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sábado, 6 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL


TRUMP MUDA E QUER PARTICIPAÇÃO NA IA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem, 5, que pretende discutir com as principais empresas de inteligência artificial sobre a possibilidade de o governo adquirir participação acionária nessas companhias. Segundo ele, a medida poderia representar uma espécie de associação entre as empresas e o povo americano. Trump informou que se reunirá com líderes de todo o setor na Casa Branca na próxima semana. O presidente destacou que os EUA mantêm liderança global em IA, à frente da China, e disse que pretende preservar essa vantagem estratégica. Na semana passada, Trump assinou um decreto que abre caminho para maior controle governamental sobre os modelos mais avançados de IA, sob o argumento de reforçar a cibersegurança. A iniciativa restabelece um marco regulatório para o setor e sinaliza uma mudança de postura da administração republicana, que até então resistia a regulações mais amplas em nome da competitividade tecnológica frente à China.


CONSELHO DE MEDICINA VAI IDENTIFICAR FALSOS MÉDICOS

O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançará na próxima terça-feira (9) uma plataforma de inteligência artificial para identificar falsos médicos, empresas de fachada e outras irregularidades na área da saúde. O sistema cruzará dados de diferentes bases para apoiar a fiscalização dos conselhos regionais de medicina em todo o país. A tecnologia permitirá detectar indícios de exercício ilegal da profissão, monitorar possíveis infrações às normas de publicidade médica e auxiliar investigações. A ferramenta utiliza inteligência artificial generativa e análise preditiva para analisar grandes volumes de informações e apontar situações que exijam apuração. Entre as funções previstas estão a identificação de pessoas sem registro profissional válido atuando como médicas e o rastreamento de empresas com indícios de atuação irregular. Segundo o CFM, a plataforma poderá aumentar em até 30% a produtividade das ações de fiscalização. O sistema será apresentado em Brasília pelo presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, e pelo diretor de IA do órgão, Jeancarlo Cavalcante.


SENADOR PEDE SUSPEIÇÃO DE MINISTRO

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao STF que declare o ministro Alexandre de Moraes suspeito para atuar em processos envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. A solicitação, apresentada na segunda-feira (1º), será analisada pelo presidente da Corte, Edson Fachin. A defesa alega possível vínculo entre Moraes e Vorcaro, citando mensagens trocadas e contratos do Banco Master com o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, que teria recebido R$ 80,2 milhões por serviços jurídicos. O pedido surgiu após Moraes solicitar parecer da PGR sobre a inclusão de Flávio em investigação ligada ao irmão, Eduardo Bolsonaro. A apuração foi motivada por reportagem do The Intercept Brasil que revelou repasses de R$ 61 milhões para o projeto cinematográfico Dark Horse. Flávio sustenta que Moraes não teria imparcialidade para julgar o caso e pede que a ação seja retirada do inquérito atual e redistribuída ao ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao Banco Master no STF. 

TRUMP DEFENDE REDUÇÃO DOS JUROS

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a defender ontem, 5, a redução dos juros, mas afirmou que a decisão caberá ao novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh. Trump criticou repetidamente o ex-presidente da instituição, Jerome Powell, por manter as taxas acima de 3%, defendendo um patamar entre 1% e 1,5%. Apesar da pressão da Casa Branca, analistas elevaram para 98% a probabilidade de o Fed aumentar os juros em pelo menos 0,25 ponto percentual até o fim do ano. A expectativa cresceu após a divulgação de dados que mostraram a criação de 172 mil empregos nos EUA em maio. O mercado também considera a inflação persistente, impulsionada pelos preços da energia. O índice PCE, referência para o Fed, subiu 3,8% em 12 meses até abril, maior alta desde maio de 2023. A próxima reunião da autoridade monetária ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho, a primeira sob o comando de Warsh.

RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA DA CNH

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que altera o Código de Trânsito Brasileiro e permite a renovação automática da CNH para motoristas cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), sem taxas ou burocracia. A medida beneficia condutores sem infrações sujeitas a pontuação nos últimos 12 meses. A nova legislação mantém a obrigatoriedade dos exames de aptidão física e mental, que deverão ser realizados por médicos e psicólogos peritos autorizados e especializados em medicina do tráfego e psicologia do trânsito. Os valores dos exames seguirão preços definidos pelo órgão máximo de trânsito da União, com reajuste anual pelo IPCA. Segundo a Senatran, cerca de 2 milhões de motoristas já tiveram a CNH renovada automaticamente desde a edição da medida provisória, gerando economia de R$ 854,8 milhões. A lei integra o programa CNH do Brasil, que reduziu em até 80% os custos para obtenção da habilitação e ampliou as opções de formação dos condutores. Desde o fim da obrigatoriedade das aulas teóricas em autoescolas, mais de 1,3 milhão de novas CNHs foram emitidas, com economia superior a R$ 1,8 bilhão para a população.

TROCA DE ATAQUES ENTRE IRÃO E EUA AGRAVA TENSÃO: TEERÃO LANÇA MÍSSEIS CONTRA BASES AMERICANAS NO GOLFO

Sobre a demora em chegar a um entendimento, Trump disse à NBC: “Há coisas que eles [Irão] nunca pensaram que teriam que fazer, mas que terão que fazer. Eles não têm escolha, e isso leva um tempo”.

Salvador, 6 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 



QUEDA DE AVALIAÇÃO DE FLÁVIO NO RIO


A queda do senador Flávio Bolsonaro no Sudeste, apontada por pesquisas recentes, tem preocupado aliados. A avaliação é que, se o presidenciável do PL continuar perdendo força na região que reúne os maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro —, os palanques estaduais da direita podem ficar ainda mais enfraquecidos. 
Levantamento Atlas/Bloomberg divulgado em maio mostrou queda de Flávio de 41,2% para 30,7% no Sudeste em apenas um mês, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua vantagem na região. No Rio de Janeiro, principal reduto da família Bolsonaro, o cenário é visto como um dos mais problemáticos. O candidato ao governo, Douglas Ruas, ainda busca ampliar sua popularidade e enfrenta o desgaste de ter participado da gestão do ex-governador Cláudio CastroCastro desistiu da disputa ao Senado após ser alvo de operações da Polícia Federal que investigam sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Nos próximos dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro deve escolher quem substituirá Castro na chapa ao Senado. Os nomes mais cotados são Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy. O senador Carlos Portinho também é considerado uma alternativa. Em Minas Gerais, a indefinição sobre o candidato ao governo preocupa aliados de Flávio. O senador Cleitinho, que aparece na liderança das pesquisas, ainda não confirmou se disputará o cargo, aumentando a apreensão no grupo bolsonarista. Segundo aliados, a falta de decisão pode dificultar a montagem de um palanque competitivo no Estado, considerado decisivo em eleições presidenciais.

 

EMPRESA DEFENDE PAUSA NOS SISTEMAS DE IA


A empresa de inteligência artificial Anthropic defendeu a possibilidade de uma pausa global no desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais poderosos, diante de sinais de que modelos avançados poderiam escapar ao controle humano. Criadora do Claude, a empresa afirmou que desacelerar temporariamente o avanço da IA de ponta poderia dar tempo para que pesquisas de segurança e estruturas sociais acompanhassem a evolução tecnológica. No entanto, alertou que uma única empresa não pode reduzir o ritmo sozinha sem correr o risco de ser superada por concorrentes. Segundo a Anthropic, uma pausa só seria viável se grandes empresas e governos, especialmente dos Estados Unidos e da China, concordassem em interromper simultaneamente o desenvolvimento, sob regras verificáveis. A companhia destacou que, sem coordenação global, empresas e governos enfrentarão decisões difíceis entre segurança e competitividade.

A proposta encontra resistência em Washington e no Vale do Silício, onde autoridades e executivos argumentam que uma desaceleração poderia favorecer a China na corrida tecnológica. Enquanto isso, o presidente Donald Trump assinou um decreto que permite ao governo realizar avaliações preliminares dos modelos de IA mais poderosos antes de seu lançamento. A Anthropic pretende reunir autoridades, cientistas, organizações da sociedade civil e concorrentes para discutir a criação desse sistema de supervisão. A empresa também alertou que a IA está acelerando o próprio desenvolvimento, o que pode gerar um ciclo de autoaperfeiçoamento crescente. Embora considere esse cenário incerto, afirmou que as evidências indicam uma redução gradual da participação humana no processo de desenvolvimento da tecnologia.

 

DIRETOR DA POLÍCIA FEDERAL CONSIDEROU "EQUÍVOCO" DE TRUMP


O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou como um “equívoco” a decisão dos Estados Unidos de incluir as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Em entrevista à TV Globo ontem, 5, ele argumentou que grupos terroristas têm motivações ideológicas ou religiosas, enquanto facções criminosas buscam lucro. Segundo Rodrigues, a classificação pode prejudicar a definição de estratégias adequadas de combate, já que terrorismo e crime organizado exigem abordagens diferentes. Apesar da divergência, ele afirmou que a medida não altera a atuação da Polícia Federal nem as políticas brasileiras de enfrentamento ao crime. O diretor ressaltou que o Brasil continuará priorizando a integração entre órgãos de segurança, a descapitalização das facções e a prisão de lideranças criminosas. Para ele, a decisão americana não interfere na soberania brasileira nem nas ações de segurança pública do país.

Rodrigues destacou, porém, que a medida pode abrir espaço para ampliar a cooperação internacional, especialmente no compartilhamento de informações, na captura de foragidos e no bloqueio do tráfico de armas para o Brasil. A PF informou que não foi comunicada oficialmente pelos EUA sobre a classificação das facções e soube da decisão pela imprensa. Segundo o diretor, ainda é cedo para avaliar eventuais impactos na cooperação entre os dois países. O tema ocorre em meio a recentes atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos envolvendo a prisão e posterior liberação do ex-deputado Alexandre Ramagem em território americano. Mesmo assim, o governo brasileiro mantém a defesa do diálogo e da cooperação internacional no combate ao crime organizado, respeitando a soberania nacional. 

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Laura Greenhalgh

Jornalista, atuou nas revistas Veja e Época, foi editora-executiva de O Estado de S. Paulo e é sócia-fundadora da Palavra Escrita Editorial

SALVAR ARTIGOS

Laura Greenhalgh
Descrição de chapéuGOVERNO TRUMP  ESTADOS UNIDOS

Trump transforma Casa Branca em palco de culto à própria personalidade

  • Presidente anseia remodelar símbolos de poder; ele segue com obras do novo salão de festas e anunciou Arco do Triunfo
  • Escalada do ego promete nas próximas semanas; aguarda-se farta quinquilharia exaltando a figura presidencial

 


Em meio à perspectiva de novas tarifas sobre produtos brasileiros e de mais uma ofensiva contra o Pix, esta coluna pede licença para desviar do imbróglio comercial Brasil-Estados Unidos, preferindo analisar os últimos rompantes do presidente americano. Porque merecem registro.

Dias atrás, ele vociferava contra um juiz federal —"escolhido por Barack Hussein Obama!", salientou— por ousar suspender o projeto de reforma do Kennedy Center e ordenar a remoção do nome "Donald J. Trump" da fachada da instituição. Em 1964, meses após o atentado fatal em Dallas, autorizou-se por lei a troca de nome do National Cultural Center para Kennedy Center, em memória do presidente assassinado.

Homem de cabelos loiros sentado em cadeira de couro escura em mesa de madeira, cercado por seis homens em trajes formais. No primeiro plano, busto escuro e modelo de avião em miniatura sobre a mesa. Ao fundo, cortinas claras e retrato de homem sorridente na parede.
Donald Trump durante anúncio no Salão Oval da Casa Branca -  Brendan Smialowski - 4.jun.26/AFP

Trump não está nem aí com isso. Desancou o juiz, quer brigar pela reforma no Congresso e, aos seguidores, queixou-se que "democratas da esquerda radical querem atingir o seu presidente favorito, EU".

Subiu o tom quando músicos escalados para os concertos dos 250 anos da independência americana começaram a cancelar participação —caso de Morris Day, vocalista da banda The Time, da cantora country Martina McBride e do rapper Young MC, entre outros. Trump chamou-os de artistas de terceira categoria e avisou que ele será a atração número um. Garante arrastar multidões maiores do que Elvis Presleyem seus melhores dias.

A escalada do ego promete nas próximas semanas. Aguardam-se nota, moeda, selo e farta quinquilharia exaltando a figura presidencial. O site da Casa Branca tornou-se 100% autorreferente: fora a contagem regressiva para o aniversário da independência, exibida na homepage, o que se posta são fotos, atos e proezas de Trump.

Este governante imperial anseia remodelar os símbolos de poder e, para tanto, não basta folhear a ouro o setor de onde despacha. Ele segue com as obras do novo salão de festas da Casa Branca, anuncia a construção de um Arco do Triunfo, nos moldes do de Paris, e pode vir a erguer uma biblioteca para chamar de sua com o "allure" do finado World Trade Center.

Crescem evidências de que, além de tratar a renovação de espaços públicos com a mesma lógica do mercado imobiliário, de onde veio, Trump mistura verbas públicas para financiar seus delírios napoleônicos a recursos de doadores privados, cujos interesses devem justificar o valor do cheque.

No livro "A Personalidade Autoritária", escrito com pesquisadores em 1950, portanto, na era stalinista, o filósofo Theodor W. Adorno (1903-1969) ensinou que as convicções políticas, econômicas e sociais de um indivíduo frequentemente moldam um padrão coerente. Só que esse padrão se torna um problema quando o indivíduo em questão é "potencialmente fascista" —as aspas são do autor.

O culto à personalidade que se vê hoje com Trump sem dúvida entrará nos anais do autoritarismo no mundo. E, como em outros casos, deve ser estudado como estratégia de propaganda e psicologia de massas, passando por eventuais desvios patológicos.

No dia 4 de julho, data oficial da independência dos EUA, o anfitrião da Casa Branca comandará o show em Washington, enquanto dois jogos da Copa do Mundo rolarão nos gramados americanos –um na Filadélfia, outro em Houston.

Concorrência desleal? De modo algum. Trump conta com a audiência ampliada do futebol para coroar a si mesmo. Gianni Infantino, presidente da Fifa, que lhe conferiu um Prêmio da Paz, à falta do Nobel, não vai deixá-lo passar vontade.