A crise provocada pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, aumentou a pressão sobre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Segundo interlocutores do Planalto e do PT, o senador, antes decidido a permanecer no cargo, já admite pedir licença da função para evitar desgaste ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão ainda depende de uma conversa com Lula, prevista para os próximos dias. O presidente prefere que Wagner se afaste por iniciativa própria, alegando necessidade de se defender das acusações relacionadas ao Banco Master e de preservar sua campanha à reeleição ao Senado. Se a licença for confirmada, o governo pretende reforçar que não faz prejulgamentos, garante autonomia às investigações da PF e que Wagner poderá reassumir o posto caso seja inocentado.
Entre os possíveis substitutos, o nome mais citado é o da senadora Tereza Leitão. Também há quem defenda o ministro da Educação, Camilo Santana, que, porém, demonstra resistência. Enquanto isso, a defesa de Wagner recorreu ao STF para anular a decisão que autorizou buscas e apreensões. Os advogados alegam erros na investigação, negam favorecimento ao Banco Master e afirmam que os valores em dólar e euro apreendidos têm origem lícita e comprovada. Wagner é investigado por suposto favorecimento ao Banco Master em temas legislativos e por relações com pessoas ligadas à instituição. A repercussão das buscas, da apreensão de recursos e das suspeitas sobre a compra de um imóvel de alto padrão gerou preocupação dentro do governo.
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