A tentativa de ampliar a PEC da Blindagem dividiu o centrão, gerou bate-boca entre líderes partidários e fez até o relator ameaçar não assinar o parecer. Após críticas, o PL de Jair Bolsonaro recuou e disse que focará na anistia ao ex-presidente e aos condenados de 8/1. A reunião convocada por Hugo Motta (Republicanos-PB) frustrou a votação rápida, pois a maioria desconhecia o texto. A proposta retomava regra extinta em 2001 que exigia aval do Congresso para processar parlamentares criminalmente.
Mais de 200 inquéritos ficaram parados entre 1988 e 2001 sob essa blindagem. Lafayette Andrada (Republicanos-MG) foi relator, mas uma segunda versão radical do parecer surgiu na reunião. Essa minuta previa aumentar o quórum para denúncias no STF, travar inquéritos em andamento e permitir rejeição política de prisões. O texto gerou reação da esquerda, que disse ser inconstitucional, e até o relator se recusou a assiná-lo.
Deputados divergem se a PEC voltará à pauta, mas a versão radical foi considerada inviável. A proposta nasceu de negociação articulada por Arthur Lira para conter motim bolsonarista que exigia anistia. O centrão também busca blindagem contra investigações sobre emendas parlamentares, já mais de 80 no STF. Após a reunião, resistências cresceram: MDB e PSD anunciaram posição contrária. Baleia Rossi (MDB) e Hildo Rocha (MDB-MA) criticaram duramente a medida. O PSD divulgou vídeo afirmando que a proposta era inadmissível. Com MDB, PSD e esquerda contra, aprovação se torna difícil, já que exige 308 votos. O PL também abandonou a pauta, limitando sua prioridade à anistia. Outro entrave foi a falta de quórum na sessão de quarta, já tarde da noite. Deputados querem negociar um texto de consenso com o Senado para reduzir desgaste. O fracasso na votação foi novo revés para Hugo Motta, acusado de falha de articulação. Mesmo assim, ele defendeu que discutir prerrogativas parlamentares é prioridade do Congresso
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