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domingo, 4 de fevereiro de 2024

COLUNA DA SEMANA

Os políticos e empresários sempre que são apanhados na prática de corrupção ou outros crimes nem perdem tempo para contestar as investigações promovidas pela Polícia; de imediato, alegam que se trata de perseguição política e esperam com essa manifestação enganar seus seguidores e até mesmo os julgadores. Recentemente, o deputado federal, Carlos Jordy, investigado pela Polícia Federal, com apresentação de mensagens na internet e outros documentos apreendidos, conseguiu apoio de seus colegas e foi emoldurado no quadro de perseguido, merecendo por isso a recondução na liderança da oposição na Câmara dos Deputados. A rebeldia dos bolsonaristas aconteceu porque a Polícia Federal, em cumprimento de mandado de busca e apreensão, na Operação Lesa-Pátria, apreendeu documentos que incriminam o parlamentar como participante dos atos antidemocráticos do 8 de janeiro. Jordy retorceu-se e disse o que seus colegas queriam ouvir: "Somente em ditaduras líderes da oposição são perseguidos. Para incriminar, sei lá, o presidente Bolsonaro. Querem dizimar a oposição. Não sou bandido". O deputado assegurou que nunca participou dos atos do 8 de janeiro, mas é vítima dele.  

Logo depois de Jordy, na quinta-feira, 25, a Polícia Federal cumpriu 21 mandados de busca e apreensão, inclusive contra o deputado federal Alexandre Ramagem, que foi diretor da ABIN entre os anos de 2019 a 2022, no governo Bolsonaro. Integrantes da cúpula da ABIN, naquela época, "usavam serviços ilícitos para interferir em investigações da Polícia Federal que prejudicariam filhos do então presidente, como para produzir provas favoráveis a Renan Bolsonaro, filho mais novo de Jair Bolsonaro". Em seguida, a ação da Polícia Federal direcionou-se para o vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é acusado de ter recebido informações da ABIN em atendimento a pedidos da família. Carlos é conhecido como articulador do "Gabinete do Ódio", porque responsável pelo disparo de mentiras e informações falsas; ele queixa-se e diz que é perseguido pela Polícia Civil de seu estado, porque envolvido em inquérito do Ministério Público do Rio de Janeiro com a prática da rachadinha em seu gabinete de vereador. A Promotoria alega que ele recebeu R$ 91 mil em depósitos sem origem esclarecida; seu chefe de gabinete, Jorge Luiz Fernandes, apoderou-se de mais de R$ 2 milhões em depósitos de servidores de Carlos. As apreensões de celulares e documentos, desencadeadas na Operação da ABIN, vão favorecer esclarecimentos nos outros inquéritos. O deputado Alexandre Ramagem foi homem de confiança de Bolsonaro e aproximou bastante de Carlos, que foi coordenador de sua campanha política. 

A Polícia Federal investiga também o senador Flávio Bolsonaro, em busca de sua participação no uso do software espião FirstMile, no caso da espionagem de políticos e ministros do STF. Enfim, a família do ex-presidente está sob mira de inquéritos e processos que, certamente, mais cedo ou mais tarde descambará em condenação e até prisão. O ex-presidente não tardará para ser enclausurado, pois as investigações, inquéritos e processos levam a esta conclusão: rachadinha, venda de 51 imóveis em dinheiro; superfaturamento de ônibus escolares; interferência da Polícia Federal para suspender investigações contra os filhos; contratação de funcionários-fantasma; associação com as milícias, inclusive a proximidade com Adriano Nóbrega, morto em perseguição policial na Bahia; os cheques de Fabrício Queiroz a Michelle Bolsonaro; a negociação da vacina coronavac, além de outros casos.

Salvador, 4 de fevereiro e 2024.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



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