O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reintegrou nesta quarta-feira (9) ao comando da Polícia Federal o diretor-geral Andrei Rodrigues e o chefe de Inteligência, Leandro Almada. Os dois haviam sido afastados por decisão do ministro André Mendonça na terça-feira (8). Dino determinou que sua decisão seja submetida exclusivamente ao plenário do STF, atualmente formado por dez ministros. A medida atende a um pedido de Andrei Rodrigues em investigação sobre suspeitas de irregularidades envolvendo emendas relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Segundo Dino, a reintegração permanecerá válida até o cumprimento integral das medidas determinadas por ele pela Polícia Federal. O ministro criticou duramente a decisão de Mendonça, questionando se uma autoridade pode atuar como julgadora de uma situação que a envolve diretamente. Dino afirmou que o afastamento criou uma situação inédita ao interromper a produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal. Para ele, a medida prejudicou procedimentos urgentes sob sua relatoria no Supremo e reconheceu que Mendonça poderia defender seus direitos diante de eventuais questionamentos envolvendo a Polícia Federal. No entanto, afirmou que isso não poderia servir de fundamento para uma decisão que paralisasse investigações e trabalhos da corporação.
Mendonça havia justificado os afastamentos com base em um relatório interno da PF utilizado por Alexandre de Moraes. O documento teria sido citado por Moraes ao pedir investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O caso envolve a condução de investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. A decisão de Mendonça aprofundou a crise institucional e aumentou a tensão entre ministros do STF e o episódio também colocou o governo Lula sob maior pressão diante do conflito na cúpula do Judiciário. Andrei Rodrigues é considerado próximo do presidente Lula e foi coordenador de sua segurança durante a campanha eleitoral de 2022. A Advocacia-Geral da União (AGU) havia recorrido, em caráter de urgência, contra o afastamento dos dois dirigentes. O órgão pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspensão da decisão de Mendonça, alegando que a medida provocava grave lesão à ordem pública e administrativa. Fachin deu prazo de 72 horas para Mendonça se manifestar sobre o pedido. Dino também mencionou um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, ocorrido em março de 2025. Mendonça afirmou, na época, que a reunião tratou de uma ação envolvendo créditos de precatórios de interesse do Banco Master. O ministro declarou ainda que sua decisão naquele processo contrariou os interesses de Vorcaro. Na decisão desta quarta, Dino afirmou que Andrei apenas cumpriu determinações judiciais emitidas por Alexandre de Moraes. Para Dino, portanto, não seria adequado afastar um agente público que apenas executou uma determinação judicial. A decisão aumenta a expectativa sobre uma possível análise do caso pelo plenário do Supremo e mantém elevada a tensão institucional na Corte.