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domingo, 23 de novembro de 2025

RADAR JUDICIAL

ADVOGADA É MORTA A FACADAS PELO MARIDO

A advogada Camilla Santos Silva, 32, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB de Piraju/SP, foi morta a facadas pelo marido, o policial militar Leonardo Silva, 25, na manhã de sexta-feira, 21. Durante a discussão, ele também matou o sogro, de 62 anos, e foi morto por policiais ao tentar atacar a sogra, que se refugiou no banheiro. Vizinhos acionaram a PM após ouvirem gritos. Ao chegar, os agentes flagraram o PM golpeando a esposa. O pai dela estava ferido no chão. Mesmo após ordens para se render, Leonardo avançou em direção ao banheiro e acabou baleado. As vítimas foram levadas ao hospital, mas não resistiram. A Polícia Civil informou que a arma do policial havia sido recolhida na noite anterior após denúncias de ameaça. Em nota, a OAB/SP lamentou o feminicídio, exaltou a atuação de Camilla no combate à violência doméstica e pediu políticas mais eficazes de proteção às mulheres. A entidade manifestou solidariedade à família e afirmou que sua memória deve fortalecer a luta por uma sociedade mais segura e igualitária. 

EMPRESA SEM ALVARÁ DE COMBATE A INCÊNDIO

A 3ª Turma do TRT-9 condenou uma empresa de entregas a pagar R$ 3 mil de indenização por danos morais a 37 empregados de um centro de distribuição em Curitiba, por funcionar mais de 20 anos sem projeto de combate a incêndio e sem alvará do Corpo de Bombeiros. A ação surgiu após denúncias e perícia solicitada pelo sindicato em 2023. O laudo apontou três problemas: iluminação inadequada, ausência de vestiário feminino e inexistência de projeto e alvará contra incêndio. O tribunal considerou que os dois primeiros itens não geram dano coletivo, mas reconheceu “abalo moral indenizável” pela falta de medidas de segurança contra incêndio. A empresa só iniciou a regularização após a perícia. O acórdão afirma que o ambiente descumpria a NR-23, expondo empregados a riscos. O relator destacou que a perícia não substitui a exigência legal imposta pela Lei 13.425/2017. A decisão conclui que a omissão da empresa fere o dever de garantir condições mínimas de segurança e a dignidade dos trabalhadores.

MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO

O STJ rejeitou pedido da Unimed Rio para revisar multa de R$ 2,1 milhões por descumprir decisão judicial. A 2ª Seção indeferiu os embargos de divergência porque o acórdão contestado não analisou o mérito, impedindo a comparação com outros julgados. Segundo o relator, ministro Moura Ribeiro, não há divergência quando um acórdão examina a questão e o outro não ultrapassa a fase de conhecimento. Ele ressaltou que os embargos servem à uniformização da jurisprudência, não à correção de supostos erros do recurso especial, e que a Unimed não negou ter descumprido a ordem judicial. A maioria acompanhou o relator. O ministro Raul Araújo abriu divergência e tentou reduzir a multa para R$ 200 mil, afirmando que o valor se desvirtuou da finalidade e pode comprometer o sistema Unimed. Segundo ele, o descumprimento ocorreu apenas nos pedidos de reembolso, que somaram R$ 45,6 mil, e a multa tornou-se desproporcional.

AUSÊNCIA AO TRABALHO

A juíza corregedora Tatiana Saes Valverde Ormeleze absolveu escrevente técnico judiciária aposentada em PAD que apurava ausências ao trabalho, acolhendo integralmente parecer da comissão processante. Constatou-se que a servidora estava incapacitada por graves enfermidades ortopédicas e psiquiátricas, afastando abandono ou desídia. O PAD investigava faltas reiteradas, mas a instrução mostrou que as doenças comprometiam sua capacidade funcional e volitiva. Apesar disso, ela comunicou ausências, buscou licenças médicas, interpôs recursos e ajuizou ação para resguardar direitos. A chefia imediata destacou seu excelente desempenho e ausência de intenção de abandonar o cargo. A juíza ressaltou que não houve “vontade certa e inequívoca” de descumprir deveres, mas impossibilidade clínica. A Presidência do TJ/SP já havia concedido aposentadoria especial com base em laudo pericial, reconhecendo incapacidade. Com esse conjunto probatório, a magistrada julgou improcedentes as imputações do PAD e determinou comunicações de praxe e arquivamento após o trânsito em julgado.

NA PAULISTA: MANIFESTAÇÕES

Um ato pela prisão de Jair Bolsonaro reuniu manifestantes na avenida Paulista hoje, 23, perto do Masp, apesar da via estar aberta aos carros por causa do vestibular da Fuvest. O protesto de esquerda começou pequeno, mas cresceu com a adesão de pedestres atraídos pela roda de samba e pelo boneco inflável de Bolsonaro como presidiário. Do outro lado da avenida, apoiadores do Novo fizeram ato contra o governo Lula, também com boneco inflável, e disseram discordar da prisão, embora afirmem que a manifestação já estava prevista. Em frente à Fiesp, bolsonaristas pediram anistia para presos de 8 de Janeiro. Bolsonaro foi preso preventivamente no sábado (22), após suspeitas de violação da tornozeleira e risco de fuga. Em vídeo, admitiu ter usado ferro quente no dispositivo. A decisão de Moraes ocorre após fugas de aliados condenados. A defesa afirmou que a prisão se baseou em “vigília de orações” e que recorrerá.

Salvador, 23 de novembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.




PLANO DE PAZ DESAGRADA PUTIN

O plano de paz para encerrar a Guerra da Ucrânia apresentado pelo governo Donald Trump desagradou a linha-dura do Kremlin, apesar de ter sido elaborado com um enviado russo e atender a desejos de Vladimir Putin. Integrantes dessa ala agora tentam derrubá-lo. Segundo fontes com acesso ao poder russo, corre a versão de que Putin não aprovou pessoalmente o plano de 28 itens, vazado pelo Axios, e rejeita ao menos um ponto: entregar um terço dos US$ 300 bilhões de reservas russas congeladas para a reconstrução da Ucrânia. A linha-dura, formada por militares e serviços de segurança, está confiante nos avanços no front e teria convencido Putin de que é possível vencer sem concessões. Isso explica sua reação morna ao plano, que considerou factível, mas sujeito a debate. Ele citou a queda de Kupiansk ao advertir Kiev e europeus. 

O plano prevê manter Donetsk e congelar linhas em Kherson e Zaporíjia, mas exige retirada russa de Kharkiv, Dnipropetrovsk e Sumi, o que desagrada a ala dura. A pressão também mira Kirill Dmitriev, que negociou o texto com Steve Witkoff, ligado a Trump. Há disputa interna: Washington afirma que não se trata de um plano oficial. Witkoff e Marco Rubio foram a Genebra discutir com a Ucrânia e aliados europeus. Com tensões políticas e militares crescentes, cresce o risco de a proposta de Trump fracassar. Enquanto isso, a guerra segue: a Rússia avançou em Donetsk, e a Ucrânia atacou uma usina próxima de Moscou, deixando 33 mil pessoas sem energia. 

TRUMP NÃO FEZ FALTA NA COP30

A COP30 terminou em Belém ontem, 22, marcada pela ausência dos Estados Unidos, que não enviaram delegação oficial. Para alguns, porém, isso não fez falta. O cientista climático Jonathan Overpeck afirma que a ausência impediu a administração Trump de influenciar negativamente o resultado —o que considera positivo. Ele lembra que, sob Trump, os EUA priorizam combustíveis fósseis e se afastam da agenda climática, como demonstra a decisão inédita de faltar à cúpula. Trump justifica sua posição como defesa da indústria americana. Reeleito, voltou a retirar o país do Acordo de Paris, cuja saída só valerá em 2026. Apesar da ausência oficial, cerca de cem americanos foram a Belém em delegação informal, incluindo governadores, prefeitos e representantes da sociedade civil. O destaque foi o governador da Califórnia, Gavin Newsom, que afirmou que seu estado “lidera” enquanto Trump se distancia do palco global.

A presença de figuras como o senador Sheldon Whitehouse, os governadores Tony Evers e Michelle Lujan Grisham e o ex-vice-presidente Al Gore expôs a divisão interna dos EUA sobre clima. Overpeck ressalta que ações climáticas continuam fortes em níveis estadual e municipal, com expansão de energias renováveis e veículos elétricos —inclusive em estados republicanos como o Texas. Ele afirma que prefeitos ganham protagonismo, pois “é nas cidades que as pessoas vivem e veem os benefícios de um ar mais limpo”. Para alguns, porém, a ausência americana traz risco simbólico: John Kerry alertou que o recuo dos EUA pode desestimular outros países a cumprir promessas climáticas. 

COP30 OMITE NOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

O acordo final da COP30 deixou sensação agridoce entre os observadores. Houve avanços em temas sociais e no mecanismo de transição justa, mas novamente o texto evitou citar os combustíveis fósseis, responsáveis por 80% das emissões. Para Afra Balazina, da SOS Mata Atlântica, as recomendações científicas para manter o aquecimento em 1,5°C não foram incorporadas, e falta ambição nas decisões. Natalie Unterstell, do Instituto Talanoa, afirma que, nos dez anos do Acordo de Paris, os países tinham obrigação de responder à lacuna entre promessas e ações, mas o resultado não entrega o salto político necessário. A Decisão de Mutirão excluiu o plano de saída dos fósseis e, em seu lugar, a presidência da COP30 propôs produzir roteiros próprios, sem obrigatoriedade internacional. Para Carolina Pasquali, do Greenpeace Brasil, a “COP da Verdade” expôs a força do lobby dos fósseis e do agronegócio. Na plenária final, países como a Colômbia protestaram contra a omissão dos combustíveis fósseis, interrompendo a sessão.

A adaptação climática, tema central, resultou em texto mais fraco: há apenas um apelo para triplicar recursos em dez anos, sem valores definidos. Representantes de várias regiões criticaram critérios de avaliação pouco transparentes. O número de indicadores caiu de cem para 59, muitos imprecisos, segundo o WWF-Brasil. Também faltam caminhos claros para o financiamento de adaptação, diz a ONG 350.org. Apesar das fragilidades, houve avanços sociais. Grupos vulneráveis, como afrodescendentes e quilombolas, tiveram seu papel reconhecido. Foi aprovado um plano de gênero para a próxima década e registrada a maior participação indígena já vista. Três textos reconheceram explicitamente direitos territoriais indígenas como política central de mitigação. Também foi criado um programa de transição justa, com potencial para reduzir desigualdades se bem implementado. 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA NO DIREITO

Pesquisas mostram que 80% dos profissionais jurídicos dos EUA acreditam que a inteligência artificial generativa (GenAI) já exerce impacto transformador no Direito, tendência que deve se consolidar nos próximos cinco anos. Porém, a tecnologia também gera “alucinações”, como citações de jurisprudência inventadas pelos bots. Juízes e auxiliares, embora também enganados, se preocupam principalmente com erros em petições, que consomem tempo e recursos das cortes. Alguns magistrados passaram a aplicar multas e outras sanções a advogados que utilizam GenAI sem conferir a precisão das informações em bases tradicionais e confiáveis, como Westlaw e Lexis-Nexis. Paralelamente, tribunais adotam regras específicas para conter erros e proteger a integridade do sistema judicial. Entre as medidas, está a exigência de que advogados revelem se usaram IA generativa, alertando para eventuais fontes duvidosas. Outra regra é a certificação de que houve revisão humana de conteúdos produzidos por IA, especialmente fatos e citações jurídicas. A 5ª Região buscou implantar certificados de compliance, mas a proposta não avançou; assim, permanece a responsabilidade tradicional pela veracidade das petições. Juízes reforçam que o Código de Ética já obriga advogados a garantir precisão e veracidade de seus pedidos. Na Flórida, não é obrigatória a revelação do uso de GenAI, mas há dever de confidencialidade, competência e informação ao cliente.

Sanções severas vêm sendo aplicadas a quem apresenta citações falsas, incluindo multas, pagamento de custos, cursos obrigatórios, comunicação à ordem e até desqualificação no processo. Algumas cortes proíbem o uso de IA para argumentos substantivos sem autorização judicial. Em certos casos, é exigido registro das partes do documento geradas por IA. Cresce também o treinamento de juízes para compreender e identificar problemas relacionados ao uso da ferramenta. A American Bar Association recomenda que tribunais e associações desenvolvam diretrizes específicas para a GenAI, destacando que a tecnologia é poderosa, deve ser adotada com transparência e precisa estar alinhada às normas éticas. As “traições” da GenAI, como precedentes inventados, decorrem das fontes usadas no treinamento: a IA coleta conteúdos de blogs, fóruns e notícias variadas, muitas vezes não confiáveis, resultando em precisão de apenas 50% a 60%. Já bases jurídicas tradicionais são mantidas por especialistas, com precisão entre 95% e 99,6%, o que evidencia a diferença de confiabilidade entre as ferramentas. 

ISRAEL E AS NARRATIVAS PARA MATAR

Ataques aéreos de Israel na Faixa de Gaza mataram ao menos 20 pessoas e feriram mais de 80 no dia de ontem, 22, pressionando o frágil cessar-fogo entre Hamas e o governo de Binyamin Netanyahu. O primeiro ataque atingiu um carro no bairro de Rimal, incendiando o veículo e matando cinco pessoas. Em seguida, a Força Aérea israelense bombardeou duas casas em Deir Al-Balah e no campo de Nuseirat, matando ao menos dez pessoas. Mais tarde, outro ataque a uma casa no oeste da Cidade de Gaza deixou cinco mortos. Os militares israelenses afirmaram que um homem armado cruzou para o território sob controle de Israel usando a “estrada humanitária”, violando o cessar-fogo. Hamas rejeitou as alegações, dizendo que Israel busca justificativas para matar. Ambos os lados têm trocado acusações de violar a trégua, em vigor há mais de seis semanas.

O gabinete de Netanyahu acusou o Hamas de romper o acordo e disse que cinco “terroristas de alto escalão” foram mortos. O grupo, por sua vez, afirmou que as violações israelenses exigem ação dos mediadores e dos EUA. Israel pediu que o Hamas cumpra o cessar-fogo entregando os três reféns mortos restantes e concluindo seu desarmamento. A trégua de 10 de outubro reduziu a violência, permitiu o retorno de centenas de milhares de palestinos e ampliou a ajuda humanitária, embora confrontos persistam. Autoridades palestinas dizem que Israel matou 316 pessoas desde então; Israel afirma ter perdido três soldados. A guerra começou após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e sequestrou 251. A ofensiva de Israel matou mais de 69.700 palestinos. Pelo acordo, o Hamas libertou os 20 reféns vivos e entregou restos mortais de 25, enquanto Israel devolveu 330 corpos de palestinos. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 23/11/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

A luta por direitos das mulheres negras ganha as ruas de Brasília

Ao Podcast do Correio, a coordenadora do comitê no Distrito Federal, Thânisia Cruz, fala sobre racismo, igualdade de oportunidades e ocupação de lugares de poder

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Após fogos de artifício e mensagens apagadas, moradores do condomínio de Bolsonaro esperam dias mais tranquilos depois de prisão

Vizinhos do Solar de Brasília trocaram mensagens festivas e tentativas de evitar discussões políticas

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Aliados veem Flávio na mira de Moraes com prisão de Bolsonaro e ensaio de candidatura a presidente

Ministro do Supremo diz que senador tentou 'reeditar acampamentos golpistas e causar caos social' Filho do ex-presidente rebate que vigília seria para oração e que não é hora de falar sobre substituto

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Marina Silva destaca avanços na COP30, mas reconhece progresso modesto

Ministra foi aplaudida no encerramento da conferência em Belém

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Aliados falam em “surto” e afirmam que Bolsonaro acreditou estar ouvindo vozes na tornozeleira

Versão ganhou força após o vídeo em que o ex-presidente admite ter "metido ferro" na tornozeleira

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT  

COP30 fecha com mais frustração do que aplausos: "Falhou realmente naquilo que era essencial"

Para Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero, é claro que as conclusões desta Conferência sobre o Clima, realizada no Brasil, ficaram "aquém do que o planeta exige".

sábado, 22 de novembro de 2025

RADAR JUDICIAL

TRUMP E MAMDANI ENCONTRAM-SE

Na sexta-feira, 21, a Casa Branca sediou o encontro entre Donald Trump e o prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, após trocas de insultos na campanha. Questionado sobre ter sido chamado de “fascista”, Trump minimizou o episódio e interrompeu o democrata, adotando tom mais leve do que semanas antes. A reunião começou de portas fechadas, e depois Trump disse à imprensa que o diálogo foi “muito bom e produtivo”, elogiando a campanha de Mamdani. O prefeito, que se declara socialista, destacou o clima cordial e citou o alto custo de vida em Nova York como prioridade. Apesar de a vitória do democrata representar revés para Trump — que apoiou Andrew Cuomo e ameaçou cortar verbas federais — Mamdani voltou a provocá-lo após a eleição. Ainda assim, Trump falou em cooperação, disse que o novo prefeito é “racional” e afirmou que apoiará iniciativas como ampliar moradias acessíveis, garantindo que “não vai haver diferença partidária”. 

TRUMP MUDA E ELOGIA PREFEITO

Donald Trump recebeu ontem, 21, o prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, e surpreendeu ao elogiá-lo após meses de ataques durante a campanha. No Salão Oval, Trump afirmou que Mamdani, socialista, “pode surpreender conservadores” e que a reunião entre ambos foi “ótima”, destacando temas como moradia e preços de alimentos. O presidente prometeu ajudar o democrata e disse acreditar que “Nova York terá um ótimo prefeito”. Durante a campanha, porém, Trump o chamou de “comunista puro”, ameaçou cortar verbas e até sugeriu sua prisão por discordâncias sobre imigração. Mamdani, primeiro prefeito muçulmano eleito da cidade, também já o havia descrito como “déspota”, mas agora adotou tom conciliador. Após o encontro, Trump disse que o democrata “é diferente” e “pode fazer algo grandioso”. O presidente ainda elogiou a chefe de polícia Jessica Tisch, mantida no cargo. Enquanto isso, a Câmara aprovou resolução contra “os horrores do socialismo”, criticando figuras como Mamdani, cuja inspiração é Bernie Sanders.

DADOS DE BRASILEIROS USADOS

Dados de milhões de brasileiros podem ter sido usados indevidamente para consultas no Córtex, plataforma de inteligência do Ministério da Justiça, por meio de contas ligadas ao governo do Rio. Auditoria identificou 69,2 milhões de CPFs usados em 213 milhões de buscas, indicando automação e geração de documentos para driblar bloqueios. A PF investiga inserção de dados falsos, violação de sigilo e invasão de sistema, incluindo consultas a Pessoas Politicamente Expostas. O caso acirra tensão entre o governo Lula e governadores sobre segurança pública. A chave sob suspeita pertence à Secretaria de Governo do Rio, e não à PM, segundo o estado. Parte dos CPFs usados pertence a autoridades que negam acesso ao sistema. Há temor de uso político das informações. O Ministério da Justiça bloqueou acessos e reforçou controles enquanto apura responsabilidades. Especialistas alertam para risco de vigilância em massa. A PM do Rio nega uso irregular e diz aguardar reativação do acesso.

G20 APROVA DECLARAÇÃO FINAL 

Contrariando Donald Trump, os líderes do G20 aprovaram neste sábado (22) em Joanesburgo uma declaração final defendendo o multilateralismo e ações contra as mudanças climáticas, apesar do boicote americano. O documento de 30 páginas reafirma o compromisso com o Acordo de Paris e cita o TFFF, fundo proposto pelo Brasil, como instrumento inovador. A aprovação foi vista como vitória diplomática para o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, que afirmou que a ausência de uma declaração rebaixaria o primeiro G20 sediado na África. Lula apoiou a iniciativa. O texto também defende sistemas de resposta a desastres, alívio da dívida para países pobres, uso de minerais estratégicos e IA para desenvolvimento sustentável. Condena o terrorismo e pede soluções pacíficas para conflitos na Ucrânia, Gaza e Sudão. O encontro termina domingo, com várias reuniões bilaterais previstas, enquanto protestos foram registrados nas ruas de Joanesburgo.

ESTUDANTES E PROFESSORES PRESOS EM ESCOLA EM NÍGER 

Ao menos 227 estudantes e professores foram sequestrados de uma escola católica no estado do Níger, na Nigéria, ontem, 21, segundo a Associação de Cristãos da Nigéria. É o segundo sequestro da semana, após o rapto de 25 estudantes no noroeste. As vítimas, todas meninas, foram levadas durante a madrugada, em meio a tensões entre Nigéria e EUA sobre a situação da minoria cristã. A ACN afirmou que 215 estudantes e 12 professores foram levados por “terroristas”. Grupos armados e jihadistas seguem minando a segurança no norte e centro do país, onde o Boko Haram sequestrou quase 300 alunas em 2014. Trump ameaçou intervenção militar contra o que chama de assassinatos de cristãos, narrativa rejeitada pelo governo nigeriano. O ataque ocorreu na Escola St. Mary’s; homens armados invadiram o local entre 1h e 3h e mataram um segurança. A polícia mobilizou tropas e colocou forças em alerta. Na segunda, 25 alunas foram sequestradas em Kebbi, e uma fugiu. No dia seguinte, dois fiéis foram mortos e dezenas sequestrados em uma igreja.

Salvador, 22 de novembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

DEPUTADA REPUBLICANA VAI RENUNCIAR

A deputada republicana Marjorie Taylor Greene, figura influente do movimento Maga, anunciou que renunciará ao cargo após desentendimentos com o presidente Donald Trump. Ela permanecerá no posto até 5 de janeiro. Em carta nas redes sociais, afirmou que “lealdade deveria ser uma via de mão dupla” e que o Congresso foi “marginalizado” no governo Trump. Eleita pela Geórgia, Greene era uma das maiores defensoras do presidente. Trump reagiu dizendo que a renúncia é “ótima para o país” e que Greene deveria estar feliz. A saída reduz a já frágil maioria republicana na Câmara para 218 a 213; no Senado, o partido mantém 53 a 47. 

O rompimento ocorre a um ano das eleições de meio de mandato, que podem redefinir o poder de Trump no Congresso. Nos últimos meses, Greene tornou-se uma das críticas mais duras do presidente, surpreendendo aliados e adversários. Ela divergiu de Trump em temas centrais, condenando bombardeios israelenses em Gaza, ataques dos EUA ao Irã e cobrando a divulgação do dossiê de Jeffrey Epstein, sancionada por Trump após mudança de postura. O caso Epstein aprofundou o conflito: Greene disse que Trump deveria focar problemas internos; ele respondeu que ela “perdeu o rumo”. Depois, chamou a deputada de fraca e traidora. Greene, antes tratada como piada por apoiar teorias do QAnon, consolidou-se politicamente e mantém forte base na Geórgia. Porém, os atritos com Trump e a liderança republicana reduzem suas chances de ascender a cargos mais altos no governo. 

EUA ALERTAM SOBRE PERIGO EM VOOS

O ditador venezuelano Nicolás Maduro afirmou ontem, 21, que as estratégias dos Estados Unidos não o deterão. Ao lado da esposa e diante de centenas de jovens, ele dançou ritmos tropicais durante cerimônia pelo Dia do Estudante. 
A fala ocorre em meio à escalada da tensão militar entre Caracas e Washington. Hoje, 22, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) alertou companhias aéreas sobre uma “situação potencialmente perigosa” ao sobrevoar a Venezuela. O comunicado cita o agravamento da segurança e o aumento da atividade militar no país e arredores, indicando riscos para aeronaves em todas as altitudes. Desde agosto, os EUA mantêm navios de guerra — incluindo o maior porta-aviões do mundo — próximos ao país, sob justificativa de conter o tráfico de drogas. Caracas vê o movimento como ameaça militar. Durante as celebrações, Maduro declarou: “É sexta-feira e eu vou festejar! E ninguém pode me parar!”. Ele pediu que estudantes universitários conversem com movimentos estudantis americanos e defendam o fim da guerra.

Enquanto dançava música eletrônica, jovens se declaravam a ele. “Maduro, eu te amo”, gritou uma estudante. “Eu também amo vocês”, respondeu. Segundo Maduro, “o amor dá forças para derrotar ameaças e emboscadas”. Estudantes venezuelanos criticaram os EUA. “Eles querem uma desculpa para invadir”, disse Isabel Cupare. “A juventude venezuelana não quer guerra”, afirmou Eudorangel Tayupe, de 19 anos. A campanha militar americana já deixou mais de 80 mortos em cerca de vinte ataques contra embarcações suspeitas de tráfico. Caracas classifica as ações como execuções extrajudiciais, e o Pentágono não apresentou provas. O governo Trump planeja designar o suposto Cartel dos Sóis, ligado a Maduro, como organização terrorista — grupo cuja existência é contestada por especialistas. A medida criaria base legal para ação militar, embora Trump diga querer dialogar com Maduro. 

VACAS EM NAVIO À DERIVA

Quase 3 mil vacas e bezerros correm risco de vida após ficarem meses presas no navio cargueiro Spiridon II, que saiu do Uruguai rumo à Turquia. A embarcação, em condições precárias, partiu de Montevidéu em 19 de setembro com 2.901 animais e chegou ao porto de Bandirma em 22 de outubro, mas não recebeu autorização para desembarcar. O veto ocorreu porque 469 animais não tinham brincos ou chips eletrônicos obrigatórios. Assim, o navio ficou mais de três semanas ancorado, sem poder descarregar. A superlotação, a falta de ventilação, além da escassez de água e comida agravaram a situação. Sem alternativa, o Spiridon II retornará ao Uruguai, com previsão de chegada em 14 de dezembro. Porém, segundo organizações de proteção animal, a maioria dos animais dificilmente sobreviverá ao trajeto. A tripulação não possui treinamento adequado, tampouco recursos básicos para os cuidados.

Metade das vacas está prenha; abortos são esperados pela falta de higiene. Cerca de 140 bezerros nasceram durante a viagem, mas têm poucas chances de sobreviver. As primeiras estimativas indicam a morte de ao menos 58 vacas. Para Maria Boada Saña, da Animal Welfare, o retorno é uma “viagem de morte”, e a sobrevivência dos animais é improvável.

 

MORRE O MELHOR JUIZ DO MUNDO

Francesco Caprio, que ficou conhecido como Frank Caprio, era tido como o "melhor juiz do mundo", morreu na quarta-feira, 20, aos 88 anos, nos Estados Unidos, vítima de câncer no pâncreas. A morte foi confirmada em suas redes sociais. Ele ficou famoso com o programa “Caught In Providence”, gravado em seu Tribunal Municipal de Providence, em Rhode Island, onde mostrava decisões marcadas por compaixão e humor. Ele ficou conhecido como o "melhor juiz do mundo". Em algumas audiências, chamava crianças para ajudar a julgar os pais e chegou a cancelar multas de estudantes que prometessem seguir os estudos. 
A nota divulgada no Instagram destacou sua compaixão, humildade e impacto positivo na vida de milhões. Caprio era especialmente querido por brasileiros, que enviaram mensagens de apoio em sua última publicação, desejando sua recuperação.

O juiz Caprio, filho de imigrantes italianos, atuou na magistratura por quase 40 anos, deixa a imagem de juiz respeitando, marido dedicado, pai, avô, bisavô e amigo. Deixou a esposa, Joyce E. Caprio, com quem viveu por mais de 50 anos, cinco filhos, sete netos e dois bisnetos. As sessões do magistrado eram gravadas por mais de duas décadas na televisão local e a partir de 2018 tiveram caráter nacional. Ele aposentou-se em 2023. O governador de Rhode Island, Dan McKee, decretou luto no estado e ordenou bandeiras a meio-mastro. Ele afirmou que "o juiz Caprio era um tesouro de Rhode Island. Enquanto lamentamos sua morte, meus pensamentos estão com sua família, amigos e todos que o amavam. Peço a todos os cidadãos de Rhode Island que baixem suas bandeiras em sinal de respeito". Afirmou que Caprio foi um amigo que enfrentou a doença com bravura e disse que sentirá profundamente sua falta.