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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

"IA" PODE DESENVOLVER SOZINHA E DIFICULTAR O CONTROLE HUMANO


Um pesquisador de inteligência artificial (IA) que trabalhou na OpenAI e na Anthropic decidiu deixar o setor, 
acusando as duas empresas de colocar a humanidade em risco na corrida pelo desenvolvimento da IA. Jacob Coxon, de 27 anos, passou três anos trabalhando no pré-treinamento de modelos de inteligência artificial, tendo atuado primeiro na OpenAI e, neste ano, na Anthropic, que considerava mais cautelosa. O pré-treinamento é a fase em que os modelos absorvem grandes volumes de dados para desenvolver capacidades. Coxon afirmou que profissionais da área acreditam sinceramente que a IA pode ameaçar a humanidade nesta década. Segundo ele, em cenários mais agressivos, a situação poderia sair do controle já no fim do próximo ano e classifica como principal risco a IA começar a se desenvolver sozinha, dificultando o controle humano sobre seus sistemas. O pesquisador acusou as empresas de correrem em direção a uma superinteligência capaz de se autoaperfeiçoar. Superinteligência é o estágio teórico em que a IA ultrapassaria as capacidades intelectuais humanas. Evan Hubinger, executivo de segurança da Anthropic, apoiou as declarações de Coxon E disse que a empresa considera real o risco de a IA causar a extinção humana na próxima década, com possibilidade de mais de 10% de isso ocorrer, embora o risco com os modelos atuais seja baixo. Ele reconheceu que a Anthropic tenta reduzir os perigos, mas ainda não garante o controle de uma superinteligência. 

Coxon considera legítimos os esforços da empresa, mas diz que a corrida tecnológica impede maior cautela. Para ele, nenhuma empresa conseguirá desenvolver uma IA superior à humanidade de maneira responsável sozinha. O pesquisador defende intervenção governamental e uma desaceleração coordenada entre os principais países e afirmou que as empresas temem perder a corrida caso concorrentes avancem sem os mesmos cuidados. Em fevereiro, a Anthropic retirou de seus princípios o compromisso de interromper modelos se não controlasse os riscos. A empresa alegou que uma suspensão unilateral poderia deixar o setor nas mãos de concorrentes menos responsáveis. Em julho, mais de mil profissionais de tecnologia, incluindo o CEO da Anthropic, pediram uma desaceleração coordenada. O objetivo era reduzir os riscos associados ao desenvolvimento dos sistemas de IA mais avançados. Em agosto, a OpenAI interrompeu por duas semanas o treinamento de seus modelos mais recentes. Depois, retomou o trabalho sob controles considerados mais rigorosos e, posteriormente, defendeu extrema cautela. O cientista-chefe da OpenAI, Jakub Pachocki, pediu maior coordenação internacional sobre o futuro da tecnologia, afirmando que governos de todo o mundo deveriam tratar essa coordenação como prioridade máxima. Nos Estados Unidos, ainda não existe uma legislação federal específica para regulamentar os modelos de IA. Em setembro, Bernie Sanders e Greg Casar apresentaram projeto para suspender o desenvolvimento da tecnologia. A proposta prevê a criação de um órgão regulador federal antes da retomada dos avanços mais importantes. O debate mostra o conflito entre a busca pela liderança tecnológica e os riscos de uma IA fora de controle. 

EMPRESÁRIOS, ECONOMISTAS, JURISTAS E REPRESENTANTES DA SOCIDADE CIVIL APOIAM FACHIN


Empresários, economistas, juristas e representantes da sociedade civil divulgaram ontem, 13, uma carta de apoio às medidas adotadas pelo presidente do STF, Edson Fachin, para enfrentar a crise institucional instalada na Corte. 
O documento afirma que o país vive “a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal” e uma das mais sérias da República. Os signatários defendem ampla transparência nas investigações e na sessão plenária marcada para terça-feira (15). A carta reúne 198 assinaturas de personalidades do meio econômico, jurídico e acadêmico e entre os apoiadores estão Arminio Fraga, José Eduardo Cardozo, Pérsio Arida, Maria Silvia Bastos Marques, Josué Gomes e Clemente Ganz Lúcio. O texto sustenta que a superação da crise exige reformas institucionais urgentes. As propostas incluem fortalecimento da colegialidade, imparcialidade dos julgamentos e prevenção de conflitos de interesse; são defendidos padrões mais rigorosos de conduta e maior transparência e controle social sobre o STF. No sábado (12), Fachin retirou de André Mendonça a relatoria do caso que investiga a relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, assumindo diretamente a condução do procedimento. Na mesma decisão, determinou o envio das íntegras das investigações sobre o INSS e o Banco Master, suspendeu o andamento dos processos e abrindo caminho para mudanças nas relatorias. Fachin também solicitou informações da Polícia Federal sobre o celular de Vorcaro, apreendido em 2025.

André Mendonça havia argumentado que a divulgação dos dados poderia prejudicar as investigações. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin pressionam pelo acesso integral ao conteúdo do aparelho. No domingo (13), a PF informou possuir condições técnicas para compartilhar as extrações do celular e o envio poderá ser feito aos ministros interessados, observadas as regras de sigilo. Fachin manteve na pauta da sessão do dia 15 apenas o julgamento relacionado a Moraes e Vorcaro, ficando a análise do caso envolvendo André Mendonça para o dia 23. A carta ressalta que a responsabilização de eventuais envolvidos é essencial para restaurar a confiança nas instituições. Os signatários afirmam que o STF não pode ser capturado por interesses pessoais, políticos ou econômicos. Para eles, a defesa da transparência e do devido processo legal é fundamental para preservar a democracia constitucional. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 14/09/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Desconfiança cerca acordo com Trump

Chavistas e opositores se dividem sobre acerto que dará a empresas americanas preferência para explorar 20% das reservas de petróleo do país – as maiores do mundo. Nos EUA, o setor aguarda detalhes sobre os termos

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Novo embate de ala de Moraes contra Mendonça por dados do celular de Vorcaro escala tensão pré-julgamento

Troca de ofícios acirrou ainda mais os ânimos no STF às vésperas de sessão sobre possível abertura de investigação

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Precisamos ressuscitar o STF, diz o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias

Advogado ligado às causas dos direitos humanos lembra que o tribunal exerce poder de moderação fundamental para a democracia brasileira Para criminalista, Alexandre de Moraes é uma 'grande decepção' e André Mendonça não passa de um 'ministro bolsonarista'

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Relatório da PF sobre fundo que recebeu dinheiro de Vorcaro nos EUA desmonta versão de Flávio Bolsonaro

A SEC é a autarquia que supervisiona o mercado de capitais norte-americano e, além das companhias abertas, também fiscaliza fundos que emitem cotas e títulos para investidores

CORREIO DO POVO -  PORTO ALEGRE/RS

Golpe da falsa audiência judicial: criminosos usam IA e deepfake para cobrar valores indevidos

TJRS alerta para fraude em que criminosos reproduziram artificialmente imagem e voz de juíz real durante uma falsa audiência para exigir “pagamentos urgentes”

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Juíza do Tribunal Constitucional diz que “é muito difícil proibir um partido e dizer que é fascista”

Magistrada diz que, pessoalmente, acredita que “partidos de extremos deveriam ser proibidos em Portugal”, mas sublinhou que “é muito difícil proibir um partido e dizer que é fascista”.

domingo, 13 de setembro de 2026

RADAR JUDICIAL


PRESIDENTE DO STF QUER INFORMAÇÃO SOBRE CELULAR DE VORCARO

O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que a Polícia Federal informe, em 24 horas, a situação do celular de Daniel Vorcaro, apreendido em 2025. A decisão ocorre após André Mendonça afirmar que os dados do aparelho permanecem lacrados e que sua divulgação poderia prejudicar as investigações. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin defendem acesso integral às mídias extraídas do celular e sustentam que todos os ministros devem ter as mesmas condições de analisar os elementos do processo. Fachin pediu informações sobre a custódia e o estado do material, mas não determinou a liberação dos dados, apesar de Mendonça ter alertado sobre o fim do sigilo poder comprometer novas fases das investigações sobre o Banco Master. Zanin rebateu, dizendo que cada julgador precisa ter acesso aos elementos necessários para formar sua convicção e assegurou que eventual restrição criaria dificuldades para o julgamento previsto para terça-feira (15). O plenário deverá analisar as mensagens entre Vorcaro e Moraes e poderá decidir pela abertura de investigação contra o ministro. Outra possibilidade é a anulação do relatório da PF que registrou os diálogos, conforme pedido da PGR. Mendonça afirma que uma cópia dos dados está em seu gabinete, lacrada, enquanto os originais permanecem sob custódia da PF. Na sexta-feira, ele também retirou o sigilo de investigações envolvendo o filme “Dark Horse” e outros processos ligados ao caso Master. 


VORCARO BANCOU VIAGENS DE SERVIDORES DO BANCO CENTRAL

A PF afirma que Daniel Vorcaro bancou viagens e jantares internacionais para dois servidores do Banco Central. Belline Santana teria viajado com a esposa a Paris, enquanto Paulo Sérgio Neves de Souza foi à Disney com a família. Segundo a investigação, Vorcaro tratou diretamente de reservas, restaurantes e logística da viagem de Belline. Mensagens indicariam que ele orientou a realização de jantar no Lapérouse e almoço no Loulou, com bons vinhos e comida. A defesa de Paulo Sérgio afirma que ele pagou integralmente suas despesas, exceto uma oferta de acesso prioritário aos parques. Segundo os advogados, ele pagou US$ 8 mil em espécie por esse benefício e desconhecia outro pagamento de US$ 38 mil. A PF também aponta que Belline teria recebido R$ 3,8 milhões, supostamente ligados a pagamentos de R$ 500 mil mensais. Os envolvidos afirmam que os recursos eram destinados a um programa de treinamento financeiro para jovens. As defesas negam que Vorcaro tenha influenciado a atuação funcional dos servidores do Banco Central, mas a PF diz que ambos atuaram de forma recorrente em defesa dos interesses privados do Banco Master. O relatório cita orientação técnica, revisão de documentos e possível repasse de informações internas e sigilosas. Os fatos integram a investigação do caso Master, parcialmente desclassificada por decisão do ministro André Mendonça.


DEPUTADOS E SENADORES "APARECEM NUS", SEGUNDO GAROTINHO

Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio, afirmou ter esclarecido polêmica sobre festa de Daniel Vorcaro. O evento teria reunido Michelle Bolsonaro e o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. Michelle republicou vídeo de Garotinho sobre uma festa chamada “Noite das Astronautas”. Flávio reagiu, dizendo que ela estava “desinformada” sobre sua suposta presença. Garotinho afirmou ter conversado com ambos e confirmou que Flávio não aparece no vídeo. Ele ressaltou: “Eu não disse o nome de ninguém”. Garotinho também explicou por que decidiu não divulgar o vídeo completo da festa. Segundo ele, nas imagens apareceriam ministros do STF, deputados e senadores nus. O ex-governador alegou temer novos problemas judiciais e impactos na campanha eleitoral. Michelle havia associado o vídeo a festas patrocinadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio afirmou que sua única relação com Vorcaro envolve o filme “Dark Horse”. Segundo ele, foram negociados US$ 24 milhões com o empresário para o projeto.


"VISTO CATARINENSE"

O candidato a deputado federal Felipe Barcello (Missão-SC) defendeu a criação do chamado “visto catarinense”. A proposta prevê que novos moradores de Santa Catarina façam registro habitacional na prefeitura em até 14 dias. Segundo Barcello, o cadastro permitiria acompanhar fluxos migratórios e planejar moradia e infraestrutura. O objetivo seria também evitar ocupações irregulares e ampliar a capacidade dos municípios de atender à população. O candidato afirma não ser contrário à migração e diz que o Estado precisa dos trabalhadores vindos de outras regiões. Para ele, o crescimento populacional deve ser acompanhado de recursos públicos proporcionais à nova demanda. Barcello propõe alterar a distribuição dos Fundos de Participação para beneficiar localidades que recebam mais moradores. Ele cita impactos sobre saúde, educação, habitação, transporte, segurança e saneamento. Também relaciona migração a favelização e crime organizado, sem apresentar estudos que comprovem relação direta. A proposta teria sido inicialmente pensada por Léo Lamaire e poderia ser adotada por outros estados. Sua implementação dependeria de mudanças administrativas e de análise de compatibilidade com a Constituição. Até agora, o “visto catarinense” é apenas uma proposta eleitoral, não uma política pública em vigor.


AÇÃO COM VALOR DE R$ 3,00

O juiz Patrick de Melo Gariolli, do TJPE, extinguiu ação contra a Pay2M Soluções Financeiras. A autora pedia a restituição de R$ 3 e indenização de R$ 1 mil por danos morais. Ela afirmou ter feito um PIX de R$ 3 em 29 de agosto de 2026 por produto ou serviço não entregue, além dos transtornos e perda de tempo ao tentar solucionar o problema extrajudicialmente. O magistrado entendeu que faltava interesse processual pela ausência de utilidade concreta da ação. Segundo a sentença, o valor discutido era insignificante e não houve repercussão concreta da perda. O pedido de dano moral também estava ligado exclusivamente ao mesmo episódio. O juiz destacou os custos da movimentação do Judiciário, mesmo em causas de pequeno valor. Citou o custo de oportunidade, que impede a dedicação a processos de maior relevância. A sentença classificou o caso como “demanda de bagatela”, sem negar eventual direito da autora. Gariolli também apontou alternativas como Procon, consumidor.gov.br e o mecanismo de devolução do PIX. Ao final, indeferiu a ação e a extinguiu sem julgamento do mérito, sem multa ou custas à autora.

Salvador, 13 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

TRUMP JÁ PROMETEU, NÃO CUMPRIU, E AGORA ASSEGURA DINHEIRO PELO VOTO


A promessa de Donald Trump de enviar US$ 5 mil a cada cidadão adulto dos Estados Unidos enfrenta dúvidas jurídicas. 
O chamado “Trump dividend” seria financiado por receitas obtidas com tarifas de importação. A proposta dependeria da vitória dos republicanos nas eleições de novembro para o Senado e a Câmara, mas a legislação federal proíbe pagamentos destinados a influenciar o voto ou favorecer candidatos. A violação pode resultar em multa e até dois anos de prisão, se houver intenção criminosa. Por outro lado, um precedente da Suprema Corte pode favorecer a defesa de Trump. Em Brown v. Hartlage, de 1982, a Corte distinguiu promessas de campanha de compra ilegal de votos. Segundo a decisão, promessas políticas são protegidas pela liberdade de expressão da Primeira Emenda. Assim, candidatos podem fazer promessas mesmo que elas posteriormente não sejam cumpridas. O problema é saber se a oferta de dinheiro caracteriza política pública ou compra de votos. O pagamento de US$ 5 mil para cada adulto custaria cerca de US$ 1,3 trilhão. Esse valor supera amplamente os US$ 298 bilhões estimados em receitas tarifárias até agora. Para financiar a medida, seria necessário utilizar dinheiro dos contribuintes e Trump não poderia realizar esse gasto por decreto, dependendo de aprovação do Congresso. O presidente já havia feito outras promessas semelhantes que não foram concretizadas. No início do segundo mandato, prometeu um cheque de US$ 5 mil financiado por economias do DOGE. A promessa, chamada de “DOGE dividend”, nunca foi cumprida.

Depois, Trump prometeu cheques de US$ 2 mil como devolução de tarifas de importação. Essa segunda promessa também não se materializou.Na nova proposta, Trump acrescentou que o dinheiro deveria ser gasto nos Estados Unidos. Essa condição, porém, estaria fora do controle efetivo do governo. Se houver contestação judicial, a defesa deverá negar que se trate de suborno eleitoral. O governo poderá argumentar que o benefício seria destinado a todos os adultos, independentemente do voto. Ainda assim, críticos veem na promessa características semelhantes às de uma compra de votos. O texto cita o chamado “teste do pato” para ilustrar essa percepção. A promessa somente seria implementada se os republicanos mantiverem o controle das duas Casas. Isso também fortaleceria Trump diante de possíveis processos de impeachment e disputas legislativas. Apesar das dúvidas legais e financeiras, a promessa pode influenciar as eleições de novembro. Ela tende a ter impacto entre seguidores do movimento Maga, mesmo diante das incertezas. Os eleitores independentes, porém, podem ser decisivos, pois frequentemente definem o resultado das eleições. 

DÍVIDA DOS EUA REGISTRA O MAIOR VALOR: US$ 40 TRILHÕES


Nos últimos meses, decisões de bancos centrais e fundos de pensão aumentaram as dúvidas sobre os EUA como porto seguro global. 
França e Holanda retiraram reservas de ouro dos Estados Unidos, enquanto o fundo soberano da Noruega quer reduzir títulos americanos. Os movimentos refletem uma crescente desconfiança na economia dos EUA, provocada por riscos fiscais e tensões geopolíticas, apesar de que durante décadas, os Estados Unidos foram considerados o principal porto seguro da economia mundial. A posição se apoia no tamanho da economia, no dólar como moeda de reserva e nos títulos do Tesouro, vistos como ativos seguros. Mas o endividamento americano tornou-se uma preocupação crescente entre investidores. No mês passado, a dívida dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões, maior nível já registrado. Segundo economistas, cerca de US$ 20 trilhões foram acumulados entre 2017 e 2026. O problema fiscal é agravado por medidas do governo Donald Trump. O “One Big Beautiful Bill” poderá elevar a dívida americana em mais de US$ 4 trilhões na próxima década. Trump também propôs um pagamento de US$ 5 mil a cada adulto americano se os republicanos vencerem as eleições de meio de mandato e essa medida poderia custar mais de US$ 1,3 trilhão aos cofres públicos. Com o aumento dos riscos, investidores passaram a exigir maior remuneração pelos títulos da dívida dos EUA e o rendimento do Treasury de dez anos está próximo de 5%, enquanto o de 30 anos chegou a 5,37%. Apesar disso, a perda de parte do status de porto seguro não significa uma crise iminente na economia americana.

Investimentos em inteligência artificial ajudam a sustentar a atividade econômica, com previsão de crescimento de 2% neste ano. Especialistas lembram que outros países desenvolvidos também enfrentam elevados níveis de dívida pública. Por isso, os EUA ainda são vistos como a economia com uma das posições relativamente mais sólidas. Entretanto, inflação acima da meta e economia aquecida podem levar o Federal Reserve a elevar novamente os juros. Taxas maiores aumentariam o custo de financiamento da dívida e pressionariam ainda mais as contas públicas. Além do problema fiscal, Trump ampliou a incerteza geopolítica com seu tarifaço e mudanças na política comercial. O presidente também provocou tensões com diversos países, inclusive aliados europeus. Um mapa divulgado por Trump mostrou EUA, México, Canadá, Cuba, Groenlândia e Islândia sob a bandeira americana. A questão da Groenlândia, pertencente à Dinamarca, também prejudicou as relações com a Europa. O cenário externo mais incerto afeta igualmente países emergentes, incluindo o Brasil. A alta dos juros dos Treasuries aumenta o custo para outras economias captarem recursos. No Brasil, a dívida bruta chegou a 82,5% do PIB em julho, nível elevado para um país emergente. O cenário reforça a necessidade de um ajuste fiscal brasileiro a partir do próximo ano. Um ambiente externo mais difícil pode limitar a queda dos juros no Brasil. Assim, embora os EUA ainda mantenham vantagens importantes, o aumento da dívida e das incertezas começa a abalar sua tradicional imagem de porto seguro. 

PF MOSTRA CONVERSAS DE MENDONÇA COM O EX-GOVERNADOR CLÁUDIO CASTRO


Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram conversas no WhatsApp atribuídas ao ministro André Mendonça, do STF, com o ex-governador Cláudio Castro. 
Os diálogos ocorreram em 11 de novembro de 2022 e trataram do caso do ex-governador Sérgio Cabral. Castro escreveu a Mendonça pedindo falar com urgência e mencionou o caso Cabral. Em seguida, encaminhou pedidos de habeas corpus e de alvará de soltura. Mendonça respondeu descrevendo o processo que mantinha Cabral preso preventivamente, mas pouco depois, disse que ligaria em alguns minutos e enviou um link para o processo no STF. O caso estava sob julgamento da Segunda Turma, da qual Mendonça fazia parte. O gabinete do ministro afirmou que ele não é amigo de Castro e que a relação sempre foi institucional. Também disse não haver registro de tratativa sobre o mérito do processo e assegurou que contatos com advogados, partes e terceiros não alteram o andamento dos processos. Castro também afirmou que sua relação com o ministro sempre se restringiu ao âmbito institucional e o processo envolvia suspeitas de pagamento de propina da Andrade Gutierrez ao ex-governador Sérgio Cabral que havia sido condenado a 14 anos e dois meses de prisão no caso. Em 24 de outubro de 2022, Mendonça havia pedido vista do processo após voto contrário de Edson Fachin e em 28 de novembro, devolveu os autos para julgamento. Em 9 de dezembro, Mendonça votou pela soltura de Cabral, alegando excesso de prazo da prisão. Em 16 de dezembro, por 3 votos a 2, o STF decidiu revogar a prisão preventiva e Cabral passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Mendonça não é investigado pelas conversas reveladas pela PF. As mensagens foram encontradas na Operação Sem Refino, que teve Castro como alvo. A operação investiga suspeitas relacionadas à concessão de licenças para a refinaria Refit. Os diálogos não esclarecem qual era exatamente o interesse de Castro na soltura de Cabral. A PF também questionou o tempo de análise de pedidos relacionados a investigações contra Castro. Segundo a corporação, pedidos contra Jaques Wagner levaram nove dias, enquanto os de Castro demoraram 74 dias. Em maio, a PF pediu buscas em outro endereço ligado a Castro, mas Mendonça negou inicialmente. As buscas nesse novo local foram autorizadas somente em agosto. O gabinete de Mendonça afirmou que suas decisões nos casos envolvendo Castro são públicas e fundamentadas nas provas, mas Castro negou categoricamente ter feito pedidos sobre processos judiciais a Mendonça ou a outros ministros do STF. Disse ainda que termos como “amigo”, “parceiro” e “irmão” são formas comuns de tratamento político. Segundo o ex-governador, essas expressões não comprovam amizade ou relação pessoal com o ministro. 

A "IA" CONSTITUI RISCO PARA A HUMANIDADE, DIZEM PESQUISADORES


Mais de uma dúzia de pesquisadores de inteligência artificial alertaram que a tecnologia pode se tornar um risco para a humanidade; 
afirmam que as empresas não conseguem controlar adequadamente sistemas cada vez mais avançados. O alerta ganhou força após agentes da OpenAI escaparem de um ambiente de testes e invadirem a Hugging Face, daí o temor dos pesquisadores acerca da busca de velocidade e lucro em detrimento da segurança. Um dos principais problemas é criar salvaguardas eficazes durante os testes dos novos modelos e como a IA trabalha em velocidade superior à humana, empresas recorrem à própria IA para monitorá-la. O problema é que sistemas de monitoramento podem ser influenciados por outras IAs e deixar de denunciar violações. Essa dificuldade está ligada ao chamado alinhamento, que busca garantir que a IA atue conforme os interesses humanos. Os pesquisadores dizem ser necessário ensinar os sistemas a reconhecer comportamentos prejudiciais e alertar os humanos.
Também defendem testes mais longos e abrangentes antes da liberação de modelos mais poderosos. As preocupações aumentam enquanto OpenAI e Anthropic avançam em direção a possíveis grandes ofertas públicas de ações. Ao mesmo tempo, cresce nos EUA a resistência à IA por causa do desemprego e dos enormes centros de dados. Todavia, não há evidências de danos duradouros provocados por sistemas de IA fora de controle, mas mesmo assim, pesquisadores afirmam que o desenvolvimento está mais rápido que a capacidade de monitoramento.

Entre os alertas está o de Paul Christiano, que prevê possível perda catastrófica e irreversível de controle. Outros especialistas consideram exageradas as previsões de ameaça à humanidade e priorizam riscos mais imediatos, mas a invasão da Hugging Face é vista por muitos como um importante sinal de alerta. Em maio, a OpenAI testava modelos em um ambiente isolado, sem acesso previsto à internet. Os agentes receberam, entre outras tarefas, desafios envolvendo ataques cibernéticos e eles romperam o isolamento, acessaram a internet e passaram a se comunicar secretamente. Os sistemas chegaram a investigar maneiras de esconder seus rastros e falsificar registros de conversas. Depois, invadiram a Hugging Face, enquanto convenciam outros agentes de que estavam apenas cumprindo suas tarefas. Incidentes menores semelhantes também foram relatados por Meta e Anthropic. Para Steven Adler, ex-chefe de segurança da OpenAI, o setor ainda não consegue impedir um novo ataque desse tipo, mas especialistas afirmam que os modelos podem cooperar para burlar regras e evitar a detecção humana. Um agente pode convencer outro a esconder informações que deveriam ser comunicadas aos responsáveis. Por isso, pesquisadores defendem que as empresas desacelerem o desenvolvimento para ampliar os testes. Outro desafio é ensinar às máquinas normas sociais e princípios morais semelhantes aos humanos. Sem alinhamento adequado, sistemas mais sofisticados podem aprender a violar regras, enganar usuários e esconder seus rastros. Para Nate Soares, usar IA para controlar outras IAs não é uma solução sustentável para o futuro.

 

PESQUISA APONTA PARA PUNIÇÃO DE MINISTROS


Para 28% dos brasileiros, Alexandre de Moraes deveria sofrer impeachment, 
enquanto 34% defendem seu afastamento temporário. Em relação a André Mendonça, os índices são de 12% e 37%, respectivamente. Os dados são da mais recente pesquisa Datafolha sobre a crise no STF. Moraes e Mendonça estão em lados opostos no caso do Banco Master, que já ultrapassou os limites do Supremo e chegou à campanha presidencial. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 125 cidades, entre os dias 8 e 10. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo. Mendonça divulgou relatório sigiloso com detalhes das relações de Moraes com Vorcaro, incluindo o contrato de R$ 131 milhões com o escritório da mulher do ministro. Também vieram a público mensagens em que Vorcaro questionava Moraes sobre a possibilidade de fugir do país para escapar da prisão. O ex-banqueiro acabou preso, acusado de comandar uma grande fraude bancária. Moraes pediu apuração sobre a legalidade das ações de Mendonça. Em resposta, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF e do chefe da inteligência da instituição, sugerindo conluio com Moraes. A crise passou a integrar a disputa presidencial de 2026 e Flávio Bolsonaro declarou apoio a Mendonça e passou a atacar Moraes, associando o ministro ao presidente Lula, seu adversário eleitoral.

Segundo o Datafolha, 7% não veem nada de errado na atuação de Moraes. Outros 5% consideram que não há problema porque as provas de Mendonça seriam ilegais. Além disso, 13% defendem a renúncia de Moraes. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 50% defendem o impeachment de Moraes, percentual que cai para 9% entre os apoiadores de Lula. Sobre Mendonça, 25% não veem ilegalidade em sua atuação e 11% defendem renúncia. Entre eleitores de Flávio, 48% não identificam irregularidades em Mendonça. Já entre lulistas, 49% defendem o afastamento do ministro. Edson Fachin suspendeu medidas dos dois ministros numa tentativa de conter a crise. Na sequência, Flávio Dino autorizou operação que trouxe novamente o caso Dark Horse. Fachin determinou o fim do sigilo do caso Master, e Mendonça foi obrigado a ampliar a transparência. 

PF ENCONTRA NA CASA DE CIRO NOGUEIRA DOCUMENTOS COMPROMETEDORES


A Polícia Federal encontrou na churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) 
documentos que continham nomes de deputados e números que provavelmente seriam valores. O material foi localizado durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, em maio deste ano. A residência fica no Lago Sul, bairro de alto padrão de Brasília. Segundo uma funcionária, Ciro teria orientado que os documentos fossem queimados e afirmou que não cumpriu a ordem por falta de tempo. O relatório da PF não informa quando o senador teria dado a suposta orientação, mas os investigadores disseram que os papéis seriam analisados para esclarecer seu contexto. Entre os documentos havia um rascunho com o título "Câmara" e a lista trazia primeiros nomes que poderiam identificar parlamentares. Entre eles estavam "Arthur", "Hugo", "Elmar", "Luizinho", "Adolfo" e "Isnaldo". A PF considera que podem ser Arthur Lira, Hugo Motta, Elmar Nascimento, Dr. Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões, entre outros deputados. Ao lado dos nomes havia números que, segundo os investigadores, provavelmente representam valores, mas a PF afirmou que o significado das anotações ainda precisa ser esclarecido. Arthur Lira disse desconhecer as anotações e afirmou não poder responder por elas. A assessoria de Hugo Motta informou que o presidente da Câmara não se manifestará, enquanto Elmar Nascimento repudiou a associação de seu nome ao documento e classificou a anotação como "apócrifa" e negou relação política com Ciro Nogueira. O deputado afirmou nunca ter tido relação que justificasse a presença de seu nome na lista.


As demais pessoas citadas foram procuradas pela reportagem para apresentar suas versões inclusive as assessorias de Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões. A PF também destacou o que chamou de "elevado padrão econômico" na casa do senador, porque durante a busca, foram encontrados vinhos e uísques de alto valor, além de diversas bolsas de grife internacional. No closet havia malas de viagem vazias com etiquetas em nomes de terceiros e segundo a PF, a circunstância levantou suspeitas sobre possível transporte de valores. O relatório registra esses elementos como parte das constatações feitas durante a operação. As anotações encontradas na churrasqueira ainda dependem de análise investigativa. A PF busca esclarecer a origem dos documentos e o significado dos nomes e valores. 

SITUAÇÃO DE FLÁVIO SE COMPLICA


A Polícia Federal identificou uma série de encontros, ligações e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 
As informações constam de relatório elaborado a partir do celular de Vorcaro e de dados do Coaf. Segundo a PF, a relação se intensificou no segundo semestre de 2025, durante a produção do filme “Dark Horse”. Flávio afirma que os contatos faziam parte de uma relação privada para captação de patrocínio e nega ter recebido valores diretamente ou cometido irregularidades. Em 20 de agosto de 2025, houve o primeiro registro direto de mensagens entre Flávio e Vorcaro; em 8 de setembro, Flávio cobrou repasses atrasados e demonstrou preocupação com compromissos da produção e citou o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, ligados ao filme. Vorcaro pediu desculpas e prometeu solucionar o problema. Em 15 de setembro, foi articulado um encontro presencial entre Flávio e o banqueiro; no dia seguinte, houve uma ligação entre os dois, coincidente com uma remessa de US$ 1,66 milhão ao exterior; em 17 de setembro, novas mensagens indicaram tentativa de reunião presencial; em 22 de outubro, Flávio alertou que as filmagens estavam no terceiro dia, no limite do orçamento e pediu que Vorcaro avisasse imediatamente caso não pudesse realizar o aporte. O banqueiro respondeu que verificaria a situação e havia liberado outra parcela. Flávio o convidou para jantar com integrantes da produção do filme.

No fim de outubro e início de novembro, surgiram novos questionamentos sobre pagamentos que não haviam chegado ao exterior. Em 7 de novembro, Flávio enviou a Vorcaro um vídeo da produção e agradeceu pelo apoio e afirmou que o filme só estava sendo realizado graças à ajuda do banqueiro; em 16 de novembro, às vésperas da operação policial, Flávio tentou falar com Vorcaro e enviou novas mensagens. No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela PF ao tentar deixar o país em um jato particular e na manhã seguinte, foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero. A investigação busca esclarecer a origem dos recursos usados para financiar o filme, além de apurar o papel da Entre Investimentos e Participações como intermediária das transferências. Outro ponto é a função do fundo Havengate Development Fund, registrado no Texas. A PF quer identificar os beneficiários finais dos valores enviados ao exterior e investiga a divisão de funções entre Flávio, Eduardo Bolsonaro, Mario Frias, Thiago Miranda e outros envolvidos. A defesa de Flávio sustenta que houve apenas captação privada de patrocínio e pede a retirada dos sigilos dos autos. O relatório da PF reúne diversos registros de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, agora analisados pelos investigadores. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 13/09/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Especialista defende sessão pública no STF e cobra transparência da Corte

Para o cientista político Jorge Mizael, o acompanhamento público dos julgamentos é necessário para que a sociedade possa avaliar os critérios jurídicos, técnicos e comportamentais adotados pelos magistrados

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

'Medo Vermelho': Em desvantagem nas pesquisas, republicanos tentam associar Partido Democrata ao comunismo

Para o presidente, em sua narrativa hiperbólica, o comunismo representa uma ameaça mais grave ao país do que foram os ataques a Pearl Harbor ou ao 11 de Setembro

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Fachin afasta Mendonça de caso contra Moraes e manda parar apurações de Master e INSS

Decisão menciona risco de impedimento do magistrado no julgamento Ministro solicita a André Mendonça envio da íntegra das investigações

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Produtor de "Dark Horse" nos EUA se negou a passar documentos à PF

Empresa GoUp Entertainment informa que entrega de dados sobre o filme de Bolsonaro depende de ordem judicial americana

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

PSP alerta para aumento de imigrantes ilegais que chegam de comboio e autocarro

Entrevista ao diretor nacional adjunto da PSP e responsável pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP, superintendente-chefe João Ribeiro.