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domingo, 12 de julho de 2026

TRUMP NÃO PRESTIGIA JOGOS, MAS INTERFERE EM EXPULSÃO DE JOGADOR


Em 2018, ainda no primeiro mandato, Donald Trump tratou a candidatura dos Estados Unidos, Canadá e México para sediar a Copa de 2026 como instrumento de pressão diplomática. Em publicação nas redes sociais, cobrou apoio de países aliados e ameaçou rever relações com quem votasse contra a candidatura. O então presidente da US Soccer, Carlos Cordeiro, minimizou a declaração, afirmando que governos passam, mas o futebol permanece. A previsão se confirmou apenas em parte: Trump deixou a presidência em 2021, mas retornou antes do Mundial. Já de volta à Casa Branca, aproximou-se do presidente da Fifa, Gianni Infantino, participou de eventos ligados ao torneio e recebeu o Prêmio da Paz da entidade. O Mundial, porém, ocorreu em meio à escalada da política externa americana, incluindo a guerra contra o Irã e novos bombardeios durante a competição. A seleção iraniana reclamou de dificuldades para entrar nos Estados Unidos antes das partidas e acabou eliminada na fase de grupos.

Embora acompanhasse o torneio, Trump priorizou outros compromissos, comparecendo a eventos esportivos e evitando assistir aos jogos nos estádios até a reta final. O episódio mais polêmico envolveu o atacante Folarin Balogun. Suspenso após expulsão, ele foi liberado para jogar depois que Trump admitiu ter pedido a revisão do caso a Infantino. A Fifa negou interferência política e afirmou que a decisão foi tomada por um comitê independente. Após a eliminação dos EUA para a Bélgica, o governo criticou a arbitragem de Raphael Claus e citou seu depoimento na CPI da Manipulação de Jogos. O árbitro, porém, nunca foi investigado. A Casa Branca afirmou que Trump considera a defesa do "fair play" importante tanto no esporte quanto na política.

CIDADES BRASILEIRAS ENTRE AS MAIS VIOLENTAS DO MUNDO


Conflitos entre facções pelo controle de rotas do tráfico e de mercados ilícitos seguem impulsionando homicídios e desaparecimentos na América Latina e no Caribe. Das 50 cidades mais violentas do mundo, 41 estão na região. Em 2025, Porto Príncipe, no Haiti, registrou a maior taxa de homicídios do planeta, com cerca de 198 mortes por 100 mil habitantes, segundo o Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. Entre as 20 cidades mais violentas, a maioria está no Equador e no México. O Brasil aparece com seis municípios: Fortaleza, Feira de Santana, Recife, Maceió, Salvador e Porto Velho. Especialistas apontam que a disputa por rotas da cocaína, a fragmentação de grupos criminosos e a expansão de atividades ilegais, como extorsão, mineração ilegal, agiotagem e roubo de combustível, alimentam a violência. Segundo a pesquisadora Juliana Manjarrés, da InSight Crime, a prisão ou morte de líderes criminosos costuma provocar disputas entre facções pelo controle territorial. Ela avalia que medidas como militarização e estados de exceção têm resultados limitados ou até contraproducentes.

Elizabeth Dickinson, do International Crisis Group, afirma que o narcotráfico funciona em redes transnacionais, ampliando a participação de grupos locais e fortalecendo o crime organizado. O avanço da violência também se reflete no aumento dos desaparecimentos, dificultando medir o número real de homicídios. No Índice de Segurança da Numbeo de 2026, Florianópolis, Brasília e Belo Horizonte figuram entre as cidades mais seguras da região. Para Dickinson, é necessário combater as causas da violência, como desigualdade e falta de oportunidades para os jovens. Apesar do cenário preocupante, Manjarrés afirma que os homicídios mostram tendência de queda em parte da América Latina, embora persistam desafios na qualidade dos dados. 

REDE MUNICIPAL OFERECE EDUCAÇÃO FINANCEIRA


Monte Horebe (PB) transformou a educação em eixo central das políticas públicas e colhe resultados positivos. Um exemplo é Maria Valentina Barbosa, de 10 anos, que aprendeu educação financeira na escola e passou a economizar, controlar gastos e confeccionar porta-retratos para aumentar sua renda. O novo hábito influenciou toda a família, inclusive a mãe, agricultora, que agora reserva parte do que ganha. Desde 2021, a rede municipal oferece educação financeira em parceria com o Instituto Brasil Solidário (IBS), utilizando jogos para ensinar consumo consciente, empreendedorismo e planejamento financeiro desde a creche. Até 2017, o município enfrentava problemas de corrupção, abandono dos serviços públicos e falta de investimentos. Com a nova gestão, a educação passou a orientar todas as ações do governo. Monte Horebe ingressou na Associação Internacional de Cidades Educadoras e implantou o Orçamento Democrático Municipal, permitindo que moradores decidam prioridades para suas comunidades. A participação popular resultou em reformas de escolas, construção de ginásios, ampliação do abastecimento de água, pavimentação de ruas, novos postos de saúde, ônibus escolares e uma base do Samu.

O ensino financeiro também mudou a vida de professores e estudantes. Muitos passaram a organizar melhor suas finanças, reduzir dívidas e criar pequenos negócios, como a venda de flores artesanais. Os resultados aparecem nos indicadores: o Ideb subiu de 5,0 para 5,6 entre 2017 e 2021, e o município alcançou 93% de alfabetização na idade certa em 2024. Monte Horebe também recebeu o Selo Unicef e destina 41% do orçamento à educação. Além do ensino, a cidade investe em cultura, esportes e participação juvenil, formando uma orquestra, promovendo festivais e incentivando adolescentes a atuar nas decisões públicas por meio do Núcleo de Cidadania de Adolescentes. Hoje, Monte Horebe é reconhecida como exemplo de transformação social baseada na educação e na participação da comunidade.

 

ROBÔS AUTÔNOMOS EM SÃO PAULO


As novas tecnologias têm transformado a mobilidade urbana, tornando trens e metrôs mais eficientes, seguros e confortáveis. Sistemas inteligentes monitoram o fluxo de passageiros, controlam a operação em tempo real e auxiliam em tarefas como limpeza, consumo de água e energia e contratação de funcionários. A novidade mais recente é o uso de robôs autônomos de limpeza em três estações da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo. A iniciativa da ViaMobilidade começou nas estações Capão Redondo, Campo Limpo e Santa Cruz. Segundo a concessionária, o tempo de limpeza das plataformas caiu de três horas e meia para 40 minutos. O consumo de água foi reduzido de 980 para apenas 15 litros por operação, economia de 98,47%. Desde junho, dois robôs equipados com inteligência artificial e sistemas de navegação atuam fora do horário comercial. A expectativa é expandir o uso para outras estações até o fim do ano.

A CPTM também utiliza tecnologia. Em 2025, testou um robô para orientar passageiros na Linha 7-Rubi e no Expresso Aeroporto. Durante a pandemia, outro equipamento foi empregado na descontaminação dos vagões. A MRS Logística adotou inteligência artificial no recrutamento e seleção de funcionários. A tecnologia automatiza a leitura e triagem de currículos, reduzindo em 60% o tempo do processo. Já a Vale investiu R$ 250 milhões para implantar conexão 4G na Estrada de Ferro Carajás, ampliando a cobertura e permitindo o funcionamento contínuo de sistemas baseados em IA. Executivos do setor avaliam que a inteligência artificial é um caminho sem volta, por aumentar a eficiência operacional, reduzir custos, otimizar a manutenção e melhorar os resultados financeiros das empresas ferroviárias. 

STJ: 71.756 PROCESSOS PARA JULGAMENTO


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) alcançou, em junho, a marca de 204.322 minutas de decisões e votos elaboradas com o auxílio de magistrados convocados temporariamente para atuar nos gabinetes da corte. A iniciativa, criada pela Presidência do STJ, busca reduzir o acervo de processos pendentes de primeiro julgamento. O programa começou na Terceira Seção (direito penal), em outubro de 2024, foi ampliado para a Segunda Seção (direito privado), em agosto de 2025, e para a Primeira Seção (direito público), em dezembro do mesmo ano. Atualmente, 208 juízes participam do projeto: 50 na Terceira Seção, 114 na Segunda e 44 na Primeira. As minutas produzidas somam 115.396 na Terceira Seção, 69.030 na Segunda e 19.896 na Primeira.

Antes da iniciativa, o STJ acumulava 140.723 processos pendentes de primeiro julgamento. O número caiu para 71.756, redução de 49%, com 68.967 processos retirados da fila. A maior queda foi registrada na Terceira Seção, com redução de 61,3% do acervo. Na Segunda Seção, a diminuição foi de 46,1%, e na Primeira, de 31,7%. Os magistrados são selecionados por critérios de produtividade, capacitação e representatividade regional. Eles atuam no STJ sem deixar suas funções nos tribunais de origem, preservando a prestação jurisdicional em todo o país. 

ADVOGADO É AGREDIDO E PRESO POR POLICIAIS


O advogado Marco Antônio de Souza, de 46 anos, afirmou ter sido agredido por policiais militares durante uma ocorrência em Ribeirão Preto (SP) e disse que sua carteira digital da OAB foi recusada. 
Segundo ele, um tenente exigiu a carteira física e alegou que o documento exibido no celular teria sido criado por inteligência artificial. Marco Antônio afirmou que a identificação digital é válida e reconhecida pela OAB. Após a ocorrência, tentou fazer exame de corpo de delito, mas foi informado de que o IML estava lotado. Ele procurou um hospital particular, onde realizou radiografias para anexar ao processo. O caso ocorreu na noite de quinta-feira (9), durante uma abordagem policial a um cliente do advogado. Ele afirma que se apresentou como advogado antes da agressão. 

No boletim de ocorrência, a PM informou que Marco Antônio desacatou a equipe e foi preso. Os policiais alegam que ele só se identificou como advogado após ser algemado. Também afirmam que as lesões foram causadas por uma queda. O advogado diz que foi imobilizado no chão, com o rosto sobre poças de sangue, enquanto exercia sua profissão. A Polícia Militar informou que abrirá investigação para apurar a conduta dos agentes. Marco Antônio foi liberado na madrugada de sexta-feira (10). A ocorrência foi registrada por desacato, resistência e lesão corporal decorrente de intervenção policial. Os policiais usavam câmeras corporais, mas as imagens ainda não foram divulgadas. A OAB informou que cobrará a análise das gravações para esclarecer os fatos. Se as agressões forem confirmadas, os policiais poderão responder nas esferas criminal e administrativa.

 

CNJ AFASTA DESEMBARGADORA


A desembargadora do TRT-17, Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, foi afastada cautelarmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após declarações contra juízes de primeira instância e a OAB-ES durante sessão do tribunal. 
A decisão foi assinada pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques. Segundo ele, a magistrada usou tom de deboche e excesso verbal incompatíveis com o cargo. Na sessão, Marise afirmou que "o primeiro grau não produz nada" e criticou a atuação da OAB-ES. A Ordem havia pedido o adiamento da votação sobre a reestruturação administrativa do TRT-17. Após as declarações, a presidente da OAB-ES, Erica Neves, classificou a fala como um "destempero". A desembargadora reagiu acusando a dirigente da Ordem de misoginia. A OAB-ES acionou o CNJ, que instaurou Reclamação Disciplinar.

Campbell afirmou que urbanidade e respeito são deveres obrigatórios da magistratura. Marise foi afastada da vice-presidência e proibida de exercer atividades no tribunal. Também está impedida de acessar o prédio do TRT-17 e deve devolver suas credenciais. Apesar da medida, continuará recebendo remuneração durante o afastamento. A investigação poderá resultar na abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O corregedor apontou repetição de comportamento hostil e incompatível com a função. Segundo o CNJ, a conduta pode violar a Lei Orgânica da Magistratura e o Código de Ética. Marise Chamberlain já responde a outro PAD no CNJ. Esse processo apura mensagens em grupo de WhatsApp com críticas a magistrados e ministros do STF. Por causa dessa investigação, ela já estava impedida de exercer funções administrativas e de disputar a presidência do TRT-17. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 12/06/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Forasteiros? Domicílio eleitoral vira arma na pré-campanha

As críticas a candidaturas por falta de enraizamento local provoca embates entre adversários. Especialistas explicam que a lei exige apenas o vínculo com a região

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com venda de carne para China ‘travada’, frigoríficos freiam produção ou dão férias coletivas

Movimento pode aumentar oferta dessa proteína no mercado doméstico e levar à queda de preço

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Irã volta a fechar estreito de Hormuz, e EUA fazem nova rodada de ataques

Passagem ficará bloqueada por tempo indeterminado, segundo anúncio; dois navios foram atacados, diz imprensa estatal Secretário de Defesa dos EUA afirma que Teerã 'pagará' pela medida

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Nordeste concentrou quase 1,1 milhão de empresas inadimplentes em maio

Região somou cerca de R$ 19,4 bilhões em dívidas negativadas; Bahia liderou em número de CNPJs no vermelho

CORREIO DO POVO -  PORTO ALEGRE/RS

Argentina vence a Suíça na prorrogação e vai à semifinal da Copa

Time de Scaloni fez 3 a 1 em Kansas City

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

EUA lançaram nova ronda de ataques contra alvos iranianos. Operação já foi dada como terminada 

Comando Central dos EUA justificou ofensiva com novos ataques do Irão a navios no Estreito de Ormuz. Guarda da Revolução Islâmica anuncia encerramento do estreito "até nova ordem".

sábado, 11 de julho de 2026

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Thomas L. Friedman

Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades

SALVAR ARTIGOS

Thomas L. Friedman

Trump está passando os EUA para trás

  • Presidente vem explorando posição para ganho financeiro e lesa apoiadores com criptomoedas
  • Caso vençam as midterms, democratas devem fazer da união nacional uma prioridade

 


THE NEW YORK TIMES

Quando o sol brilhava, e eu passeava
E os campos de trigo ondulavam, e as nuvens de poeira rolavam
Enquanto a neblina se dissipava, uma voz cantava:
Esta terra foi feita para você e para mim.

Woody Guthrie, em "This Land Is Your Land"

Nosso país é construído sobre documentos escritos —a Declaração de Independência, a Constituição e a Carta de Direitos, para citar os mais importantes. Então, para celebrar o 250º aniversário dos Estados Unidos, minha esposa, Ann, organizou um evento especial no Planet Word, o museu imersivo de linguagem que ela fundou em Washington para promover a alfabetização.

Homem de terno azul escuro e gravata azul está parado entre colunas brancas altas, com arbustos verdes ao redor. Ele olha para frente com expressão neutra.
O presidente dos EUA, Donald Trump, chega para um evento no Jardim das Rosas da Casa Branca -  Mandel Ngan - 6.jul.26/AFP

O cantor e compositor Nolan Williams Jr. puxou um coro junto com clássicas canções americanas, incluindo, é claro, "This Land Is Your Land", de Woody Guthrie. Apesar do calor de quase 38°C, uma multidão notavelmente diversa de 300 pessoas lotou o salão principal do museu, e jovens e idosos cantaram juntos com entusiasmo.

Havia tanta alegria e camaradagem no ambiente —e tantos participantes saindo e dizendo uns aos outros o quanto gostariam que o país inteiro pudesse refletir essa mesma harmonia todos os dias. Tantas pessoas perguntaram depois: "Por que não estamos cantando essas músicas juntos no National Mall?"

O que me leva —lamento dizer— a uma variação bem diferente de "This Land Is Your Land" ouvida no National Mall mais tarde naquela noite. Na minha cabeça, era a versão Trump, com letras que diziam: "Esta terra é minha terra, esta terra é minha terra / Da Califórnia à ilha de Nova York / Da minha criptomoeda ao 747 do Qatar / Esta terra pertence a mim e aos meus".

Uma coisa sobre o presidente Donald Trump: ele é consistente. Ele nunca te surpreende positivamente. Ele nunca esteve remotamente interessado em ser o presidente de todo o povo, apenas de sua base. Ele nunca tenta vencer somando, apenas dividindo —apenas por nós contra eles.

Como meu colega de redação Shawn McCreesh relatou do Mall: "Trump usou o aniversário da nação para espalhar medo sobre os democratas quatro meses antes das eleições de meio de mandato (ele falou muito novamente sobre 'comunismo') e exigir que o Congresso aprovasse uma lei que dificultaria o voto".

Shawn continuou: "O que deveria ser a peça central da celebração do 250º aniversário da nação foi, de certa forma, apenas mais um comício de Trump".

Neste mesmo 4 de Julho, dois outros colegas de redação, Eric Lipton e David Yaffe-Bellany, relataram que quase "1 milhão de pessoas que compraram a memecoin do presidente Trump perderam dinheiro até o final de junho, de acordo com um relatório da empresa de análise de criptomoedas Nansen. Suas perdas totalizam US$ 3,81 bilhões".

Meus colegas apontaram que o cálculo veio depois que Trump assinou uma declaração financeira revelando que a mesma aposta em cripto lhe rendeu um pagamento de US$ 636 milhões. No total, seus empreendimentos comerciais lhe renderam pelo menos US$ 2,2 bilhões em 2025.

Esta é uma grande história, e meu instinto me diz que Trump também sente que isso pode ser uma grande história: de como ele passou para trás seus próprios apoiadores!

Desde o início do segundo mandato de Trump, tem sido amplamente noticiado que ele vem explorando a Presidência para ganho financeiro, mas a história precisava de um número real e vítimas reais. Agora tem ambos —US$ 2,2 bilhões em ganhos totais para Trump e pelo menos US$ 3,81 bilhões em perdas para seus investidores.

Isso é um slogan de campanha. Trump sabidamente se gabou de que poderia atirar em alguém no meio da Quinta Avenida e seus apoiadores ainda estariam com ele. Eles também continuarão com ele quando ele os lesar?

E, não tenha dúvida, ele estava mirando neles, como o New York Times também relatou: "Três dias antes de sua posse, Trump revelou um segundo investimento da marca Trump —a memecoin $Trump, um tipo de moeda comemorativa com pouco valor prático. 'É hora de celebrar tudo o que defendemos: VENCER!', Trump escreveu nas redes sociais. 'Junte-se à minha comunidade Trump muito especial. PEGUE SEU $TRUMP AGORA!' Mas isso acabou sendo um mau conselho".

Trump certamente está apavorado com a possibilidade de os democratas ganharem a Câmara ou o Senado ou ambos e lançarem investigações sobre o quanto ele usou seu cargo, e explorou seus próprios apoiadores, para ganho pessoal grotesco.

Portanto, na minha opinião, os temas certos para os democratas nas midterms são dois: se vencerem, vão expor o quanto Trump tem lesado seus próprios apoiadores; e se vencerem, farão da união do país uma prioridade.

Acredito que a busca pela unidade nacional é a força política mais subestimada no país hoje. Não é por acaso que a CNN relatou no mês passado que "quase metade dos americanos dizem que não se consideram parte de nenhum dos dois principais partidos políticos, o maior nível de independência partidária medido pelas pesquisas da CNN em mais de uma década".

Tenho certeza de que isso é verdade porque ouvi o melhor analista político que conheço fazer a mesma observação. Seu nome é Barack Obama. O que me leva a uma terceira variação de "This Land Is Your Land". Foi o discurso de Obama na cerimônia de inauguração de seu Centro Presidencial em Chicago, à qual compareci. Minha passagem favorita de Obama foi esta:

"À medida que os algoritmos continuam nos alimentando com um fluxo constante de distração e indignação, à medida que apenas as vozes mais altas e mais extremas recebem atenção, alimentando nossos preconceitos, apelando para nossos instintos mais básicos e tribais, é tentador ceder ao cinismo e até ao desespero, parar de tentar", disse o ex-presidente.

"Começamos a pensar que apelos à democracia e à participação cívica são bregas, antiquados, chatos e ingênuos, que a própria ideia de trabalhar em prol do bem comum é uma aposta de otário, e que para ganharmos, alguém tem que perder", continuou.

"Eu entendo. Não sou imune à raiva ou à dúvida, mas sei disso: quando perdemos a fé uns nos outros, quando paramos de acreditar que votar importa, que a cidadania importa, que nossas vozes coletivas importam, que como tratamos uns aos outros não importa mais, e entregamos nosso poder de decidir nossos próprios futuros, abrimos a porta para os mais implacáveis, ou os mais descuidados, ou os mais temerosos entre nós, que veem alguns grupos e algumas pessoas como mais iguais que outros, e veem o governo como nada mais do que uma forma de dividir os despojos e punir inimigos e manter aqueles que são diferentes em seu lugar."

O fato é, porém, como Obama disse, "não acredito que essa seja a história da América que prevalece no final. (… ) Continuo convencido de que a esmagadora maioria dos americanos não está procurando raiva e divisão perpétuas. Eles estão procurando justiça e bom senso e respeito mútuo, que no fundo de nosso ser queremos encontrar uma maneira de nos voltarmos uns para os outros novamente, não mais para longe".

Então, democratas, vocês têm sua missão. É não deixar Trump atraí-los para uma raiva cega e ideias extremistas. Ele se alimenta disso. Apenas foquem em quanto ele tem lesado todos nós enquanto nos divide. E em quanto os democratas pretendem unir o país inteiro.

Porque esta terra foi feita para você, e para mim.