Um juiz de Utah (EUA) concedeu indenização recorde de US$ 951 milhões (R$ 5,2 bilhões) a uma família, após erro no parto deixar a filha com sequelas permanentes. Anyssa Zancanella, Danniel McMicheal e a filha Azaylee, de 5 anos, venceram o processo contra a Steward Health Care. O caso ocorreu em 14 de outubro de 2019, em West Valley City. A cesárea foi adiada por mais de um dia, e a bebê sofreu complicações graves. Segundo o processo, as enfermeiras eram inexperientes, administraram doses perigosas de medicamento e o médico de plantão dormia no hospital. Mesmo diante da pressão arterial crítica do bebê e febre da mãe, o médico ignorou os alertas e voltou a dormir. Azaylee nasceu de cesariana com deformações, hematomas e sem oxigenação adequada. Ela precisou ser levada de helicóptero à UTI do Hospital Infantil Primário em Salt Lake City. O juiz afirmou que a mãe teria tido mais segurança até em um banheiro de posto de gasolina do que no hospital. Hoje, Azaylee necessita de cuidados 24 horas por dia, sofre convulsões frequentes, é não verbal e tem limitações cognitivas e físicas. Os médicos acreditam que nunca poderá realizar atividades normais, como estudar ou trabalhar. A família dorme junta em uma cama gigante para acompanhar as crises da criança e carrega oxigênio em todos os lugares. “A vida dela foi roubada”, lamentou a mãe.
A absolvição do ex-jogador francês, Michel Platini, e Joseph Blatter, na Suíça, em caso de suposta corrupção, tornou-se definitiva por falta de provas. O Ministério Público da Confederação desistiu de recorrer, encerrando um processo de dez anos. A promotoria havia pedido prisão com suspensão condicional, mas não convenceu os juízes. Platini afirmou que o caso foi usado para impedir sua eleição à presidência da Fifa. Eles foram acusados de pagamento irregular de 2 milhões de francos suíços em favor do francês. A acusação dizia tratar-se de uma “fatura falsa”, cobrada em 2011 por Platini. Entre 1998 e 2002, Platini foi conselheiro de Blatter e recebeu salário fixado em contrato. A defesa alegou que o salário real era de 1 milhão de francos por ano, acertado verbalmente. A crise estourou em 2015, após a queda de Blatter, atingindo a reputação de Platini. O escândalo acabou afastando o francês da corrida presidencial da Fifa, vencida por Infantino.
A diretora Lisa Cook, do Fed, entrou com ação judicial contra Donald Trump, alegando que o presidente não tem poder para destituí-la do cargo. A medida inicia uma disputa que pode redefinir a independência do banco central dos EUA. Cook afirma que Trump violou lei federal ao anunciar sua demissão sem justa causa. O presidente a acusa de fraude hipotecária em 2021, antes de sua nomeação para o Fed. O caso deve chegar à Suprema Corte, que já flexibilizou demissões em outras agências, mas pode tratar o Fed como exceção. A independência do Fed preocupa mercados globais; o dólar caiu após Trump sinalizar a remoção. Cook foi indicada em 2022 por Joe Biden e é a primeira mulher negra na diretoria da instituição. A lei de criação do Fed nunca foi testada em tribunais e não define claramente “causa” para destituição. Leis semelhantes em outros órgãos citam má conduta ou negligência como justificativas. As acusações sobre hipotecas surgiram em agosto por William Pulte, aliado de Trump. Cook nega irregularidades, afirmando que os contratos eram residenciais. Sua saída abriria espaço para Trump indicar mais um diretor ao Fed.
TRUMP AFASTA MAIS UMA SERVIDORA E PROVOCA RENÚNCIAS
O governo Donald Trump enfrenta crise no CDC após a demissão da diretora Susan Monarez, que resistiu a mudanças na política de vacinas defendidas por Robert F. Kennedy Jr. e consideradas contrárias à ciência. A saída provocou renúncias em cadeia de três dirigentes da agência, que denunciaram desinformação, ataques à ciência e politização da saúde pública. Segundo Monarez, ela foi pressionada a adotar medidas ilegais e anticientíficas. A Casa Branca alegou que sua demissão ocorreu por falta de alinhamento ao plano de Trump e Kennedy. Advogados da ex-diretora contestam a legalidade da decisão. Desde janeiro, Kennedy promove mudanças no setor, dissolveu o comitê de especialistas em imunização e o substituiu por militantes antivacina. O CDC passou a ser obrigado a aceitar automaticamente as recomendações do novo grupo. Kennedy tem defendido teses sem respaldo científico, como críticas à eficácia de vacinas e associação ao autismo. Trump também afastou outros dirigentes de órgãos reguladores nos últimos dias. Jim O’Neill foi indicado para assumir o comando do CDC.
PEDIDA PRISÃO DE DEPUTADO
O deputado Reimont (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, protocolou ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedindo investigação contra Nikolas Ferreira (PL), deputado federal de Minas Gerais. No documento, solicita também a avaliação de prisão preventiva, caso seja constatado risco à ordem pública. A iniciativa foi motivada pela prisão do primo de Nikolas, Glaycon Raniere, flagrado em Uberlândia (MG) com 30,2 kg de maconha. Reimont aponta necessidade de apurar possíveis vínculos familiares, políticos e financeiros do deputado com o crime organizado. O pedido cita ainda a atuação de Nikolas contra norma da Receita Federal que rastreava transações via Pix acima de R$ 5 mil. Segundo o ofício, essa campanha contribuiu para a revogação de mecanismo usado no combate à lavagem de dinheiro. Reimont destacou que o crime organizado se beneficia de relações ilícitas com agentes públicos corruptos. Disse também que há risco de violações sistemáticas de direitos humanos ligadas a esse contexto. Para o parlamentar, cabe à Comissão zelar pela integridade democrática e pela proteção da sociedade. Ele defendeu respostas rápidas e firmes para fortalecer instituições e combater a criminalidade.
Salvador, 29 de agosto de 2025.
Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados
Nenhum comentário:
Postar um comentário