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domingo, 7 de junho de 2026

ESTADOS UNIDOS VIOLAM CESSAR-FOGO NO IRÃ


O Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril após ataques a instalações de radar e vigilância costeira no Golfo. Teerã classificou a ação como uma agressão à sua soberania e respondeu com o lançamento de mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, aliados de Washington. A Guarda Revolucionária afirmou ter atingido “bases inimigas na região”. O Bahrein denunciou o disparo de sete mísseis contra seu território e o do Kuwait, enquanto ambos os países condenaram a ofensiva iraniana e alertaram para o risco de escalada do conflito. A nova crise começou após o Comando Central dos EUA informar que derrubou quatro drones iranianos próximos ao estreito de Hormuz e atacou dois sistemas de radar no Irã. Segundo o Pentágono, não houve baixas nem danos a instalações americanas. O cessar-fogo, estabelecido após mais de um mês de confrontos, vinha sendo mantido com episódios isolados de violência. As negociações para encerrar o conflito e reabrir o estreito de Hormuz seguem paralisadas.

Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, afirmou que as conversas dependem do desbloqueio de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados pelos EUA. Divergências sobre o programa nuclear, sanções econômicas e o controle do estreito dificultam avanços diplomáticos. No Líbano, um ataque israelense matou três militares libaneses. O Hezbollah rejeitou um novo acordo de cessar-fogo por não prever a retirada total de Israel do país. O presidente libanês, Joseph Aoun, pediu que o Irã não interfira nos assuntos libaneses, enquanto o chanceler iraniano Abbas Araghchi rebateu as críticas. Desde o início do conflito, os ataques israelenses no Líbano deixaram mais de 3.560 mortos. Do lado israelense, morreram 27 militares e um funcionário civil terceirizado. 

CHINA EXECUTOU MAIS PESSOAS E TRUMP BUSCA AUMENTAR A PENA NOS EUA


A China foi o país que mais executou pessoas em 2025, segundo relatório da Anistia Internacional. A entidade afirma que milhares de execuções ocorreram no país e que a pena de morte é usada também como sinal político de combate a ameaças à segurança e à ordem social. O documento aponta que 2025 registrou o maior número de execuções no mundo desde 1981. Ao menos 2.707 pessoas foram executadas judicialmente, alta de 78% em relação a 2024. Pelo menos 17 países realizaram execuções, utilizando métodos como injeção letal, enforcamento, decapitação, fuzilamento e asfixia por nitrogênio. A China lidera o ranking, seguida por Irã, Arábia Saudita e Iraque. Os Estados Unidos aparecem em sétimo lugar, com 47 execuções, o maior número desde 2009. Como o governo chinês mantém os dados sob sigilo, a Anistia utiliza relatos de familiares, advogados, organizações civis e informações da imprensa para estimar os casos. Desde 2009, a entidade deixou de divulgar números exatos para a China, alegando que os dados disponíveis são incompletos e inferiores à realidade.

Mesmo sem estatísticas oficiais, a organização sustenta que milhares de pessoas continuam sendo condenadas à morte e executadas anualmente no país. Entre os crimes passíveis de pena capital estão tráfico de drogas, homicídios, corrupção, espionagem e crimes contra a segurança nacional. O Ministério das Relações Exteriores chinês rejeitou o relatório, afirmando que a Anistia tem preconceito contra o país. Segundo Pequim, a pena de morte é aplicada de forma “rigorosa e prudente”, com controle e redução gradual de seu uso. O relatório também destaca que 46% das execuções conhecidas no mundo em 2025 estiveram ligadas ao tráfico de drogas. O aumento global foi impulsionado principalmente pelo Irã, que registrou ao menos 2.159 execuções, o maior nível em décadas. Nos EUA, o crescimento foi puxado pela Flórida e pela retomada da defesa da pena de morte pelo governo do presidente Donald Trump. Além disso, foram registradas 2.334 novas sentenças de morte no mundo, alta de 12% em relação ao ano anterior.

 

UNIÃO EUROPEIA VETA IMPORTAÇÃO DE CARNE BOVINA E OUTROS PRODUTOS

A União Europeia confirmou o veto à importação de carne bovina, frango, pescado, mel e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro. A medida pode provocar perdas de quase US$ 2 bilhões anuais às exportações brasileiras. A decisão foi formalizada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após o bloco concluir que o Brasil não apresentou garantias suficientes para cumprir as regras europeias sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal. A legislação da UE proíbe substâncias usadas para estimular o crescimento dos animais e restringe antibióticos considerados essenciais para a medicina humana. Embora não tenham sido identificados casos de contaminação ou surtos sanitários, Bruxelas avaliou que o Brasil não comprovou adequadamente o cumprimento das exigências. O Brasil foi o único país retirado da lista de exportadores autorizados. Já países como Armênia, Índia, Indonésia, Sérvia e Tunísia mantiveram a habilitação após apresentarem a documentação exigida. Argentina, Paraguai e Uruguai também permaneceram aptos a exportar para o mercado europeu.

O Ministério da Agricultura publicou portarias em abril proibindo parte dos medicamentos questionados, mas a Comissão Europeia considerou as medidas insuficientes. Segundo autoridades brasileiras, a reversão da decisão dependerá de negociações políticas e de uma nova avaliação técnica da UE. Documentos internos do Ministério da Agricultura, obtidos pela Folha, mostram que o governo já reconhecia desde março que os controles brasileiros eram insuficientes para atender às exigências europeias. O parecer apontava dependência excessiva de autodeclarações de produtores e falta de fiscalização oficial independente sobre o uso de medicamentos em propriedades rurais. A UE sustenta que a medida tem caráter exclusivamente sanitário e não está relacionada ao acordo comercial com o Mercosul. O Itamaraty informou apenas que mantém negociações em andamento com o bloco europeu. Entidades do setor defendem que as exigências internacionais sejam baseadas em critérios científicos e avaliações de risco reconhecidas globalmente.

 

NEGADA SUSPEIÇÃO DE MINISTRO EM MANDADO DE SEGURANÇA


O presidente do STF, ministro Edson Fachin, rejeitou o pedido de suspeição apresentado por quatro senadores contra o ministro Kassio Nunes Marques, relator do mandado de segurança que trata da CPI do Banco Master. Os senadores Eduardo Girão (Novo), Alessandro Vieira (MDB), Marcos Pontes (PL) e Plínio Valério (PSDB) alegaram que Nunes Marques teria relação de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP), investigado por suposto envolvimento no escândalo financeiro ligado ao Banco Master. Na decisão, Fachin considerou o pedido incabível por ter sido apresentado fora do prazo previsto no Regimento Interno do STF. Segundo ele, a contestação deveria ter sido feita em até cinco dias após a distribuição do processo, ocorrida em 26 de março de 2026. O prazo expirou em 31 de março, mas o pedido só foi protocolado em 12 de maio. A CPI do Banco Master é defendida por parlamentares desde novembro do ano passado, mas ainda não foi instalada devido à resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), responsável por decidir sobre a leitura do requerimento. Nesta semana, ele afirmou ser contrário à comissão por considerar que ela serviria de “palanque eleitoral”.

Diante da falta de avanço no Senado, os parlamentares recorreram ao STF para pedir a abertura da CPI. O caso foi distribuído por sorteio a Kassio Nunes Marques. Os autores do pedido de suspeição destacaram a proximidade entre Nunes Marques e Ciro Nogueira. Em 2020, o senador foi um dos principais articuladores da indicação do ministro ao STF, durante o governo Jair Bolsonaro. Ciro Nogueira é investigado na quinta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo as investigações, ele teria atuado no Congresso em defesa dos interesses da instituição. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 7/6/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

O sofrimento silencioso das crianças de Gaza que perderam capacidade de falar

A psicoterapeuta infantil Katrin Brubakk, da organização Médicos Sem Fronteiras, ajuda crianças que sofreram traumas que podem provocar danos cerebrais permanentes e afetar gravemente seu futuro.

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Pix e eleições: como o meio de pagamento virou peça-chave da campanha desde 2022

Órgão americano recomendou a aplicação de taxas de 25% sobre os produtos brasileiros e argumentou que o país utiliza políticas desleais para favorecer método próprio de transações

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Bets duplicam faturamento no país e já recolhem impostos igual a tabaco e agricultura

Copa do Mundo deve gerar aumento de R$ 20 bilhões em depósitos para apostas esportivas Ministério da Fazenda já emitiu 85 licenças para empresas desde 2025, totalizando 187 sites autorizados

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Vitória derrota o Fortaleza e é pentacampeão da Copa do Nordeste

Equipe baiana venceu o clube cearense por 2 a 1 e assegura o título regional pela quinta vez na sua história

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Brasil vence o Egito no último amistoso antes da Copa do Mundo

Preocupação ficou por conta do lateral Wesley, que deixou o campo lesionado

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Mais de 1,2 milhões de pessoas acompanharam missa de Leão XIV na Praça Cibeles, em Madrid

Perante a multidão reunida no centro da capital espanhola, Leão XIV apelou aos católicos para que transformem a fé em compromisso social e rejeitem a indiferença.

sábado, 6 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL


TRUMP MUDA E QUER PARTICIPAÇÃO NA IA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem, 5, que pretende discutir com as principais empresas de inteligência artificial sobre a possibilidade de o governo adquirir participação acionária nessas companhias. Segundo ele, a medida poderia representar uma espécie de associação entre as empresas e o povo americano. Trump informou que se reunirá com líderes de todo o setor na Casa Branca na próxima semana. O presidente destacou que os EUA mantêm liderança global em IA, à frente da China, e disse que pretende preservar essa vantagem estratégica. Na semana passada, Trump assinou um decreto que abre caminho para maior controle governamental sobre os modelos mais avançados de IA, sob o argumento de reforçar a cibersegurança. A iniciativa restabelece um marco regulatório para o setor e sinaliza uma mudança de postura da administração republicana, que até então resistia a regulações mais amplas em nome da competitividade tecnológica frente à China.


CONSELHO DE MEDICINA VAI IDENTIFICAR FALSOS MÉDICOS

O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançará na próxima terça-feira (9) uma plataforma de inteligência artificial para identificar falsos médicos, empresas de fachada e outras irregularidades na área da saúde. O sistema cruzará dados de diferentes bases para apoiar a fiscalização dos conselhos regionais de medicina em todo o país. A tecnologia permitirá detectar indícios de exercício ilegal da profissão, monitorar possíveis infrações às normas de publicidade médica e auxiliar investigações. A ferramenta utiliza inteligência artificial generativa e análise preditiva para analisar grandes volumes de informações e apontar situações que exijam apuração. Entre as funções previstas estão a identificação de pessoas sem registro profissional válido atuando como médicas e o rastreamento de empresas com indícios de atuação irregular. Segundo o CFM, a plataforma poderá aumentar em até 30% a produtividade das ações de fiscalização. O sistema será apresentado em Brasília pelo presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, e pelo diretor de IA do órgão, Jeancarlo Cavalcante.


SENADOR PEDE SUSPEIÇÃO DE MINISTRO

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao STF que declare o ministro Alexandre de Moraes suspeito para atuar em processos envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. A solicitação, apresentada na segunda-feira (1º), será analisada pelo presidente da Corte, Edson Fachin. A defesa alega possível vínculo entre Moraes e Vorcaro, citando mensagens trocadas e contratos do Banco Master com o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, que teria recebido R$ 80,2 milhões por serviços jurídicos. O pedido surgiu após Moraes solicitar parecer da PGR sobre a inclusão de Flávio em investigação ligada ao irmão, Eduardo Bolsonaro. A apuração foi motivada por reportagem do The Intercept Brasil que revelou repasses de R$ 61 milhões para o projeto cinematográfico Dark Horse. Flávio sustenta que Moraes não teria imparcialidade para julgar o caso e pede que a ação seja retirada do inquérito atual e redistribuída ao ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao Banco Master no STF. 

TRUMP DEFENDE REDUÇÃO DOS JUROS

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a defender ontem, 5, a redução dos juros, mas afirmou que a decisão caberá ao novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh. Trump criticou repetidamente o ex-presidente da instituição, Jerome Powell, por manter as taxas acima de 3%, defendendo um patamar entre 1% e 1,5%. Apesar da pressão da Casa Branca, analistas elevaram para 98% a probabilidade de o Fed aumentar os juros em pelo menos 0,25 ponto percentual até o fim do ano. A expectativa cresceu após a divulgação de dados que mostraram a criação de 172 mil empregos nos EUA em maio. O mercado também considera a inflação persistente, impulsionada pelos preços da energia. O índice PCE, referência para o Fed, subiu 3,8% em 12 meses até abril, maior alta desde maio de 2023. A próxima reunião da autoridade monetária ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho, a primeira sob o comando de Warsh.

RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA DA CNH

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que altera o Código de Trânsito Brasileiro e permite a renovação automática da CNH para motoristas cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), sem taxas ou burocracia. A medida beneficia condutores sem infrações sujeitas a pontuação nos últimos 12 meses. A nova legislação mantém a obrigatoriedade dos exames de aptidão física e mental, que deverão ser realizados por médicos e psicólogos peritos autorizados e especializados em medicina do tráfego e psicologia do trânsito. Os valores dos exames seguirão preços definidos pelo órgão máximo de trânsito da União, com reajuste anual pelo IPCA. Segundo a Senatran, cerca de 2 milhões de motoristas já tiveram a CNH renovada automaticamente desde a edição da medida provisória, gerando economia de R$ 854,8 milhões. A lei integra o programa CNH do Brasil, que reduziu em até 80% os custos para obtenção da habilitação e ampliou as opções de formação dos condutores. Desde o fim da obrigatoriedade das aulas teóricas em autoescolas, mais de 1,3 milhão de novas CNHs foram emitidas, com economia superior a R$ 1,8 bilhão para a população.

TROCA DE ATAQUES ENTRE IRÃO E EUA AGRAVA TENSÃO: TEERÃO LANÇA MÍSSEIS CONTRA BASES AMERICANAS NO GOLFO

Sobre a demora em chegar a um entendimento, Trump disse à NBC: “Há coisas que eles [Irão] nunca pensaram que teriam que fazer, mas que terão que fazer. Eles não têm escolha, e isso leva um tempo”.

Salvador, 6 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 



QUEDA DE AVALIAÇÃO DE FLÁVIO NO RIO


A queda do senador Flávio Bolsonaro no Sudeste, apontada por pesquisas recentes, tem preocupado aliados. A avaliação é que, se o presidenciável do PL continuar perdendo força na região que reúne os maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro —, os palanques estaduais da direita podem ficar ainda mais enfraquecidos. 
Levantamento Atlas/Bloomberg divulgado em maio mostrou queda de Flávio de 41,2% para 30,7% no Sudeste em apenas um mês, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua vantagem na região. No Rio de Janeiro, principal reduto da família Bolsonaro, o cenário é visto como um dos mais problemáticos. O candidato ao governo, Douglas Ruas, ainda busca ampliar sua popularidade e enfrenta o desgaste de ter participado da gestão do ex-governador Cláudio CastroCastro desistiu da disputa ao Senado após ser alvo de operações da Polícia Federal que investigam sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Nos próximos dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro deve escolher quem substituirá Castro na chapa ao Senado. Os nomes mais cotados são Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy. O senador Carlos Portinho também é considerado uma alternativa. Em Minas Gerais, a indefinição sobre o candidato ao governo preocupa aliados de Flávio. O senador Cleitinho, que aparece na liderança das pesquisas, ainda não confirmou se disputará o cargo, aumentando a apreensão no grupo bolsonarista. Segundo aliados, a falta de decisão pode dificultar a montagem de um palanque competitivo no Estado, considerado decisivo em eleições presidenciais.

 

EMPRESA DEFENDE PAUSA NOS SISTEMAS DE IA


A empresa de inteligência artificial Anthropic defendeu a possibilidade de uma pausa global no desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais poderosos, diante de sinais de que modelos avançados poderiam escapar ao controle humano. Criadora do Claude, a empresa afirmou que desacelerar temporariamente o avanço da IA de ponta poderia dar tempo para que pesquisas de segurança e estruturas sociais acompanhassem a evolução tecnológica. No entanto, alertou que uma única empresa não pode reduzir o ritmo sozinha sem correr o risco de ser superada por concorrentes. Segundo a Anthropic, uma pausa só seria viável se grandes empresas e governos, especialmente dos Estados Unidos e da China, concordassem em interromper simultaneamente o desenvolvimento, sob regras verificáveis. A companhia destacou que, sem coordenação global, empresas e governos enfrentarão decisões difíceis entre segurança e competitividade.

A proposta encontra resistência em Washington e no Vale do Silício, onde autoridades e executivos argumentam que uma desaceleração poderia favorecer a China na corrida tecnológica. Enquanto isso, o presidente Donald Trump assinou um decreto que permite ao governo realizar avaliações preliminares dos modelos de IA mais poderosos antes de seu lançamento. A Anthropic pretende reunir autoridades, cientistas, organizações da sociedade civil e concorrentes para discutir a criação desse sistema de supervisão. A empresa também alertou que a IA está acelerando o próprio desenvolvimento, o que pode gerar um ciclo de autoaperfeiçoamento crescente. Embora considere esse cenário incerto, afirmou que as evidências indicam uma redução gradual da participação humana no processo de desenvolvimento da tecnologia.

 

DIRETOR DA POLÍCIA FEDERAL CONSIDEROU "EQUÍVOCO" DE TRUMP


O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou como um “equívoco” a decisão dos Estados Unidos de incluir as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Em entrevista à TV Globo ontem, 5, ele argumentou que grupos terroristas têm motivações ideológicas ou religiosas, enquanto facções criminosas buscam lucro. Segundo Rodrigues, a classificação pode prejudicar a definição de estratégias adequadas de combate, já que terrorismo e crime organizado exigem abordagens diferentes. Apesar da divergência, ele afirmou que a medida não altera a atuação da Polícia Federal nem as políticas brasileiras de enfrentamento ao crime. O diretor ressaltou que o Brasil continuará priorizando a integração entre órgãos de segurança, a descapitalização das facções e a prisão de lideranças criminosas. Para ele, a decisão americana não interfere na soberania brasileira nem nas ações de segurança pública do país.

Rodrigues destacou, porém, que a medida pode abrir espaço para ampliar a cooperação internacional, especialmente no compartilhamento de informações, na captura de foragidos e no bloqueio do tráfico de armas para o Brasil. A PF informou que não foi comunicada oficialmente pelos EUA sobre a classificação das facções e soube da decisão pela imprensa. Segundo o diretor, ainda é cedo para avaliar eventuais impactos na cooperação entre os dois países. O tema ocorre em meio a recentes atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos envolvendo a prisão e posterior liberação do ex-deputado Alexandre Ramagem em território americano. Mesmo assim, o governo brasileiro mantém a defesa do diálogo e da cooperação internacional no combate ao crime organizado, respeitando a soberania nacional. 

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Laura Greenhalgh

Jornalista, atuou nas revistas Veja e Época, foi editora-executiva de O Estado de S. Paulo e é sócia-fundadora da Palavra Escrita Editorial

SALVAR ARTIGOS

Laura Greenhalgh
Descrição de chapéuGOVERNO TRUMP  ESTADOS UNIDOS

Trump transforma Casa Branca em palco de culto à própria personalidade

  • Presidente anseia remodelar símbolos de poder; ele segue com obras do novo salão de festas e anunciou Arco do Triunfo
  • Escalada do ego promete nas próximas semanas; aguarda-se farta quinquilharia exaltando a figura presidencial

 


Em meio à perspectiva de novas tarifas sobre produtos brasileiros e de mais uma ofensiva contra o Pix, esta coluna pede licença para desviar do imbróglio comercial Brasil-Estados Unidos, preferindo analisar os últimos rompantes do presidente americano. Porque merecem registro.

Dias atrás, ele vociferava contra um juiz federal —"escolhido por Barack Hussein Obama!", salientou— por ousar suspender o projeto de reforma do Kennedy Center e ordenar a remoção do nome "Donald J. Trump" da fachada da instituição. Em 1964, meses após o atentado fatal em Dallas, autorizou-se por lei a troca de nome do National Cultural Center para Kennedy Center, em memória do presidente assassinado.

Homem de cabelos loiros sentado em cadeira de couro escura em mesa de madeira, cercado por seis homens em trajes formais. No primeiro plano, busto escuro e modelo de avião em miniatura sobre a mesa. Ao fundo, cortinas claras e retrato de homem sorridente na parede.
Donald Trump durante anúncio no Salão Oval da Casa Branca -  Brendan Smialowski - 4.jun.26/AFP

Trump não está nem aí com isso. Desancou o juiz, quer brigar pela reforma no Congresso e, aos seguidores, queixou-se que "democratas da esquerda radical querem atingir o seu presidente favorito, EU".

Subiu o tom quando músicos escalados para os concertos dos 250 anos da independência americana começaram a cancelar participação —caso de Morris Day, vocalista da banda The Time, da cantora country Martina McBride e do rapper Young MC, entre outros. Trump chamou-os de artistas de terceira categoria e avisou que ele será a atração número um. Garante arrastar multidões maiores do que Elvis Presleyem seus melhores dias.

A escalada do ego promete nas próximas semanas. Aguardam-se nota, moeda, selo e farta quinquilharia exaltando a figura presidencial. O site da Casa Branca tornou-se 100% autorreferente: fora a contagem regressiva para o aniversário da independência, exibida na homepage, o que se posta são fotos, atos e proezas de Trump.

Este governante imperial anseia remodelar os símbolos de poder e, para tanto, não basta folhear a ouro o setor de onde despacha. Ele segue com as obras do novo salão de festas da Casa Branca, anuncia a construção de um Arco do Triunfo, nos moldes do de Paris, e pode vir a erguer uma biblioteca para chamar de sua com o "allure" do finado World Trade Center.

Crescem evidências de que, além de tratar a renovação de espaços públicos com a mesma lógica do mercado imobiliário, de onde veio, Trump mistura verbas públicas para financiar seus delírios napoleônicos a recursos de doadores privados, cujos interesses devem justificar o valor do cheque.

No livro "A Personalidade Autoritária", escrito com pesquisadores em 1950, portanto, na era stalinista, o filósofo Theodor W. Adorno (1903-1969) ensinou que as convicções políticas, econômicas e sociais de um indivíduo frequentemente moldam um padrão coerente. Só que esse padrão se torna um problema quando o indivíduo em questão é "potencialmente fascista" —as aspas são do autor.

O culto à personalidade que se vê hoje com Trump sem dúvida entrará nos anais do autoritarismo no mundo. E, como em outros casos, deve ser estudado como estratégia de propaganda e psicologia de massas, passando por eventuais desvios patológicos.

No dia 4 de julho, data oficial da independência dos EUA, o anfitrião da Casa Branca comandará o show em Washington, enquanto dois jogos da Copa do Mundo rolarão nos gramados americanos –um na Filadélfia, outro em Houston.

Concorrência desleal? De modo algum. Trump conta com a audiência ampliada do futebol para coroar a si mesmo. Gianni Infantino, presidente da Fifa, que lhe conferiu um Prêmio da Paz, à falta do Nobel, não vai deixá-lo passar vontade.