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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

MORAES AUTORIZA VISITA DE FLÁVIO AO PAI E AUTORIZA EXECUÇÃO DE PENA CONTRA EDUARDO


O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou nesta segunda-feira (12) as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar desde março. O senador estava proibido de visitá-lo desde 13 de julho, por determinação de Moraes. A suspensão ocorreu após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente. O ministro considerou que a publicação violou a proibição de Jair Bolsonaro utilizar redes sociais, diretamente ou por terceiros. A Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado favoravelmente ao pedido de visita. A autorização acontece após decisões recentes do Supremo envolvendo aliados do bolsonarismo. Na terça-feira (6), Moraes autorizou a progressão de regime de Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”. Condenada a 14 anos de prisão pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, ela poderá progredir para o regime semiaberto. Como já cumpria prisão domiciliar desde março de 2025, continuará nessa condição, considerada mais favorável. Moraes reduziu sua pena em 212 dias por atividades de trabalho e leitura durante a prisão. Também considerou a aprovação de Débora no Enem de 2023, realizado quando estava presa preventivamente. 

Em outra decisão, Gilmar Mendes arquivou um pedido de investigação contra Alfredo Gaspar, deputado do PL e candidato a vice-presidente na chapa de Flávio. A Polícia Federal havia solicitado autorização para investigar uma suspeita de estupro de vulnerável. A PGR, porém, recomendou o indeferimento do pedido e o arquivamento do caso. Segundo a Procuradoria, os elementos disponíveis não permitiam confirmar a origem das comunicações nem identificar os envolvidos. Gilmar afirmou que não havia indícios suficientes para instaurar o inquérito. Moraes também arquivou uma investigação contra o senador Marcos do Val, os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio e o influenciador Ednardo Raposo. O procedimento, que tramita sob sigilo, apurava suspeitas de obstrução de investigações e corrupção de menores. O ministro explicou que o pedido de arquivamento apresentado pelo Ministério Público deve ser acolhido, salvo o surgimento de novas provas. Em sentido diferente, Moraes determinou o início da execução da pena de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, inicialmente em regime semiaberto. A condenação decorre de coação praticada nos Estados Unidos, com o objetivo de intimidar o Judiciário brasileiro. Segundo o processo, a conduta buscava impedir a análise da trama golpista. Moraes declarou o trânsito em julgado da condenação, encerrando a possibilidade de recursos. Com isso, tornou-se possível iniciar o cumprimento da pena imposta ao ex-parlamentar. As decisões envolvem situações processuais distintas e diferentes investigados ligados ao cenário político nacional. A autorização para Flávio visitar o pai encerra uma restrição que vigorava desde julho. Os demais casos tiveram desfechos definidos conforme as manifestações do Ministério Público e as decisões judiciais. O conjunto de medidas reúne autorizações, arquivamentos, redução de pena e início de execução de condenação. As decisões do STF voltaram a colocar processos envolvendo Jair Bolsonaro e seus aliados no centro do debate político. 

DIRETORA DO FMI ALERTA SOBRE IMPACTOS DA IA


A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, alertou para os impactos da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho e na arrecadação tributária. Ela pediu que governos repensem a educação e adotem medidas para preparar a sociedade para as mudanças tecnológicas. “É um tsunami em câmera lenta, mas ainda assim um tsunami”, afirmou na segunda-feira (5), em Bangkok. A declaração foi feita durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial. Segundo Georgieva, a IA já reduz a demanda por trabalhadores ao assumir tarefas rotineiras e repetitivas. Ao mesmo tempo, cresce a oferta de empregos de baixa remuneração em setores como a construção civil. Para a dirigente, essa transformação não representa motivo de comemoração. As mudanças também podem produzir consequências profundas para as finanças públicas. O avanço da tecnologia tende a favorecer o capital em detrimento do trabalho. Essa mudança ameaça as receitas governamentais, tradicionalmente sustentadas pela tributação do trabalho. O alerta reforça as preocupações sobre os efeitos da IA na economia mundial. Jovens profissionais de áreas mais expostas à tecnologia já enfrentam desaceleração nas contratações. Os candidatos a vagas iniciais estão entre os mais vulneráveis a essa tendência. Também aumenta o temor de que a IA aprofunde as desigualdades econômicas e sociais. Até agora, os benefícios da tecnologia permanecem concentrados em determinados grupos e economias. Isso ocorre apesar do ciclo global de grandes investimentos no setor.Georgieva reconheceu que ainda é difícil prever como será o mercado de trabalho nos próximos cinco anos. 

Ela defendeu acompanhar rigorosamente as mudanças e avaliar seus efeitos. A dirigente também pediu que os governos aprendam com as experiências e coloquem soluções em prática imediatamente. Apesar dos riscos para o emprego, a inteligência artificial pode impulsionar o crescimento econômico. O FMI estima que sua disseminação poderá acrescentar até um ponto percentual ao crescimento das economias avançadas da Ásia. Esse resultado representaria um avanço significativo para os países da região. Segundo Georgieva, o crescimento adicional poderá compensar os efeitos negativos do envelhecimento populacional. O fenômeno demográfico preocupa especialmente as economias mais ricas da Ásia. A adoção da IA, portanto, apresenta oportunidades e desafios para governos e trabalhadores. O principal desafio será aproveitar os ganhos de produtividade sem ampliar a exclusão profissional. A adaptação dos sistemas educacionais será essencial para preparar os trabalhadores para novas funções. Políticas públicas também precisarão acompanhar as mudanças na distribuição de renda. Os governos terão de avaliar como a transformação tecnológica afetará suas fontes de arrecadação. Para o FMI, agir desde já será fundamental para enfrentar os impactos da inteligência artificial

"IA" MAL UTILIZADA OU GUERRA NUCLEAR PODE ACABAR COM A HUMANIDADE


Estudo publicado pela revista médica The Lancet aponta que a inteligência artificial (IA) mal utilizada e uma guerra nuclear estão entre as ameaças capazes de provocar a extinção da humanidade até 2100. A avaliação identificou 17 grandes riscos à saúde humana nos próximos 75 anos, incluindo mudanças climáticas, pandemias, resistência antimicrobiana, desnutrição infantil e redução da ajuda internacional. O levantamento foi elaborado por uma comissão de 35 especialistas e apresentado neste domingo (11), durante a Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim, na Alemanha. Segundo os pesquisadores, as ameaças estão interligadas e exigem ações coordenadas dos governos para prevenir crises de grandes proporções. Uma guerra nuclear poderia desencadear fome mundial caso partículas lançadas na atmosfera bloqueassem a luz solar, prejudicando a agricultura e a produção de alimentos. Outro risco é o desenvolvimento de armas biológicas com o uso malicioso da inteligência artificial, ampliando a capacidade de provocar danos em larga escala. Um editorial da Lancet alerta que a concretização desses cenários poderia representar um verdadeiro apocalipse para a humanidade. Para avaliar os riscos, os pesquisadores calcularam os anos de vida saudável que seriam perdidos por doenças, incapacidades e mortes prematuras. Entre as ameaças classificadas como catastróficas estão poluição do ar, resistência antimicrobiana, colapso climático, conflitos convencionais, obesidade e problemas de saúde mental. Esses riscos podem provocar, individualmente ou em conjunto, perdas superiores a 1 bilhão de anos de vida ajustados por incapacidade. 

Ibrahim Abubakar, integrante da comissão e professor da University College London, afirmou que o objetivo não é assustar a população, mas orientar os responsáveis pelas decisões públicas. Segundo ele, os governos precisam reconhecer a dimensão dos perigos e compreender que medidas preventivas podem fazer diferença. Christopher Murray, copresidente da comissão e diretor do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, destacou a responsabilidade dos líderes atuais. Para o especialista, as decisões tomadas hoje determinarão as condições de saúde e o bem-estar das próximas gerações. Os autores defendem investimentos em inovação tecnológica, fortalecimento dos sistemas de saúde e ampliação da capacidade de antecipar e prevenir emergências. A comissão pretende atualizar anualmente a avaliação, revisando as ameaças existentes e incorporando novos riscos identificados. Murray explicou que, inicialmente, os pesquisadores concentravam suas preocupações em três grandes problemas: conflitos, mudanças climáticas e pandemias. Entretanto, o estudo revelou um conjunto mais amplo de perigos que exigem atenção internacional. Os especialistas recomendam que os governos destinem recursos financeiros e humanos à antecipação, prevenção e preparação para crises. A avaliação ressalta que enfrentar essas ameaças de maneira integrada é fundamental para reduzir seus impactos. A cooperação internacional e o planejamento de longo prazo são considerados essenciais para proteger a saúde pública. O relatório conclui que as escolhas políticas e os investimentos realizados atualmente poderão determinar o futuro da humanidade ao longo deste século.