Especialista alerta que o fim abrupto do patrocínio das bets seria um desastre para o futebol brasileiro. Fabio Wolff afirmou que a proibição criaria um grande buraco nas contas dos clubes, além de redução dos investimentos das casas de apostas no esporte. Dirigentes de clubes brasileiros intensificaram as articulações na noite de segunda-feira com o objetivo de tentar reverter ou minimizar os efeitos da decisão do governo federal. As bets atualmente estão entre as principais patrocinadoras do futebol brasileiro e durante as articulações, surgiu até a possibilidade de paralisação do Campeonato Brasileiro. A ideia foi discutida por dirigentes em conversas telefônicas e mensagens e a mobilização ocorreu antes de uma reunião marcada com integrantes do governo federal. O encontro acabou cancelado após vários presidentes de clubes anunciarem que não participariam. A ameaça de não entrar em campo tem como objetivo pressionar o governo. Os clubes querem mudanças no plano apresentado para compensar as perdas financeiras. Entre as medidas está uma linha de crédito com juros baixos para as equipes e outra reivindicação consiste na criação de um período de transição para o fim da publicidade. Os dirigentes defendem um prazo entre seis meses e um ano para encerrar os contratos.
A paralisação também teria como objetivo envolver a CBF diretamente nas negociações. Até então, a confederação vinha mantendo uma postura mais distante sobre o assunto. A estratégia dos clubes parece ter aumentado a pressão sobre a entidade. Uma paralisação poderia comprometer o calendário apertado do futebol nacional até dezembro. Nesta terça-feira, o Sinafut entrou com pedido no STF para participar do processo. A entidade representa clubes e federações e possui forte influência da CBF. O processo questiona a medida provisória que proibiu as empresas de apostas no país. Alguns dirigentes interpretaram a iniciativa como uma entrada da CBF na discussão. O boicote à reunião do governo também contou com o apoio do Corinthians. O clube participa das negociações por uma linha de crédito para pagamento de dívidas. A equipe também negocia com a Caixa o financiamento de seu estádio em Itaquera. Apesar do cancelamento da reunião, o plano de ajuda financeira continua em discussão. Os clubes, porém, querem mais tempo para encerrar os contratos com as empresas e muitos ainda têm valores a receber das bets ao longo de 2026. Eles alertam que o orçamento de 2027 será afetado pela perda dessa receita.
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