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terça-feira, 24 de março de 2026

RADAR JUDICIAL


"PENDURICALHOS" EM APRECIAÇÃO

Uma comissão do STF sugeriu usar regras do Imposto de Renda como referência para conter “penduricalhos” no serviço público. A proposta busca definir critérios mais claros entre verbas indenizatórias, fora do teto, e remunerações sujeitas ao limite constitucional. O objetivo é evitar distorções e impedir que adicionais sejam usados para inflar salários. O relatório foi elaborado por representantes dos três Poderes. O texto será analisado pelo plenário do STF a partir de quarta-feira (25). A discussão ocorre após decisões que suspenderam pagamentos considerados irregulares. Pela proposta, a legislação do IR serviria de base para classificar os benefícios. A comissão aponta que a falta de regras uniformes abriu brechas ao longo dos anos. Isso permitiu o uso de vantagens para driblar o teto do funcionalismo. Os valores acima do teto somam bilhões por ano, sobretudo no topo das carreiras. O modelo pressiona o orçamento e reduz investimentos públicos. O grupo defende que o Congresso regulamente o tema por lei.


FRAUDES EM CONCURSOS E PARTICIPAÇÃO DE DELEGADO 

Investigação da Polícia Federal revelou um esquema milionário de fraudes em concursos públicos em Alagoas, atingindo altos cargos da segurança. O delegado-geral da Polícia Civil, Gustavo Xavier do Nascimento, foi citado em delação premiada. Segundo a PF, ele teria descoberto o esquema, mas não prendeu os envolvidos. Em vez disso, passou a se beneficiar da organização criminosa. O principal operador seria Thiago José de Andrade, apontado como chefe do grupo. Ele foi preso em uma das fases da operação. Após a prisão, firmou acordo de delação premiada. As informações fornecidas alteraram o rumo das investigações. De acordo com o delator, o esquema envolvia manipulação de concursos públicos. A fraude gerava lucros milionários para os participantes. O caso foi exibido em reportagem do Fantástico. A investigação segue em andamento pela Polícia Federal.


JÚRI ADIADO, ADVOGADOS PUNIDOS

A juíza Elizabeth Machado Louro determinou que advogados da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior paguem as despesas do Tribunal do Júri após abandonarem o julgamento do caso Henry Borel. A decisão foi anunciada em plenário na segunda-feira (23). A magistrada pediu ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro o levantamento dos custos da sessão, incluindo gastos com Ministério Público, jurados, testemunhas, policiais, servidores, alimentação, energia e escolta. A defesa deixou o plenário após a negativa de adiamento do júri. Diante disso, a juíza dissolveu o conselho de sentença e remarcou o julgamento para junho. “Vejo-me na lastimável contingência de dissolver o conselho”, afirmou. Ela também condenou os cinco advogados ao ressarcimento pelos prejuízos causados. Os réus são Jairinho e Monique Medeiros, que respondem por homicídio triplamente qualificado, além de tortura, coação no processo e fraude processual. 

GOVERNO TRUMP PEDE ARQUIVAMENTO DE PROCESSO 

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu o arquivamento do processo contra dois ex-policiais de Louisville (Kentucky), acusados de falsificar um mandado que levou à morte de Breonna Taylor em 2020. A morte da paramédica negra de 26 anos impulsionou protestos antirracistas em todo o país. O órgão afirmou, após revisão interna, que não pretende seguir com o caso e classificou as acusações como “abuso de poder federal”. A decisão ocorre em meio a mudanças na política sob Donald Trump, com recuo em casos de direitos civis iniciados anteriormente. O arquivamento ainda depende de aprovação judicial. Em 2020, o então procurador-geral Merrick Garland acusou quatro policiais por ações que resultaram na morte de Breonna. Os dois acusados, Kyle Meany e Joshua Jaynes, não estavam presentes na operação. Policiais invadiram o apartamento à paisana; o namorado da vítima reagiu achando ser assalto. Breonna, desarmada, foi morta durante a troca de tiros; nenhuma droga foi encontrada. Parte das acusações já havia sido rejeitada por falta de prova de relação direta com a morte. Ainda restavam acusações menores, como falsificação de documentos. Os dois ex-policiais se declararam inocentes. A defesa celebrou a decisão, enquanto críticos apontam insensibilidade no arquivamento. Ex-integrantes do departamento afirmam que a medida contraria fatos e a legislação.

MICHELLE BUSCA A MÍDIA

Michelle Bolsonaro foi sozinha a uma audiência com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da possível prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, o que irritou aliados. Sem advogados ou familiares, a atitude foi vista como tentativa de protagonismo. Moraes a recebeu em seu gabinete no Supremo Tribunal Federal, com a chefe de gabinete Cristina Gomes. Michelle relatou problemas de saúde do ex-presidente e defendeu a domiciliar, citando risco de broncoaspiração. Ela quis apresentar pessoalmente os argumentos ao ministro. Aliados diferenciaram sua ação da de Flávio Bolsonaro, que integra formalmente a defesa. Flávio esteve com advogados, dando caráter institucional à audiência. Moraes deve decidir em breve sobre o pedido da defesa. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou a favor da domiciliar. A posição elevou a expectativa entre bolsonaristas. Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos por trama golpista. Ele estava preso, foi hospitalizado em 13 de março e já deixou a UTI.

Salvador, 24 de março de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

GOVERNADOR DO PARANÁ DESISTE PARA ENFRENTAR SERGIO MORO


O governador Ratinho Jr. (PSD) anunciou ontem que desistiu da pré-candidatura à Presidência da República e permanecerá à frente do governo do Paraná até o fim do mandato. Em nota, afirmou que tomou a decisão após conversar com a família. Nos bastidores, porém, a avaliação é que a medida busca conter o avanço do senador Sergio Moro (União-PR), que deve se filiar ao PL e contar com apoio de Flávio Bolsonaro. 
Na semana passada, Ratinho rompeu com aliados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro após sinalizar apoio a Moro ao governo do estado. O governador ainda não definiu sucessor, mas os nomes mais cotados são Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, e Guto Silva, secretário de Cidades, ambos do PSD. Segundo a nota do partido, Ratinho concluirá o mandato até dezembro e deixará a disputa interna do PSD para a Presidência. Após isso, pretende retornar ao setor privado e assumir o grupo de comunicação fundado por seu pai. No Paraná, a estratégia do PSD busca frear Moro, que lidera pesquisas com 40,8%, à frente de Rafael Greca (19,7%) e Requião Filho (18%). 

No cenário nacional, a desistência gera incerteza, já que Ratinho era o pré-candidato mais competitivo do partido. Com isso, cresce a possibilidade de Ronaldo Caiado ganhar força na disputa presidencial, enquanto Eduardo Leite pode disputar o Senado. Caiado tem forte apoio no Centro-Oeste e no agronegócio, setor que rejeita tanto Flávio Bolsonaro quanto a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, Caiado é o nome do PSD mais alinhado ao bolsonarismo, defendendo, inclusive, anistia ao ex-presidente e criticando decisões do Supremo sobre os atos de 8 de janeiro de 2023. No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro renunciou ao cargo às vésperas de julgamento no TSE que pode torná-lo inelegível. Ele pretende disputar o Senado pelo PL e já enfrenta dois votos pela condenação por abuso de poder nas eleições de 2022. Com a saída, haverá eleição indireta na Alerj em até 30 dias. Até lá, o estado será comandado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio. A indefinição política cresce, enquanto aliados e adversários se movimentam de olho na sucessão estadual.

TRUMP PROSSEGUE COM MEDIDAS RETALIATÓRIAS CONTRA HARVARD


O governo do presidente Donald Trump anunciou ontem, 23, a abertura de mais duas investigações contra a Universidade Harvard, ampliando a pressão sobre a instituição e outras faculdades de elite dos Estados Unidos. 
O Departamento de Educação informou que seu escritório de direitos civis iniciou as apurações diante de acusações de discriminação contra estudantes com base em raça, cor e origem nacional, o que violaria a legislação federal. As investigações vão analisar se Harvard mantém critérios raciais em admissões, mesmo após a decisão da Suprema Corte de 2023 que proibiu ações afirmativas no ensino superior. Também serão examinadas denúncias de antissemitismo no campus. Relatórios divulgados por grupos internos da universidade no ano passado apontaram que estudantes judeus e muçulmanos sofreram episódios de intolerância e abusos. Em resposta, Harvard afirmou estar comprometida no combate ao antissemitismo e disse adotar medidas para prevenir assédio e discriminação. A instituição nega práticas discriminatórias e afirma cumprir a decisão judicial nas admissões. A universidade também declarou que avalia as ações do governo, classificando-as como medidas retaliatórias por sua recusa em abrir mão da independência e de direitos constitucionais. Na semana passada, o governo processou Harvard para recuperar bilhões de dólares em recursos federais, acusando a instituição de não proteger estudantes judeus. Em fevereiro, outra ação judicial alegou falta de cooperação da universidade em investigação federal, enquanto o governo buscava documentos sobre critérios de admissão. Especialistas e defensores da educação criticam a ofensiva, argumentando que a coleta de dados pode violar a privacidade e comprometer direitos civis.

Um ex-integrante do governo Joe Biden classificou a medida como instrumento para políticas antidireitos civis. A gestão Trump também tem tentado pressionar universidades por protestos pró-Palestina, políticas de diversidade, temas climáticos e direitos transgênero, levantando preocupações sobre liberdade acadêmica. Parte dessas medidas, como o congelamento de recursos federais, enfrenta resistência na Justiça. Trump tem classificado protestos pró-Palestina como antissemitas e acusa universidades de tolerar esse tipo de manifestação. Já manifestantes, incluindo grupos judaicos, dizem que críticas a Israel e apoio aos palestinos são confundidos com extremismo. O governo fechou acordos com algumas instituições, como a Universidade Columbia, que concordou em pagar mais de US$ 200 milhões para encerrar investigações. Acadêmicos alertam que esses acordos criam um precedente preocupante, em que universidades podem ser pressionadas a ceder a exigências do governo para manter seu funcionamento.

 

FIFA É DENUNCIADA POR PREÇOS ABUSIVOS


A FIFA foi denunciada à Comissão Europeia por entidades de torcedores e consumidores que contestam os preços e a venda de ingressos da Copa do Mundo na América do Norte. 
A reclamação foi apresentada pela Football Supporters Europe (FSE), em parceria com a EuroconsumersAs entidades alegam que a FIFA abusa de sua posição dominante no mercado. O caso se baseia no artigo 102 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Esse dispositivo trata do abuso de monopólio. Segundo a denúncia, a FIFA controla totalmente a venda de ingressos. E utilizaria esse poder para impor condições prejudiciais aos consumidores. Entre os pontos criticados estão os preços elevados. E o uso de precificação dinâmica, que varia conforme a demanda. Ingressos a partir de cerca de US$ 60 são anunciados. Mas, segundo as entidades, são raros e difíceis de obter. Também há críticas ao uso de “dark patterns”. Essas técnicas criam urgência artificial na compra. E pressionam o consumidor a decidir rapidamente.

As práticas, segundo a denúncia, excluem parte do público. Taxas de revenda de até 15% elevam ainda mais os custos. A denúncia ocorre em meio a pressão política na Europa. O comissário europeu Glenn Micallef também criticou a situação. Ele citou preocupações com a Copa de 2026. Inclusive fatores externos ao futebol. Micallef questionou países-sede envolvidos em conflitos. E pediu garantias sobre a organização do evento, além de criticar o “Board of Peace”. A iniciativa é vista como tentativa de contornar a Organização das Nações UnidasAs entidades defendem regras de concorrência mais rígidas. E citam decisões recentes, como o caso da Superliga. Se avançar, a investigação pode impor transparência à FIFA.

JUSTIÇA DO TRABALHO CONDENA EMPRESA POR DANO MORAL


Uma empresa de injeção plástica em Manaus (AM) foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 100 mil de indenização a uma trabalhadora vítima de assédio moral, segundo 
decisão da 2ª Turma do TRT da 11ª Região (AM/RR), sob relatoria da desembargadora Eleonora de Souza Saunier. A funcionária comprovou que, por mais de 10 anos, sofreu constrangimentos e ofensas ligadas à sua aparência física. Segundo o processo, ela era obrigada a se pesar em balança industrial diante de colegas. Os resultados eram divulgados com o objetivo de gerar chacotas. Testemunhas confirmaram que a prática envolvia funcionários levados por diretores até o local da pesagem. A trabalhadora também relatou ter sido impedida de servir café em reuniões por causa da aparência. Além disso, recebeu apelidos pejorativos, como “Sapo número 3”. O nome fazia referência a enfeites na mesa do diretor. O caso também envolveu acúmulo de funções. Contratada como analista financeira, ela também atuava como analista ambiental. 

A empresa estava em fase inicial no Polo Industrial de Manaus. A funcionária cuidava de relatórios, projetos e licenças ambientais. Ela atuava junto a órgãos como Ipaam, Suframa e Ibama. Mesmo assim, manteve atividades em financeiras e depois virou supervisora de RH. A relatora considerou as práticas grave violação à dignidade. A pesagem pública foi classificada como constrangimento, não brincadeira. As provas indicaram ambiente de trabalho desrespeitoso e discriminatório. Também houve pressão psicológica constante. A indenização por assédio moral foi fixada em R$ 40 mil e o tribunal reconheceu doença ocupacional ligada ao ambiente, advindo daí o valor de R$ 34 mil por danos morais adicionais, além da manutenção do adicional de 30% por acúmulo de função. A empresa ainda deverá ressarcir R$ 1.500 em despesas médicas. A condenação final importou em R$ 100 mil e a decisão foi unânime.

SAIU NO JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO

TRIBUNAIS NÃO CUMPRIRAM META


Pelo segundo ano seguido, a maioria dos Tribunais de Justiça não cumpriu a meta de julgar processos antigos. Em 2025, apenas o TJ-RR zerou os casos pendentes havia 15 anos ou mais. 
Em 2024, a meta era semelhante, mas nenhuma corte conseguiu atingi-la. Mantido para 2025, o objetivo teve avanço limitado. Apesar disso, os tribunais vêm cumprindo a maior parte das metas definidas anualmente pelo próprio Judiciário. As metas são debatidas no Encontro Nacional do Poder Judiciário, sob coordenação do CNJ. Em 2024, os TJs acordaram julgar até 2025 todos os processos de conhecimento pendentes há 15 anos ou mais. Esses processos tratam do reconhecimento de direitos, diferindo das execuções, que cobram obrigações já definidas. Em 2025, o mesmo objetivo foi renovado para 2026. Dados do CNJ indicam que apenas o TJ-RR cumpriu integralmente a meta. O TJ-TO chegou a aparecer com 100%, mas o próprio tribunal contestou a informação. Entre os melhores desempenhos, o TJ-MA atingiu 99%, seguido por TJ-AP (94,8%) e TJ-RO (92,7%). O TJ-RR teve vantagem pelo baixo estoque: apenas 41 processos antigos. A maioria dos tribunais, porém, tem milhares de casos pendentes. O maior volume está em São Paulo, com cerca de 115 mil processos. O TJ-SP julgou só 27,1% desse acervo. O pior desempenho foi do TJ-RJ, com 11,9% de 48 mil casos. Também ficaram abaixo de 50% os TJs da BA (40,5%) e RS (45,7%).

Outros tribunais ficaram próximos da metade: MG (50,1%), ES (51%), CE (52,5%) e SC (56,2%). Em 2024, todos os tribunais também descumpriram a meta. Naquele ano, o melhor resultado foi do TJ-RR, com 98,4%. Foi o único acima de 90% em 2024. Em 2025, houve leve melhora, com um tribunal atingindo 100% e três acima de 90%. O número de tribunais acima de 75% subiu de cinco para 12. Já os que ficaram abaixo de 50% caíram de 13 para quatro. O CNJ avalia que a meta é essencial para reduzir o estoque de processos antigos. Segundo o órgão, a tendência é de melhora gradual nos próximos anos. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 24/03/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Irã desmente Donald Trump e nega conversa com os Estados Unidos

Presidente dos EUA amplia para cinco dias ultimato à reabertura do Estreito de Ormuz e fala em "conversas muito boas" com o regime teocrático islâmico. Netanyahu defende manutenção da guerra

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Um dia após renunciar, Cláudio Castro volta a ser julgado no TSE com placar desfavorável e risco de inelegibilidade

Análise na Corte será retomada com voto de Nunes Marques, que pediu vista

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Comissão do STF identifica R$ 9,8 bi em penduricalhos acima do teto para juízes, e R$ 7,2 bi ao Ministério Público

Uma das sugestões é usar regra do IR como parâmetro para pagamento; tribunal julga ações sobre o tema na quarta (25) Verbas indenizatórias têm sido usadas para elevar salários para além do teto previsto na Constituição

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Farmácias ou drogarias já podem ser instaladas em supermercados

Lei nº 15.357, que assegura a instalação, foi publicada nesta segunda-feira (23/3) no Diário Oficial da União

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Sobe para 60 o número de mortos em acidente com avião militar na Colômbia

Hércules C-130 caiu logo após decolagem em Puerto Leguízamo

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Superior: alunos vão para a rua para exigir ensino gratuito e de qualidade 

Redução de candidaturas ao Ensino Superior, menos 10 mil candidatos, é uma das preocupações que leva à Manifestação Nacional desta terça-feira. Governo reúne-se com estudantes antes do protesto.

segunda-feira, 23 de março de 2026

RADAR JUDICIAL


DESEMBARGADORA JOANICE LANÇA LIVRO 

A desembargadora Joanice Maria Guimarães lançou na sexta-feira, 20, o livro História da Justiça Restaurativa na Bahia, durante o II Encontro Nacional de Mulheres, que se deu, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A magistrada, pioneira na área, escreveu o livro em coautoria com Cristiana Lopes de Oliveira Coelho e a obra apresenta fatos históricos e experiências, responsáveis pela justiça restaurativa, no estado. A desembargadora assegura que "a justiça restaurativa fortalece vínculos comunitários, contribui para a prevenção e promove uma sociedade mais equilibrada".  


IRÃ PODE FECHAR O ESTREITO DE ORMUZ

O comando operacional do exército, Khatam Al Anbiya, em comunicado divulgado pela televisão estatal, anunciou: "Se forem concretizadas as ameaças dos Estados Unidos relativas às usinas de energia do Irã, (...) o estreito de Ormuz será totalmente fechado e não voltará a ser reaberto até que as nossas usinas destruídas tenham sido reconstruídas". Isso acontece face as ameaças de Donal Trump no sentido de que irá "aniquilar" as usinas de energia, se o Estreito de Ormuz não for aberto ao tráfego marítima em 48 horas. Muitos países dispõem-se em contribuir para assegurar a navegação no estreito, considerando o fato de que um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passa por Ormuz.  


VICE-GOVERNADOR AFASTA POR SUSPEITAS DE LAVAGEM DE DINHEIRO

O Ministério Público do Maranhão pediu o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT) por suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades financeiras. O pedido foi encaminhado ao Tribunal de Justiça pelo procurador-geral Danilo José de Castro Ferreira. A investigação aponta movimentações atípicas e possível uso de terceiros para captar recursos. Segundo o MP, teriam sido levantados R$ 6,3 milhões, além de R$ 4,7 milhões aplicados em imóveis de luxo em São Luís. Os valores seriam incompatíveis com a renda declarada do vice-governador. Camarão nega as acusações e afirma sofrer perseguição política, criticando o vazamento do caso. Ele diz não ter tido acesso ao processo e contesta a condução da investigação. O pedido ocorre perto do prazo de desincompatibilização eleitoral, em 4 de abril. A eventual saída pode impactar a sucessão estadual e os planos do governador Carlos Brandão. Rompidos politicamente, Brandão pretende ficar no cargo e apoia Orleans Brandão ao governo. Camarão é ligado ao grupo de Flávio Dino, hoje ministro do STF, com quem também se afastou. A disputa ampliou divisões políticas no estado, inclusive dentro da base do PT.

SENADORA DAMARES DEIXA COORDENAÇÃO DO MULHERES REPUBLICANAS

A senadora Damares Alves deixará, na terça-feira (24), a coordenação do Mulheres Republicanas, encerrando a parceria com Michelle Bolsonaro, líder do PL Mulher. A nova secretária será Liziane Bayer, suplente de Hamilton MourãoUma solenidade em Brasília marcará a troca de comando e o fim da gestão iniciada em 2023. A saída de Damares aumentou dúvidas sobre o futuro de Michelle no PL Mulher. Ela reduziu viagens após a prisão de Jair Bolsonaro e adiou eventos. Aliados avaliam que Michelle pode deixar o cargo e até disputar o Senado pelo DF. Apesar disso, ela afirma não ter decidido sobre candidatura. Pessoas próximas dizem que ela seguirá apoiando aliadas politicamente. Em SC, garantiu apoio à candidatura de Caroline de Toni ao Senado. Damares e Michelle atuaram juntas em eventos e na campanha de 2022. Michelle também enfrenta críticas internas ligadas à campanha de Flávio BolsonaroDamares deixará o cargo para focar no mandato no Senado.

ESQUERDA FRANCESA VENCE ELEIÇÕES

A esquerda francesa deve manter as prefeituras de Paris e Marselha, derrotando candidatos conservadores, segundo projeções divulgadas no domingo (22). No primeiro turno, o partido de ultradireita de Marine Le Pen havia se destacado nas duas cidades. O resultado é visto como termômetro para a eleição presidencial de 2027, sem a participação de Emmanuel Macron. Em Paris, o socialista Emmanuel Grégoire liderava com 53,1% dos votos contra Rachida Dati. Se confirmado, será o terceiro prefeito socialista consecutivo desde 2001, sucedendo Anne Hidalgo. Dati disputou sob investigação por suspeita de corrupção, que nega. Em Marselha, Benoît Payan caminha para a reeleição contra o ultradireitista Franck Allisio. A vitória foi favorecida pela retirada de um candidato da esquerda radical no segundo turno. Em Lyon, Grégory Doucet foi reeleito com 50,67%, derrotando Jean-Michel Aulas. A participação ficou em torno de 57%, com alta abstenção. O pleito ocorreu em meio à crise política e divisão entre esquerda, centro-direita e ultradireita. Os resultados servem como prévia da disputa presidencial de 2027, liderada por Jordan Bardella.

Salvador, 23 de março de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.




TRUMP MOSTRA-SE INCOERENTE COM DECLARAÇÕES SOBRE GUERRA


Há um paradoxo na relação de Donald Trump com a imprensa: ele a ataca constantemente, mas também recorre a ela em momentos de চাপ político. A guerra no Irã intensificou esse comportamento, com aumento de entrevistas e declarações públicas. 
Apesar de ameaçar emissoras críticas e ofender jornalistas, Trump concedeu ao menos 25 entrevistas em 20 dias de conflito, muitas por telefone e com pouco espaço para questionamentos. Logo no início da guerra, ele falou com veículos como The New York Times, The Atlantic e a ABC News, projetando o fim do conflito em quatro semanas — previsão que não se confirmou. Mesmo assim, Trump acusa a imprensa de divulgar “notícias falsas” e atacar o país, mantendo discurso agressivo contra veículos críticos. Especialistas apontam falta de coerência na comunicação do governo. Para Allison Prasch, não há justificativa clara ou mensagem consistente sobre a guerra. Essa postura se repete entre aliados. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que não há prazo para o fim do conflito e também criticou a imprensa, apesar de declarar que os EUA “estão vencendo”. O Pentágono restringiu o acesso de fotojornalistas e tentou impor regras prévias para publicação de reportagens, rejeitadas por grandes veículos.

A retórica contra a mídia se intensificou com ameaças do chefe da Federal Communications Commission, Brendan Carr, que sugeriu retirar licenças de emissoras por cobertura considerada inadequada. Casos recentes envolveram pressões sobre programas de TV e conteúdos políticos, levantando preocupações sobre liberdade de imprensa. Analistas, como Tom Jones, do Poynter Institute, veem nessas ações traços de intimidação típicos de regimes autoritários. Segundo ele, o objetivo seria forçar uma cobertura mais favorável ao governo, semelhante a uma mídia estatal. Apesar da estratégia, Trump enfrenta alta rejeição: 58% de desaprovação, segundo pesquisas Reuters/Ipsos. Além disso, 55% dos americanos desaprovam os ataques ao Irã, indicando baixa popularidade da guerra. Especialistas apontam que o conflito também serve como distração para problemas internos, como o custo de vida e tensões políticas. No entanto, o aumento do preço dos combustíveis já impacta a população, dificultando o desvio de foco. Assim, a guerra tende a pressionar ainda mais o governo, tanto no cenário externo quanto no doméstico. 

BANCOS FECHAM AGÊNCIAS EM 638 MUNICÍPIOS

ADIADO ULTIMATO AO IRÃ PARA CINCO DIAS


A poucas horas do fim do ultimato dado ao Irã para reabrir o estreito de Hormuz, o presidente Donald Trump anunciou hoje, 23, que adiou por cinco dias os ataques à infraestrutura energética iraniana. Segundo a agência Mehr, o Irã avalia que Trump tenta ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão sobre o mercado de petróleo, mas confirmou haver iniciativas para reduzir a tensão — desde que as propostas partam diretamente dos EUA. Já a Press TV afirmou, com base em fontes anônimas, que não houve contatos relevantes e que o adiamento representa um recuo diante da ameaça iraniana de forte retaliação no golfo Pérsico. Trump, porém, disse que houve “boas e produtivas conversas” nos últimos dias sobre uma possível resolução das hostilidades no Oriente Médio. A decisão reforça o padrão do republicano de elevar a pressão e depois flexibilizar prazos, como já ocorreu em outros conflitos. Para o Irã, mesmo com negociações, o cenário pode ser usado como vitória política após semanas de bombardeios. O adiamento suspende ataques que começariam após o prazo final, às 20h13 (de Brasília), mas Trump não mencionou outras ações militares nem a participação de Israel. Na madrugada, bombardeios israelenses atingiram Teerã, provocando apagões em partes da capital. A falta de energia gerou especulações nas redes sociais sobre possível ação antecipada dos EUA. Até então, o Irã vinha respondendo apenas com retórica, mas reiterou que retaliará qualquer ataque.

O governo iraniano afirmou que poderá atingir infraestrutura energética de Israel e áreas próximas a bases americanas. Também ameaçou fechar o estreito de Hormuz e minar o golfo Pérsico em caso de agressão. Há suspeitas de que trechos da rota já tenham minas marítimas, afetando o tráfego de navios. O estreito é responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás. O aumento da tensão elevou o preço do barril Brent, que chegou perto de US$ 120 na semana passada. Nesta segunda, o petróleo segue volátil, à espera de desdobramentos. Antes do ultimato, Trump havia sinalizado possível desaceleração do conflito. No domingo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, falou em possível escalada antes de recuo e sugeriu ação na ilha de Kharg. Cerca de 5.000 fuzileiros navais dos EUA estão sendo deslocados para a região. O Reino Unido realizou reunião de emergência para avaliar a crise. O premiê Keir Starmer afirmou não ver ataque direto do Irã que justifique entrada britânica na guerra. Bases britânicas foram alvo de drones e mísseis nos últimos dias. Um dos episódios ocorreu na ilha de Diego Garcia, no oceano Índico. O alcance do ataque surpreendeu analistas, por superar estimativas anteriores. A Marinha britânica não comentou a movimentação militar na região. Em Londres, quatro ambulâncias de um serviço judaico foram incendiadas. Starmer classificou o caso como um ataque antissemita “profundamente chocante”.