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segunda-feira, 22 de junho de 2026

DESABASTECIMENTO NA BOLÍVIA PROVOCA ROTAS ALTERNATIVAS


A crise de desabastecimento causada pelos bloqueios de estradas na Bolívia transformou aeroportos em rotas alternativas para o transporte de alimentos. Em La Paz, frangos que custavam 50 bolivianos passaram a ser vendidos por até 110 bolivianos em vans improvisadas, devido aos altos custos de transporte. 
Com o acesso terrestre comprometido, produtos chegam de avião, principalmente de Santa Cruz de la Sierra, principal polo agropecuário do país. Lá, o frango custa cerca de 35 bolivianos, mais de 200% menos que em La Paz. No Aeroporto Internacional Viru Viru, caixas de isopor tornaram-se item indispensável. Passageiros compram carnes e frangos a preços locais, armazenam os produtos e os despacham como bagagem para regiões afetadas pela escassez. Lojas do aeroporto passaram a vender caixas térmicas de vários tamanhos para atender à demanda crescente. Nas filas de check-in, passageiros identificam os recipientes para evitar trocas na chegada.

A estudante Khelen Maita, de 21 anos, viajou duas vezes em duas semanas transportando frangos para La Paz. Na primeira, revendendo os produtos, conseguiu apenas cobrir custos e obter pequeno lucro. Até viajantes que retornam do exterior aproveitam escalas em Santa Cruz para abastecer familiares. Muitos embarcam com carnes, embutidos e outros alimentos congelados. Embora o número de bloqueios tenha diminuído nas últimas semanas, o desabastecimento persiste. O presidente Rodrigo Paz decretou estado de emergência, autorizando medidas para liberar estradas. Filas para compra de alimentos e combustível continuam sendo registradas em várias cidades, inclusive em Santa Cruz. Para muitos bolivianos, a crise evidencia o agravamento da situação econômica e logística do país.

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