Os questionamentos sobre possíveis conexões entre o ministro do STF Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro cresceram desde janeiro, quando a relação foi revelada, e são alvo de investigação da Polícia Federal. Toffoli não é investigado formalmente, o que dependeria de autorização do Supremo, mas a PF apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo fundos ligados ao resort Tayayá, no Paraná. Um relatório de 200 páginas foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro. Apesar de não autorizar investigação contra Toffoli, Fachin determinou sua saída da relatoria do caso, agora sob responsabilidade de André Mendonça. A PF reuniu diálogos entre Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel que indicariam repasses de até R$ 35 milhões relacionados ao Tayayá. A conexão surgiu após reportagem apontar que empresa da família de Toffoli vendeu participação no resort a um fundo ligado ao Banco Master. Na época, decisões do ministro causaram estranhamento, como a convocação de uma acareação envolvendo autoridades do Banco Central do Brasil, depois substituída por depoimentos individuais realizados enquanto ele estava no resort.
A sociedade no Tayayá começou em 2021, quando a empresa familiar Maridt vendeu parte do negócio ao fundo Arleen, ligado a uma rede de investimentos sob suspeita. Posteriormente, a participação foi vendida ao empresário Paulo Humberto Barbosa, após mudanças no controle do fundo. Mensagens de 2024 mostram cobranças de Vorcaro sobre aportes no Tayayá, com valores que somariam cerca de R$ 35 milhões. Em nota, Toffoli negou qualquer relação de amizade com Vorcaro e afirmou nunca ter recebido valores dele ou de Zettel. O ministro declarou que a empresa familiar é regular, com informações prestadas à Receita Federal, e que todas as transações ocorreram dentro da legalidade e a preços de mercado. A defesa de Vorcaro não se manifestou.
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