diluir parte de seu urânio enriquecido e transferir o restante para outro país, além de pedir compensações pelos danos da guerra. A proposta inicial dos EUA previa interromper os combates antes de negociar temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano, condição rejeitada por Teerã. As negociações ocorrem em meio à pressão sobre Trump antes de viagem à China, onde se reunirá com Xi Jinping. O objetivo é buscar apoio chinês para conter o conflito.

Apesar de um cessar-fogo parcial, drones foram detectados sobre países do Golfo neste domingo. Emirados Árabes interceptaram aeronaves vindas do Irã, enquanto Qatar e Kuwait relataram incidentes semelhantes. Mesmo sob tensão, um navio da QatarEnergy atravessou o estreito de Hormuz em segurança rumo ao Paquistão, no primeiro transporte de gás natural liquefeito pela rota desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O conflito já provoca instabilidade no mercado global de energia e milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano. Em entrevista exibida neste domingo, Trump afirmou que os EUA já atingiram cerca de 70% dos alvos prioritários no Irã e disse que o país está “militarmente derrotado”. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou à CBS que a guerra “ainda não terminou” e defendeu o desmonte completo das instalações nucleares iranianas. O estreito de Hormuz permanece como foco central da crise. Antes da guerra, a passagem concentrava cerca de 20% do comércio global de petróleo. Também neste domingo, um navio graneleiro de bandeira panamenha com destino ao Brasil conseguiu atravessar a rota marítima sob autorização das Forças Armadas iranianas. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 11/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Geração prateada: aumento da expectativa de vida impulsiona economia

Nesta série, o Correio mostra como a economia tem se transformado para atender à população com mais de 60 anos

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Professores viralizam ao relatarem hostilidade de alunos e geram debate sobre más condições em sala de aula

Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem apontou que quase metade dos docentes relatou sofrer intimidação ou abuso verbal de estudantes

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

41% dos brasileiros dizem ver atuação do crime organizado no bairro onde vivem, mostra Datafolha

Percentual equivale a 68,7 milhões de pessoas com 16 anos ou mais Pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ouviu 2.004 pessoas em 137 cidades

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Félix: ‘Reeleição de Jerônimo vai ser com uma certa tranquilidade’

O DEPUTADO federal Félix Mendonça Júnior afirmou, em entrevista à Tribuna, que o cenário político nacional segue marcado pela polarização

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Destinos RS discute o presente e o futuro do turismo gaúcho nesta segunda-feira

Promovido pelo Correio do Povo, evento acontece no Espaço de Experiências do CIEE-RS, no Centro de Porto Alegre

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Bragança, Vila Real e Viseu contrariam pedido de Carneiro e há listas rivais pelas federações

Secretário-geral não endossou apoios, mas via como desejável acordos para listas únicas às federações. Em três distritos, pelo menos, haverá luta. Alentejo verá mudanças com soluções de continuidade.

domingo, 10 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


IRÃ CONFIRMA PARTICIPAÇÃO NA COPA/2026

A Federação de Futebol do Irã confirmou ontem, 9, a participação da seleção masculina na Copa do Mundo de 2026, mas exigiu garantias dos países-sede — Estados Unidos, México e Canadá — em meio à guerra no Oriente Médio. Entre as condições estão a concessão de vistos, respeito à bandeira e ao hino iranianos e reforço na segurança em aeroportos, hotéis e estádios. A tensão aumentou após o Canadá barrar, no mês passado, a entrada do presidente da federação iraniana por supostas ligações com a Guarda Revolucionária Islâmica. Mesmo com as incertezas causadas pelo conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, a entidade afirmou que disputará o Mundial sem abrir mão de “crenças, cultura e convicções”. O presidente da federação, Mehdi Taj, também pediu vistos para atletas e integrantes da comissão técnica ligados à Guarda Revolucionária, como Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi. Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os jogadores iranianos serão bem-vindos, mas admitiu restrições a membros da delegação com vínculos militares.


ISRAEL DEPORTA THIAGO ÁVILA

O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou neste domingo (10) a deportação do brasileiro Thiago Ávila e do palestino-espanhol Saif Abu Keshek, integrantes da flotilha Global Sumud, interceptada por forças israelenses no fim de abril rumo à Faixa de Gaza. Segundo Tel Aviv, os dois foram investigados e deportados por tentativa de violar o bloqueio imposto ao território palestino. A embarcação levava ajuda humanitária e foi abordada em águas internacionais próximas à ilha de Creta, na Grécia. Ao todo, 175 ativistas de várias nacionalidades foram detidos. Espanha, Brasil e ONU criticaram a ação e pediram a libertação dos participantes. Um tribunal israelense rejeitou recurso contra a prisão. A ONG israelense Adalah denunciou maus-tratos, isolamento, interrogatórios prolongados e abusos psicológicos durante a detenção em Ascalão. Israel negou as acusações. Além de Ávila, outros brasileiros participaram da missão: Amanda Marzall, Leandro Lanfredi e Thainara Rogério. A flotilha havia partido da Itália em 26 de abril com destino a Gaza.

INDENIZAÇÃO DE R$ 250 MIL CAI PARA R$ 80 MIL

A 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho reduziu de R$ 250 mil para R$ 80 mil a indenização por danos morais paga por um banco a uma ex-funcionária com doença ocupacional. A trabalhadora atuou por 26 anos em funções administrativas e de caixa, realizando digitação contínua sem pausas ergonômicas, o que levou ao desenvolvimento da Síndrome do Túnel do Carpo, enquadrada como LER/DORT. Laudos médicos apontaram incapacidade parcial para atividades com movimentos repetitivos nos membros superiores. A Justiça do Trabalho reconheceu o nexo entre o trabalho e a doença e condenou o banco ao pagamento de R$ 250 mil. No recurso ao TST, a instituição alegou que o valor era desproporcional diante do caráter parcial e reversível da lesão. O relator, ministro Augusto César Leite de Carvalho, afirmou que a revisão do valor só é admitida em casos excepcionais, quando há desrespeito aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Segundo o magistrado, o montante fixado pelas instâncias inferiores era excessivo frente à extensão do dano comprovado. A turma considerou a gravidade da doença, as falhas ergonômicas e a capacidade econômica do banco, fixando a indenização em R$ 80 mil.

MANTIDA CONDENAÇÃO DO FACEBOOK

A 5ª Turma Recursal Cível do TJ/SP manteve condenação do Facebook por danos morais a advogado vítima do “golpe do falso advogado” no WhatsApp. Criminosos usaram nome e imagem do profissional para pedir pagamentos indevidos a clientes. Mesmo após denúncias feitas na plataforma, a empresa não adotou medidas eficazes para bloquear a conta fraudulenta, permitindo a continuidade da fraude. A indenização foi fixada em R$ 7 mil. O Facebook alegou perda do objeto e ausência de responsabilidade, sustentando tratar-se de fortuito externo. O relator, juiz Renato Guanaes Simões Thomsen, rejeitou os argumentos. Segundo o magistrado, houve falha na prestação do serviço, nos termos do artigo 14 do CDC, pois a plataforma permaneceu inerte após ser comunicada da fraude. A decisão também considerou os prejuízos profissionais e o desvio produtivo do consumidor, já que a vítima precisou recorrer ao Judiciário para resolver o problema.

Salvador, 10 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

GERENTES DA ELETROBRAS RECLAMAM ASSÉDIO MORAL


A 7ª turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Eletrobras, atualmente Axia Energia, a indenizar gerentes ofendidos pelo então presidente da companhia durante reunião sindical realizada em junho de 2017. 
O colegiado reconheceu a prática de assédio moral e fixou indenização individual de R$ 3,7 mil para cada gerente com contrato ativo à época, além de dano moral coletivo de R$ 125 mil. As declarações ocorreram em encontro entre a direção da empresa e o Coletivo Nacional dos Eletricitários, que discutia reestruturação da estatal, cortes de postos de trabalho e mudanças em direitos trabalhistas. Segundo as entidades sindicais, o então presidente chamou gerentes de “inúteis”, “vagabundos” e “safados”. Áudio anexado ao processo registrou afirmações de que havia “muito mais gerente do que devia” e “um monte de safados” na empresa. Os sindicatos alegaram que a divulgação nacional do conteúdo atingiu a honra e a reputação dos empregados. Na defesa, a empresa afirmou que o dirigente atuava sob forte pressão para implementar medidas emergenciais determinadas pelo Ministério de Minas e Energia e sustentou que o ambiente das negociações era marcado por tensão constante. 

A Eletrobras também argumentou que as críticas se dirigiam apenas a parte do corpo gerencial e ressaltou que não foi responsável pela gravação nem pela divulgação do áudio. Em 1ª instância e no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, o pedido de indenização foi rejeitado. O entendimento foi de que a empresa não poderia ser confundida com a figura de seu presidente e que houve retratação posterior às declarações. Ao julgar o recurso, o ministro Cláudio Brandão afirmou que submeter empregados a situações vexatórias, mesmo em reunião fechada, caracteriza assédio moral. O magistrado ponderou, contudo, que a repercussão pública das falas ocorreu após divulgação do áudio pelos próprios sindicatos. Por isso, a condenação foi limitada aos empregados que exerciam cargos de gerência e tinham contrato vigente em junho de 2017. A indenização coletiva de R$ 125 mil será destinada a órgão público ou entidade de educação ou profissionalização indicada pelo Ministério Público do Trabalho. 

ENTIDADES DA MAGISTRATURA REPUDIAM CHARGE DA FOLHA


O CNJ, a Associação dos Magistrados Brasileiros e a Associação dos Juízes Federais do Brasil divulgaram notas de repúdio contra charge publicada pela Folha de S.Paulo ontem, 9, que ironizava a remuneração da magistratura com a imagem de uma lápide. 
A reação ocorreu poucos dias após a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, após complicações de procedimento ligado à fertilização in vitro. As entidades consideraram a publicação ofensiva e insensível diante do luto da categoria, especialmente às vésperas do Dia das Mães. O presidente do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, afirmou que a liberdade de imprensa e o direito à crítica são pilares da democracia, mas devem ser exercidos com prudência, responsabilidade e consciência ética em momentos de dor coletiva.

Segundo o Conselho, a “deslegitimação contínua da magistratura” compromete estruturas essenciais de proteção das liberdades constitucionais e da estabilidade republicana. A Ajufe classificou a charge como “grave e insensível”, acusando a publicação de banalizar a morte e ignorar o impacto emocional da perda da magistrada. Já a AMB afirmou que a imagem transformou a magistratura em alvo de “escárnio” e ressaltou que o debate público não pode perder sua dimensão humana. As entidades reiteraram solidariedade à família da juíza, defenderam respeito institucional e afirmaram que críticas à magistratura são legítimas, mas não podem ultrapassar limites éticos e humanitários. 

CUSTO REAL DO PETRÓLEO


Ninguém suporta mais notícias sobre desequilíbrio fiscal, gastança do Executivo, pautas-bomba no Congresso e penduricalhos do Judiciário. Mas pouco se fala do custo real do petróleo e da guerra no Irã. 
É mais fácil defender cortes em despesas sociais do que discutir subsídios aos combustíveis fósseis, que somam cifras trilionárias no mundo. Sem contar o custo da ação militar dos EUA e de Israel contra o Irã. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o planeta gastou US$ 916,3 bilhões em 2024 para apoiar combustíveis fósseis —um terço do PIB brasileiro. O Fundo Monetário Internacional calcula US$ 725 bilhões em subsídios explícitos. Incluindo custos indiretos, como poluição e eventos climáticos extremos, o valor sobe em US$ 6,7 trilhões. Perto disso, o subsídio ao diesel promovido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva parece pequeno: R$ 30 bilhões. Ainda assim, pesa em um país com déficit nominal de R$ 1,2 trilhão. O texto critica também o sistema financeiro e os privilégios políticos, mas volta ao foco ambiental: os combustíveis fósseis e a crise climática.

Embora o Irã represente ameaça regional, o autor afirma que interesses ligados ao petróleo e ao controle do Estreito de Hormuz ajudam a explicar o apoio de Donald Trump à estratégia de Benjamin NetanyahuA guerra tende a frear a queda dos subsídios fósseis, que recuaram 11% entre 2023 e 2024. Só a operação militar “Fúria Épica” já teria custado US$ 25 bilhões, segundo o governo americano, podendo superar US$ 70 bilhões em estimativas independentes. O setor de Defesa dos EUA pediu orçamento de US$ 1,5 trilhão para 2027. O banco Goldman Sachs estima perda de 0,5% do PIB americano, enquanto o Nobel Joseph Stiglitz calcula prejuízo de US$ 3 trilhões. O artigo conclui que esses recursos poderiam ser investidos na transição energética e na redução da dependência de combustíveis fósseis. 

EX-PRESIDENTE SERÁ JULGADO POR TRÁFICO DE MENOR


Um tribunal da Bolívia convocou o ex-presidente Evo Morales para comparecer a julgamento a partir da próxima segunda-feira (11/5), acusado de tráfico de menor. A audiência, porém, pode ser frustrada após seus advogados afirmarem que não foram notificados oficialmente. 
Segundo a Promotoria, Morales teria mantido, em 2015, uma relação com uma adolescente de 15 anos, com quem teve uma filha durante seu último mandato presidencial. A acusação sustenta que os pais da jovem consentiram em troca de benefícios. O juiz Luis Ortiz Flores, autoridade judicial de Tarija, confirmou que a audiência está marcada para ocorrer presencialmente. Já o advogado Wilfredo Chávez afirmou que nem Morales nem sua defesa comparecerão por falta de notificação formal. De acordo com a defesa, a convocação foi feita por edital, e não enviada ao endereço do ex-presidente. Morales, de 66 anos, está refugiado desde outubro de 2024 na região do Chapare, seu reduto político, para evitar uma ordem de prisão.

Milhares de apoiadores camponeses mantêm vigília armada com lanças para impedir a entrada da polícia na área. Em janeiro de 2025, após faltar a uma audiência da fase de investigação, Morales foi declarado rebelde pela Justiça, condição que impede o arquivamento do processo enquanto ele não comparecer. A própria condição de rebelde, porém, pode suspender o início do julgamento. Segundo Ortiz, apenas casos de corrupção podem ser julgados sem a presença do acusado. A defesa de Morales argumenta que a Convenção Interamericana de Direitos Humanos garante ao acusado o direito de estar presente diante de seus juízes e exercer plenamente sua defesa.