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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

TRUMP VAI CONTINUAR INTERFERINDO NA AMÉRICA LATINA

Trump e Rubio querem interferir em toda América Latina, diz pesquisadorO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve continuar interferindo na América Latina após a operação militar que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Segundo o historiador Erick Langer, da Universidade de Georgetown, essa interferência varia conforme o peso político e econômico de cada país.

Para Langer, Trump pretende transformar a Venezuela em uma “colônia econômica”, explorando seu petróleo por meio de empresas americanas, sem interesse real em restaurar a democracia. O chavismo seguiria no poder, apenas com mudança de liderança, mantendo o sofrimento da população.

O professor avalia que a prisão de Maduro contou com apoio interno da cúpula chavista, especialmente de Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello, que teriam traído Maduro para manter o controle do poder. Washington, segundo ele, preferiu apoiar Delcy em vez de María Corina Machado, por considerá-la mais “manipulável”.

Trump também deve intensificar a pressão contra Cuba, buscando estrangular ainda mais sua economia, e pressionar o México para interromper o envio de petróleo aos cubanos. O objetivo maior seria dominar o hemisfério americano, dentro de uma lógica de “esferas de poder”.

Langer acredita que o Brasil é o principal contrapeso às investidas de Trump na região. Embora os EUA tentem influenciar eleições na América Latina, inclusive no Brasil, essa interferência pode fortalecer o nacionalismo e acabar prejudicando a direita.

Segundo o professor, o cenário atual indica um redesenho geopolítico global, com a Venezuela como teste central, inclusive para medir a reação da China, grande investidora no país.

 

TRUMP NÃO APOIA OPOSIÇÃO, NA VENEZUELA

Após a prisão de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald  Trump, afirmou neste sábado (3) que a líder da oposição venezuelana, María  Corina Machado, “não tem o respeito necessário paraAs declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre María Corina Machado causaram surpresa e desconforto na oposição venezuelana. Ao comentar a prisão de Nicolás Maduro, Trump afirmou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela, mencionando uma “transição”, mas sem citar eleições ou o papel da oposição. Os opositores afirmam que venceram as eleições de 28 de julho de 2024, com base em 85% das atas eleitorais, e denuncia fraude após Maduro ser proclamado vencedor sem divulgação oficial dos resultados. Com a ausência de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina, conforme a Constituição, sendo vista como aliada fiel do chavismo. Corina Machado acusou Rodríguez de envolvimento em repressão, corrupção e alianças com Rússia, China e Irã, afirmando que ela não tem apoio popular nem credibilidade internacional. Apesar de elogiar Trump, analistas destacam que ele nunca reconheceu Corina como líder, sendo Marco Rubio o principal interlocutor dos EUA.

Rubio afirmou que as decisões atuais seguem uma lógica pragmática, focada na estabilidade e em interesses estratégicos, especialmente o petróleo venezuelano. Para especialistas, os EUA apostam em uma transição controlada internamente, possivelmente liderada por Delcy Rodríguez. Embora Maduro tenha deixado o poder, a transição democrática desejada pela oposição ainda não ocorreu. Corina Machado e Edmundo González seguem no exílio, mantendo sua liderança principalmente pelas redes sociais.

NOVO GOVERNO BUSCA ENVOLVIDOS NO ATAQUE E PRISÃO DE MADURO

O governo da Venezuela determinou, nesta segunda-feira (5), que a polícia  inicie imediatamente a busca e prisão, em todo o país, de pessoas acusadas  de promover ou apoiar o ataque armado realizadoO governo da Venezuela ordenou que a polícia inicie a busca e captura, em todo o país, de pessoas envolvidas na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos. O decreto, em vigor desde sábado, foi publicado integralmente ontem, segunda-feira. Forças especiais norte-americanas realizaram uma operação na madrugada de sábado, prenderam Nicolás Maduro e provocaram apagões em partes de Caracas, além de atingirem instalações militares. Maduro foi levado aos Estados Unidos, onde compareceu a um tribunal de Nova York e se declarou inocente. No mesmo dia, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir a ação militar. Os EUA defenderam a operação, classificando-a como cumprimento da lei. Rússia e China condenaram o ataque e manifestaram apoio à Venezuela.

O governo venezuelano pediu à ONU que impeça os EUA de se apropriarem de seus recursos naturais. A ONU afirmou estar preocupada com possíveis violações do direito internacional. Washington acusa Maduro de liderar o Cartel de los Soles, ligado ao tráfico de drogas. Especialistas contestam a acusação e afirmam que o grupo não tem hierarquia definida. Após a prisão, as Forças Armadas reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina. Ela enviou carta a Donald Trump pedindo diálogo, fim das hostilidades e cooperação. 

JUIZ DE 92 ANOS PRESIDE PROCESSO CONTRA MADURO

Maduro enfrenta 1ª audiência: quem é o juiz responsável pelo caso? - Jornal  Extra de AlagoasAos 92 anos, o juiz Alvin Kenneth Hellerstein assumiu um dos processos mais sensíveis dos EUA: o julgamento do ditador deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, capturados na Venezuela em uma operação americana que levanta questionamentos no direito internacional. A escolha não foi casual. Hellerstein é um dos magistrados mais experientes do país, com carreira marcada por casos de grande impacto político e institucional. A audiência de apresentação das acusações ocorreu ontem, 5, na corte federal de Manhattan. Diante de Maduro, o juiz manteve postura firme e chegou a interrompê-lo ao tentar fazer declarações políticas. Ao longo da carreira, Hellerstein presidiu ações civis ligadas aos atentados de 11 de Setembro, processos envolvendo celebridades como Shakira e Paris Hilton e o caso de assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein. Ele também conduz o processo contra o ex-general venezuelano Hugo “Pollo” Carvajal, ex-chefe da inteligência chavista, acusado de narcotráfico. Carvajal, que decidiu cooperar com as autoridades, é considerado peça-chave no julgamento de Maduro.

Nomeado juiz federal em 1998 por Bill Clinton, Hellerstein atua no Distrito Sul de Nova York. Mesmo após tornar-se magistrado sênior, seguiu à frente de casos ligados a terrorismo e segurança nacional. No julgamento atual, ele analisará acusações de que Maduro liderou um cartel político-militar ligado ao narcotráfico e a organizações classificadas pelos EUA como terroristas. O líder chavista nega as acusações.

 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 6/1/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Venezuela: reunião de emergência da ONU expõe divisões entre grandes potências

Sessão de emergência do Conselho de Segurança debate a crise e expõe desacordos frontais entre as grandes potências. Vizinhos latino-americanos se dividem no tom dos discursos, e o embaixador brasileiro alerta para "precedente perigoso" nas relações internacionais

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Esquerda recua e evita defesa de Maduro após críticas nas redes e embaraços em eleições recentes

Relação entre o campo e o venezuelano é marcada pelo alinhamento até 2023, quando vivenciou um distanciamento

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Oposição na Venezuela teme próximas ações de Trump e recorre à Constituição para pressionar por eleições

Figuras estão incomodadas com discurso do presidente dos EUA e buscam saída na Carta Magna para novo pleito

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Jaques Wagner: ‘Estamos discutindo a chapa para 2026 na Bahia’

Ex-governador do estado, ele afirmou que o grupo político segue coeso e afastou a possibilidade de divisões internas

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Trump nega estar em guerra com a Venezuela, fala em “consertar” país e descarta novas eleições

Presidente dos EUA enfatizou que ele está no comando e projetou alto investimento na indústria petrolífera

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

María Corina Machado quer regressar em breve à Venezuela. Trump afasta eleições no país nos próximos 30 dias 

O líder deposto da Venezuela declarou-se "inocente" no tribunal de Nova Iorque, depois de ter sido capturado pelos EUA, juntamente com a mulher, numa intervenção militar em Caracas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

RADAR JUDICIAL

Vício oculto em máquina de lavar: Samsung é condenada a restituir consumidorVÍCIO EM LAVADORA DE ROUPAS

A 9ª Câmara Cível do TJ/MG negou apelação de consumidora que alegava vício em lavadora de roupas. Ela pediu substituição do produto ou restituição do preço, além de indenização por danos morais. O colegiado entendeu não haver prova suficiente de defeito ou de uso prévio na entrega. Prevaleceu a presunção de veracidade do comprovante de recebimento com declaração de conformidade. A autora comprou a lavadora em novembro de 2022 por R$ 1.699 e alegou avarias na primeira entrega.  A substituição ocorreu em janeiro de 2023, quando disse haver resíduos de água no equipamento. Sustentou que isso inviabilizou o uso e gerou gastos com lavanderia. Em 1ª instância, os pedidos foram julgados improcedentes por falta de comprovação do vício. Em apelação, a consumidora questionou a validade do comprovante assinado por terceiro. O relator afirmou tratar-se de relação de consumo, com responsabilidade objetiva do CDC. Contudo, destacou que a autora não produziu prova capaz de afastar a presunção do documento. Assim, o TJ/MG manteve a sentença e negou provimento ao recurso, por unanimidade.

Após ataque à Venezuela, Trump fala em realizar ação militar na Colômbia |  VEJATRUMP AMEAÇA COLÔMBIA

Após ofensiva dos EUA na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, Donald Trump afirmou que uma nova operação militar contra a Colômbia “soa bem”. Ele atacou o presidente colombiano Gustavo Petro, chamando-o de “homem doente”. Trump acusou a Colômbia de produzir cocaína para os Estados Unidos. Questionado sobre ação militar, respondeu: “Soa bem para mim”. O republicano também criticou o México, dizendo que o país “precisa se organizar”. Petro reagiu e classificou as falas como “ameaça ilegítima” e politicamente motivada. Trump comentou ainda que Cuba pode ruir sem intervenção militar dos EUA. Com a queda de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela. Forças Armadas e o Supremo venezuelano reconheceram o governo interino por 90 dias. Trump disse que os EUA estão “no comando” da Venezuela após a operação. Maduro foi levado a Nova York, onde responderá por narcotráfico, enquanto a ONU debate o caso.

Sequestraram a virtude.ATIVOS DA VENEZUELA NA SUIÇA

Com a decisão, o governo suíço busca impedir a saída de ativos. A Suíça afirma que, se forem ilícitos, os recursos beneficiarão o povo venezuelano. A medida entra em vigor imediatamente e vale por quatro anos. O objetivo é bloquear recursos suspeitos e reforçar sanções contra a Venezuela. As sanções suíças estão em vigor desde 2018. O congelamento não atinge membros do atual governo venezuelano. Valores considerados ilegais deverão ser devolvidos ao povo da Venezuela. Nicolás Maduro comparecerá a um juiz em Nova York nesta segunda-feira (5). Ele será formalmente notificado das acusações feitas pela Justiça dos EUA. Maduro é acusado de narcotráfico e terrorismo. Capturado em Caracas, foi levado ao Tribunal do Sul de Manhattan. Ele permanece preso em unidade federal de segurança máxima no Brooklyn.

CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA

A propriedade fiduciária de imóvel só se consolida com o registro do contrato em cartório. Sem registro, aplica-se o Código de Defesa do Consumidor, afastando a Lei 9.514/97. Com esse entendimento, a juíza Luana Cavalcante de Freitas rescindiu contrato imobiliário. A incorporadora foi condenada a devolver 90% dos valores pagos, em parcela única. A retenção ficou limitada a 10% do montante desembolsado. A empresa alegou alienação fiduciária para impedir a rescisão pelo CDC. Contudo, não comprovou o registro da garantia na matrícula do imóvel. A decisão aplicou o Tema 1.095 do STJ, que exige registro para valer a lei específica.
Também foi aplicada a Súmula 543 do STJ, garantindo restituição imediata das parcelas. A correção monetária será pelo IPCA desde cada pagamento. Os juros de mora incidirão apenas após o trânsito em julgado. Foram negados pedidos de devolução da corretagem e indenização por danos morais.

ISRAEL CONTINUA ATACANDO

Israel iniciou ataques hoje, 5, contra alvos do Hamas e do Hezbollah no Líbano. A ofensiva ocorreu após alertas de retirada para quatro aldeias no leste e no sul. O Exército israelense mirou infraestrutura militar dos grupos extremistas. As localidades citadas incluem Hammara e Ain el-Tineh, no leste. No sul, os alvos foram Kfar Hatta e Aanan. Israel e Líbano firmaram cessar-fogo em novembro de 2024. O acordo, mediado pelos EUA, encerrou mais de um ano de combates. Desde então, os dois lados trocam acusações de violações. Washington e Israel pressionam o Líbano a desarmar o Hezbollah. Autoridades libanesas temem ampliação dos ataques pelo país. Israel intensificou bombardeios no último mês. Em dezembro, o papa Leão 14 pediu o fim das hostilidades.

CIRO GOMES É ABSOLVIDO

A Justiça do Ceará absolveu o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes em ação movida por Damares Alves. Ela o acusava de calúnia, injúria e difamação por declarações feitas em 2020. As falas ocorreram em entrevista no YouTube e continham críticas políticas ao governo Jair Bolsonaro. A 3ª Vara Criminal de Fortaleza entendeu não haver intenção de ofender, considerando as declarações como crítica política legítima.

Salvador, 5 de janeiro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

TRUMP AMEAÇA INTERVIR NO IRÃ

Protestos no Irã: Trump ameaça intervir | Jornal da BandO líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou no sábado, 3, que o país não irá ceder às pressões externas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar apoiar manifestantes iranianos que protestam contra a crise econômica e a inflação elevada. Em discurso transmitido pela televisão estatal, Khamenei declarou que o Irã “não cederá ao inimigo”. Segundo ele, o governo está disposto a dialogar com manifestantes pacíficos, mas classificou como inútil conversar com “vândalos”, afirmando que estes devem ser contidos. Na sexta-feira (2), Trump declarou que os EUA ajudariam os manifestantes caso as forças de segurança iranianas usassem violência contra eles. Em mensagem nas redes sociais, afirmou que Washington estaria “pronto para agir”. Os EUA já haviam atacado instalações nucleares iranianas em junho do ano passado, ao lado de Israel.

Protestos se espalharam pelo país na última semana em meio à forte desvalorização do rial, que passou de 820 mil para cerca de 1,42 milhão por dólar em um ano, elevando preços e afetando o comércio. Vendas de produtos importados foram paralisadas pela instabilidade. Grupos de direitos humanos relatam mais de dez mortos e ao menos 133 presos. As autoridades confirmaram confrontos violentos, inclusive em cidades do oeste do país, com mortes e feridos entre civis e agentes de segurança. Trata-se da maior onda de protestos desde 2022, após a morte de Mahsa Amini, e ocorre em um momento de maior fragilidade econômica do regime. 

MAIOR INVASÃO A UM PAÍS, DESDE O PANAMÁ, EM 1989

Neste dia, em 3 de janeiro de 1990 — há 36 anos — o ditador panamenho  Manuel Noriega foi capturado pelas forças dos Estados Unidos, encerrando a  invasão do Panamá iniciada semanasO ataque dos EUA à Venezuela, neste sábado (3), encerra mais de três décadas sem invasões americanas na América Latina e gera impactos simbólicos e práticos para a região. Após meses de bombardeios no Caribe e no Pacífico, forças americanas atacaram cidades venezuelanas, incluindo Caracas. Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados aos EUA, segundo Donald Trump, para julgamento por narcoterrorismo. É a maior operação dos EUA na região desde o Panamá, em 1989, rompendo a doutrina de não intervenção direta. A invasão do Panamá deixou centenas de civis mortos e feridas ainda abertas no país. O direito internacional permite ataques apenas em legítima defesa ou com aval da ONU, o que não ocorreu neste caso.

O episódio quebra o tabu da América Latina como “zona de paz”, formalizada pela Celac em 2014. Também expõe a fragilidade de organismos regionais e a forte polarização política. Líderes reagiram de forma oposta: Javier Milei apoiou a ação, enquanto Lula a classificou como inaceitável. A intervenção pode agravar a crise venezuelana, marcada por hiperinflação e repressão, que já provocou êxodo de quase 7,9 milhões de pessoas. Há incerteza sobre a sucessão de Maduro e risco de nova onda migratória regional. As sanções seguem, mantendo dúvidas sobre o petróleo.

 

MADURO PODE SER CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA

Acusado de narcoterrorismo, tráfico de drogas, posse de armas de uso  restrito e conspiração contra os Estados Unidos, o presidente venezuelano  Nicolás Maduro será julgado pela Justiça de Nova York a partirPreso desde sábado no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado e deposto em uma ação militar norte-americana. Ele será levado hoje ao Tribunal Federal do Sul de Manhattan, onde será formalmente notificado das acusações. Se condenado, pode pegar de 10 anos à prisão perpétua. A denúncia do promotor Jay Clayton tem 25 páginas e atribui a Maduro quatro crimes ligados ao narcotráfico e ao uso de armas de guerra. Segundo a acusação, os crimes ocorreram entre 1999 e 2025. Também foram denunciados Cilia Flores, Nicolás Maduro Guerra, Diosdado Cabello, Ramón Rodríguez Chacín e o traficante Niño Guerrero, do Tren de Aragua. Para os promotores, Maduro liderou por décadas um governo corrupto que protegeu o tráfico de drogas. Clayton pede condenação de Maduro, Cabello e Rodríguez Chacín em todas as acusações.

Cilia Flores, Nicolasito e Niño Guerrero respondem por três dos quatro crimes. Especialistas afirmam que a retirada forçada de Maduro não impede o julgamento nos Estados Unidos. Os EUA também devem negar imunidade ao chavista, como ocorreu com Manuel Noriega em 1989. Maduro e Cilia Flores receberam apoio de manifestantes em frente ao centro de detenção no Brooklyn. O MDC é conhecido por más condições e por abrigar presos famosos. O julgamento deve durar ao menos um ano.

 

ESTADOS UNIDOS: PODER POLICIAL REGIONAL

Um Estudo de Polícia Comparada: Brasil e Estados Unidos da AméricaA invasão da Venezuela pelos Estados Unidos marca, segundo o brasilianista Brian Winter, o retorno de Washington como poder policial regional, inspirado no Corolário Roosevelt. Essa lógica, dominante por quase 200 anos da política externa americana, teria sido apenas interrompida no período pós-Guerra Fria. Winter afirma que a decisão é arriscada e a mais importante tomada pelos EUA na América Latina em mais de 35 anos. A prisão de Nicolás Maduro, figura altamente impopular, torna difícil prever os impactos regionais, mas pode influenciar eleições, investimentos e relações diplomáticas. Ele destaca que a implosão da Venezuela contribuiu para o deslocamento político da América Latina à direita, desacreditando projetos de esquerda. A crise migratória venezuelana afetou fortemente países como Colômbia, Peru e Chile, influenciando disputas eleitorais. A operação lembra a invasão do Panamá, mas difere pela impopularidade de Maduro e pela reação regional ainda incerta. Winter acredita que os EUA não pretendem ocupar a Venezuela, mas sim instalar um governo alinhado a seus interesses.

Trump, apesar de criticar “guerras inúteis”, demonstra maior tolerância a intervenções no Hemisfério Ocidental, tratando a região como área estratégica de segurança. Ainda assim, enfrenta limites impostos por sua própria base política. Sobre o Brasil, Winter avalia que a reação crítica de Lula segue a tradição do Itamaraty, baseada na defesa da soberania e do multilateralismo. O impacto nas relações com os EUA ainda é incerto. Por fim, ele ressalta que o poder americano é limitado e que os desdobramentos na Venezuela permanecem imprevisíveis, tanto para a região quanto para a política interna dos países envolvidos.

VENEZUELA NÃO É GRANDE PRODUTORA DE COCAÍNA

Venezuela cresce na produção de cocaínaSob forte escolta da DEA, o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a Nova York no sábado (3) para responder a acusações de narcoterrorismo. A cena marca o auge de uma ofensiva militar e judicial que Washington diz combater “drogas que matam americanos”.
O Departamento de Justiça acusa Maduro, a mulher, o filho e aliados de narcoterrorismo, tráfico internacional e porte ilegal de armas. Em setembro, Donald Trump afirmou que a operação visava o tráfico ligado a overdoses nos EUA. Dados oficiais, porém, contradizem essa narrativa. Informações internacionais e do próprio governo americano indicam que a Venezuela não é grande produtora de cocaína. O país tampouco figura entre as principais rotas da droga para a América do Norte. Segundo a ONU, os fluxos mais relevantes para os EUA passam por Colômbia, Panamá, México e El Salvador. A Venezuela aparece sobretudo como rota da droga destinada à Europa. Relatórios da DEA reforçam esse quadro. Mais de 80% da cocaína apreendida nos EUA tem origem na Colômbia. A Venezuela sequer é mencionada nesses levantamentos. Entre as principais rotas de entrada, o Pacífico concentra maior volume e pureza que o Caribe. Ainda mais distante da Venezuela está a crise que mais mata americanos: os opioides sintéticos.

Cerca de 75% das mortes por overdose nos EUA estão ligadas a opioides, como o fentanil. Em 2023, foram cerca de 105 mil mortes por esse tipo de droga. O fentanil é produzido majoritariamente no México com insumos da China. Não há registros de produção ou trânsito relevante da substância pela Venezuela. Mesmo assim, em setembro de 2025, Trump ordenou ataques a embarcações no Caribe. A Casa Branca afirma que elas transportavam drogas da Venezuela para os EUA. Foram ao menos 35 ofensivas, com 115 mortos. Especialistas em direito internacional consideram as ações ilegais. A acusação sustenta que Maduro liderava o Cartel de los Soles, cuja existência é contestada. Também aponta cooperação com o Tren de Aragua, designado terrorista por Trump em 2025. Especialistas descrevem o grupo como facção local, restrita à Venezuela e países andinos. Documentos de inteligência dos EUA negam evidências de cooperação estatal organizada. Os dados sugerem que o narcotráfico não explica, sozinho, a intervenção americana. A contradição se acentua com o indulto de Trump a Juan Orlando Hernández, condenado por tráfico.

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 5/1/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Maduro e mulher podem ser condenados à prisão perpétua

O presidente venezuelano e a primeira-dama serão notificados, hoje, dos crimes aos quais devem responder. Segundo promotor, Maduro "utilizou o poder para promover atividades ilegais, incluindo o tráfico de drogas"

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com captura de Maduro, EUA alertam mundo que imposição pela força é opção legítima e alvos não param na Venezuela

Incidente diplomático com a Groenlândia horas depois da contundente operação contra Caracas, somado a declarações de autoridades, sugere que outros podem estar na mira de Washington

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Após ataque à Venezuela, Trump diz gostar da ideia de ação militar contra a Colômbia

Presidente dos EUA afirma que Gustavo Petro produz e vende cocaína aos EUA Colombiano, por sua vez, critica operação que capturou Nicolás Maduro

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Vice é importante, mas militares que decidirão rumos da Venezuela

Apesar do apoio militar à vice-presidente Delcy Rodriguez como nova líder venezuelana, analista Américo Martins avalia, no Agora CNN, que são as forças armadas que deterão o poder real no país

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Reunião da Celac termina sem comunicado oficial sobre situação da Venezuela

Países se reuniram de forma emergencial após captura de Maduro pelos EUA

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

“Abandono voluntário” passa a “dever de abandono”. Lei do retorno portuguesa aproxima-se da UE

Terminou no último dia de 2025 a consulta pública sobre as alterações à lei. O DN fez uma comparação sobre os mesmos regimes que existem noutros países da União Europeia (UE).