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sábado, 4 de abril de 2026

SAIU NA FOLHA DE ONTEM

Laura Greenhalgh

Jornalista, atuou nas revistas Veja e Época, foi editora-executiva de O Estado de S. Paulo e é sócia-fundadora da Palavra Escrita Editorial

SALVAR ARTIGOS

Laura Greenhalgh
Descrição de chapéuGOVERNO TRUMP

O culto à personalidade, segundo Donald Trump

  • Presidente estampa nome ou rosto em centro cultural, moeda, cédula, biblioteca e salão de festas
  • Republicano anseia por retorno à Era Dourada, tempo de industrialização, grandes desigualdades e muita corrupção

2.abr.2026 às 23h00

Se a sabedoria popular ensina que "nem tudo o que reluz é ouro", Donald Trumpassume que "tudo o que reluz é poder". Esta semana seu gosto por dourados apoteóticos foi mais uma vez testado. Um juiz federal, com elos no Partido Republicano, suspendeu a construção avançada do novo Salão de Festas da Casa Branca até que o projeto seja autorizado pelo Congresso.

Trump reagiu. Veio com uma nova versão do salão, orçado em US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões), segundo a qual o espaço nada mais é do que um "galpão" para esconder um complexo militar. Ou seja, convivas da Casa Branca deslizarão em piso de mármore, sob o qual haverá bunker, hospital, aparato de biodefesa e um centro de comunicações de alta segurança.

"Sendo assim, eu me autorizo a continuar a construção", decretou Trump, fora dos autos. O proponente da ação apreciada pelo juiz Richard J. Leon é o Fundo Nacional de Preservação Histórica, respeitada entidade de defesa patrimonial, vista pelo presidente como "um bando de lunáticos da extrema esquerda".

Numa vertigem autolouvatória, Trump anuncia a sua futura biblioteca presidencial na orla de Miami. O arquiteto cubano Willy A. Bermello, preferido dos ricaços da Flórida e autor do projeto, desenhou um arranha-céu de 60 andares, com escadas rolantes e elevadores dourados, tornando nanicas todas as bibliotecas presidenciais do país.

Eric Trump, terceiro filho, festejou a iniciativa, digna de –e me permitam acrescentar mais estas aspas no texto– "um homem espetacular, empreiteiro incrível e maior presidente que este país já conheceu". Eric está metido no negócio desde a escolha do terreno, valiosíssimo, oficialmente doado por uma universidade pública de Miami, sob as bênçãos do governador da Flórida, Ron DeSantis.

Tudo somado, biblioteca, salão de festas, moeda com Trump nas duas faces, nova nota de 100 dólares autografada por ele e o rebatizado Trump-Kennedy Center for the Performing Arts, de destino incerto, o que se vê é um desmedido culto à personalidade, a caminho do zênite.

Trump elogia publicamente a Gilded Age, ou a Era Dourada americana, pós-Guerra Civil. Diz que fará algo mais grandioso. Refere-se ao período entre 1870 e 1900, próspero nas aparências, porém, sombrio nas entranhas. Se a Era Dourada marcou o nascimento das corporações e a industrialização do país, marcou também a reescravização de negros libertos, as jornadas de trabalho desumanas, o isolamento dos povos nativos em reservas, enfim, distorções sociais cujos ecos ressoam na América hoje.

Lá Fora

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Sempre vale ouvir o historiador Richard White, professor emérito da Universidade Stanford. Ele aponta o elemento comum entre a Era Dourada do final do século 19 e a Era Dourada de Trump: a corrupção. Roubalheira houve no passado e continua hoje. Só que, para White, a maneira como o chefe da Casa Branca utiliza a Presidência para abocanhar riquezas para si e sua família é algo sem precedente na história americana.

Além de criptomoedas, incorporações imobiliárias e fundos financeiros, agora a grife Trump cintila na indústria da guerra. No conselho da Unusual Machines, fabricante de drones bélicos, vê-se o nome do primogênito Donald Trump Jr. Presença útil, a julgar pelos contratos leoninos que a empresa passou a ter com o Pentágono. Mais um negócio de pai para filho. Outros virão. 

LIBERDADE CONTRATUAL E O MÍNIMO EXISTENCIAL


A liberdade contratual deve respeitar o mínimo existencial quando descontos bancários em conta corrente e na folha atingem níveis que inviabilizam a sobrevivência do devedor e geram superendividamento. 
Esse entendimento levou o juiz Hugo de Souza Silva, da 1ª Vara Cível de Trindade (GO), a conceder tutela de urgência limitando a 35% os descontos mensais sobre o salário de uma servidora federal. Os abatimentos chegavam a comprometer 128,96% da renda da autora. A servidora afirmou ter contraído empréstimos para custear tratamentos de saúde próprios e de seus filhos, todos com condições como TEA, TDAH e mutismo seletivo. Ela alegou violação da margem consignável prevista para servidores públicos. Na ação, pediu a limitação dos descontos a 35% do salário líquido. Ao analisar o caso, o magistrado apontou que os descontos ignoravam a Lei 14.509/2022. A norma estabelece limite de 35% para consignações em folha. O juiz reconheceu precedente do STJ (Tema 1.085), que afasta a limitação para descontos autorizados em conta corrente. No entanto, ponderou que a regra deve ser conciliada com a Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) e com o Código de Defesa do Consumidor. Segundo ele, deve prevalecer o princípio do mínimo existencial.

Quando descontos inviabilizam a subsistência, a liberdade contratual cede à dignidade humana. O magistrado classificou o caso como “sentença de miserabilidade”. Destacou a urgência pela natureza alimentar do salário. Afirmou que a situação se renova a cada mês, agravando a penúria. Considerou a medida reversível, pois não extingue a dívida. Há apenas readequação do pagamento aos credores. Assim, determinou o limite de 35% sobre a remuneração líquida. A decisão abrange descontos em folha e em conta corrente. Também ordenou que o órgão pagador controle débitos automáticos. Por fim, designou audiência de conciliação. O objetivo é renegociar as dívidas da servidora. A decisão busca preservar a dignidade e evitar o superendividamento. Reforça a proteção ao mínimo existencial do consumidor.

 

PROMOTOR PROPÕE AÇÃO CONTRA ADVOGADA


O promotor de Justiça aposentado Walber Luís Silva do Nascimento ajuizou ação por danos morais contra a advogada Catharina Estrella Ballut, pedindo R$ 30 mil de indenização. Ele a acusa de usar informações sigilosas obtidas quando atuou como sua defensora para impedir sua inscrição na OAB e o exercício da advocacia. Segundo a ação, Catharina teria utilizado documentos confidenciais em procedimento na OAB-AM para barrar o registro. O advogado Bruno Infante Fonseca, que representa Walber, afirma que a conduta visa prejudicar sua reputação. A defesa aponta que a advogada acessou ficha funcional com dez processos administrativos, quatro afastamentos e duas suspensões. Também teriam sido usados dados de ação que buscava a perda do cargo do ex-promotor. Essas informações, segundo a defesa, são sensíveis e foram obtidas na relação profissional. O uso contra o ex-cliente configuraria violação de sigilo, lealdade e confidencialidade. Além da indenização, Walber pede que Catharina seja proibida de usar tais documentos em qualquer esfera. Em caso de descumprimento, solicita multa diária de R$ 10 mil. Catharina afirmou que não foi notificada e negou ter divulgado informações do ex-cliente.

Os dois mantêm conflito público desde setembro de 2023. Na época, Walber comparou a advogada a uma cadela durante sessão do Tribunal do Júri. A fala gerou repercussão e medidas disciplinares. O CNMP afastou o promotor e abriu reclamação disciplinar. Catharina também apresentou queixas por injúria e calúnia. Em dezembro de 2023, o processo foi arquivado após a aposentadoria do promotor. O corregedor entendeu que a saída extinguiu o vínculo com o MP. A aposentadoria ocorreu por ato da Procuradoria-Geral de Justiça do Amazonas. Catharina recorreu, alegando tentativa de escapar de punição. Sua defesa sustentou possibilidade de cassação da aposentadoria. Em outubro de 2024, o CNMP determinou a abertura de processo administrativo disciplinar. Conselheiros entenderam que a aposentadoria foi estratégia para evitar responsabilização. Walber recorreu, mas teve o pedido negado em dezembro. Com isso, foi mantida a instauração do PAD contra o ex-promotor.


DEPUTADA DEVE QUASE DOIS BILHÕES

A deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade) assumiu vaga na Assembleia Legislativa do


Rio em janeiro de 2025. 
Dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) mostram que seu CPF acumula dívida de R$ 1,745 bilhão com a União. O valor aumentou cerca de R$ 200 milhões desde que tomou posse no cargo. A dívida integra um passivo maior da família Poncio, estimado em quase R$ 3 bilhões após exclusão de duplicidades. Os débitos são compartilhados porque os CPFs estão ligados a empresas do mesmo grupo. O pai, o pastor Márcio Poncio, aparece com a mesma dívida em seu CPF. A mãe, Simone Poncio, soma cerca de R$ 1,45 bilhão em débitos tributários. Mesmo com sobreposição de valores, o montante coloca Sarah como a política mais endividada do país; sua dívida equivale ao total somado de centenas de políticos eleitos em 2022. Ao assumir o cargo, afirmou que provaria não ser responsável pelos débitos; grande parte da dívida vem de empresas ligadas ao setor de tabaco e o grupo familiar possui 21 empresas, sendo seis desse segmento. O pai da parlamentar ficou conhecido como “pastor do cigarro”, gerando críticas no meio evangélico. A principal cobrança contra Sarah é de IPI, que soma R$ 1,318 bilhão. Também há débitos de Cofins (R$ 114,8 milhões) e IRPJ (R$ 113,4 milhões). Outros valores incluem Contribuição Social e PIS, além de multas.

Especialistas apontam ligação do setor com práticas de sonegação. O tema foi debatido na CPI do Crime Organizado no Congresso. Para analistas, casos como esse dificultaram o avanço da lei contra devedores contumazes. A legislação só avançou após operações contra o crime organizado. Segundo especialistas, setores como cigarro e combustíveis concentram fraudes tributárias. A família Poncio também é conhecida pela forte presença nas redes sociais. Sarah tem milhões de seguidores e divulga sua rotina e mandato online. O irmão, Saulo Poncio, e outros familiares também têm grande alcance digital. A visibilidade ajudou na campanha eleitoral de 2022, quando foi eleita suplente. Ela assumiu após o titular virar prefeito de Resende (RJ). Apesar das dívidas, a família ostenta padrão de vida elevado nas redes. O grupo atua em diversos setores, como eventos, imóveis e transporte aéreo. A nova lei do devedor contumaz prevê punições mais duras para inadimplentes recorrentes.

 

GRUPOS POLÍTICOS E SOCIAIS FAZEM MARCHA, NA ARGENTINA


As ruas Bolívar, Defensa, Reconquista e San Martín, no entorno da Casa Rosada, ficaram lotadas na terça-feira, 24, em ato pelos 50 anos do golpe militar argentino. 
A Praça de Maio voltou a ser o centro do Dia da Memória, relembrando as marchas históricas das Mães de desaparecidos durante a ditadura. O chamado 24M reuniu diferentes grupos políticos e sociais, com peso simbólico ampliado pelo cinquentenário do golpe de 24 de março de 1976. A data ocorre em meio a críticas ao presidente Javier Milei, acusado de relativizar o período. Famílias, idosos e estudantes participaram da marcha, ao som de canções de Charly García e Mercedes Sosa. Manifestantes repetiam o lema: “são 30 mil desaparecidos, todos presentes”. A multidão ocupou a Praça de Maio e a avenida de Maio, com fotos de vítimas da repressão. Mesmo após o ato oficial, pessoas continuaram chegando à região da Casa Rosada. O evento também homenageou vítimas brasileiras, como o músico Francisco Tenório Júnior, morto em 1976. Políticos como Horacio Rodríguez Larreta e Sergio Massa condenaram crimes da ditadura. A mobilização teve clima de forte participação popular, com ruas cheias e comércio movimentado. Um manifestante exibiu imagem de “O Eternauta”, cujo autor Héctor Oesterheld foi vítima do regime.

Momentos de silêncio e aplausos marcaram homenagens aos desaparecidos. Organizações rebateram falas de Milei e reafirmaram o número de 30 mil desaparecidos. Entidades de direitos humanos pediram justiça e reforçaram a importância da memória. Mais cedo, o governo divulgou vídeo defendendo a chamada “memória completa”. A posição inclui vítimas da ditadura e também de grupos armados da época. Críticos apontam que o governo retoma a “teoria dos dois demônios”. Desde 1983, presidentes evitavam essa interpretação sobre o período. Organizações acusam o governo de minimizar crimes da ditadura. O ato reforçou a consigna: “Não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos”. Durante o regime, crianças foram retiradas de famílias e entregues a terceiros. As Avós da Praça de Maio já recuperaram 140 netos desaparecidos. Mais de 50 envolvidos nesses crimes foram condenados. Estela de Carlotto afirmou que ainda há cerca de 300 pessoas com identidade alterada. Ela destacou que a busca por justiça continua ativa. O discurso final criticou alianças entre governos de direita e os EUA. Também apontou impactos econômicos e sociais herdados da ditadura. 

IRÃ DERRUBOU MAIS UM CAÇA AMERICANO


O Irã afirmou ter atingido um caça dos Estados Unidos ontem, 3, em meio à guerra entre os dois países. O governo de Donald Trump iniciou uma operação de busca, e, segundo relatos de oficiais à imprensa americana, uma pessoa foi resgatada. 
O Pentágono não comentou o caso até a manhã desta sexta, e Trump também evitou detalhes, dizendo apenas que o episódio não afeta negociações com Teerã. A CBS News verificou imagens nas redes sociais que mostram um avião de reabastecimento e dois helicópteros sobre a província de Cuzistão, sugerindo missão de resgate. Segundo o New York Times, um segundo avião de combate americano caiu no golfo Pérsico; o piloto teria sido resgatado. Um A-10 Warthog caiu próximo ao estreito de Hormuz no mesmo horário, mas não há confirmação se foi abatido. Ainda não está claro qual modelo foi atingido primeiro. Inicialmente, a mídia iraniana falou em um F-35, mas depois surgiram relatos de que seria um F-15E. A possibilidade de pilotos americanos estarem em fuga dentro do Irã eleva o risco para Washington.

Agências iranianas dizem que a aeronave caiu no centro do país, possivelmente em Kohgiluyeh e Boyer Ahmad, e exibiram imagens de destroços. O Irã também iniciou buscas e chegou a prometer recompensa a quem capturasse ou matasse tripulantes. A Casa Branca informou que Trump foi comunicado, sem comentar o caso. Análise de imagens indica que os destroços podem ser de um F-15E Strike Eagle, com dois tripulantes. O episódio ocorre após ameaças de Trump de intensificar ataques contra o Irã. Até agora, 13 militares americanos morreram e mais de 300 ficaram feridos no conflito. Nenhum soldado dos EUA foi capturado pelo Irã. Em 19 de março, um F-35 já havia sido atingido, mas conseguiu pousar, sem feridos.

AGENTE FUNERÁRIO ESCONDEU MAIS DE 30 CORPOS


Um agente funerário no Reino Unido aguarda sentença após esconder mais de 30 corpos, entregar cinzas erradas a famílias e lucrar com funerais inexistentes. 
Robert Bush, de 48 anos, administrava a Legacy Independent Funeral Directors, em Hull, na Inglaterra. Os crimes incluem impedir sepultamentos dignos e fraude. Quatro acusações envolvem cinzas falsas entregues a mães que perderam filhos na gestação. A investigação começou após restos humanos serem encontrados na funerária. Em março de 2024, policiais localizaram 35 corpos e mais de 100 urnas com cinzas; um corpo estava lá há um ano. Bush admitiu 30 acusações em audiência com familiares. Também confessou fraude em planos funerários e furto contra 12 instituições de caridade. Ele responde em liberdade e será sentenciado em 27 de julho. Familiares relataram indignação e dor. Parentes disseram que Bush evitava olhar nos olhos das vítimas no tribunal. Uma enteada chamou o caso de “filme de terror”.

Karen Dry, que perdeu os pais, organizou vigílias para famílias afetadas. Ela afirmou que a confissão aproxima a justiça, mas destacou o trauma coletivo. As famílias relatam sensação de traição e sofrimento emocional duradouro. O caso reacendeu debate sobre falta de regulamentação do setor funerário. Entidades defendem regras mais rígidas e fiscalização independente. Bush era visto como respeitável e oferecia funerais de baixo custo. Clientes relataram gestos de ajuda, como facilitar pagamentos e comprar flores. Famílias descobriram que cinzas não eram de seus parentes. Algumas usaram restos de desconhecidos em joias e até tatuagens. Mais de mil itens pessoais foram encontrados na funerária. Ao todo, 254 vítimas foram afetadas entre 2012 e 2024. A empresa foi dissolvida com dívida superior a £40 mil. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 4/4/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Alta do diesel pressiona governo em semana decisiva para fechar subsídio

Alta puxada por petróleo acima de US$ 100 leva combustível ao maior nível desde 2022, enquanto governo negocia subsídio com estados e distribuidoras. Especialistas divergem sobre eficácia da medida

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Um ano depois do tarifaço de Trump, exportadores brasileiros tentam recuperar espaço perdido nos EUA

Exportadores correm para embarcar mercadorias e importadores avaliam que não haverá novas taxas. Para empresários, impactos negativos na economia americanos vão desestimular republicano

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Lula amplia verbas de propaganda de big techs, que superam SBT e Band pela primeira vez

Google e Meta ficam à frente de redes de TV, e governo também aposta em serviços de streaming Secom diz que reforço para canais digitais reflete novos hábitos dos brasileiros ao buscar informações

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Jerônimo Rodrigues oficializa Geraldinho como vice na chapa da reeleição

Anúncio foi feito durante grande evento na Arena Fonte Nova

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Restaurante atingido por avião estava fechado para obras; "foi um livramento", diz dono

Caso o estabelecimento estivesse aberto, cerca de 60 pessoas estariam no local, estima proprietário

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Famílias cortam à mesa para enfrentar aumentos. “Preços estão pela hora da morte, já não dá para comer um bife e meio”

Os portugueses estão a refrear o consumo para responder à escalada dos preços. Comerciantes absorvem custos, taxistas pedem aumento das tarifas e restauração está em modo de sobrevivência.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

RADAR JUDICIAL


PRESIDENTE RENUNCIA 

Gabriele Gravina renunciou à presidência da FIGC ontem, 2, após a Itália ficar fora da Copa do Mundo pela terceira vez seguida. A seleção foi eliminada na repescagem europeia ao perder para a Bósnia nos pênaltis. Gravina, 72, comandava a federação desde 2018, após a ausência no Mundial da Rússia. A Azzurra também não se classificou para o Catar 2022 nem para 2026. Ele convocou assembleia extraordinária para 22 de junho, em Roma. O dirigente é vice-presidente da UEFA e aliado de Aleksander CeferinSob sua gestão, a Itália venceu a Euro 2021, mas caiu nas oitavas em 2024. Pressionado, antecipou a saída após críticas e pedidos de demissão. O ministro Andrea Abodi cobrou renovação no comando do futebol. Giovanni Malagò surge como favorito à sucessão. O técnico Gennaro Gattuso também deve sair. Gianluigi Buffon já deixou o cargo de gerente da seleção. 


JOVENS CUBANOS CRITICAM EUA

Centenas de cubanos marcharam ontem, 2, em Havana em meio à escassez de combustível, usando bicicletas, motos, patins e riquixás ao longo do Malecón. O ato reuniu principalmente jovens com bandeiras de Cuba e imagens de Che Guevara. A manifestação passou em frente à embaixada dos EUA, com críticas às sanções americanas. O presidente Miguel Díaz-Canel acompanhou o início da marcha e acenou aos participantes. Manifestantes defenderam a soberania cubana e condenaram pressões externas. Participantes afirmaram que o ato simboliza compromisso com ideais anti-imperialistas. Cuba vive grave crise econômica e energética, com apagões e falta de combustível. O governo atribui parte da situação ao endurecimento das sanções dos EUA. Desde janeiro, Donald Trump ampliou restrições ao petróleo destinado à ilha. A Rússia enviou recentemente um carregamento de petróleo a Cuba. Trump indicou flexibilização ao permitir envios pontuais de combustível. Autoridades cubanas dizem estar preparadas para tensões, mas abertas ao diálogo.


SEGUNDO F-35 DESTRUÍDO PELO IRÃ

O Irã afirmou ter atingido um caça F-35 dos EUA nesta sexta-feira (3), uma das aeronaves mais avançadas e furtivas do mundo. Se confirmado, seria o segundo ataque contra esse modelo na guerra no Oriente Médio. O Pentágono não comentou o caso até a manhã de hoje. Agências estatais iranianas dizem que o avião foi atingido no centro do país. Há relatos de que ele pode ter caído na província de Kohgiluyeh e Boyer Ahmad. Uma emissora exibiu imagens que seriam dos destroços. O Exército iraniano iniciou buscas pelo piloto. Autoridades pediram ajuda da população e ofereceram recompensa. Segundo a agência Isna, capturar ou matar a tripulação renderia benefício especial. Um funcionário dos EUA disse à Reuters que uma operação de resgate foi iniciada. A possibilidade de pilotos vivos em território iraniano aumenta os riscos para Washington. Em 19 de março, outro F-35 foi atingido, mas conseguiu pouso de emergência sem feridos.

MINISTRO DEFENDE MORAES

O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota defendendo o ministro Alexandre de Moraes e a corte, afirmando que o tribunal tem histórico de proteção à liberdade de expressão. Segundo ele, esse direito é fundamental, mas não pode ser usado para justificar crimes previstos em lei. A manifestação responde a críticas dos Estados Unidos, que acusam Moraes de censura e interferência eleitoral. Fachin não cita diretamente o colega, mas rebate as acusações e reforça decisões do Supremo. Ele lembra julgamento de 2018 que garantiu o direito de criticar autoridades, mesmo de forma dura ou irônica. O ministro destaca que a liberdade de expressão pode sofrer limitações em casos excepcionais. Essas restrições ocorrem quando há necessidade de proteger outros direitos fundamentais. Fachin afirma que decisões do STF seguiram esse princípio em investigações sobre tentativa de golpe. Segundo ele, houve indícios robustos de crimes envolvendo o uso de redes sociais por milícias digitais. As ordens de remoção de conteúdo visam combater práticas contra o Estado democrático.O ministro também defende a responsabilização de plataformas, alinhada a tendências globais. Por fim, cita leis dos EUA e da Europa para reforçar que há limites à liberdade de expressão.

TRUMP NÃO DESISTE: TARIFAS DE 100%

O presidente Donald Trump anunciou tarifas de até 100% sobre medicamentos, mirando empresas que não ampliaram investimentos ou reduziram preços nos EUA. As medidas foram divulgadas no chamado “dia da libertação”, quando ele lançou tarifas recíprocas. Parte dessas políticas já havia sido flexibilizada após reação negativa do mercado e dos eleitores. A Suprema Corte dos Estados Unidos também considerou ilegais várias tarifas anteriores. As novas taxas atingem apenas medicamentos de marca, poupando genéricos. Países com acordos comerciais terão tarifas menores, de cerca de 15%. O Reino Unido terá tarifa zero por três anos após acordo específico. Empresas que investirem na produção local poderão obter tarifas reduzidas temporárias. O plano busca equilibrar protecionismo com riscos na cadeia de suprimentos e custo de vida. Também houve mudanças em tarifas sobre aço, alumínio e cobre, com isenções parciais. A cobrança sobre metais será simplificada e, em geral, reduzida para 25%. As medidas fazem parte de investigações de segurança nacional baseadas na Seção 232.

Salvador, 3 de abril de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



TRUMP, O "GUERRILHEIRO"


O presidente Donald Trump, diferentemente dos outros governantes que lhe antecederam, tornou-se candidato republicano por imposição e não por escolha livre dos seus pares. Na sequência, comprou o cargo de presidente, com ajuda substancial de Elon Musk e de outros grandes empresários. Os democratas mostraram-se sem força e sem disposição para questionar a chegada de Trump na Casa Branca e preferiram não acreditar na Justiça local, composta, na sua grande maioria por conservadores. Trump desembarcou na Casa Branca e mostrou seu propósito de "guerrilheiro". Desde que assumiu o cargo, apesar de promessa de que não se envolveria com guerras, mostrou seu instinto animalesco e passou a usar a força para perseguir, prender ou destituir governos eleitos pelo povo, a exemplo da Venezuela. Junto a isso impôs verdadeira guerra comercial, modificando a economia global. Até 2028, quando se encerra seu mandato, muitos dissabores viverão o mundo com o governo imprevisível e destrambelhado de Donald Trump.

Trump teve a ousadia de rebatizar o Golfo do México de Golfo da América ou de impor controles sobre a Groenlândia e sobre o Canal do Panamá, além de anunciar o Canadá como o "51º Estado americano". Esse posicionamento do presidente insere-se como o maior golpe à soberania dos países. Ele levantou o véu da irresponsabilidade e do desrespeito aos seus próprios parceiros, quando iniciou com a imposição de tarifas, sem nenhuma aparência de legalidade, não respeitando nem mesmo os países amigos ou pretensos inimigos, como é o caso da China. A reconstrução da Europa, após a guerra, com o plano Marshall está sendo desmontada pelo presidente americano. O desentendimento e até a manifestação de acabar com a aliança militar Otan, responsável pela segurança do continente, situa-se na maior sinalização do afastamento dos Estados Unidos da Europa. Esse tratado é mantido com substancial recursos americano, mas Trump mostra-se propenso a acabar com esse cenário, provocando seu afastamento da Otan.    

O analista Stefan Wolff entende que a Europa continua dependendo dos Estados Unidos, mas com o tempo esse panorama poderá mudar, tornando o continente europeu um dos grandes centros de poder, porque já inserido entre os três China, Europa e Estados Unidos. Trump insurge-se contra a globalização e quer levar para os Estados Unidos a produção de tudo o que o país precisa. É o caso dos iPhones produzidos na China e vendidos nos Estados Unidos. A tarifa de 140% para importação anunciada por Trump tornou-se impossível não se consumando porque os preços desse produto, iPhones, alcançariam valores inimagináveis, nos Estados Unidos. O percentual de 80% dos iPhones, vendidos nos Estados Unidos, são produzidos na China e os outros 20% na Índia, segundo reportagem da BBC. Enfim, o presidente americano quer mudar a ordem estabelecida desde a guerra de oitenta anos atrás e isso, certamente, provocará estremecimento entre a relação com os países amigos. 

Salvador, 3 de abril de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.   

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TRIPULAÇÃO FARÁ VOLTA À LUA, ANTES DE RETORNAR À TERRA

Pouco antes da manobra que colocaria a cápsula Orion na trajetória da Lua, a tripulação da


Artemis 2 recebeu um alerta de possível vazamento. O aviso, porém, era falso, e a missão seguiu normalmente. 
O episódio foi relatado pelo astronauta canadense Jeremy Hansen, 50. Segundo ele, faltando menos de 20 minutos para a queima de injeção translunar, surgiu a mensagem de alerta. A suspeita de vazamento gerou tensão momentânea. Hansen chegou a cogitar a possibilidade de cancelar a missão e iniciar procedimentos de retorno. No entanto, o controle em Houston confirmou que a pressão da cabine estava normal. A equipe então prosseguiu com a queima dos motores. Com isso, a Orion ganhou o impulso necessário para seguir rumo à Lua. Durante a entrevista, o tema inicial era outro problema: uma luz de falha no vaso sanitário da nave. A astronauta Christina Koch brincou ao dizer que era a “encanadora espacial” e destacou a importância do equipamento. Ela afirmou que todos ficaram aliviados ao constatar que estava funcionando corretamente. Já Victor Glover comentou sobre o frio dentro da cápsula, dizendo que sentiam falta de um saco de dormir mais adequado. O comandante Reid Wiseman descreveu o sono na nave como mais confortável do que parece, apesar de inusitado. Ele brincou que Christina dorme “de cabeça para baixo”, como um morcego, no interior da cápsula. A astronauta explicou que, no espaço, não há noção de chão ou teto. Wiseman também destacou a vista da Terra como o momento mais marcante até agora. Segundo ele, é possível ver o planeta inteiro, além de continentes e até a aurora boreal.

A missão Artemis 2 começou na quarta-feira (1º), com o lançamento do foguete SLS na Flórida. No dia seguinte, a cápsula deixou a órbita terrestre e iniciou a viagem à Lua. Hansen afirmou que a missão demonstra o potencial da humanidade e representa esperança para o futuro. Christina descreveu a Terra vista do espaço como iluminada e deslumbrante. A Lua está a cerca de 384 mil quilômetros da Terra, muito além da Estação Espacial Internacional. A viagem até o satélite natural deve durar entre três e quatro dias. A missão Artemis 2 pretende preparar o retorno de humanos à superfície lunar em 2028. A tripulação dará a volta na Lua, incluindo o lado oculto, antes de retornar à Terra. A volta está prevista para o dia 10. Desde o lançamento, os astronautas realizam testes e ajustes técnicos na nave. Eles também executaram manobras para aumentar a altitude da órbita. Essas ações foram essenciais para preparar a trajetória rumo à Lua. 

HÁ TURBULÊNCIA NA CÚPULA MILITAR AMERICANA


O chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, Randy George, foi demitido nesta quinta-feira (2) pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, segundo fontes ouvidas pela Reuters. 
Hegseth, ex-apresentador da Fox News, vem promovendo mudanças no Pentágono, com a saída de generais e almirantes para implementar a agenda de segurança do presidente Donald Trump. O Pentágono confirmou que George, que ainda tinha mais de um ano de mandato, “se aposentará com efeito imediato” e agradeceu por seus serviços. O motivo da demissão não foi informado. A decisão ocorre enquanto os EUA reforçam presença militar no Oriente Médio em meio à guerra contra o Irã. As operações na região são lideradas principalmente pela Marinha e Força Aérea, mas o Exército também atua com sistemas de defesa aérea. Com cerca de 450 mil militares, o Exército é o maior ramo das Forças Armadas americanas. Soldados da 82ª Divisão Aerotransportada começaram a chegar ao Oriente Médio, indicando possível atuação terrestre. Não havia sinais públicos de conflito entre Hegseth e George. Mesmo assim, o secretário tomou medidas controversas, como demitir o principal advogado do Exército e organizar um desfile militar. O evento celebrou os 250 anos da força e coincidiu com o aniversário de Trump. Recentemente, Hegseth também interveio em uma investigação envolvendo pilotos que sobrevoaram a casa do cantor Kid Rock. Segundo a CBS News, a demissão de George não está ligada a esse episódio.

O general Christopher LaNeve assumirá o cargo de forma interina. George foi confirmado como chefe do Exército em 2023. Oficial de infantaria, ele serviu no Iraque e no Afeganistão. Antes, foi vice-chefe do Exército e conselheiro do ex-secretário de Defesa Lloyd Austin. Ele era próximo do secretário do Exército, Dan Driscoll. Ambos atuaram para acelerar projetos militares e reduzir custos. A saída ocorre em meio a instabilidade na liderança do Pentágono. Nos últimos meses, outros altos oficiais também foram demitidos. Entre eles, o ex-chefe do Estado-Maior Conjunto, Charles Q. Brown. Também deixaram cargos o chefe de operações navais e o vice da Força Aérea. O cenário reforça a turbulência na cúpula militar dos EUA.