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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

CRISE CLIMÁTICA AFETA VIDA DAS POPULAÇÕES


A
crise climática afeta diretamente a vida das populações, destruindo casas, comprometendo a renda, interrompendo estudos e dificultando o acesso a serviços básicos. Enchentes e ondas de calor representam riscos maiores para quem vive em condições precárias ou trabalha ao ar livre. 
Os efeitos das mudanças climáticas são mais severos entre os grupos vulneráveis, que dispõem de menos recursos para se proteger, adaptar-se e reconstruir suas vidas. Segundo o Banco Mundial, os eventos climáticos podem levar de 800 mil a 3 milhões de brasileiros adicionais à pobreza extrema até 2030. Durante encontros da São Paulo Climate Week, realizados em agosto no Civi-co, representantes de diferentes setores discutiram como construir respostas mais eficazes à emergência climática. Uma questão central foi a participação das comunidades diretamente afetadas. Universidades, empresas, governos e organizações sociais produzem conhecimentos e desenvolvem estratégias, mas os saberes das populações vulneráveis nem sempre são considerados nas decisões. Lideranças comunitárias conhecem as áreas sujeitas a enchentes, identificam moradores que precisam de ajuda e sabem quais soluções já foram experimentadas. Da mesma forma, habitantes de regiões atingidas pela seca desenvolvem práticas para administrar a água e preservar a produção. Esses conhecimentos não substituem a ciência, mas podem complementá-la e contribuir para políticas de adaptação mais eficientes. O próprio Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) reconhece a importância de integrar conhecimentos científicos e locais, valorizando também as experiências de povos indígenas, quilombolas, moradores de periferias e comunidades tradicionais. 

Nesse contexto, a tecnologia social pode ajudar a desenvolver soluções coletivas, construídas com a participação dos próprios territórios. Em vez de simplesmente levar projetos prontos às comunidades, é necessário criar metodologias que integrem diferentes experiências e permitam ampliar iniciativas bem-sucedidas. Para isso, é fundamental estabelecer uma aliança entre especialistas, lideranças comunitárias, empresas, governos, universidades, empreendedores e investidores. O objetivo não é criar mais uma rede de colaboração, mas aproximar as que já existem, compartilhar conhecimentos, mobilizar recursos e evitar que boas iniciativas permaneçam isoladas. Essa articulação pode conectar quem possui conhecimento a quem dispõe de recursos, aproximar desenvolvedores de soluções das populações que precisam delas e incluir a experiência dos moradores nas decisões públicas. A experiência do Civi-co demonstra que encontros entre setores diferentes podem gerar novas possibilidades. Empresas podem encontrar organizações sociais com conhecimentos capazes de transformar suas estratégias; investidores podem apoiar empreendedores que desenvolvem soluções para problemas estruturais; e pesquisadores podem testar suas descobertas em parceria com as comunidades. Também é possível aproximar gestores públicos de iniciativas que já apresentam resultados concretos nos territórios. O desafio, portanto, não é começar do zero, mas conectar e fortalecer o que já existe. A crise climática é ambiental, porém suas consequências são profundamente sociais. Por isso, o enfrentamento precisa considerar as desigualdades e garantir atenção especial às populações sem acesso adequado à água, à moradia segura e à alimentação. Ignorar essas necessidades significa correr o risco de desenvolver soluções que beneficiem apenas os grupos que já dispõem de melhores condições de vida.

 

FUX INDISPÕE-SE COM MORAES


O
ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu acesso integral aos processos relatados por Alexandre de Moraes para investigar possíveis irregularidades na condução dos inquéritos da trama golpista. 
A decisão ocorreu após Fux demonstrar insatisfação com uma reunião reservada entre Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, realizada sem divulgação nas agendas oficiais. Fux considera inadequado o encontro enquanto permanecem questionamentos sobre a atuação da PF no caso Banco Master e a validade de relatórios utilizados contra o ministro André Mendonça. A reunião contou também com os diretores de inteligência e de investigação da Polícia Federal. Aliados de Moraes interpretaram a iniciativa de Fux como um possível aceno a Flávio Bolsonaro, mas a assessoria do ministro negou qualquer relação política. Segundo a defesa de Fux, a decisão busca esclarecer os fatos e não deve ser interpretada como alinhamento eleitoral. O ministro solicitou acesso aos inquéritos das fake news, das milícias digitais e da tentativa de golpe de Estado, atendendo a um pedido apresentado pelo PP em abril de 2024. O partido pede a anulação dos atos e das provas da investigação, alegando que Moraes não teria atuado com imparcialidade por supostamente ser vítima dos acontecimentos investigados. A sigla também questiona a origem dos procedimentos, a concentração de poderes nas mãos de Moraes e a ausência de investigados com foro privilegiado. Fux afirmou que ainda não dispõe de elementos suficientes para decidir sobre o pedido de liminar e que precisa examinar integralmente os processos antes de qualquer conclusão. Entre os pontos a serem analisados está a legalidade da Operação Tempus Veritatis e a possibilidade de ampliação indevida das diligências solicitadas pela PF.

O episódio ocorre em meio à divisão interna do STF, agravada pela crise do Banco Master e pelos questionamentos sobre a atuação de integrantes da Corte. Fux também considera pendente a decisão colegiada definitiva sobre o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A Segunda Turma havia formado maioria favorável ao afastamento, com votos de Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques, mas Gilmar Mendes pediu vista.
Posteriormente, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei ao cargo, decisão que não eliminou, na avaliação de Fux, a necessidade de esclarecer os questionamentos. Apesar de solicitar os documentos, Fux afirmou a auxiliares que pretende tomar decisões somente após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. O pedido do PP é representado pelo advogado Paulo Cunha Bueno, que atua na defesa de Jair Bolsonaro. Na ação penal da trama golpista, Fux foi o único ministro a votar pela absolvição do ex-presidente. Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram pela condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. Após ficar isolado nesse julgamento, Fux pediu transferência para a Segunda Turma do Supremo. A solicitação de acesso aos autos poderá ampliar o exame sobre os procedimentos conduzidos por Moraes, mas não representa, por si só, o reconhecimento de irregularidades ou a anulação das investigações.