A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada ontem pela Polícia Federal, ampliou o alcance político e institucional das investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master e passou a preocupar lideranças do Centrão ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Foram presos Vorcaro; seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel; Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como responsável por monitorar adversários do banqueiro; e o policial federal Marilson Roseno da Silva. Segundo a Polícia Federal, Vorcaro teria pedido ao Sicário que simulasse um assalto para intimidar o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. O plano envolveria agressão física, mas o atentado não foi executado. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Octávio Costa, repudiou as ameaças e reafirmou a importância da atuação da imprensa na cobertura do caso. A operação também atingiu o Banco Central, com medidas cautelares contra dois servidores de carreira: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Ambos foram afastados das funções, proibidos de entrar nas dependências do BC e obrigados a usar tornozeleira eletrônica por decisão do ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF. A decisão menciona suspeita de organização criminosa, danos bilionários e possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Vorcaro já havia sido preso na primeira fase da operação, em novembro do ano passado, mas foi solto posteriormente e passou a usar tornozeleira eletrônica. Segundo a defesa, o banqueiro sempre colaborou com as autoridades e nega ter tentado obstruir as investigações.
De acordo com a Polícia Federal, os dois servidores do Banco Central atuavam como consultores informais de Vorcaro, oferecendo orientações estratégicas sobre processos conduzidos pelo próprio órgão regulador. Eles teriam compartilhado informações internas, analisado documentos e sugerido argumentos a serem usados em reuniões com dirigentes da autoridade monetária. Em troca, teriam recebido pagamentos indevidos intermediados por terceiros. Paulo Sérgio Souza revisava documentos do Banco Master antes de serem enviados ao Banco Central e chegou a antecipar questionamentos que poderiam surgir em reuniões oficiais. Também teria alertado o banqueiro sobre movimentações financeiras detectadas pelos sistemas de monitoramento da autarquia. Belline Santana aparece como interlocutor frequente de Vorcaro em temas de supervisão bancária e, em algumas ocasiões, pediu que assuntos sensíveis fossem tratados por telefone. Mensagens obtidas pela PF indicam cobrança por pagamentos relacionados aos serviços prestados. Em um diálogo, Fabiano Zettel pergunta a Vorcaro se deveria pagar Belline, e o banqueiro responde afirmativamente. O Banco Central informou que identificou sinais de vantagens indevidas durante revisão interna sobre processos envolvendo o Banco Master. Após os indícios, os servidores foram afastados e a Polícia Federal foi acionada. A investigação já vinha causando tensão entre o sistema financeiro, o governo e o STF devido à dimensão das suspeitas. O envolvimento de servidores da autoridade monetária ampliou o impacto institucional do caso. Especialistas avaliam que o episódio constrange o Banco Central, mas não compromete o sistema financeiro. Nos bastidores de Brasília, cresce a preocupação com a possibilidade de uma delação premiada de Vorcaro. O banqueiro foi transferido para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, um presídio comum, e dificilmente terá a prisão revogada no curto prazo.
Foi a primeira ação do tipo no mundo desde a 
JUIZ É APOSENTADO COMPULSORIAMENTE




