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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

HOMEM PROVOCA ABORTO EM MULHER E É CONDENADO


O Tribunal do Júri de Jacinto, no Vale do Jequitinhonha, condenou um homem a 10 anos de prisão, em regime inicial fechado, por provocar aborto sem o consentimento da gestante. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o acusado agiu por motivo torpe, após se recusar a assumir a paternidade da criança, depois do fim do relacionamento com a vítima. De acordo com a denúncia, ele atraiu a mulher sob o pretexto de levá-la a outra cidade para um exame pré-natal. Após uma relação sexual em um hotel, obrigou a gestante a ingerir e introduzir comprimidos abortivos conhecidos como Citotec. Como a vítima conseguiu retirar parte dos medicamentos, o aborto não ocorreu inicialmente. No dia seguinte, o agressor voltou a atacar. Por volta da meia-noite, invadiu a residência da mulher, arrastou-a pelo pescoço e abriu sua boca à força para fazê-la engolir mais comprimidos. A violência ocorreu diante da mãe da vítima, que, conforme o MPMG, ficou paralisada de medo, intimidada pela condição de autoridade policial do acusado no município. O Conselho de Sentença, presidido pelo juiz Victor Martins Diniz, reconheceu, por maioria de votos, a materialidade do crime e a autoria atribuída ao réu.

O magistrado fixou a pena em 10 anos de reclusão, o máximo previsto para o caso, em regime inicial fechado. A sentença não permite a substituição da prisão por penas restritivas de direitos, considerando as circunstâncias do crime e os graves danos físicos e neurológicos causados à vítima, que desenvolveu síndrome do pânico. A decisão foi fundamentada no artigo 125 do Código Penal e assinada na sexta-feira (23/10). O processo tramita em segredo de Justiça.

 

ALCKMIN PODERÁ ASSUMIR O MINISTÉRIO DA FAZENDA


A formação do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser definida a partir do fim de novembro. Fontes do Palácio do Planalto não esperam mudanças significativas ou surpreendentes na equipe ministerial. 
O vice-presidente Geraldo Alckmin é cotado para assumir o Ministério da Fazenda, numa tentativa de recuperar a confiança do mercado financeiro e demonstrar compromisso com o equilíbrio fiscal. Nesse cenário, Dario Durigan poderia substituí-lo no Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, mantendo as negociações comerciais com os Estados Unidos. O deputado André Janones, reeleito pela Rede, ganhou destaque na campanha do segundo turno, mobilizando militantes e eleitores contra Flávio Bolsonaro. Lula sinalizou que ele poderá ter papel importante na comunicação do governo, embora setores do PT questionem seus métodos de mobilização. O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, também saiu fortalecido. Ele teve participação importante na reeleição do governador Elmano de Freitas e ajudou a reorganizar a campanha presidencial no segundo turno, ao lado de Rafael Fonteles e Edinho Silva. Camilo é cotado para a Casa Civil ou para retornar ao Ministério da Educação, mantendo visibilidade política para o futuro. Entretanto, disputa espaço com Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, derrotado por Tarcísio de Freitas na eleição paulista.

A ex-ministra Gleisi Hoffmann também aparece entre os possíveis nomes para a Casa Civil. Apesar de não ter sido eleita senadora pelo Paraná, ela mantém a confiança de Lula e pode ocupar uma função estratégica no governo. Alexandre Padilha deverá permanecer no Ministério da Saúde. Sua gestão ampliou a visibilidade da pasta e fortaleceu a articulação com estados, municípios e Congresso. Sua atuação nas redes sociais também é considerada importante para divulgar programas governamentais. Simone Tebet e Marina Silva, derrotadas na disputa pelo Senado em São Paulo, deverão voltar ao governo, mas não necessariamente aos ministérios que ocupavam anteriormente. Tebet é cotada para retornar ao Planejamento, embora dispute a vaga com Miriam Belchior, que também poderá assumir a presidência da Petrobras. Marina Silva, crítica da exploração de petróleo na Margem Equatorial, também é mencionada para comandar a estatal. Lula pretende fortalecer a produção de energia limpa e renovável, transformando essa área em uma das prioridades futuras da empresa.


THE NEW YORK TIMES CRITICA INTERFERÊNCIA DE TRUMP NO BRASIL


O The New York Times criticou, em editorial publicado ontem, 25, a interferência de Donald Trump nas eleições de outros países, especialmente no Brasil. O jornal afirma que o presidente americano retoma práticas intervencionistas da Guerra Fria, prejudiciais à democracia e aos próprios interesses dos Estados Unidos. Segundo o editorial, Trump e integrantes de seu governo apoiaram candidatos em países como Argentina, Colômbia, Honduras, Hungria, Israel, Japão e Polônia. Em alguns casos, Washington ofereceu vantagens a aliados políticos e puniu governos adversários. O Brasil é apontado como exemplo recente dessa política. No domingo, os eleitores brasileiros escolheram entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. Embora Trump não tenha declarado apoio formal a Flávio, o jornal afirma que suas ações favoreceram o candidato da direita. Em 2025, o governo americano impôs tarifas de 50% à maioria dos produtos brasileiros e sancionou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sua esposa, tentando pressionar o país após a condenação de Bolsonaro. Parlamentares democratas denunciaram a interferência ao secretário de Estado, Marco Rubio. Lula também criticou, na ONU, a ingerência externa nos processos eleitorais.

Para o conselho editorial do NYT, interferir nas eleições de uma democracia é uma atitude antidemocrática, pois os americanos não têm o direito de decidir o que é melhor para os brasileiros. Historicamente, esse paternalismo produziu resultados negativos, inclusive para os próprios Estados Unidos. O jornal observa que Trump costuma favorecer políticos de extrema direita com tendências autoritárias, que utilizam o poder estatal em benefício próprio e tentam alterar regras eleitorais para permanecer no governo. Embora não seja possível medir o efeito dessas intervenções, algumas tiveram resultados contrários aos pretendidos, como o apoio americano ao húngaro Viktor Orbán, derrotado nas urnas. Na América Latina, o avanço da direita também está relacionado à insatisfação popular com o desempenho econômico de governos de esquerda, à criminalidade e à migração. Entretanto, Trump utiliza o poder econômico americano para recompensar aliados e punir adversários. O editorial cita ainda a Venezuela, onde, segundo o texto, Trump empregou força militar para depor Nicolás Maduro e instalar um governo alinhado aos interesses americanos. Essa política, afirma o jornal, enfraquece a posição internacional dos EUA e favorece regimes autoritários, como os da China, Rússia e Irã, ao alimentar acusações de imperialismo contra as democracias ocidentais. A interferência também prejudica a imagem americana na América Latina. Pesquisas do Pew Research Center indicam que a vantagem dos Estados Unidos sobre a China na opinião pública regional praticamente desapareceu no Brasil, enquanto outros países passaram a demonstrar maior simpatia pelos chineses. O jornal recorda que os EUA apoiaram ações clandestinas contra o governo João Goulart, no início dos anos 1960, contribuindo para o golpe militar de 1964 e duas décadas de ditadura. Com a redemocratização brasileira, a partir de 1985, o país fortaleceu suas instituições e retomou as eleições presidenciais diretas em 1989. Esse processo foi positivo para o Brasil e para a comunidade internacional. O NYT conclui que a influência americana depende do respeito aos ideais democráticos. Ao tentar controlar escolhas políticas de outros países, Trump prejudica outras nações e enfraquece o próprio poder dos Estados Unidos.



LÍDER DA OPOSIÇÃO RETORNA À VENEZUELA

A líder opositora venezuelana María Corina Machado voltou à Venezuela ontem, 25, após quase um ano fora do país. Vencedora do Nobel da Paz de 2025, ela busca recuperar seu protagonismo político em meio às negociações sobre a transição de poder. “Estou aqui. Com vocês”, escreveu nas redes sociais ao anunciar o retorno. Machado visitou uma igreja no estado de Lara e foi recebida por apoiadores. Seu partido, Vente Venezuela, publicou imagens da dirigente durante uma missa e cercada por simpatizantes. Edmundo González Urrutia, que disputou a Presidência em 2024 com seu apoio, celebrou a volta e afirmou que pretende encontrá-la em breve. Ainda não foram divulgados detalhes sobre como a opositora conseguiu entrar no país. Segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, seu retorno foi possível graças às negociações de reconciliação apoiadas pelos Estados Unidos. Machado deixou a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Nobel, após passar mais de um ano na clandestinidade para evitar a prisão. Impedida pelo chavismo de deixar o país desde 2014, viajou secretamente a Oslo, na Noruega, e sua filha recebeu o prêmio na cerimônia. Depois de uma breve passagem pelos Estados Unidos, instalou-se na Cidade do Panamá e fez ao menos sete tentativas frustradas de retornar à Venezuela. Críticos acusam o governo de Donald Trump de abandonar a oposição e priorizar acordos petrolíferos e investimentos com o governo interino de Delcy Rodríguez. Machado também criticou o acordo de petróleo entre Washington e Caracas.

Sua volta ocorre após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro. Delcy, ex-vice-presidente do ditador, permaneceu no poder e iniciou negociações com Washington e setores oposicionistas sobre mudanças nas instituições eleitorais e judiciais. Trump e Delcy afirmaram que haverá eleições, mas não estabeleceram prazos. O Vente Venezuela, partido de Machado, está excluído das negociações. A dirigente defende que a eleição presidencial ocorra até julho de 2027. A oposição sustenta que González venceu o pleito de 2024, cuja apuração completa nunca foi divulgada pelo regime de Maduro. Na quinta-feira (22), milhares de venezuelanos protestaram em Caracas e outras cidades, exigindo eleições livres, calendário eleitoral e libertação de presos políticos. Foi a primeira mobilização nacional da oposição em quase dois anos. Autoridades americanas, incluindo Trump, afirmam que a Venezuela ainda não está preparada para realizar eleições. O retorno de María Corina Machado aumenta a pressão sobre o governo interino e os Estados Unidos para estabelecer um calendário eleitoral e garantir uma transição democrática no país.

 

TRUMP VOLTA A QUESTIONAR SEGURANÇA DAS ELEIÇÕES


Donald
Trump votou antecipadamente no sábado, (24), na Flórida, nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. O presidente e a primeira-dama, Melania Trump, votaram em Palm Beach, perto de Mar-a-Lago. Em seguida, Trump viajou para a Geórgia, onde participou de um comício em apoio aos republicanos. Embora não seja candidato, ele percorre o país para mobilizar eleitores e fortalecer seu partido. Os republicanos enfrentam o risco de perder a estreita maioria que possuem nas duas Casas do Congresso. Durante conversa com jornalistas, Trump voltou a questionar a segurança do sistema eleitoral americano. Sem apresentar provas, alegou que houve fraude em massa nas eleições de 2020. Também afirmou que existiriam cédulas inválidas em Los Angeles, cidade de maioria democrata. Trump tem histórico de contestar resultados eleitorais desfavoráveis. Em janeiro, lamentou não ter usado a Guarda Nacional para apreender máquinas de apuração após perder para Joe Biden. O presidente já defendeu que republicanos assumissem o controle da votação em determinadas localidades. Também propôs nacionalizar as eleições, embora a Constituição atribua aos estados sua administração. Trump pressionou o Congresso pela aprovação do Save America Act, projeto que exige identificação com foto e comprovante de cidadania para registro eleitoral. A proposta também amplia o compartilhamento de dados entre estados e governo federal, mas não foi aprovada.

O governo afirma que as medidas combatem fraudes e impedem votos de pessoas sem direito eleitoral. Entretanto, não há registros de fraudes significativas dessa natureza. No mês passado, a Suprema Corte rejeitou um pedido do governo para permitir novas regras postais sobre cédulas eleitorais. A decisão representou um revés para a tentativa de restringir o voto pelo correio. Pesquisas indicam que os democratas utilizam essa modalidade com maior frequência que os republicanos. Trump intensificou sua atuação política diante da queda de popularidade e das pesquisas desfavoráveis. Tradicionalmente, as eleições de meio de mandato beneficiam a oposição ao partido que ocupa a Casa Branca. Para evitar derrotas, a operação política de Trump destinou US$ 277 milhões a candidatos republicanos entre setembro e meados de outubro. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times. A perda da maioria no Congresso reduziria o espaço de Trump para aprovar sua agenda nos dois últimos anos de governo. Os democratas também prometem ampliar investigações sobre os negócios do presidente e de pessoas próximas a ele.