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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

WAYMO, UBER E OUTRAS BUSCAM SERVIÇOS COM OU SEM MOTORISTA


A empresa controlada pela Alphabet gastou mais de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) entre abril e junho em lobby junto ao governo federal, mais que o dobro do valor desembolsado um ano antes, segundo documentos oficiais. Com isso, os gastos da Waymo se aproximaram dos da Uber e ficaram bem acima dos de concorrentes como a Zoox, da Amazon, e a TeslaO aumento do lobby ocorre enquanto Waymo e Uber defendem visões concorrentes para o futuro do transporte por aplicativo. A Waymo quer um caminho mais rápido para serviços comerciais totalmente sem motorista, enquanto a Uber defende uma implementação gradual, na qual os robotáxis operem ao lado de motoristas humanos. As estratégias legislativas divergentes contribuíram para o desgaste da relação entre as empresas. O jornal Financial Times informou no mês passado que a Waymo avaliava opções para deixar sua parceria com a Uber em Austin e Atlanta, onde o grupo de transporte por aplicativo opera seus serviços. "As duas intensificaram o lobby e estão entrando em choque, o que agora parece estar acelerando o divórcio", afirmou Walter Piecyk, analista da LightShed Partners. Ambas as empresas fazem lobby agressivo em vários estados dos EUA e em Washington, D.C., depois que a resistência à tecnologia paralisou sua expansão para mercados como Nova York e Chicago. Políticos e grupos trabalhistas alertam que ela pode substituir motoristas e prejudicar os serviços existentes. Nos primeiros seis meses de 2026, a Waymo aumentou seus gastos em 93% em relação ao ano anterior, para pouco mais de US$ 2 milhões (R$ 10,3 milhões). A empresa defende uma estrutura regulatória federal que facilite a implementação dos robotáxis. Em maio, contratou o escritório de advocacia Greenberg Traurig para fazer lobby em seu nome, somando-o a uma lista de várias outras firmas de Washington. No âmbito local, a operadora de robotáxis gastou mais do que a Uber e a Zoox em lobby junto aos legisladores do Distrito de Colúmbia. A empresa pressionou os reguladores locais para que permitissem serviços de robotáxi na capital do país, inclusive convidando moradores, no início deste ano, a enviar manifestações de apoio à implementação.


No estado de Nova York, a Waymo já gastou mais de meio milhão de dólares neste ano —mais que o dobro dos gastos da Uber com lobby— enquanto tenta conquistar espaço em um dos maiores mercados de táxi. 
Seu lobby no estado se intensificou depois que a governadora Kathy Hochul recuou, no início deste ano, em propostas que teriam permitido a empresas de veículos autônomos operar serviços na maior parte do estado. A Waymo ofereceu a criação de um fundo de US$ 20 milhões (R$ 103 milhões) para apoiar motoristas afetados pela implementação da tecnologia, segundo pessoas a par do assunto. Em Nova Jersey, a empresa procurou parlamentares que avaliam um programa-piloto de três anos para testar a implementação. Em comunicado, a Waymo afirmou que defendia a implementação de veículos autônomos e que não buscava medidas que limitassem concorrentes ou "prescrevessem" como a tecnologia deveria ser adotada. Enquanto isso, a Uber tem se empenhado para recuperar o terreno perdido no setor de veículos autônomos após abandonar, em 2020, seu projeto interno de direção autônoma. No último ano, comprometeu mais de US$ 10 bilhões (R$ 51,6 bilhões) por meio de participações acionárias e acordos para frotas de robotáxis. O grupo de transporte por aplicativo alertou vários estados governados por democratas contra uma implementação irrestrita e, em vez disso, fez lobby pelas chamadas redes híbridas, que direcionam corridas tanto a motoristas humanos quanto a veículos autônomos. Em Nova Jersey, lobistas da Uber propuseram que qualquer plataforma que ofereça serviços de robotáxi também utilize motoristas humanos em pelo menos 85% de todas as corridas durante um programa-piloto de três anos. Críticos acusaram a Uber de tentar capturar a regulação ao buscar manter as corridas fluindo por sua plataforma, enquanto enfrenta uma concorrência cada vez maior. A Uber afirmou ser falsa a alegação de que seria "contra os veículos autônomos ou estaria tentando desacelerar sua implementação". Segundo a empresa, as redes híbridas "levam a tecnologia aos consumidores mais cedo, ao mesmo tempo que oferecem aos formuladores de políticas públicas uma estrutura prática para administrar a transição". 

TELESCÓPIO COM MISSÃO DE EXPLORAR O UNIVERSO


Ao final deste mês, a Nasa deve lançar o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que terá como missão explorar o Universo. 
O equipamento possui um espelho primário de 2,4 metros, originalmente desenvolvido pelo NRO, órgão de espionagem do Pentágono, para satélites de monitoramento terrestre. Após o cancelamento do projeto, o NRO doou dois telescópios à Nasa, em 2012. Um deles foi incorporado ao Roman. O espelho tem o mesmo diâmetro do Hubble, mas o Roman possui um campo de visão muito mais amplo. Sua câmera WFI poderá registrar uma área cerca de 140 vezes maior que a do instrumento infravermelho do Hubble.
Assim, em apenas um ano, o Roman poderá observar dez vezes mais áreas do céu que o Hubble em 30 anos. O telescópio recebeu o nome de Nancy Grace Roman, astrônoma considerada a “mãe do Hubble”. O projeto era conhecido inicialmente como Wfirst, sigla para Telescópio de Varredura de Infravermelho de Campo Amplo. A Nasa desenvolveu os principais instrumentos científicos do Roman, considerados fundamentais para sua missão. O WFI possui 18 detectores e poderá produzir imagens e espectros de objetos celestes. Já o CGI, instrumento coronógrafo, bloqueará a intensa luz das estrelas para permitir a observação de planetas próximos. A expectativa é fotografar diretamente gigantes gasosos e, futuramente, detectar mundos rochosos semelhantes à Terra. O projeto custará US$ 4,3 bilhões, incluindo cinco anos de operação, mas a missão poderá durar pelo menos uma década. O Roman ficará a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, em um ponto lagrangiano compartilhado por outras missões espaciais.

O telescópio será utilizado para estudar fenômenos que vão do Sistema Solar às regiões mais distantes do Universo. Seu principal diferencial será combinar alta resolução com um campo de visão extremamente amplo. Entre os principais estudos estão galáxias, estrelas, exoplanetas, buracos negros e a estrutura do Universo. O primeiro ciclo de observações terá 118 programas científicos, com destaque para galáxias, física estelar e exoplanetas. O Roman também fará grandes levantamentos do céu para criar mapas tridimensionais do Universo. Outra missão será observar o centro da Via Láctea em busca de microlentes gravitacionais. Esses fenômenos ajudam a identificar exoplanetas que podem escapar dos métodos tradicionais de detecção. A quantidade de dados produzida poderá transformar o Roman no telescópio mais produtivo do mundo. Atualmente, essa posição pertence ao James Webb, enquanto durante décadas o Hubble liderou a produção científica. O Roman deverá ampliar significativamente o conhecimento sobre galáxias, estrelas e mundos existentes fora do Sistema Solar. Seu lançamento está previsto para o dia 30, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX. O contrato para o lançamento foi firmado por US$ 255 milhões. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 24/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Ritmo lento alerta para risco de recessão

PIB deverá perder força no segundo trimestre, apesar dos estímulos fiscais, com projeções em torno de 1% em 2027. Especialistas recomendam baixar os juros e ir além dos cortes

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

A comparação entre Mendonça e Moraes por uma ala do STF

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Tarcísio encerra mandato com piora gradativa nas contas e aponta investimento maior em PPPs

Secretário de Fazenda, Samuel Kinoshita, rejeita avaliação de deterioração e diz que cenário é bom e deve melhorar Em 2025, contas paulistas registraram um déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Ataque de torcida em dia de Ba-Vi deixa um morto e seis presos em Salvador

Imagens registradas neste domingo (23) mostram correria, perseguição e tiros na região da Avenida 29 de Março. Polícia investiga envolvimento de integrantes de organizadas de Bahia e Vitória.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Ausentes, Lula e Flávio Bolsonaro concentram falas de adversários em debate presidencial

Primeiro debate dos postulantes ao Planalto teve presenças de Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Mais 6,1 mil milhões de euros e muitas visitas para celebrar o Dia da Independência da Ucrânia

A Coligação da boa vontade reúne-se esta segunda-feira em Kiev para celebrar o 35.º aniversário da independência da Ucrânia. Zelensky garantiu que garantiu que o país não se renderá a qualquer preço.

domingo, 23 de agosto de 2026

CUBA ATRAVESSA A MAIOR CRISE DA HISTÓRIA


Aos 66 anos, Miguel Díaz-Canel comanda Cuba em uma das maiores crises de sua história, marcada por falta de energia, água, alimentos, transporte e medicamentos. O governo cubano atribui o agravamento da situação ao bloqueio dos Estados Unidos e às sanções impostas pelo governo Donald Trump. Segundo Díaz-Canel, há meses Cuba praticamente não recebe combustível, provocando apagões que podem durar mais de 20, 30 ou até 40 horas. A crise também afeta hospitais, educação e transporte. Mais de 98 mil pacientes aguardam cirurgias, incluindo 12 mil crianças. Mais de 117 mil pacientes com câncer enfrentam dificuldades para receber tratamento, enquanto milhares precisam de hemodiálise. Cerca de 64 mil crianças estão com a vacinação atrasada, e a mortalidade infantil mais que dobrou. O governo afirma conseguir atender apenas 30% da lista básica de medicamentos, devido também à dificuldade de entrada de contêineres. A crise atingiu o turismo: metade dos hotéis está fechada e cerca de 27 mil trabalhadores do setor estão afastados. Díaz-Canel reconhece problemas de burocracia e lentidão do governo, mas afirma que o bloqueio americano é a principal causa da crise. Ele rejeita a possibilidade de colapso e diz que o povo cubano mantém sua capacidade de resistência.


Para enfrentar a situação, o Parlamento aprovou 176 medidas econômicas que ampliam o espaço para o setor privado. Empresários poderão administrar mais negócios, contratar mais de cem funcionários e negociar ações. Empresas estrangeiras poderão explorar terras cubanas por até 99 anos. Apesar das mudanças, Díaz-Canel nega que Cuba esteja adotando o capitalismo ou abandonando o socialismo. Segundo ele, o Estado continuará controlando os principais meios de produção, enquanto o setor privado ajudará a aumentar a produção e enfrentar o bloqueio. O presidente afirma que as reformas também buscam fortalecer as empresas estatais e atrair investimentos de cubanos residentes no exterior. Ele reconhece que a abertura econômica anterior aumentou as diferenças sociais, mas diz que Cuba ainda possui mais de 32 programas sociais destinados à população de baixa renda. Díaz-Canel também rejeita críticas de que o governo seja responsável pela maior parte dos problemas atuais. Para ele, mesmo que Cuba tivesse cometido menos erros, o bloqueio americano continuaria sendo o principal fator da crise. O presidente acusa os EUA de tentar provocar uma explosão social e derrubar a Revolução Cubana. Ele afirma que Cuba não fará concessões ao governo Trump e que continuará resistindo às pressões. Questionado sobre uma possível intervenção militar americana, Díaz-Canel disse que enfrentaria a situação lutando. Ele sustenta que a sobrevivência da nação, sua independência e soberania estão ligadas à manutenção do projeto socialista. Díaz-Canel defende que o capitalismo não resolveria os problemas de Cuba e lembra que a Revolução de 1959 rompeu a dependência dos monopólios americanos. Ao mesmo tempo, admite que o país precisou realizar concessões econômicas após a queda da União Soviética e a perda de grande parte do comércio exterior. A nova abertura econômica, segundo ele, pretende produzir mais riqueza sem abandonar os princípios socialistas. Díaz-Canel afirma que o Partido Comunista, a participação popular e o controle estatal impedirão uma restauração capitalista. Para o presidente cubano, o povo não permitirá o fim da Revolução e continuará apoiando sua permanência. 

ESTREITO DE HORMUZ VIVE NOVA CRISE


O estreito de Hormuz vive uma nova crise, sem definição sobre a quantidade de petróleo que ainda atravessa a passagem. 
Antes da guerra, por ali escoava cerca de um quinto do petróleo mundial. Muitos navios desligam os transponders para evitar ataques, dificultando o monitoramento. Um acordo entre Estados Unidos e Irã, firmado em junho, previa a retomada gradual da navegação. Com o fracasso das negociações, o bloqueio voltou a afetar o comércio de petróleo. Donald Trump chegou a publicar um mapa chamando o estreito de “novo território dos Estados Unidos”. O Irã rejeitou a declaração e apresentou condições para reabrir a passagem. Entre elas estão o fim do bloqueio naval, das sanções e das operações militares. Omã tenta mediar as negociações, enquanto a tensão permanece elevada. A Administração de Informação sobre Energia dos EUA estima que o fluxo caiu para menos de um quarto do nível anterior à guerra. A agência não espera a normalização das rotas comerciais antes do início de 2027. A redução da oferta já provoca alta do petróleo e ameaça aumentar a inflação mundial. 

O Brent superou US$ 91, maior valor desde julho. No Brasil, o cenário contribui para manter a pressão sobre os juros e a inflação. Na Europa, os efeitos aparecem principalmente no mercado de gás. Carregamentos do Qatar estão retidos e os estoques europeus avançam abaixo do necessário. A disputa por gás com compradores asiáticos também elevou os preços. A tensão militar pode ainda atingir outros países. Comandantes iranianos teriam avaliado ataques a instalações americanas no sudeste europeu. Especialistas afirmam que a guerra não alcançou os objetivos esperados pelos Estados Unidos. O regime iraniano permanece no poder e mantém capacidade militar. Teerã passou a apostar em ações de desgaste contra navios, terminais e bases americanas. 


CANADÁ RESPONDERÁ COM TARIFAS EQUIVALENTES "DÓLAR POR DÓLAR"


O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou tarifas de retaliação contra produtos americanos a partir de 8 de setembro; declarou que o país está "em guerra" comercial contra os Estados Unidos e o presidente americano "errou nos cálculos ao intensificar a ofensiva tarifária". Carney explicou que "você está em guerra quando é atacado, e nós fomos atacados"; assegurou ainda que as exigências apresentadas pelo governo americano representavam um "mau acordo" e a
 retaliação canadense deverá atingir setores como aço, laticínios e eletrodomésticos. Também serão afetados equipamentos agrícolas, celulose, papel e produtos eletrônicos. As tarifas americanas entraram em vigor ontem, 22, após uma breve suspensão; o percentual aplicado por Trump aos produtos canadenses foi de 50% sobre importações canadenses que giram em torno de US$ 20 bilhões.
 
Donald Trump havia suspendido a medida por três dias, alegando que havia um acordo. As negociações entre os dois países ocorreram durante a semana, mas terminaram sem avanços. Na sexta-feira (21), os Estados Unidos anunciaram nova posição e repentinamente apresentou novas exigências com a retomada da taxação e o pior exigindo que o Canadá não deveria firmar acordos comerciais com outros países, além de questionamentos sobre normas linguísticas de Quebec. A cobrança começou à 0h01 em Washington, ou 1h01 no horário de Brasília. Um funcionário do governo Trump afirmou que não há novas reuniões previstas. Carney disse que o Canadá responderá com tarifas equivalentes, "olho por olho", "dólar por dólar". Segundo ele, a medida busca proteger trabalhadores e empresas canadenses diante do impasse. Depois de tudo isso, Trump partiu para agressão, quando escreveu: "O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!! Eles também cobraram dos nossos grandes agricultores, durante muitos anos, enormes quantias em tarifas. Chega!!!


JUÍZA ANULA MORATÓRIA SOBRE VISTOS PARA RESIDÊNCIA NOS EUA


A juíza federal Jeannette Vargas, de Nova York, anulou na sexta-feira (21) a moratória sobre a emissão de vistos para residência permanente nos Estados Unidos. A restrição estava em vigor desde 21 de janeiro e afetava cidadãos do Brasil e de outros 74 países. Segundo a magistrada, a política contrariava a lei e excedia a autoridade do secretário de Estado americano, Marco Rubio. A medida atingia pessoas que pretendiam morar nos EUA, mas não turistas, estudantes de intercâmbio ou trabalhadores temporários. Entre os países afetados estavam Brasil, Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen. O governo americano alegava que imigrantes desses países apresentavam maior risco de depender de assistência social. A juíza concluiu, porém, que funcionários consulares foram orientados a negar vistos com base apenas na nacionalidade dos solicitantes. A decisão revoga negativas fundamentadas nessa política, embora o governo possa recorrer. A restrição fazia parte do endurecimento da política migratória do governo Donald Trump. A campanha que levou Trump de volta à Presidência, em 2024, teve entre suas principais bandeiras a política anti-imigração e a promessa de deportações em massa. Dados do governo mostram que o ICE deportou pelo menos 113 mil imigrantes entre janeiro e setembro de 2025, alta de 126% em relação ao mesmo período de 2024.

O governo Trump também planeja equipar agentes de imigração com luvas capazes de aplicar choques elétricos, medida criticada por organizações e especialistas. A Justiça americana vem barrando algumas ações do governo na área migratória. Em junho, o juiz federal Leo Sorokin anulou uma taxa de US$ 100 mil para vistos H-1B, destinada a trabalhadores estrangeiros altamente qualificados. O magistrado considerou a cobrança um imposto ilegal e sem autorização do Congresso. Em agosto, Trump publicou novos decretos para restringir a cidadania por nascimento e ampliar a fiscalização do chamado “turismo de nascimento”. Entidades de direitos civis recorreram à Justiça contra as mudanças. O endurecimento da política migratória também tem afetado brasileiros que vivem nos Estados Unidos. Segundo dados do Itamaraty, os consulados brasileiros registraram aumento de 271,7% nos pedidos de certidões de nascimento para menores entre 2021 e 2025. O crescimento é atribuído, entre outros fatores, ao temor de deportações e separação entre pais e filhos. A disputa migratória ocorre em meio à deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. No início de agosto, o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Washington alegou reciprocidade diante da demora brasileira em aprovar o indicado por Trump para a embaixada em Brasília, Daniel Perez. O governo brasileiro contestou a justificativa e acusou a administração americana de tentar interferir nas eleições brasileiras.




DRONES UCRANIANOS MATAM RUSSOS


Drones ucranianos mataram pelo menos 10 civis na Rússia entre a noite de sexta-feira (21) e a madrugada de sábado (22), segundo autoridades regionais. 
Em Samara, uma idosa morreu e várias pessoas ficaram feridas após ataques contra um armazém de varejista Ozon e uma instalação industrial. Segundo as Forças Armadas da Ucrânia, o alvo industrial foi a refinaria de Novokuibyshevsk. Foi o primeiro ataque contra a Ozon, após semanas de ofensivas contra a concorrente Wildberries. A Ucrânia afirma que os ataques fazem parte de uma campanha contra a infraestrutura econômica que sustenta a guerra russa. Em Yeysk, no sul da Rússia, duas crianças morreram e dois adultos ficaram feridos. Em Belgorod, duas pessoas morreram e 13 ficaram feridas. Na região de Bryansk, quatro pessoas ficaram feridas. Em Luhansk, sob controle russo, dois civis, incluindo um adolescente de 16 anos, morreram. Outras nove pessoas ficaram feridas, segundo autoridades locais. O Ministério da Defesa russo afirmou ter abatido 457 drones ucranianos durante a noite. O presidente Vladimir Putin condenou os ataques e acusou Kiev de abrir uma “caixa de Pandora” para retaliações russas.

Nos dois dias anteriores, a Ucrânia havia denunciado ataques russos contra seu território. Na sexta-feira, drones russos atingiram um shopping em Kryvyi Rih, deixando 15 mortos e quase 100 feridos. Outro ataque, em Tokarivka, matou quatro pessoas, três delas crianças. O presidente Volodymyr Zelensky classificou o bombardeio como “cínico e desprezível”. Na quinta-feira, um ataque russo em larga escala contra Kiev matou 15 pessoas. A ofensiva atingiu uma escola, um hospital infantil, uma creche e ao menos 30 edifícios. Zelensky afirmou que a Rússia utilizou diferentes tipos de mísseis e 168 drones. Ele voltou a pedir aos aliados sistemas de defesa antiaérea Patriot. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o fornecimento de defesa antibalística é prioridade. O Kremlin, por sua vez, afirmou não ter informações sobre uma possível visita de negociadores americanos a Moscou. As negociações ocorrem enquanto Rússia e Ucrânia intensificam os ataques. 

EX-COMPANHEIRA É AMARRADA, EM ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS


Uma jovem de 24 anos foi encontrada amordaçada e amarrada em uma casa em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, após passar cinco dias desaparecida. O resgate ocorreu na sexta-feira (21), durante uma ação da Companhia de Policiamento Especializado (CPE). O ex-companheiro da vítima, Ailton Rodrigues, foi preso em flagrante suspeito de sequestro e porte ilegal de arma. Uma pistola calibre 9 mm foi apreendida no imóvel. Segundo a Polícia Civil, o suspeito confessou ter dopado a jovem com antidepressivos e levado a um cativeiro. A família havia comunicado o desaparecimento na segunda-feira (17), quando ela foi vista saindo de uma clínica. As investigações apontaram ainda um histórico de violência doméstica entre o casal. Na sexta, o suspeito fugiu de uma abordagem policial, mas foi localizado e contido. A polícia descobriu que ele havia alugado uma casa poucos dias antes. O imóvel estava fechado e protegido externamente. Após ouvirem ruídos, os policiais entraram e encontraram a jovem em um quarto, com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e corrente. Ela também usava uma máscara no rosto e apresentava dificuldades para respirar.
Questionada sobre o responsável, respondeu: “Meu ex-marido”. O Corpo de Bombeiros retirou as correntes, e a vítima foi levada ao hospital, onde recebeu atendimento e teve alta.

Ontem, 22, Emiliane agradeceu nas redes sociais o apoio de familiares e amigos. Ela afirmou que o relacionamento havia terminado em dezembro de 2025. Segundo a jovem, durante o cárcere sofreu agressões e relatou ter sido submetida a atos de extrema violência. “Agora é o início de tudo. O início para que a gente possa buscar justiça pelo que aconteceu comigo”, declarou. Emiliane pediu apoio para que o suspeito seja responsabilizado e não faça novas vítimas. 

TRUMP TENTA INTERFERIR EM ELEIÇÕES NO BRASIL


Legisladores democratas dos EUA veem tentativas do governo Donald Trump de influenciar as eleições presidenciais do Brasil. 
A deputada Pramila Jayapal afirma que fará “tudo o que for possível” para garantir o respeito aos resultados do pleito. Jayapal liderou uma carta do Congresso americano ao secretário de Estado, Marco Rubio, criticando a chamada “Doutrina Donroe”. A política de Trump prevê maior hegemonia dos EUA sobre o hemisfério Ocidental.
Segundo Jayapal, há tentativas de interferência nas eleições brasileiras semelhantes às adotadas pelo governo Trump nos próprios EUA. Ela cita questionamentos sobre urnas eletrônicas e segurança eleitoral como forma de deslegitimar eleições democráticas. Trump e seus aliados afirmam, sem provas, que a eleição americana de 2020 foi fraudada. As acusações contribuíram para os ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Para Jayapal, tarifas e apoio a candidatos também são formas de influenciar o processo eleitoral brasileiro. Ela considera incomum que um presidente americano interfira abertamente nas eleições de outro país. Em 2022, o governo Joe Biden reconheceu rapidamente a vitória de Lula, apesar das contestações de Jair Bolsonaro. Antes daquele pleito, Washington enviou o assessor de Segurança Nacional, Jake Sullivan, ao Brasil. A visita buscou reafirmar a confiança dos EUA no sistema eleitoral brasileiro. 

Neste ano, funcionários do Departamento de Estado tentaram acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Segundo o Washington Post, os pedidos de visto foram negados pelo Itamaraty. Jayapal afirma estar preocupada com a mudança de postura do governo americano. Ela diz que os democratas acompanharão de perto qualquer tentativa de interferência. Caso retomem o controle da Câmara, os democratas prometem atuar para garantir o respeito aos resultados eleitorais. Pesquisas indicam possibilidade de os democratas conquistarem a maioria na Câmara nas eleições de novembro. Enquanto estão na oposição, porém, possuem limitações para agir. Jayapal participou, em Montevidéu, de congresso com legisladores progressistas de 15 países. A chamada Doutrina Donroe foi um dos principais temas do encontro. Na carta a Rubio, democratas criticam apoio a candidatos, tarifas e sanções como instrumentos de pressão. Eles afirmam que essas medidas desestabilizam o hemisfério e ameaçam países vizinhos. Para Jayapal, a política de Trump também prejudica os interesses americanos e tece crítica à imposição unilateral de tarifas sem autorização do Congresso. Segundo a deputada, essas ações enfraquecem a estabilidade regional e a confiança entre os países e alerta ainda que a pressão americana pode aproximar o Brasil da China e de outras potências. Para Jayapal, isso seria prejudicial tanto às relações entre Brasil e EUA quanto aos interesses do povo americano. 

CHANG´E-7 RUMARÁ PARA A LUA HOJE


A China se prepara para lançar a Chang'e-7, sua missão lunar robótica mais ousada, destinada a buscar diretamente água na superfície da Lua. O lançamento está previsto para hoje, às 21h, de Brasília, com foguete Longa Marcha 5, a partir de Wenchang. 
A missão chegará à órbita lunar em cerca de cinco dias e poderá permanecer meses antes do pouso. A Chang'e-7 será a primeira missão chinesa destinada ao polo sul lunar, região estratégica pela possível presença de água em crateras permanentemente sombreadas. A China vem ampliando a complexidade de seu programa lunar. A Chang'e-3 pousou na Lua em 2013; a Chang'e-4 realizou, em 2019, o primeiro pouso no lado oculto; e a Chang'e-5 trouxe amostras do solo lunar em 2020. Em 2024, a Chang'e-6 trouxe à Terra as primeiras amostras do lado oculto. A água lunar é considerada um recurso essencial para futuras bases e para missões a outros pontos do Sistema Solar. Ela pode ser usada para consumo, produção de oxigênio e fabricação de hidrogênio, combustível para foguetes. A Chang'e-7 será composta por orbitador, pousador, rover e um pequeno saltador. O pouso está planejado para a região da cratera Shackleton, próxima ao polo sul, cuja área interna permanece em escuridão permanente. O saltador entrará em uma cratera escura para procurar gelo com instrumentos a laser. Uma perfuratriz também recolherá amostras de até um metro de profundidade, que serão aquecidas para identificar água e outros compostos voláteis.

Orbitador, pousador e rover levarão câmeras, radares, espectrômetros, magnetômetros, sismógrafos e outros equipamentos científicos. Instrumentos de Egito, Bahrein, Suíça, Tailândia, Itália e Rússia também participarão da missão. A Chang'e-7 será seguida pela Chang'e-8, prevista para 2028-2029, voltada ao uso de recursos locais. As duas fazem parte do projeto chinês de uma Estação Internacional de Pesquisa Lunar, planejada para o polo sul durante a década de 2030. A China pretende realizar seu primeiro pouso tripulado antes de 2030, enquanto os Estados Unidos projetam retornar astronautas à Lua em 2028 e também planejam uma base no polo sul. A disputa amplia questões estratégicas e jurídicas. O Tratado do Espaço, de 1967, impede países de declarar soberania sobre corpos celestes, mas não define claramente como será a exploração de recursos lunares. A Chang'e-7, portanto, não representa apenas um avanço científico: pode também marcar o início de uma nova disputa internacional pelo futuro polo sul da Lua. 

ANITA PRESTES FALA SOBRE SEU LIVRO


Luiz Carlos Prestes foi acusado de mandonismo, incompetência, inabilidade política, agressividade, vaidade, personalismo e dogmatismo, além de ser apontado como agente de Moscou. 
As críticas são discutidas por Anita Leocádia Prestes, filha do líder comunista, no livro Entre Memória e História: Representações de Luiz Carlos PrestesHistoriadora e professora aposentada da UFRJ, Anita nasceu em uma prisão nazista, antes de sua mãe, Olga Benário, ser assassinada em um campo de concentração. Viveu parte da infância no México e a adolescência na União Soviética. Após o exílio durante a ditadura militar, dedicou-se ao estudo da trajetória política do pai e da história do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Prestes ganhou projeção nacional nos anos 1920, ao comandar a Coluna Prestes, que percorreu o interior do país e se tornou símbolo do movimento tenentista. Na década de 1930, passou a ser perseguido por sua aproximação com o comunismo e sua filiação ao PCB, tornando-se uma das principais lideranças do partido. Para Anita, a historiografia e obras memorialísticas frequentemente distorcem ou silenciam aspectos da trajetória de Prestes, influenciadas pelo anticomunismo brasileiro. 

Segundo ela, o anticomunismo teria sido usado para combater não apenas comunistas, mas também movimentos e organizações que questionassem o poder econômico e político dominante. A historiadora também analisa episódios controversos, como a participação de Prestes na Intentona de 1935, e critica concepções do PCB sobre a realidade brasileira. Na avaliação de Anita, os equívocos políticos e estratégicos do partido contribuíram para impedir a realização da revolução socialista que seus dirigentes pretendiam promover no Brasil. O episódio integra o podcast Ilustríssima Conversa, da Folha, que entrevista autores e intelectuais sobre livros, pesquisas e temas contemporâneos.