Integrantes da delegação cubana reagiram, batendo nas mesas e exigindo a palavra. Alguns se aproximaram da tribuna, obrigando Waltz a interromper o discurso e exigir que recuassem. Após a suspensão da sessão, Rodríguez respondeu às acusações e chamou Waltz de mentiroso. Durante ou depois do confronto, Concepción discutiu com um funcionário americano que o filmava. Imagens divulgadas por Waltz mostram o diplomata afastando o celular do homem com um tapa. O cubano alegou que o funcionário violava seu espaço pessoal. Um representante da ONU acompanhou-o para fora do local. Waltz afirmou que Concepción tentava intimidar funcionários da organização e impedir que seu microfone fosse desligado. Em protesto formal à ONU, o embaixador cubano acusou o funcionário americano de assediar o diplomata. A resolução contra o embargo é apresentada anualmente e recebe apoio da maioria dos países, inclusive de nações críticas ao regime cubano, que consideram as sanções prejudiciais à população. Neste ano, porém, a pressão diplomática do governo Trump reduziu o apoio à proposta: foram 130 votos favoráveis, contra 165 no ano anterior. Segundo a ONU, foi o menor resultado em 20 anos. O apoio à resolução chegou a 191 votos em 2015 e 2017, enquanto, em 1992, quando foi apresentada pela primeira vez, recebeu apenas 59 votos.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2026
TRUMP USA FORÇA E EXPULSA DIPLOMATA CUBANO
DEPUTADOS AMERICANOS COBRAM PARTICPAÇÃO DO GOVERNO NA FUGA DE FLÁVIO
Eles querem identificar quem autorizou os vistos, quando foram concedidos e se o governo americano conhecia a decisão do STF. Também questionam se houve verificação de eventual autorização judicial para Flávio deixar o Brasil e se a concessão dos vistos foi reconsiderada após o conhecimento das restrições. Por fim, pedem informações sobre contatos entre funcionários do Departamento de Estado, da Casa Branca e outras agências com Flávio, seus familiares, advogados, assessores políticos ou intermediários envolvidos na viagem.
RECOMENDAÇÃO DO CNJ CONTRA VIOLÊNCIA DE GÊNERO
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma recomendação para combater a chamada violência processual de gênero, caracterizada pelo uso da Justiça para retaliar, controlar ou intimidar mulheres que denunciam agressões ou reivindicam seus direitos. A norma busca impedir que processos judiciais se transformem em instrumentos de prolongamento do abuso e do sofrimento das vítimas. O texto aborda o chamado “lawfare de gênero”, prática que consiste na abertura estratégica de várias ações cíveis, criminais e familiares para provocar desgaste emocional e asfixia financeira das mulheres. A decisão foi aprovada por maioria na terça-feira (27), seguindo o voto da relatora, conselheira Jaceguara Dantas. Entre os sinais de abuso estão a apresentação repetida de ações sem fundamento, pedidos de provas invasivas ou vexatórias e o descumprimento deliberado de decisões judiciais. Também são apontadas tentativas de impor contatos indesejados, ocultar patrimônio e apresentar acusações infundadas de alienação parental ou incapacidade mental para desqualificar a mulher. A recomendação orienta os magistrados a analisar o contexto das disputas e a desigualdade de poder entre as partes, em vez de examinar cada processo isoladamente. A relatora relatou casos de mulheres que, após conseguirem medidas protetivas, passaram a enfrentar dezenas de ações movidas por ex-companheiros. Segundo ela, “o processo não pode se tornar uma extensão dessa violência”. O documento também orienta os juízes a impedir perguntas ofensivas, provas e manifestações que culpabilizem as vítimas ou exponham indevidamente sua vida íntima e sexualidade.
A recomendação estabelece quatro etapas de atuação: Identificar: reconhecer a repetição de ações abusivas e o contexto de vulnerabilidade da mulher. Interromper: barrar perguntas ofensivas, pedidos abusivos e provas sem relevância. Proteger: adotar medidas como depoimentos por videoconferência, salas separadas, sigilo processual e produção antecipada de provas. Responsabilizar: aplicar as sanções previstas em lei e comunicar irregularidades à OAB, ao Ministério Público e às corregedorias. Quando constatada a violência processual, os juízes deverão rejeitar medidas meramente protelatórias, retirar expressões ofensivas e aplicar as sanções previstas no Código de Processo Civil. A recomendação não cria novos crimes ou penalidades, mas estabelece diretrizes para utilizar os instrumentos jurídicos já existentes. O CNJ também determina que os tribunais promovam capacitação permanente de magistrados e servidores para identificar e combater esse tipo de violência.
EMPRESÁRIO É CONDENADO A 17 ANOS
A Justiça de São Paulo condenou, nesta sexta-feira (30), o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho a 17 anos, um mês e dez dias de prisão, em regime fechado, pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana. Sastre dirigia um Porsche em 31 de março de 2024, quando perdeu o controle do veículo e atingiu, em alta velocidade, o Renault Sandero da vítima, na zona leste de São Paulo. A sentença, baseada na decisão do júri, também determinou a suspensão do direito de dirigir. O empresário foi condenado ainda por lesão corporal contra o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha, passageiro do Porsche, que sofreu graves ferimentos. A juíza Melanie Liesenberg destacou que Sastre ignorou os pedidos dos amigos para não dirigir. Segundo ela, essa atitude demonstrou que o acusado assumiu o risco de provocar o acidente, caracterizando dolo eventual. A magistrada ressaltou que o empresário voltou a dirigir menos de um mês depois de cumprir suspensão da carteira por participar de uma corrida ilegal. Também considerou as consequências da morte para a filha adolescente de Ornaldo, que ficou órfã e desamparada materialmente, além das sequelas físicas e psicológicas sofridas pelo passageiro. O acidente ocorreu por volta das 2h, na avenida Salim Farah Maluf. A perícia apontou que o Porsche trafegava a 156 km/h, embora o limite da via fosse de 50 km/h.
Segundo o Ministério Público, Sastre havia saído com a namorada e amigos, passado por um bar e seguido para uma casa de pôquer com serviço de bebidas liberadas. Durante o julgamento, o empresário admitiu pela primeira vez ter consumido dois drinques à base de uísque antes do acidente. Anteriormente, havia negado ter ingerido álcool. Ele afirmou estar arrependido e pediu perdão às vítimas e familiares, alegando que acreditava ter condições de dirigir. O promotor Rodolfo Morais questionou a mudança de versão e afirmou que o acusado tentou esconder o consumo de bebida para escapar da condenação. A defesa, por sua vez, não pediu absolvição, mas sustentou que o crime deveria ser considerado homicídio culposo, sem intenção de matar, para reduzir a pena. A advogada da família de Ornaldo considerou que a decisão do júri fez justiça, diante da gravidade do caso.
EMPRESÁRIO CONSIDERA DIFÍCIL O ANO DE 2027
O presidente do conselho da Natura, Fábio Barbosa, afirma que o Brasil enfrentará um ano economicamente difícil em 2027, devido ao aumento dos gastos públicos e ao desequilíbrio fiscal. Ex-presidente do Santander Brasil e da Febraban, ele defende maior responsabilidade nas contas públicas. Sem declarar voto, Barbosa avalia que a equipe de Flávio Bolsonaro demonstrava disposição para enfrentar o problema fiscal, enquanto Lula só recentemente passou a tratar do assunto. Para o executivo, o aumento dos gastos públicos não resolve a pobreza e pode provocar inflação, juros elevados e redução do poder de compra. Ele defende investimentos que ampliem a produção e gerem oportunidades de trabalho. Barbosa apoia as políticas sociais, mas considera necessário realizar um pente-fino nos benefícios, para evitar pagamentos indevidos. Também defende a reforma administrativa, o fim de privilégios no Judiciário e a revisão dos incentivos fiscais. Sobre a reforma tributária, considera que houve avanços, mas ainda existem questões a resolver, como a definição das alíquotas e o funcionamento do sistema de recolhimento automático de impostos. O empresário também concorda com críticas às isenções tributárias concedidas a investimentos como LCI, LCA, CRI e CRA, que, em sua avaliação, precisam ser revistas na reforma do Imposto de Renda.
Barbosa afirma que o governo Lula errou ao não ampliar o diálogo com setores de centro e ao permitir que a dívida pública aumentasse de 72% para 82% do PIB. Apesar das críticas, reconhece avanços na produção de petróleo, na agricultura, na geração de energia e na abertura de mercados internacionais. Ele considera que o Brasil não corre risco de quebrar, pois mantém as contas externas em ordem, inflação sob controle e Banco Central independente. Entretanto, prevê crescimento econômico medíocre, pressionado pelos juros elevados e pela necessidade de financiamento. O executivo defende ainda políticas de educação, saneamento e igualdade de oportunidades como caminhos para reduzir a desigualdade e fortalecer a economia. Para ele, o próximo governo deverá priorizar estabilidade econômica, juros menores e segurança jurídica.




