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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

DEMOCRATAS E REPUBLICANOS CENSURAM ACORDO DE TRUMP COM PUTIN


O acordo de Donald Trump com Vladimir Putin para importar diesel russo provocou críticas de parlamentares republicanos e democratas, que consideram a medida ilegal. Sete senadores, quatro deles republicanos, pediram que Trump reverta imediatamente a decisão. Os parlamentares classificaram o acordo como uma ajuda financeira ao governo russo e uma violação da legislação americana. Em 2022, o Congresso proibiu a importação de energia da Rússia para impedir que recursos dos Estados Unidos financiassem a guerra contra a Ucrânia. Os senadores afirmaram que a proibição deve continuar enquanto Moscou mantiver sua agressão contra os ucranianos e ameaçar aliados da Otan. A iniciativa foi liderada pela democrata Jeanne Shaheen, principal integrante de seu partido na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Também assinaram o comunicado os democratas Richard Blumenthal e Ron Wyden e os republicanos Susan Collins, John Curtis, Lisa Murkowski e Thom Tillis. Segundo os parlamentares, Trump contrariou diretamente a lei e tomou a decisão sem consultar o Congresso. O presidente anunciou o acordo na sexta-feira, dia 9, após uma conversa que descreveu como altamente bem-sucedida com Putin. Trump justificou a iniciativa afirmando que a importação ajudaria a reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos. Ele destacou os benefícios esperados para agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, diretamente afetados pelo custo do diesel.

Analistas do setor, entretanto, questionaram se a medida teria impacto significativo sobre os preços pagos pelos consumidores americanos. O diesel alcançou valores recordes nos últimos meses, em meio às consequências da guerra iniciada por Trump contra o Irã. O conflito prejudicou as exportações de petróleo de uma das principais regiões produtoras do mundo, pressionando o mercado internacional de energia. A alta dos combustíveis e a inflação crescente vêm reduzindo os índices de aprovação do presidente americano. O cenário também ameaça a manutenção da maioria republicana no Congresso nas eleições legislativas de novembro. Os resultados eleitorais poderão refletir a insatisfação dos americanos com o aumento do custo de vida. Os senadores Collins, Murkowski e Tillis já haviam criticado a aproximação de Trump com Putin e sua postura hostil à Ucrânia. A reação contrária ao acordo também apareceu na Fox News, emissora tradicionalmente alinhada ao presidente. No programa Fox & Friends, o apresentador Brian Kilmeade classificou como um grande erro qualquer colaboração com a Rússia. Kilmeade comparou Putin a Hitler e criticou a decisão americana de recorrer ao combustível russo. Ele argumentou que a interrupção do fornecimento de diesel estava relacionada aos ataques iranianos contra instalações petrolíferas e refinarias dos países do Golfo. Para o apresentador, a mudança repentina de estratégia em favor de Moscou era difícil de justificar. O senador republicano John Cornyn também manifestou apoio às críticas de Kilmeade. Cornyn, do Texas, perdeu as primárias republicanas deste ano depois que Trump apoiou seu adversário. Na rede social X, o parlamentar compartilhou as declarações do apresentador e escreveu: “Bravo”. A controvérsia expõe divisões dentro do próprio Partido Republicano sobre a política externa de Trump. O acordo ainda enfrenta questionamentos jurídicos e dúvidas sobre sua eficácia econômica. Enquanto a Casa Branca promete aliviar os custos dos combustíveis, críticos afirmam que a medida beneficia Moscou e enfraquece a pressão americana contra a guerra na Ucrânia.

 

MORAES AUTORIZA VISITA DE FLÁVIO AO PAI E AUTORIZA EXECUÇÃO DE PENA CONTRA EDUARDO


O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou nesta segunda-feira (12) as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar desde março. O senador estava proibido de visitá-lo desde 13 de julho, por determinação de Moraes. A suspensão ocorreu após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente. O ministro considerou que a publicação violou a proibição de Jair Bolsonaro utilizar redes sociais, diretamente ou por terceiros. A Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado favoravelmente ao pedido de visita. A autorização acontece após decisões recentes do Supremo envolvendo aliados do bolsonarismo. Na terça-feira (6), Moraes autorizou a progressão de regime de Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”. Condenada a 14 anos de prisão pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, ela poderá progredir para o regime semiaberto. Como já cumpria prisão domiciliar desde março de 2025, continuará nessa condição, considerada mais favorável. Moraes reduziu sua pena em 212 dias por atividades de trabalho e leitura durante a prisão. Também considerou a aprovação de Débora no Enem de 2023, realizado quando estava presa preventivamente. 

Em outra decisão, Gilmar Mendes arquivou um pedido de investigação contra Alfredo Gaspar, deputado do PL e candidato a vice-presidente na chapa de Flávio. A Polícia Federal havia solicitado autorização para investigar uma suspeita de estupro de vulnerável. A PGR, porém, recomendou o indeferimento do pedido e o arquivamento do caso. Segundo a Procuradoria, os elementos disponíveis não permitiam confirmar a origem das comunicações nem identificar os envolvidos. Gilmar afirmou que não havia indícios suficientes para instaurar o inquérito. Moraes também arquivou uma investigação contra o senador Marcos do Val, os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio e o influenciador Ednardo Raposo. O procedimento, que tramita sob sigilo, apurava suspeitas de obstrução de investigações e corrupção de menores. O ministro explicou que o pedido de arquivamento apresentado pelo Ministério Público deve ser acolhido, salvo o surgimento de novas provas. Em sentido diferente, Moraes determinou o início da execução da pena de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, inicialmente em regime semiaberto. A condenação decorre de coação praticada nos Estados Unidos, com o objetivo de intimidar o Judiciário brasileiro. Segundo o processo, a conduta buscava impedir a análise da trama golpista. Moraes declarou o trânsito em julgado da condenação, encerrando a possibilidade de recursos. Com isso, tornou-se possível iniciar o cumprimento da pena imposta ao ex-parlamentar. As decisões envolvem situações processuais distintas e diferentes investigados ligados ao cenário político nacional. A autorização para Flávio visitar o pai encerra uma restrição que vigorava desde julho. Os demais casos tiveram desfechos definidos conforme as manifestações do Ministério Público e as decisões judiciais. O conjunto de medidas reúne autorizações, arquivamentos, redução de pena e início de execução de condenação. As decisões do STF voltaram a colocar processos envolvendo Jair Bolsonaro e seus aliados no centro do debate político.