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sábado, 1 de agosto de 2026

EXPORTAÇÕES PARA ARGENTINA CAEM


As exportações brasileiras para a Argentina caíram 19,4% no primeiro semestre de 2026, revertendo o crescimento registrado no mesmo período do ano passado. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o Brasil vendeu US$ 7,4 bilhões ao país vizinho, ante US$ 9,1 bilhões em 2025, reduzindo sua participação nas exportações brasileiras de 5,5% para 4%. Mesmo com a queda, a Argentina segue como o terceiro principal destino das vendas externas do Brasil, atrás de China e Estados Unidos. O recuo foi puxado principalmente pelo setor automotivo. As exportações de veículos de passageiros caíram 28,2%, enquanto autopeças e acessórios recuaram 28,7%. Em junho, automóveis, autopeças e veículos de carga continuaram liderando a pauta exportadora brasileira. Especialistas apontam que oscilações no comércio bilateral refletem a instabilidade da economia argentina, a demanda da indústria automobilística e as variações cambiais.

Além disso, o governo de Javier Milei ampliou a abertura comercial, facilitando a entrada de veículos elétricos e híbridos importados, sobretudo da China. A Casa Rosada criou uma cota anual de 50 mil veículos com tarifa zero e flexibilizou a importação de autopeças. Com isso, a China voltou a superar o Brasil como principal fornecedor da Argentina no primeiro semestre, com US$ 7,98 bilhões em exportações, contra US$ 7,35 bilhões do Brasil. A expansão das montadoras chinesas reforça essa mudança. A BYD já ocupa a oitava posição entre as marcas mais vendidas na Argentina, com mais de 8 mil veículos comercializados em 2026, superando fabricantes tradicionais como Honda e Nissan. O governo Milei afirma que a maior abertura às importações aumenta a concorrência, reduz preços e amplia as opções para os consumidores, embora o setor argentino de autopeças enfrente maior pressão com o avanço dos produtos chineses. 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM ARTIGOS JORNALÍSTICOS


Um estudo da The Economist analisou como identificar textos produzidos por inteligência artificial comparando artigos escritos por jornalistas com versões geradas pelos principais modelos de IA, como ChatGPT, Claude, Gemini e Grok. Foram examinadas 55.940 frases e 1,2 milhão de palavras, além de comparações com textos da CNN, New York Times, Washington Post e romances publicados entre 1950 e 2022. A pesquisa concluiu que a escrita de IA apresenta padrões próprios de vocabulário, pontuação e estrutura. Os modelos tendem a usar palavras longas e abstratas, como “significativo”, “consequências”, “interdependência” e “metodologia”, além de excesso de nominalizações e termos científicos. Essa linguagem lembra a “dicção pretensiosa” criticada por George Orwell, marcada por palavras de origem latina para dar aparência de sofisticação.

Na pontuação, a crença de que IAs abusam dos travessões já não é totalmente verdadeira. Apenas o Claude mantém esse padrão; o ChatGPT passou a usar menos travessões que escritores humanos. Os LLMs também empregam menos vírgulas, ponto e vírgulas e parênteses, preferindo frases longas e poucos cortes de ritmo. Outra característica é o uso frequente de estruturas como “não X, mas Y”, “não apenas..., mas também” e a chamada “regra de três”. Apesar dessas marcas, os pesquisadores destacam que a escrita de IA evolui rapidamente e se aproxima cada vez mais da prosa humana. Por isso, detectar textos gerados por IA tende a se tornar uma tarefa cada vez mais difícil, mesmo com ferramentas especializadas.

 

TRUMP APROVEITA POLÍTICA MIGRATÓRIA PARA CRITICAR DEMOCRATAS


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou ontem, 31, o governo da Espanha pela chegada de milhares de imigrantes à cidade de Ceuta. O republicano classificou o episódio como uma “invasão” e usou o caso para reforçar seu discurso contra a imigração ilegal. Em publicação na rede Truth Social, Trump compartilhou um vídeo do desembarque de migrantes e comparou a situação à ocorrida nos EUA durante o governo de Joe Biden. Segundo ele, o cenário poderá se repetir caso os democratas retornem ao poder. O posicionamento foi reforçado pelo Departamento de Estado dos EUA, que atribuiu a crise à política migratória espanhola e afirmou avaliar medidas para enfrentar a migração ilegal, além de apoiar aliados europeus interessados em ações semelhantes. O vice-presidente JD Vance também comentou o episódio, afirmando que as imagens de Ceuta demonstram as consequências da migração em massa e de políticas de esquerda.

A crise repercutiu entre líderes da direita europeia. Alice Weidel, da Alternativa para a Alemanha, afirmou que Ceuta foi devastada e alertou para novas ondas migratórias. Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni defendeu a exclusão da Espanha da área europeia de livre circulação. A Finlândia manifestou posição semelhante. O primeiro-ministro tcheco Andrej Babis também criticou a política migratória espanhola, acusando o governo de substituir a população local por imigrantes. 

CRISE ENTRE POLÍCIA FEDERAL E MINISTRO MENDONÇA


A abertura de uma nova frente de investigação no caso do INSS, envolvendo um pedido da Polícia Federal para apurar Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, ampliou a crise entre setores da PF e o gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A PF solicitou a abertura de um novo inquérito, que passou por Alexandre de Moraes durante o plantão, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e foi distribuído a Mendonça, responsável pelo inquérito principal. Nos bastidores, o gabinete do ministro demonstra insatisfação com a condução das investigações. Assessores cobram informações sobre o andamento do caso, questionam a demora em diligências e manifestam preocupação com mudanças na equipe responsável. A Polícia Federal nega qualquer irregularidade e afirma que todos os procedimentos seguiram critérios técnicos.

O clima de tensão aumentou quando a PF acionou a Advocacia-Geral da União para avaliar restrições impostas por Mendonça ao compartilhamento de informações da investigação com superiores dos delegados. Segundo interlocutores do ministro, há indícios de problemas na condução das apurações. A PF rejeita essa avaliação e afirma que decisões judiciais não podem interferir em suas atribuições. A corporação diz que os questionamentos à AGU começaram em janeiro, antes mesmo da investigação sobre Lulinha, e foram formalizados em maio e junho. Outro foco de tensão surgiu com a retirada parcial do sigilo do caso envolvendo o senador Jaques Wagner, que levantou suspeitas de vazamento de informações. Com isso, o caso do INSS passou a expor também uma disputa institucional entre a Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça sobre o controle das investigações. 

FIFA DIRIGIDA POR INFANTINO ACUSADA DE "MAU NEGÓCIO PARA O FUTEBOL"


Parte dos negócios da Copa do Mundo a investidores privados. 
Carlos Cordeiro, principal assessor da presidência e ex-chefe da Federação dos EUA, pediu demissão em protesto. Em comunicado, afirmou que não poderia apoiar a venda de participação na Copa do Mundo. Classificou a proposta como "um mau negócio para o futebol". Segundo ele, a medida ameaça um dos ativos mais valiosos da entidade. O diretor de operações Kevin Lamour também criticou o projeto. À Associated Press, disse que os funcionários foram enganados pela falta de transparência. Lamour afirmou que a iniciativa é "o projeto de uma única pessoa", referindo-se a Infantino. Apesar das críticas, decidiu permanecer no cargo. Disse estar disposto a enfrentar consequências por defender sua posição. O plano prevê a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões.

A empresa administraria os principais ativos comerciais da Fifa. Entre eles estão a Copa do Mundo e os Mundiais de Clubes masculino e feminino. A proposta prevê a venda de 20% da subsidiária a investidores privados. Segundo a Fifa, o principal interessado é uma empresa de Nova York. Ela foi fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump. Cordeiro afirma que a operação é desnecessária. Ele destaca que a Fifa tem bilhões de dólares em caixa. Também ressalta que a entidade não possui dívidas. Nos últimos quatro anos, a arrecadação chegou a cerca de US$ 15 bilhões. Para ele, a venda compromete o futuro do futebol sem justificativa. Infantino preside a Fifa desde 2016. Ele era apontado como favorito à reeleição. A eleição da entidade ocorrerá no próximo ano. O prazo para registro das candidaturas termina em 18 de novembro.

 

MIGRANTES DO MARROCOS: 57 MORTOS


O número de corpos encontrados nas águas de Ceuta pelas forças de segurança da Espanha subiu para 57, informou o governo espanhol ontem, 31, após a chegada em massa de migrantes vindos do Marrocos. Mais de 49 mil pessoas entraram na cidade autônoma espanhola nas últimas 24 horas, a maioria jovens marroquinos, além de famílias e crianças. O fluxo já pressionava os centros de acolhimento locais. A maior parte dos migrantes atravessou a fronteira nadando pelo mar ou contornando os quebra-mares da praia de Tarajal. Outros cruzaram pelos espigões costeiros ou tentaram superar as cercas da fronteira. Ceuta, localizada no norte da África, é um território espanhol e uma das únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano, tornando-se uma importante porta de entrada para migrantes. Diante da crise, o governo espanhol enviou militares para reforçar a Guarda Civil e a polícia. O primeiro-ministro Pedro Sánchez visitou a cidade e prometeu ampliar a cooperação com o Marrocos para controlar a fronteira e acelerar devoluções quando houver respaldo legal.

A União Europeia manifestou apoio à Espanha e estuda reforçar a atuação da Frontex, agência responsável pelo controle das fronteiras externas do bloco. As autoridades investigam as causas da nova onda migratória. A principal hipótese é a atuação de redes criminosas de tráfico de pessoas, sem indícios de envolvimento do governo marroquino. Os migrantes serão identificados e encaminhados a centros de acolhimento. Pedidos de proteção internacional serão analisados pelas autoridades espanholas, enquanto outros poderão ser devolvidos ao Marrocos conforme acordos bilaterais e decisões judiciais. 

BRASILEIROS NAS TROPAS DA GUERRA DA UCRÂNIA CONTRA RÚSSIA


A Ucrânia intensificou o recrutamento de estrangeiros para reforçar suas tropas na guerra contra a Rússia, apostando em contratos mais atrativos e salários maiores. Entre os alvos da campanha estão os brasileiros, que já figuram entre os grupos estrangeiros mais numerosos no conflito. Nas áreas controladas por Kiev é comum ouvir português, e há até uma companhia formada majoritariamente por brasileiros. Segundo o Itamaraty, 35 brasileiros morreram e 92 estão desaparecidos na guerra. Levantamentos independentes indicam mais de 100 mortes, colocando o Brasil entre os países com maior número de baixas de combatentes estrangeiros. Desde 2022, quando o presidente Volodimir Zelenski convocou voluntários internacionais, mais de 10 mil estrangeiros de cerca de 75 países ingressaram na Legião Internacional. Muitos brasileiros afirmam ter sido motivados por solidariedade, experiência militar ou pela remuneração. Os novos contratos preveem permanência mínima de seis meses, benefícios migratórios e salários que podem chegar a R$ 53 mil por mês, conforme a função e a proximidade da linha de frente. Apesar disso, veteranos alertam que poucos conseguem acumular patrimônio e destacam os riscos físicos e psicológicos da guerra.

A presença de estrangeiros é alvo de controvérsia. A Rússia considera esses combatentes mercenários, negando-lhes o status de prisioneiros de guerra. Já a Ucrânia sustenta que eles integram oficialmente suas Forças Armadas, com os mesmos direitos e deveres dos militares ucranianos, posição respaldada por especialistas em direito internacional. Além dos combates, denúncias de abusos envolvendo uma unidade composta majoritariamente por brasileiros ganharam repercussão após a morte de Bruno Gabriel Leal da Silva, em 2025. O caso segue sob investigação das autoridades ucranianas. No Brasil, não há legislação específica sobre a participação de cidadãos em conflitos estrangeiros. O Itamaraty reforça que a assistência consular em zonas de guerra é limitada e recomenda que brasileiros não se envolvam com Forças Armadas de outros países. Enquanto o conflito continua, o número de brasileiros na guerra segue crescendo, impulsionado por diferentes motivações, mas sempre sob elevado risco. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 1º/08/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Após repercussão negativa, Infantino desiste de vender ações da Fifa

Ideia liderada pelo presidente da entidade foi fortemente criticada e recebeu boicote de Uefa e Concacaf

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Veto do PP amplia reveses de Flávio Bolsonaro na busca por vice e consolida afastamento do Centrão

Federação composta ainda pelo União Brasil segue rumo à neutralidade na corrida ao Planalto

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Concorrência cresce, e vendas do Brasil à Argentina despencam no 1º semestre

Entrada de produtos no país tem queda de 19,4%, revertendo resultado da primeira metade de 2025 Vizinhos compram menos veículos e autopeças do Brasil, enquanto marcas chinesas ganham mercado

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Jaques Wagner é citado em mensagens da PF

QUANDO a operação foi deflagrada, o senador negou ter atuado em benefício do ex-sócio do Banco Master

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Juliana Brizola e PDT são multados por impulsionamento de propaganda negativa

Publicação foi retirada do ar por determinação do tribunal

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

Crise migratória em Ceuta: Portugal reforça controlo da fronteira no Algarve; Sánchez envia carta a Bruxelas

Siga aqui a atualidade sobre a crise migratória na cidade autónoma espanhola de Ceuta, onde cerca de 60 mil migrantes entraram de forma ilegal nos últimos dias. Maioria já regressou a Marrocos.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

RADAR JUDICIAL


IMIGRANTES MARROQUINOS DEIXAM O PAÍS
 

Milhares de imigrantes marroquinos chegaram nesta quinta-feira (30/7) a Ceuta, enclave espanhol no norte da África, após cruzarem a fronteira por terra e até mesmo a nado. Segundo a agência EFE, o fluxo intenso ocorre há pelo menos dez dias. Vídeos nas redes sociais mostram a multidão entrando na cidade, enquanto policiais não conseguiram conter a passagem. Na semana passada, cerca de 1,5 mil pessoas chegaram ao local, onde o centro de acolhimento já opera acima da capacidade. O prefeito Juan Jesús Vivas pediu apoio do Exército e a decretação de estado de emergência, mas o governo de Pedro Sánchez informou que trabalha para restabelecer a ordem sem adotar essa medida. A migração é impulsionada pela falta de oportunidades em Marrocos e pela expectativa de acesso à União Europeia.


TÁXI SEM VOLANTE E SEM PEDAIS

A Zoox, empresa de veículos autônomos da Amazon, recebeu autorização do governo dos Estados Unidos para iniciar uma operação comercial limitada de robotáxis sem volante nem pedais. A liberação foi concedida pela Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) e é considerada um marco para o setor. A empresa poderá operar até 2.500 veículos por ano durante os próximos dois anos. Segundo a agência, o sistema autônomo atende aos requisitos de segurança exigidos. A autorização prevê monitoramento constante, com envio de relatórios sobre acidentes e falhas, podendo ser suspensa em caso de riscos. A Zoox já realiza testes em Las Vegas e São Francisco e poderá cobrar pelas viagens após obter licenças locais. A NHTSA também trabalha na criação de regras federais específicas para veículos autônomos, enquanto reforça a fiscalização após incidentes envolvendo robotáxis e serviços de emergência.


MULHER MORRE COM COLONOSCOPIA

Uma mulher de 41 anos morreu após ter o intestino perfurado durante uma colonoscopia no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. Mariana dos Santos Candido realizava o exame de rotina por recomendação médica, devido a histórico familiar de câncer colorretal. Após a complicação, foi submetida a uma cirurgia de emergência que durou seis horas, mas não resistiu. O relatório médico aponta uma laceração no cólon sigmoide, exigindo a retirada de parte do intestino. A família afirma que não recebeu informações sobre o médico responsável, pois o exame foi feito por uma empresa terceirizada. A Secretaria Municipal de Saúde abriu sindicância para apurar o caso e informou que a investigação será rigorosa. A Polícia Civil registrou a ocorrência como morte suspeita e morte acidental. Mariana deixou três filhos.

METADE DO ELEITORADO NÃO É REPRESENTADO 

Em meio às convenções partidárias, pesquisas eleitorais revelam que muitos brasileiros chegarão às urnas sem convicção plena. Levantamento Nexus/BTG Pactual mostra que 52% dos eleitores já decidiram votar no candidato de preferência, enquanto 36% escolherão a melhor opção disponível e 10% votarão apenas para evitar a vitória de um adversário. O dado indica que quase metade do eleitorado não se sente representada. Na direita, a divisão entre pré-candidatos fragmenta votos e dificulta a união do campo político. Ao mesmo tempo, pesquisas sugerem que parte do eleitorado conservador busca alternativas além do bolsonarismo. A polarização continua marcando a disputa, mas já não explica sozinha o cenário eleitoral. Com isso, a rejeição tende a pesar mais que as propostas, reduzindo o espaço para debates sobre economia, segurança, saúde, educação e reformas estruturais.

FILHOS DE RICOS E FILHOS DE POBRES

Estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) mostra que a mobilidade social no Brasil continua baixa, com forte influência da renda dos pais sobre o futuro dos filhos. Entre os 25% mais ricos, 56,5% dos filhos permanecem nessa faixa e 30,9% chegam ao grupo dos 10% mais ricos. Já entre os 25% mais pobres, apenas 8,3% ascendem aos mais ricos, e só 1,28% alcançam o topo da renda. Filhos de famílias de renda média também têm chances reduzidas de chegar ao topo. A comparação entre duas gerações revela avanços mínimos na mobilidade. O estudo aponta ainda desigualdades por raça e gênero, com maior permanência na pobreza entre negros e mulheres. Educação de qualidade, maior escolaridade dos pais e melhores condições econômicas dos municípios ampliam as oportunidades de ascensão social. Estados do Sul apresentam maior mobilidade, enquanto Norte e Nordeste registram os piores índices. Os dados foram elaborados com base em registros oficiais e pesquisas do IBGE.

DESEMPREGO CAI PARA 5,4%

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor índice para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. O resultado ficou abaixo dos 6,1% registrados até março e em linha com a expectativa do mercado. A população desempregada recuou para 5,9 milhões, uma queda de 10,9% (718 mil pessoas). Já o número de ocupados atingiu 103,1 milhões, recorde da série, impulsionado principalmente por contratações nas áreas de educação, saúde, administração pública, transporte e logística. A renda média foi estimada em R$ 3.738, considerada estável pelo IBGE. Especialistas atribuem o baixo desemprego ao crescimento da economia, aos estímulos do governo e ao envelhecimento da população, que reduz a pressão sobre o mercado de trabalho. A divulgação ocorre em meio ao debate sobre o fim da escala 6x1 e às recentes mudanças na direção das pesquisas do IBGE. 

Salvador, 31 de julho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 


MILEI BUSCA CONFRONTAMENTO


O presidente da Argentina, Javier Milei, em recentes declarações, provoca o bom relacionamento do país com o Brasil, quando faz críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, usando termos ofensivos e reafirmando divergências ideológicas; com isso só contribuiu para ampliar a tensão existente entre as duas lideranças. Milei justifica afirmando que há campanha internacional contra a Argentina, através de governos estrangeiros e grupos políticos de esquerda. Na manifestação ratificou seu posicionamento em favor do liberalismo econômico e no combate à excessiva intervenção estatal. No plano interno, Milei foi alvo de integrantes da oposição argentina, sob fundamento de que sua manifestação prejudica a imagem internacional do país, além de comprometer a tradição diplomática. Ele teceu considerações sobre sua proposta de reforço à independência do Banco Central, referente à proibição do financiamento do Tesouro. Assegurou que a medida destina-se a combater a inflação que foi o principal desafio econômico enfrentado pela Argentina. 

Mereceu destaque também o tema de endurecimento das regras migratórias, quando prevê a possibilidade de impedir a entrada ou determinar a expulsão de estrangeiros que promovam manifestações consideradas de ódio sobre a Argentina e aos seus cidadãos. O presidente diz que o posicionamento presta-se para proteger a dignidade nacional, mas a oposição assegura que isso pode gerar conflitos com garantias constitucionais relacionadas com a liberdade de expressão. Milei tem seu governo direcionado para confrontação direta e forte polarização ideológica na busca de reformas liberais profundas. Ele encontra apoio parcial junto aos seus eleitores, mas aumenta as divisões no plano interno e no relacionamento com os países vizinhos, a exemplo do Brasil. Afinal, o relacionamento entre Estados não se configura somente através de tratados ou acordos comerciais, mas depende do diálogo político entre as lideranças. Neste sentido, as recentes manifestações do presidente argentino tornam-se enfrentamento entre os países historicamente considerados parceiros. 

A função de presidente da República exige prudência, equilíbrio e respeito institucional nos posicionamentos de cunho político, evitando ataques pessoais e linguagem ofensiva, cenário que pode comprometer a diplomacia. Afinal, o Brasil e a Argentina têm passado histórico de boas relações bilaterais, haja vista o fato de serem parceiros no Mercosul, além de grande intercâmbio comercial e interesses comuns nas áreas de energia, segurança, infraestrutura e integração regional. Nesse quadro, o presidente argentino tem demonstrado estilo de confrontação, promovendo ruptura aos padrões tradicionais entre os dois países. Há de se considerar o fato de que o presidente de um país representa todo o povo sem compartilhar eventual visão ideológica pessoal. Milei sabe que as alternâncias de poder cedem às relações internacionais maduras, vez que os Presidentes passam, mas o Estado permanece. Espera-se que a Argentina através de sua liderança maior reflita da indispensabilidade do bom relacionamento com o Brasil, ultimamente arranhado por postura política irresponsável do presidente, fundamentalmente quando esteve no país, atendendo a convocação de oposição política.

Salvador, 31 de julho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
                    Pessoa Cardoso Advogados.                    

POSSÍVEL PAZ EM GAZA


O Hamas afirmou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. Segundo Ghazi Hamad, integrante da equipe negociadora, o grupo concordou com o desarmamento e com a retirada das tropas israelenses do território. De acordo com Hamad, a entrega das armas será supervisionada pelo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), sem interferência de Israel. Ele ressaltou, porém, que a implementação dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos pelos israelenses. O Hamas também espera que os mediadores internacionais e o Conselho da Paz garantam a execução do acordo. Israel ainda não se pronunciou oficialmente. O anúncio foi feito na quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou o entendimento como um "acordo histórico" rumo à paz duradoura.

O Conselho da Paz confirmou que o Hamas aceitou um plano detalhado para as próximas fases do cessar-fogo. Segundo Trump, após o desarmamento do grupo, as forças israelenses deixarão Gaza, enquanto uma Força Internacional de Estabilização atuará ao lado de uma nova polícia palestina. As negociações ocorreram durante semanas no Egito para viabilizar a segunda fase do cessar-fogo. O desarmamento do Hamas era o principal impasse para encerrar definitivamente o conflito. Apesar do anúncio, uma fonte do governo israelense afirmou à AFP que a proposta ainda não atende plenamente à exigência de desmilitarização total de Gaza e que o tema não foi discutido na reunião entre Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. No início de julho, o Hamas já havia anunciado a transferência da administração civil da Faixa de Gaza ao NCAG. 

ELEIÇÕES DE MEIO DE MANDATO DEFINEM EQUILÍBRIO NOS EUA


Faltam menos de cem dias para as eleições de meio mandato nos Estados Unidos, que podem redefinir o equilíbrio político do país. Se os republicanos perderem a maioria no Congresso, o poder de Donald Trump poderá ser limitado; caso contrário, sua influência tende a se fortalecer. Com o fim da Copa do Mundo, Trump voltou ao centro das atenções ao anunciar tarifas, ameaçar o Irã, reunir-se com líderes estrangeiros, retomar acusações de fraude eleitoral e até usar um boné com a inscrição "Trump 2028", sinalizando planos futuros. Nos bastidores, crescem especulações sobre medidas federais durante a votação, como apreensão de materiais, mobilização de tropas e até eventual decretação de emergência nacional. Enquanto isso, aumenta a pressão sobre o Partido Democrata. Lideranças tradicionais, como Clinton, Obama e Biden, permanecem discretas, e Kamala Harris limitou-se ao lançamento de um livro sobre a campanha de 2024.

As divisões internas dificultam a reorganização da legenda, apesar do avanço de nomes como Zohran Mamdani e Alexandria Ocasio-Cortez, que simbolizam a renovação geracional. A queda na aprovação de Trump, impulsionada pelo aumento do custo de vida, pelos efeitos das tarifas, da guerra e da crise climática, estimula a mobilização da oposição. Entre os desafios democratas está a conquista do eleitorado latino. Após a vitória de Kamala Harris nesse segmento em 2024, integrantes do partido defendem uma campanha mais firme pela legalização de imigrantes e por políticas migratórias equilibradas. Mesmo enfrentando dificuldades financeiras diante da ampla arrecadação republicana, os democratas buscam transformar a escassez de recursos em incentivo para mobilizar eleitores até novembro.