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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

COMUNISTA E CONSERVADOR NO 2º TURNO NO CHILE

Jeannette Jara, comunista, e José Antonio Kast, conservador, lideram a disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais chilenas, marcado para 14 de dezembro. Com 40% das urnas apuradas, Jara tem 26% e Kast, 24%. Sem maioria absoluta, ambos devem disputar o segundo turno caso os resultados se confirmem. O pleito teve oito candidatos, com Kast disputando a vaga da direita com Evelyn Matthei e Johannes Kaiser. Pesquisas indicam que as diferentes vertentes da direita somam mais de 50% das intenções de voto, enquanto Jara não ultrapassaria 30%. A eleição marcou o retorno do voto obrigatório pela primeira vez desde 1990. A campanha foi dominada por temas como crime e imigração ilegal, em meio à crescente violência atribuída a organizações como o Tren de Aragua. Kast, que já disputou a presidência em 2017 e 2021, se consolidou como figura da nova direita populista chilena, inspirada em Trump, Milei, Bukele e Bolsonaro. Propõe medidas rígidas de segurança, como cercas nas fronteiras e incentivo a autodeportações, além de um forte ajuste fiscal.

Jara, por sua vez, apresenta trajetória marcada pelo ativismo estudantil e sindical. De origem humilde, estudou administração pública e direito, financiando os estudos com trabalhos temporários. Viúva aos 21 anos, encontrou no ativismo uma forma de seguir adiante. Sua atuação política ganhou força a partir do movimento sindical e, depois, em cargos no governo Bachelet. Ministra do Trabalho no governo Boric, Jara liderou reformas importantes, como a redução da jornada para 40 horas e o aumento do salário mínimo — pilares de sua campanha. Considerada pragmática dentro do Partido Comunista, busca agora atrair votos da centro-direita no segundo turno e reduzir o temor ao comunismo explorado por seus adversários. 


MADURO LIDERA CARTEL, SEGUNDO EUA

Os Estados Unidos anunciaram que irão designar o Cartel de los Soles, supostamente liderado por Nicolás Maduro e outras figuras do governo venezuelano, como organização terrorista. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o grupo será classificado como Organização Terrorista Estrangeira e chamou Maduro de “ilegítimo”. O Departamento de Justiça acusa Maduro e líderes chavistas, como Diosdado Cabello, de integrarem a organização criminosa. Washington sustenta há anos que a cúpula do cartel, acusada de enviar drogas aos EUA, está nos altos escalões do Estado venezuelano. Maduro nega veementemente e acusa os EUA de “fabricarem uma guerra” contra a Venezuela. A designação amplia poderes das forças americanas para atacar e desmantelar o grupo. Segundo comunicado do Departamento de Estado, a medida entra em vigor em 24 de novembro. Outros cartéis, como o Tren de Aragua, já receberam classificação semelhante.

Rubio declarou que “nem Maduro nem seus comparsas representam o governo legítimo da Venezuela”. O anúncio reforça a pressão do governo Donald Trump sobre o regime chavista. Os EUA enviaram seu maior contingente militar ao Caribe em décadas e realizaram ao menos 21 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas, matando 83 pessoas. No entanto, não apresentaram provas sobre quem estava a bordo, e advogados afirmam que pode haver violação do direito internacional. O anúncio ocorre em meio a especulações sobre possíveis ataques americanos a alvos terrestres na Venezuela. Trump disse ter “mais ou menos” decidido o que fazer, mas não divulgou sua escolha. 

COP30 COM A CÚPULA DOS POVOOS

O domingo (16/11), único “dia de folga” da COP30, foi marcado pelo encerramento da Cúpula dos Povos, em Belém, com a leitura de uma carta construída por povos tradicionais e assinada por 1.109 organizações. O documento, entregue ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, denuncia racismo ambiental, critica a transição energética sob lógica capitalista e aponta o “fracasso do modelo de multilateralismo”. A carta apresenta ao menos 15 propostas e afirma que o “modo de produção capitalista” é causa da crise climática, defendendo o enfrentamento de “falsas soluções de mercado” e a preservação dos bens comuns. Os organizadores dizem que a prevalência do capital permite que grandes empresas dominem decisões e políticas públicas. Corrêa do Lago, que havia elogiado iniciativas privadas na COP30, comprometeu-se a levar o manifesto às negociações. Ele destacou a dificuldade de acordos entre 195 países e disse estar “feliz” com o apoio da sociedade civil. As propostas discutidas incluem redução de gases de efeito estufa e financiamento climático.

O presidente Lula afirmou, em carta lida por Marina Silva, que a COP30 não seria viável sem a participação dos movimentos populares e confirmou viagem a Belém para encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterrez, visando fortalecer o multilateralismo. O palco reuniu outras autoridades, como Sônia Guajajara e Guilherme Boulos. A Cúpula das Infâncias também entregou uma carta, redigida por 700 crianças e adolescentes, expressando temor pelo futuro diante da crise climática. O texto pede ações para que novas gerações não sofram com calor extremo, falta de água e destruição de florestas. As propostas incluem proteção da Amazônia, defesa dos rios, criação de áreas verdes perto das escolas, educação ambiental desde cedo e participação infantil nas decisões sobre clima e territórios. As crianças relatam efeitos diretos do aquecimento, como dor de cabeça, tontura e cansaço, e pedem “mais sombra” e medidas urgentes. 

VIOLÊNCIA NO MÉXICO

Pelo menos 120 pessoas — incluindo cem policiais — ficaram feridas ontem, 16, em confrontos durante protestos contra o governo na Cidade do México, segundo as autoridades.  Milhares de manifestantes marcharam na capital mexicana no sábado para protestar contra a violência e o governo da presidente Claudia Sheinbaum.  Sheinbaum acusou as marchas, que também ocorreram em outras cidades, de serem financiadas por políticos de direita que se opõem ao seu governo.  O protesto foi organizado por grupos de jovens, atraindo o apoio de cidadãos que protestavam contra crimes de grande repercussão no país, incluindo o assassinato, há poucas semanas, do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, que havia pedido medidas duras contra os cartéis de drogas.  Manifestantes desmontaram partes de uma barreira que protegia o Palácio Nacional, onde Sheinbaum mora. A polícia responsável pela segurança do complexo usou gás lacrimogêneo contra a multidão.  As autoridades prenderam 20 pessoas por crimes que incluem roubo e agressão, disse o chefe de segurança da Cidade do México, Pablo Vázquez, a repórteres.  Os manifestantes agitavam faixas com mensagens como "Somos todos Carlos Manzo", enquanto outros usavam chapéus de caubói em sua homenagem.  Manzo foi baleado no dia 1º de novembro enquanto participava de um festival do Dia dos Mortos. Ele era conhecido por falar abertamente sobre as gangues em sua cidade e a violência dos cartéis. Ele vinha exigindo medidas enérgicas contra os membros armados dos cartéis que aterrorizam o país. 

Sheinbaum tem atuado contra os cartéis, mas é contra uma nova guerra total contra as drogas. Tentativas anteriores de seus antecessores resultaram em alto número de mortes.  Dias antes da marcha, a presidente afirmou que a manifestação estava sendo promovida por robôs online.  "Concordamos com a liberdade de expressão e a liberdade de manifestação se houver jovens com reivindicações, mas a questão aqui é quem está promovendo a manifestação", disse ela em uma coletiva de imprensa.  "As pessoas devem saber como essa manifestação foi organizada para que ninguém seja usado."  Sheinbaum mantém índices de aprovação acima de 70% em seu primeiro ano de mandato e obteve avanços no combate ao tráfico de fentanil – uma questão fundamental para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas ela tem sido criticada por não conseguir conter a violência que assola o país e enfrenta crescente hostilidade dos países vizinhos.  No início deste mês, o Congresso do Peru votou para declarar Sheinbaum persona non grata.  A decisão foi tomada dias depois de o Peru romper relações diplomáticas com o México, após o governo mexicano conceder asilo a Betssy Chávez, ex-primeira-ministra peruana acusada de uma tentativa de golpe de Estado em 2022. 



MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 17/11/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

EUA dizem que Maduro lidera suposto cartel de drogas que será declarado terrorista

Washington continua suas ações contra o governo venezuelano e mantém um grande contingente militar no Caribe.

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Maior gasto até 2028

Câmara amplia despesa com servidor em R$ 22 bilhões nos próximos três anos

Medidas que aumentam benesses precisam de aval do Senado, mas vão na contramão da proposta de Reforma Administrativa

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Comunista e ultradireitista disputarão segundo turno no Chile após eleição acirrada

Ex-ministra Jeannette Jara conquista 26,8% dos votos e enfrenta ex-deputado José Antonio Kast, que obtém 24%, em 14/12

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

BNDES tem lucro recorrente de R$ 11,2 bi até setembro, alta de 14,2%

A carteira de crédito expandida alcançou saldo de R$ 616 bilhões em 30 de setembro (5,3% acima de dezembro de 2024), maior valor nos últimos nove anos.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Ministério da Saúde prepara ação contra médicos que faturam com conteúdos antivacina

Pasta deverá representar criminalmente contra esses profissionais

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Estrangeiros, sem formação e com baixo salário. Inquérito desmonta mitos sobre condutores TVDE

A Bolt encomendou um inquérito, realizado pela Universidade Católica, no qual67% dos entrevistados afirmam que a sociedade não respeita as pessoas que conduzem para plataformas digitais.

domingo, 16 de novembro de 2025

RADAR JUDICIAL

ELEIÇÕES NO CHILE HOJE

O Chile, referência de estabilidade na região, chega às eleições marcado pelo medo diante do aumento da criminalidade e da imigração irregular. A disputa opõe Jeannette Jara, ex-ministra de Boric e candidata de esquerda, e José Antonio Kast, ultradireitista que defende políticas duras na fronteira. Ambos focam em segurança, com propostas que vão desde aumento do efetivo policial a muro e envio de militares. A violência, com homicídios triplicados em dez anos, domina o debate e influencia a percepção pública. Pesquisas indicam que Jara pode liderar o primeiro turno, mas Kast teria vantagem no segundo ao reunir a direita. Caso nenhum chegue a 50%, o segundo turno será em 14 de dezembro. A eleição pode consolidar a ascensão da extrema direita, enquanto Boric deixa o cargo com baixa aprovação e um legado fragmentado. Cerca de 15,6 milhões votarão, também escolhendo deputados e parte do Senado, onde a direita pode conquistar maioria. 

ADVOGADO É MORTO NO ESCRITÓRIO

Um advogado de 43 anos foi morto a facadas dentro do próprio escritório, na sexta (14), em Viçosa (MG). O suspeito, um cliente de 53 anos, foi preso em flagrante. A PM encontrou a porta quebrada e o agressor contido por testemunhas. O velório ocorreu neste sábado (15), com sepultamento em Carmo do Paranaíba. Testemunhas disseram que a vítima se reuniu com o cliente para entregar um documento, quando houve discussão. Na recepção, após ver um arquivo, o suspeito acusou o advogado de agir “dos dois lados” e, em seguida, o atacou. Funcionários ouviram pedidos de socorro e imobilizaram o agressor ainda com a faca. Marcelo Andrade Mendonça, pós-graduado e mestre pela UFV, era advogado, professor e procurador municipal em Viçosa. A OAB manifestou pesar e cobrou rigor na investigação. A Faculdade Dinâmica também lamentou a morte do ex-professor.

FABRICANTE DE ALIMENTO É CONDENADO

A 15ª Câmara Cível do TJ-MG manteve a condenação de uma fabricante de alimentos e de um supermercado a pagar R$ 4 mil a uma consumidora que encontrou larvas vivas em um pacote de biscoitos. A cliente percebeu gosto estranho ao consumir o produto e identificou larvas e mofo, alegando repulsa e náuseas. Ela apresentou nota fiscal, fotos, vídeo e testemunha para embasar a ação.
Em 1ª Instância, as empresas foram condenadas por danos morais. A fabricante afirmou não poder responder por má conservação após a saída da fábrica e negou risco sanitário. O supermercado disse que a responsabilidade era do fabricante.
A desembargadora Ivone Guilarducci rejeitou as alegações e manteve a sentença. Para ela, a presença de larvas em produto lacrado e dentro do prazo de validade não é risco inerente, e a consumidora teve reação justificável. Também descartou cerceamento de defesa, devido à natureza perecível do alimento.

CRACHÁS COM FLEXÃO DE GÊNERO

O CFOAB enviou ofício ao STJ solicitando que os crachás de identificação adotem a flexão de gênero para mulheres, incluindo a palavra “advogada”, em alinhamento com as carteiras profissionais da Ordem. A OAB destaca que a forma de tratamento institucional impacta o acolhimento e o reconhecimento no meio jurídico. Segundo o Cadastro Nacional da Advocacia, as mulheres são maioria na profissão, totalizando 764.922 inscritas (52%).
Para o presidente da OAB, Beto Simonetti, a mudança, embora simples, tem valor simbólico e reforça o compromisso com um sistema de Justiça mais inclusivo. Ele afirma que a linguagem comunica pertencimento, respeito e igualdade.A entidade esclarece que a proposta não impõe obrigações ao STJ, mas oferece alternativa de identificação coerente com o gênero registrado na inscrição profissional.

ABSOLVIÇÃO POR FALTA DISCIPLINAR GRAVE

A 5ª Turma do STJ absolveu um preso de falta disciplinar grave, anulando decisões das instâncias inferiores. O apenado, de Ribeirão Preto (SP), foi acusado de usar um estilingue artesanal para arremessar objetos, mas a defesa não teve acesso às imagens das câmeras, que foram perdidas pela unidade prisional. O tribunal entendeu que a omissão estatal na guarda da prova configurou cerceamento de defesa. Segundo o processo, nada foi apreendido com o preso, e a defesa pediu três vezes acesso às filmagens, consideradas essenciais. A prisão informou que os arquivos haviam sido sobrescritos. Mesmo assim, o TJ-SP manteve a falta grave com base apenas em depoimentos de agentes. O relator, ministro Ribeiro Dantas, destacou que a perda de prova sob custódia do Estado violou o devido processo legal, sobretudo porque faltas graves geram consequências severas ao apenado. Para o STJ, a desídia estatal criou um desequilíbrio processual e fragilizou o conjunto probatório, impondo a absolvição.

Salvador, 16 de novembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

NOVA PRESIDENTE DA AMB

Os magistrados associados à Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) elegeram, com votação recorde de 8.715 votos válidos, a nova presidente para o triênio 2026-2028: a juíza Vanessa Ribeiro Mateus (TJ-SP). A chapa “Combatividade, Coragem e União”, única na disputa, recebeu amplo apoio e conduzirá a AMB pelos próximos três anos.
Os integrantes das 38 associações filiadas puderam votar por carta, internet ou presencialmente. Do total, 6.717 votos foram eletrônicos e 1.998 por cédula; houve 128 votos brancos pela internet, 46 presenciais e 10 nulos. Vanessa Mateus sucederá o magistrado Frederico Mendes Júnior, que encerra a gestão 2023-2025. Ela agradeceu a confiança recebida e afirmou que pretende atuar com união, independência e respeito ao trabalho da magistratura, conduzindo a AMB com coragem, diálogo e sensibilidade. Disse que buscará assegurar o reconhecimento das necessidades estruturais, remuneratórias e institucionais da classe, reforçando que as garantias da magistratura são garantias da cidadania. Destacou ainda o caráter coletivo da atuação, comprometendo-se a fortalecer a independência judicial, consolidar pautas remuneratórias e proteger garantias institucionais.

O presidente da AMB, Frederico Mendes Júnior, afirmou que o resultado reflete a maturidade institucional da magistratura e a união em torno de uma agenda comum para fortalecer a Justiça. Ressaltou a capacidade da nova presidente e da diretoria, que considera preparadas para conduzir a entidade com diálogo e firmeza.
Magistrada desde 2000 e titular da 8ª Vara Cível Central de São Paulo, Vanessa já exerceu vários cargos na Apamagis, que presidiu — sendo a primeira mulher a ocupar o posto. Atualmente é coordenadora de Justiça Estadual da AMB. A nova diretoria tomará posse em 17 de dezembro, quando mais de 14 mil associados passarão a ser representados pela magistrada paulista. 



SEM CORREÇÃO, ERROS DE LANÇAMENTO ADMINISTRATIVO

A 1ª Seção do STJ decidiu, no Tema 1.350, que a Fazenda Pública não pode substituir a CDA para incluir, complementar ou modificar o fundamento legal do crédito tributário durante a execução fiscal. A decisão encerra divergência que permitia a alguns tribunais “corrigir” no Judiciário erros do lançamento administrativo. O tribunal reafirmou que o fundamento legal é elemento essencial do crédito tributário e não um dado meramente formal. Para a Fazenda, o recado é direto: vícios substanciais devem ser corrigidos na esfera administrativa, com novo lançamento. Para contribuintes, a tese impede o “aperfeiçoamento” progressivo da CDA no curso do processo e fortalece a exceção de pré-executividade para vícios manifestos. O ministro Gurgel de Faria destacou a distinção entre erros formais (como CPF, endereço e cálculos) e vícios substanciais, como a indicação incorreta ou genérica do fundamento legal. Apenas os primeiros admitem substituição da CDA. Alterar a base normativa, porém, contamina o próprio ato de constituição do crédito e exige novo lançamento.

O STJ afastou entendimento do TJ-SC, que permitia complementar fundamentos jurídicos da CDA sob o argumento de eficiência e interesse público arrecadatório. Três casos-paradigma ilustravam a gravidade dos vícios: fundamentação genérica, contradições entre tributo e legislação citada, e ausência de referência a processo administrativo. A decisão se apoia nos artigos 783 e 803 do CPC, no artigo 202 do CTN e na Lei 6.830/80, além de princípios como contraditório e ampla defesa. Sem fundamento legal preciso, não há certeza, liquidez nem exigibilidade do título. A PGFN já reconhecia, em parecer interno, a impossibilidade de substituir CDAs com erro substancial. Na prática, execuções com CDAs viciadas devem ser extintas sem mérito, e a Fazenda corre risco de decadência se o prazo do artigo 173 do CTN tiver expirado. Municípios pequenos terão de aprimorar seus procedimentos, controles e tecnologia para evitar inscrições defeituosas. A decisão marca a rejeição ao “jeitinho” que permitia corrigir no Judiciário falhas do aparato administrativo. O STJ reafirma que execução fiscal não é espaço para revisão do lançamento, mas apenas para cobrança de crédito já constituído. O verdadeiro interesse público está na atuação administrativa correta desde a origem, e não na arrecadação a qualquer custo. 

PIX COMPLETA CINCO ANOS

O Pix completa cinco anos hoje, 16, com uso crescente no país. Dados do Banco Central indicam que 162 milhões de brasileiros já utilizam o sistema, que em outubro registrou 7,3 bilhões de transações e movimentou R$ 3,3 trilhões — cerca de um terço do PIB. Apesar disso, a TED ainda lidera em valores, com R$ 3,9 trilhões no mesmo mês, devido ao menor custo para empresas. Estimativas do Ebanx apontam que o Pix pode chegar a 7,9 bilhões de operações em dezembro, impulsionado pelo fim de ano. Se o ritmo se mantiver, o volume movimentado pode atingir R$ 35,3 trilhões em 2025, alta de 34% em relação ao ano anterior. O estudo destaca que nenhum sistema instantâneo no mundo cresceu tão rápido — o UPI indiano levou sete anos para atingir patamar semelhante.

Criado a partir de 2018, o Pix buscou oferecer pagamentos fluidos e de baixo custo. Especialistas apontam que o sistema representa inovação pública e que seu avanço depende do fortalecimento do BC e de sua capacidade de fiscalização. A segurança voltou ao debate após ataques que desviaram mais de R$ 800 milhões, levando o BC a criar novas regras para provedores de tecnologia. Economistas afirmam que o Pix reduziu custos e diminuiu a demanda por dinheiro físico, refletindo em menor circulação da nota de R$ 200. Atualmente, o sistema oferece diversas modalidades, como Pix tradicional, cobrança, saque, troco, agendado recorrente, por aproximação e automático, além de comandos por voz e pagamento de boletos. Para o futuro, o BC prevê Pix parcelado, Pix em garantia e avanço do Pix internacional, já aceito em países como Portugal e Argentina por meio de contas brasileiras. 

COP30: PAÍSES DIVIDIDOS NA CONFERÊNCIA

O relatório elaborado pelas presidências da COP29 e COP30, que sugere como mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais para financiamento climático, dividiu países na conferência. Algumas delegações manifestaram apoio, enquanto outras demonstraram ceticismo ou se recusaram a respaldar o documento. O Japão adotou o posicionamento mais firme, afirmando que não pode apoiar um texto que não integra o mandato oficial de negociação da COP. A China elogiou o esforço, mas também ressaltou que o estudo não faz parte da agenda negociada entre os países. Outras delegações, como a do Quênia, questionaram a implementação do plano e a garantia de que os recursos chegarão aos países mais pobres. Segundo André Corrêa do Lago, presidente da COP30, a resistência não foi ao conteúdo técnico, mas à legitimidade de discutir durante a conferência temas que envolvem outros setores de governo e instituições multilaterais. Corrêa do Lago afirmou estar satisfeito com a mobilização e disse que o roteiro continuará sendo desenvolvido ao longo da presidência brasileira da COP. Noruega, Reino Unido e União Europeia expressaram apoio e sugeriram mecanismos para acompanhar a implementação do plano.

Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, disse que o mapa do caminho reúne conhecimento de diversos setores para mobilizar recursos em grande escala e pode acelerar a descarbonização global. O roteiro surgiu como iniciativa conjunta das COP29 e COP30 após a edição anterior fracassar em avançar no financiamento climático, resultando apenas em um acordo de US$ 300 bilhões anuais —valor considerado insuficiente. O novo plano recebeu 227 contribuições de países, ONGs, pesquisadores e empresas. O documento propõe rever regras financeiras e taxar fortunas, jatinhos e artigos de luxo. A principal estratégia é facilitar o acesso de países em desenvolvimento ao financiamento privado, o que poderia gerar US$ 650 bilhões. Bancos de desenvolvimento e fundos multilaterais poderiam aportar US$ 300 bilhões, novas fontes de baixo custo outros US$ 230 bilhões, países desenvolvidos US$ 80 bilhões e a cooperação Sul-Sul cerca de US$ 40 bilhões. 

MANUTENÇÃO DE TARIFAS FRUSTRA PRODUTORES BRASILEIROS

A decisão dos EUA de manter tarifas de 40% sobre produtos como o café gerou frustração entre produtores brasileiros, que pedem continuidade das negociações com Washington. Embora Donald Trump tenha eliminado tarifas de 10% para diversos produtos agrícolas, o Brasil permaneceu sujeito à sobretaxa, afetando sua competitividade. Segundo Marcos Matos, do Cecafé, concorrentes como Colômbia e Vietnã podem ocupar espaço nos blends americanos, e a perda pode se tornar irreversível. Entre agosto e outubro, as exportações brasileiras de cafés especiais para os EUA caíram 55%. A BSCA pressiona por avanços diplomáticos para remover as barreiras. Análise da CNI mostra que 80 produtos agrícolas brasileiros serão beneficiados pela retirada da tarifa global, somando US$ 4,6 bilhões em 2024, mas café não torrado e carne bovina seguem com tarifa de 40%.

A Abrafrigo estima prejuízo de US$ 700 milhões para o setor de carne bovina após as tarifas impostas em agosto. No trimestre, as vendas aos EUA recuaram 36,4%; só em outubro, a queda da carne in natura foi de 54%. Apesar disso, o bom desempenho no início do ano elevou em 40,4% a receita acumulada até outubro. A demanda chinesa e europeia sustentou o crescimento global do setor. Segundo Roberto Perosa, da Abiec, o Brasil não perde competitividade porque atende a um nicho de matéria-prima para a indústria americana, sem competir com cortes premium. Qualquer redução tarifária, afirma, diminui a desvantagem histórica do país. Já o suco de laranja teve alívio parcial: os EUA isentaram o produto da sobretaxa de 10%, reduzindo a pressão competitiva. Porém, permanece a tarifa tradicional de US$ 415 por tonelada de suco concentrado, e subprodutos continuam taxados. A CitrusBR espera avanços para eliminar todas as barreiras. 

EUA MANDAM PORTA-AVIÕES PARA INVADIR VENEZUELA

A chegada do porta-aviões USS Gerald R. Ford à região latino-americana marca uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Venezuela, representando a maior presença militar norte-americana na área desde 1989. Assim como ocorreu com Manuel Noriega, Nicolás Maduro é acusado por Washington de envolvimento com o narcotráfico — e nega. A movimentação do superporta-aviões levanta suspeitas sobre possíveis operações contra Caracas, que já reage militarmente. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, anunciou o deslocamento de quase 20 mil soldados e de forças terrestres, aéreas, navais, milícias e mísseis para enfrentar o que considera uma ameaça norte-americana. A operação ocorre em meio a ações dos EUA no Caribe, que já deixaram mais de 75 mortos. Analistas apontam que o objetivo pode ser pressionar ou até derrubar Maduro, cujo governo é considerado ilegítimo por Washington. Especialistas afirmam que o exército venezuelano perdeu capacidade e sofre com deserções, embora disponha de alguns equipamentos modernos, como aviões Sukhoi e mísseis russos. A Venezuela também possui drones armados, sistemas de mísseis Pantsir e Buk, e milhares de Igla-S, mas grande parte desse arsenal está inoperante ou desatualizado.

Para analistas, a defesa aérea venezuelana poderia ser rapidamente neutralizada pelos EUA. Mesmo assim, Maduro sugere dispersar armas entre a população, levantando temores de que grupos como ELN e dissidências das FARC obtenham esse material. O governo fala em “guerra prolongada” e treina civis para uso de armas, mas especialistas duvidam de apoio popular ao presidente. Segundo o conceito militar venezuelano, um eventual conflito evoluiria de instabilidade interna para confronto com um país vizinho e, por fim, resistência armada contra os Estados Unidos. Porém, analistas afirmam que, apesar do discurso bélico, a Venezuela não está preparada para enfrentar a maior potência militar do mundo.