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segunda-feira, 24 de agosto de 2026
RADAR JUDICIAL
ISRAELENSES DEIXAM O PAÍS
A guerra em Gaza, a crise política e as dificuldades econômicas estão levando cada vez mais israelenses a deixar o país. Cerca de 150 mil israelenses emigraram nos últimos três anos, muitos em busca de segurança e melhores condições de vida. O movimento ganhou força após a reforma judicial proposta pelo governo de Binyamin Netanyahu em 2023. A iniciativa provocou uma grave crise política e grandes manifestações em Israel. Depois, o ataque do Hamas em 7 de outubro mergulhou o país em uma guerra prolongada e regional. O conflito envolveu também o Irã e grupos aliados no Líbano e no Iêmen. Em 2023 e 2024, o saldo migratório de Israel ficou negativo, algo raro na história do país. Estudos indicam que muitos dos que deixaram Israel têm renda elevada e alta qualificação profissional. Especialistas temem uma fuga de cérebros que prejudique a economia, as finanças públicas e as Forças Armadas. Entre 2023 e 2024, cerca de 100 mil pessoas deixaram Israel, segundo estudo citado no texto. Outras 45 mil a 50 mil teriam emigrado em 2025. A polarização política e os anos de guerra aparecem entre os principais fatores para a saída. Pesquisas com emigrantes mostram preocupação crescente com o clima social e político do país. Israelenses seculares e de esquerda demonstram maior receio diante do avanço da direita e do ultranacionalismo. As eleições previstas para outubro são vistas por muitos como um momento decisivo para o futuro do país.
TRUMP NÃO APARENTA ESTAR BEM
O presidente Donald Trump não tem aparentado estar bem, apesar das garantias da Casa Branca sobre sua saúde. Aos 80 anos, Trump será, ao fim do mandato, o presidente mais velho da história dos Estados Unidos. Seu médico, Sean Barbabella, afirmou em maio que ele está em excelente estado de saúde e mantém uma rotina intensa de reuniões, compromissos públicos e atividades físicas. No entanto, imagens recentes mostraram hematomas nas mãos, inchaço nas pernas e episódios de aparente sonolência durante eventos públicos. Trump também passou por exames avançados de imagem do coração e do abdome, sem que fossem esclarecidos os motivos. O problema é que não existe uma exigência formal para que o presidente americano demonstre sua aptidão física e mental para exercer o cargo. Militares, pilotos, motoristas de ônibus escolares e controladores de tráfego aéreo, por exemplo, precisam comprovar regularmente sua capacidade para trabalhar. A divulgação de exames presidenciais começou no governo Richard Nixon, mas continua sendo apenas uma tradição. A 25ª Emenda permite ao Congresso criar mecanismos para avaliar a saúde e a capacidade do presidente. Um projeto apresentado pelo deputado Jamie Raskin propõe uma comissão independente para realizar esse acompanhamento.
GOVERNO TARCÍSIO ENCERRA MANDATO COM PIORRA NAS CONTAS DO ESTADO
O governador Tarcísio de Freitas encerra o mandato com piora gradual nas contas de São Paulo. O estado passou de superávit para déficit orçamentário durante sua gestão. Em 2025, o déficit chegou a R$ 12,2 bilhões, o pior resultado desde 1995. Para 2026, a projeção oficial indica déficit superior a R$ 9 bilhões. Em 2022, último ano do governo Rodrigo Garcia, havia superávit de R$ 9 bilhões. Entre 2019 e 2022, São Paulo teve superávit médio anual de R$ 5,6 bilhões. De 2023 a 2025, porém, registrou déficit médio de R$ 1,8 bilhão por ano. Especialistas atribuem a deterioração a renúncias fiscais e aumento de despesas. Entre os gastos pressionados estão os da Previdência estadual. O déficit previdenciário cresceu R$ 13 bilhões entre 2023 e 2025. Em 2025, chegou a R$ 36,8 bilhões, com despesas de R$ 58,1 bilhões. Tarcísio defendeu uma reforma da Previdência, mas não avançou com a proposta. O governo ressalta que o resultado primário continua positivo. O superávit primário acumulado de 2019 a 2022 foi de R$ 133,4 bilhões. Para os quatro anos de Tarcísio, a previsão é de R$ 40,81 bilhões. O saldo líquido de caixa também caiu durante a atual gestão. Passou de R$ 19,5 bilhões em 2022 para R$ 5 bilhões em 2025. O governo contesta esse cálculo e inclui recursos vinculados no valor disponível. Por esse critério, São Paulo teria encerrado 2025 com R$ 29,4 bilhões em caixa. A dívida líquida em relação à receita corrente líquida ficou em 124,23%. O limite legal é de 200%, indicando situação ainda distante de uma crise fiscal.
DIANTE DOS INSUCESSOS, A RÚSSIA PLANEJA CONVOCAR 500 MIL MILITARES
A Ucrânia acredita que a Rússia planeja recrutar mais 300 mil soldados para reforçar suas tropas na guerra. Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, o plano de Vladimir Putin começaria após as eleições parlamentares russas, marcadas para 18 a 20 de setembro. Zelensky afirmou que a Rússia poderia convocar novos soldados em 2027, buscando chegar a um total de 500 mil militares. Ele classificou a medida como uma “mobilização periférica”, concentrada principalmente em regiões mais remotas do país. A ofensiva russa continua principalmente no Donbas, no leste da Ucrânia, onde Moscou tenta avançar sobre importantes cidades e posições estratégicas. A guerra já dura quase quatro anos e meio e segue marcada por intensos combates e ataques aéreos. Zelensky afirmou que a Rússia está sofrendo grandes perdas humanas ao tentar avançar sobre o chamado cinturão de fortalezas ucraniano. O presidente ucraniano também destacou recentes avanços das forças de Kiev no sudeste do país. Segundo ele, em 2026, a extensão do território retomado pela Ucrânia seria semelhante à área conquistada pela Rússia. Além da ofensiva terrestre, Moscou intensificou os ataques aéreos contra cidades ucranianas. A Ucrânia enfrenta uma redução no número de mísseis interceptadores Patriot disponíveis para sua defesa. Zelensky disse que o país espera receber 264 interceptadores em 2026, contra 364 em 2025 e 675 em 2023.
WAYMO, UBER E OUTRAS BUSCAM SERVIÇOS COM OU SEM MOTORISTA
No estado de Nova York, a Waymo já gastou mais de meio milhão de dólares neste ano —mais que o dobro dos gastos da Uber com lobby— enquanto tenta conquistar espaço em um dos maiores mercados de táxi. Seu lobby no estado se intensificou depois que a governadora Kathy Hochul recuou, no início deste ano, em propostas que teriam permitido a empresas de veículos autônomos operar serviços na maior parte do estado. A Waymo ofereceu a criação de um fundo de US$ 20 milhões (R$ 103 milhões) para apoiar motoristas afetados pela implementação da tecnologia, segundo pessoas a par do assunto. Em Nova Jersey, a empresa procurou parlamentares que avaliam um programa-piloto de três anos para testar a implementação. Em comunicado, a Waymo afirmou que defendia a implementação de veículos autônomos e que não buscava medidas que limitassem concorrentes ou "prescrevessem" como a tecnologia deveria ser adotada. Enquanto isso, a Uber tem se empenhado para recuperar o terreno perdido no setor de veículos autônomos após abandonar, em 2020, seu projeto interno de direção autônoma. No último ano, comprometeu mais de US$ 10 bilhões (R$ 51,6 bilhões) por meio de participações acionárias e acordos para frotas de robotáxis. O grupo de transporte por aplicativo alertou vários estados governados por democratas contra uma implementação irrestrita e, em vez disso, fez lobby pelas chamadas redes híbridas, que direcionam corridas tanto a motoristas humanos quanto a veículos autônomos. Em Nova Jersey, lobistas da Uber propuseram que qualquer plataforma que ofereça serviços de robotáxi também utilize motoristas humanos em pelo menos 85% de todas as corridas durante um programa-piloto de três anos. Críticos acusaram a Uber de tentar capturar a regulação ao buscar manter as corridas fluindo por sua plataforma, enquanto enfrenta uma concorrência cada vez maior. A Uber afirmou ser falsa a alegação de que seria "contra os veículos autônomos ou estaria tentando desacelerar sua implementação". Segundo a empresa, as redes híbridas "levam a tecnologia aos consumidores mais cedo, ao mesmo tempo que oferecem aos formuladores de políticas públicas uma estrutura prática para administrar a transição".
TELESCÓPIO COM MISSÃO DE EXPLORAR O UNIVERSO
Ao final deste mês, a Nasa deve lançar o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que terá como missão explorar o Universo. O equipamento possui um espelho primário de 2,4 metros, originalmente desenvolvido pelo NRO, órgão de espionagem do Pentágono, para satélites de monitoramento terrestre. Após o cancelamento do projeto, o NRO doou dois telescópios à Nasa, em 2012. Um deles foi incorporado ao Roman. O espelho tem o mesmo diâmetro do Hubble, mas o Roman possui um campo de visão muito mais amplo. Sua câmera WFI poderá registrar uma área cerca de 140 vezes maior que a do instrumento infravermelho do Hubble.
MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 24/08/2026
CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF
Ritmo lento alerta para risco de recessão
PIB deverá perder força no segundo trimestre, apesar dos estímulos fiscais, com projeções em torno de 1% em 2027. Especialistas recomendam baixar os juros e ir além dos cortes
O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ
A comparação entre Mendonça e Moraes por uma ala do STF
FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP
Tarcísio encerra mandato com piora gradativa nas contas e aponta investimento maior em PPPs
Secretário de Fazenda, Samuel Kinoshita, rejeita avaliação de deterioração e diz que cenário é bom e deve melhorar Em 2025, contas paulistas registraram um déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões
TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA
Ataque de torcida em dia de Ba-Vi deixa um morto e seis presos em Salvador
Imagens registradas neste domingo (23) mostram correria, perseguição e tiros na região da Avenida 29 de Março. Polícia investiga envolvimento de integrantes de organizadas de Bahia e Vitória.
CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS
Ausentes, Lula e Flávio Bolsonaro concentram falas de adversários em debate presidencial
Primeiro debate dos postulantes ao Planalto teve presenças de Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT
Mais 6,1 mil milhões de euros e muitas visitas para celebrar o Dia da Independência da Ucrânia
domingo, 23 de agosto de 2026
CUBA ATRAVESSA A MAIOR CRISE DA HISTÓRIA
ESTREITO DE HORMUZ VIVE NOVA CRISE
O estreito de Hormuz vive uma nova crise, sem definição sobre a quantidade de petróleo que ainda atravessa a passagem. Antes da guerra, por ali escoava cerca de um quinto do petróleo mundial. Muitos navios desligam os transponders para evitar ataques, dificultando o monitoramento. Um acordo entre Estados Unidos e Irã, firmado em junho, previa a retomada gradual da navegação. Com o fracasso das negociações, o bloqueio voltou a afetar o comércio de petróleo. Donald Trump chegou a publicar um mapa chamando o estreito de “novo território dos Estados Unidos”. O Irã rejeitou a declaração e apresentou condições para reabrir a passagem. Entre elas estão o fim do bloqueio naval, das sanções e das operações militares. Omã tenta mediar as negociações, enquanto a tensão permanece elevada. A Administração de Informação sobre Energia dos EUA estima que o fluxo caiu para menos de um quarto do nível anterior à guerra. A agência não espera a normalização das rotas comerciais antes do início de 2027. A redução da oferta já provoca alta do petróleo e ameaça aumentar a inflação mundial.
CANADÁ RESPONDERÁ COM TARIFAS EQUIVALENTES "DÓLAR POR DÓLAR"
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou tarifas de retaliação contra produtos americanos a partir de 8 de setembro; declarou que o país está "em guerra" comercial contra os Estados Unidos e o presidente americano "errou nos cálculos ao intensificar a ofensiva tarifária". Carney explicou que "você está em guerra quando é atacado, e nós fomos atacados"; assegurou ainda que as exigências apresentadas pelo governo americano representavam um "mau acordo" e a retaliação canadense deverá atingir setores como aço, laticínios e eletrodomésticos. Também serão afetados equipamentos agrícolas, celulose, papel e produtos eletrônicos. As tarifas americanas entraram em vigor ontem, 22, após uma breve suspensão; o percentual aplicado por Trump aos produtos canadenses foi de 50% sobre importações canadenses que giram em torno de US$ 20 bilhões.
JUÍZA ANULA MORATÓRIA SOBRE VISTOS PARA RESIDÊNCIA NOS EUA
O governo Trump também planeja equipar agentes de imigração com luvas capazes de aplicar choques elétricos, medida criticada por organizações e especialistas. A Justiça americana vem barrando algumas ações do governo na área migratória. Em junho, o juiz federal Leo Sorokin anulou uma taxa de US$ 100 mil para vistos H-1B, destinada a trabalhadores estrangeiros altamente qualificados. O magistrado considerou a cobrança um imposto ilegal e sem autorização do Congresso. Em agosto, Trump publicou novos decretos para restringir a cidadania por nascimento e ampliar a fiscalização do chamado “turismo de nascimento”. Entidades de direitos civis recorreram à Justiça contra as mudanças. O endurecimento da política migratória também tem afetado brasileiros que vivem nos Estados Unidos. Segundo dados do Itamaraty, os consulados brasileiros registraram aumento de 271,7% nos pedidos de certidões de nascimento para menores entre 2021 e 2025. O crescimento é atribuído, entre outros fatores, ao temor de deportações e separação entre pais e filhos. A disputa migratória ocorre em meio à deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. No início de agosto, o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Washington alegou reciprocidade diante da demora brasileira em aprovar o indicado por Trump para a embaixada em Brasília, Daniel Perez. O governo brasileiro contestou a justificativa e acusou a administração americana de tentar interferir nas eleições brasileiras.