Executivos e especialistas do setor de bets reagiram com indignação à medida provisória assinada por Lula. A MP proíbe imediatamente o funcionamento das casas de apostas em todo o país. O setor afirma que a decisão surpreendeu empresas que haviam investido no mercado regulado. Nos últimos dois anos, o governo concedeu 85 outorgas, válidas por cinco anos. Cada autorização custou R$ 30 milhões às empresas. Executivos asseguram que a proibição não elimina a demanda por apostas, porque os consumidores podem migrar para plataformas ilegais e sem fiscalização. Fellipe Fraga, da Stellar Gaming, disse estar triste com a decisão e previu desemprego. A empresa, dona das marcas EstrelaBet e Vupi, emprega cerca de 200 pessoas. A MP também atinge cassinos online e jogos como o Tigrinho. O texto prevê ainda punições para quem explorar, operar ou divulgar apostas. O ministro Dario Durigan afirmou que novos aportes nas plataformas estão impedidos. Os sites permanecerão acessíveis apenas para permitir a retirada de valores depositados. Representantes do setor questionam a mudança após investimentos feitos sob regras oficiais. Ivan Dutra, da LBBR, disse que empresas pagaram outorgas e estruturaram sistemas de controle e o mercado regulado aumentou a fiscalização e a proteção dos apostadores. Dados do Comsefaz apontam R$ 350 bilhões movimentados via Pix em apostas em 18 meses.
As perdas dos apostadores chegaram a R$ 62,5 bilhões no período analisado. Entidades defendem estudos sobre os impactos econômicos e jurídicos da proibição. Também questionam possíveis indenizações pelas autorizações concedidas pelo próprio Estado. O governo justifica a medida principalmente pelo endividamento das famílias brasileiras. Segundo a CNC, as apostas retiraram R$ 143,8 bilhões do comércio nos últimos dois anos. Em março, 80,4% das famílias estavam endividadas, segundo a entidade. O Banco Central registrou endividamento de 49,9%, também em nível recorde. Lula já havia anunciado que pretendia acabar com as casas de apostas. Em Guarulhos, ele classificou a atividade como uma doença. Representantes do setor defendem o aperfeiçoamento da regulamentação, em vez da proibição. Eles destacam empregos, arrecadação, investimentos tecnológicos e patrocínios esportivos. A medida foi assinada nove dias antes do primeiro turno das eleições. Flávio Bolsonaro criticou a decisão e lembrou que o governo Lula havia regulamentado as bets.
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