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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ZELENSKI DEMITE VICE-CHEFE DE SEU GABINETE, POR CORRUPÇÃO


Sob intensa pressão política e diante do agravamento da guerra, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, demitiu nesta quarta-feira (19) a vice-chefe de seu gabinete, Irina Mudra.
Ela é acusada, junto a outros integrantes do governo, de participar de um esquema de lavagem de dinheiro investigado por órgãos ucranianos. A demissão ocorre após outras baixas no círculo de poder de Zelenski, incluindo a saída do chefe de gabinete Andrii Iermak, no fim de 2025. A crise também se agravou após o ex-ministro da Defesa Mikhailo Fedorov criticar o governo e defender eleições presidenciais, mesmo sob lei marcial. Fedorov, demitido em julho, ganhou popularidade por mudanças no Ministério da Defesa e pelo fortalecimento dos ataques ucranianos contra alvos russos. Sua declaração o colocou em confronto político com Zelenski e reacendeu o debate sobre a legitimidade do presidente. O Parlamento ucraniano aprovou nesta quarta-feira Ievhenii Khmara como novo ministro da Defesa, por 312 votos entre 325 deputados presentes. Khmara é general de divisão e comandava interinamente o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU). Ele ficou conhecido por operações contra forças russas, incluindo ações com drones dentro do território da Rússia. Entre elas está a Operação Teia de Aranha, que atingiu bases russas de bombardeiros.

Apesar de sua experiência militar, Khmara não possui a mesma popularidade de Fedorov. A saída do ex-ministro provocou protestos, levando Zelenski a também substituir o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Sirskii. A mudança não encerrou as manifestações, que ganharam caráter cada vez mais político. Fedorov passou a defender eleições, colocando-se em rota de colisão com Zelenski. O cenário favorece a narrativa do presidente russo Vladimir Putin, que questiona a legitimidade do governo ucraniano desde o fim do mandato presidencial de Zelenski, em 2024. Enquanto isso, a guerra se intensifica e aumenta o número de vítimas civis e militares. Julho registrou a maior média diária de mortes desde março de 2022, segundo monitores independentes. Cerca de 85,6% das fatalidades ocorreram na Ucrânia. Nesta quarta-feira, ataques russos deixaram ao menos 17 mortos em diferentes regiões do país.
Em Kherson, um drone atingiu um micro-ônibus e matou quatro pessoas. A Ucrânia também enfrenta escassez de mísseis antiaéreos, dificultando a defesa contra ataques russos. Os sistemas conseguem interceptar muitos drones, mas apresentam dificuldades diante de mísseis.
A ajuda militar americana também está limitada pela elevada demanda no Oriente Médio. Apesar da estagnação diplomática, Rússia e Ucrânia realizaram nesta quarta-feira uma troca de 103 prisioneiros de guerra de cada lado. 

TRUMP PERDE A COMPOSTURA E ATACA REPÓRTER


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou a repórter da CNN Kristen Holmes durante uma coletiva na Casa Branca na segunda-feira (17). 
Trump mandou a jornalista se calar e a acusou de trabalhar para uma emissora de “fake news”. Holmes questionava o presidente sobre uma possível conversa com o líder norte-coreano, Kim Jong-un. A pergunta ocorreu após Trump decidir cancelar um exercício militar conjunto com a Coreia do Sul. Irritado, Trump afirmou que a repórter era desrespeitosa e estava falando alto demais. Ao saber que ela trabalhava para a CNN, chamou a emissora de “fake news”. Trump também classificou Holmes como uma jornalista que publica notícias falsas. Horas depois, uma conta da Casa Branca no X ampliou os ataques contra a repórter. A publicação chegou a afirmar que os filhos dela sentiriam vergonha de suas perguntas. Colegas de Holmes, da CNN e de outros veículos, saíram em defesa da jornalista. A CNN afirmou que ela é uma das repórteres mais respeitadas que cobrem a Casa Branca. A emissora considerou a pergunta relevante e relacionada ao interesse público. Também criticou ataques pessoais contra jornalistas que fazem perguntas difíceis.

Trump tem histórico de confrontos e ofensas contra jornalistas mulheres. Em junho, abandonou uma entrevista com Kristen Welker, da NBC, após atacá-la verbalmente. Em outro episódio, mandou a repórter Catherine Lucey, da Bloomberg, se calar. O conflito mais recente ocorreu em meio a reportagens sobre as condições de militares americanos. As denúncias envolvem o porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln. O navio abriga cerca de 5.000 pessoas e está no mar desde novembro de 2025. O período prolongado sem atracar é considerado incomum para operações militares. O porta-aviões está desde janeiro no Oriente Médio, participando da guerra dos EUA contra o Irã. Veículos especializados em assuntos militares relataram tentativas de suicídio a bordo. O Pentágono negou as informações divulgadas pela imprensa. Trump também rejeitou as denúncias e afirmou que o porta-aviões está em ótimas condições. Segundo o presidente, as notícias divulgadas sobre o navio são falsas. O episódio reacendeu o debate sobre a relação de Trump com a imprensa. Também chamou atenção para os limites do confronto entre autoridades e jornalistas. A CNN reiterou apoio à repórter e defendeu a liberdade de imprensa. Trump, por sua vez, manteve as críticas e acusou os veículos de divulgar informações falsas. 

PREÇO DO DIESEL PRESSIONA CUSTO DE VIDA NOS EUA


O preço do diesel disparou nos Estados Unidos e já pressiona empresas, agricultores, caminhoneiros e consumidores, às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro. Ontem,
18, o combustível chegou a US$ 5,47 por galão, equivalente a cerca de R$ 7,54 por litro, aproximando-se do recorde de US$ 5,82. O diesel subiu 8% no último mês, enquanto a diferença entre seu preço e o do petróleo bruto atingiu níveis recordes. A alta é atribuída principalmente às guerras no Oriente Médio e na Europa, que reduziram a oferta mundial de combustíveis. A guerra envolvendo Estados Unidos e Irã agravou a situação após restrições ao transporte pelo estreito de Hormuz e ataques contra instalações de energia, através de drones ucranianos contra refinarias russas, contribuindo para reduzir a produção e para a escassez global. As refinarias americanas operam perto da capacidade máxima para compensar a falta de combustível em outros mercados. Analistas, porém, alertam que esse ritmo pode ser difícil de manter diante da redução dos estoques. Novas interrupções, causadas por guerras, manutenção de refinarias ou furacões, poderiam provocar outra forte disparada dos preços. O diesel é essencial para o transporte, a indústria e a agricultura, tornando difícil para empresas reduzir seu consumo. Agricultores estão entre os mais afetados, principalmente após a alta dos preços dos fertilizantes. 

A elevação dos combustíveis também aumenta os custos de transporte e produção, podendo alimentar novamente a inflação. O impacto chega às famílias americanas, que enfrentam despesas maiores antes do inverno e do período de festas. A alta ocorre ainda em um momento de crescente insatisfação dos eleitores com a situação econômica. O aumento dos combustíveis também pressiona os rendimentos dos títulos do governo americano e encarece os empréstimos. A Casa Branca afirma estar adotando medidas para reduzir os efeitos da crise energética. Entre as iniciativas estão liberações coordenadas de reservas estratégicas e mudanças nas sanções sobre petróleo. O governo também avalia outras alternativas para ampliar a oferta, embora negue, por enquanto, planos para restringir exportações. Analistas consideram que a situação poderá se agravar caso ocorram novos problemas no abastecimento. Com o sistema de refino operando próximo do limite, qualquer paralisação pode provocar grande impacto nos preços. O cenário representa um desafio econômico e político para o governo Donald Trump antes das eleições de novembro. A combinação de guerras, menor oferta mundial e custos elevados aumenta o risco de uma nova onda inflacionária. Para consumidores, empresas e agricultores, o diesel caro já se transformou em um dos principais fatores de pressão sobre a economia americana.  

QUATRO DIAS SEM BANHEIRO, COZINHA, AR-CONDICIONADO E ÁGUA POTÁVEL


Um contratorpedeiro de mísseis guiados da Marinha dos Estados Unidos ficou quatro dias sem banheiros, cozinha, ar-condicionado e água potável após uma falha de energia no Mar do Sul da China. 
O USS Benfold, da classe Arleigh Burke, apresentou em 24 de julho uma falha nos geradores durante operações de rotina no Indo-Pacífico. A pane também impediu o navio, de quase 10 mil toneladas, de manobrar por conta própria. A Marinha americana informou que investiga as causas do problema. Não houve feridos entre os tripulantes, segundo o comando da 7ª Frota. As temperaturas na região chegaram a variar entre 32°C e 37°C durante o período da pane. Sem condições de preparar alimentos, o USS Benfold recebeu refeições prontas do cruzador USS Robert Smalls. Outros navios também auxiliaram a tripulação durante os quatro dias sem energia. Depois, o Benfold foi rebocado para a Baía de Subic, nas Filipinas. Os reparos foram concluídos em 8 de agosto, quando o navio voltou a operar. O episódio é a segunda falha de energia envolvendo um contratorpedeiro americano no Indo-Pacífico neste ano. Em maio, o USS Higgins também perdeu energia e propulsão por várias horas devido a uma avaria no sistema elétrico.

Os problemas ocorrem em meio a preocupações sobre as condições de trabalho e o desgaste das tripulações da Marinha dos EUA. O caso ganhou atenção após relatos sobre a situação do porta-aviões USS Abraham Lincoln. Com cerca de 5 mil marinheiros, o navio permaneceu mais de 250 dias sem atracar durante operações contra o Irã. Militares relataram escassez de alimentos e suprimentos, problemas de infraestrutura e jornadas exaustivas. Também foram mencionadas preocupações relacionadas à saúde mental da tripulação. O senador Richard Blumenthal afirmou que o Lincoln estabeleceu um recorde moderno de permanência consecutiva no mar. O almirante Brad Cooper reconheceu que o longo período de serviço é extremamente difícil para os militares. Segundo ele, porém, o Lincoln apresenta baixos índices de casos relacionados à saúde mental entre os porta-aviões americanos. O presidente Donald Trump minimizou as preocupações sobre as condições da tripulação. Trump afirmou que a missão não havia sido prolongada demais e que o porta-aviões seria substituído. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também rejeitou relatos sobre condições precárias no navio. Apesar disso, a Marinha prepara o USS George Washington para substituir o Lincoln. Os episódios recentes aumentam o debate sobre manutenção, infraestrutura e condições de trabalho dos militares americanos em longas operações no mar. 

IPTU NÃO PODE BASEAR SOMENTE NA ÁREA DO IMÓVEL


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que municípios não podem fixar alíquotas do IPTU com base apenas na área do imóvel. 
A decisão foi tomada no julgamento de recurso com repercussão geral, e deverá orientar casos semelhantes em todo o país. O processo envolvia uma lei de Chapecó (SC) que estabelecia alíquota de 1% de IPTU para imóveis com área construída igual ou superior a 400 metros quadrados. A Justiça de Santa Catarina havia considerado a norma inconstitucional, e o município recorreu ao STF. A prefeitura argumentou que imóveis maiores representariam uso mais intenso do solo urbano e, por isso, poderiam ter tributação maior. Relator do processo, o ministro Dias Toffoli rejeitou esse entendimento. Segundo ele, após a Emenda Constitucional 29, de 2000, a Constituição passou a permitir a progressividade do IPTU conforme o valor do imóvel. Também são permitidas alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso da propriedade. Para o ministro, porém, a área do imóvel não está entre os critérios constitucionais autorizados para diferenciar a cobrança. Toffoli destacou ainda que área, valor, localização e uso são critérios distintos.

O STF entendeu que os municípios não podem criar novos critérios de progressividade além dos previstos na Constituição. Ao final, o plenário aprovou a tese de que é inconstitucional estabelecer, por lei municipal posterior à EC 29/2000, alíquota de IPTU em razão da área do imóvel. A decisão não impede a cobrança de IPTU mais alto de propriedades com maior valor venal. O que foi proibido é utilizar somente o tamanho do imóvel como justificativa para aumentar a alíquota. O IPTU é calculado com base no valor venal, estimativa feita pelo município para fins tributários. Assim, quanto maior o valor venal da propriedade, maior poderá ser o imposto. As alíquotas também podem variar conforme a localização e o uso do imóvel. Por exemplo, dois imóveis no mesmo bairro podem ter a mesma alíquota, mas pagar valores diferentes conforme seus respectivos valores venais. Com a decisão, municípios não poderão usar a metragem do imóvel, isoladamente, como critério para elevar a alíquota do IPTU. 

DESEMBARGADOR DEFENDE FIM DO QUINTO CONSTITUCIONAL


O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) divulgou nota pública para esclarecer que a defesa do fim do quinto constitucional feita pelo desembargador Adriano Linhares representa opinião pessoal e não o posicionamento institucional da Corte. A manifestação ocorreu durante sessão da 4ª Câmara Criminal, presidida pelo magistrado. Linhares defendeu que os tribunais fossem compostos exclusivamente por magistrados de carreira e estendeu a defesa aos tribunais superiores, como STF, STJ e STM, argumentando que as vagas deveriam ser ocupadas por juízes de carreira. Segundo ele, o modelo atual de escolha, que envolve indicação e nomeação pelo Poder Executivo, teria uma lógica que considerou “imperial” e incompatível com o sistema republicano. Linhares também apontou diferenças entre as trajetórias de magistrados de carreira e integrantes provenientes da advocacia e do Ministério Público. Ele afirmou que profissionais dessas áreas podem chegar aos tribunais mais jovens e permanecer por períodos mais longos nas cortes. A manifestação também questionou o argumento de que o quinto constitucional contribui para renovar e diversificar a composição dos tribunais. O desembargador reconheceu que suas declarações poderiam repercutir publicamente e reiterou que se tratava de uma posição pessoal.

Após a repercussão, o TJGO divulgou nota assinada pelo presidente da Corte, desembargador Leandro Crispim. O Tribunal afirmou que as declarações de Adriano Linhares não representam seu entendimento institucional. Na nota, o TJGO lembrou que o quinto constitucional está previsto no artigo 94 da Constituição Federal. O dispositivo garante a participação de integrantes da advocacia e do Ministério Público na composição dos tribunais. A Corte destacou que todos os desembargadores, independentemente de sua origem profissional, exercem a jurisdição com a mesma legitimidade, responsabilidade e compromisso institucional. O TJGO também ressaltou a importância do respeito e da consideração entre as diferentes trajetórias profissionais que integram o Judiciário. Por fim, o Tribunal reconheceu a contribuição tanto dos magistrados de carreira quanto dos representantes da advocacia e do Ministério Público para a prestação jurisdicional e o funcionamento da Justiça.

MUDADO COMANDO DO ESCRITÓRIO DOS EUA QUE TRATA RELAÇÕES COM BRASIL E OUTROS PAÍSES


O Departamento de Estado dos Estados Unidos mudou o comando do escritório responsável pelas relações com o Brasil e outros países da América Latina, em meio à tensão entre Washington e Brasília. Juan Pablo Segura assumiu na sexta-feira (14) o cargo de secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, substituindo Michael Kozak, que ocupava a função interinamente. Segura afirmou que pretende promover a visão do presidente Donald Trump para a região, com foco no combate a cartéis, narcoterroristas, segurança das fronteiras e prosperidade econômica. A mudança tem importância para o Brasil porque Kozak participou de episódios recentes de deterioração das relações entre os dois países. Entre eles está a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, decisão comunicada diretamente por Kozak. Segura havia sido indicado por Trump em abril e teve sua nomeação aprovada pelo Senado americano em junho. Sua confirmação ocorreu no mesmo pacote que incluiu Daniel Perez, escolhido para ser embaixador dos Estados Unidos em Brasília. Durante a sabatina, Segura apresentou como prioridades o combate ao narcotráfico, a contenção da influência chinesa e a pressão por mudanças políticas na Venezuela. Ele defendeu o uso de todas as ferramentas disponíveis contra organizações criminosas classificadas por Washington como terroristas. Também destacou a necessidade de reforçar a segurança nos portos de entrada para impedir a circulação de substâncias usadas na produção de fentanil. Outro foco será a disputa de influência com a China na América Latina. 

Segura acusou Pequim de utilizar empréstimos predatórios e buscar o controle de infraestruturas consideradas estratégicas. Ele afirmou que pretende ampliar a participação de empresas americanas em projetos e licitações na região por meio da diplomacia comercial. Sobre a Venezuela, apoiou a estratégia de Marco Rubio, baseada em estabilização, recuperação e reconciliação e, posteriormente, transição política. Segundo Segura, Washington está na segunda fase e continuará pressionando pela libertação de presos políticos. O indicado também foi questionado sobre direitos humanos em El Salvador. Ele reconheceu a cooperação na área de segurança, mas afirmou que pretende acompanhar denúncias de abusos cometidos durante o estado de exceção. Antes de chegar ao Departamento de Estado, Segura foi secretário de Comércio e Negócios da Virgínia. No cargo, comandou políticas de desenvolvimento econômico e comércio internacional durante o governo do republicano Glenn Youngkin. Sua experiência profissional também inclui o setor privado. Em 2014, fundou a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento de mulheres durante a gravidez e o pós-parto. Segura é formado pela Universidade de Notre Dame e possui certificação como contador. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 19/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Entenda como vão funcionar os "drogômetros" na fiscalização da Lei Seca

Novas regras preveem detecção de drogas e medicamentos e evitam positivos por álcool residual, como bombons de licor

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Como funciona o sistema de saúde para imigrantes? Compare 36 países antes de escolher seu destino

Nem sempre um sistema público significa atendimento gratuito, e nem sempre o imigrante entra automaticamente na rede logo que chega. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Recuperações judiciais crescem 66% com juros altos e crédito restrito, puxadas pelo agronegócio

Transporte e comércio também aparecem entre os setores que mais recorrem a mecanismos para suspender pagamento de dívidas Bancos reduzem concessões diante do risco maior de calote

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Jerônimo diz que empréstimos ainda não chegaram ao caixa

JERÔNIMO RODRIGUES afirmou que os recursos de empréstimos autorizados para o Estado ainda não chegaram ao caixa

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Grupo suspeito de usar impressoras 3D para fabricar armas é alvo de operação em cinco cidades do RS

Facção usava armamento para cometer homicídios

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Preço de quartos para arrendar atinge 527 euros com oferta a cair 25%

Plano nacional previa disponibilizar 19 mil camas públicas, mas só 5094 estão concluídas. Oferta privada especializada já representa 60% do stock na Grande Lisboa e 75% no Grande Porto, diz JLL.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL


TRUMP É DESAPROVADO POR 64%

Apenas 33% dos americanos aprovam o trabalho do presidente Donald Trump, segundo pesquisa Ipsos/Reuters divulgada ontem, 17. 64% dos entrevistados desaprovam sua atuação e 3% não souberam responder. O índice é semelhante ao registrado em dezembro de 2017, no primeiro mandato, e confirma a perda de apoio ao republicano. A principal crise enfrentada pela Casa Branca é a guerra com o Irã, iniciada em fevereiro. 80% dos americanos acreditam que o conflito ainda vai durar “muito tempo”. O prolongamento da guerra mantém o estreito de Hormuz sob controle iraniano e pressiona os preços internacionais de petróleo e gás. A alta dos combustíveis também agrava o descontentamento dos americanos com a inflação. Trump havia prometido que a guerra duraria apenas quatro ou cinco semanas, mas o conflito se aproxima de seis meses. A queda de popularidade ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato, que renovarão a Câmara e parte do Senado. Uma eventual vitória da oposição poderá dificultar a aprovação das principais propostas legislativas de Trump. Apesar da baixa aprovação, Trump não é o presidente americano com o menor índice da história. Harry Truman deixou o cargo com apenas 22% de aprovação, enquanto Trump jamais superou 50% em uma pesquisa Gallup. 


EUA ANUNCIAM SANÇÕES CONTRA TPI

Os Estados Unidos anunciaram sanções contra a presidente do TPI (Tribunal Penal Internacional), Tomoko Akane, e o magistrado senegalês Abdoulaye Seye. A medida é mais uma ofensiva do governo Donald Trump contra a instituição, acusada por Washington de ser “politizada”. Segundo o secretário de Estado Marco Rubio, os magistrados atuaram em investigações contra autoridades de países que não reconhecem a jurisdição do tribunal. Os EUA não são signatários do Estatuto de Roma, que criou o TPI em 1998, e não reconhecem sua jurisdição. A corte, sediada em Haia, julga casos de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A oposição americana ao tribunal é antiga e remonta ao governo Bill Clinton. Em 2002, George W. Bush retirou formalmente a assinatura dos EUA do Estatuto de Roma. No primeiro governo Trump, Washington já havia sancionado integrantes do TPI por investigações sobre militares americanos no Afeganistão. As medidas foram suspensas durante Joe Biden, mas retomadas por Trump em seu segundo mandato. A tensão aumentou após o TPI investigar autoridades israelenses pela guerra em Gaza. Em 2024, o tribunal emitiu mandados contra Benjamin Netanyahu, Yoav Gallant e três líderes do Hamas. Em julho, Rubio afirmou que o governo Trump pretende “desmantelar” o TPI, alegando ameaça à soberania americana.


TRUMP PERSEGUE EMISSORA ABC

A emissora americana ABC, controlada pela Disney, processou a FCC nesta terça-feira (18), acusando o órgão de promover retaliação contra a rede em nome do governo Trump. A ação foi apresentada em tribunal federal de Washington e questiona a revisão antecipada das licenças de oito emissoras da ABC. Segundo a empresa, a medida busca pressionar a rede por causa do conteúdo que transmite e de suas críticas ao governo. A FCC determinou a revisão em abril, embora as licenças só precisassem ser renovadas em 2028. A ABC afirma que a iniciativa representa uma ameaça à liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição americana. Trump já atacou publicamente a ABC e o apresentador Jimmy Kimmel, além de defender medidas contra emissoras que considera negativas. O presidente também moveu ações contra veículos de comunicação, incluindo ABC e CBS. Os casos contra as duas emissoras foram encerrados, com pagamentos de US$ 15 milhões e US$ 16 milhões, respectivamente. Na nova ação, Disney e ABC pedem que a Justiça impeça a FCC de adotar medidas contra suas licenças de transmissão. A comissária Anna Gomez, indicada por um presidente democrata, acusou a agência de promover uma campanha de censura e intimidação.
Ela afirmou que a Constituição protege notícias e comentários mesmo quando desagradam autoridades. A Casa Branca e o presidente da FCC, Brendan Carr, não haviam comentado imediatamente o processo.


OpenAI INICIA OPERAÇÕES NO BRASIL

O diretor de estratégia da OpenAI, Jason Kwon, afirmou que não é vantajoso para os EUA restringir o acesso de outros países a modelos avançados de IA. Segundo ele, medidas desse tipo, adotadas pelo governo Trump e posteriormente revistas, não devem se repetir. A declaração ocorreu durante o anúncio do início das operações de negócios da OpenAI no Brasil. Kwon buscou tranquilizar empresas brasileiras sobre possíveis decisões políticas que afetem o acesso aos modelos. Ele disse que a companhia mantém diálogo com a Casa Branca e conseguiu autorização rápida para expandir internacionalmente o ChatGPT 5.6 Sol. O executivo também minimizou a vantagem dos modelos chineses, afirmando que sistemas abertos não são necessariamente gratuitos. Segundo ele, modelos da OpenAI podem ter custo competitivo, considerando a infraestrutura necessária para operá-los. A empresa informou que o número de licenças corporativas no Brasil quintuplicou em relação ao ano passado. As mensagens enviadas diariamente pelo ChatGPT no país passaram de 140 milhões para 215 milhões. O número de usuários brasileiros dobrou, e o português tornou-se o terceiro idioma mais utilizado pela plataforma. O Brasil lidera mundialmente o uso do ChatGPT Images e é o principal mercado latino-americano do Codex. A OpenAI também anunciou parcerias com Nubank, Impa e Hospital das Clínicas da USP para aplicações financeiras e pesquisas com IA.

MINISTÉRIO SUSPENDE LICENÇAS DE CINCO EMPRESAS DE APOSTAS 

O Ministério da Fazenda suspendeu, na sexta-feira (14), as licenças de cinco empresas de apostas, incluindo negócios ligados a Deolane Bezerra e ao grupo Pixbet. Ao todo, 14 sites foram atingidos por sete medidas cautelares devido à falta de documentos obrigatórios e problemas regulatórios. Entre as empresas estão ZeroUm Bet, Select Operations, Nexus, RR Participações e Enseada Serviços e Tecnologia. As plataformas suspensas devem exibir aviso sobre a punição e permanecer disponíveis apenas para permitir o saque de valores pelos apostadores. No caso da ZeroUm Bet, a Fazenda determinou o cancelamento das apostas em curso e a devolução imediata dos valores. A empresa já havia sido alvo de processos administrativos por divulgar que tinha autorização do ministério. A Nexus afirmou que houve uma falha no processamento de arquivos enviados à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Segundo a empresa, a Megaposta é autorizada e está cumprindo as determinações, garantindo os saques aos usuários. A Select Operations pertence a holdings ligadas aos donos da Pixbet, cuja licença também foi suspensa pela Fazenda. Outras empresas do conglomerado, porém, continuam operando por meio de licença nacional distinta. A Fazenda não se pronunciou sobre os questionamentos feitos pela reportagem até a publicação. As medidas fazem parte da fiscalização do setor de apostas e do cumprimento das exigências regulatórias.

TRUMP AMEAÇA BOMBARDEAR OMÃ

Até que ponto chega o instinto animalesco dos grandes líderes do mundo. Pois o presidente Donald Trump fez séria ameaça ao Omã, no sentido de que bombardeará o país se houver intromissão no acordo com o Irã. Declarou Trump a um jornalista da Fox News Trey Yingst: "Se Omã se intrometer, vamos bombardeá-los e destruí-los". Ainda aconselhou o Irã a "hastear a bandeira branca e se render".

CRISTOVAM É CANDIDATO A DEPUTADO FEDERAL

Aos 82 anos, Cristovam Buarque decidiu voltar às urnas após oito anos afastado da política eleitoral. Ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação, ele disputará uma vaga de deputado federal pelo PSB em 2026. Cristovam também integra a chapa de Ricardo Cappelli na disputa pelo governo do DF. Em entrevista ao Correio, defendeu mudanças profundas na educação brasileira. Propôs um sistema nacional, único e público de educação básica, com financiamento federal. A ideia inclui carreira nacional para professores, escolas em tempo integral e padrões nacionais de funcionamento. Para ele, a qualidade do ensino não pode depender da capacidade financeira de cada município. Cristovam também criticou esquerda e direita por não colocarem as crianças no centro das políticas educacionais. Filiado ao PT desde 1990, deixou o partido em 2005, durante a crise do mensalão. Segundo ele, a legenda perdeu o “vigor transformador” ao priorizar assistência em vez de transformação pela educação. Após escrever 10 livros nos últimos oito anos, decidiu retornar à política diante de cobranças e do avanço da direita no DF. Sobre a eleição, avaliou o cenário político e defendeu propostas capazes de superar a polarização entre esquerda e direita.

Salvador, 18 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

CASAL CONDENADO POR TORTURA E PRESO EM PORTUGAL


O casal Marluci Cabrera Bellini Henares, 49, e Djalma Antônio Henares Júnior, 56, foi preso em Portugal após ser condenado por tortura em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos de Ribeirão Preto (SP). 
As prisões ocorreram em julho, cerca de um mês após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmar definitivamente a condenação dos dois a 17 anos e seis meses de prisão. O Ministério Público de Ribeirão Preto acompanha o caso há 12 anos e descreve um cenário de violência sistemática contra os internos. Segundo o promotor Aroldo Costa Filho, os pacientes sofriam agressões com socos e pedaços de madeira, além de violência sexual e castigos psicológicos. As vítimas também eram amarradas e colocadas em galpões com o chão molhado e ensaboado. Outra prática consistia em obrigá-las a ingerir medicamentos controlados sem prescrição, misturados à água. Os internos ainda eram submetidos a punições psicológicas, como permanecer sentados por horas olhando para árvores. Caso cochilassem, eram acordados com agressões. Os proprietários da clínica, Djalma e Marluci, participavam das práticas e mantinham os internos sob vigilância por câmeras. Angelo Bellini Neto, sobrinho de Djalma e também condenado, atuava como monitor e era apontado como responsável por agressões frequentes.

As investigações começaram em 2014, após denúncias e mandados de busca e apreensão. Na época, o Ministério Público pediu a prisão preventiva dos acusados, mas eles deixaram o Brasil legalmente e se estabeleceram em Portugal. Marluci chegou a trabalhar como professora de zumba nos Açores. Após a condenação definitiva, em junho de 2026, os nomes do casal foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. A medida permitiu que fossem localizados e presos pelas autoridades portuguesas. O Ministério Público solicitou a extradição dos dois para que cumpram a pena em regime fechado no Brasil. Angelo, o terceiro condenado, foi localizado e preso em Cravinhos (SP). Pelo menos 24 ex-internos haviam sido identificados como vítimas durante a operação realizada em 2014. Para o promotor, a condenação representa uma resposta rigorosa aos crimes cometidos na clínica. 

TRUMP PODE PERDER APOIO DO SENADO E DA CÂMARA


Os olhos do mundo estarão voltados para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro. Embora Donald Trump não esteja nas cédulas, sua popularidade e seu governo devem dominar a disputa. Com a aprovação do presidente em queda, os democratas tentam retomar o controle do Congresso e impor limites ao governo nos dois últimos anos do mandato. No Senado, 35 das 100 cadeiras estarão em disputa. Os republicanos têm 53 senadores contra 47 democratas e aliados independentes. Para recuperar a maioria, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras. As principais disputas envolvem Carolina do Norte, Maine e Ohio, além de estados como Alasca, Iowa e Texas. Os democratas também terão de defender cadeiras em Michigan, Geórgia e New Hampshire. Na Câmara, todas as 435 cadeiras serão disputadas. A perda da maioria pelos republicanos dificultaria a aprovação de leis por Trump e poderia abrir caminho para novas investigações contra o governo. Pesquisas indicam avanço dos democratas na preferência dos eleitores, e as disputas mais apertadas devem concentrar grande volume de recursos. Também estarão em jogo 36 governos estaduais. Arizona, Geórgia, Nevada, Wisconsin, Michigan e Ohio estão entre os estados que terão eleições acompanhadas de perto.

Entre os temas centrais da campanha está o custo de vida. Trump prometeu reduzir a inflação e os preços da gasolina, mas os aumentos continuam pressionando os consumidores. A guerra contra o Irã também pode pesar politicamente. Trump havia prometido evitar novos conflitos, mas seu governo ampliou o uso da força militar e enfrenta dificuldades para alcançar seus objetivos no Oriente Médio. A imigração permanece outra questão decisiva. Apesar do apoio republicano à política de controle da fronteira, deportações em massa e mortes durante operações policiais provocaram protestos. A inteligência artificial também entrou no debate eleitoral. O entusiasmo de Trump pelo setor enfrenta críticas sobre a concentração dos benefícios econômicos e os impactos ambientais dos data centers. No financiamento eleitoral, os republicanos mantêm vantagem financeira, com centenas de milhões de dólares disponíveis em comitês e super PACs. O resultado de novembro poderá definir o equilíbrio de forças no Congresso e determinar o grau de dificuldade que Trump enfrentará na segunda metade de seu mandato. 

SULAMÉRICA É OBRIGADA A RESTABELECER COBERTURA DE HOSPITAIS


A Justiça de Pernambuco determinou que a SulAmérica restabeleça a cobertura de hospitais descredenciados da rede de uma beneficiária de plano individual/familiar. 
A decisão inclui o Real Hospital Português, Memorial Star e Hospital Santa JoanaA tutela de urgência foi concedida pela 29ª Vara Cível da Capital cerca de 24 horas após a ação. A defesa alegou esvaziamento progressivo da rede credenciada e ausência de comunicação prévia individualizada. Também apontou falta de comprovação de hospitais substitutos materialmente equivalentes. O plano foi contratado originalmente em 1991 e, segundo a ação, sofreu sucessivos descredenciamentos em Pernambuco. Entre os hospitais retirados estavam unidades de alta complexidade, como o Real Hospital Português, Memorial Star e Santa Joana. A discussão não se limitou à retirada dos estabelecimentos, mas à qualidade dos possíveis substitutos. O magistrado considerou que não houve demonstração de comunicação individualizada nem de substituição por prestadores equivalentes. A decisão aplicou normas do Código de Defesa do Consumidor e citou o artigo 17 da Lei 9.656/98. Também levou em conta que a beneficiária é idosa e necessita de estabilidade na cobertura médico-hospitalar. Segundo o juiz, houve risco de “alteração unilateral e redução qualitativa da rede assistencial”Por isso, determinou o restabelecimento da cobertura dos hospitais, clínicas e laboratórios anteriormente credenciados. 

Caso algum estabelecimento não possa ser reativado, a operadora deverá oferecer substituto equivalente. A equivalência deverá considerar estrutura, complexidade e padrão de atendimentoA defesa sustentou que a simples existência de outros hospitais não garantiria a manutenção da qualidade assistencial. Esse argumento foi considerado relevante na análise liminar do pedido. A ação foi distribuída em 11 de agosto de 2026, e a tutela concedida no dia seguinte. A SulAmérica deverá cumprir a determinação em cinco dias após a intimação. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada inicialmente a R$ 20 mil. A decisão é liminar e o mérito ainda será analisado após a manifestação da operadora. O entendimento poderá ser mantido, alterado ou revogado durante o processo. O caso reforça a discussão sobre mudanças na rede credenciada dos planos de saúde individuais. A controvérsia envolve não apenas a quantidade de prestadores, mas também a equivalência da assistência oferecida aos beneficiários.