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sábado, 22 de novembro de 2025

DEPUTADA REPUBLICANA VAI RENUNCIAR

A deputada republicana Marjorie Taylor Greene, figura influente do movimento Maga, anunciou que renunciará ao cargo após desentendimentos com o presidente Donald Trump. Ela permanecerá no posto até 5 de janeiro. Em carta nas redes sociais, afirmou que “lealdade deveria ser uma via de mão dupla” e que o Congresso foi “marginalizado” no governo Trump. Eleita pela Geórgia, Greene era uma das maiores defensoras do presidente. Trump reagiu dizendo que a renúncia é “ótima para o país” e que Greene deveria estar feliz. A saída reduz a já frágil maioria republicana na Câmara para 218 a 213; no Senado, o partido mantém 53 a 47. 

O rompimento ocorre a um ano das eleições de meio de mandato, que podem redefinir o poder de Trump no Congresso. Nos últimos meses, Greene tornou-se uma das críticas mais duras do presidente, surpreendendo aliados e adversários. Ela divergiu de Trump em temas centrais, condenando bombardeios israelenses em Gaza, ataques dos EUA ao Irã e cobrando a divulgação do dossiê de Jeffrey Epstein, sancionada por Trump após mudança de postura. O caso Epstein aprofundou o conflito: Greene disse que Trump deveria focar problemas internos; ele respondeu que ela “perdeu o rumo”. Depois, chamou a deputada de fraca e traidora. Greene, antes tratada como piada por apoiar teorias do QAnon, consolidou-se politicamente e mantém forte base na Geórgia. Porém, os atritos com Trump e a liderança republicana reduzem suas chances de ascender a cargos mais altos no governo. 

EUA ALERTAM SOBRE PERIGO EM VOOS

O ditador venezuelano Nicolás Maduro afirmou ontem, 21, que as estratégias dos Estados Unidos não o deterão. Ao lado da esposa e diante de centenas de jovens, ele dançou ritmos tropicais durante cerimônia pelo Dia do Estudante. 
A fala ocorre em meio à escalada da tensão militar entre Caracas e Washington. Hoje, 22, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) alertou companhias aéreas sobre uma “situação potencialmente perigosa” ao sobrevoar a Venezuela. O comunicado cita o agravamento da segurança e o aumento da atividade militar no país e arredores, indicando riscos para aeronaves em todas as altitudes. Desde agosto, os EUA mantêm navios de guerra — incluindo o maior porta-aviões do mundo — próximos ao país, sob justificativa de conter o tráfico de drogas. Caracas vê o movimento como ameaça militar. Durante as celebrações, Maduro declarou: “É sexta-feira e eu vou festejar! E ninguém pode me parar!”. Ele pediu que estudantes universitários conversem com movimentos estudantis americanos e defendam o fim da guerra.

Enquanto dançava música eletrônica, jovens se declaravam a ele. “Maduro, eu te amo”, gritou uma estudante. “Eu também amo vocês”, respondeu. Segundo Maduro, “o amor dá forças para derrotar ameaças e emboscadas”. Estudantes venezuelanos criticaram os EUA. “Eles querem uma desculpa para invadir”, disse Isabel Cupare. “A juventude venezuelana não quer guerra”, afirmou Eudorangel Tayupe, de 19 anos. A campanha militar americana já deixou mais de 80 mortos em cerca de vinte ataques contra embarcações suspeitas de tráfico. Caracas classifica as ações como execuções extrajudiciais, e o Pentágono não apresentou provas. O governo Trump planeja designar o suposto Cartel dos Sóis, ligado a Maduro, como organização terrorista — grupo cuja existência é contestada por especialistas. A medida criaria base legal para ação militar, embora Trump diga querer dialogar com Maduro. 

VACAS EM NAVIO À DERIVA

Quase 3 mil vacas e bezerros correm risco de vida após ficarem meses presas no navio cargueiro Spiridon II, que saiu do Uruguai rumo à Turquia. A embarcação, em condições precárias, partiu de Montevidéu em 19 de setembro com 2.901 animais e chegou ao porto de Bandirma em 22 de outubro, mas não recebeu autorização para desembarcar. O veto ocorreu porque 469 animais não tinham brincos ou chips eletrônicos obrigatórios. Assim, o navio ficou mais de três semanas ancorado, sem poder descarregar. A superlotação, a falta de ventilação, além da escassez de água e comida agravaram a situação. Sem alternativa, o Spiridon II retornará ao Uruguai, com previsão de chegada em 14 de dezembro. Porém, segundo organizações de proteção animal, a maioria dos animais dificilmente sobreviverá ao trajeto. A tripulação não possui treinamento adequado, tampouco recursos básicos para os cuidados.

Metade das vacas está prenha; abortos são esperados pela falta de higiene. Cerca de 140 bezerros nasceram durante a viagem, mas têm poucas chances de sobreviver. As primeiras estimativas indicam a morte de ao menos 58 vacas. Para Maria Boada Saña, da Animal Welfare, o retorno é uma “viagem de morte”, e a sobrevivência dos animais é improvável.

 

MORRE O MELHOR JUIZ DO MUNDO

Francesco Caprio, que ficou conhecido como Frank Caprio, era tido como o "melhor juiz do mundo", morreu na quarta-feira, 20, aos 88 anos, nos Estados Unidos, vítima de câncer no pâncreas. A morte foi confirmada em suas redes sociais. Ele ficou famoso com o programa “Caught In Providence”, gravado em seu Tribunal Municipal de Providence, em Rhode Island, onde mostrava decisões marcadas por compaixão e humor. Ele ficou conhecido como o "melhor juiz do mundo". Em algumas audiências, chamava crianças para ajudar a julgar os pais e chegou a cancelar multas de estudantes que prometessem seguir os estudos. 
A nota divulgada no Instagram destacou sua compaixão, humildade e impacto positivo na vida de milhões. Caprio era especialmente querido por brasileiros, que enviaram mensagens de apoio em sua última publicação, desejando sua recuperação.

O juiz Caprio, filho de imigrantes italianos, atuou na magistratura por quase 40 anos, deixa a imagem de juiz respeitando, marido dedicado, pai, avô, bisavô e amigo. Deixou a esposa, Joyce E. Caprio, com quem viveu por mais de 50 anos, cinco filhos, sete netos e dois bisnetos. As sessões do magistrado eram gravadas por mais de duas décadas na televisão local e a partir de 2018 tiveram caráter nacional. Ele aposentou-se em 2023. O governador de Rhode Island, Dan McKee, decretou luto no estado e ordenou bandeiras a meio-mastro. Ele afirmou que "o juiz Caprio era um tesouro de Rhode Island. Enquanto lamentamos sua morte, meus pensamentos estão com sua família, amigos e todos que o amavam. Peço a todos os cidadãos de Rhode Island que baixem suas bandeiras em sinal de respeito". Afirmou que Caprio foi um amigo que enfrentou a doença com bravura e disse que sentirá profundamente sua falta. 


BOLSONARO TENTA FUGIR E É PRESO

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirmou que a tornozeleira eletrônica do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso preventivamente hoje, 22, foi violada às 0h08. Na decisão, citou risco de fuga e tentativa de causar tumulto para obter vantagens pessoais. Segundo Moraes, o Centro de Monitoração comunicou a violação, indicando intenção do réu de romper o equipamento para facilitar uma possível fuga, estimulada pela manifestação convocada por Flávio Bolsonaro. A prisão foi decretada após o senador chamar uma vigília em frente ao condomínio do pai. Moraes mencionou descumprimento de medida cautelar, risco à ordem pública e a proximidade da residência da embaixada dos EUA, a 13 km, distância percorrível em cerca de 15 minutos. O ministro lembrou ainda que Bolsonaro já planejou fugir para a embaixada da Argentina pedindo asilo político.

Para Moraes, a vigília repete o modus operandi da organização criminosa atribuída ao ex-presidente, usando manifestações para obter vantagens. O tumulto teria potencial de comprometer a prisão domiciliar e favorecer nova tentativa de fuga. A PF esteve no condomínio às 6h, levando Bolsonaro para a Superintendência, onde ficará em “sala de Estado”. Ele estava em prisão domiciliar desde agosto, por investigação ligada a Eduardo Bolsonaro, que teria buscado sanções estrangeiras contra autoridades brasileiras, enquanto o ex-presidente incentivava ataques ao STF e apoio à intervenção externa no Judiciário.



TRUMP TRAMA COM PUTIN PARA RENDIÇÃO DA UCRÂNIA

Uma proposta preliminar elaborada por autoridades dos EUA e da Rússia, inspirada no plano de paz para Gaza, passou a circular com 28 pontos destinados a encerrar a guerra na Ucrânia. O plano impõe exigências consideradas maximalistas por Moscou e equivalentes a uma rendição ucraniana, segundo Axios, AFP e AP. Zelensky afirmou esperar discutir o documento com Trump, mas ressaltou que qualquer acordo deve garantir uma “paz digna” e respeitar a soberania ucraniana. Membros do governo reagiram com indignação, classificando a proposta como uma capitulação. O roteiro afronta várias linhas vermelhas de Kiev e deve enfrentar resistência dos aliados europeus, que querem participar de eventuais negociações. O texto teria sido elaborado por autoridades dos dois países, entre elas Kirill Dmitriev, ligado ao fundo soberano russo, e Steve Witkoff, enviado de Trump. A Casa Branca declarou apoio ao plano, que estaria sendo discutido discretamente há um mês com Rússia e Ucrânia. Entre os pontos centrais, a Ucrânia reconheceria a Crimeia, Luhansk e Donetsk como território russo, além de aceitar zonas desmilitarizadas e o congelamento das linhas de frente em Kherson e Zaporizhzhia. A usina de Zaporizhzhia ficaria sob supervisão da AIEA, com divisão da energia entre os dois países.

Na área de segurança, o plano exige que a Ucrânia reduza suas forças para 600 mil soldados, abandone a entrada na Otan e aceite a ausência de tropas da aliança em seu território. Em troca, receberia garantias de segurança não especificadas, com jatos europeus posicionados na Polônia. No campo diplomático, prevê-se a reintegração da Rússia à economia global, inclusive ao G8, além do uso de US$ 100 bilhões de ativos russos congelados para reconstruir a Ucrânia. O restante dos fundos iria para um fundo conjunto EUA–Rússia. O plano prevê ainda eleições em 100 dias, programas educacionais bilaterais e anistia geral. A implementação seria supervisionada por um Conselho de Paz presidido por Donald Trump, com cessar-fogo imediato após a assinatura. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 22/11/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Jair Bolsonaro é preso pela Polícia Federal

Ex-presidente foi levado para a Superintendência da PF, em Brasília. Prisão ocorre em reta final do julgamento da trama golpista

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Preso preventivamente 

Em decisão sobre prisão, Moraes cita distância da casa de Bolsonaro da embaixada dos EUA
Ministro cita ainda plano anterior de pedido de asilo político à Argentina

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

'Ninguém me para', diz Maduro em meio a aumento de tensão militar com os Estados Unidos

Ditador dançou e pediu paz durante celebração do Dia do Estudante em Caracas Estados Unidos, por outro lado, orientam companhias aéreas a evitarem espaço venezuelano, alegando risco para segurança das operações

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Chuvas na Bahia: estado é atingido por mais de 90 mil raios em 48 horas

Distribuidora reforça os cuidados necessários para evitar acidentes com a eletricidade durante temporais

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Trump e Mamdani surpreendem com reunião cordial e prometem trabalhar por Nova York

Encontro, que surpreendeu muitos devido aos meses de enfrentamentos e trocas de farpas, mostrou ambos sorridentes diante das câmeras

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Peso dos salários públicos em Portugal regista terceira maior quebra da UE desde 2008

Ministro das Finanças diz que margem do OE2026 é quase zero, mas vai tentar uma nova medida: estancar o aumento do número de funcionários públicos que se prolonga há 14 anos, travando massa salarial.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

RADAR JUDICIAL

TRANSPORTE GRATUITO DE ANIMAIS

O STF declarou inconstitucional a lei do Rio de Janeiro que garantia transporte gratuito de animais de suporte emocional e de serviço na cabine de aviões em voos nacionais com origem ou destino no estado. A decisão ocorreu no julgamento da ADI 7754, proposta pela CNT. A lei, que entraria em vigor em 29 de novembro de 2024, já estava suspensa por liminar do ministro André Mendonça, que teve o mérito analisado pelo Plenário. Mendonça afirmou que a norma estadual oferece proteção inferior à regulamentação federal da Anac, com conceitos mais restritivos para animais de assistência emocional. Destacou também parâmetros vagos para recusa das empresas aéreas e possibilidade de cobrança adicional, o que contraria regras federais. Outro problema foi o limite mínimo de dois animais por voo, permitindo restrições. No aspecto da competência, Alexandre de Moraes entendeu que a lei não invade atribuições da União, mas, no mérito, acompanhou o relator por restringir direitos das pessoas com deficiência. Cármen Lúcia, Flávio Dino, Toffoli e Fachin seguiram o voto. 

ADIAMENTO DA COP30

Apesar de a organização afirmar que o cronograma da COP30 segue mantido até sexta (21), o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, admitiu que as negociações podem avançar além do previsto, devido a temas ainda em aberto e fortes divergências. Ele afirmou ao J10 que o objetivo é concluir hoje, mas sem apresentar documentos não debatidos. Ana Toni, diretora-executiva da COP, disse que houve ajustes no cronograma para viabilizar um texto final, com consultas iniciadas ontem e debates podendo avançar pela madrugada.
A Zona Azul da conferência foi reaberta às 20h40 após avaliação de segurança pelo Corpo de Bombeiros, segundo comunicado divulgado às 21h30. As autoridades restabeleceram o alvará e devolveram a área à UNFCCC, mantendo isolada a parte atingida pelo incêndio. As plenárias, suspensas desde a tarde, serão retomadas na manhã desta sexta-feira. A organização informou que acompanha o estado de todas as pessoas atendidas após o incidente.

JUÍZA MANDA TROPAS DEIXAR WASHINGTON

Uma juíza federal dos EUA ordenou ontem, 20, a retirada das tropas da Guarda Nacional de Washington, representando novo revés para Donald Trump. Jia Cobb suspendeu a ordem por 21 dias para permitir recurso. Trump enviou tropas para Washington, Los Angeles e Memphis, alegando combate ao crime e à imigração ilegal. Mais de 2.000 membros da Guarda Nacional passaram a patrulhar a capital desde 11 de agosto. O procurador Brian Schwalb acionou a Justiça para barrar o destacamento, dizendo que o uso da Guarda na aplicação da lei é desnecessário e perigoso. Cobb afirmou que o governo agiu ilegalmente ao enviar tropas para funções não militares sem solicitação das autoridades locais e ao trazer efetivos de outros estados. A Califórnia também contestou o envio de tropas a Los Angeles; um juiz considerou a medida ilegal, mas um tribunal depois a permitiu. Outros juízes bloquearam temporariamente operações em Chicago e Portland. A Suprema Corte deve decidir em breve sobre a legalidade das ações. Trump nega motivação política.

PRISÃO DE DEPUTADO

O STF determinou nesta sexta (21) a prisão do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), após a PF identificar risco de fuga. Condenado a 16 anos pela trama golpista, ele teve ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes. Caso não seja localizado, será considerado foragido. O PSOL já havia pedido sua prisão preventiva, citando ainda outros condenados pelo golpe de 2022, mas sem incluir Jair Bolsonaro. Ramagem foi condenado por organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A sigla afirma que ele estaria em Miami, reforçando suspeita de fuga. Na terça (18), ele votou remotamente e pediu celular em roaming internacional, o que aumentou as suspeitas. A Câmara diz não ter sido informada de sua saída do país. O PSOL aponta violação das condições impostas pelo STF. Com a ordem de prisão, inicia-se a execução da pena, salvo novos recursos. A defesa não comentou. A prisão pode levar à perda de mandato e é vista como parte do endurecimento das instituições diante de atos antidemocráticos.

CONVESAS GRAVADAS ENTRE PRESO E ADVOGADO 

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) autorizou, a pedido do Ministério Público estadual, a captação ambiental de conversas entre presos e advogados na Penitenciária Estadual de Segurança Máxima, em Aquiraz. A decisão foi unânime na 3ª Câmara Criminal e segue modelo adotado em presídios federais, visando impedir que chefes de facções usem advogados para transmitir ordens criminosas. O Estado deverá adquirir equipamentos para realizar a captação. O TJCE afirmou que a medida é excepcional, com prazo determinado e sujeita à reserva de jurisdição, diante de indícios de uso do presídio para atividades ilícitas. A OAB-CE criticou a decisão, alegando violação do sigilo profissional, afronta ao Estatuto da Advocacia, à Lei de Execução Penal e à Constituição, afirmando que políticas de segurança não podem comprometer o direito de defesa e as prerrogativas da advocacia.

Salvador, 21 de novembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.



MUDANÇA DE GÊNERO SERÁ MONITORADA PELOS EUA

Os Estados Unidos anunciaram que passarão a monitorar países que adotam políticas de ação afirmativa, permitem mudanças de gênero para crianças ou subsidiam o aborto, práticas que serão tratadas como violações de direitos humanos no relatório anual. Segundo o porta-voz Tommy Pigott, novas ideologias têm permitido abusos, e o governo Trump não deixará que práticas como “mutilação de crianças” ou restrições à liberdade de expressão avancem sem controle. Com a política externa alinhada ao “América Primeiro”, Washington reformulou o aparato de direitos humanos para adequá-lo a prioridades econômicas e à agenda voltada à base conservadora. O secretário de Estado, Marco Rubio, instruiu embaixadas a monitorar políticas de diversidade, equidade e inclusão que deem “tratamento preferencial” com base em raça, sexo ou casta. 

As novas diretrizes exigem que diplomatas relatem investigações sobre liberdade de expressão, subsídios ao aborto e números estimados de abortos. Embaixadas também deverão informar sobre países que permitam “mutilação química ou cirúrgica” de crianças em processos de transição de gênero. As mudanças seguem prioridades de Trump, que restringiu políticas para pessoas trans, como o marcador de gênero “X” em passaportes. O governo também suavizou críticas a aliados como El Salvador e Israel, enquanto ampliou alertas sobre Europa, Brasil e África do Sul. O relatório mais recente minimizou referências a direitos LGBTQ+, inclusive em países como Uganda. A Anistia Internacional classificou a mudança como assustadora e discriminatória. 

RETIRADAS TARIFAS DE 40%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ontem uma ordem executiva retirando tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café, açaí e cacau. Ao todo, mais de 200 itens foram incluídos na lista de exceções ao tarifaço aplicado ao Brasil. 
Trump justificou a decisão com base em uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de outubro, e em recomendações de funcionários da Casa Branca, em meio à pressão para conter a inflação no varejo. Produtos como café e carne bovina acumularam altas de 20% e 18% no CPI em relação a 2024. Esses itens, além de cacau em pó, açaí, banana, limão, mamão, laranja, coco, mate, castanha-de-caju e especiarias diversas, ficaram livres da sobretaxa. A medida vale para mercadorias que entraram nos EUA desde 13 de novembro, data da reunião entre Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio.

O tarifaço havia sido imposto por Trump em julho, sob alegação de perseguição do governo brasileiro a Jair Bolsonaro, condenado pelo STF por tentativa de golpe. Lula comemorou a decisão, afirmando que Trump “já começou a reduzir algumas taxações” e que a mudança reflete respeito mútuo nas negociações. O Itamaraty também celebrou a medida e destacou a disposição do Brasil em solucionar pendências bilaterais. A Abiec afirmou que a reversão reforça a estabilidade do comércio internacional. Já a Amcham classificou a eliminação das sobretaxas como “muito positiva”, por fortalecer a competitividade das empresas brasileiras e representar um avanço no diálogo entre os países. 

INDICAÇÃO DE MESSIAS AFASTA SENADO DO GOVERNO

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF deve abalar a relação do governo com o Senado, hoje base essencial da governabilidade de Lula. Davi Alcolumbre e parte dos parlamentares preferiam Rodrigo Pacheco. Após a decisão ser oficializada, Alcolumbre demonstrou incômodo, especialmente porque esperava um telefonema prévio de Lula, o que não ocorreu. 
Horas depois da indicação, o presidente do Senado pautou um projeto de alto impacto fiscal sobre aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde. Alcolumbre já sinalizou que não atuará pela aprovação de Messias, embora o indicado tenha recebido apoio público do ministro André Mendonça. A crise atinge especialmente o líder do governo, Jaques Wagner, defensor da escolha e amigo de longa data de Lula. Alcolumbre também se irritou após Wagner revelar à imprensa que ele havia manifestado preferência por Pacheco. Parlamentares relatam que Alcolumbre deixou de atender telefonemas do líder do governo. A preferência de Lula por Messias já era conhecida, mas ganhou força após conversa final com Pacheco, quando o presidente comunicou que escolheria outro nome. 

Na terça-feira, Alcolumbre expôs o descontentamento publicamente. Nos bastidores, líderes de bancada articulam insistir em Pacheco, favorito da maioria do Senado. Lula, porém, considera a escolha uma prerrogativa exclusiva da Presidência. O indicado só assumirá após sabatina na CCJ e aprovação em plenário com ao menos 41 votos secretos. A última rejeição a um nome presidencial para o STF ocorreu no século 19. A votação apertada que reconduziu Paulo Gonet à PGR foi interpretada como recado a Lula; ele obteve 45 votos, apenas quatro acima do mínimo. Alcolumbre foi decisivo para a aprovação, mas já indicou que não repetirá o esforço por Messias. Wagner minimiza resistências. Contra Messias pesa o temor de que ele se torne um “novo Flávio Dino”, postura que irritou parlamentares ao fiscalizar emendas. A vaga aberta é a de Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria. A indicação recebeu apoio de petistas, críticas de bolsonaristas e respaldo de parte do centrão. Gleisi Hoffmann e Randolfe Rodrigues exaltaram a trajetória e o compromisso institucional de Messias. Já aliados de Bolsonaro afirmaram que sua aprovação significaria décadas de influência “de esquerda” no tribunal. O Republicanos manifestou apoio ao indicado, destacando sua formação e valores. 

TRUMP ATACA DEMOCRATAS E AMEAÇA PRISÃO

O presidente dos EUA, Donald Trump, atacou democratas que orientaram militares a recusarem ordens ilegais. Chamou-os de traidores e defendeu pena de morte. As críticas ocorreram após vídeo divulgado por seis legisladores democratas com histórico nas Forças Armadas ou inteligência. 
Trump republicou um artigo sobre o caso e escreveu no Truth Social que o gesto configuraria “comportamento sedicioso” e pediu a prisão dos parlamentares. Entre eles estão os senadores Elissa Slotkin e Mark Kelly, e os deputados Jason Crow, Maggie Goodlander, Chris Deluzio e Chrissy Houlahan. Embora não citassem ordens específicas, o alerta surge diante de mudanças profundas promovidas por Trump nas Forças Armadas. Crow afirmou que o grupo busca proteger militares de possíveis ordens ilegais e lembrou obrigações do código militar e da lei da guerra. Ele disse que Trump já sugeriu ações que violariam a lei e colocariam os militares em situação delicada. 

A repercussão cresceu após Stephen Miller, assessor especial de Trump, acusar os democratas de incentivar rebelião nas Forças Armadas. Desde seu retorno ao cargo, Trump tem ampliado o uso dos militares em operações domésticas, especialmente contra protestos e para ações de imigração em cidades democratas. O Pentágono, sob Pete Hegseth, tem demitido oficiais considerados desleais pela Casa Branca. Em setembro, Trump e Hegseth reuniram centenas de generais em Quantico para reforçar a politização esperada. Há também mobilização militar no Caribe para ações antidrogas, que já resultaram em mais de 80 mortes sem evidências conclusivas. O Departamento de Justiça prepara argumentos para blindar militares de responsabilização por tais ataques. As operações incluem pressão sobre o regime de Nicolás Maduro, que Trump considera ligado ao narcotráfico. Há receio de que tropas na região entrem na Venezuela sem base legal, o que preocupa opositores e parte da comunidade militar.