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quarta-feira, 10 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL


APENAS 28% DOS AMERICANOS ACOMPANHARÃO OS JOGOS

A Copa do Mundo de 2026 começa nos EUA, principal sede do torneio, com 78 dos 104 jogos. Apesar disso, pesquisa do Pew Research Center indica que 66% dos americanos têm pouco ou nenhum interesse em acompanhar a competição, enquanto apenas 28% pretendem seguir os jogos. O interesse é maior entre imigrantes: 54% dizem que acompanharão o Mundial, mais que o dobro dos nascidos no país. Isso ajuda a explicar por que boa parte da atmosfera da Copa nos EUA vem das comunidades estrangeiras. Embora o futebol tenha crescido nas últimas décadas, impulsionado pela MLS e por estrelas como Lionel Messi, ainda compete com esportes tradicionais como futebol americano, basquete e beisebol. A edição de 2026 também será marcada por um esquema de segurança sem precedentes, baseado nas medidas adotadas após os atentados de 11 de Setembro. O torneio ocorre em meio a críticas às políticas migratórias do governo Donald Trump, com relatos de dificuldades de entrada para torcedores e profissionais ligados à Copa. Especialistas avaliam que essas questões afetam a imagem internacional dos EUA, em contraste com o clima de entusiasmo que marcou a Copa de 1994. Ainda assim, muitos veem o Mundial como uma oportunidade de aproximação entre pessoas de diferentes países.


VERSÃO PODEROSA DA IA

A Anthropic lançou ontem, 9, o Fable 5, versão mais poderosa de sua IA disponível ao público, mas com restrições para temas sensíveis como cibersegurança e ataques biológicos. O modelo é o primeiro da classe Mythos aberto ao público. A versão completa, chamada Claude Mythos 5, continua restrita a empresas, organizações e agências governamentais por questões de segurança. Segundo a empresa, o Mythos 5 é capaz de identificar e explorar falhas de segurança com alta precisão. Por isso, o Fable 5 utiliza filtros automáticos que analisam solicitações em tempo real e bloqueiam conteúdos considerados sensíveis. Pedidos relacionados à cibersegurança e biologia geralmente são redirecionados para o modelo inferior Opus 4.8, lançado em maio. A Anthropic afirma ter submetido os filtros a testes de invasão realizados por especialistas externos. Em mil horas de avaliações, ninguém conseguiu desbloquear completamente o sistema. A política de segurança da empresa gerou atritos com o governo de Donald Trump. A Anthropic se recusou a flexibilizar restrições ligadas a usos militares, como vigilância em massa e armas autônomas, o que levou o Pentágono a encerrar contratos com a companhia. O lançamento também traz preços mais altos: até US$ 50 por milhão de tokens, o dobro da tarifa cobrada pelo Opus 4.8. A revisão acompanha o crescimento dos agentes de IA, que ampliam o consumo de processamento. A novidade chega em meio à corrida financeira do setor, com Anthropic e OpenAI preparando ofertas públicas de ações (IPO).


NETANYAHU QUER PERENIZAR NO PODER

Binyamin Netanyahu anunciou, por meio de seu partido, o Likud, que disputará a reeleição para primeiro-ministro de Israel. A eleição, ainda sem data oficial, deve ocorrer até outubro. A confirmação veio após Donald Trump declarar que não sabia se Netanyahu pretendia concorrer novamente. Segundo relato do jornalista Jonathan Karl, da ABC News, Trump elogiou a longa trajetória do premiê e questionou se ele desejaria continuar na política. O pleito será o primeiro desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. Desde seu retorno ao poder, em dezembro de 2022, Netanyahu enfrenta críticas, protestos internos e desgaste provocado pelos conflitos em Gaza, Líbano e Irã. Pesquisas recentes indicam dificuldades para sua coalizão conquistar maioria parlamentar. Levantamento do Instituto de Democracia de Israel mostrou que 61% dos israelenses acreditam que ele não deveria disputar novo mandato. Apesar disso, a oposição também enfrenta obstáculos para formar maioria sem o apoio de partidos árabes. Enquanto isso, Netanyahu mantém relação próxima com Trump, embora marcada por divergências recentes sobre a condução dos conflitos regionais e pelas acusações de corrupção que o premiê nega.

NUMEROLOGIA NÃO CONFERE TÍTULO PARA BRASIL

Para quem acredita em numerologia, a Copa de 2026 traz coincidências ligadas ao número 6. Como Jogos Olímpicos e Copas ocorrem em anos pares, o Mundial deste ano termina justamente em um ano final 6, número associado ao sonho do hexacampeonato brasileiro. O Brasil busca a sexta estrela desde 2002 e terá sua sexta tentativa consecutiva de conquistar o título. Das 22 Copas disputadas, apenas três ocorreram em anos terminados em 6: 1966, 1986 e 2006. Em todas elas, a seleção foi eliminada antes da semifinal. Em 1966, caiu ainda na fase de grupos; em 1986, perdeu para a França nos pênaltis nas quartas; em 2006, voltou a ser eliminada pelos franceses na mesma fase. Os campeões foram Inglaterra, Argentina e Itália, respectivamente. Apesar do retrospecto negativo nas Copas, o número 6 sorriu ao Brasil nos Jogos Olímpicos de 2016, com a inédita medalha de ouro conquistada no Maracanã. Resta saber se 2026 finalmente trará o tão esperado hexacampeonato. Para os numerólogos, os sinais estão lançados. Para os demais, vale esperar a bola rolar.

GREVE ESTUDANTIL

Com o fim da greve estudantil da USP, a universidade discute como recompor o semestre letivo após mais de seis semanas de paralisação. O reitor Aluisio Segurado afirmou que haverá reposição de aulas, possivelmente durante as férias de julho, para recuperar conteúdos essenciais. A definição do calendário acadêmico ainda será analisada pelos órgãos colegiados da instituição. A greve começou no fim de abril e afetou as unidades de forma desigual. Nos últimos dias do movimento, 15 das 43 unidades ainda estavam paradas. Outra preocupação é a situação dos calouros, que podem ter a matrícula cancelada se forem reprovados por frequência em todas as disciplinas. A reitoria afirma que está elaborando calendários alternativos para garantir a reposição das atividades e evitar prejuízos acadêmicos aos estudantes. 

PRIMEIRO-MINISTRO CONDENA PROTESTOS ANTI-IMIGRAÇÃO

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou nesta quarta (10) os protestos anti-imigração que resultaram em ataques a minorias étnicas em Belfast, na Irlanda do Norte. Os atos ocorreram após a acusação do sudanês Hadi Alodid, 30, por um ataque com faca que deixou um homem gravemente ferido. Manifestantes, incentivados por vídeos do caso nas redes sociais e por figuras da direita, promoveram atos violentos que culminaram em casas e veículos incendiados. Segundo relatos, famílias negras foram expulsas de suas residências antes dos ataques. Starmer afirmou que “nada justifica a violência” e prometeu aplicar todo o rigor da lei aos envolvidos. A premiê norte-irlandesa Michelle O’Neill classificou os episódios como “atos de covardia repugnantes”. A polícia reforçou o efetivo com mais 200 agentes diante da convocação de novos protestos. A família da vítima, Stephen Ogilvie, pediu calma e ressaltou que a tragédia não deve ser usada para estimular hostilidade contra imigrantes, destacando a contribuição dos migrantes para o país.

Salvador, 10 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


SMARTPHONE E A QUEDA DA FERTILIDADE


O mistério da queda da fertilidade pode ter um novo suspeito: o smartphone. Pesquisadores há anos discutem se os celulares influenciaram a redução das taxas de natalidade, iniciada em 2007, ano do lançamento do iPhone. Agora, dois estudos acadêmicos buscam testar essa hipótese. Um deles analisou a chegada do iPhone nos EUA, entre 2007 e 2011, quando o aparelho só funcionava na rede da AT&T. Os autores compararam condados com ampla cobertura da operadora e áreas com acesso limitado. Os resultados indicam que regiões onde o smartphone era mais acessível registraram queda mais acentuada da fertilidade, sobretudo entre jovens de 15 a 24 anos. Segundo a economista Caitlin Myers, os celulares podem ter reduzido a interação presencial entre os jovens, diminuindo a atividade sexual. Outra possibilidade é o maior acesso à pornografia ou a informações sobre prevenção da gravidez. A queda da natalidade, antes concentrada em países ricos, tornou-se um fenômeno global, levando pesquisadores a buscar causas comuns.

Um segundo estudo examinou dados de 128 países e constatou que a fecundidade entre adolescentes caiu mais rapidamente à medida que os smartphones se popularizaram. Os autores também encontraram resultado semelhante nos EUA, onde o acesso à internet rápida e às redes 4G esteve associado a reduções mais aceleradas nas taxas de gravidez adolescente. Apesar dos achados, há ceticismo. O economista Theodore Joyce lembra que a queda dos nascimentos entre adolescentes começou nos anos 1990, muito antes dos smartphones. Para ele, a hipótese é plausível, mas ainda permanece especulativa.

 

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

 
 O QUE A FOLHA PENSA

Censura de Flávio e Kassio a pesquisa merece repúdio

  • Aspirante do PL tenta calar críticas, e presidente do TSE arbitra aspectos técnicos de sondagem eleitoral
  • Praga da tutela estatal se acentua nas eleições, quando ataques duros e conteúdos incômodos dão ensejo a interditos do Judiciário

Liberdade de expressão para os amigos e as notícias favoráveis. Para os adversários e os fatos desabonadores, a censura. Flávio Bolsonaro, senador do Rio aspirante ao Planalto pelo PL, incidiu nesse clássico da hipocrisia política, coadjuvado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, o que é perturbador.

O partido chefiado pelo notório Valdemar Costa Neto achou por bem requisitar ao órgão regulador das eleições o veto à divulgação de uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel que detectou queda do seu pré-candidato presidencial após a revelação das escandalosas relações entre Flávio e o capo da máfia do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Na petição, o PL argumentou que o questionário induziu os respondentes a rejeitarem o seu postulante por meio de perguntas que informavam o entrevistado sobre o envolvimento do senador com o banqueiro fraudador.

Na liminar que acatou o pleito, Nunes Marques citou, como se isso endossasse a acusação de parcialidade, comentário público feito por representante do AtlasIntel de que as revelações eram potencialmente desgastantes para o desempenho de Flávio. Trata-se de declarar o óbvio ululante.

A hipótese tanto era plausível que outros institutos, como o Datafolha, verificaram o mesmo movimento de declínio nas preferências pelo senador do PL.

Que as profissões de fé do bolsonarismo a favor da liberdade de expressão são apenas manobras táticas para defender aliados das ações censoras do Supremo Tribunal Federal, alguém com alguma memória poderia atestar. Na Presidência, Jair Bolsonaro mandou a Polícia Federal investigar autores de artigos que o criticaram, assediou e ameaçou veículos e profissionais da imprensa.

O filho mais velho segue os passos do pai ao tentar calar mensageiros de más notícias, e o pior foi Flávio ter convencido o presidente do TSEdo tentame liberticida. Nunes Marques, com poucas semanas no cargo, já contraria sua promessa de deixar o jogo eleitoral correr sem intervencionismo.

A praga da tutela estatal, problema crônico da organização política brasileira, se acentua em período eleitoral. Controvérsias, ataques duros e veiculações de notícias críticas, partes normais da disputa, com frequência ensejam interditos da mão pesada da Justiça. Trata-se o eleitor como um infante que não pode ser exposto a determinados conteúdos.

Juízes eleitorais não têm competência para arbitrar aspectos técnicos de pesquisas de opinião. A obrigação de registrar os questionários antes da realização das entrevistas serve apenas ao requisito da transparência. Não dá ao Judiciário poder de chancela nem de veto sobre os levantamentos.

Se uma pesquisa é boa ou ruim, se adota técnicas piores ou melhores, o mercado e a crítica em praça pública vão decidir. Reputação não é algo que se conquiste nem se perca com uma canetada de juiz. Censura não é caminho para nada que seja virtuoso.

editoriais@grupofolha.com.br 

VITÓRIA DEMOCRATA É SEMPRE SUSPEITA PARA TRUMP

A IA TORNA-SE ROTINA NA COREIA DO SUL


A inteligência artificial já faz parte da rotina na Coreia do Sul. Em Seul, atrações turísticas, aeroportos, supermercados e até campanhas eleitorais utilizam recursos baseados em IA. Mais do que curiosidade, o país aposta na tecnologia para modernizar serviços públicos e privados. A estratégia sul-coreana busca integrar a IA a estruturas já existentes, ampliando ganhos em áreas como saúde, mobilidade urbana e segurança. No Hospital da Universidade Nacional de Seul (SNUH), uma plataforma desenvolvida pela Infmedix acompanha todo o atendimento do paciente. O sistema transcreve consultas em tempo real, organiza dados clínicos, sugere encaminhamentos e reúne automaticamente documentos para transferências entre hospitais. Segundo pesquisadores, a ferramenta reduz o tempo de atendimento sem substituir médicos, que continuam responsáveis pelas decisões clínicas. A proteção dos dados dos pacientes é tratada como prioridade, com uso de redes privadas e informações anonimizadas. Na cidade de Anyang, a IA é aplicada na gestão urbana. Câmeras inteligentes monitoram trânsito, ônibus autônomos, segurança pública, incêndios e emergências, compartilhando informações com órgãos responsáveis em tempo real.

A análise de dados também orienta mudanças urbanísticas, como a criação de travessias diagonais para pedestres. O sistema ainda auxilia na busca por desaparecidos, no monitoramento de idosos com demência e na proteção de mulheres durante deslocamentos noturnos. Os bombeiros utilizam veículos não tripulados equipados com visão computacional para atuar em incêndios de grande porte e operações de resgate. A formação de profissionais também faz parte da estratégia nacional. Universidades como a SKKU lideram programas para capacitar especialistas em IA aplicada à educação, energia, agricultura, urbanismo e manufatura. Para a Coreia do Sul, competir diretamente com China e Estados Unidos na criação dos maiores modelos de IA é difícil. A aposta está em usar a tecnologia para fortalecer setores nos quais o país já possui vantagens, como semicondutores, eletrônicos e indústria de manufatura.

COPA 2026 COM 48 SELEÇÕES


Em 2017, a Fifa anunciou que a Copa do Mundo passaria de 32 para 48 seleções a partir de 2026. A mudança, defendida pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, buscava ampliar a presença global do futebol, aumentar receitas e fortalecer o apoio das federações nacionais. A expansão abriu espaço para estreias históricas de Cabo Verde, Jordânia, Uzbequistão e Curaçao, maior número de debutantes desde 2006. Por outro lado, o aumento de participantes elevou o ranking médio das seleções classificadas. Na Copa de 2026, a média é de 32,5º lugar no ranking da Fifa, acima das edições anteriores. As equipes de pior colocação são Nova Zelândia (85ª) e Haiti (83ª). O confronto de menor nível técnico na fase de grupos deve reunir Cabo Verde (67ª) e Arábia Saudita (61ª), somando 128 pontos no ranking.

Em contraste, a Copa de 1994, disputada nos Estados Unidos com 24 seleções, registrou o melhor ranking médio da história recente: cerca de 17º lugar. A pior equipe classificada era a Bolívia, então 43ª do mundo. Entre 1998 e 2022, a média das seleções participantes oscilou entre 21,7º e 26º lugares. A pior classificada nesse período foi a Coreia do Norte, 105ª em 2010. O pior confronto da história das Copas, segundo a soma dos rankings, ocorreu em 2018 entre Rússia (70ª) e Arábia Saudita (67ª). Já em 2022, o duelo de menor ranking reuniu Qatar e Equador.

 

VORCARO VINCULADO AO SETOR DE COMBUSTÍVEIS NO CRIME ORGANIZADO


Um repasse de R$ 102 milhões feito pelo Banco Master entre 2023 e 2025 pode ligar a instituição de Daniel Vorcaro ao setor de postos de combustíveis investigado por supostas conexões com o crime organizado. Os pagamentos foram destinados à Metanoein Participações e Consultoria, oficialmente classificados como prestação de serviços. A empresa é alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa no Rio de Janeiro. A sócia-administradora, Rose Evelyn Machado Coité, é apontada pelo Ministério Público Federal como controladora de uma rede de postos operada por meio de laranjas. Apesar da fama de empresária do ramo em Bangu, ela não aparece formalmente como proprietária de postos. A Metanoein atua oficialmente nos setores de consultoria e serviços administrativos. Desde a operação Carbono Oculto, as investigações avançam sobre a infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis e no sistema financeiro. Documentos revelam pedido do MPF para bloquear contas e aplicações de Rose Evelyn, filhos e outros investigados ligados a 46 empresas. O caso corre sob sigilo.

As apurações também analisam possíveis vínculos com a família do bicheiro Rogério de Andrade. Um dos alvos foi o posto Castor, cujo histórico inclui relações empresariais com o falecido advogado César Coité, marido de Rose Evelyn. A Metanoein apresenta semelhanças com a Mídias Promotora, outra empresa que recebeu R$ 126,6 milhões do Master e foi alvo de busca e apreensão em investigação sobre investimentos do Rioprevidência. As duas companhias funcionam no mesmo endereço em Bangu, participaram de estruturas societárias semelhantes e estão entre as maiores recebedoras de recursos do banco, segundo dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado.

 

EUA IMPÕEM SUAS REGRAS E BARRAM TORCEDORES


Os Estados Unidos intensificaram fiscalizações e restrições de entrada às vésperas da Copa do Mundo de 2026, reforçando a política anti-imigração do governo de Donald Trump. A medida tem afetado torcedores, dirigentes, árbitros e integrantes de delegações de países como Irã, Somália, Senegal, Uzbequistão e Iraque. A Federação de Futebol do Irã informou que perdeu sua cota de ingressos para o Mundial poucos dias antes do torneio, impedindo a venda aos torcedores. Além disso, cerca de 15 membros da delegação iraniana, incluindo o presidente da federação, Mehdi Taj, tiveram vistos negados. Outro caso de repercussão foi o do árbitro somali Omar Artan, impedido de entrar nos EUA após mais de 11 horas de interrogatório. Selecionado para a Copa, ele seria o primeiro árbitro da Somália a atuar em um Mundial. As autoridades alegaram questões de segurança, enquanto a Fifa afirmou não interferir em processos migratórios.

Jogadores do Senegal e integrantes da seleção do Uzbequistão também passaram por revistas rigorosas em aeroportos americanos. Já o atacante iraquiano Aymen Hussein enfrentou quase sete horas de interrogatório em Chicago antes de ser liberado; um fotógrafo da delegação foi barrado. As ações ocorrem em meio ao endurecimento das políticas migratórias de Trump, que ampliou restrições a cidadãos de dezenas de países e aumentou significativamente o número de deportações. Organizações de direitos humanos alertam para riscos de detenções arbitrárias, deportações e violações de direitos durante o torneio. Mais de 120 entidades americanas divulgaram um “Aviso aos Viajantes”, pedindo que a Fifa pressione o governo dos EUA por mudanças nas políticas migratórias para garantir segurança e tratamento adequado a torcedores, atletas e jornalistas estrangeiros durante a Copa. 

EUA ATACAM IRÃ


Os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã ontem, 9, após o presidente Donald Trump acusar Teerã de derrubar um helicóptero Apache americano sobre o Estreito de Ormuz. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), a ofensiva começou às 17h no horário da costa leste americana (18h em Brasília) e foi descrita como uma “resposta proporcional à agressão injustificada do Irã”. Explosões foram registradas ao longo da costa do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz. De acordo com o site Axios, os alvos incluíram sistemas iranianos de defesa aérea e radares. Os dois tripulantes do helicóptero abatido foram resgatados sem ferimentos por um drone marítimo não tripulado dos EUA, no primeiro uso público confirmado desse tipo de equipamento em uma missão de resgate. Trump afirmou que os EUA precisavam responder ao ataque e classificou a operação como uma reação “muito forte e poderosa”.

Autoridades americanas dizem que o helicóptero foi atingido por um drone iraniano, embora ainda não esteja claro se a ação foi deliberada. A agência iraniana Mehr reconheceu o incidente, mas informou que Teerã não assumiu responsabilidade pela derrubada. Após os bombardeios, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ameaçou retaliar e declarou que o país “não deixará nenhum ataque ou ameaça sem resposta”. Ele afirmou que forças estrangeiras na região enfrentam riscos constantes e sugeriu que deixem o Oriente Médio para evitar novos confrontos. A escalada ocorre em meio às tensões envolvendo Israel, Irã e Líbano, enquanto Washington tenta avançar em negociações para um acordo de paz na região.

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 10/06/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Governo quer aumentar etanol na gasolina para reduzir preços

Proposta que o governo levará ao Conselho Nacional de Política Energética é elevar a parcela de álcool anidro de 30% para 32%, com objetivo de reduzir a importação de combustíveis fósseis

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Favoritômetro: França, Espanha, Argentina ou nenhuma das três? Levantamento do GLOBO aponta para surpresas na Copa

Os mais de mil convocados foram mapeados por forças de ligas e clubes, em projeção antes do início do Mundial

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Master pagou R$ 102 mi a grupo investigado por lavagem de dinheiro em combustíveis

Empresa de Bangu, no Rio, está entre os maiores recebedores do banco, por suposta prestação de serviços; procurada, sócia não se pronunciou Firma divide sala com outra empresa que recebeu R$ 126 mi da instituição financeira de Vorcaro

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Cotas opõem Neto e governo Jerônimo

ACM NETO anunciou que pretende incluir em seu plano de governo uma proposta voltada à ampliação do acesso de estudantes da rede pública estadual às universidades baianas

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Começa o El Niño que traz a ameaça de grandes enchentes

Modelos climáticos reforçam a perspectiva de um evento histórico

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Confiança dos europeus no apoio dos EUA atinge mínimos históricos

Estudo em 15 países, incluindo Portugal, mostra que 13% dos europeus considera os EUA como um rival, e 12% como um adversário. Maioria crê que a situação vai melhorar quando Trump sair da Casa Branca.

terça-feira, 9 de junho de 2026

RADAR JUDICIAL


ÁRBITRO É IMPEDIDO DE ENTRAR NOS EUA

O árbitro somali Omar Artan, escalado para atuar na Copa do Mundo de 2026, foi deportado dos Estados Unidos após ter o visto negado pelas autoridades americanas. Apesar do apoio da embaixada da Somália, que chegou a oferecer um passaporte diplomático, a entrada no país foi barrada. A informação foi divulgada pelo jornalista Romain Molina, enquanto a Fifa ainda não comentou o caso. Com a negativa, Artan retornou à Somália e ficou impossibilitado de integrar o quadro oficial de árbitros do Mundial. Representante da Confederação Africana de Futebol (CAF), ele seria o primeiro somali a participar de uma Copa do Mundo como árbitro. Ele precisou voltar para Istambul, na Turquia, onde havia feito escala rumo aos EUA. Em 2025, foi eleito o melhor árbitro africano pela CAF e apitou a final da Liga dos Campeões da África entre Pyramids FC e Mamelodi Sundowns. 


ÁRBITRO BRASILEIRO APITA ABERTURA DA COPA  

O árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio (GO) foi escalado para apitar a partida de abertura da Copa do Mundo entre México e África do Sul, na quinta-feira, às 16h (de Brasília), na Cidade do México, pelo Grupo A. A equipe de arbitragem terá ainda os assistentes brasileiros Bruno Pires (GO) e Bruno Boschilia (PR). O quadro é completado pelos paraguaios Juan Gabriel Benítez (quarto árbitro) e Eduardo Cardozo (assistente reserva), pelo colombiano Nicolas Gallo (VAR), pelo chileno Juan Lara (assistente do VAR) e pelo francês Jerome Brisard (apoio ao VAR). O Brasil conta com mais dois árbitros no torneio: Raphael Claus (SP) e Ramon Abatti Abel (SC). Entre os assistentes brasileiros estão Danilo Manis (SP), Rodrigo Figueiredo (RJ) e Rafael Alves (RS). Além de México e África do Sul, o Grupo A é formado por Coreia do Sul e República Tcheca.


NOMEADOS COM REMUNERAÇÃO ACIMA DO TETO

Os cinco integrantes do grupo criado pelo presidente do STF e do CNJ, Edson Fachin, para estudar a remuneração do Judiciário receberam valores acima do teto constitucional em 2025. Juntos, os magistrados e servidores somaram R$ 8,3 milhões em vencimentos brutos no ano. A remuneração média mensal, sem o 13º salário, variou de R$ 71,2 mil a R$ 189,1 mil. Embora a Constituição fixe o teto do funcionalismo em R$ 46,3 mil, benefícios, indenizações e gratificações permitiram pagamentos superiores ao limite. Em março, o STF restringiu os chamados “penduricalhos”, mas autorizou que verbas extras elevem a remuneração de magistrados, promotores e procuradores em até 70% acima do teto, chegando a R$ 78,7 mil. O maior rendimento foi do desembargador Francisco José Rodrigues de Oliveira Neto, coordenador do grupo, que recebeu em média R$ 189,1 mil por mês e acumulou R$ 2,3 milhões brutos no ano. O CNJ afirmou que os pagamentos seguem a legislação e que os tribunais estão se adequando às novas regras definidas pelo STF. Segundo o órgão, os valores elevados decorrem de férias, gratificações, indenizações e direitos retroativos pagos de forma acumulada.

TRUMP É VAIADO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi vaiado ontem, 8, ao assistir ao terceiro jogo das finais da NBA no Madison Square Garden, em Nova York. Durante a execução do Hino Nacional, sua imagem apareceu no telão da arena, provocando reação negativa de parte do público. A presença de Trump levou ao reforço da segurança, com revistas semelhantes às de aeroportos, proibição de bolsas e recomendação para chegada antecipada dos torcedores. Também não houve fan zone nos arredores do ginásio, ao contrário dos dois primeiros jogos das finais. Alguns fãs reclamaram do impacto das medidas no clima festivo do evento. Nascido em Nova York, Trump é torcedor do New York Knicks e mantém relação próxima com o proprietário da equipe, James Dolan. O presidente já frequentou diversos jogos no Madison Square Garden e realizou um grande comício no local durante a campanha de 2024. Nas redes sociais, o senador democrata Chuck Schumer criticou a visita e afirmou que Trump “não é bem-vindo” à cidade.

POLÍCIA FEDERAL REJEITA DELAÇÃO DE VORCARO

A Polícia Federal deve rejeitar a nova proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O comunicado será feito aos advogados nesta terça-feira (9) e marcará a segunda recusa em menos de um mês. Assim como ocorreu em maio, a PF avalia que a colaboração não traz informações inéditas nem acrescenta elementos relevantes às investigações. Embora Vorcaro tenha detalhado supostos episódios envolvendo políticos e autoridades, os investigadores entendem que os relatos repetem fatos já conhecidos e não apontam crimes praticados por parceiros. Segundo fontes ligadas ao caso, a avaliação é que o ex-banqueiro tenta ganhar tempo enquanto aguarda uma possível flexibilização das medidas impostas pelo STF contra ele e familiares. Nesta semana, o Supremo deve retomar o julgamento sobre a manutenção da prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai do empresário. Apesar da nova negativa, a legislação permite que Vorcaro apresente futuras propostas de colaboração. Integrantes da PF, porém, consideram que sucessivas tentativas sem novidades dificilmente mudarão sua situação. A PGR também demonstra insatisfação com os termos apresentados, mas prefere manter as negociações abertas em busca de um acordo mais consistente.

IRÃ DERRUBA HELICÓPTERO AMERICANO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje, 9, que os EUA “precisarão responder” após a queda de um helicóptero Apache no Estreito de Ormuz, incidente que atribuiu ao Irã. Em publicação na Truth Social, Trump disse que a aeronave foi derrubada durante uma patrulha, mas destacou que os dois pilotos foram resgatados sem ferimentos. Segundo uma autoridade militar americana ouvida pelo Axios, um drone iraniano atingiu o helicóptero, embora a investigação ainda não tenha concluído se o ataque foi intencional. A declaração marca uma mudança de tom do presidente, que nos últimos dias defendia um acordo de paz e afirmava que as negociações entre EUA, Irã e Israel estavam em fase final. Em resposta indireta, o chanceler iraniano Abbas Araghchi sugeriu que as forças americanas deixem a região para reduzir riscos, afirmando que Teerã prefere a diplomacia, mas está preparado para outras formas de resposta. O Apache caiu na noite de segunda-feira (8). Os dois tripulantes foram resgatados no mar por um barco-drone, e a causa do acidente segue sob investigação. Segundo os EUA, é a primeira perda de um helicóptero Apache no atual conflito no Oriente Médio.

Salvador, 9 de junho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.