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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL


MICRO-ONIBUS ENVOLVE EM ACIDENTE E MORREM 23 PESSOAS

O micro-ônibus da Saúde envolvido no acidente que deixou ao menos 23 mortos na BR-373, em Imbituva (PR), seguia para Curitiba. A informação foi divulgada pela Prefeitura de Imbituva, que centralizou os dados na Secretaria Municipal de Saúde. O município ainda não confirmou oficialmente os nomes das vítimas nem o número exato de mortos. Havia uma lista de passageiros, mas ainda não era possível identificar quem estava ferido ou entre as vítimas fatais. A prefeitura aguarda informações oficiais das autoridades responsáveis pela ocorrência. O acidente aconteceu após uma colisão entre o micro-ônibus e uma carreta. Equipes de atendimento foram mobilizadas para socorrer as vítimas e prestar assistência às famílias. A Secretaria Municipal de Saúde tornou-se o ponto de referência para informações sobre os ocupantes do veículo. O município também disponibilizou atendimento psicológico aos familiares que necessitarem de apoio. A Prefeitura pediu cautela e orientou que não sejam compartilhados nomes ou listas sem confirmação oficial. Em respeito às vítimas, os atendimentos administrativos municipais foram suspensos nesta quarta-feira. Os serviços essenciais, porém, continuam funcionando normalmente.


FACULDADE É ALVO DE INVESTIGAÇÃO

A Faculdade Internacional de Evolução Profissional (FIEP), em Alto do Coqueirinho, Salvador, é alvo de investigação do MP-BA. O procedimento foi instaurado pela 5ª Promotoria de Justiça do Consumidor após denúncia anônima, apontando fraudes e irregularidades na oferta do curso de Tecnólogo em Óptica e Optometria. Segundo o relato, o curso era vendido como “100% online” sem autorização ou credenciamento prévio do MEC. A instituição também teria oferecido atividades práticas em polos clandestinos fora da Bahia. Esses locais seriam apresentados como “laboratórios fantasmas”, segundo a denúncia. A FIEP também é acusada de captar estudantes de outros estados por meio de parcerias irregulares, entre os quais parceria com o Sindicato dos Optometristas e Ópticos do Rio Grande do Sul. O MP-BA avalia que os alunos poderiam receber diplomas sem validade jurídica. A promotora determinou que a faculdade preste esclarecimentos em até dez dias úteis. Também foram solicitadas pesquisas em plataformas como Reclame Aqui e Consumidor.gov. O MP-BA acionou ainda órgãos do Rio Grande do Sul para verificar outras denúncias, processos ou investigações. 


DIPLOMA DE JORNALISMO PARA A PROFISSÃO

Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do STF, defenderam que a Corte volte a discutir a exigência de diploma de jornalismo para a profissão. A obrigatoriedade foi derrubada pelo Supremo em 2009, quando o plenário decidiu que o certificado não poderia ser exigido. Dino afirmou que a decisão poderá ser rediscutida diante da extensão das garantias a blogueiros e outros produtores de conteúdo. Moraes concordou e defendeu uma regulamentação da atividade, com regra de transição para profissionais já atuantes. As declarações ocorreram durante julgamento sobre direito de resposta concedido a uma clínica médica após reportagem da TV Globo. O julgamento foi suspenso após pedido de vista da ministra Cármen Lúcia. O debate ocorre em meio a uma investigação envolvendo o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, do Blog do Luís Pablo. Moraes determinou a quebra do sigilo telemático do jornalista para identificar uma suposta fonte de reportagens sobre Flávio Dino. A medida provocou reação da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que manifestou “alarme”. A entidade considerou a quebra do sigilo uma ameaça ao jornalismo e à liberdade de imprensa. Moraes afirmou que o sigilo da fonte é essencial à democracia, mas não pode proteger práticas criminosas. Ele também defendeu distinguir o jornalismo investigativo de casos em que jornalistas sejam investigados por crimes.


ESCRITÓRIO DEVERÁ RESSARCIR HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS 

Após cerca de nove anos sem movimentar uma execução, um escritório de advocacia terá de ressarcir os honorários sucumbenciais pagos pelo cliente. A decisão foi tomada por unanimidade pela 3ª Turma do STJ. A execução foi extinta por prescrição intercorrente após longo período de paralisação. O escritório retomou a cobrança sem consultar o cliente ou alertá-lo sobre os riscos. Com a extinção, o cliente foi obrigado a pagar honorários sucumbenciais. Ele então entrou com ação contra a banca para recuperar os valores. O TJ/SP reconheceu falha na prestação dos serviços e negligência dos advogados, mas rejeitou o pedido de indenização por perda de uma chance. No STJ, o escritório alegou que a prescrição era inevitável e imprevisível. O relator, ministro Humberto Martins, rejeitou o argumento da defesa. Segundo ele, cabia aos advogados informar o cliente sobre os riscos antes de retomar a execução. A revisão das provas seria inviável em recurso especial, conforme a Súmula 7 do STJ.


TPI CENSURA SANÇÕES DOS EUA


O Tribunal Penal Internacional (TPI) criticou as sanções dos Estados Unidos contra sua presidente, Tomoko Akane, classificando-as como um “ataque flagrante” à independência da Corte. O tribunal, sediado em Haia, afirmou que medidas contra juízes, procuradores e funcionários ameaçam o Estado de Direito. O governo de Donald Trump também sancionou um procurador-adjunto do TPI. Washington acusa a Corte de ser um órgão “corrupto e irremediavelmente politizado”. A União Europeia declarou apoio ao TPI e defendeu sua atuação independente. O Japão classificou as sanções americanas como “profundamente lamentáveis”. Tóquio reiterou seu apoio ao tribunal e à defesa do Estado de Direito internacional. O TPI julga indivíduos acusados de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e agressão. A Corte atua quando países não investigam ou não conseguem punir adequadamente esses crimes. As sanções são vistas como reação às investigações do TPI envolvendo Israel, aliado dos EUA. Em 2024, o tribunal emitiu mandado de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. As medidas americanas impedem os sancionados de entrar nos EUA e de realizar transações no sistema financeiro do país.

AFASTADO RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL

A 3ª turma do STJ decidiu, por maioria, afastar o reconhecimento de união estável post mortem e manter a conclusão de que houve namoro qualificado. Embora houvesse convivência duradoura, filho em comum, auxílio material e noivado, não ficou comprovada a intenção atual de constituir família. Prevaleceu o voto do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, acompanhado por Humberto Martins e Moura Ribeiro. A relatora, ministra Nancy Andrighi, ficou vencida, acompanhada pela ministra Daniela Teixeira. Nancy defendeu o reconhecimento da união estável com base no conjunto de elementos que indicariam vida familiar. Entre eles estavam o filho, imóvel alugado pelo falecido, declaração de IR, seguro de vida, eventos familiares e o noivado. Cueva destacou que a diferença está na existência de uma família efetivamente constituída durante a convivência. Segundo ele, namoro qualificado e união estável podem apresentar características objetivas semelhantes. As instâncias anteriores entenderam que havia apenas intenção futura de formar família. Para a maioria, filho, auxílio material, seguro de vida e noivado não bastam, isoladamente, para caracterizar união estável. O ministro ressaltou ainda a ausência de publicidade da relação como se fossem casados e de intenção atual de constituir família. Alterar essa conclusão exigiria reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7 do STJ.

ANTIGUIDADE NA ENTRÂNICA ANTERIOR DESEMPATE LISTAS

A 1ª Turma do STF decidiu, por unanimidade, que a antiguidade na entrância anterior deve desempatar listas de juízes promovidos simultaneamente. A decisão foi tomada em 18 de agosto, durante julgamento de agravo regimental em mandado de segurança. O entendimento restabelece determinação de 2024 do então corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão. O caso envolve o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que usava o tempo total de carreira como critério de desempate. Magistrados contestaram a regra e obtiveram de Salomão ordem para refazer as listas com base na entrância anterior. Posteriormente, o ministro Mauro Campbell, sucessor de Salomão, acolheu recurso do tribunal e mudou a decisão. Os magistrados recorreram ao STF, alegando contrariedade a precedentes da Corte sobre o tema. Em março de 2025, o relator, ministro Cristiano Zanin, havia negado o pedido por questão de competência. Ao analisar o agravo, Zanin revisou seu entendimento após manifestações dos demais ministros. Alexandre de Moraes afirmou que, como a carreira é organizada por entrâncias, a antiguidade também deve seguir esse critério. Flávio Dino destacou que o CNJ só pode afastar lei estadual quando houver decisão anterior do STF sobre a matéria. A decisão poderá alterar a ordem de antiguidade e promoções, enquanto o STF avaliará eventual modulação dos efeitos.

Salvador, 19 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

TRUMP E FAMILIARES OBTÉM LUCROS INDEVIDOS COM CRIPTOMOEDAS


A maioria dos norte-americanos acredita que Donald Trump e sua família lucraram indevidamente com criptomoedas desde seu retorno à Presidência. 
Segundo pesquisa Reuters/Ipsos, concluída na segunda-feira (17), muitos também avaliam que os negócios particulares do presidente influenciam suas decisões políticas. Cerca de 63% dos entrevistados consideram inadequado que Trump e sua família tenham obtido esses lucros, enquanto 32% consideram a prática adequada. Entre os republicanos, porém, 70% consideram os negócios adequados, contra cerca de 30% que os classificam como inadequados. Trump, que construiu sua carreira no setor imobiliário, passou a ampliar os negócios da família no mercado de criptomoedas. No ano passado, seus empreendimentos digitais teriam rendido mais de US$ 1,4 bilhão. Entre eles estão a World Liberty Financial e a chamada “meme coin” associada ao presidente. Trump também adotou políticas favoráveis às criptomoedas durante seu segundo mandato. O presidente afirma não participar da administração cotidiana dos negócios familiares. Segundo ele, seus investimentos são geridos de forma independente. A Casa Branca rejeita acusações de conflitos de interesse e afirma que Trump atua em benefício dos americanos. A porta-voz Anna Kelly declarou que não existem conflitos de interesse.

Especialistas em ética presidencial, entretanto, consideram a aproximação entre negócios privados e decisões políticas sem precedentes. Richard Painter, ex-advogado de ética do governo George W. Bush, afirmou que o segundo governo Trump possui interesses empresariais mais complexos que o primeiro. A questão deve ganhar importância no debate político antes das eleições legislativas de novembro. Democratas vêm destacando possíveis práticas de corrupção no governo Trump. O governo, por sua vez, promete investigar denúncias envolvendo administrações democratas. A pesquisa revela, assim, uma percepção significativa de que os interesses empresariais da família Trump podem estar relacionados à atuação do presidente. 

ZELENSKI DEMITE VICE-CHEFE DE SEU GABINETE, POR CORRUPÇÃO


Sob intensa pressão política e diante do agravamento da guerra, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, demitiu nesta quarta-feira (19) a vice-chefe de seu gabinete, Irina Mudra.
Ela é acusada, junto a outros integrantes do governo, de participar de um esquema de lavagem de dinheiro investigado por órgãos ucranianos. A demissão ocorre após outras baixas no círculo de poder de Zelenski, incluindo a saída do chefe de gabinete Andrii Iermak, no fim de 2025. A crise também se agravou após o ex-ministro da Defesa Mikhailo Fedorov criticar o governo e defender eleições presidenciais, mesmo sob lei marcial. Fedorov, demitido em julho, ganhou popularidade por mudanças no Ministério da Defesa e pelo fortalecimento dos ataques ucranianos contra alvos russos. Sua declaração o colocou em confronto político com Zelenski e reacendeu o debate sobre a legitimidade do presidente. O Parlamento ucraniano aprovou nesta quarta-feira Ievhenii Khmara como novo ministro da Defesa, por 312 votos entre 325 deputados presentes. Khmara é general de divisão e comandava interinamente o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU). Ele ficou conhecido por operações contra forças russas, incluindo ações com drones dentro do território da Rússia. Entre elas está a Operação Teia de Aranha, que atingiu bases russas de bombardeiros.

Apesar de sua experiência militar, Khmara não possui a mesma popularidade de Fedorov. A saída do ex-ministro provocou protestos, levando Zelenski a também substituir o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Sirskii. A mudança não encerrou as manifestações, que ganharam caráter cada vez mais político. Fedorov passou a defender eleições, colocando-se em rota de colisão com Zelenski. O cenário favorece a narrativa do presidente russo Vladimir Putin, que questiona a legitimidade do governo ucraniano desde o fim do mandato presidencial de Zelenski, em 2024. Enquanto isso, a guerra se intensifica e aumenta o número de vítimas civis e militares. Julho registrou a maior média diária de mortes desde março de 2022, segundo monitores independentes. Cerca de 85,6% das fatalidades ocorreram na Ucrânia. Nesta quarta-feira, ataques russos deixaram ao menos 17 mortos em diferentes regiões do país.
Em Kherson, um drone atingiu um micro-ônibus e matou quatro pessoas. A Ucrânia também enfrenta escassez de mísseis antiaéreos, dificultando a defesa contra ataques russos. Os sistemas conseguem interceptar muitos drones, mas apresentam dificuldades diante de mísseis.
A ajuda militar americana também está limitada pela elevada demanda no Oriente Médio. Apesar da estagnação diplomática, Rússia e Ucrânia realizaram nesta quarta-feira uma troca de 103 prisioneiros de guerra de cada lado. 

TRUMP PERDE A COMPOSTURA E ATACA REPÓRTER


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou a repórter da CNN Kristen Holmes durante uma coletiva na Casa Branca na segunda-feira (17). 
Trump mandou a jornalista se calar e a acusou de trabalhar para uma emissora de “fake news”. Holmes questionava o presidente sobre uma possível conversa com o líder norte-coreano, Kim Jong-un. A pergunta ocorreu após Trump decidir cancelar um exercício militar conjunto com a Coreia do Sul. Irritado, Trump afirmou que a repórter era desrespeitosa e estava falando alto demais. Ao saber que ela trabalhava para a CNN, chamou a emissora de “fake news”. Trump também classificou Holmes como uma jornalista que publica notícias falsas. Horas depois, uma conta da Casa Branca no X ampliou os ataques contra a repórter. A publicação chegou a afirmar que os filhos dela sentiriam vergonha de suas perguntas. Colegas de Holmes, da CNN e de outros veículos, saíram em defesa da jornalista. A CNN afirmou que ela é uma das repórteres mais respeitadas que cobrem a Casa Branca. A emissora considerou a pergunta relevante e relacionada ao interesse público. Também criticou ataques pessoais contra jornalistas que fazem perguntas difíceis.

Trump tem histórico de confrontos e ofensas contra jornalistas mulheres. Em junho, abandonou uma entrevista com Kristen Welker, da NBC, após atacá-la verbalmente. Em outro episódio, mandou a repórter Catherine Lucey, da Bloomberg, se calar. O conflito mais recente ocorreu em meio a reportagens sobre as condições de militares americanos. As denúncias envolvem o porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln. O navio abriga cerca de 5.000 pessoas e está no mar desde novembro de 2025. O período prolongado sem atracar é considerado incomum para operações militares. O porta-aviões está desde janeiro no Oriente Médio, participando da guerra dos EUA contra o Irã. Veículos especializados em assuntos militares relataram tentativas de suicídio a bordo. O Pentágono negou as informações divulgadas pela imprensa. Trump também rejeitou as denúncias e afirmou que o porta-aviões está em ótimas condições. Segundo o presidente, as notícias divulgadas sobre o navio são falsas. O episódio reacendeu o debate sobre a relação de Trump com a imprensa. Também chamou atenção para os limites do confronto entre autoridades e jornalistas. A CNN reiterou apoio à repórter e defendeu a liberdade de imprensa. Trump, por sua vez, manteve as críticas e acusou os veículos de divulgar informações falsas. 

PREÇO DO DIESEL PRESSIONA CUSTO DE VIDA NOS EUA


O preço do diesel disparou nos Estados Unidos e já pressiona empresas, agricultores, caminhoneiros e consumidores, às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro. Ontem,
18, o combustível chegou a US$ 5,47 por galão, equivalente a cerca de R$ 7,54 por litro, aproximando-se do recorde de US$ 5,82. O diesel subiu 8% no último mês, enquanto a diferença entre seu preço e o do petróleo bruto atingiu níveis recordes. A alta é atribuída principalmente às guerras no Oriente Médio e na Europa, que reduziram a oferta mundial de combustíveis. A guerra envolvendo Estados Unidos e Irã agravou a situação após restrições ao transporte pelo estreito de Hormuz e ataques contra instalações de energia, através de drones ucranianos contra refinarias russas, contribuindo para reduzir a produção e para a escassez global. As refinarias americanas operam perto da capacidade máxima para compensar a falta de combustível em outros mercados. Analistas, porém, alertam que esse ritmo pode ser difícil de manter diante da redução dos estoques. Novas interrupções, causadas por guerras, manutenção de refinarias ou furacões, poderiam provocar outra forte disparada dos preços. O diesel é essencial para o transporte, a indústria e a agricultura, tornando difícil para empresas reduzir seu consumo. Agricultores estão entre os mais afetados, principalmente após a alta dos preços dos fertilizantes. 

A elevação dos combustíveis também aumenta os custos de transporte e produção, podendo alimentar novamente a inflação. O impacto chega às famílias americanas, que enfrentam despesas maiores antes do inverno e do período de festas. A alta ocorre ainda em um momento de crescente insatisfação dos eleitores com a situação econômica. O aumento dos combustíveis também pressiona os rendimentos dos títulos do governo americano e encarece os empréstimos. A Casa Branca afirma estar adotando medidas para reduzir os efeitos da crise energética. Entre as iniciativas estão liberações coordenadas de reservas estratégicas e mudanças nas sanções sobre petróleo. O governo também avalia outras alternativas para ampliar a oferta, embora negue, por enquanto, planos para restringir exportações. Analistas consideram que a situação poderá se agravar caso ocorram novos problemas no abastecimento. Com o sistema de refino operando próximo do limite, qualquer paralisação pode provocar grande impacto nos preços. O cenário representa um desafio econômico e político para o governo Donald Trump antes das eleições de novembro. A combinação de guerras, menor oferta mundial e custos elevados aumenta o risco de uma nova onda inflacionária. Para consumidores, empresas e agricultores, o diesel caro já se transformou em um dos principais fatores de pressão sobre a economia americana.  

QUATRO DIAS SEM BANHEIRO, COZINHA, AR-CONDICIONADO E ÁGUA POTÁVEL


Um contratorpedeiro de mísseis guiados da Marinha dos Estados Unidos ficou quatro dias sem banheiros, cozinha, ar-condicionado e água potável após uma falha de energia no Mar do Sul da China. 
O USS Benfold, da classe Arleigh Burke, apresentou em 24 de julho uma falha nos geradores durante operações de rotina no Indo-Pacífico. A pane também impediu o navio, de quase 10 mil toneladas, de manobrar por conta própria. A Marinha americana informou que investiga as causas do problema. Não houve feridos entre os tripulantes, segundo o comando da 7ª Frota. As temperaturas na região chegaram a variar entre 32°C e 37°C durante o período da pane. Sem condições de preparar alimentos, o USS Benfold recebeu refeições prontas do cruzador USS Robert Smalls. Outros navios também auxiliaram a tripulação durante os quatro dias sem energia. Depois, o Benfold foi rebocado para a Baía de Subic, nas Filipinas. Os reparos foram concluídos em 8 de agosto, quando o navio voltou a operar. O episódio é a segunda falha de energia envolvendo um contratorpedeiro americano no Indo-Pacífico neste ano. Em maio, o USS Higgins também perdeu energia e propulsão por várias horas devido a uma avaria no sistema elétrico.

Os problemas ocorrem em meio a preocupações sobre as condições de trabalho e o desgaste das tripulações da Marinha dos EUA. O caso ganhou atenção após relatos sobre a situação do porta-aviões USS Abraham Lincoln. Com cerca de 5 mil marinheiros, o navio permaneceu mais de 250 dias sem atracar durante operações contra o Irã. Militares relataram escassez de alimentos e suprimentos, problemas de infraestrutura e jornadas exaustivas. Também foram mencionadas preocupações relacionadas à saúde mental da tripulação. O senador Richard Blumenthal afirmou que o Lincoln estabeleceu um recorde moderno de permanência consecutiva no mar. O almirante Brad Cooper reconheceu que o longo período de serviço é extremamente difícil para os militares. Segundo ele, porém, o Lincoln apresenta baixos índices de casos relacionados à saúde mental entre os porta-aviões americanos. O presidente Donald Trump minimizou as preocupações sobre as condições da tripulação. Trump afirmou que a missão não havia sido prolongada demais e que o porta-aviões seria substituído. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também rejeitou relatos sobre condições precárias no navio. Apesar disso, a Marinha prepara o USS George Washington para substituir o Lincoln. Os episódios recentes aumentam o debate sobre manutenção, infraestrutura e condições de trabalho dos militares americanos em longas operações no mar. 

IPTU NÃO PODE BASEAR SOMENTE NA ÁREA DO IMÓVEL


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que municípios não podem fixar alíquotas do IPTU com base apenas na área do imóvel. 
A decisão foi tomada no julgamento de recurso com repercussão geral, e deverá orientar casos semelhantes em todo o país. O processo envolvia uma lei de Chapecó (SC) que estabelecia alíquota de 1% de IPTU para imóveis com área construída igual ou superior a 400 metros quadrados. A Justiça de Santa Catarina havia considerado a norma inconstitucional, e o município recorreu ao STF. A prefeitura argumentou que imóveis maiores representariam uso mais intenso do solo urbano e, por isso, poderiam ter tributação maior. Relator do processo, o ministro Dias Toffoli rejeitou esse entendimento. Segundo ele, após a Emenda Constitucional 29, de 2000, a Constituição passou a permitir a progressividade do IPTU conforme o valor do imóvel. Também são permitidas alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso da propriedade. Para o ministro, porém, a área do imóvel não está entre os critérios constitucionais autorizados para diferenciar a cobrança. Toffoli destacou ainda que área, valor, localização e uso são critérios distintos.

O STF entendeu que os municípios não podem criar novos critérios de progressividade além dos previstos na Constituição. Ao final, o plenário aprovou a tese de que é inconstitucional estabelecer, por lei municipal posterior à EC 29/2000, alíquota de IPTU em razão da área do imóvel. A decisão não impede a cobrança de IPTU mais alto de propriedades com maior valor venal. O que foi proibido é utilizar somente o tamanho do imóvel como justificativa para aumentar a alíquota. O IPTU é calculado com base no valor venal, estimativa feita pelo município para fins tributários. Assim, quanto maior o valor venal da propriedade, maior poderá ser o imposto. As alíquotas também podem variar conforme a localização e o uso do imóvel. Por exemplo, dois imóveis no mesmo bairro podem ter a mesma alíquota, mas pagar valores diferentes conforme seus respectivos valores venais. Com a decisão, municípios não poderão usar a metragem do imóvel, isoladamente, como critério para elevar a alíquota do IPTU. 

DESEMBARGADOR DEFENDE FIM DO QUINTO CONSTITUCIONAL


O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) divulgou nota pública para esclarecer que a defesa do fim do quinto constitucional feita pelo desembargador Adriano Linhares representa opinião pessoal e não o posicionamento institucional da Corte. A manifestação ocorreu durante sessão da 4ª Câmara Criminal, presidida pelo magistrado. Linhares defendeu que os tribunais fossem compostos exclusivamente por magistrados de carreira e estendeu a defesa aos tribunais superiores, como STF, STJ e STM, argumentando que as vagas deveriam ser ocupadas por juízes de carreira. Segundo ele, o modelo atual de escolha, que envolve indicação e nomeação pelo Poder Executivo, teria uma lógica que considerou “imperial” e incompatível com o sistema republicano. Linhares também apontou diferenças entre as trajetórias de magistrados de carreira e integrantes provenientes da advocacia e do Ministério Público. Ele afirmou que profissionais dessas áreas podem chegar aos tribunais mais jovens e permanecer por períodos mais longos nas cortes. A manifestação também questionou o argumento de que o quinto constitucional contribui para renovar e diversificar a composição dos tribunais. O desembargador reconheceu que suas declarações poderiam repercutir publicamente e reiterou que se tratava de uma posição pessoal.

Após a repercussão, o TJGO divulgou nota assinada pelo presidente da Corte, desembargador Leandro Crispim. O Tribunal afirmou que as declarações de Adriano Linhares não representam seu entendimento institucional. Na nota, o TJGO lembrou que o quinto constitucional está previsto no artigo 94 da Constituição Federal. O dispositivo garante a participação de integrantes da advocacia e do Ministério Público na composição dos tribunais. A Corte destacou que todos os desembargadores, independentemente de sua origem profissional, exercem a jurisdição com a mesma legitimidade, responsabilidade e compromisso institucional. O TJGO também ressaltou a importância do respeito e da consideração entre as diferentes trajetórias profissionais que integram o Judiciário. Por fim, o Tribunal reconheceu a contribuição tanto dos magistrados de carreira quanto dos representantes da advocacia e do Ministério Público para a prestação jurisdicional e o funcionamento da Justiça.

MUDADO COMANDO DO ESCRITÓRIO DOS EUA QUE TRATA RELAÇÕES COM BRASIL E OUTROS PAÍSES


O Departamento de Estado dos Estados Unidos mudou o comando do escritório responsável pelas relações com o Brasil e outros países da América Latina, em meio à tensão entre Washington e Brasília. Juan Pablo Segura assumiu na sexta-feira (14) o cargo de secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, substituindo Michael Kozak, que ocupava a função interinamente. Segura afirmou que pretende promover a visão do presidente Donald Trump para a região, com foco no combate a cartéis, narcoterroristas, segurança das fronteiras e prosperidade econômica. A mudança tem importância para o Brasil porque Kozak participou de episódios recentes de deterioração das relações entre os dois países. Entre eles está a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, decisão comunicada diretamente por Kozak. Segura havia sido indicado por Trump em abril e teve sua nomeação aprovada pelo Senado americano em junho. Sua confirmação ocorreu no mesmo pacote que incluiu Daniel Perez, escolhido para ser embaixador dos Estados Unidos em Brasília. Durante a sabatina, Segura apresentou como prioridades o combate ao narcotráfico, a contenção da influência chinesa e a pressão por mudanças políticas na Venezuela. Ele defendeu o uso de todas as ferramentas disponíveis contra organizações criminosas classificadas por Washington como terroristas. Também destacou a necessidade de reforçar a segurança nos portos de entrada para impedir a circulação de substâncias usadas na produção de fentanil. Outro foco será a disputa de influência com a China na América Latina. 

Segura acusou Pequim de utilizar empréstimos predatórios e buscar o controle de infraestruturas consideradas estratégicas. Ele afirmou que pretende ampliar a participação de empresas americanas em projetos e licitações na região por meio da diplomacia comercial. Sobre a Venezuela, apoiou a estratégia de Marco Rubio, baseada em estabilização, recuperação e reconciliação e, posteriormente, transição política. Segundo Segura, Washington está na segunda fase e continuará pressionando pela libertação de presos políticos. O indicado também foi questionado sobre direitos humanos em El Salvador. Ele reconheceu a cooperação na área de segurança, mas afirmou que pretende acompanhar denúncias de abusos cometidos durante o estado de exceção. Antes de chegar ao Departamento de Estado, Segura foi secretário de Comércio e Negócios da Virgínia. No cargo, comandou políticas de desenvolvimento econômico e comércio internacional durante o governo do republicano Glenn Youngkin. Sua experiência profissional também inclui o setor privado. Em 2014, fundou a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento de mulheres durante a gravidez e o pós-parto. Segura é formado pela Universidade de Notre Dame e possui certificação como contador. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 19/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Entenda como vão funcionar os "drogômetros" na fiscalização da Lei Seca

Novas regras preveem detecção de drogas e medicamentos e evitam positivos por álcool residual, como bombons de licor

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Como funciona o sistema de saúde para imigrantes? Compare 36 países antes de escolher seu destino

Nem sempre um sistema público significa atendimento gratuito, e nem sempre o imigrante entra automaticamente na rede logo que chega. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Recuperações judiciais crescem 66% com juros altos e crédito restrito, puxadas pelo agronegócio

Transporte e comércio também aparecem entre os setores que mais recorrem a mecanismos para suspender pagamento de dívidas Bancos reduzem concessões diante do risco maior de calote

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Jerônimo diz que empréstimos ainda não chegaram ao caixa

JERÔNIMO RODRIGUES afirmou que os recursos de empréstimos autorizados para o Estado ainda não chegaram ao caixa

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Grupo suspeito de usar impressoras 3D para fabricar armas é alvo de operação em cinco cidades do RS

Facção usava armamento para cometer homicídios

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Preço de quartos para arrendar atinge 527 euros com oferta a cair 25%

Plano nacional previa disponibilizar 19 mil camas públicas, mas só 5094 estão concluídas. Oferta privada especializada já representa 60% do stock na Grande Lisboa e 75% no Grande Porto, diz JLL.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL


TRUMP É DESAPROVADO POR 64%

Apenas 33% dos americanos aprovam o trabalho do presidente Donald Trump, segundo pesquisa Ipsos/Reuters divulgada ontem, 17. 64% dos entrevistados desaprovam sua atuação e 3% não souberam responder. O índice é semelhante ao registrado em dezembro de 2017, no primeiro mandato, e confirma a perda de apoio ao republicano. A principal crise enfrentada pela Casa Branca é a guerra com o Irã, iniciada em fevereiro. 80% dos americanos acreditam que o conflito ainda vai durar “muito tempo”. O prolongamento da guerra mantém o estreito de Hormuz sob controle iraniano e pressiona os preços internacionais de petróleo e gás. A alta dos combustíveis também agrava o descontentamento dos americanos com a inflação. Trump havia prometido que a guerra duraria apenas quatro ou cinco semanas, mas o conflito se aproxima de seis meses. A queda de popularidade ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato, que renovarão a Câmara e parte do Senado. Uma eventual vitória da oposição poderá dificultar a aprovação das principais propostas legislativas de Trump. Apesar da baixa aprovação, Trump não é o presidente americano com o menor índice da história. Harry Truman deixou o cargo com apenas 22% de aprovação, enquanto Trump jamais superou 50% em uma pesquisa Gallup. 


EUA ANUNCIAM SANÇÕES CONTRA TPI

Os Estados Unidos anunciaram sanções contra a presidente do TPI (Tribunal Penal Internacional), Tomoko Akane, e o magistrado senegalês Abdoulaye Seye. A medida é mais uma ofensiva do governo Donald Trump contra a instituição, acusada por Washington de ser “politizada”. Segundo o secretário de Estado Marco Rubio, os magistrados atuaram em investigações contra autoridades de países que não reconhecem a jurisdição do tribunal. Os EUA não são signatários do Estatuto de Roma, que criou o TPI em 1998, e não reconhecem sua jurisdição. A corte, sediada em Haia, julga casos de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A oposição americana ao tribunal é antiga e remonta ao governo Bill Clinton. Em 2002, George W. Bush retirou formalmente a assinatura dos EUA do Estatuto de Roma. No primeiro governo Trump, Washington já havia sancionado integrantes do TPI por investigações sobre militares americanos no Afeganistão. As medidas foram suspensas durante Joe Biden, mas retomadas por Trump em seu segundo mandato. A tensão aumentou após o TPI investigar autoridades israelenses pela guerra em Gaza. Em 2024, o tribunal emitiu mandados contra Benjamin Netanyahu, Yoav Gallant e três líderes do Hamas. Em julho, Rubio afirmou que o governo Trump pretende “desmantelar” o TPI, alegando ameaça à soberania americana.


TRUMP PERSEGUE EMISSORA ABC

A emissora americana ABC, controlada pela Disney, processou a FCC nesta terça-feira (18), acusando o órgão de promover retaliação contra a rede em nome do governo Trump. A ação foi apresentada em tribunal federal de Washington e questiona a revisão antecipada das licenças de oito emissoras da ABC. Segundo a empresa, a medida busca pressionar a rede por causa do conteúdo que transmite e de suas críticas ao governo. A FCC determinou a revisão em abril, embora as licenças só precisassem ser renovadas em 2028. A ABC afirma que a iniciativa representa uma ameaça à liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição americana. Trump já atacou publicamente a ABC e o apresentador Jimmy Kimmel, além de defender medidas contra emissoras que considera negativas. O presidente também moveu ações contra veículos de comunicação, incluindo ABC e CBS. Os casos contra as duas emissoras foram encerrados, com pagamentos de US$ 15 milhões e US$ 16 milhões, respectivamente. Na nova ação, Disney e ABC pedem que a Justiça impeça a FCC de adotar medidas contra suas licenças de transmissão. A comissária Anna Gomez, indicada por um presidente democrata, acusou a agência de promover uma campanha de censura e intimidação.
Ela afirmou que a Constituição protege notícias e comentários mesmo quando desagradam autoridades. A Casa Branca e o presidente da FCC, Brendan Carr, não haviam comentado imediatamente o processo.


OpenAI INICIA OPERAÇÕES NO BRASIL

O diretor de estratégia da OpenAI, Jason Kwon, afirmou que não é vantajoso para os EUA restringir o acesso de outros países a modelos avançados de IA. Segundo ele, medidas desse tipo, adotadas pelo governo Trump e posteriormente revistas, não devem se repetir. A declaração ocorreu durante o anúncio do início das operações de negócios da OpenAI no Brasil. Kwon buscou tranquilizar empresas brasileiras sobre possíveis decisões políticas que afetem o acesso aos modelos. Ele disse que a companhia mantém diálogo com a Casa Branca e conseguiu autorização rápida para expandir internacionalmente o ChatGPT 5.6 Sol. O executivo também minimizou a vantagem dos modelos chineses, afirmando que sistemas abertos não são necessariamente gratuitos. Segundo ele, modelos da OpenAI podem ter custo competitivo, considerando a infraestrutura necessária para operá-los. A empresa informou que o número de licenças corporativas no Brasil quintuplicou em relação ao ano passado. As mensagens enviadas diariamente pelo ChatGPT no país passaram de 140 milhões para 215 milhões. O número de usuários brasileiros dobrou, e o português tornou-se o terceiro idioma mais utilizado pela plataforma. O Brasil lidera mundialmente o uso do ChatGPT Images e é o principal mercado latino-americano do Codex. A OpenAI também anunciou parcerias com Nubank, Impa e Hospital das Clínicas da USP para aplicações financeiras e pesquisas com IA.

MINISTÉRIO SUSPENDE LICENÇAS DE CINCO EMPRESAS DE APOSTAS 

O Ministério da Fazenda suspendeu, na sexta-feira (14), as licenças de cinco empresas de apostas, incluindo negócios ligados a Deolane Bezerra e ao grupo Pixbet. Ao todo, 14 sites foram atingidos por sete medidas cautelares devido à falta de documentos obrigatórios e problemas regulatórios. Entre as empresas estão ZeroUm Bet, Select Operations, Nexus, RR Participações e Enseada Serviços e Tecnologia. As plataformas suspensas devem exibir aviso sobre a punição e permanecer disponíveis apenas para permitir o saque de valores pelos apostadores. No caso da ZeroUm Bet, a Fazenda determinou o cancelamento das apostas em curso e a devolução imediata dos valores. A empresa já havia sido alvo de processos administrativos por divulgar que tinha autorização do ministério. A Nexus afirmou que houve uma falha no processamento de arquivos enviados à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Segundo a empresa, a Megaposta é autorizada e está cumprindo as determinações, garantindo os saques aos usuários. A Select Operations pertence a holdings ligadas aos donos da Pixbet, cuja licença também foi suspensa pela Fazenda. Outras empresas do conglomerado, porém, continuam operando por meio de licença nacional distinta. A Fazenda não se pronunciou sobre os questionamentos feitos pela reportagem até a publicação. As medidas fazem parte da fiscalização do setor de apostas e do cumprimento das exigências regulatórias.

TRUMP AMEAÇA BOMBARDEAR OMÃ

Até que ponto chega o instinto animalesco dos grandes líderes do mundo. Pois o presidente Donald Trump fez séria ameaça ao Omã, no sentido de que bombardeará o país se houver intromissão no acordo com o Irã. Declarou Trump a um jornalista da Fox News Trey Yingst: "Se Omã se intrometer, vamos bombardeá-los e destruí-los". Ainda aconselhou o Irã a "hastear a bandeira branca e se render".

CRISTOVAM É CANDIDATO A DEPUTADO FEDERAL

Aos 82 anos, Cristovam Buarque decidiu voltar às urnas após oito anos afastado da política eleitoral. Ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação, ele disputará uma vaga de deputado federal pelo PSB em 2026. Cristovam também integra a chapa de Ricardo Cappelli na disputa pelo governo do DF. Em entrevista ao Correio, defendeu mudanças profundas na educação brasileira. Propôs um sistema nacional, único e público de educação básica, com financiamento federal. A ideia inclui carreira nacional para professores, escolas em tempo integral e padrões nacionais de funcionamento. Para ele, a qualidade do ensino não pode depender da capacidade financeira de cada município. Cristovam também criticou esquerda e direita por não colocarem as crianças no centro das políticas educacionais. Filiado ao PT desde 1990, deixou o partido em 2005, durante a crise do mensalão. Segundo ele, a legenda perdeu o “vigor transformador” ao priorizar assistência em vez de transformação pela educação. Após escrever 10 livros nos últimos oito anos, decidiu retornar à política diante de cobranças e do avanço da direita no DF. Sobre a eleição, avaliou o cenário político e defendeu propostas capazes de superar a polarização entre esquerda e direita.

Salvador, 18 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

CASAL CONDENADO POR TORTURA E PRESO EM PORTUGAL


O casal Marluci Cabrera Bellini Henares, 49, e Djalma Antônio Henares Júnior, 56, foi preso em Portugal após ser condenado por tortura em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos de Ribeirão Preto (SP). 
As prisões ocorreram em julho, cerca de um mês após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmar definitivamente a condenação dos dois a 17 anos e seis meses de prisão. O Ministério Público de Ribeirão Preto acompanha o caso há 12 anos e descreve um cenário de violência sistemática contra os internos. Segundo o promotor Aroldo Costa Filho, os pacientes sofriam agressões com socos e pedaços de madeira, além de violência sexual e castigos psicológicos. As vítimas também eram amarradas e colocadas em galpões com o chão molhado e ensaboado. Outra prática consistia em obrigá-las a ingerir medicamentos controlados sem prescrição, misturados à água. Os internos ainda eram submetidos a punições psicológicas, como permanecer sentados por horas olhando para árvores. Caso cochilassem, eram acordados com agressões. Os proprietários da clínica, Djalma e Marluci, participavam das práticas e mantinham os internos sob vigilância por câmeras. Angelo Bellini Neto, sobrinho de Djalma e também condenado, atuava como monitor e era apontado como responsável por agressões frequentes.

As investigações começaram em 2014, após denúncias e mandados de busca e apreensão. Na época, o Ministério Público pediu a prisão preventiva dos acusados, mas eles deixaram o Brasil legalmente e se estabeleceram em Portugal. Marluci chegou a trabalhar como professora de zumba nos Açores. Após a condenação definitiva, em junho de 2026, os nomes do casal foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. A medida permitiu que fossem localizados e presos pelas autoridades portuguesas. O Ministério Público solicitou a extradição dos dois para que cumpram a pena em regime fechado no Brasil. Angelo, o terceiro condenado, foi localizado e preso em Cravinhos (SP). Pelo menos 24 ex-internos haviam sido identificados como vítimas durante a operação realizada em 2014. Para o promotor, a condenação representa uma resposta rigorosa aos crimes cometidos na clínica.