A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital recomendou à Prefeitura de São Paulo e à SP Regula intervenção na Feira da Madrugada do Brás. A medida deverá ser adotada em até 15 dias, segundo orientação expedida na quarta-feira (23). O Ministério Público aponta que a concessionária Circuito de Compras acumula dívida de R$ 163,2 milhões. O valor inclui parcelas de outorga, compensações e multas previstas no contrato. A empresa contestou a recomendação e afirmou que ela viola resolução do Conselho Nacional do Ministério Público. Segundo a concessionária, já existe ação judicial tratando das mesmas partes e do mesmo objeto. A Circuito de Compras também afirmou que adotará as medidas legais cabíveis contra a recomendação. A empresa diz ter obtido liminar favorável em uma tutela de urgência pré-arbitral. A decisão, segundo a concessionária, foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e a liminar impediria a aplicação de penalidades, incluindo eventual intervenção na administração. A SP Regula informou que foi notificada e que avalia as providências necessárias. O Ministério Público identificou possíveis irregularidades na execução do contrato de concessão. Entre elas estão inadimplência financeira e descumprimento de obrigações de investimento além de apontados problemas relacionados à operação e à manutenção do empreendimento. A investigação reuniu relatos de comerciantes e representantes do setor sobre dificuldades no local que apontam aumento expressivo dos custos de ocupação dos boxes da Feira da Madrugada. Também relatam redução da atratividade econômica do empreendimento e dificuldades para os comerciantes.
Segundo a Promotoria, milhares de vendedores continuam trabalhando em vias públicas do Brás e do Pari. A recomendação determina ainda que a SP Regula conclua investigação sobre a inadimplência em até 60 dias. Caso sejam confirmadas irregularidades, a agência deverá adotar as medidas legais previstas.O Ministério Público pediu ainda providências para recuperar integralmente os créditos públicos devidos. A cobrança poderá incluir multas, indenizações e outros encargos previstos no contrato e defende medidas administrativas, arbitrais e judiciais para garantir a recuperação dos valores. O órgão afirma que a intervenção busca assegurar a adequada prestação do serviço concedido. A recomendação alerta que o descumprimento das medidas deverá ser devidamente justificado. Sem justificativa ou acolhimento, o Ministério Público poderá recorrer à Justiça. O objetivo declarado é proteger o patrimônio público e garantir o cumprimento das obrigações contratuais.