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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

LULA PROMOVEU MANIFESTAÇÃO NA PAULISTA E FLÁVIO MARCOU PARA 18 DE OUTUBRO


O presidente Lula reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11), com manifestações também no Rio de Janeiro e em outras cidades. Flávio Bolsonaro, seu adversário, participou de um almoço de campanha e marcou um ato na Paulista para 18 de outubro. Segundo o agregador de pesquisas da BBC, o senador aparece três pontos à frente de Lula nas intenções de voto para o segundo turno. Cientistas políticos avaliam que manifestações podem influenciar eleitores indecisos e reduzir a abstenção, mas dificilmente provocarão mudanças significativas nos votos. Para Andreza Aruska, da King's College London, os atos podem estimular a participação eleitoral e romper bolhas sociais. Maria do Socorro Braga, da UFSCar, destaca que a mobilização pode reduzir a abstenção, que chegou a 21,08% no primeiro turno, além dos votos brancos e nulos. Nas redes sociais, ambos os candidatos ampliaram seus públicos após as manifestações, embora Flávio tenha registrado crescimento superior em várias plataformas no período analisado. No Instagram, Lula teve mais interações no domingo, mas seu volume caiu em relação ao sábado. No YouTube, os dois ampliaram visualizações durante os atos, enquanto no TikTok os números foram menores e oscilaram ao longo dos dias. Os especialistas ressaltam, porém, que esses dados não comprovam impacto direto sobre a intenção de voto.

Os pesquisadores consideram que os votos estão relativamente cristalizados em razão da polarização política. Na pesquisa Datafolha citada pela reportagem, eleitores de candidatos eliminados no primeiro turno demonstraram maior preferência por Flávio do que por Lula. Para Alberto Carlos de Almeida, manifestações produzem principalmente um clima de vitória entre os próprios participantes, sendo a persuasão mais eficaz em conversas individuais. As eleições anteriores reforçam a cautela. Em 2018, o movimento #EleNão reuniu milhares de mulheres contra Jair Bolsonaro, mas não impediu sua vitória no primeiro turno. Em 2022, Lula venceu por margem estreita, em uma disputa influenciada também por fatores econômicos, como inflação, preços dos alimentos e programas de auxílio. O ato de Flávio na Paulista busca reduzir a vantagem simbólica conquistada por Lula nas ruas. Especialistas afirmam que uma mobilização semelhante pode equilibrar a percepção de força política, mas não garante a conquista de indecisos. O efeito real das manifestações dependerá das pesquisas eleitorais e da reação dos eleitores que não participam diretamente das campanhas.

 

SENADOR FLÁVIO FIGURAVA COMO "USURÁRIO MASTER"


O senador Flávio Bolsonaro (PL) figurava como “usuário master” da conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada a uma aeronave que também pertencia a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 
Documentos encontrados pela Polícia Federal indicam que a conta estava registrada em nome da empresa, administrada pelo advogado Willer Tomaz. Segundo o jornal O Globo, a documentação foi confirmada por fontes da PF ao Correio Braziliense. Os registros aparecem em uma troca de e-mails entre o banco Santander e uma secretária de Willer. De acordo com a Polícia Federal, o perfil de usuário master conferia a Flávio elevado nível de acesso e gerenciamento da conta. Para os investigadores, essa condição representa acesso operacional relevante e sustenta a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato na empresa. A Alcazar Holdings tem sede na Ilha da Madeira, em Portugal, e, segundo a publicação, Willer Tomaz é seu único sócio. A empresa possuía uma das três cotas do jato Legacy 650, de matrícula PP-NLR, adquirido em 2023 pela Fraction 024. Flávio Bolsonaro utilizou a aeronave em janeiro de 2025, durante uma viagem de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, na Flórida. A viagem ocorreu em um período no qual a empresa ainda detinha participação no avião.

A Polícia Federal também encontrou, no iCloud de Willer, fotografias de Flávio e capturas de conversas mantidas com o senador. Em nota, Flávio afirmou que nunca manteve conta bancária na qual Willer Tomaz ou qualquer empresa dele figurasse como usuário master. O advogado também negou a existência de conta conjunta com o parlamentar. Willer declarou que mantém apenas uma relação de amizade com Flávio e contestou a interpretação dos documentos bancários. Segundo ele, a troca de e-mails com o Santander não comprova a existência de conta compartilhada. O advogado classificou como uma inferência a hipótese de participação econômica ou societária do senador na Alcazar Holdings. Willer acrescentou que os deslocamentos mencionados foram viagens de lazer realizadas com as famílias. Conforme sua nota, os passageiros embarcaram como convidados, sem pagamento ou contrapartida de qualquer natureza. A investigação busca esclarecer a relação entre o senador, a empresa e a aeronave ligada a Daniel Vorcaro. Os documentos bancários constituem um dos elementos analisados pela PF, mas a hipótese de participação societária de fato ainda depende de apuração. Flávio e Willer negam as interpretações que apontam para uma relação financeira entre ambos. O caso acrescenta novos elementos às investigações sobre conexões empresariais e relações envolvendo o Banco Master.

 

UNIVERSIDADES PROÍBEM EVENTOS POLÍTICO-PARTIDÁRIOS


O acirramento político e a proximidade do segundo turno das eleições levaram a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a PUC-Rio a proibirem eventos político-partidários em seus campi. As medidas impediram manifestações estudantis favoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). As reitorias alegaram preocupação com a segurança e a integridade das comunidades acadêmicas. As convocações para os atos circulavam nas redes sociais sem autorização prévia das instituições. Na PUC-Rio, a proibição foi anunciada na segunda-feira (12/10), pelo vice-reitor Renato Callado.A decisão antecedeu duas manifestações previstas para o dia seguinte no campus. O grupo “A PUC também é nossa”, favorável a Flávio Bolsonaro, planejava protestar contra decisões do STF e gastos públicos. Os estudantes também pretendiam entregar um documento à vice-reitoria pedindo maior pluralidade acadêmica. Já o coletivo “PUC-Rio Antifascista” organizava um encontro em apoio à reeleição de Lula. Com a proibição, os grupos transferiram suas atividades para a área externa da universidade. Na terça-feira (13/10), integrantes das mobilizações trocaram ofensas durante as concentrações. 

O influenciador Breno Faria provocou indignação ao debochar do assassinato da vereadora Marielle Franco. Ex-aluna da PUC-Rio, Marielle foi morta em 2018. Durante o ato, Faria ironizou o destino da parlamentar após sua morte. Ele concorreu a deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro, recebeu 27.088 votos e não foi eleito. O influenciador não se pronunciou sobre o episódio. Luyara Franco, filha de Marielle, publicou um vídeo criticando a declaração. Ela afirmou que zombar do assassinato não constitui opinião, debate ou liberdade de expressão.Segundo Luyara, a atitude representa violência política e desrespeita a memória da mãe, sua família e a luta por justiça. A reitoria da PUC-Rio reiterou seu compromisso com a proteção física e moral de estudantes, professores e funcionários. A universidade também ressaltou a responsabilidade de preservar a segurança de toda a comunidade acadêmica. Em São Paulo, o Mackenzie adotou medida semelhante no campus de Higienópolis. A decisão foi comunicada pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos. A proibição ocorreu após o grupo “Mackenzie com Lula” convocar uma assembleia de apoio ao candidato petista. O encontro estava previsto para as proximidades da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. A direção informou ter recebido manifestações de preocupação de integrantes da comunidade universitária. Também destacou que o ato não havia recebido autorização prévia. Com a medida, o Mackenzie proibiu manifestações partidárias para proteger seus frequentadores.

 

DESDE A POMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO, UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS EDITARAM 8.62 MILHÕES DE NORMAS


Desde
a promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988, até setembro de 2026, União, estados e municípios editaram 8,62 milhões de normas, média de 622 por dia. 
Os dados são do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que analisou leis, decretos, medidas provisórias e outros atos normativos. Do total, 569.469 normas, equivalentes a 6,6%, tratam de questões tributárias. Apenas 39.620, ou 7% delas, continuavam em vigor ao final do período. A União publicou 206.358 normas desde 1988, enquanto os estados editaram 2,49 milhões e os municípios, 5,92 milhões. A predominância municipal reflete a produção legislativa das 5.569 prefeituras e câmaras municipais brasileiras. Em matéria tributária, foram criadas mais de 40 normas por dia. Das 569.469 regras, 330.394 são municipais, 188.886 estaduais e 50.189 federais. A legislação tributária municipal representa 58% do total, seguida pela estadual, com 33,2%, e pela federal, com 8,8%. O levantamento foi coordenado por cinco especialistas vinculados ao IBPT, entre eles o tributarista Gilberto Luiz do Amaral. Nos últimos 38 anos, o sistema tributário sofreu diversas mudanças, com a criação ou alteração de tributos como CPMF, Cofins, CSLL, PIS-Importação e Cofins-Importação. O país também mantém o ICMS, com regras distintas nas 27 unidades da Federação, e o ISS, cobrado por milhares de municípios. Com a reforma tributária, esses dois impostos serão extintos até o final de 2032, dando lugar a um sistema reorganizado.

Segundo o IBPT, o excesso de normas e as constantes alterações dificultam o cumprimento das obrigações legais e elevam os custos das empresas e dos contribuintes. A complexidade também contribui para a insegurança jurídica e dificulta o planejamento das atividades econômicas. Na esfera federal, foram editadas, em média, 3,62 normas tributárias por dia, incluindo 20 emendas constitucionais relacionadas à tributação. O estudo dimensiona a extensão dessa legislação: cada norma possui, em média, 11,27 artigos. Ao todo, o conjunto analisado reúne 6,39 milhões de artigos, 14,9 milhões de parágrafos, 47,6 milhões de incisos e 6,26 milhões de alíneas. A reforma tributária criou o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo, que integram a reorganização da tributação sobre o consumo. Para Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, a transição até 2032 agravará inicialmente a complexidade, pois os contribuintes terão de conviver simultaneamente com as regras dos sistemas antigo e novo.
Apesar das dificuldades, o instituto considera que a reforma representa uma oportunidade de simplificação quando estiver plenamente implantada. A mudança dos tributos, porém, não será suficiente para resolver o problema. O IBPT defende também a redução das obrigações acessórias, a consolidação das leis e maior estabilidade normativa. A simplificação tributária deve ser um objetivo permanente do Estado, reduzindo custos, fortalecendo a segurança jurídica e favorecendo o desenvolvimento econômico e social do país. 

INFLAÇÃO ACELERA NOS EUA


A inflação nos Estados Unidos acelerou em setembro, impulsionada pela disparada dos preços da gasolina, impondo novo revés ao presidente Donald Trump. O aumento ocorre antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, e reacende a possibilidade de elevação dos juros. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,6% em setembro, após alta de 0,4% em agosto. Em 12 meses, a inflação acumulou 3,7%, contra 3,4% registrados no período anterior. Os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho ficaram em linha com as expectativas dos economistas. Entretanto, o avanço dos preços para além do setor energético preocupa especialistas. A inflação subjacente pode estar se tornando persistente, dificultando o retorno à meta estabelecida pelo Federal Reserve (Fed). O relatório tornou mais incerta a decisão do banco central sobre os juros na reunião de outubro. Pesquisas recentes também apontaram queda da confiança dos consumidores e da aprovação de Trump. Levantamento Reuters/Ipsos mostrou que 78% dos norte-americanos responsabilizam políticas presidenciais pela alta dos preços. Entre os fatores citados estão as tarifas sobre importações e o conflito no Oriente Médio. A gasolina ficou 9,1% mais cara em setembro, respondendo por mais da metade da inflação mensal. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também pressiona os preços da energia. O diesel atingiu máximas recordes, aumentando o temor de novos reajustes nos supermercados. Os preços dos alimentos permaneceram estáveis, enquanto os produtos vendidos em supermercados recuaram 0,1% no mês. 

Na comparação anual, porém, os preços desses produtos subiram 1,8%. A carne bovina ficou 1% mais barata, e os laticínios registraram queda de 0,9%. Em contrapartida, bebidas não alcoólicas subiram 0,9%, e frutas e verduras ficaram 0,5% mais caras. Excluindo alimentos e energia, o núcleo do IPC avançou 0,3% em setembro, acima da previsão de 0,2%. Os custos de moradia aumentaram 0,4%, enquanto o aluguel equivalente dos proprietários subiu 0,3%. Também houve aumentos nos preços de lazer, educação, roupas e veículos usados. As passagens aéreas ficaram 1,2% mais caras, acompanhando a elevação dos combustíveis. Em 12 meses, o núcleo da inflação passou de 2,4% para 2,6%. O Fed também acompanha o índice de gastos de consumo pessoal, cuja inflação subjacente alcançou 3% em agosto. Após a divulgação dos dados, os mercados elevaram para 52% a probabilidade de aumento dos juros em outubro. Antes do relatório, essa possibilidade era estimada em apenas 22%. Os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram, o dólar se valorizou e as bolsas norte-americanas abriram em queda. Em setembro, o Fed elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4%, no primeiro aumento em três anos. A inflação também influencia os benefícios previdenciários, que terão reajuste de 3,6% em 2027. O aumento beneficiará aposentados, pessoas com deficiência e outros participantes dos programas sociais norte-americanos.