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sábado, 31 de outubro de 2026

MOONSHOT AI, EMPRESSA CHINESA DE IA


A Moonshot AI, uma das principais empresas chinesas de inteligência artificial, tem seu nome associado à expressão “Lado Escuro da Lua”. A startup pretende abrir capital em Hong Kong no próximo ano e representa a força da China no setor de IA. 
Seus fundadores são considerados talentosos, e o modelo Kimi K3, recentemente atualizado, é apontado como enxuto e poderoso. O país aposta na tecnologia, mas enfrenta pessimismo no mercado de ações. O índice tecnológico ChiNext, de Shenzhen, perdeu cerca de 40% em quatro meses. Já o CSI 300, que reúne grandes empresas de Xangai e Shenzhen, entrou em mercado de baixa em outubro, após cair 20% desde junho. Durante o primeiro semestre de 2026, o cenário era mais positivo. O CSI 300 avançava gradualmente, e a fabricante de chips CXMT captou 66,6 bilhões de yuans em sua abertura de capital, em julho. A situação mudou na metade do ano, principalmente devido às dúvidas sobre a rentabilidade da inteligência artificial e à cautela fiscal do governo chinês. Investidores questionam a disposição das empresas chinesas de pagar por softwares de IA. A concorrência também ameaça companhias do setor, como a MiniMax. Outro fator negativo foi a contenção dos gastos públicos. Muitos esperavam investimentos em infraestrutura e transferências de recursos às famílias para estimular a economia. Entretanto, o governo preferiu apoiar-se na demanda externa. O crescimento das exportações, especialmente de semicondutores, permitiu reduzir os estímulos fiscais.

As exportações chinesas de semicondutores mais que dobraram nos primeiros nove meses do ano, impulsionadas pela expansão mundial da inteligência artificial. Paradoxalmente, o sucesso das exportações contribuiu para a austeridade interna, enfraquecendo a demanda e pressionando as bolsas. Recentemente, instituições financeiras estatais voltaram a comprar ações para sustentar o mercado. O governo também anunciou investimentos nas chamadas “seis redes”, envolvendo energia, computação e comunicações. Com a recuperação do crescimento econômico, o PIB chinês avançou 4,5% no terceiro trimestre, e o CSI 300 voltou a superar os 4.000 pontos. A expectativa dos investidores é que o mercado chinês consiga recuperar o otimismo e aproveitar plenamente o crescimento mundial da inteligência artificial.


 

IA E AUTOMAÇÃO TRANSFORMAM O MERCADO DE TRABALHO


A inteligência artificial e a automação estão transformando o mercado de trabalho brasileiro e mundial, mas seus efeitos são desiguais. Enquanto aumentam a produtividade e os rendimentos em setores tecnológicos, ameaçam empregos tradicionais e dificultam a entrada dos jovens no mercado. O livro “Trabalho e Emprego Onde?”, organizado por Fabio Giambiagi, Letícia Magalhães e Paulo Faveret, reúne estudos sobre os impactos das novas tecnologias no campo, nas empresas, no serviço público e na economia global. No agronegócio, a modernização reduziu a necessidade de trabalhadores braçais, mas elevou significativamente a produtividade. Entre 2012 e 2025, o número de trabalhadores diretos na produção agrícola caiu 23,8%, passando de 10,2 milhões para 7,8 milhões. Em contrapartida, a produtividade por hora trabalhada cresceu 444% entre 1995 e 2024, passando de R$ 7,50 para R$ 40,80. A contratação de profissionais com ensino superior no setor aumentou 107,6%, contribuindo para elevar em 33% o rendimento médio real dos trabalhadores. O crescimento do agronegócio também beneficiou as cidades do interior. Nas regiões agrícolas, o desemprego caiu para 5,1% em 2025, enquanto o setor de serviços alcançou 53,4 milhões de ocupados. Os especialistas observam, porém, que a inteligência artificial ainda tem aplicação limitada nas lavouras, concentrando-se principalmente na gestão e no comércio. Nas empresas e na administração pública, a IA generativa já substitui tarefas rotineiras, como elaboração de relatórios e análises preliminares. Isso ameaça principalmente os cargos de entrada e dificulta a formação profissional dos jovens.

Enquanto os trabalhadores experientes continuam valorizados, os novos contratados precisam apresentar competências como pensamento sistêmico e capacidade de liderança. No serviço público federal, aproximadamente 104 mil cargos, equivalentes a 20% do total, apresentam elevada possibilidade de automação, sobretudo nas áreas administrativas, de saúde e educação. Como a estabilidade impede demissões em massa, a redução do quadro deverá ocorrer gradualmente, principalmente pela não reposição de servidores aposentados. Outro problema é a falta de profissionais especializados em tecnologia e a idade média dos servidores, próxima de 50 anos. A modernização exigirá investimentos em capacitação e governança algorítmica. No cenário internacional, a inteligência artificial, a transição ecológica e as disputas geopolíticas aumentam a necessidade de políticas públicas preventivas. A qualificação profissional e a regulamentação tecnológica tornaram-se prioridades para os países, inclusive por razões de segurança nacional.

 

AMERICANOS VÃO ÀS URNAS ANTES DA TERÇA-FEIRA


Nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, quase 48 milhões de eleitores, dos 174 milhões registrados, já haviam votado antecipadamente até sexta-feira (30/10). O número representa 27,5% do eleitorado e supera os 45,9 milhões registrados antes das eleições de 2022. A votação antecipada foi mais expressiva nos estados com disputas acirradas pelo Senado, onde 35 cadeiras estarão em jogo na próxima terça-feira (3/11). Todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes também serão renovados. Segundo o Election Lab, da Universidade da Flórida, entre os eleitores que informaram filiação partidária, 44% são democratas, 31% republicanos e 25% não declararam partido ou pertencem a legendas minoritárias. Entre os que votaram antecipadamente está o papa Leão XIV. Para Anthony W. Pereira, diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Tulane, muitos americanos anteciparam o voto por receio de interferências de Donald Trump no processo eleitoral. O presidente já declarou que gostaria de assumir o controle das eleições e incentivou republicanos a trapacear. Há também temor de que agentes de imigração sejam mobilizados no dia da votação para intimidar eleitores. Outra preocupação envolve funcionários eleitorais alinhados a Trump que poderiam se recusar a certificar os resultados. Pereira destacou que pesquisas apontam insatisfação com a situação econômica e a administração republicana. Levantamento mostrou que 56% dos eleitores consideram sua situação financeira pior durante o governo Trump. Outros 69% demonstraram preocupação com corrupção, favorecimento pessoal e conflitos de interesses.

O professor Allan Lichtman, da American University, avalia que o recorde de votos antecipados representa um sinal negativo para os republicanos. Segundo ele, os democratas costumam predominar nessa modalidade, e o aumento da participação pode ampliar sua vantagem. Lichtman acrescentou que a baixa aprovação presidencial historicamente prejudica o partido que ocupa a Casa Branca. Em média, governos com índices semelhantes perdem cerca de 40 cadeiras na Câmara e seis no Senado. O brasileiro Andre Pagliarini, professor da Universidade Estadual da Louisiana, também considera a votação antecipada um sinal de mobilização contra Trump. Para ele, o comparecimento demonstra entusiasmo e pode antecipar uma reação expressiva do eleitorado contra o governo.

 

JUSTIÇA DO TRABALHO MANDA REINTEGRAR 22 EMPREGADOS DEMITIDOS


A Justiça do Trabalho determinou que o proprietário de uma fábrica de jeans em Fortaleza (CE) reintegre pelo menos 22 empregados demitidos em 26 de outubro, um dia após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi proferida na quinta-feira (29/10) pela juíza Manuela de Albuquerque Viana, da 4ª Vara do Trabalho de Fortaleza, em ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo o MPT, o empresário praticou assédio eleitoral e discriminação por convicção política, cumprindo ameaças de demissão feitas antes da eleição. Os trabalhadores teriam sido alvo de ofensas verbais e intimidações, inclusive por meio de cartazes afixados na fábrica. A magistrada destacou que o assédio eleitoral ocorre quando o empregador utiliza ameaças, coação, humilhação ou abuso de autoridade para influenciar a preferência partidária ou o voto dos funcionários. Para a juíza, as demissões representaram retaliação às escolhas políticas dos empregados e exploração de sua dependência econômica, violando direitos fundamentais garantidos pela Constituição. A decisão concedeu tutela de urgência, determinando a reintegração imediata dos trabalhadores, com restabelecimento de salários, cargos, funções e benefícios.

A empresa terá prazo de 48 horas para cumprir a ordem, sob pena de multa diária de R$ 5 mil por empregado não reintegrado. Os valores serão destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou ao fundo estadual de reparação de danos trabalhistas. A juíza considerou que gravações de áudio, documentos e fotografias de cartazes depreciativos comprovam os indícios de abuso do poder empresarial. Também apontou relação direta entre as demissões e a motivação político-partidária, destacando que os desligamentos ocorreram após uma reunião em que o empresário teria ofendido funcionários e criticado suas escolhas eleitorais. Segundo a magistrada, manter as demissões poderia ampliar o medo de represálias e comprometer a liberdade de pensamento no ambiente de trabalho. Além da reintegração, a empresa está proibida de praticar novos atos de perseguição, ameaça, coação ou discriminação política contra os funcionários. A decisão também obriga a direção a publicar uma retratação no quadro de avisos da fábrica e nas redes sociais, reconhecendo o direito dos trabalhadores à liberdade de convicção e preferência política. O comunicado deverá assegurar que todos tenham um ambiente profissional livre de intimidação e discriminação.

 

JORNAL RUSSO FECHA AS PORTAS FACE A PERSEGUIÇÃO DO GOVERNO


O jornal independente russo Novaia Gazeta anunciou ontem, 30, o encerramento de suas atividades na Rússia, após sofrer pressão do governo de Vladimir Putin. Em comunicado, a publicação afirmou: “Nós fomos mortos”, atribuindo o fechamento a uma campanha coordenada de autoridades e serviços de segurança do Estado. Fundado em 1993, o jornal tornou-se símbolo da liberdade de imprensa na Rússia após o fim da União Soviética. O golpe final foi a declaração do veículo como agente estrangeiro, em setembro, medida que impõe restrições fiscais e operacionais. Na semana passada, a Justiça determinou o despejo da redação de seu histórico prédio, no centro de Moscou. O local abrigava computadores doados pelo ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchov e o Museu Anna Politkovskaia. A jornalista Anna Politkovskaia foi assassinada em 2006, em crime atribuído a aliados de Putin, embora o presidente negue envolvimento. Outros cinco jornalistas da publicação também morreram em circunstâncias misteriosas durante investigações críticas ao governo.

O jornal já enfrentava dificuldades desde 2022, quando a invasão da Ucrânia levou o Kremlin a endurecer a censura à imprensa. Leis russas passaram a prever penas de até 15 anos de prisão para notícias consideradas prejudiciais às Forças Armadas. Veículos independentes perderam licenças, e a Novaia Gazeta transferiu sua principal operação para Riga, na Letônia. Na Rússia, permaneceu uma redação reduzida, que divulgava notícias pela internet, inclusive por meio de VPNs para driblar bloqueios. O editor Dmitri Muratov, vencedor do Nobel da Paz de 2021, deixou o cargo em 2023, após também ser declarado agente estrangeiro. Neste ano, a pressão aumentou com a prisão do editor Oleg Roldugin durante a apuração de uma reportagem. O fechamento definitivo foi condenado pelo Comitê Nobel e pela ONU, que classificou o episódio como um golpe devastador. O substituto de Muratov, Serguei Sokolov, afirmou que o jornal foi morto junto com a Constituição russa. A redação desligará seus servidores e deixará o prédio em 9 de novembro, encerrando três décadas de funcionamento no país. A edição digital mantida na Letônia, entretanto, continuará publicando notícias. O Kremlin ainda não comentou o encerramento.



GENRO DE TRUMP COM NEGÓCIOS OBSCUROS

O genro de Donald Trump e enviado especial do presidente americano Jared Kushner durante reunião do 'Conselho da Paz', em Nova York
O livro “Príncipes e Ladrões”, do jornalista investigativo Matthew Cole, revela possíveis negócios obscuros envolvendo Jared Kushner, genro de Donald Trump, e monarquias do Oriente Médio. A obra, recém-lançada nos Estados Unidos pela editora Simon & Schuster, descreve uma rede de movimentações financeiras, subornos e relações com figuras poderosas. Segundo o autor, o governo holandês monitorou o telefone de Kushner em 2020 e identificou operações envolvendo centenas de milhões de dólares em uma conta bancária em Dubai. Os recursos teriam origem em um banco do Azerbaijão e sido transferidos para pessoas ligadas a atividades criminosas, incluindo um senhor da guerra e um ex-matador de aluguel. A investigação aponta conexões de Kushner com Mohamed bin Salman, da Arábia Saudita, e Mohamed bin Zayed, dos Emirados Árabes Unidos. Também são mencionados contatos com a Rússia de Vladimir Putin e Israel de Binyamin Netanyahu. O livro relata que, em 2017, bancos do Azerbaijão teriam sido utilizados para movimentar grandes quantias em moedas árabes, convertidas em dólares americanos. Outras operações financeiras teriam chegado ao Banco Central de Israel por mecanismos considerados incomuns. As suspeitas levantam questionamentos porque Kushner ocupava, durante o primeiro mandato de Trump, um cargo oficial no governo americano. Naquele período, seus negócios imobiliários enfrentavam dificuldades, especialmente as torres do número 666 da Quinta Avenida, em Nova York, comprometidas por um empréstimo bilionário.

Kushner retornou à Casa Branca no segundo mandato do sogro, agora como conselheiro informal. Embora afirme não receber salário, mantém acesso a informações estratégicas. Em 2021, criou a Affinity Partners, empresa de investimentos que também aparece no contexto das relações financeiras investigadas. O autor questiona ainda os interesses empresariais da família Trump em criptomoedas, tecnologia, armamentos, sistemas de defesa e imóveis. Kushner nega as acusações apresentadas no livro, que promete provocar desconforto no presidente americano e em seu círculo familiar. A publicação também reacende o debate sobre possíveis conflitos de interesses entre o exercício do poder político e os negócios privados da família presidencial.