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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

TRUMP NÃO CONSEGUIU ENCERRAR A GUERRA CONTRA O IRÃ


A guerra lançada por Donald Trump contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), sem perspectiva clara de encerramento. O conflito já contribuiu para transformar profundamente o Oriente Médio. 
Trump adotou uma estratégia contraditória: promete reduzir o envolvimento dos EUA na região, mas recorre ao intervencionismo para impor seus objetivos. A escalada contra o Irã também foi influenciada pela atuação do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. Israel buscava enfraquecer definitivamente a teocracia iraniana após os confrontos com aliados regionais do país. Apesar dos ataques, porém, o regime iraniano permaneceu no poder. As capacidades militares ofensivas do Irã foram reduzidas, mas o país continuou retaliando aliados americanos na região. Teerã também mantém influência sobre o estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial. A instabilidade afetou os mercados e contribuiu para uma alta superior a 20% do petróleo Brent no ano. O programa nuclear iraniano continua sendo uma incógnita. Sem inspeções e sem informações sobre o destino de 411 kg de urânio enriquecido, a possibilidade de uma bomba atômica permanece. Trump alternou ameaças, ultimatos e tréguas, o que afetou a credibilidade militar dos EUA. Problemas em dois porta-aviões e estoques reduzidos de mísseis também limitaram novas ofensivas. Após o fracasso da pressão militar, Washington ampliou as sanções e passou a ameaçar países que ajudam economicamente Teerã, especialmente a China.

Internamente, o Irã enfrenta forte crise econômica. A inflação anual chegou a 66% em julho, enquanto os preços dos alimentos subiram 128%. Embora o regime tenha sobrevivido, novos protestos podem surgir. A Guarda Revolucionária reforçou o comando da milícia Basij, conhecida pela repressão violenta a manifestações. O conflito também alterou o equilíbrio regional. O Irã perdeu influência com o enfraquecimento de seus aliados, enquanto Israel emergiu mais poderoso. Turquia, Arábia Saudita e Paquistão firmaram um pacto militar, refletindo novas alianças e desconfianças sobre a capacidade dos EUA de proteger seus parceiros. A destruição de Gaza e a política israelense na Cisjordânia dificultam uma acomodação entre os países. A Turquia aparece como principal rival estratégico de Israel, enquanto a Síria pode aproximar-se de Ancara.A possível adesão de países do Golfo e do Egito torna o cenário ainda mais complexo. Assim, a guerra de Trump contra o Irã permanece inconclusa e pode tornar-se um conflito crônico, enquanto as forças geopolíticas do Oriente Médio continuam se reorganizando. 

JUÍZA CLASSIFICA DE ILEGAL ATUAÇÃO DE TRUMP NO CASO DA ANTHROPIC


Uma juíza federal dos Estados Unidos decidiu, ontem, 27, que o governo Donald Trump agiu ilegalmente ao classificar a Anthropic como risco à segurança e impedir a empresa de inteligência artificial de trabalhar com órgãos federais. 
A decisão foi tomada pela juíza Rita Lin, do Tribunal Distrital do Norte da Califórnia. Segundo ela, o governo retaliou a Anthropic por manifestações protegidas pela Constituição sobre o uso de sua tecnologia. Lin afirmou que a justificativa de segurança nacional não pode ser usada para punir empresas que criticam o governo. Em março, o Pentágono classificou a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos e proibiu órgãos governamentais de utilizar seus modelos de IA. A empresa comemorou a decisão e disse continuar disposta a trabalhar com o governo para desenvolver aplicações de inteligência artificial voltadas à segurança nacional. O governo Trump ainda poderá recorrer. A decisão encerra uma das duas ações judiciais apresentadas pela Anthropic em março contra as medidas do Pentágono. O conflito começou após divergências sobre um contrato de US$ 200 milhões para fornecer tecnologia de IA ao Departamento de Defesa. A Anthropic estabeleceu limites para o uso de seus sistemas, recusando aplicações relacionadas à vigilância em massa de americanos e a armas letais autônomas. O Pentágono, por sua vez, afirmou que uma empresa privada não poderia determinar políticas para o governo americano. Após o fracasso das negociações, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos.

A medida, aplicada anteriormente a empresas estrangeiras consideradas ameaças, impedia fornecedores das Forças Armadas de fazer negócios com a startup. Na Justiça, a Anthropic argumentou que a classificação não se aplicava a empresas americanas e violava seus direitos previstos na Primeira Emenda. Antes da decisão, Lin havia considerado preocupante a alegação de que as críticas da empresa justificariam sua exclusão de contratos federais. A juíza também disse não ter encontrado provas de que a Anthropic pudesse desativar ou alterar seus modelos durante uma guerra. Na decisão final, Lin afirmou que o governo recuou de várias acusações contra a empresa. Para ela, a medida teve como objetivo transformar a Anthropic em exemplo público por sua suposta “arrogância” ao criticar o governo. A magistrada também citou negociações recentes sobre o modelo de IA Mythos como evidência de que a empresa não representava uma ameaça nacional. O caso ocorre enquanto a Anthropic se prepara para uma possível oferta pública inicial de ações (IPO), que pode se tornar uma das maiores da história. 

UCRÂNIA ATINGE BOMBARDEIO ESTRATÉGICO NA RÚSSIA


O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou nesta sexta-feira (28) que forças ucranianas atingiram um bombardeiro estratégico Tu-95MS em uma base russa. Se confirmado, será o 12º avião desse modelo perdido pela Rússia desde o início da guerra, o equivalente a 20% da frota existente antes da invasão, em 2022. Até agora, foram divulgadas imagens de um grande incêndio na base aérea de Engels-2, localizada a cerca de 800 km da fronteira ucraniana. A Rússia ainda não comentou o ataque. Uma imagem de satélite que circulou nas redes mostra possíveis danos a um Tu-95, mas sua procedência é incerta. A base abriga parte dos Tu-95 e todos os 14 bombardeiros supersônicos Tu-160 da Rússia, além de instalações com mísseis de cruzeiro. Segundo Zelenski, o ataque foi realizado pela Equipe Alfa, do Serviço de Segurança da Ucrânia, especializada em operações com drones de longo alcance. A unidade participou da Operação Teia de Aranha, no ano passado, que atingiu pelo menos oito Tu-95 e outros aviões russos em cinco bases. O Tu-95 é um dos principais vetores russos para lançamento de mísseis de cruzeiro contra a Ucrânia. No mesmo dia, forças russas realizaram nova onda de ataques contra Kiev, Kharkiv e outras regiões ucranianas. Segundo a prefeitura de Kiev, ao menos uma pessoa morreu. Foram atingidos 14 depósitos, 16 casas e três prédios residenciais. A Rússia realizou 38 ataques em 24 horas, segundo autoridades ucranianas.

A ofensiva ocorre em meio à escassez de mísseis para os sistemas de defesa Patriot, fornecidos pelos Estados Unidos. Os equipamentos são especialmente importantes para interceptar mísseis balísticos, considerados mais rápidos e difíceis de derrubar. A intensificação dos combates provocou, em julho, o maior número de mortes de civis desde o início da guerra, exceto no primeiro mês da invasão. A Ucrânia também ampliou ataques contra alvos estratégicos dentro da Rússia. Nesta sexta, Kiev atingiu uma unidade de refino em Iaroslav, a quase 1.000 km do território ucraniano. Os ataques têm provocado problemas no abastecimento de combustíveis e aumento das filas em postos russos. O Kremlin também elevou a tensão com o Reino Unido, ameaçando atingir fábricas militares britânicas caso Londres permita a produção de mísseis na Ucrânia. A crise se soma às tensões no Báltico, onde países da região temem uma ação russa mais agressiva. O chefe da espionagem americana, John Ratcliffe, esteve em Moscou para conversar com seu homólogo russo, Serguei Narichkin. A visita buscou reduzir a escalada de tensões entre Rússia, Estados Unidos e aliados europeus. O presidente americano, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (27) não estar preocupado com a possibilidade de Putin atacar algum país da Otan. 

"IA" NA ESCOLHA DE VEÍCULOS


A inteligência artificial (IA) já desperta interesse dos consumidores brasileiros na escolha de veículos, mas a confiança na tecnologia ainda é limitada quando se trata de direção autônoma.
Pesquisa da Webmotors Autoinsights, realizada em agosto com 1,6 mil brasileiros, mostra que 51% têm interesse em carros com recursos de IA. Desse total, 22% se dizem muito interessados e 29%, interessados. Apesar disso, apenas 12% confiam na tecnologia para conduzir o veículo de forma totalmente autônoma, sem motorista. Os dados indicam que o consumidor vê a IA mais como ferramenta de apoio do que como substituta do condutor. Cerca de 60% confiariam na tecnologia para tarefas como sugestões de rotas e ajustes de conforto. Outros 37% aceitariam seu uso em sistemas de segurança, como frenagem automática e alertas de colisão. Entre as aplicações mais valorizadas estão os recursos de proteção e manutenção. Alertas de segurança para evitar acidentes foram citados por 45% dos entrevistados. O diagnóstico preventivo de problemas mecânicos aparece em seguida, com 44% das menções. As sugestões inteligentes de rotas foram apontadas por 34%. Já a direção autônoma foi considerada relevante por apenas 10% dos participantes.

O levantamento mostra ainda que o conhecimento sobre IA está relativamente disseminado entre os consumidores. Mais da metade, 54%, afirma entender bem ou já utilizar ferramentas de inteligência artificial. Outros 30% dizem saber do que se trata, enquanto apenas 8% nunca ouviram falar da tecnologia. Apesar do interesse, o preço continua sendo uma barreira para a adoção desses recursos. Segundo a pesquisa, 57% não estariam dispostos a pagar nenhum valor adicional por tecnologias de IA no veículo. Entre os que aceitariam pagar mais, 20% desembolsariam até 5% a mais pelo carro. Para Eduardo Jurcevic, CEO da Webmotors, o valor da IA está principalmente na segurança e na praticidade. A pesquisa sugere que os consumidores ainda não estão convencidos da necessidade de veículos totalmente autônomos. A tendência é que a inteligência artificial seja vista como um atributo cada vez mais esperado nos carros do futuro, e não como um item pelo qual o público queira pagar separadamente. 

"PLATAFORMAS DIGITAIS EM AÇÃO"


A Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (EJE/TSE), 
com apoio do Conselho Federal da OAB (CFOAB), lança na terça-feira (1º/9) a ferramenta “Plataformas Digitais em Ação”. O recurso reúne orientações, políticas e termos de uso de grandes empresas de tecnologia aplicáveis às eleições, além de informações para o enfrentamento à desinformação. O lançamento ocorrerá das 10h às 17h, no Auditório 1 do TSE, com a presença do presidente em exercício da OAB Nacional, Délio Lins e Silva Júnior, e do procurador especial de Direito Eleitoral do CFOAB, Sidney Sá das Neves. A iniciativa busca aproximar as Comissões de Direito Eleitoral das seccionais da OAB das diretrizes adotadas pelas plataformas digitais durante o período eleitoral. Presidentes das comissões de todo o país poderão acompanhar as discussões sobre o combate à desinformação e indicar representantes para participar do evento. As inscrições, por formulário disponibilizado pelo TSE, terminam na segunda-feira (31/8). A plataforma reúne conteúdos produzidos por Meta, Google, Kwai, LinkedIn, Telegram e TikTok sobre remoção de conteúdos, políticas de uso e regras aplicáveis aos sistemas eleitorais.

Também estão disponíveis informações sobre termos de uso e canais de denúncia, além de  conteúdos institucionais destinados a autoridades. O material inclui ainda diretrizes de transparência relacionadas às redes sociais e ao uso de inteligência artificial no contexto eleitoral. Os conteúdos serão disponibilizados no TSE Facilita, iniciativa hospedada na plataforma de educação a distância da EJE/TSE. O espaço apresenta, em linguagem direta e prática, informações sobre etapas e procedimentos do período eleitoral, com destaque para medidas contra a desinformação. A iniciativa é desenvolvida em articulação com a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED/TSE) e a Secretaria Judiciária (SECJUD) do Tribunal. 

JUDICIÁRIO E MINISTÉRIO PÚBLICO SÃO ALVOS DOS SUPERSALÁRIOS E PENDURICALHOS


O Judiciário e o Ministério Público são os principais alvos do debate sobre supersalários e penduricalhos nas redes sociais. 
A conclusão é de pesquisa da Redes Cordiais e da República.org, que analisou mais de 11,2 mil publicações. Foram examinados conteúdos do Instagram, YouTube e TikTok. Segundo o levantamento, referências ao STF, à magistratura e ao Ministério Público aparecem em 30% a 52% das publicações do Instagram. Em 2026, esse índice chega a 75%. No YouTube, o STF está presente em 38% dos vídeos analisados. O Congresso Nacional aparece em 25%, sendo o segundo principal alvo institucional. O contexto financeiro ajuda a explicar a repercussão do tema. Outra pesquisa da República.org apontou cerca de R$ 20 bilhões em remunerações acima do teto do serviço público. Os dados consideraram o período entre agosto de 2024 e julho de 2025. Desse total, R$ 11,5 bilhões estão concentrados na magistratura. Outros R$ 3,2 bilhões correspondem ao Ministério Público. Pesquisa Genial/Quaest, de março, mostrou que 44% dos eleitores defendem a suspensão dos penduricalhos. Apesar disso, nenhum candidato à Presidência assumiu a proposta de acabar com esses benefícios. No STF, o plenário estabeleceu limite de até 35% para pagamentos acima do teto do funcionalismo. O teto atual é de R$ 46,3 mil, permitindo remunerações de até R$ 62,2 mil.

A pesquisa identificou duas ondas de mobilização nas redes sociais. A primeira começou em 2021, associada à Reforma Administrativa e ao termo “supersalário”. Naquele ano, “supersalário” apareceu em 646 posts do Instagram, contra 338 de “penduricalho”. Em 2026, foram 272 ocorrências de “supersalário” e 898 de “penduricalho”. A segunda onda ganhou força no fim de 2025 e predominou em 2026. A linguagem também varia conforme o grupo envolvido no debate. Políticos utilizam principalmente termos como “supersalário”, “privilégio” e “penduricalho”. Nos órgãos públicos, “verba indenizatória” aparece em 52% das publicações. Entre juristas, a palavra “direito” é usada em 41% dos conteúdos. O estudo aponta ainda um consenso superficial entre esquerda e direita contra supersalários. Porém, a divergência surge na definição dos alvos e das estratégias. Quando servidores comuns participam do debate, o foco passa a ser a desigualdade dentro do próprio funcionalismo, contrapondo os salários da base aos benefícios recebidos no topo. 

DESMATAMENTO ZERO EM 60% DOS TERRITÓRIOS INDÍGENAS


Sessenta por cento dos territórios indígenas amazônicos tiveram desmatamento zero entre agosto de 2025 e julho de 2026, sendo que Terras indígenas ajudam a conter desmatamento na Amazônia.  Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon. No período, foram devastados 2.702 km² da Amazônia. Desse total, apenas 46,96 km² estavam em terras indígenas, equivalentes a 1,7% da área desmatada. Entre os 40% dos territórios indígenas que registraram destruição, somente 11 tiveram perda superior a 1 km². A Terra Indígena Cachoeira Seca, no Pará, foi a mais afetada, com 4,44 km² desmatados. Na sequência aparecem Andirá-Marau, entre Amazonas e Pará, com 2,83 km². Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, teve 2,53 km² de vegetação destruída. Segundo especialistas, a redução do desmatamento está ligada ao uso sustentável dos recursos naturais. A bioeconomia permite gerar renda sem a necessidade de derrubar a floresta. A engenheira ambiental Maristela Rodrigues defende fiscalização, informação e conhecimento. Para ela, essas ações podem conciliar geração de renda, biodiversidade e preservação ambiental. Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram 70% de todo o desmatamento amazônico. A pesquisadora Manuela Athaide afirma que esses estados possuem grandes áreas e sofrem forte pressão. Ela defende fiscalização permanente e punição aos responsáveis pelo desmatamento ilegal.

O calendário do Imazon aponta queda de 23% na devastação entre 2024 e 2025. Foram 3.503 km² desmatados em 2024, contra uma área menor em 2025. O resultado de 2025 foi o menor registrado nos últimos 11 anos. Apesar da redução, julho apresentou aumento de 26% no desmatamento. Foram 445 km² devastados no mês, ante o mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, 2026 mantém a menor área desmatada dos últimos dez anos. Em 2021, a Amazônia perdeu 2.095 km² de vegetação, maior índice desde 2008. Nas Unidades de Conservação, 63% dos territórios tiveram desmatamento zero. Apenas 32 unidades registraram perda superior a 1 km². Especialistas defendem a ampliação de políticas de educação ambiental. Também recomendam projetos sustentáveis desenvolvidos junto aos povos indígenas. A valorização econômica da floresta pode reduzir a pressão pela derrubada da mata.
A experiência mostra a importância das terras indígenas para a conservação amazônica. Fiscalização e desenvolvimento sustentável são apontados como caminhos para conter a devastação. A preservação da floresta, portanto, depende também de investimentos e participação das comunidades locais. 

EL NIÑO AMPLIA MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO PLANETA


Nas últimas quatro décadas, o fenômeno El Niño tornou-se quase 40% mais intenso em comparação com a era pré-industrial, no século 19. 
Estudo da Universidade de Michigan aponta que as mudanças climáticas estão ampliando a força de um dos principais fenômenos meteorológicos extremos do planeta. A intensificação aumenta os riscos de secas, enchentes e incêndios florestais, além de provocar impactos na agricultura e na saúde humana. O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico tropical ficam mais quentes do que o normal. O fenômeno está associado ao enfraquecimento dos ventos alísios, que permite o deslocamento de águas quentes em direção à costa da América do Sul. Suas consequências não se limitam ao Pacífico e podem alterar o clima em várias regiões do mundo. Para analisar sua evolução, pesquisadores estudaram amostras de 13 corais das Ilhas Galápagos. Os corais crescem entre 1 e 2 centímetros por ano e registram, em suas estruturas, informações sobre a temperatura do mar. Os cientistas concluíram que os eventos das últimas quatro décadas foram mais intensos do que qualquer outro período dos mil anos anteriores a 1850. A partir de meados do século 19, a industrialização passou a elevar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Segundo os pesquisadores, não há registro de um período anterior em que o El Niño tenha apresentado intensidade semelhante à atual. A força do fenômeno acompanha o aumento da temperatura média global. Modelos climáticos também foram usados para verificar se a intensificação poderia ser explicada por causas naturais. Foram considerados fatores como erupções vulcânicas e variações na atividade solar. Os resultados não indicaram mudanças naturais capazes de explicar a intensidade observada atualmente.

Os pesquisadores apontam, portanto, o aquecimento provocado pelas atividades humanas como principal fator. Entre essas atividades estão a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. A tendência preocupa porque eventos climáticos extremos podem se tornar ainda mais severos. Os impactos podem atingir ecossistemas, infraestrutura, economias e populações. A intensificação do El Niño também representa um crescente desafio para a saúde pública. Alterações nos padrões de chuva, temperatura e eventos extremos podem favorecer doenças infecciosas. Também podem aumentar a contaminação de alimentos e a escassez de água. Outro risco é o crescimento de casos de desnutrição e de doenças relacionadas ao calor.
Os efeitos podem se espalhar pelos sistemas alimentares e de saúde. Comunidades com infraestrutura precária são especialmente vulneráveis. Segundo os especialistas, nenhum país possui recursos suficientes para se proteger completamente desses impactos. A situação reforça a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A redução do uso de combustíveis fósseis é apontada como uma das principais medidas para enfrentar o problema. O estudo mostra que o aquecimento global pode alterar a intensidade de fenômenos naturais com consequências globais. Assim, o El Niño mais forte representa mais um sinal dos efeitos crescentes das mudanças climáticas sobre a sociedade e o meio ambiente. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 28/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Uma nova proposta de reforma da Previdência

Grupo de economistas liderados por Paulo Tafner e Armínio Fraga preparam uma proposta robusta e estrutural de mudanças no sistema previdenciário que prevê novas idades mínimas e sistema híbrido

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Número de mortos após enchentes e deslizamentos entre Nepal e Tibete passa de 540

Polícia nepalesa atualizou o número de vítimas para 538 após as inundações de quarta-feira; no lado tibetano, cinco pessoas morreram e centenas continuam desaparecidas

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Família brasileira vence governo Trump em processo contra política de imigração

Caso movido pelos Moura Gomes, do Rio de Janeiro, já tem impactado outras decisões judiciais nos EUA Eles foram aprovados para o green card por meio de programa de investidor, mas tiveram processo interrompido por Rubio

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Funcionária é presa suspeita de desviar R$ 2,9 milhões de cinco empresas

Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos aparelhos celulares, cartões vinculados a diferentes contas bancárias, equipamentos eletrônicos e dois veículos automotores.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Vetos ao Plano Diretor de Porto Alegre devem ser votados na próxima quarta-feira

A partir da sessão do dia 2 de setembro, a matéria começa a trancar pauta na Câmara de Vereadores

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

PRR executado a 100%: Portugal cumpre prazos e garante 16 mil milhões de euros de Bruxelas

O ministro da Economia apontou ainda que a componente dos empréstimos, que ronda os 5,5 mil milhões de euros, também será totalmente executada, “salvo algum imprevisto”.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RADAR JUDICIAL

PESSOAS PUXAM O CASTELO DE HIROSAKI PARA REPOSICIONÁ-LO

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DESEMBARGADOR É AFASTADO

O desembargador Del Guercio Filho sempre negou acusações e classificou como levianas as afirmações feitas na investigação. Em 2013, afirmou à Folha de S.Paulo que não poderia vender decisões por atuar em órgão colegiado. Mesmo afastado das funções havia 13 anos, Del Guercio Filho recebeu R$ 44.756,70 líquidos em julho. Os dados constam do Portal da Transparência do tribunal. Antes de decisão do STF, a aposentadoria compulsória era a punição máxima para magistrados. A medida garantia o recebimento de vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Em 20 anos, o CNJ condenou 126 magistrados à aposentadoria compulsória. A punição era prevista pela Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional). A legislação estabelece diferentes sanções disciplinares para juízes. Entre elas estão advertência, censura, remoção e disponibilidade remunerada. A aposentadoria compulsória era considerada a penalidade disciplinar mais grave.


CONTAS DO GOVERNO DE SP APRESENTAM DETERIORAÇÃO 

As contas do governo Tarcísio de Freitas apresentam deterioração gradativa, segundo números oficiais do próprio Estado de São Paulo. O déficit orçamentário chegou a R$ 12,2 bilhões em 2025, o pior resultado desde 1995. Para 2026, a projeção oficial prevê novo déficit, de R$ 9 bilhões. Tarcísio recebeu o Estado com superávit de R$ 11,1 bilhões, em valores atualizados pela inflação. A piora também aparece na redução do caixa líquido, no aumento das renúncias fiscais e no rombo da Previdência. Houve ainda queda expressiva do resultado primário das contas estaduais. O governador alterou a meta fiscal e reduziu o caixa para cerca de R$ 5 bilhões. Apesar disso, os investimentos não cresceram de forma significativa. Tarcísio defende números maiores ao incluir as chamadas inversões financeiras, como as PPPs, no cálculo. Com as eleições, governadores e ex-governadores candidatos também apresentam seus números aos eleitores. As contas estaduais, porém, não recebem o mesmo acompanhamento dado às contas federais. Isso não significa que as contas do governo Lula estejam bem: dívida pública e juros elevados continuam sendo problemas relevantes.


Gabriel Oliveira
BRASILEIRO MORTO NO CAMBOJA

Funcionários de uma funerária em Phnom Penh, no Camboja, preparavam a cremação de estrangeiros mortos no país. Entre eles estava o brasileiro Gabriel Oliveira, de 24 anos, morto em julho de 2025 em circunstâncias não esclarecidas. Seus pais recusaram receber apenas as cinzas e lutaram para confirmar que o corpo era realmente do filho. Gabriel havia viajado para a Tailândia após aceitar uma proposta de trabalho na área de tecnologia. Ao chegar a Bancoc, porém, foi levado de van para uma cidade cambojana desconhecida pela família. Os contatos com os parentes eram superficiais, sempre feitos no local onde estava hospedado. Dez dias após o último contato, os pais receberam do Itamaraty a notícia de sua morte. A suspeita principal é de que Gabriel tenha sido vítima de tráfico humano e levado a uma rede de golpes. O corpo permaneceu cerca de um ano no Camboja, e a família precisou arrecadar R$ 52 mil para custear a repatriação. Outra brasileira, a arquiteta Daniela Marys, também foi vítima de tráfico e acabou presa no país. Ela afirma ter sido levada a um complexo de golpes em Poipet e pressionada a participar de falsas operações da Polícia Federal. Daniela foi condenada a dois anos e meio de prisão e espera deixar a cadeia em março de 2027, enquanto o Itamaraty acompanha o caso.

STF JULGA INCONSTITUCIONAL GRATIFICAÇÃO PELO TCDF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, julgou inconstitucional uma gratificação criada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) para seus membros por acúmulo de jurisdição. Segundo Moraes, o benefício, considerado um penduricalho extrateto, só poderia ser pago com respaldo legal, o que não ocorreu. O ministro deu razão a recurso da OAB-DF contra decisão do TJDFT, que havia rejeitado a análise de uma ação de inconstitucionalidade apresentada pela entidade. A decisão também confirmou a ilegalidade da resolução do TCDF que criou a chamada licença compensatória por acúmulo de acervo. O benefício ganhou repercussão em dezembro de 2024, quando sete conselheiros e dois procuradores receberam quase R$ 6 milhões em valores retroativos. Para o presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Siqueira, a decisão reafirma a obrigação de os Tribunais de Contas respeitarem o teto constitucional. A entidade informou que acompanhará o cumprimento da decisão e avaliará medidas relacionadas aos valores já pagos.

CANDIDATO MANIFESTA CONTRA "APROVAÇÃO AUTOMÁTICA"

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) defendeu o fim da “aprovação automática” no ensino brasileiro. Durante sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, ontem, 26, afirmou que o aluno deve passar de ano apenas com nota ou comprovação de conhecimento. Caiado defendeu a realização de provas de proficiência para avaliar se os estudantes dominam os conteúdos de cada série. Segundo ele, a medida ajudaria a combater o analfabetismo funcional. Atualmente, a aprovação automática é adotada no ensino fundamental para reduzir a repetência e o abandono escolar. 

Salvador, 27 de agosto de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



DEFENDIDO EXAME DE PROFICIÊNCIA PARA MÉDICOS, A EXEMPLO DA OAB


A forte expansão dos cursos de medicina e especializações traz o desafio de garantir qualidade na formação dos profissionais. 
Para Julio Vieira, CEO do Hcor, houve uma onda de criação de escolas, algumas aprovadas pelo MEC e outras por decisões judiciais. Segundo ele, isso permitiu o surgimento de instituições com qualidade inferior. Vieira defende um exame de proficiência para médicos semelhante ao da OAB. O Enamed passou a exercer função próxima à de uma “OAB da Medicina”, mas sua utilização para punir cursos ainda é discutida na Justiça. O executivo também defende a revalidação periódica dos profissionais, inclusive daqueles formados há décadas. Para ele, é necessário equilibrar a qualificação com a falta de médicos em algumas regiões. Outro problema apontado é a escassez de trabalhadores em atividades de apoio hospitalar, como limpeza, recepção e call center. Vieira cita aumento do absenteísmo e da rotatividade entre funcionários. Na relação entre hospitais e operadoras, ele vê maior integração, com a adoção de pacotes de serviços e compartilhamento de riscos. O mesmo alinhamento ainda não ocorre plenamente com a indústria farmacêutica. O executivo defende modelos em que medicamentos sejam pagos conforme os resultados obtidos para os pacientes. O Hcor prevê crescimento de 7% a 10% na receita em 2026 e investimentos de até R$ 130 milhões. Com o hospital lotado, a instituição amplia UTIs, medicina diagnóstica, radioterapia e serviços de infusão. Vieira considera a tecnologia essencial para manter a sustentabilidade e a qualidade da assistência.

A inteligência artificial já é utilizada na gestão de leitos e na análise de exames laboratoriais. Segundo ele, a decisão continua sendo do médico, mas a tecnologia aumenta a rapidez e a precisão das informações. A IA também auxilia pesquisas e permite identificar tendências de doenças e riscos cirúrgicos. O executivo avalia que o sistema de saúde brasileiro chegou a um limite de capacidade. O país possui cerca de 6.000 hospitais e 53 milhões de pessoas com planos de saúde. Para Vieira, essa concentração de recursos contribui para a sobrecarga do SUS. Como hospital filantrópico, o Hcor reinveste recursos em projetos voltados ao sistema público. São cerca de R$ 80 milhões anuais destinados a iniciativas assistenciais, de ensino, pesquisa e gestão. No último triênio, esses projetos beneficiaram cerca de 6 milhões de pessoas. Entre as iniciativas está a telemedicina para apoiar médicos do SUS em casos cardíacos. O Hcor já emitiu mais de 8 milhões de laudos por meio desse programa. Para Vieira, os desafios futuros envolvem custos crescentes, competitividade e qualidade. Segundo ele, hospitais serão mais fortes quando conseguirem conquistar a confiança dos pacientes. 

REGISTRADAS 362 MORTES E 1.200 DESAPARECIDOS, NA REGIÃO DO HIMALAIA


Equipes de resgate procuram nesta quinta-feira (27) mais de 1.300 desaparecidos após enchentes devastadoras atingirem a região do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete. 
O número de mortos chegou a 362, segundo balanços preliminares. No Nepal, foram registradas 359 mortes, enquanto três ocorreram no lado chinês. As informações são divulgadas separadamente pelas autoridades dos dois países. Helicópteros nepaleses procuram sobreviventes e levam suprimentos a milhares de pessoas isoladas. A tragédia atingiu cidades e vales frequentados por praticantes de trekking. A enxurrada de água e lama foi provocada pelo colapso de uma geleira. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a intensidade foi equivalente a um evento sísmico de magnitude 5,2. No Nepal, o rio Trishuli transbordou no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu. O vale do rio Bhote Koshi, a leste da capital, também foi severamente atingido. No lado chinês, um deslizamento atingiu o porto tibetano de Gyirong, destruindo veículos e provocando grande destruição. Soldados nepaleses utilizam cães farejadores para localizar corpos soterrados na lama. Equipes enfrentam dificuldades para avançar entre destroços e edifícios atingidos. Entre os desaparecidos estão 517 turistas estrangeiros e muitos peregrinos hindus que viajavam ao Monte Kailash.

Entre os estrangeiros desaparecidos há 178 indianos, 65 americanos, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses. A Espanha informou que quatro de seus cidadãos continuam desaparecidos. Na China, autoridades contabilizaram 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros, além das três mortes registradas. A Cruz Vermelha alertou que povoados inteiros e áreas comerciais foram devastados. Os Estados Unidos anunciaram US$ 500 mil em ajuda emergencial. O risco permanece elevado devido ao bloqueio de um trecho do rio Bhote Koshi. A obstrução pode provocar uma nova onda de enchentes na região fronteiriça. Especialistas alertam que uma segunda inundação poderá ocorrer caso o bloqueio não seja desfeito. O presidente chinês, Xi Jinping, pediu prioridade total às operações de busca e resgate. O Dalai Lama manifestou pesar pelas vítimas e pediu medidas adequadas de assistência. A dimensão da tragédia mantém as equipes de emergência em alerta diante da possibilidade de novos deslizamentos e inundações.