Representantes da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte defenderam, nesta segunda-feira (14), o direito à autodeterminação. Em declaração conjunta, afirmaram que o futuro dos três territórios está na União Europeia. Os líderes disseram que nenhum governo britânico deve criar obstáculos à democracia. O documento foi assinado por John Swinney, da Escócia, Rhun ap Iorwerth, do País de Gales, e Michelle O’Neill, da Irlanda do Norte. Os três pertencem a partidos que defendem a separação do Reino Unido. O Partido Nacional Escocês, o Plaid Cymru e o Sinn Féin, porém, divergem sobre prazos e estratégias. O Reino Unido é formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Desde o fim dos anos 1990, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte possuem governos e Parlamentos próprios. Essas administrações têm autonomia em áreas como saúde, educação, habitação e transporte. Questões como defesa e política externa continuam sob responsabilidade de Londres. Os três líderes afirmaram que, pela primeira vez, todas essas regiões são governadas por dirigentes comprometidos com a independência. Também disseram acreditar que mudanças constitucionais no Reino Unido estão próximas. Rhun ap Iorwerth afirmou que o cronograma deve ser decidido pelo povo galês. Segundo ele, está cada vez mais evidente que Westminster não está funcionando. Na Irlanda do Norte, o Acordo da Sexta-feira Santa permite um referendo sobre a reunificação caso haja perspectiva de maioria favorável.
A reunião ocorreu dias depois de Donald Trump declarar apoio a uma Irlanda unificada.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, descartou, porém, uma votação na Irlanda do Norte. Governos britânicos sucessivos também resistem a novos referendos sobre a independência escocesa. Em 2014, os escoceses votaram contra a independência por 55% a 45%. Desde então, Londres rejeita uma nova consulta imediata. Burnham, que assumiu o governo em julho, defende maior descentralização de poderes. Apesar disso, Downing Street reafirmou seu compromisso com a união do Reino Unido. Pela primeira vez desde 1999, partidos independentistas são os maiores nos Parlamentos escocês e galês. Na Irlanda do Norte, o Sinn Féin é o maior partido da Assembleia desde 2022. A questão da independência ganhou força após o Brexit, que retirou o Reino Unido da União Europeia. Os líderes regionais defendem maior cooperação entre seus partidos para avançar em suas pautas. A instabilidade política britânica permanece, com sete primeiros-ministros desde o referendo do Brexit, em 2016.