Dois dias após os maiores terremotos da história recente da Venezuela, os gritos de sobreviventes ainda ecoavam sob os escombros de La Guaira, a 40 km de Caracas. A ONU estima cerca de 50 mil desaparecidos, enquanto uma plataforma online registrava 52 mil pessoas sem localização. Equipes de resgate de 17 países chegaram ao país. O Brasil enviou um avião KC-390 com bombeiros, Defesa Civil, equipamentos e técnicos. La Guaira foi militarizada para conter saques e garantir os trabalhos de busca. Até a noite de sexta-feira (26), o número oficial de mortos era de 920. Durante visita a Caracas, a presidente interina Delcy Rodríguez foi hostilizada por moradores, que cobraram mais ações do governo.
Sobreviventes relataram momentos de desespero. Gabriela Ramírez contou que fugiu com o filho e os sobrinhos enquanto prédios desabavam. Depois, soube que um sobrinho morreu soterrado. O engenheiro José Andrés Díaz voltou ao prédio onde morava apenas para buscar roupas e alimentos. Sem casa, afirmou que a população precisa se unir para enfrentar a tragédia. Em La Guaira, moradores denunciaram a falta de equipes e equipamentos para retirar pessoas vivas dos escombros. Familiares continuam escavando com as próprias mãos na esperança de encontrar sobreviventes.
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