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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

O UNIVERSO PRIMITIVO


Um conjunto de simulações detalhadas revela como era o Universo primitivo, entre 50 milhões e 2 bilhões de anos após o Big Bang. As imagens mostram a mistura turbulenta de matéria escura, hidrogênio e hélio que participou da formação das primeiras estrelas e galáxias. As simulações foram produzidas pelo Lumina, programa desenvolvido por Oliver Zier e sua equipe, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos Estados Unidos. O Telescópio Espacial James Webb, da Nasa, permitiu observar épocas remotas do Cosmos, possibilitando comparar as previsões do programa com dados reais. Segundo Zier, o Lumina representa a transformação do Universo, inicialmente preenchido por gás frio e neutro, até o surgimento das primeiras galáxias, dos buracos negros e de gás quente e ionizado. Após o Big Bang, o Universo era extremamente quente, composto por elétrons e núcleos atômicos. Com a expansão e o resfriamento, essas partículas formaram uma névoa de hidrogênio e hélio. Nesse período, a luz ultravioleta e os raios X eram absorvidos pelo gás neutro, que dificultava sua propagação.

Cerca de 100 milhões de anos depois do Big Bang, as primeiras estrelas teriam começado a surgir, contribuindo para a ionização do gás, processo que retirou elétrons dos átomos e tornou o Universo mais transparente à luz. Para desenvolver o Lumina, os pesquisadores modelaram a matéria escura, a formação de estrelas, o crescimento dos buracos negros e suas interações com os gases cósmicos. O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. A simulação abrangeu uma região espacial de aproximadamente 1,5 bilhão de anos-luz em cada direção. O processamento levou cerca de um ano em um supercomputador do Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee. O programa calculou a distribuição da matéria escura e a temperatura dos gases intergalácticos durante a evolução cósmica. Os resultados indicam que a luz das estrelas foi a principal responsável pela ionização do hidrogênio, processo ocorrido sobretudo entre 500 milhões e 1 bilhão de anos após o Big Bang. No caso do hélio, a luz estelar retirou um elétron de seus átomos, enquanto a radiação energética emitida por buracos negros supermassivos removeu o segundo. O Lumina também produziu vídeos que simulam uma viagem pelo Universo daquela época, mostrando a chamada teia cósmica, formada por aglomerados e filamentos de matéria escura. Outra representação destaca um halo de matéria escura ao redor de um aglomerado de galáxias. Sua gravidade atrai o gás intergaláctico, que se aquece durante a queda e, posteriormente, esfria, formando o material necessário para o nascimento de novas estrelas. A equipe já compara as simulações com observações do James Webb e pretende utilizar o Lumina para interpretar dados do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, lançado no fim de agosto. O novo observatório também deverá contribuir para mapear a matéria escura com maior precisão. Para Zier, a concordância entre as simulações e as observações confirmará a eficácia dos modelos físicos. Divergências, porém, poderão revelar fenômenos ainda desconhecidos e ampliar a compreensão sobre a origem e a evolução do Universo. 

ACIDENTE ENTRE DOIS TRENS DEIXA 30 PESSOAS MORTAS


Ao menos 30 pessoas morreram nesta quarta-feira (28) na colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha, a cerca de 150 km de Madri. O número de vítimas pode aumentar, segundo as autoridades. O acidente ocorreu às 8h54 locais, entre os municípios de Los Yébenes e Urda. Um trem da estatal Renfe colidiu com outro da empresa privada Iryo, que estava parado na via, próximo à estação de Urda. Imagens mostram as duas composições parcialmente descarriladas, com vagões tombados. Mais de 540 pessoas viajavam nos trens, segundo a imprensa espanhola. O trem da Renfe havia partido de Madri às 8h, com destino a Sevilha. As circunstâncias do acidente ainda estão sendo investigadas. A circulação ferroviária entre Madri e a região da Andaluzia foi suspensa. Equipes de bombeiros e três helicópteros foram enviados ao local para auxiliar no resgate das vítimas. O Ministério do Interior mobilizou integrantes da Unidade Militar de Emergências para reforçar as operações. Centros de atendimento aos familiares foram instalados nas estações de Atocha, em Madri, e de Sevilha. A presidente regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, pediu doações de sangue por meio de uma publicação na rede social X.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou seus compromissos desta quarta-feira. O Partido Socialista (PSOE), liderado por ele, suspendeu as atividades de campanha do dia. Outras siglas também cancelaram seus eventos políticos. A Espanha realizará eleições antecipadas no próximo mês. O líder do partido de ultradireita Vox, Santiago Abascal, decidiu manter os compromissos de campanha e criticou políticos que, segundo ele, se comportam como “carpideiras” após tragédias. Durante um evento em Valladolid, Abascal afirmou que alguns tentariam usar a dor e o luto para silenciar denúncias e protestos contra a deterioração da infraestrutura ferroviária. A declaração ocorreu enquanto apoiadores presentes no evento xingavam Sánchez. A rede ferroviária espanhola de alta velocidade possui cerca de 4.000 quilômetros de trilhos e é a segunda maior do mundo. O acidente acontece menos de um ano após outra tragédia ferroviária em Adamuz, na província de Córdoba. Em janeiro, um trem da Iryo descarrilou e foi atingido por uma composição da Renfe que seguia no sentido contrário. O desastre deixou 46 mortos. A tragédia anterior provocou críticas ao governo Sánchez e reacendeu o debate sobre a manutenção das ferrovias e a segurança dos passageiros. A nova colisão aumenta a preocupação com a segurança do sistema ferroviário espanhol, enquanto as autoridades trabalham para esclarecer as causas do acidente e identificar todas as vítimas.

 

NASA INVESTIGA CAVIDADES SUBTERRÂNEAS NA LUA


A NASA pretende investigar cavidades subterrâneas na Lua que poderão servir de abrigos naturais para futuras missões humanas. Essas estruturas, formadas por antigas erupções vulcânicas, podem oferecer proteção e facilitar a instalação de bases permanentes. As cavidades lunares podem funcionar como entradas para extensos túneis de lava formados há bilhões de anos. Identificar essas estruturas é essencial para planejar instalações seguras e reduzir os custos das futuras operações espaciais. Um dos locais de interesse é o poço de Marius Hills, uma formação geológica que pode conduzir a galerias subterrâneas moldadas pelo antigo fluxo de magma. Seu estudo ajudará a verificar a extensão, a preservação e a estabilidade dessas estruturas. A missão GIMLI foi concebida para investigar essas aberturas com instrumentos capazes de mapear a profundidade, o diâmetro e as características das paredes e do fundo dos poços. Os dados permitirão avaliar as condições do terreno e os riscos de desmoronamento. O mapeamento tridimensional também ajudará a determinar se as formações suportam pousos de equipamentos e futuras operações de exploração. Essas informações são fundamentais para avaliar a possibilidade de ocupação humana. A construção de bases subterrâneas apresenta vantagens importantes. Na superfície lunar, os astronautas enfrentam radiação solar e cósmica, impactos de micrometeoritos e variações extremas de temperatura.

As cavernas podem funcionar como escudos naturais contra esses perigos, oferecendo maior proteção aos astronautas, aos equipamentos e aos módulos habitacionais. Outra vantagem é a estabilidade térmica. Enquanto a superfície apresenta mudanças intensas de temperatura, os ambientes subterrâneos podem manter condições mais constantes, facilitando o funcionamento dos equipamentos científicos. O aproveitamento dos túneis de lava também pode reduzir a necessidade de transportar grandes quantidades de materiais para construir estruturas de proteção, economizando recursos e diminuindo os custos das missões. Com novas pesquisas e missões robóticas, os cientistas esperam compreender melhor as características dessas formações e confirmar sua segurança. Se forem consideradas adequadas, as cavernas lunares poderão contribuir para a construção de bases permanentes, ampliando as possibilidades de exploração e a presença humana fora da Terra. 

PRIMEIRO-MINISTRO NETANYAHU PODERÁ PERDER O CARGO


As eleições legislativas em Israel foram marcadas pela polarização e pelo maior comparecimento às urnas desde 1999, com participação de 77,7% dos eleitores. O resultado poderá definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta críticas pela condução do país após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. O ex-comandante militar Gadi Eisenkot, líder da oposição, afirmou que os resultados preliminares indicam desejo de mudança e defendeu a formação de um novo governo. Segundo ele, os eleitores demonstraram desconfiança na liderança de Netanyahu e na gestão dos acontecimentos de outubro de 2023. As pesquisas de boca de urna apontaram uma disputa acirrada entre os dois blocos, sem maioria garantida no Parlamento, a Knesset, que possui 120 cadeiras. O bloco de Eisenkot teria entre 50 e 53 assentos, enquanto a coalizão governista de Netanyahu alcançaria entre 50 e 60, conforme a emissora consultada. Os partidos árabes, por sua vez, conquistariam entre 16 e 19 cadeiras, tornando-se decisivos nas negociações para formar o próximo governo. Mais de 5,6 milhões dos 7,3 milhões de eleitores compareceram às urnas, em uma participação histórica de 77,7%. Os resultados definitivos eram esperados para quinta-feira (29), e a composição do novo governo dependeria de acordos entre as forças políticas.

O líder do partido árabe Ra'am, Mansur Abbas, sinalizou disposição para negociar tanto com a oposição quanto com aliados de Netanyahu. O primeiro-ministro, entretanto, descartou explicitamente a possibilidade de formar uma coalizão com os partidos árabes. Eisenkot também demonstrou reservas quanto à participação dessas legendas, citando exigências relacionadas ao reconhecimento de Israel como Estado judeu e à oposição ao Hamas. A campanha ocorreu em meio à pressão de Netanyahu por novos ataques contra o Irã, levantando preocupações sobre o uso da segurança nacional para fins eleitorais. Analistas alertaram que a ausência de uma maioria definida poderá prolongar a instabilidade política israelense. Para Dahlia Scheindlin, colunista do jornal Haaretz, a oposição está apenas ligeiramente à frente, e a contagem final poderá alterar o cenário. Ela destacou ainda o crescimento da participação dos cidadãos árabes, que compareceram às urnas em proporção considerada sem precedentes. Netanyahu, que atualmente possui 68 cadeiras parlamentares, pediu aos eleitores que comparecessem em massa para impedir a vitória dos adversários. As eleições também foram marcadas por denúncias de irregularidades. Netanyahu acusou integrantes do Ra'am de tentar fraudar a votação após a detenção de três funcionários com envelopes contendo cédulas. As autoridades eleitorais classificaram o episódio como isolado e informaram que o caso estava sob investigação. O Likud, partido de Netanyahu, solicitou a prorrogação do horário de votação, mas a Comissão Eleitoral rejeitou o pedido. A disputa permanece indefinida, e a formação do próximo governo dependerá dos resultados finais e da capacidade dos partidos de estabelecer alianças.