O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou ontem, nesta terça (19) ter sido informado sobre um pedido sigiloso de mandado de prisão contra ele no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia. O político classificou a medida como uma “declaração de guerra”. Smotrich disse ter recebido a informação na segunda (18), mas não revelou a fonte nem quais acusações teriam sido apresentadas. O escritório do procurador do TPI se recusou a comentar o caso, alegando confidencialidade do processo. Segundo o procedimento do tribunal, promotores podem pedir mandados de prisão em segredo, cabendo aos juízes decidir se há indícios razoáveis de crimes. O ministro israelense afirmou que o TPI “não o intimida” e declarou estar disposto a “pagar preços pessoais” para servir a Israel. Também disse que sanções e mandados não obrigarão o país a adotar uma política de “suicídio em segurança”. O episódio amplia a tensão entre Israel e o tribunal. Em novembro de 2024, o TPI emitiu mandados contra o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant e o líder do Hamas Ibrahim Al-Masri por supostos crimes de guerra e contra a humanidade ligados ao conflito em Gaza. Smotrich atribuiu as ações judiciais ao apoio da Autoridade Palestina e afirmou que “a Autoridade Palestina começou uma guerra, e terá uma guerra”.
Figura central da extrema direita israelense, ele já sofreu sanções do Reino Unido e de outros países, junto com o ministro Itamar Ben-Gvir, sob acusação de incitar violência contra palestinos na Cisjordânia. O ministro também defende a ocupação permanente de Gaza e a retomada de assentamentos judaicos no território. Nesta terça, anunciou que assinará uma ordem para esvaziar a vila palestina de Khan al-Ahmar, na Cisjordânia. Em 2024, Smotrich chamou Gaza de potencial “mina de ouro” imobiliária e defendeu reduzir pela metade a população palestina do território por meio de “emigração voluntária”. O TPI é a única corte internacional permanente com poder para julgar indivíduos acusados de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade. Apesar disso, depende da cooperação dos países-membros para executar mandados de prisão. Israel não reconhece a jurisdição do tribunal em Gaza, mas os juízes do TPI entendem que a adesão da Palestina à corte, em 2015, permite investigar crimes cometidos em seu território.