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sábado, 30 de maio de 2026

A IMPRENSA SOBRE AS FACÇÕES PCC E CV

Os Bolsonaros e o PCC e o CV

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas repercutiu na imprensa internacional. Em comunicado divulgado na quinta-feira, 28, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que as facções estão entre os grupos criminosos mais violentos do Brasil e passarão a integrar a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. O anúncio ocorreu dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com Rubio e com Donald Trump, na Casa Branca, onde defendeu a medida. O jornal The New York Times destacou a pressão da família Bolsonaro sobre Washington. Segundo a publicação, a decisão foi tomada após meses de lobby dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e pode gerar tensão nas relações entre Brasil e EUA. O jornal afirmou ainda que autoridades brasileiras temem interferência americana nas eleições presidenciais e alertou para impactos econômicos. A classificação pode ampliar sanções financeiras e afetar bancos e empresas brasileiras ligadas, direta ou indiretamente, às facções. O Financial Times também ressaltou o encontro de Flávio Bolsonaro com Trump e avaliou que a medida fortalece o discurso de segurança pública do senador.

Segundo o jornal britânico, o governo Lula resistia à classificação por entender que PCC e CV não possuem motivação ideológica e porque a decisão poderia abrir espaço para pressão militar dos EUA no Brasil. A emissora Al Jazeera afirmou que Trump tem ampliado o uso da classificação de terrorismo contra grupos criminosos latino-americanos e que a medida pode influenciar a política brasileira. Já a France24 destacou que governos de esquerda, como os de Brasil e México, criticam esse tipo de designação, enquanto países governados pela direita tendem a apoiá-la. Para a rede francesa, a decisão representa um constrangimento político para Lula, que havia demonstrado satisfação após reunião recente com Trump em Washington.

DESEMBARGADOR CONTINUA COMO GOVERNADOR


O ministro Luiz Fux, do STF, negou ontem, 29, o pedido do presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), para assumir o governo do Rio de Janeiro e manteve o desembargador Ricardo Couto no cargo. Em decisão liminar, Fux afirmou que o plenário do Supremo já decidiu “expressamente”, em sessão de abril, que o presidente do TJ-RJ deve permanecer à frente do Executivo fluminense até nova deliberação. Segundo o ministro, há determinação colegiada que impede o acolhimento da pretensão da Alerj. Ele destacou que fatos novos apresentados não alteram a decisão anterior, pois serão analisados pelo plenário em momento oportuno. No fim de abril, o ministro Cristiano Zanin já havia rejeitado pedido semelhante de Douglas Ruas. Zanin também entendeu que a eleição do deputado para a presidência da Alerj não interfere na decisão do STF. Fux ainda negou o pedido do PDT para ingressar na ação como amicus curiae. O ministro explicou que a discussão trata de eleições indiretas por dupla vacância não eleitoral. Segundo ele, o partido baseou seu pedido em questões relacionadas à eleição interna da Alerj, fora do objeto principal da ação. 

Ricardo Couto permanece no cargo por decisão liminar de Zanin, de 27 de março. Essa decisão atendeu a pedido do PSD para realização de eleições indiretas no estado. O julgamento sobre o modelo de escolha do governador-tampão do Rio foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino. O ministro afirmou que aguarda a publicação do acórdão de decisão do TSE envolvendo o ex-governador Cláudio Castro. O caso foi adiado para melhor análise do contexto jurídico. Durante a sessão, houve antecipação de votos de três ministros. André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia votaram pela realização de eleições indiretas pela Alerj. O placar parcial ficou em 4 a 1 favorável às eleições indiretas pelos deputados estaduais. Os ministros indicaram preocupação com possível avanço do STF sobre competência do TSE.

 

SUSPENSÃO DE COBRANÇA DE CÉDULAS DE CRÉDITO RURAL


O juiz de Direito Eduardo Perez Oliveira, da vara Cível de Hidrolândia/GO, concedeu tutela de urgência para suspender a cobrança de cédulas de crédito rural firmadas entre um produtor e o Banco do Brasil, além de impedir a negativação do autor. O produtor alegou frustração de safra causada por eventos climáticos adversos, comprometendo sua capacidade de pagamento. Na ação, pediu a suspensão dos débitos e a prorrogação compulsória das dívidas rurais. Para comprovar as alegações, apresentou cédulas de crédito, laudos técnicos, pedido administrativo e decreto estadual de emergência. Ao analisar o caso, o magistrado destacou que a tutela de urgência exige probabilidade do direito e risco de dano, conforme o artigo 300 do CPC. Segundo ele, o alongamento da dívida rural, quando preenchidos os requisitos legais, constitui direito subjetivo do devedor, conforme entendimento consolidado na súmula 298 do STJ. O juiz também ressaltou que a emissão de cédulas de crédito bancário não afasta a natureza rural do contrato, desde que os recursos sejam destinados à atividade agropecuária.

No caso, as cédulas financiaram a compra de maquinário agrícola, como plantadeira e trator, sem indícios de renegociação de dívidas anteriores. A decisão observou ainda que os contratos seguem as regras do Manual de Crédito Rural do Banco Central. Para o magistrado, os documentos apresentados demonstram, em análise preliminar, verossimilhança das alegações e enquadramento nos requisitos legais para prorrogação da dívida. Quanto ao perigo de dano, entendeu que eventual penhora de bens ou negativação poderia inviabilizar a continuidade da atividade agrícola e afetar a subsistência do produtor. Com isso, determinou a suspensão da exigibilidade das cédulas até o julgamento final da ação e proibiu a inscrição do nome do autor em cadastros de inadimplentes. 

"ROBÔS-ADVOGADOS" AMPLIA ACESSO À JUSTIÇA


O direito à autorepresentação (“pro se”) nos Estados Unidos é garantido por lei federal desde 1789 e foi reconhecido pela Suprema Corte em 1975. Ainda assim, litigantes sem advogado historicamente fracassam: entre 1998 e 2017, perderam 96% das ações, segundo a University of Chicago Law School, geralmente por erros técnicos ou ações consideradas frívolas. Nos últimos anos, porém, chatbots de inteligência artificial passaram a auxiliar esses litigantes. Os chamados “robôs-advogados” ajudam a pesquisar leis, redigir petições, organizar documentos, explicar conceitos jurídicos e analisar argumentos adversários. O impacto já aparece nos números. Em 2025, os litígios pro se chegaram a 16,8% das ações, contra 11% cinco anos antes. Um tribunal federal de Minnesota registrou aumento de 50% nesse tipo de processo em apenas um ano. Hoje, cerca de um terço das ações federais civis nos EUA é movido por litigantes sem advogado. O crescimento preocupa magistrados, que apontam aumento do volume, do tamanho das petições e da complexidade dos casos. O juiz Patrick Schiltz, de Minnesota, chamou a situação de “crise existencial” para os tribunais federais. Já o juiz Joshua Wolson alertou para o risco de a IA produzir informações falsas que parecem verdadeiras. Alguns magistrados têm reagido com punições. Em Illinois, a juíza Virgínia Kendall multou uma litigante em US$ 1,5 mil após identificar citações jurídicas fictícias geradas por IA.

Defensores da tecnologia afirmam, porém, que ela amplia o acesso à Justiça. O juiz Michael Scudder destacou que a IA pode ajudar pessoas sem recursos para contratar advogados. Auxiliares judiciais e defensores públicos também relatam ganho de produtividade com pesquisas e rascunhos automatizados. Há ainda debates sobre responsabilizar empresas de IA por assistência jurídica indevida, embora, até agora, plataformas como a OpenAI e a Anthropic sustentem, em seus termos de uso, que os usuários são responsáveis pelas informações obtidas. O direito à autorepresentação foi consolidado no caso Faretta v. California, em que a Suprema Corte reconheceu que o réu pode dispensar advogado e atuar em causa própria. Em ações civis, porém, não existe direito automático à assistência jurídica gratuita, o que leva muitos americanos a recorrer ao litígio pro se com ajuda da inteligência artificial. 

UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA ENTRE TRÊS HOMENS


A Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o cancelamento definitivo do registro de uma união estável poliafetiva entre três homens em Bauru (SP). O entendimento foi de que não há previsão legal ou constitucional para reconhecimento administrativo desse tipo de relação. O trio havia apresentado um “Termo de União Estável Poliafetiva” ao 2º Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil das Pessoas Jurídicas da comarca. O documento chegou a ser registrado por uma escrevente. Posteriormente, o oficial do cartório identificou erro na qualificação do título, suspendeu os efeitos do registro e pediu judicialmente seu cancelamento definitivo. Segundo ele, uniões poliafetivas não possuem respaldo no ordenamento jurídico brasileiro, baseado no princípio da monogamia. Os três homens defenderam a validade do documento, alegando que a união poliafetiva constitui entidade familiar protegida pela Constituição e que impedir o registro seria discriminatório. Também invocaram a autonomia da vontade nas relações privadas.

Em primeira instância, a 1ª Vara Cível de Bauru manteve o registro. A juíza entendeu que, como a lei não proíbe expressamente esse tipo de contrato, o documento poderia ser registrado no Cartório de Títulos e Documentos, com caráter apenas declaratório. A decisão, porém, foi contestada pela Associação de Direito de Família e das Sucessões (ADFAS), que recorreu à Corregedoria do TJ-SP. Ao revisar o caso, a juíza assessora Letícia Fraga Benitez afirmou que a atividade registral deve obedecer estritamente ao princípio da legalidade. Segundo ela, admitir o registro daria aparência de validade jurídica a uma relação não reconhecida pela Constituição nem pelo Código Civil. A magistrada destacou ainda que o registro oficial representa uma chancela estatal perante terceiros, mesmo quando possui natureza apenas declaratória. Com isso, determinou o cancelamento do ato registral. 

EUA CLASSIFICAM PCC E CV COMO ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS


O Departamento de Estado dos EUA anunciou na quinta-feira, 28, a classificação do
Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida foi divulgada um dia após reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o secretário de Estado americano Marco RubioAs facções serão enquadradas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs) e “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs). A designação SDGT entra em vigor imediatamente. Já a inclusão na lista FTO exige notificação ao Congresso americano e passa a valer em 5 de junho. Embora o Congresso seja informado, não pode barrar a decisão. O governo de Donald Trump ainda não comentou oficialmente a medida. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com preocupação, alegando riscos à soberania nacional. O Planalto teme que os EUA usem o combate ao terrorismo como justificativa para ações unilaterais em território brasileiro.

Pela legislação brasileira, PCC e CV não são considerados grupos terroristas, pois atuam com fins lucrativos e não possuem motivações ideológicas, religiosas ou políticas, exigidas pela Lei Antiterrorismo de 2016. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que a cooperação internacional contra o crime é bem-vinda, mas rejeitou qualquer possibilidade de intervenção externa. As designações podem resultar em sanções contra pessoas e empresas ligadas às facções. Especialistas avaliam que a medida também pode afetar a relação entre Brasil e EUA e gerar cautela de investidores americanos diante do risco de punições financeiras. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 30/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Pacheco anuncia saída da política e descarta disputa em Minas

Ex-presidente do Senado afirmou que encerra ciclo de 12 anos na vida pública e não concorrerá ao governo mineiro em 2026

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Pix, vistos de viagem, big techs: entenda todos os possíveis impactos da designação de CV e PCC como terroristas

Efeitos mais imediatos tendem a ser sentidos no sistema financeiro, podendo atingir até mesmo instituições sem qualquer contato direto com as facções

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Vínculo do PCC com setor de combustíveis eleva risco para Brasil após decisão de Trump

Técnicos avaliam que Pix só seria afetado em interpretação extrema dos EUA Empresas intensificaram contatos com o autoridades brasileiras, que ainda estudam impactos da decisão

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Brasil pode voltar a ser 10ª maior economia do mundo após PIB do 1º trimestre

PAÍS teve sexto melhor desempenho nos três primeiros meses do ano em lista divulgada pela agência Austin Rating que considera as informações de 45 países

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

PCC e CV na lista de terroristas dos EUA: quais os efeitos para o Brasil?

Medida levanta dúvidas sobre possíveis consequências nas áreas de segurança, economia e relações internacionais

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Três maiores partidos entregam lista única de candidatos ao Tribunal Constitucional

Cardoso da Costa (PSD), Paula Ribeiro de Faria (PSD), Brites Lameiras (Chega) e Gabriela Cunha Rodrigues (PS) devem tornar-se juízes conselheiros, enquanto Luísa Neto irá para a Provedoria de Justiça.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


RECURSOS PÚBLICOS DESTINADOS AOS ATAQUES DO CAPITÓLIO

Uma juíza federal dos EUA bloqueou temporariamente nesta sexta-feira (29) a criação de um fundo de quase US$ 1,8 bilhão anunciado pelo governo de Donald Trump para indenizar supostas vítimas de “aparelhamento” estatal. A magistrada Leonie Brinkema proibiu novas medidas para criar ou operar o fundo até analisar argumentos jurídicos adicionais. O Departamento de Justiça havia anunciado o “fundo antiaparelhamento” como parte de um acordo para encerrar processo movido por Trump contra a Receita Federal dos EUA pelo vazamento de suas declarações de imposto. O programa prevê US$ 1,776 bilhão em indenizações a pessoas que aleguem ter sofrido “guerra jurídica” ou perseguição política. Segundo críticos, o fundo pode beneficiar investigados e condenados ligados à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e às tentativas de reverter a eleição de 2020. A ação judicial foi apresentada por um grupo que afirma ser alvo político do governo Trump-Vance e excluído das possíveis compensações. A iniciativa provocou reação negativa até entre parlamentares republicanos, incomodados com a possibilidade de recursos públicos indenizarem participantes dos ataques ao Capitólio.


CÉDULA DE US$ 250 EM DISCUSSÃO

O governo dos EUA pressiona o Federal Reserve para estudar a criação de uma nota de US$ 250 com a imagem do presidente Donald Trump, segundo o jornal The Washington Post. A proposta vem sendo discutida desde 2025 por integrantes da administração republicana, liderados pelo tesoureiro Brandon Beach e pelo assessor Mike Brown. Eles defendem o desenvolvimento de um protótipo da cédula. A iniciativa, porém, enfrenta um obstáculo legal: desde 1886, a lei americana permite apenas retratos de pessoas falecidas em notas oficiais. O tema ganhou repercussão após o deputado republicano Andy Barr divulgar, em janeiro, uma imagem da suposta cédula na rede X. Na publicação, Barr afirmou que a nota celebraria os 250 anos da independência dos EUA em 2026. O desenho foi criado pelo artista britânico Iain Alexander, que disse ter discutido o projeto diretamente com Trump. Segundo ele, o republicano pediu mudanças no modelo inicial. Entre elas, a inclusão das cores da bandeira americana e de um selo comemorativo da independência. Caso avance, a medida representará uma mudança simbólica no sistema monetário dos EUA. Hoje, a maior cédula em circulação no país é a de US$ 100, com a imagem de Benjamin Franklin.


ECONOMIA CRESCEU 1,1%

A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 ante o fim de 2025, segundo o IBGE. O resultado acelerou frente ao avanço de 0,3% do trimestre anterior e foi o maior em um ano. O dado veio próximo da expectativa do mercado, que previa alta de 1%. Agropecuária, indústria extrativa e serviços puxaram o crescimento. Analistas avaliam que o ritmo deve perder força nos próximos trimestres. Em 2025, a economia desacelerou sob impacto dos juros altos para conter a inflação. No início de 2026, emprego aquecido e renda maior ajudaram a sustentar a atividade. Também influenciaram a safra de grãos e medidas de estímulo do governo Lula em ano eleitoral. Entre elas estão crédito, valorização do salário mínimo e isenção de IR até R$ 5 mil. Especialistas alertam, porém, para os efeitos da inflação e do endividamento das famílias. A guerra no Irã elevou o preço do petróleo e pressionou os combustíveis no Brasil. O mercado projeta crescimento de 1,89% do PIB em 2026, enquanto a Fazenda estima 2,3%.

INFLAÇÃO AUMENTA NOS EUA

A inflação dos EUA acelerou em abril e atingiu o maior nível em três anos, pressionada pela alta da energia causada pela guerra com o Irã. O índice PCE, principal referência do Fed, subiu 3,8% em 12 meses até abril, ante 3,5% em março, informou o Departamento de Comércio ontem, 28. Na comparação mensal, o avanço foi de 0,4%, após alta de 0,7% em março. O conflito no Irã afetou o transporte no estreito de Hormuz, elevando os preços da energia e agravando gargalos nas cadeias globais de oferta. A gasolina subiu 12,3% em abril nos EUA e já acumula alta superior a 50% desde o início da guerra, em fevereiro. Outros bens e serviços também ficaram mais caros, em um cenário já pressionado pelas tarifas de importação do presidente Donald Trump. Sem alimentos e energia, o núcleo do PCE avançou 3,3% em 12 meses e 0,2% no mês. Com a inflação persistente, cresce a frustração dos norte-americanos com a economia. Pesquisa Reuters/Ipsos mostrou queda na aprovação de Trump, inclusive entre republicanos. Analistas avaliam que o Fed deve manter os juros entre 3,5% e 3,75% até 2027. 

TRUMP PRETENDE ENVIAR PARA O QUÊNIA CIDADÃOS AMERICANOS

O governo de Donald Trump planeja enviar ao Quênia cidadãos americanos expostos ao ebola para observação e tratamento, em vez de levá-los aos Estados Unidos, segundo o The New York Times. A medida representa uma mudança na política adotada em surtos anteriores, quando americanos contaminados eram tratados em hospitais especializados nos EUA. Neste mês, porém, um médico foi enviado à Alemanha e outros seis cidadãos foram monitorados na Alemanha e na República Tcheca. O atual surto na República Democrática do Congo já soma mais de mil casos e 200 mortes, segundo a OMS. A epidemia avança em meio a cortes de ajuda promovidos pelo governo Trump, afetando redes de vigilância e suprimentos médicos. Na semana passada, os EUA também restringiram a entrada de pessoas que estiveram no Congo, Uganda ou Sudão do Sul. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, uma instalação está sendo preparada no Quênia pelos departamentos de Estado, Defesa e Saúde para quarentena e eventual tratamento. A OMS informou que a taxa de letalidade atual está abaixo de 25%, menor do que em epidemias anteriores. O surto se concentra na província de Ituri, região marcada por conflitos armados e intensa circulação populacional.

MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS RECURSAIS

A Corte Especial do STJ decidiu que a majoração de honorários recursais prevista no artigo 85, §11, do CPC só pode ocorrer quando há mudança de grau de jurisdição. O entendimento afasta a aplicação da regra em recursos internos no mesmo tribunal. O caso envolveu decisão da 2ª Turma do STJ que havia aumentado novamente os honorários no julgamento de agravo interno contra decisão que não conheceu recurso especial. O relator original, ministro Herman Benjamin, já havia majorado os honorários em decisão monocrática. Depois, no julgamento colegiado do agravo interno, houve novo aumento da verba sucumbencial. Ao analisar embargos de divergência, a Corte Especial afastou a nova majoração. Relator do caso, o ministro João Otávio de Noronha afirmou que o agravo interno não inaugura novo grau recursal. O colegiado fixou três teses: a majoração só cabe no primeiro recurso que abre nova instância; não há honorários recursais em agravo interno e embargos de declaração; e o agravo interno apenas prolonga a discussão no mesmo grau de jurisdição.

Salvador, 29 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


"O DEBATE PÚBLICO PASSOU A FUNCIONAR COMO UMA DISPUTA ESPORTIVA", DIZ STEVEN PINKER


O psicólogo e linguista Steven Pinker afirmou que a polarização política torna as pessoas mais irracionais, pois fortalece o “viés do meu lado”: a tendência de acreditar que o próprio grupo é moral e inteligente, enquanto o outro seria ignorante. Segundo ele, isso faz até pessoas instruídas interpretarem dados de forma enviesada quando o tema envolve suas convicções políticas. Em entrevista ao Estadão, Pinker disse que o debate público passou a funcionar como uma disputa esportiva, em que o objetivo é vencer, e não buscar a verdade ou melhores soluções. Ele aponta que propostas idênticas podem ser avaliadas de forma oposta apenas pela identificação partidária de quem as apresenta. O professor participou da São Paulo Innovation Week, festival de tecnologia e inovação realizado entre 13 e 15 de maio, na Arena Pacaembu e na Faap. Para Pinker, a polarização também aumentou porque as pessoas convivem menos com opiniões diferentes. Instituições como igrejas, exército e associações perderam espaço, reduzindo o contato entre grupos diversos. Ele critica ainda as redes sociais, que, segundo ele, não possuem mecanismos eficazes de verificação de informações. Sem filtros institucionais, afirma, o ambiente digital favorece erros, rumores e fake news.

Sobre a preferência crescente por vídeos em vez de textos, Pinker explica que a comunicação visual e oral é mais natural ao cérebro humano. Ler exige mais esforço, embora continue essencial para conteúdos complexos, por permitir maior atenção, releitura e profundidade. Na educação, ele defende prioridade para lógica, probabilidade, interpretação de dados e técnicas de argumentação racional, acima de conteúdos menos práticos. Também afirma que debates devem focar nas ideias, e não em ataques pessoais ou na origem política de uma proposta. Para Pinker, a inteligência artificial pode ampliar capacidades humanas, desde que as pessoas aprendam a pensar criticamente, avaliar fontes e usar a tecnologia de forma consciente. O desafio atual, conclui, é recolocar objetivos comuns — como prosperidade, segurança e educação — no centro do debate público. 

IA IMPÕE NOVOS RUMOS PARA AS GUERRAS


As guerras entre 2021 e 2024 mataram quase 750 mil pessoas, além de milhões afetados por fome e doenças. Segundo análise da revista The Economist, os conflitos recentes revelam duas novas realidades: a tecnologia dificultou avanços terrestres e fortaleceu países mais fracos contra potências militares. A guerra da Rússia na Ucrânia virou um desgaste para Vladimir Putin, enquanto o conflito iniciado por Donald Trump contra o Irã mostrou os limites do poder militar americano. Sensores, satélites e drones baratos ampliaram a “zona de abate” nos campos de batalha. Na Ucrânia, soldados atuam em pequenos grupos e robôs terrestres transportam feridos e suprimentos. O uso de drones se espalhou para conflitos no Oriente Médio e pode ser decisivo em eventual invasão chinesa a Taiwan. Especialistas avaliam que os exércitos precisarão investir em bloqueadores de sinal, defesas antidrone e sistemas não tripulados. A Otan já recebe apoio de militares ucranianos especializados em drones durante exercícios.

Outra mudança importante é o uso de inteligência artificial para localizar e destruir alvos em velocidade inédita. Mesmo assim, ataques tecnológicos não garantem vitória rápida. Apesar dos bombardeios de EUA e Israel, o Irã manteve ataques com drones e mísseis, preservou seu programa nuclear e provocou impactos econômicos globais. O texto também alerta para o enfraquecimento das leis de guerra. Rússia, Hamas, Israel e autoridades americanas são citados por violações e discursos agressivos contra civis. A conclusão é que guerras modernas estão mais caras, difíceis de vencer e simples de iniciar, mas extremamente complexas de encerrar.

 

MAIS DE 100 TIPOS DE DEMÊNCIA


Demência” é um termo genérico que vai muito além da perda de memória. 
Ela pode afetar fala, comportamento, sono, visão e movimentos. Existem mais de 100 tipos de demência. A doença de Alzheimer representa cerca de 60% dos casos. Os outros 40% incluem formas raras e difíceis de diagnosticar. Conhecer os sinais precoces ajuda no cuidado adequado. A atrofia cortical posterior (ACP) afeta visão e orientação espacial. Os pacientes podem ter alucinações visuais e dificuldade para calcular distâncias. Ler, subir escadas e identificar objetos tornam-se tarefas difíceis. Os sintomas surgem geralmente entre 55 e 65 anos. Pesquisadores investigam se a ACP é uma forma atípica de Alzheimer. A doença de Creutzfeldt-Jakob é extremamente rara e agressiva. Afeta cerca de uma pessoa por milhão no mundo. É causada pelo mau dobramento de proteínas priônicas. A doença evolui rapidamente, causando perda de memória e movimentos involuntários. Pode ter relação genética ou, raramente, contaminação alimentar. A FTD-MND combina demência frontotemporal com doença do neurônio motor. Além de alterações cognitivas, provoca fraqueza muscular e dificuldade para engolir. Entre 10% e 15% dos pacientes com demência frontotemporal desenvolvem a condição. Ela pode ser hereditária, ligada ao gene C9orf72.

A paralisia supranuclear progressiva (PSP) também é rara. Ela afeta movimento, equilíbrio e visão. Pacientes sofrem quedas frequentes e dificuldade de locomoção. A doença é frequentemente confundida com Parkinson. Ainda não existe cura para esses subtipos de demência. Medicamentos disponíveis ajudam principalmente nos casos de Alzheimer. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial. Mudanças de comportamento, dificuldades motoras, problemas de visão e fala podem ser sinais importantes. Compreender os diferentes tipos de demência ajuda a melhorar o tratamento e o suporte aos pacientes.

IRÃ ENDURECE CONTRA EUA


A Casa Branca classificou como “invenção total” o suposto rascunho de acordo de cessar-fogo divulgado pela mídia iraniana. Em publicação na rede X, o perfil Rapid Response 47 afirmou que o memorando atribuído às negociações entre Estados Unidos e Irã é falso e acusou a imprensa estatal de Teerã de espalhar desinformação. O documento previa a retomada da navegação comercial no Estreito de Ormuz em até 30 dias. Em troca, Washington encerraria o bloqueio naval e retiraria porta-aviões e navios de guerra da região. O presidente Donald Trump demonstrou insatisfação com o andamento das conversas e acusou o Irã de prolongar as negociações. Durante reunião de gabinete, Trump afirmou que Teerã deseja um acordo, mas advertiu que os EUA poderão “terminar o trabalho” caso não haja entendimento. O secretário de Estado Marco Rubio reconheceu “certos avanços” nas negociações, embora sem detalhar os pontos discutidos. Trump também negou que o Irã ou o sultanato de Omã possam controlar o Estreito de Ormuz por meio de pedágios marítimos. Segundo ele, os Estados Unidos manterão influência estratégica sobre a região. O republicano ainda declarou que o regime iraniano mudou após sucessivas crises internas, embora a Guarda Revolucionária Islâmica continue exercendo forte influência política e militar.

O vice-chefe político da Marinha da Guarda Revolucionária, Mohamad Akbarzadeh, afirmou que as Forças Armadas iranianas permanecem em alerta e ameaçou transformar a costa sul do país em “cemitério para os agressores”. Especialistas avaliam que o Irã tenta demonstrar disposição para negociar enquanto busca ampliar sua margem diplomática. Para Denilde Holzhacker, da ESPM, os EUA dificilmente aceitarão propostas envolvendo a retirada de tropas do Golfo Pérsico. Já Cristina Pecequilo, da Unifesp, considera que o impasse sobre o urânio enriquecido segue sendo o principal obstáculo ao acordo. Em outra frente do conflito, Israel realizou mais de 120 bombardeios no sul do Líbano. O Exército israelense declarou como “zona de combate” toda a área ao sul do Rio Zahrani e pediu a retirada de moradores de cerca de 300 cidades e vilarejos. Segundo o Ministério da Saúde libanês, mais de 3,2 mil pessoas morreram desde o início da guerra.