O apoio de Donald Trump a Javier Milei vai além do discurso sobre as Malvinas. O presidente americano tem sido importante no projeto argentino de rearmamento militar. A Argentina voltou a investir em caças, blindados, helicópteros, munições e outros equipamentos. Milei intensificou a reivindicação argentina pelas ilhas Malvinas em meio à queda de popularidade. Segundo pesquisa de agosto, sua desaprovação chegou a 58%. Trump aproveitou a questão das Falkland para pressionar também o Reino Unido a ampliar seus gastos militares. A guerra de 1982 continua sendo um trauma nacional e tema de forte mobilização na Argentina. Milei elevou o tom ao defender novas ações e anunciar a construção de uma base naval; propôs punições para empresas que explorarem petróleo na região das ilhas. O processo de rearmamento argentino, porém, começou antes da atual ofensiva sobre as Malvinas. O principal negócio foi a compra de 24 caças F-16 usados da Dinamarca por US$ 300 milhões. O segundo lote, com seis aeronaves, deve chegar em breve. Trump poderia ter revisto a autorização para a transferência dos aviões, mas manteve a decisão. A Argentina também negociou um pacote de até US$ 940 milhões em armas e sistemas americanos. O país enfrenta, entretanto, dificuldades econômicas para financiar os novos equipamentos. O Exército argentino ainda comprou oito blindados Stryker dos Estados Unidos.
Em agosto, assinou acordo para receber mais 235 unidades, com valor não divulgado. O número supera a frota de 231 tanques TAM, que também passa por modernização. Neste mês, Buenos Aires anunciou a compra de quatro helicópteros Black Hawk por US$ 140 milhões. A expectativa é ampliar posteriormente a quantidade de aeronaves. Apesar das compras, a Argentina ainda gasta pouco em defesa em comparação internacional. Em 2025, destinou cerca de 0,5% do PIB ao setor, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. O Brasil gastou proporcionalmente o dobro e, em valores nominais, cerca de sete vezes mais. O gasto militar argentino chegou ao auge em 1978, durante a ditadura, com 4,72% do PIB. Desde 2004, porém, o país nunca ultrapassou 1% do PIB em defesa. O Brasil acompanha o processo sem identificar, até agora, uma ameaça militar argentina concreta. A defasagem das Forças Armadas argentinas continua sendo considerada muito grande. Nas Malvinas, o Reino Unido mantém quatro caças Eurofighter Typhoon, além de outras capacidades militares. A Marinha argentina também enfrenta limitações, com fragatas e submarinos fora de operação. Milei prevê novas fragatas e submarinos, mas a execução dependerá da capacidade financeira do país.
Nenhum comentário:
Postar um comentário