Uma perseguição sobre o telhado do aeroporto de Guarulhos terminou com a prisão de um funcionário e a apreensão de 33 quilos de cocaína. O caso revela como organizações criminosas utilizam empregados com acesso a áreas restritas para transportar drogas. Segundo a Polícia Federal, trabalhadores de diferentes setores são recrutados para facilitar o envio dos entorpecentes aos aviões. Entre os envolvidos estão funcionários da limpeza, auxiliares de transporte e outros profissionais. Em um dos flagrantes, o suspeito tentou esconder-se no telhado do terminal, levando uma mala com cocaína. A investigação aponta que a droga chega às aeronaves por caminhos que não são percebidos pelos passageiros. Em outro caso, um funcionário colocou malas em um contêiner destinado a Lisboa e fotografou a carga antes de ser abordado. Os policiais interceptaram a bagagem e encontraram cocaína em seu interior. A Polícia Federal também identificou uma modalidade conhecida como tráfico reverso, com drogas enviadas da Ásia, Europa e América do Norte para o Brasil. A brasileira Gabriele Amador Silva foi envolvida involuntariamente nesse esquema durante uma viagem de lazer aos Estados Unidos e ao Canadá. Sua mala foi extraviada em um voo e devolvida 18 dias depois, no aeroporto de Toronto. Ao retornar ao Brasil, Gabriele recebeu uma intimação policial e descobriu que uma bagagem com drogas havia sido enviada em seu nome. A jovem afirmou desconhecer completamente o transporte dos entorpecentes. A PF encontrou duas malas abandonadas na esteira de Guarulhos, cada uma contendo 25 quilos de haxixe.
O método de troca de etiquetas lembra o caso de março de 2023, quando duas brasileiras ficaram presas por 38 dias na Alemanha. Na ocasião, etiquetas delas foram transferidas para malas com 40 quilos de cocaína. Posteriormente, as brasileiras tiveram a inocência reconhecida e receberam indenização do governo alemão. Em 2026, Guarulhos já registrou quase cinco toneladas de drogas apreendidas, o maior volume de sua história. No mesmo período, 274 pessoas foram presas por tráfico, incluindo funcionários com acesso a áreas restritas. A Polícia Federal pretende identificar também os responsáveis pela coordenação internacional das operações criminosas. O delegado Ivo Silva ressaltou que a repressão precisa ser acompanhada de medidas preventivas. A defesa do funcionário preso no telhado negou seu envolvimento com o tráfico e afirmou que a mala não estava sob sua posse durante a abordagem. Os advogados dos demais acusados não se manifestaram. A Agência Nacional de Aviação Civil informou que estuda investimentos para reforçar a segurança do aeroporto. A concessionária GRU Airport declarou que oferece estrutura de vigilância e trabalha para aperfeiçoá-la em conjunto com os órgãos de segurança pública.


